Crise financeira norte-americana afetará pouco o Brasil, avalia presidente do BNDES

Julho 23, 2008

São Paulo - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje (24) acreditar que a crise financeira norte-americana, mesmo que duradoura, afetará pouco o Brasil. “Dizer que o impacto é zero não é verdade, mas não é um impacto relevante que vai fazer com que a economia brasileira volte a crescer em um nível insatisfatório”. Coutinho participa em São Paulo do fórum CPFL  Energia: Crise Financeira Internacional e Crescimento da Economia Brasileira.

Para Coutinho, a atual crise norte-americana “recrudesceu” nas últimas semanas, não deve se aprofundar, embora será “longa e duradoura”. Mesmo assim, o economista afirma que a economia brasileira continuará crescendo nos próximos anos. “Pode até desacelerar um pouquinho no ano que vem, mas isso já está dentro da conta”. Coutinho defende que uma ligeira desaceleração da economia brasileira é desejável, “para podermos controlar o processo inflacionário e manter a confiança nos investimentos”.

Sobre o reflexo da crise norte-americana nas exportações brasileiras, Coutinho lembrou que apesar de as vendas externas do país para os Estados Unidos serem relevantes, o Brasil tem uma pauta exportadora muito diversificada. “Num contexto em que a economia norte-americana desaquece, mas o resto do mundo continua crescendo a níveis satisfatórios, a economia brasileira sofre muito pouco”.

Fonte: Agência Brasil


Convênio promove mercado editorial brasileiro

Julho 23, 2008

São Paulo - O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira, e a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini, assinam hoje (23) convênio para promover o mercado editorial brasileiro no exterior. Será àgora de manhã, na Câmara Brasileira do Livro, em Pinheiros.

O Projeto Setorial Integrado (PSI) do Mercado Editorial envolve ações para facilitar negócios entre editoras brasileiras e representantes do mercado internacional. Após a assinatura, os dois presidentes estarão disponíveis para entrevistas.

Fonte: Agência Brasil


Brasil e Trinidad e Tobago firmam acordos de cooperação

Julho 23, 2008

Os governos do Brasil e de Trinidad e Tobago assinam nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, acordos nas áreas de energia e de serviços aéreos e a convenção para evitar dupla tributação, prevenir evasão fiscal e incentivar o comércio e o investimento bilaterais.


Os documentos serão firmados durante encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o primeiro-ministro do país caribenho, Patrick Manning, às 12h15.
Esta é a primeira visita de um chefe de governo de Trinidad e Tobago ao Brasil. Logo após a cerimônia, Lula e Manning participam de almoço no Itamaraty.

 

 

Fonte: JB Online


Brasil pedirá que subsídios dos EUA não passem de US$ 13 bi

Julho 23, 2008

O Brasil vai pressionar os Estados Unidos a reduzir ainda mais o limite sobre seus subsídios agrícolas para que não passem dos US$ 13 bilhões propostos no texto atual das negociações da Rodada Doha. 

“Poderíamos iniciar negociações se eles chegarem ao nível mais baixo contemplado. Dentro do politicamente viável, US$ 13 bilhões se aproxima do razoável”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao deixar a sede da Organização Mundial de Comércio (OMC) depois de um longo dia de reuniões.

Nesta terça-feira a negociadora comercial americana, Susan Schwab, melhorou sua oferta de corte da ajuda doméstica para US$ 15 bilhões - a anterior era de US$ 17 bilhões -, mas Amorim recordou que o G20 pedia um corte para US$ 12 bilhões.

Segundo o chanceler, a reunião desta terça-feira serviu para um intercâmbio de explicações entre os diferentes negociadores.

“Mostramos (aos Estados Unidos) que a proposta é o mesmo que duas vezes o que eles gastaram este ano e mais ou menos US$ 2,5 bilhões mais que a média (dos subsídios concedidos) desde 2002, incluindo 2008″, disse Amorim.

Amorim comparou a oferta de Schwab a uma jogada de futebol americano: “Eles lançaram a bola, mas não suficientemente longe.”

Indústria
No capítulo de bens industriais, foi o Brasil quem deu explicações sobre as limitações que enfrenta para fazer novas concessões.

