Multinacionais transferem fábricas do exterior para o Brasil

Setembro 28, 2009

Cerca de 50 empresas solicitaram ao governo federal autorização para trazer suas máquinas para o País
A crise global provocou um movimento de transferência de linhas de produção ou até de fábricas inteiras do exterior para o Brasil. Cerca de 50 empresas solicitaram ao governo autorização para trazer suas máquinas para o País, revela o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Os pedidos de importação foram feitos por diversos setores como alimentos, têxtil, químico, móveis e mineração. A origem das linhas de produção também é variada: Estados Unidos, Canadá, França, Portugal, Alemanha, Reino Unido. Boa parte das solicitações veio dos fabricantes de autopeças – setor em que o desempenho do mercado brasileiro está muito melhor que o resto do mundo.

É a discrepância entre o Brasil, que já saiu da crise, e os países ricos que provoca as transferências. Com a queda da demanda nos EUA e na Europa, as multinacionais ficaram com capacidade ociosa lá fora. A crise também provocou uma quebradeira de empresas, criando oportunidades para companhias brasileiras comprarem máquinas usadas no exterior por uma fração do preço das novas.

A Coteminas realizou uma das maiores transferências de máquinas do exterior para o País. Depois de adquirir a americana Springs, a empresa, que pertence à família do vice-presidente José de Alencar, desativou nove fábricas nos Estados Unidos. As máquinas foram distribuídas pelas unidades de Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Norte.

“É melhor produzir aqui e exportar para os EUA. E, com a crise, parte da produção que ia para os clientes americanos agora fica no Brasil”, disse o vice-presidente industrial da Coteminas, Pedro Bastos. Entre as vantagens de trazer a produção para o País, estão a qualidade do algodão, o menor custo da mão de obra, e a proximidade com o grupo controlador. Ele conta que a crise tornou as transferências mais complicadas, porque significou perda de empregos para os americanos.

A lista de empresas que estão apostando no Brasil incluiu multinacionais como Nestlé e Motorola. A fabricante de celulares importou da unidade do México a tecnologia para fabricar em Jaguariúna (SP) equipamentos para banda larga sem fio. A produção começou em junho. De acordo com o vice-presidente da área de mobilidade, Eduardo Stefano, os incentivos fiscais e os altos custos de importação foram as razões para produzir localmente. Ele afirmou ainda que o Brasil é carente em tecnologia de banda larga.

A Nestlé trouxe do México uma linha completa para fabricação e envase de água mineral. O maquinário inclui desde a sopradora de garrafas até a empacotadora. A linha desembarcou no Brasil em julho e já está em operação. Com a ajuda das novas máquinas, a multinacional lançou no País a marca de água Nestlé Pureza Vital – a mais vendida do mundo. O objetivo é buscar a liderança no mercado de água mineral paulista, o maior do País com 30% das vendas.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, as empresas decidem as transferências de plantas cada vez mais rápido e o Brasil se tornou o alvo pelo bom desempenho na crise. Ele disse que o governo quer tornar ágil a entrada das linhas de produção no País. Como se tratam de máquinas usadas, o procedimento requer licenças de importação, que demoram de quatro a seis meses para serem liberadas. “Queremos fazer em 30 dias.”

A “importação” de fábricas é polêmica. O investimento é sempre bem-vindo, porque aumenta a produção e cria empregos. Mas ao autorizar a entrada de máquinas usadas, o governo pode desestimular o setor de bens de capital. O movimento de transferência de linhas de produção já provocou reclamações dos fabricantes de máquinas junto ao ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. “Corremos o risco de sucatear o parque industrial brasileiro. O setor de bens de capital ainda não saiu da crise”, disse Nelson Deduque, diretor de mercado externo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

As empresas argumentam que importar uma linha de produção usada pode reduzir em até 80% o custo do investimento. Isso permite que companhias de médio e pequeno portes também aumentem a produção. “Saiu pela metade do preço. Gastamos US$ 500 mil em máquinas que valem US$ 1 milhão. Foi uma das principais razões da transferência”, disse a coordenadora de comércio exterior das Linhas Bonfio, Rita de Cássia Pereira. A companhia trouxe, em maio, uma linha de produção de fios têxteis. As máquinas pertenciam a uma fábrica desativada no Canadá .

