O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou nesta quarta-feira que a polêmica em torno do ingresso da Venezuela no Mercosul é “página virada”. Sarney, no entanto, disse que agora surge uma preocupação com o cumprimento pelo governo venezuelano das normas democráticas do bloco econômico.
Na avaliação de Sarney –que se posicionou publicamente contra autorização do Brasil para que o país comandado por Hugo Chávez ingresse no bloco econômico–, o tema foi debatido exaustivamente pelo Câmara e pelo Senado e não há mais espaço para questionamentos se a adesão é correta ou não.
“Foi uma decisão tomada pelo Congresso, numa longa discussão, de maneira que eu acho que é página virada. Eu sempre tive um ponto de vista que eu acho que a cláusula democrática em relação à Venezuela preocupa muito a todos os integrantes do Mercosul”, afirmou.
O Senado aprovou na noite de ontem o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul, o que abre caminho para que o país vizinho passe a integrar o bloco econômico. Apesar da oposição ser contrária à adesão da Venezuela no Mercosul, os governistas conseguiram mobilizar senadores da base aliada para aprovar a matéria por 35 votos favoráveis e 27 contrários.
A votação ocorreu depois de várias semanas consecutivas de adiamento. Em menor número, a oposição fez diversos discursos para atrasar a análise da matéria, mas a estratégia não foi suficiente para impedir a votação.
Mesmo com aprovação do protocolo no Senado, o ingresso da Venezuela no bloco econômico ainda não está garantido. O Paraguai não concluiu a análise do tema, o que atrasa as negociações. A Argentina e o Uruguai já aprovaram o protocolo de adesão, mas caberá ao Paraguai definir –uma vez que os quatro países-membros do Mercosul têm que avalizar o ingresso da Venezuela para que o país possa efetivamente integrar o bloco econômico.
A oposição é contra o ingresso da Venezuela no Mercosul por considerar que o presidente do país, Hugo Chávez, coloca em risco a democracia no bloco econômico. Os oposicionistas criticaram, em especial, o fato de Lula já ter anunciado que o Senado iria aprovar o ingresso da Venezuela no bloco econômico.
Os governistas, por sua vez, defendem a integração da Venezuela porque consideram que Chávez não ficará no comando do país para sempre –por isso deve integrar o bloco econômico.
Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), apesar das restrições pessoais a Chávez, o país não pode ser penalizado por desejar integrar o bloco econômico. “Apesar de tudo, eu sou favorável à integração na América do Sul. Se fosse pelo presidente da Venezuela, eu jamais falaria em integrar a Venezuela ao Mercosul. Mas o presidente da Venezuela passa, essas questões ficam”, disse.
Fonte: Folha On Line
Escrito por Guilherme Oliveira
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