“A cobrança é nossa, de que as pessoas têm que entender o que a gente quer dizer”, afirmou o chanceler.

E a mensagem, segundo ele, é clara: “Cláusula de anti-concentração é uma má idéia”.

Essas cláusulas, que os países mais ricos querem incluir no acordo, limitariam o nível de flexibilidade com o qual os países em desenvolvimento poderiam proteger determinados setores da indústria na hora de aplicar os cortes de tarifas.

Pouco antes, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, comentou que o ponto negativo da reunião foi a resistência de “certos negociadores” em aceitar a atual proposta para o capítulo industrial.

“Mas acredito que até o final da noite esses pontos foram superados”, disse.

Para Amorim, a intensidade do dia de reuniões é um bom sinal da disposição geral para se chegar a uma conclusão. “Alguns podiam ter ido embora, mas todo mundo continuou aqui negociando”, explicou ele.

Os sócios da OMC continuarão expondo suas dificuldades e possibilidades de avanço na jornada de quarta-feira, que promete ganhar novo fôlego com a chegada do ministro indiano de Comércio, Kamal Nath.

Na sexta-feira o diretor geral da OMC, Pascal Lamy, deve circular entre os negociadores um novo texto, com as propostas revisadas. Mas, apesar de a reunião estar programada para concluir no sábado, ninguém se atreve a dizer se o cronograma poderá ser cumprido.

“É mais importante concluir (o acordo) que simplesmente ter um deadline específico e preciso. Mas claro que não podemos estar aqui para sempre”, disse Amorim.
Fonte: Terra


Brasil é preocupação para China

Julho 23, 2008

Chineses temem invasão de produto agrícola brasileiro
A China quer proteções contra o aumento das exportações brasileiras de produtos agrícolas para seu mercado. Ontem, o governo chinês se reuniu com o chanceler Celso Amorim em Genebra e deixou claro que barreiras serão necessárias para impedir uma invasão repentina da produção brasileira.
A proposta faz parte dos debates na Organização Mundial do Comércio (OMC), e os chineses alertam que precisam de um mecanismo de salvaguardas quando o volume de importação atingir um nível preocupante. Pequim fez o mesmo alerta ao governo americano.
Amorim garantiu que seria difícil para o Brasil aceitar esse mecanismo. O Itamaraty insiste que será necessária uma maior abertura do mercado chinês para impedir que o déficit comercial do País com Pequim se amplie ainda mais nos próximos meses. O chanceler brasileiro Celso Amorim alertou ao governo chinês que, caso o déficit comercial do País com Pequim não seja reequilibrado, as “pressões protecionistas” podem surgir no Brasil.
Somente em janeiro deste ano, o déficit brasileiro atingiu US$ 882 milhões, quase metade de todo o déficit ao longo do ano passado, de US$ 1,8 bilhão. Hoje, a China já disputa com a Alemanha o título de maior exportador do planeta e poderá fechar o ano na nova posição.
Em janeiro, as vendas da China ao Brasil aumentaram 94%, somando US$ 1,5 bilhão. Enquanto isso, as vendas brasileiras não chegaram a US$ 700 milhões. A solução seria que a China se abra mais a nossos produtos, como carnes, e volte a comprar aviões.
O chanceler também insistiu na necessidade de mais investimentos chineses no País e os dois países trataram de eventuais visitas dos chefes de Estado em dezembro. Na avaliação de Amorim, investimentos maiores da China no Brasil também poderiam contrabalançar o déficit comercial entre os dois países.
O Brasil, que por anos manteve superávit com a China, hoje se encontra na mesma posição de americanos e europeus, que não sabem mais o que fazer para impedir que o buraco nas contas com Pequim aumente. No ano passado, a China teve superávit recorde de US$ 262 bilhões com o resto do mundo, o maior já acumulado por um só país. Nos EUA, o déficit já chega a US$ 250 bilhões.
Fonte: O Estado de São Paulo