A Bio Springer, fabricante de extrato proteico, composto utilizado em alimentos como macarrão instantâneo, trouxe uma nova linha de produção para o País, que aumentou em 30% a capacidade de sua planta. Segundo Antonio Panzionoto, diretor industrial, a centrífuga veio da República Tcheca e as outras máquinas, da França. “Eram máquinas do grupo. É mais barato do que comprar tudo de novo no Brasil.”

Também há casos de empresas que não atuavam no País e estão chegando por meio de transferência de plantas. A fabricante de móveis portuguesa Iduna vai trazer uma unidade de Braga para Cotia, na Grande São Paulo. “O potencial do mercado brasileiro é grande, mas para ser competitivo é preciso produzir aqui. Além disso, o impacto da crise foi mais violento na Europa”, disse o proprietário da empresa, Alberto Araújo.
Fonte:O Estado de São Paulo


Gecex aplica antidumping definitivo sobre seringas descartáveis da China

Setembro 18, 2009

As importações brasileiras de seringas descartáveis originárias da China terão aplicação de direito antidumping definitivo, por um período de até cinco anos. A medida vale a partir de hoje (18/9), conforme a resolução ad referendum nº 53, publicada no Diário Oficial da União (DOU). A decisão de aplicar o antidumping foi aprovada dia 15 de setembro pelos membros do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), em reunião realizada no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).  No mesmo dia, foram definidas a inclusão de 114 itens no regime de Ex-tarifários, medida que também passa a valer a partir de hoje, com a publicação das Resoluções nº 51 e 52 no DOU.

Consultado previamente, o Ministério da Saúde concordou com a aplicação do direito antidumping definitivo, alegando que ” a capacidade de produção doméstica é capaz de atender à demanda brasileira pelo produto”. A medida abrange as seringas descartáveis de uso geral, de plástico, com capacidades de 1ml, 3ml, 5ml, 10ml ou 20ml, com ou sem agulha, classificadas nos códigos 9018.31.11 e 9018.31.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul(NCM). Com a decisão, as importações desses produtos passam a sofrer a incidência de alíquota específica fixa de US$ 7,73/kg (dólares estadunidenses), por quilograma, para a empresa chinesa Shanghai Kindly Enterprise Development Group Co. Ltd., e de US$ 10,67/kg, por quilograma, para as demais empresas da China.

O direito antidumping é uma medida clássica de defesa comercial utilizada para evitar que produtores nacionais sejam prejudicados por importações desleais, sendo amparada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) quando há confirmação da prática de dumping, exportação de bens para outros mercados com preços inferiores ao praticado no mercado de origem. No Brasil, a investigação de dumping é realizada pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom) da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC, que prepara a documentação técnica para que os ministros que compõem a Camex decidam pela aplicação da medida.

Ex-tarifários
No total, 114 novos produtos foram incluídos no regime de Ex-tarifários e passam, a partir de hoje, a ter as alíquotas ad valorem do Imposto de Importação alteradas para 2%, até dia 31 de dezembro de 2010. Na Resolução nº 52, a alteração vale para 111 produtos de Bens de Capital, cujas alíquotas eram de 14%, (anteriormente com – 109 Ex-tarifários simples e dois sistemas integrados -, enquanto na Resolução nº 51 foram incluídos três Ex-tarifários simples para Bens de Informática e Telecomunicações, com alíquotas que variavam de 12% a 14%.

Os investimentos globais e os relativos às importações de equipamentos, vinculados aos 114 produtos propostos, representam investimentos globais da ordem de US$ 4,059 bilhões e investimentos em importação no valor total de US$ 973,649 milhões. Quanto ao valor das importações em Ex-tarifários, os três setores mais beneficiados pela medida foram: siderurgia (79,08%), petróleo (3,69%) e médico-hospitalar (3,17%) – percentuais relativos à participação no total a ser importado com o benefício.

Com relação aos valores dos investimentos globais, construção civil (US$ 2,500 milhões), siderúrgico (US$ 1,105 milhão) e petróleo (US$ 121 milhões) foram os três segmentos mais beneficiados. Dentre os principais projetos decorrentes desses benefícios, estão: assentamento de dormentes na obra da ferrovia Norte-Sul; aumento da oferta de chapas galvanizadas; ampliação da infra-estrutura de transporte de gás natural; implantação de uma nova unidade de produção de fármacos; implantação de uma nova fábrica de separação de gases; produção de aços inoxidáveis de baixo carbono; e aumento da capacidade de produção de cédulas e moedas.

