Triplicar as exportações brasileiras para a China e atrair mais investimentos chineses para o Brasil até 2010. Essas são as principais metas estipuladas pela “Agenda China: Ações Positivas para as Relações Econômico-Comerciais Sino-Brasileiras”, documento elaborado a partir de um estudo coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em parceria com os ministérios das Relações Exteriores (MRE) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com a participação do Conselho Empresarial Brasil-China e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O documento será lançado no dia 3 de julho, às 8h, durante um café da manhã, na sede da CNI, em Brasília. Nos dias 7 e 8 de julho, a estratégia será apresentada a empresários chineses em Macau e Pequim, respectivamente.
Agenda China
Para se chegar à meta de triplicar as exportações brasileiras para a China, até 2010, a Agenda China identificou setores com potencial de expansão das exportações para o mercado chinês que, dessa maneira, permita reduzir o desequilíbrio no comércio bilateral. Durante o estudo, foram apontados 619 produtos como prioritários para o Brasil no mercado chinês. Em 2007, esses produtos representaram 67% do total das importações chinesas, cuja pauta total somou 5.637 produtos.
No universo desses 619 produtos prioritários, foram selecionados, como alvo de ações imediatas, 147 produtos que o Brasil tem competitividade internacional e são altamente demandados pelo mercado chinês. A estratégia prevê ações coordenadas voltadas para resultados efetivos e de reflexo favorável na balança comercial e no fluxo de investimentos. Além das ações específicas de incremento do comércio com a China, a Agenda China apresentará medidas pontuais para ampliar a atração de investimentos chineses para o Brasil, principalmente, em áreas de infra-estrutura e logística.
Inteligência Comercial
Segundo o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral, a Agenda China é resultado de uma pesquisa, cujo objetivo central visou o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países. “Fizemos um trabalho denso e profundo de inteligência comercial para identificar na pauta exportadora brasileira setores e produtos com grande potencial no mercado chinês em curto, médio e longo prazo”, ressalta. Ele destaca que o documento representa o marco inicial, que se desdobrará em estudos mais aprofundados e um calendário consolidado de atividades com foco no mercado chinês.
As ações estratégicas desenvolvidas pelo grupo interministerial buscam também atenuar os desequilíbrios quantitativos e qualitativos nas transações comerciais entre Brasil e China. De acordo com Barral, desde o ano passado a balança comercial bilateral vem sendo amplamente superavitária em favor da China. “Nós encerramos o ano de 2007, com um déficit comercial com a China de quase US$ 1,9 bilhão”, ressalta.
Para se diminuir esse déficit, uma das metas previstas é o aumento da participação de produtos de maior valor agregado nas exportações brasileiras para a China, já que as exportações brasileiras para o país são predominantemente de produtos básicos e as importações brasileiras de bens chineses são, em sua maioria, compostas por manufaturados.
Intercâmbio
De janeiro a maio de 2008, as exportações brasileiras para a China totalizaram US$ 5,724 bilhões, um incremento de 49% sobre o mesmo período do ano passado (US$ 3,842 bilhões). Nesse período, a China representou o terceiro principal destino das exportações brasileiras, ficando atrás apenas de Estados Unidos e Argentina.
A pauta exportadora brasileira voltada para o mercado chinês foi composta por 73,1% de produtos básicos e 26,8% de industrializados. Em relação ao desempenho das exportações brasileiras para a China no período janeiro-maio de 2007, observou-se crescimento de 65% dos embarques de produtos semimanufaturados e 52,6% nas vendas de bens básicos. As exportações de produtos manufaturados, entretanto, recuaram 2,8%.
Com relação às importações brasileiras de produtos chineses, de janeiro a maio, houve crescimento de 68,8%, chegando a US$ 7,181 bilhões. O país figurou como a segunda maior origem das compras nacionais, atrás somente dos Estados Unidos.
A pauta de importação de produtos provenientes da China foi constituída, em sua maioria, de produtos industrializados (95,1%) e os produtos básicos responderam por apenas 4,9%. Comparativamente a 2007, o grupo que mais cresceu foi o de básicos, com aumento de 196%, seguido de manufaturados, 65,1% e semimanufaturados, 54,8%.
A corrente de comércio bilateral somou US$ 12,905 bilhões, com crescimento de 59,4% sobre janeiro-maio do ano passado, quando contabilizou US$ 8,098 bilhões.
Fonte/; MDIC