Quase todas as 500 maiores empresas do planeta operam no mercado chinês

Agosto 17, 2008

Pequim (China) - “O aprendizado será longo e cruel, mas não estar na China é não estar no mundo”. Dessa forma Alberto Miranda, da Fundação Dom Cabral, resumiu o que significa fazer negócios com o gigante asiático. A frase, segundo ele, é do diretor-geral da Embraco na China, João Carlos Lemos – a fabricante brasileira de compressores, que já está há 12 anos no mercado que ao mesmo tempo atrai e atemoriza empresários do mundo todo.

“O fator China surge em toda discussão estratégica de todas as grandes e médias empresas hoje”, garante Miranda, que gerencia o programa China: Oportunidades e Desafios, voltado a executivos brasileiros interessados em conhecer o mercado chinês.  “As oportunidades são múltiplas, mas é necessário conhecer esse ambiente, tão diverso do nosso. É preciso definir onde fazer negócio, com que segmento, quais sãos os concorrentes, conhecer direito empresarial chinês”,  orienta.

Quase todas as 500 maiores empresas do planeta listadas pela revista Fortune possuem operações na China ou têm negócios com o país. Apesar do crescente interesse brasileiro, atualmente há apenas 35 empresas brasileiras atuando na China. Algumas já instalaram plantas industriais lá, como a Embraco, a Embraer (no país desde 2003 em associação com a estatal Avic 2)) e a fabricante catarinense de motores elétricos WEG. Outras, contam com escritórios comerciais – é o caso de Gerdau, Suzano, Banco do Brasil e Itaú/BBA.

Desde a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, o país também passou a permitir a abertura de empresas com capital 100% estrangeiro em alguns segmentos, como o de autopeças. Noutros, é necessário um parceiro chinês. A entrada de empresas estrangeiras só segue proibida em setores considerados estratégicos, como o militar e segmentos da aviação, ainda é proibida a entrada de empresas estrangeiras. “A abertura ao capital estrangeiro tem sido progressiva. Há setores que são incentivados, como aqueles que trazem tecnologia para a China”, destacou Miranda.

Atrativos não faltam no mercado chinês: mão-de-obra barata, carga tributária menor, boas condições de infra-estrutura, boas reservas de capital (poupança e reservas externas). Outra vantagem citada  por Miranda é o planejamento governamental de longo prazo para a atividade econômica.

Mas a China também tem suas fraquezas, como a escassez de matérias-primas, água e de energia limpa – cerca de 75% da energia do país é gerada de termoelétricas à base de carvão, o que faz da China o segundo maior poluidor do mundo.

Miranda também chama a atenção para um problema recorrente: as cópias. É comum os chineses simplesmente copiarem os processos das empresas que lá se instalam.  Ele recomenda a contratação de uma boa consultoria em direito empresarial, especialmente em direito de propriedade intelectual.  “Se você proteger o produto eles vão copiar o processo, se você proteger o processo e tirar uma patente, eles vão copiar a marca, se proteger a marca vão copiar o logo, o jingle. Tem que estar muito bem assessorado em relação a isso e, ainda assim, poder correr algum risco”, alerta.

Fonte; Agência Brasil


Fórum empresarial defende aprovação de acordo entre fiscos de Brasil e EUA

Agosto 15, 2008

Marta Watanabe e Thiago Vitale Jayme, de São Paulo e Brasília

Um pequeno grupo de empresas iniciou esta semana uma ofensiva para defender o acordo bilateral para troca de informações entre Brasil e Estados Unidos. Formado por executivos de dez empresas brasileiras e dez americanas, o grupo, auto-denominado como Fórum de CEOs Brasil-Estados Unidos, defende que o texto do acordo bilateral é constitucional e não viola o direito à privacidade ou ao sigilo de dados e nem submete contribuintes ao risco de ter informações utilizadas para outros fins que não os de fiscalização tributária. Entre as brasileiras integrantes do fórum estão Coteminas, Gerdau, Vale e Embraer (ver quadro).