Estímulo aos investimentos produtivos
O regime de Ex-tarifário funciona como um mecanismo de estímulo aos investimentos produtivos no País e consiste na redução temporária do Imposto de Importação de Bens de Capital, Informática e Telecomunicação não produzidos no Brasil. As concessões tarifárias são oficializadas por meio de resoluções da Camex, após apresentação de proposta do Comitê de Análise de Ex-tarifários (CAEx), composto por representantes de órgãos técnicos do MDIC.

Dentre outros, o regime de Ex-tarifário tem o objetivo de possibilitar o aumento da inovação tecnológica de empresas de diferentes segmentos da economia, conforme diretrizes da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP); garantir um nível de proteção à indústria nacional de bens de capital; produzir efeito multiplicador de emprego e renda sobre segmentos diferenciados da economia nacional; permitir o reforço à adequação e melhoria da infra-estrutura nacional e estimular os investimentos para o abastecimento do mercado interno de bens de consumo.

Fonte: MDIC


BNDES reforça internacionalização com inauguração de escritório de representação em Montevidéu

Agosto 28, 2009

O BNDES inaugurou hoje em Montevidéu sua primeira representação fora do Brasil. O escritório servirá para apoiar as operações do Banco em países da América Latina e em particular junto aos sócios do Mercosul. A presença do BNDES na capital uruguaia permitirá que o Banco atue de maneira mais intensa junto a empresas e governos da região, para fomentar a realização de negócios, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Também participaram, o embaixador brasileiro em Montevidéu, José Eduardo Felicio, e o vice-presidente do BNDES, Armando Mariante, o vice-presidente do Uruguai, Rodolfo Ninovoa, e outras autoridades daquele país. O evento também marcou a abertura do escritório do Banco do Brasil, em Montevidéu, e ambas as instituições estão instaladas no edifício World Trade Center.

A abertura da representação do BNDES no Uruguai é parte do empenho brasileiro para diminuir as assimetrias dentro do bloco comercial. O Banco intensificará seus esforços para ampliar o intercâmbio comercial entre os países da região e pode também apoiar projetos de infraestrutura que tenham impacto regional.
O BNDES tem papel importante no financiamento das exportações de bens e serviços brasileiros e dos investimentos diretos no exterior realizados por empresas brasileiras. De 1997 a 2009, o Banco liberou US$ 4,8 bilhões em créditos para exportação de bens e serviços na América Latina, sendo que metade dos recursos foi destinada a projetos em países do Mercosul.

Entre janeiro e julho deste ano, os desembolsos do Banco para os países do bloco comercial atingiram US$ 378 milhões, e 97% dos recursos foram para projetos de infraestrutura. Em relação ao mesmo período de 2008, o crescimento dos desembolsos é de 109%.
A presença do BNDES em Montevidéu facilitará a elaboração de programas e produtos direcionados aos países da região, particularmente os membros do Mercosul. A nova representação também será um canal para contatos mais ágeis entre o Banco e empresas com atuação regional, além de organismos governamentais e regionais. Com isso, será possível obter de forma mais fácil e direta informações sobre as possibilidades de apoio financeiro oferecidas pelo Banco.

A capital uruguaia foi escolhida para a instalação da nova representação do BNDES porque já possui diversos centros de decisão relacionados ao Mercosul. O Uruguai é a sede da Secretaria do Mercosul, órgão executivo do bloco comercial, da Secretaria Geral da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração) e de várias outras instituições regionais. A cidade também é a sede do Parlamento do Mercosul e é utilizada como base para as reuniões mais importantes de comitês, conselhos e grupos técnicos voltados à integração regional.

Fonte: MDIC


Brasil desenha estratégia para aumentar visibilidade na China

Agosto 6, 2009

O presidente da Apex-Brasil, Alessandro Teixeira, e o conselheiro da embaixada da China no Brasil, Zhu Quing Qiao, anunciaram hoje (05/8) a participação do Brasil na Expo Xangai, feira universal que começa em maio de 2010 na China e envolverá 191 países e 48 organismos internacionais. Durante os seis meses de duração da Feira, a expectativa é que 70 milhões de pessoas passem pelos pavilhões que apresentarão o melhor de cada país. Os setores público e privado nacional – incluindo representações municipais – já começaram a se organizar para integrar o evento, que terá como tema “Desenvolvimento Urbano com Qualidade de Vida”.