Proposta americana detona nova crise

Julho 23, 2008

Com exigências sobre os mercados emergentes e sem nenhum efeito prático para reduzir as distorções no comércio agrícola, o governo americano apresenta uma oferta de corte de subsídios para tentar salvar a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas, diante da insatisfação de países emergentes, acabou detonando uma verdadeira guerra na reunião de mais de sete horas de ontem, colocou a entidade à beira de uma crise e obrigou uma reformulação de todo o processo da semana crucial da Rodada de Doha.
A Casa Branca diz que aceitaria um teto de US$ 15 bilhões por ano na distribuição de recursos a seus fazendeiros, com a condição de que as tarifas de importação nos países emergentes fossem retiradas para bens industriais. Mas Washington foi atacado pelo Brasil e outros países emergentes, que acusam os americanos de estarem reciclando uma oferta antiga e de manipularem o impacto da medida nos próximos anos. A reunião em Genebra para tratar da oferta se transformou em um palco de acusações e colocou o processo em risco.
O encontro acabou em um caos e a solução foi cancelar as reuniões de hoje. O diretor da OMC, Pascal Lamy, alertou que as negociações poderiam durar 15 dias. Os países optaram por fazer consultas bilaterais para tentar solucionar a crise. Para quinta-feira, a conferência sobre serviços também foi adiada, numa demonstração de que os problemas são sérios.
Por enquanto, o Itamaraty não decretou o fracasso do processo e espera que os americanos façam novas concessões nos próximos dias. Antes do encontro, o chanceler Celso Amorim tentava manter otimismo. “Estamos decepcionados com a oferta. Mas é um começo.”
Ao final, o clima era bem diferente. “Estamos nos movendo em câmera lenta. É melhor que uma paralisia. Mas a proposta americana ainda não foi suficiente para iniciar negociações sérias. Continuamos em desacordo”, disse Amorim. “É uma oferta decepcionante”, afirmou Jorge Taiana, ministro das Relações Exteriores da Argentina, país que está pressionado a fazer concessões no setor industrial. “As pessoas riram ao ouvir a proposta”, disse o embaixador da Índia, Vjal Singh Bhatia. Quem gostou foi o senador Tom Harkin, presidente da comissão de agricultura do Senado americano. “A proposta representa cortes reais.” Harkin é senador por Iowa, estado conhecido pela produção de milho e bilionários subsídios.

Países teriam de abrir seus mercados
O corte proposto ontem na reunião pelos norte-americanos para os agricultores vem repleto de condicionalidades. A principal é a abertura dos mercados dos países emergentes para bens industriais exportados pelos países ricos. Uma das principais é de que os países emergentes abram seus mercados. Foi nesse ponto que a reunião entrou em crise.
Países emergentes deixaram claro que não pagariam com aberturas comerciais pela suposta concessão dos americanos. O governo argentino foi um dos mais duros e disse que uma liberalização não estava em seus planos. O Brasil também evitou falar em aberturas. “Não fizemos concessões”, disse o chanceler Celso Amorim, que insistiu não haver motivo para abrir mais o mercado brasileiro diante do que estava ganhando na agricultura. Mas diplomatas que estavam na sala interpretaram algumas falas do chanceler como mensagens codificadas de que o País está disposto a negociar.
“Os governos terão de tomar decisões difíceis. Essa oferta não vem sem condições. Precisamos agora de acesso a mercados e queremos reciprocidades”, disse Susan Schwab, representante de Comércio da Casa Branca.
Para Amorim, a proposta definirá o que o Brasil oferecerá em outros setores. “Os subsídios definem o nível de ambição de liberalização da Rodada de Doha. Portanto, espero que não seja a proposta final, pois o nível de ambição que vemos é muito baixo.” Para Célio Porto, secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, as declarações de Susan ainda são um recado à Argentina de que não adianta insistir em cortes abaixo de US$ 13 bilhões nem em manter sua indústria protegida.
Susan insistiu que a oferta representa cortes reais nos subsídios. Mas, se ontem Amorim resistia em aceitar a oferta, parte da razão é o fato de que a Rodada de Doha mudou de preço para o Brasil. Há um ano, a diplomacia brasileira deu sinais de que estaria disposta a aceitar um teto de US$ 15 bilhões. Publicamente, Amorim insistiu em US$ 13 bilhões como teto. Mas, nos bastidores, a percepção é de que a posição não passa de uma tática negociadora para obter mais.