A interpretação do grupo de CEOs colide com a defendida até agora pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Procurada ontem, a assessoria de imprensa da entidade informou que a Fiesp mantém suas declarações iniciais sobre o acordo e que deverá avaliar o assunto em reunião de seu conselho jurídico até o fim de agosto. A federação se declara a favor da fiscalização e da transparência, mas diz que o texto em análise no Congresso permite “praticamente a troca livre de informações”.

O texto do acordo bilateral em análise pelos parlamentares é resultado de um consenso entre os fiscos americano e brasileiro. O tratado já foi assinado pela Receita Federal e pela Embaixada dos Estados Unidos, mas precisa da aprovação no Congresso para entrar em vigor. Os parlamentares devem decidir se aprovam ou rejeitam os termos do acordo. Não é possível fazer emendas ao texto.

O projeto de decreto legislativo do acordo já havia sido aprovado por duas comissões, mas emperrou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O texto foi alvo de debate na última quarta-feira em audiência pública solicitada pelo deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), um dos que defendem que o acordo é perigoso e pode colocar em risco o sigilo de informações.

Flávio Leite, coordenador técnico do grupo de CEOs diz que existe uma grande preocupação de que a rejeição do acordo para troca de informações comprometa as negociações em curso em prol de um acordo para evitar dupla tributação entre Brasil e Estados Unidos. “O intercâmbio de informações é pré-requisito para avançar no tratado de bitributação e é um gesto político do país nessa direção”, diz. Segundo ele, uma das prioridades do grupo sempre foi o acordo para evitar dupla tributação. De acordo com cálculos da Gerdau, um tratado nesse sentido reduziria de 56,4% para 47,3% a carga tributária de Imposto de Renda sobre a repatriação de lucros das unidades que as empresas brasileiras mantêm em terras americanas. “Isso tira nossa competitividade com as empresas situadas nos demais países do BRIC”, diz, referindo-se à Rússia, Índia e China.

Em nota, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração da Gerdau, diz que, embora tratadas em acordos diferentes, as questões de intercâmbio de dados e bitributação são complementares e estão vinculadas, “sendo que não há razão para a existência de um sem a criação do outro”.

O deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), não dá importância ao receio de que a rejeição do acordo comprometa o futuro do acerto sobre o fim da bitributação. “Não temos qualquer garantia dos Estados Unidos de que, uma vez aprovado o acordo atual, poderemos firmar um segundo acordo, sobre bitributação”, afirma o deputado. “Só estamos aprovando o que é bom para os Estados Unidos. O que é bom para nós, que é o fim da bitributação, não vai acontecer.”

Heleno Taveira Torres, professor da Universidade de São Paulo que criticou o texto do acordo sobre troca de informações na audiência pública também discorda do grupo de CEOs. “Entre os direitos fundamentais do cidadão e os interesses econômicos de poucas empresas já submetidas a um transparência plena em função de questões de mercado, fico com a proteção dos direitos.”

Torres diz que os Estados Unidos só mantêm acordos para troca de informações com paraísos fiscais. “As exceções são México, Peru e Colômbia, mas esses países têm um alto grau de dependência econômica dos Estados Unidos, o que não acredito ser o caso do Brasil”, diz o professor. Segundo ele, nenhum desses países têm acordos para evitar bitributação com os EUA. “Os americanos não têm acordos para troca de informações com outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento.”

Em nota ao Valor, a Receita Federal diz que desde 2006 autoridades do Brasil e EUS consideram o acordo para troca de informações como um passo importante para o tratado de bitributação. O órgão diz que a a tramitação do texto do acordo para troca de dados não interrompeu os encontros para avançar na negociação do acordo para evitar dupla tributação.