Mercado estratégico, a China é o principal parceiro comercial do Brasil desde março, tendo mantido o crescimento de suas importações de nossos produtos durante a crise. Embora as comodities dominem a pauta dessas exportações, estudos da Apex-Brasil apontam a possibilidade de aumentar a participação de produtos de maior valor agregado nessa pauta, além de indicar setores brasileiros com grande potencial para atrair investimentos sinos.

A Expo Xangai é uma oportunidade ímpar de posicionamento do Brasil como exportador de produtos e serviços de alto valor agregado. É também um espaço para consolidar a imagem de um Brasil moderno, com instituições fortes que garantem a segurança dos investimentos externos, com criatividade que se traduz em inovações tecnológicas, com uma legislação ambiental eficiente e que tem alcançado bons resultados na redução das desigualdades e inclusão social.

Sob o tema “Cidade Melhor, Vida Melhor”, a Expo Xangai deverá ser importante fórum de debate sobre os grandes problemas das cidades, exatamente no ano em que se prevê que a população urbana mundial superará a rural, pela primeira vez.  O evento será plataforma para a troca e promoção de práticas de sucesso, idéias e tecnologias relacionadas ao “desenvolvimento urbano sustentável”, servindo de fórum para que os países possam trocar experiências, mostrando avanços tecnológicos, políticos, artísticos e na área de gestão das cidades.

Além da exposição propriamente dita, a Expo promoverá seminários sobre diversidade cultural, prosperidade econômica, inovação científica e tecnológica, transformações das comunidades urbanas e interação rural-urbana, entre outros. O evento se encerra com a “Declaração de Xangai”, com diretrizes para o desenvolvimento urbano, que busca estabelecer um panorama e um plano de ação comum para os administradores das cidades. Pouco antes da Expo, o Brasil sediará o 5º Fórum Urbano Mundial, evento das Nações Unidas, que discutirá os problemas das metrópoles contemporâneas.

O uso indiscriminado dos recursos e as pressões ambientais — com destaque para o tema das mudanças climáticas– impõem repensar a relação predatória da humanidade com o planeta. O Brasil mostrará na Expo Xangai o quanto avançou nesta questão, acompanhando e desenvolvendo pesquisa de ponta e promovendo soluções urbanas inovadoras e sustentáveis.

O Brasil levará à Expo suas experiências para a construção de um novo modelo urbano não excludente, baseado em políticas públicas que promovem a transparência e a participação democrática nas decisões e que integram habitação, saneamento básico, mobilidade urbana, geração de energia e planejamento territorial. O Portal da Transparência, do Governo Federal, o voto eletrônico e o Orçamento Participativo estão entre as experiências que serão apresentadas na Expo, onde o Brasil também discutirá suas conquistas no campo das Energias Renováveis, área de grande interesse para os chineses e na qual o País lidera importantes tecnologias disponíveis. As grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também estarão presentes na Expo Xangai por sua importância na sustentabilidade das cidades.

Com o tema “Cidades Pulsantes”, o pavilhão brasileiro abrigará eventos artísticos, culturais, turísticos, discussões temáticas, eventos empresariais e de gastronomia. A Expo Xangai será também espaço para a divulgação da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, caso o Brasil se confirme como país sede.
 
Coordenador da participação do Brasil na Expo Xangai, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) deu à Apex-Brasil a incumbência de realizar a exposição por sua experiência em eventos internacionais e expertise na promoção de exportações e atração de investimentos. Além do Governo Federal, estão convidados a participar todos os estados, municípios e empresas privadas que já mantém ou pretendem manter relações comerciais ou qualquer tipo de cooperação com a China, assim como os interessados em atrair investidores daquele país.