Casa Branca quer impedir disputas na OMC
O governo americano quer um armistício para assinar um acordo de corte de subsídios que impediria até mesmo que o Brasil questionasse nos tribunais internacionais a ajuda que os produtores de etanol recebem nos Estados Unidos e que distorcem os mercados. A Casa Branca afirmou ontem que apenas aceitaria reduzir seus subsídios se recebesse uma imunidade total em termos de disputas comerciais. Mas deixou o setor privado brasileiro preocupado diante da falta de limites específicos de subsídios por produtos.
Há menos de um mês, o Brasil venceu uma das disputas mais polêmicas da Organização Mundial do Comércio (OMC). A entidade, a pedido do Itamaraty, condenou os subsídios ao algodão e agora poderá dar o direito ao Brasil de retaliar os americanos.
Agora, Washington quer um compromisso dos governos que impeça países de abrirem novas disputas comerciais contra seus produtos agrícolas. Essa é uma das condições impostas pelos americanos para que aceite limitar seus subsídios. “Se essa proposta de US$ 15 bilhões for de fato aceita, queremos que não haja mais disputas comerciais”, disse Susan Schwab, representante de Comércio dos Estados Unidos. “Seria impossível retornar aos Estados Unidos e chegar com um acordo que possibilite que disputas sejam abertas e acabem reduzindo ainda mais os subsídios.”
Na prática, a proposta americana criaria uma moratória de disputas comerciais e o Brasil seria impedido de questionar os programas. O Itamaraty tem, na gaveta, uma das maiores disputas já preparadas contra os americanos, questionando mais de 80 programas de subsídios agrícolas.
Com a moratória nas disputas, os americanos estariam ainda confortáveis para não serem monitorados em seus programas de ajuda nem na manobra de fundos de um setor para outro. Para André Nassar, diretor do Icone, a proposta de uma moratória seria inaceitável. Já parte do governo acredita que poderia até aceitar, com a condição de que uma bela compensação fosse dada. Para especialistas, a insistência em uma moratória demonstraria que os americanos não garantem que vão respeitar os novos limites.
Na avaliação do Ministério da Agricultura, uma questão central será o teto que será colocado para cada um dos principais produtos que recebem subsídios. Hoje, grande parte vai para açúcar, algodão, milho, soja, leite e trigo. O temor do governo é de que um volume excessivo vá para apenas um produto em um ano específico.
Para a Oxfam, organização de combate à pobreza mundial, o pedido de imunidade “é um reconhecimento de que vão quebrar regras no futuro”.

Sugestão não surpreende, diz especialista em relações internacionais
A proposta apresentada pelos Estados Unidos na OMC de limitar os subsídios agrícolas anuais em US$ 15 bilhões já era esperada e nenhum avanço em reduzir a ajuda aos agricultores do país deve acontecer antes de 2010. A avaliação é da professora de Relações Internacionais da Unesp, Cristina Pecequilo, especialista em política americana.
Segundo ela, a posição do governo americano nas negociações é bastante clara há alguns anos, sempre na direção de deslegitimar as reivindicações dos países emergentes. “É uma guerra velada que se intensificou na reunião de Cancún, no México, por conta da criação do G-20″, disse.
De acordo com a professora, a declaração do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acusou os países ricos de usarem técnicas de desinformação dos nazistas nas negociações, foram tiradas do contexto e não deveriam ter sido exploradas pelos negociadores. “Mas faz parte do jogo”, disse.
Segundo a especialista, em favor dos benefícios internos dos países, a tática de travar o comércio internacional deve continuar tanto por parte dos Estados Unidos como da União Européia. “A diplomacia dos países emergentes já está cansada.”
Cristina acredita que a Rodada de Doha será interrompida este ano sem qualquer acordo. “Podemos esperar apenas algumas declarações de intenção mais fortes no encerramento”, explicou.