Assinada por Marcus Vinicius Vidal Pontes, chefe da assessoria de assuntos internacionais da Receita, a nota assinala que “as discussões na CCJ fazem parte do processo democrático e a tramitação segue os prazos normalmente observados em atos internacionais desta natureza. Portanto, o tempo que está sendo consumido na apreciação do Congresso Nacional já foi levado em consideração pelas autoridades de ambos os países.”
Fonte: Valor Econômico


Especialistas criticam acordo fiscal Brasil-EUA

Agosto 15, 2008

Especialistas da área tributária criticaram ontem o acordo de intercâmbio de informações fiscais entre o Brasil e os Estados Unidos. Para entrar em prática, o acordo precisa ser aprovado pelo Congresso. Os tributaristas que participaram de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados foram unânimes em dizer que o Brasil deve firmar um tratado com os EUA para evitar a bitributação, em que estaria expressa a possibilidade de troca de informações.
Eles consideraram exagerado e inconstitucional fazer um acordo apenas para permitir a quebra de sigilo fiscal de brasileiros para os Estados Unidos e vice-versa, inclusive para investigações criminais. “A troca de informações é importante para o País. Mas lavagem de dinheiro, corrupção, crimes de colarinho branco e narcotráfico são matérias policiais e da área judiciária – e não da Receita Federal”, disse Antônio Carlos do Amaral, advogado da OAB de São Paulo e conselheiro jurídico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Também criticaram o projeto Heleno Taveira Torres, professor de direito tributário da USP, e Agostinho Tavolaro, representante da Câmara Americana de Comércio.
O assessor de assuntos internacionais da Receita, Marcus Vinícius Pontes, defendeu que as informações fiscais fornecidas pelo governo americano poderão ajudar em processos de fiscalização no Brasil. Ele citou casos de evasão de divisas para os EUA e sonegação fiscal. “Muitos brasileiros têm casas na Flórida e não as declaram ao Fisco no Brasil. Com esse acordo, poderemos multar essa sonegação”, disse. Pontes afirmou estar confiante na aprovação do projeto, mesmo depois do parecer contrário do relator na CCJ. Em julho, o deputado Regis de Oliveira (PSC-SP) apresentou parecer pela “inconstitucionalidade” do projeto.
sigilo. O advogado Ives Gandra Martins avalia que o texto autoriza o governo americano ou o brasileiro a solicitarem quebra de sigilo fiscal mesmo sem indícios de crime tributário. “É um acordo que permite a investigação de brasileiros, mesmo que o governo não tenha interesse imediato”, afirmou Gandra Martins. O tributarista cita, ainda, que um acordo de cooperação internacional deveria ter sido assinado pelo presidente Lula e não pelo então secretário da Receita, Jorge Rachid.
Segundo a Receita Federal, o acordo de intercâmbio de informações começou a ser discutido no início de 2007 pelo órgão, como um primeiro passo para que os Estados Unidos aceitassem fechar um tratado para evitar a bitributação. Em março do ano passado, o presidente Lula assinou uma carta de Plenos Poderes, com o referendo do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para que Rachid pudesse assinar o acordo com o governo americano.
Fonte: Jornal do Comércio


Atualização

Agosto 13, 2008

Fiz algumas alterações em 2 partes do blog. Espero que gostem:

1. Quem sou: http://comexgui.wordpress.com/about/

2. Serviços: http://comexgui.wordpress.com/servicos/


Indústria de alimentos registra aumento de 1,86% no faturamento em junho

Agosto 12, 2008

Brasília - O faturamento da indústria de alimentos cresceu 1,86% em junho, em comparação com o resultado do mês anterior. Na comparação com maio de 2007, o crescimento foi de 17,59% . No acumulado do ano, a alta foi de 20,87% e, nos últimos 12 meses, de 16,24%. Os dados foram apresentados hoje (12) pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia).

Segundo o balanço, o volume de alimentos produzido em junho foi 1,68% maior do que o de maio. Quando comparado a maio do ano passado, o volume ficou 6,18% acima. No acumulado do ano, a produção foi 7,97% mais alta do que no mesmo período do ano passado e, nos últimos 12 meses, 4,73 % maior.

O presidente da Abia, Edmundo Klotz, atribuiu o crescimento do consumo e do faturamento no setor ao aumento da oferta de empregos e da renda da população e também à melhor remuneração dos trabalhadores.