Fonte: MDIC


Ampliar mercado

Agosto 6, 2009

Diante da queda das exportações brasileiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ações de governo para ampliar o comércio do país para a Ásia. Os estudos apresentados ontem pela Apex mostram que o mercado chinês tem um grande potencial de aumento, levando-se em consideração a expectativa de crescimento demográfico no país mais populoso do mundo.
O levantamento da Apex sobre o perfil da China mostra que a população do país pode chegar a 1,388 bilhão de pessoas em 2015, sendo 683,4 milhões em áreas urbanas. No ano que vem, a estimativa é que a população seja de 1,351 bilhão de pessoas.
O poder de compra da população também vem aumentando. No passado, mais da metade das famílias do país teve renda anual de US$ 2.500 a US$ 10 mil. Em cinco anos, o número de famílias nessa faixa de renda quase dobrou.
A distância é uma das grandes dificuldades para levar os produtos brasileiros até os chineses. Os dados da Apex indicam que o mercado chinês compra mais dos países que estão mais próximos dele.
O maior exportador para a China é o Japão, com 13,3% daquele mercado. O segundo maior é a Coreia do Sul, e o terceiro, Taiwan. Os EUA aparecem apenas na quarta colocação no ranking dos maiores fornecedores do mercado chinês. O Brasil nem sequer aparece na lista dos principais exportadores para a China -que é o terceiro maior comprador global, atrás de EUA e Alemanha
Fonte: Folha de São Paulo


Empresas brasileiras ampliam presença no exterior

Agosto 6, 2009

Apesar da crise que atingiu o Brasil a partir de setembro de 2008, o ano passado registrou avanço das companhias brasileiras nos mercados globais, com a aquisição de empresas e subsidiárias no exterior. Segundo o Ranking das Transnacionais Brasileiras, elaborado pela Fundação Dom Cabral, 25,32% das receitas das 20 maiores transnacionais brasileiras em 2008 foram geradas em operações com o exterior. Esse resultado representa um avanço em relação a 2007, quando a proporção das receitas no exterior sobre o total era de 24,16%, e também sobre 2006 (21,54%). Os ativos no exterior das 20 maiores transnacionais somaram R$ 199,52 bilhões em 2008, o equivalente a 27,66% do total. Gerdau (siderurgia), Sabó (autopeças), Marfrig, (alimentos), Vale (mineração), Metalfrio (metal-mecânica), Odebrecht (construção) e Aracruz (papel e celulose) são as maiores.

Fonte: Correio Braziliense


Empresas brasileiras ampliam presença no exterior em 2009

Agosto 5, 2009

Conjuntura: Crise afetou, mas não impediu planos de internacionalização

Cibelle Bouças, de São Paulo

A crise financeira global dificultou, mas não impediu empresas brasileiras de dar continuidade em seus processos de internacionalização. Pesquisas realizadas pelo Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), ISI Emerging Markets, KPMG e Fundação Dom Cabral revelaram que o desempenho das empresas brasileiras no exterior no primeiro semestre foi melhor do que era previsto para um período de crise global. As instituições estimam que o esse foi o pior momento para o investimento externo e apostam em melhora na segunda metade do ano, permitindo ao país pelo menos repetir os resultados de 2006.

Levantamento realizado pelo Cindes apontou, no primeiro semestre deste ano, dez anúncios de aquisição, fusão, joint venture ou ampliação feitos por empresas brasileiras na região da América do Sul e México, totalizando US$ 4,556 bilhões. No mesmo intervalo do ano passado, foram anunciados nove empreendimentos, com valor superior a US$ 4,6 bilhões (parte das negociações não tiveram o seu valor anunciado). O número de negócios efetivados, porém, foi menor – quatro, ante 15 no mesmo intervalo do ano passado.

No semestre, foi anunciado investimento de US$ 60 milhões pela PDG Realty na construção de um complexo de 180 moradias em Buenos Aires e a aquisição pela Vale de ativos da Rio Tinto no Brasil, na Argentina e no Canadá, mas sem a divulgação do valor. No primeiro semestre de 2008, o total de investimentos efetivados na região foi de aproximadamente US$ 601 milhões. Para o diretor do Cindes, Roberto Iglesias, o desempenho das empresas foi melhor do que o esperado para um momento de crise. “A expectativa era de que não haveria sequer anúncios de investimentos no primeiro semestre. O resultado está menor, mas melhor que o esperado”, afirma.

De acordo com Iglesias, como o Brasil, outros países da América do Sul sofreram menos os efeitos da crise internacional do que outras regiões e já deram sinais de recuperação no segundo trimestre, o que facilitará a retomada dos investimentos na segunda metade do ano. “Ainda assim, o provável é que o desempenho seja semelhante a 2006.”