China quer barreiras para produtos brasileiros
A China quer proteções contra o aumento das exportações brasileiras de produtos agrícolas para seu mercado. Ontem, representantes do governo chinês se reuniram com o chanceler Celso Amorim, em Genebra, e deixaram claro que barreiras serão necessárias para impedir uma invasão repentina da produção brasileira.
A proposta faz parte dos debates na Organização Mundial do Comércio (OMC), e os chineses alertam que precisam de um mecanismo de salvaguardas quando o volume de importação atingir um nível preocupante. Pequim fez o mesmo alerta ao governo americano.
Amorim garantiu que seria difícil para o Brasil aceitar esse mecanismo. O Itamaraty insiste que será necessária uma maior abertura do mercado chinês para impedir que o déficit comercial do País com Pequim se amplie ainda mais nos próximos meses.
Amorim alertou o governo chinês que, caso o déficit comercial do País com Pequim não seja reequilibrado, as pressões protecionistas podem surgir no Brasil. Somente em janeiro deste ano, o déficit brasileiro atingiu US$ 882 milhões, quase metade de todo o déficit ao longo do ano passado, de US$ 1,8 bilhão. Hoje, a China já disputa com a Alemanha o título de maior exportador do planeta e poderá fechar o ano na nova posição.
Em janeiro, as vendas da China ao Brasil aumentaram 94%, somando US$ 1,5 bilhão. Enquanto isso, as vendas brasileiras não chegaram a US$ 700 milhões. A solução seria que a China se abra mais a nossos produtos, como carnes, e volte a comprar aviões.
O chanceler também insistiu na necessidade de mais investimentos chineses no País e os dois países trataram de eventuais visitas dos chefes de Estado em dezembro. Na avaliação de Amorim, investimentos maiores da China no Brasil também poderiam contrabalançar o déficit comercial entre os dois países.
O Brasil, que por anos manteve superávit com a China, hoje se encontra na mesma posição de americanos e europeus, que não sabem mais o que fazer para impedir que o buraco nas contas com Pequim aumente.
No ano passado, a China teve superávit recorde de US$ 262 bilhões com o resto do mundo, o maior já acumulado por um só país. Nos EUA, o déficit já chega a US$ 250 bilhões.

Movimentos sociais ameaçam protestos caso haja acordo
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e demais movimentos sociais ameaçam ocupar estradas, prédios públicos e fazendas se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Itamaraty garante que vai manter altas as tarifas para nove produtos agrícolas como forma de acalmar os produtores familiares, entre eles trigo, milho, arroz e feijão. Mas os representantes dos movimentos sociais garantem não aceitar nenhum acordo. “Por enquanto, estamos dialogando. Mas vamos passar à briga se o governo insistir no acordo”, disse o coordenador nacional de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), Gilmar Pastorio.
O agricultor foi um dos seis representantes de entidades sociais do setor rural que foram a Genebra acompanhar as negociações da Rodada de Doha. “Estamos aqui para atrapalhar e evitar a qualquer custo que haja um acordo”, afirmou Pastorio.
Nesta semana, o representante viajará a Dourados (MS) para falar a 5 mil colonos sobre os impactos da Rodada de Doha. “Se o governo não nos ouvir, vamos usar nossas táticas, que todos conhecem. Temos de ter o direito de nos proteger e garantir a segurança alimentar do Brasil.”
A Fetraf representa 4 milhões de pequenos produtores. “Mas o governo Lula prefere sair em defesa do agronegócio e de meia dúzia de milionários da soja.” Segundo ele, o Brasil destruiu a produção de trigo e outros produtos nos anos 1990 com a criação do Mercosul. “Éramos auto-suficientes em trigo nos anos 1980 e isso foi trocado por benefícios na indústria”, disse Pastorio.
Ele afirma que o governo agora precisa fazer manobras para conseguir pagar as dívidas dos pequenos agricultores. Ele alerta que 50% das exportações agrícolas brasileiras vêm da produção familiar. “De onde Perdigão e Sadia compram seus produtos? Quem é que acorda às 5 da manhã para dar alimentos aos porcos?”, questiona.
O Brasil vai propor na OMC a manutenção de barreiras à produção do trigo, milho e leite para tentar conter as importações e defender os interesses de pequenos produtores. Hoje, o País produz apenas 37% do trigo consumido. O restante é importado, principalmente da Argentina. Cebola, tomate, mandioca, arroz e alho também serão mantidos com tarifas altas.