Klotz disse que o primeiro semestre foi muito bom para a indústria de alimentos: “Apesar dos preços altos e da inflação, houve seguramente aumento de ganhos, salários e renda, em porcentual bastante significativo.” Ele destacou os setores de carnes, congelados e desidratados e afirmou que a população começou a se alimentar melhor e que os produtos mais nobres foram os mais consumidos.

De acordo com as projeções da Abia, o faturamento do setor deve chegar neste ano a R$ 268 bilhões, 16,2% a mais do que em 2007, quando ficou em R$ 230,6 bilhões. Só em alimentos, a entidade estima que o faturamento seja de R$ 228,1 bilhão. Os R$ 39,9 bilhões restantes devem ser faturados na venda de bebidas.

Estimativas da Abia apontam, entre os setores que mais vão contribuir para o resultado, os de derivados de carne, que devem faturar R$ 60,99 bilhões, 19,98% a mais do que no ano anterior; beneficiamento de café, chá e cereais, com previsão de R$ 31,62 bilhões (+ 28,06%); óleos e gorduras, com R$ 29,81 bilhões (+ 25,94%); e laticínios, com 27,33 bilhões (+15,50%).

Segundo dados da Abia, as exportações, que no ano passado atingiram US$ 26,6 bilhões, com crescimento de 17,5% sobre o ano anterior, e aumento de 4,1% no volume, poderão chegar em 2008 a US$ 29,7 bilhões (+16,3% ). A previsão é de exportações em torno de 44 milhões de toneladas, o que representaria queda de 5,5% na comparação com o ano de 2007.

Klotz, também apontou as principais preocupações do setor de alimentos: crescimento do país abaixo da média dos países emergentes, regulamentação excessiva, falta de investimentos em logística e de uma saída para o Oceano Pacífico, crescimento das marcas próprias do varejo, a necessidade de redução da tributação nos alimentos e a inflação mundial dos alimentos.  “Além dos juros, que estão nos castigando tremendamente. Nós temos muito a resolver. É um país que por mais que produza e evolua, ainda está atrás dos outros emergentes”, completou.

Fonte: Agência Brasil


Empresários avaliam impactos da Rodada Doha no comércio exterior brasileiro

Agosto 12, 2008

Brasília - Os resultados da Rodada Doha e o impacto da falta de um acordo multilateral para o comércio exterior brasileiro serão discutidos hoje (12) em uma reunião de empresários, a partir das 15h,  na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

O encontro é promovido pela Coalizão Empresarial Brasileira, grupo de organizações empresariais liderado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Na reunião, o embaixador Roberto Azevêdo, negociador brasileiro na Rodada Doha, fará um balanço das reuniões realizadas na última semana de julho em Genebra, na Suíça.

Após o encontro, às 17h30, o embaixador Roberto Azevêdo, o coordenador da Coalizão Empresarial Brasileira, Carlos Marianni, e o diretor de Negociações Internacionais da Fiesp, Mario Marconini, concedem entrevista coletiva sobre o assunto.

Fonte: Agência Brasil


Cotação das commodities desafia balança brasileira

Agosto 12, 2008

A queda nos preços das commodities pode obrigar o Brasil a rever sua estratégia para manter um superávit em sua balança comercial. Dados coletados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) sugerem que a queda nos preços dos bens agrícolas pode reduzir de forma substancial o superávit brasileiro. Para deixar a situação dos exportadores brasileiros ainda mais difícil, a Europa anunciou que colherá uma safra que pode bater recordes em 2008, o que deve fazer com que os preços caiam ainda mais.
“O que estamos vivendo é uma correção nos preços das commodities, que estavam altos”, explicou Michael Finger, chefe da divisão de estatísticas da OMC. “Com a alta de preços, muitos consumidores deixaram de comprar nos volumes que estavam acostumados. O resultado é que o mercado se auto-regulou e os preços voltaram a cair”, explicou Finger.
Segundo a OMC, mais da metade da alta registrada nas exportações nacionais nos últimos meses ocorreu graças aos preços, e não ao volume exportado. O mesmo já havia ocorrido em 2007. No ano passado, o País registrou um crescimento das exportações de 17% em valor, com US$ 161 bilhões. Em volume, porém, o Brasil teve uma alta de suas vendas de apenas 6,9%. Nos primeiros quatro meses do ano, a alta nos preços das commodities salvou as exportações brasileiras e permitiu que o País tenha uma taxa de crescimento em 2008 acima dos índices da China.
Mesmo com essa expansão, o superávit já vinha caindo diante do crescimento das importações, uma das maiores entre as principais economias do mundo nos últimos seis meses. Agora, sem o fator preço, o cenário promete ser bem diferente. Outro fator que deve atrapalhar deve ser a retomada da boa safra na Europa em 2008. “Os produtos, incentivados pelos preços, plantaram mais e as perspectivas de safra na Europa são muito boas neste ano”, disse Finger. A safra da UE neste ano será 16% superior à de 2007. Com apenas 1,2% do comércio mundial, o Brasil precisaria se concentrar em garantir uma maior competitividade de seus setores produtivos para não depender dos preços dos produtos de base.