Avaliação semelhante é feita pelo sócio da KPMG e responsável pela pesquisa de fusões e aquisições feita no Brasil, Luís Motta. “O primeiro semestre teve um desempenho fraco. O mais provável é que realmente o país repita o desempenho de investimentos de 2006″, afirma. Conforme pesquisa da KPMG, no primeiro semestre, foram realizadas 198 transações de fusões e aquisições, 39% menos que no mesmo intervalo de 2008. Esse foi o volume de negócios fechados por empresas nacionais e estrangeiras no país. As compras de estrangeiras por brasileiras recuaram de 27 para 12 transações no período; os negócios entre brasileiras baixaram de 101 para 97.

Para Motta, como essas operações levam em média seis meses para se concretizarem, é natural que o pior resultado tenha ocorrido no segundo trimestre deste ano. Conforme o sócio da KPMG, surpreendeu no período o avanço de operações no setor de serviços, sobretudo em tecnologia da informação (25 ante 40 em 2008), mídia e telecomunicações (14 diante de 7 no ano passado); bancos (12 contra 11) e seguros (10 ante 9). “Outro fator que favoreceu foi o valor mais baixo das empresas, a maioria de pequeno porte”, avalia. Motta espera recuperação das operações totais de fusão e aquisição apenas no quarto trimestre. Para o ano ele prevê total de operações próximo ao de 2006 (473 transações, contra 663 no ano passado).

A Fundação Dom Cabral também divulgou ontem seu ranking das transnacionais brasileiras. A pesquisa apontou avanços no processo de internacionalização das empresas em 2008 e baseou-se nas receitas brutas de subsidiárias, no valor dos ativos e no número de funcionários das empresas no exterior. Pelo levantamento, a receita das 20 maiores transnacionais brasileiras vinda do exterior cresceu 27,3%, para R$ 134,9 bilhões. A receita total (mercado interno e externo) subiu 21,4%, para R$ 532,76 bilhões. A participação da receita obtida no exterior sobre o total foi de 24,16% para 25,32% em 2008.

O total de ativos no exterior aumentou 32,13%, enquanto os ativos totais tiveram incremento de 19,14% no ano. A participação dos ativos em outros países sobre o total de ativos dessas empresascresceu, de 24,94% para 27,66%, para o equivalente a R$ 199,52 bilhões. O número de funcionários contratados no exterior também aumentou acima da média. Em 2008, essas transnacionais ampliaram o quadro total de pessoal em 14,52%, ou em 64.870 funcionários. Desse total, 41.321 foram contratados no exterior.

De acordo com a listagem da Fundação Dom Cabral, a Gerdau apresentou o maior índice de transnacionalidade no ranking, com 63% dos ativos no exterior e aumento de 49% na receita, 52% nos ativos e 24% no número de funcionários em outros países.

Em comparação com outros países, levantamento da consultoria ISI Emerging Markets revelou que o Brasil liderou as negociações do primeiro semestre, com 103 acordos, incluindo troca de ações, participação minoritária, controle acionário, privatização, abertura e fechamento de capital. Em igual intervalo de 2008 foram feitas 287 operações. A diretora para América Latina, Laura Prado, observou que, em valores, as negociações brasileiras mantiveram um patamar semelhante ao do primeiro semestre de 2008. Depois do Brasil estão Chile (87 acordos), EUA (63) e Argentina (57), entre outros.

Segundo Laura, o Brasil foi favorecido pela valorização da moeda (que tornou o caixa das empresas mais forte) e pelas medidas de governo anticrise, que garantiram uma demanda forte no mercado interno. Com isso, as empresas mantiveram o faturamento com vendas em um nível que lhes permitiu investir no exterior.
Fonte: Valor Econômico


Expansão do investimento brasileiro no exterior foi contida pela crise financeira

Agosto 2, 2009

Brasília – A crise financeira internacional freou a expansão do investimento de empresas brasileiras no setor produtivo do exterior. Dados do Banco Central mostram que, de janeiro a junho, houve retorno líquido de US$ 1,798 bilhão dos recursos aplicados fora do país.

Os dados também mostram que a maior parte do retorno de recursos é resultado dos empréstimos intercompanhias, ou seja, do financiamento da matriz no Brasil à filial no exterior, ou entre uma subsidiária no país e outra fora. No semestre, houve retorno de US$ 2,988 bilhões de empréstimos intercompanhias.