Brasil e EUA discutem medidas de segurança no comércio bilateral
A Receita Federal realizou ontem reunião com o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos para “reforçar a parceria entre os dois países e intensificar a troca de informações nas práticas de comércio internacional”. A secretária-adjunta da Receita, Clecy Lionço, informou que a reunião serviu para reforçar, de um lado, a necessidade de uma prestação mais ágil de informações entre as aduanas dos dois países e, de outro, a importância de se ampliar a segurança em todas as etapas da cadeia de comércio exterior.
A secretária-adjunta explicou que o primeiro ponto foi reforçado pelo Brasil, que tem como uma das grandes preocupações os produtos embarcados de Miami, que a Receita identifica como um dos pontos de risco elevado de embarque de mercadorias com fraudes fiscais para o Brasil. Clecy ressaltou a necessidade de que, mesmo sem prejuízo das regras de sigilo, haja maior presteza na transmissão de informações ao Fisco brasileiro.
A secretária informou, que no lado americano, o destaque foi o pedido para que haja maior atenção à segurança logística. Segundo ela, a tendência, hoje, é de que é necessário ter atenção a todos os elos da cadeia, desde o produtor de um país até a chegada ao consumidor do outro. Clecy Lionço lembrou que, nesse esforço de segurança, a Receita brasileira está comprando scanners para inspeção não-invasiva de mercadorias.
Segundo ela, a visão das aduanas é de que o setor privado também precisa participar do processo destinado a dar maior segurança ao comércio. “As empresas precisam se certificar de que estão promovendo um transporte seguro para suas mercadorias e de que nenhum outro produto será colocado junto com elas”, disse Clecy. Ela explicou que, depois dos atentados de 11 de Setembro, os Estados Unidos aumentaram muito sua preocupação com esse item, pois lutam para evitar entrada de bombas ou de material para fabricação ilegal desse tipo de arma.
Clecy disse ainda que, no encontro de ontem, nenhuma medida concreta foi adotada. Ela destacou a existência de acordo de cooperação aduaneira entre Brasil e EUA desde 2005 e informou que a reunião teve por objetivo somente estreitar os laços entre os dois parceiros. “O objetivo é ampliar o combate a fraudes e tornar o comércio internacional mais ágil e seguro”, disse. Participaram da reunião o secretário da Receita Federal do Brasil, Jorge Rachid, e o secretário do Departamento de Segurança Nacional dos EUA, Michael Chertoff.
Fonte: Jornal do Comércio (RS)


Relator considera projeto de lei para tributação Brasil-EUA inconstitucional

Julho 23, 2008

Está cada vez mais difícil para a Receita Federal aprovar, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o projeto de decreto legislativo que ratifica um acordo bilateral firmado com os Estados Unidos sobre sigilo tributário. Na semana passada, o relator do tema no colegiado, deputado Regis de Oliveira (PSC-SP), concluiu seu parecer e afirma: o texto é inconstitucional.

Nas 16 páginas do parecer, o parlamentar segue duas linhas de entendimento para classificar o acordo assinado pelo secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e pelo embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel, em março de 2007. Para vigorar plenamente, o acerto precisa ser ratificado pelo Congresso Nacional. O texto já foi aprovado nas comissões de Finanças e Tributação e de Relações Exteriores da Câmara.

A primeira inconstitucionalidade apontada por Regis de Oliveira está na origem do acordo. Segundo o deputado, trata-se de um acerto bilateral de extrema importância estratégia para o Estado brasileiro. Com tamanha importância, o acordo deveria estar no patamar hierárquico de um tratado. E a Constituição de 1988 é clara sobre o tema, em seu artigo 84: cabe privativamente ao presidente da República assinar tratados. O chefe do Executivo pode delegar esse poder a ministros ou embaixadores, mas não ao secretário da Receita Federal.

Segundo Regis de Oliveira, acordos servem apenas para tratar de “matérias de menos relevância”. O tema do acerto com os Estados Unidos em matéria tributária, na opinião do relator, trata de “assunto essencial ao funcionamento do Estado”.

“A assinatura de um servidor público, por mais qualificado no direito interno como é o secretário da Receita Federal, não tem o condão de validar Acordo Internacional de tal ordem. É verdade que o conteúdo do tratado diz respeito ao aspecto tributário. No entanto, falta-lhe competência para fazê-lo”, escreveu Regis de Oliveira, no relatório.