Lamy tenta convencer Índia a rever posição e retomar Rodada de Doha
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, chega hoje à Índia para tentar convencer o governo a rever suas posições na Rodada de Doha e permitir a retomada do processo.
Ontem, em Genebra, o mediador das negociações agrícolas da Rodada de Doha, Crawford Falconer, sugeriu em um documento enviado a todos os governos que o processo não seja abandonado e que os diplomatas “tirem a poeira de cima e voltem a trabalhar” o mais rápido possível. “Não se pode mais esperar por uma intervenção divina do Olimpo”, disse ao tentar encorajar a retomada das negociações.
Muitos em Genebra acham irrealista a retomada da rodada neste ano. No final de julho, a OMC fracassou em chegar a um acordo sobre a liberalização dos mercados. Há poucos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua viagem à abertura dos Jogos Olímpicos para debater com outros líderes a retomada de Doha.
O governo americano, enquanto isso, deu sinais que não tem mais o que oferecer nessa atual gestão. Ontem, porém, o mediador foi direto ao ponto e indicou que os governos quase chegaram a um acordo. Sua avaliação é de que havia uma base para um acordo em quase todos os pontos e acredita que os temas que não foram tratados poderiam ter sido solucionados.
Mas disse que as diferenças entre os ministros não foram apenas técnicas, mas sim políticas. Por isso, ele não acredita que a rodada possa ser retomada apenas superando questões técnicas. Falconer cita o problema do mecanismo que permitiria que países emergentes pudessem impor barreiras quando ocorresse um surto de importação de alimentos. Índia e Estados Unidos não chegaram a um acordo sobre o assunto.
Não por acaso, o diretor da OMC, Pascal Lamy, visita a Índia e irá aos Estados Unidos tentar retomar o diálogo com esses países. Seu objetivo será o de convencer os governos a aceitar um compromisso. Em Nova Délhi, Lamy se reunirá com o ministro da Indústria da Índia, Kamal Nath, que deixou Genebra com a fama de intransigente. Mas chegou a seu país aclamado por não ter cedido às pressões dos países ricos.
Fonte: Jornal do Comércio


Commodities têm queda recorde e aliviam inflação

Agosto 12, 2008

Os preços das commodities já caíram mais de 12% em agosto e tiveram o maior recuo da década. O índice Commodity Research Bureau (CRB), que acompanha a cotação das matérias primas comercializadas em larga escala no mercado mundial nos mercados futuros, fechou sexta-feira em 387,42 pontos, depois de ter atingido 440,7 pontos em julho e 443,8 pontos em junho, o pico da série histórica.

A tendência de queda é visível desde o mês passado. Nos últimos 30 dias, a cotação da soja, por exemplo, caiu 22% no mercado futuro; o milho, 27%; o petróleo, 17%; e o alumínio, 10%. Esse movimento alivia a pressão sobre a inflação neste ano e deve trazer os índices para níveis próximos do centro da meta seguida pelo Banco Central (BC), de 4,5% para 2009, prevêem os economistas.