“Nesse caso, se houve retorno, é sinal de que os projetos fora do país com os recursos dos empréstimos deram certo”, explica o consultor econômico e ex-diretor do Banco Central Carlos Eduardo Freitas. Os investimentos em participação no capital de empresas tiveram saída do país para o exterior no total de US$ 1,190 bilhão.

Apesar disso, em relação ao ano passado, os dados indicam mudanças nos projetos de internacionalização das empresas brasileiras. Para se ter uma ideia, em 2008 os investimentos de empresas brasileiras no exterior acumularam US$ 20,457 bilhões.

Só no primeiro semestre, o investimento foi de US$ 8,579 bilhões. Desse valor referente ao período de janeiro a junho, houve saída de empréstimos intercompanhias de US$ 2,318 bilhões e a participação no capital no exterior foi de US$ 6,261 bilhão.

“Não dá para comparar o ano passado com este. Em 2008, a economia mundial vivia um momento de euforia, com lucros e demanda agregada em expansão”, disse Freitas. A crise financeira internacional se agravou já próximo do final do ano – em meados de setembro.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima, as atividades fora do país estão afetadas por falta de crédito e pela queda no preço dos produtos.

Na avaliação do economista da Tendência Consultoria, André Facconato, o Brasil está em “situação muito melhor do que outros países do mundo”.

“Está valendo a pena apostar no mercado interno. O desemprego cresce menos que em outros países, o que se reflete na renda, e a economia não deve ser tão afetada como em outros lugares. Esse é um fator que também explica o crescimento do investimento estrangeiro direto no Brasil”, disse.

Facconato acredita que com a melhora da situação econômica mundial as empresas brasileiras devem voltar a investir no exterior. Freitas ressalta que o investimento brasileiro no exterior é importante para abrir mercados para a exportações brasileiras e para o emprego de brasileiros no exterior.

“Portanto, o retorno de investimentos brasileiros é ruim para o país”, disse.

Segundo Lima, não é possível saber exatamente para onde vão investimentos brasileiros no exterior. Isto porque devido aos incentivos fiscais, empresas brasileiras preferem enviar os recursos primeiramente para os chamados paraísos ficais e de lá reenviar para os destinos finais.

Fonte: Agência Brasil


Brasileiros farão joint-venture em Dubai

Julho 29, 2009

Uma empresa gaúcha e uma paulista, a WMR Brasil e a M.Moschini, vão se associar ao grupo AST, dos Emirados Árabes Unidos, para atuar em comércio exterior. Elas já trabalham em parceria.

Duas empresas brasileiras, a gaúcha WMR Brasil e a paulista M.Moschini, vão se unir a uma companhia dos Emirados Árabes Unidos, a AST Group, para formar uma joint-venture e atuar em comércio exterior.

A WMR é corretora e a M.Moschini uma empresa de representação comercial e elas pretendem criar até o final do ano uma empresa com sede em Dubai, em parceria com a AST Group, do empresário Ali Al Taher. As três já estão trabalhando em conjunto, segundo um dos sócios da WMR, Marco Antônio Antonacci.

De acordo com Antonacci, já foi assinado um memorando sobre a parceria e a nova empresa vai ter sede onde hoje funciona a AST, na avenida Sheikh Zayed, em Dubai. A joint-venture atuará principalmente com exportação de produtos sul-americanos para o emirado. Eles não devem ficar, porém, apenas em Dubai. “A partir de Dubai se atinge um mercado enorme”, diz Antonacci.

As três empresas já realizaram uma ação juntas, que foi levar empresas e entidades brasileiras, uruguaias e argentinas para encontros de negócios com compradores de Dubai entre os dias 13 e 18 deste mês. As empresas participantes foram as brasileiras Pirahy Alimentos, dona da marca de arroz Prato Fino, a Sorvetes Sabory, a Sagres Logística, além da Rodrigo Gonzales, corretora de gado em pé do Uruguai, a Bolsa Continental de Mercadorias de Pelotas e o governo de Córdoba, província argentina.