O segundo ponto do projeto de decreto legislativo atacado por Oliveira tem a ver com as funções dos servidores da Receita Federal. Segundo ele, a Emenda Constitucional nº 42, de 2003, transformou as administrações tributárias em atividades essenciais ao funcionamento do Estado brasileiro.

“Quando a Constituição estabelece que a administração fazendária deve ser exercida por servidores de carreiras específicas, o constituinte pretendeu conferir tratamento especial ao servidor da administração tributária, fortalecendo as carreiras fazendárias titulares da competência indelegável de arrecadar e fiscalizar tributos”, argumenta Regis de Oliveira. Por esse entendimento, as funções dos servidores da Receita Federal e dos demais órgãos tributários são exclusivas e não podem ser exercidas por nenhum outro funcionário público, sobretudo de outro país.

A Receita Federal já se movimenta para tentar derrubar o relatório do parlamentar. O deputado José Genoino (PT-SP) tem sido municiado de informações para contrapor todas as posições de Oliveira. O petista redigirá voto em separado que será defendido pelo governo quando da votação do texto na CCJ. Embora a proposta tenha de passar pelo plenário da Câmara antes de ir ao Senado, a votação no comissão é fundamental, já que ela tem poder terminativo. Isso significa que, se rejeitar o texto por inconstitucionalidade, o projeto não poderá mais tramitar.

Segundo a Receita, a argumentação de que o secretário Rachid não tem competência para assinar o acordo bilateral não encontra respaldo jurídico. A autarquia lembra que o texto do acordo foi aprovado pelo Itamaraty, passou pela procuradoria da Fazenda Nacional e pela Casa Civil antes de ser enviado ao Congresso Nacional.

Em nota divulgada sobre o assunto, a Receita aponta três acordos aduaneiros - nos mesmos moldes desse tributário - firmados com Holanda, Rússia e Estados Unidos como exemplos de que o secretário da autarquia tem poderes para assinar tratados internacionais. O órgão lembra também que todas as atividades executadas pelos fiscais norte-americanos no Brasil serão submetidos à Receita. Todas as suas ações terão supervisão dos fiscais brasileiros. Em diversos trechos do projeto, há ainda a prerrogativa de a empresa ou a pessoa investigada recusar a fiscalização do outro país.

O Código Tributário Nacional é citado por Oliveira e pela Receita Federal ora para derrubar o acordo ora para defendê-lo. O deputado diz que o artigo 199 da legislação já prevê a cooperação com país estrangeiros em questões tributária, não havendo necessidade de ser firmar um acordo bilateral. A Receita lembra que o artigo exige expressamente que a permuta de informações seja feita por meio de “tratados, acordos ou convênios”.

Na semana passada, a comissão aprovou a realização de uma audiência pública para debater o tema. O debate deverá ocorrer na segunda semana de agosto. O PT era contra a realização da discussão por entender que a maioria de seus convidados defendem a derrubada do acordo com os EUA
Fonte: Valor Econômico


Países desenvolvidos querem limitar flexibilidade solicitada pelo Mercosul

Julho 23, 2008

Os países desenvolvidos aumentaram ontem a pressão para limitar a flexibilidade para o Mercosul proteger suas indústrias num acordo na Rodada Doha. Eles insistiram em só aceitar que o bloco proteja 12% de suas linhas tarifárias industriais, comparados aos 16% pedidos pela Argentina para poder acomodar as sensibilidades de cada país.

Os Estados Unidos apresentaram proposta por acordos setoriais, oferecendo uma espécie de “bonus” como estímulo para quem aceitar eliminar ou reduzir substancialmente as alíquotas dos setores negociados. Pelo bônus, teriam 1a 2 pontos nos coeficientes para reduzir menos as tarifas no resto. Os emergentes são contra.

Os países continuaram fortemente divididos após sete horas de negociações agrícola e industrial no “green room” (reunião ministerial restrita), com cobranças recíprocas e manutenção de posições. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reclamou que a negociação está lenta demais, mas logo acrescentou ser “melhor um começo em câmara lenta do que paralisia total, assim podemos continuar a discordar”.

Pascal Lamy, diretor da OMC, mudou o formato das negociacões a partir de hoje, agora em pequenos grupos ou bilaterais. A negociação de serviços foi empurrada para sexta-feira.