Dois indicadores divulgados na semana passada reforçam essa tendência. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial da inflação, encerrou julho em 0,53%, ante 0,74% no mês anterior. A desaceleração foi provocada pela perda de fôlego dos preços dos alimentos, que aumentaram 1,05% em julho, a metade da variação de junho (2,11%). A primeira prévia deste mês do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) apresentou deflação de 0,01%, depois de ter subido 1,55% em julho. Nesse caso, também os alimentos ajudaram a derrubar a inflação tanto no atacado como no varejo.

A desaceleração da inflação estampada nos índices reflete só uma parte do recuo dos preços das commodities, afirma o sócio-diretor da RC Consult, Fábio Silveira. “O maior impacto está por vir.” Segundo ele, a inflação deste ano dificilmente vai superar 6,5% e deve ficar abaixo de 4,5% em 2009 por causa da queda das commodities. “Se alguém tinha dúvida de que o BC traria a inflação de 2009 próximo da meta, agora ela diminuiu”, diz o economista do Banco Real, Fábio Susteras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: A tarde


Fiesp promove Fórum Brasil-África

Agosto 11, 2008

A Fiesp e os embaixadores africanos no Brasil promovem o Fórum Brasil-África, que ocorre hoje, das 9h30 às 13h, na sede da federação em São Paulo.

Devem comparecer ao evento o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, o vice-presidente do BNDES, Armando Mariante, o presidente da Embrapa Sílvio Crestana, o presidente do Consórcio Africano do Agronegócio, o diretor do Itamaraty Simas Magalhães, além de empresários brasileiros e africanos com experiência no comércio inter-Atlântico.

A Fiesp espera oferecer uma oportunidade para se apreciar as oportunidades de investimento que a África oferece nos mais variados setores. Haverá palestras sobre Infra-Estrutura, Alimentos, Energia, Financiamentos e Oportunidades Multi-Laterais.

Fonte: Guia News


Perdas já chegaram a superar exportações

Agosto 11, 2008

Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1996 e 2003 houve safras em que as perdas superaram as exportações. No último ano estudado, por exemplo, 3,6 milhões de toneladas de milho foram exportadas, enquanto 4,1 milhões de toneladas se perderam entre o transporte e o armazenamento.
Segundo Luiz Antônio Fayet, consultor da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), as maiores perdas físicas estão concentradas na lavoura e no primeiro trecho do transporte, feito pelo próprio produtor.
– O transporte primário geralmente é feito em caminhões de uso geral, que não têm as condições ideais de vedação. A partir daí, a colheita já é transportada em caminhões de grande distância ou vagões, que costumam contar com equipamentos mais sofisticados para o armazenamento – disse Fayet.
Das cargas no país, 67% são transportadas por meio das rodovias, consideradas por especialistas como o transporte menos vantajoso para longas distâncias. O transporte rodoviário é mais adequado para as distâncias inferiores a 300 quilômetros. Entre 300 e 500 quilômetros, o transporte mais indicado é o ferroviário, e, acima disso, o fluvial.

Tecnologia
Segundo o estudo do Instituto Akatu que serviu como base para o relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), 20% da produção é perdida na colheita, 8% no transporte e armazenamento, 15% na indústria de processamento, 1% no varejo e 20% no processamento culinário e hábitos alimentares.
Para o economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os avanços tecnológicos já diminuíram os prejuízos causados pelo desperdício. Ele cita como exemplo os equipamentos meteorológicos que antecipam mudanças climáticas súbitas em tempo hábil para que os agricultores tomem medidas que impeçam a perda da safra.
Segundo dados divulgados pelo IBGE na sexta-feira, a expectativa para a safra 2008 subiu para 145,1 milhões de toneladas, 9% a mais do que o ano passado e 1% acima da previsão divulgada em junho, mas, segundo André Braz, não serão suficientes para causar impacto na inflação mundial.
– Uma safra recorde recompõe os estoques, mas a demanda continua muito aquecida, e é isso que vai determinar se um novo patamar de consumo vai corresponder a essa recomposição – disse o economista.
Fonte:  Jornal do Brasil