A AST Group, de acordo com Antonacci, é representante da Pelé, marca brasileira de café. Os primeiros contatos com a empresa de Dubai foram feitos durante a Exposição Internacional do Arroz (Expoarroz), que aconteceu em maio deste ano, em Pelotas, no interior gaúcho. A idéia é que, inicialmente, sejam levadas para o emirado missões de empresários e as negociações ocorram nestes fóruns. Empresários dos Emirados interessados em produtos brasileiros, porém, podem buscá-los na AST.

De acordo com Antonacci, já está sendo formulada uma nova viagem com empresários sul-americanos para Dubai para o mês de outubro. A companhia parceira nos Emirados, nestes casos, fica encarregada de encontrar os importadores árabes para as reuniões. O pós-venda, porém, e a finalização dos negócios, após os encontros, fica a cargo das três parceiras. O sócio da WMR afirma que procurou, na última viagem, levar os proprietários das empresas para negociar, já que esse contato pessoal, para os árabes, é muito importante.

A WMR tem sede em Porto Alegre e é corretora da Bolsa Continental de Mercadorias de Pelotas, que foi criada para atuar com venda de commodities, principalmente arroz, mas hoje está em vários segmentos. Além de Antonacci, formado em Administração de Empresas e Comércio Exterior, são sócios da WMR o arquiteto Rafael Grantham, o administrador de empresas Melchior Spessatto, e o médico Everton Faria. Os quatro atuam na empresa. A M.Moschini, de Salto, interior de São Paulo, é liderada por Malize Moschini.

Fonte: Agência ANBA


Penalty sofre com atraso de 70% das importações

Julho 13, 2009

Liberação rápida era contrapartida para investimento no país RIO e BUENOS AIRES. Mês passado, em plena campanha para as eleições legislativas argentinas, a Penalty anunciou a instalação de uma fábrica de US$ 5,3 milhões no país como estratégia para evitar barreiras protecionistas.

Em contrapartida, a equipe da ministra da Produção da Argentina, Débora Giorgi, havia prometido liberar em torno de 200 mil pares de calçados provenientes da Penalty Brasil, entre maio e julho. Mas até agora a empresa só conseguiu importar 60 mil pares, ou 30% do total.

— O governo argentino não cumpriu sua promessa. Estamos com sério problema de falta de mercadoria — disse Alexandre Estefano, diretor Internacional da Penalty, acrescentando que a ideia é fabricar na Argentina 50% do que se vende no país.

De acordo com ele, ao ser informada sobre o investimento que a Penalty faria no país, a ministra admitiu que o objetivo do governo é obrigar empresas que exportam para lá a se instalarem na Argentina.

— Numa reunião com a ministra, ela me disse que, se não fosse pelas medidas que estão adotando, não teríamos feito este investimento — revelou.
Embarques de têxteis caíram 46% em 2009 Nos últimos anos, outras empresas do setor abriram fábricas na Argentina, para fugir do protecionismo.
lista inclui Paquetá (fornecedora da Adidas), grupo Daas (que vende para a Nike) e Alpargatas. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), as vendas do setor para a Argentina têm levado 110 dias em média para serem liberadas. O prazo máximo acordado é de 60 dias. Também foram impostas cotas de importação.

No setor têxtil, a situação não é menos desanimadora. Entre janeiro e junho, os embarques brasileiros para a Argentina caíram 46,1% em relação aos seis primeiros meses de 2008, segundo o Ministério do Desenvolvimento.

Em igual período, as exportações totais do setor recuaram apenas 0,5%. A Argentina é o primeiro destino das vendas brasileiras de têxteis.

O grupo Brastex teve dificuldades no fim de 2008 e só conseguiu retomar suas exportações para a Argentina em fevereiro passado. Lá, o grupo fabrica brim, mas importa denim (usado para jeans) do Brasil.

— O que existe é uma desconfiança no ar, faltam regras claras no país — disse o diretor da empresa em Buenos Aires, Pablo Jedwabny.

Segundo fontes do setor, essa desconfiança estaria atrasando a compra de mais uma fábrica na Argentina por parte do grupo.

A Santana Textiles, fabricante de jeans de Fortaleza, é uma das poucas que ainda apostam no país vizinho. Com a fábrica inaugurada em meados de 2008, parou de exportar para a Argentina, que respondia por 70% das vendas externas da empresa. O objetivo é produzir 18 milhões de metros de jeans por ano a partir de 2011. (D.N. e J.F.).
Fonte: O Globo