Peter Mandelson, o comissário europeu de comércio, disse que um dos momentos ruins foi quando “um ou dois países”, Argentina e Índia, pareceram rejeitar o texto de base da negociação industrial, mas que as coisas teriam entrado nos eixos mais tarde.

Pela manhã, quando Lamy mencionou aceitação dos parâmetros fixados pelos textos dos mediadores agrícola e industrial, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, contestou: “Isso não é verdade dentro de Nama [o texto para a liberalização industrial]”.

As cobranças dos países desenvolvidos continuaram fortes por uma cláusula “anti-concentração” na área industrial, para os emergentes não protegerem todo um setor, como automotivo. “No geral, o tabuleiro não se mexeu”, resumiu um negociador já a meia-noite em Genebra. (AM)
Fonte: Valor Econômico


Brasil e EUA rediscutem regras aduaneiras

Julho 23, 2008

As empresas beneficiadas pelo programa de Despacho Aduaneiro Expresso da Receita Federal do Brasil (RFB), conhecido como Linha Azul, terão que adotar, futuramente, políticas mais seguras de contratação de pessoal e de acesso físico de pessoas às suas instalações. A informação foi dada ontem pela secretária-adjunta da Receita. Clecy Lionço, após reunir-se com o secretário do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Michael Chertoff, ao qual está submetida a aduana daquele país.

Também estavam presentes o titular da RFB, Jorge Rachid, e o comissário-adjunto da Agência de Aduanas e Proteção de Fronteiras dos EUA, Mike Mullen. Foram discutidos diversos pontos do acordo de cooperação aduaneira mantido desde 2005 entre os dois países, entre eles a harmonização dos critérios de adesão ao Linha Azul com os do programa correspondente do governo norte-americano. A inclusão, no programa brasileiro, de exigências que inibam a infiltração de criminosos nas operações de comércio internacional é um dos passos que faltam para essa harmonização, informou Clecy, sem prever, porém, quando a medida será tomada.

Conforme Clecy, a padronização de critérios é necessária para que cada um dos dois países reconheça o selo de confiabilidade e segurança atribuído pelo outro aos respectivos exportadores e importadores. Criado por instrução normativa da Receita Federal em 2004, antes do acordo com os EUA, o Linha Azul dá um tratamento aduaneiro privilegiado, em termos de agilidade, a empresas exportadoras e importadoras que facilitam o acesso da fiscalização tributária a todas as suas operações.

Para entrar e se manter no programa também é necessário comprovar regularmente cumprimento rigoroso de todas as obrigações fiscais, cadastrais e documentais, entre outras. A empresa ganha do governo uma espécie de “selo” de operador internacional confiável e consegue despachar mais rapidamente suas cargas nos portos, aeroportos e fronteiras.

Conforme Clecy, o objetivo do programa é estimular um comércio internacional ao mesmo tempo mais ágil e mais seguro, menos vulnerável a fraudes, tanto de valores (sub ou superfaturamento) como de conteúdo (declaração falsa do tipo de carga).
Fonte: Valor Econômico


Oferta dos Estados Unidos de corte de subsídios agrícolas não é suficiente, diz Amorim

Julho 22, 2008

Brasília - O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje (22) em Genebra, na Suíça, sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), que a proposta de redução de subsídios agrícolas apresentada pelos Estados Unidos ainda não é “suficiente”, segundo informações da BBC Brasil.

Representantes de mais de 30 países estão reunidos na sede da organização para tentar fechar um acordo nas negociações da Rodada Doha.

O G20, grupo de países em desenvolvimento liderado pelo Brasil e pela Índia, havia pedido aos Estados Unidos um limite de concessão de subsídios de, no máximo, US$ 12 bilhões, no entanto, a secretária de Comércio Exterior norte-americana, Susan Schwab, ofereceu US$ 15 bilhões hoje.

A secretária disse que essa oferta é um “ grande avanço” nas negociações e acredita que a nova oferta poderá trazer uma “redução significativa” às concessões de subsídios. A última oferta americana foi de US$ 17 bilhões, mas essa oferta foi recusada pelo G20.

Schwab disse ainda que esta nova oferta está condicionada a uma proposta de maior abertura dos mercados dos países em desenvolvimento nas áreas de bens industriais e serviços.

Fonte: Agência Brasil