Abicalçados: importação de sapatos sobe 58,1% no ano

Agosto 19, 2008

Desembarques totalizaram 23,9 milhões de pares nos sete primeiros meses de 2008.

Incentivadas pelo dólar desvalorizado, as importações de calçados acumulam crescimento de 58,1% de janeiro a julho, em relação ao mesmo período do ano passado.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) informou nesta segunda-feira que os desembarques nos sete primeiros meses do ano totalizaram 23,9 milhões de pares, a um custo de US$ 175,9 milhões. Enquanto isso, o volume exportado no ano caiu 0,6%, totalizando 103,2 milhões de pares.

As importações chinesas, que no ano somam 20,8 milhões de pares, responderam por 87% das compras externas do produto.

Em termos de receita, as exportações de janeiro a julho apresentam crescimento 2,4%, para US$ 1,144 bilhão. No entanto, o principal mercado do sapato brasileiro, os Estados Unidos, vem reduzindo sua participação nas compras, com retrações de 18,5% no volume e de 32,5% nos valores importados.

Já os embarques de pares de sapato para a Argentina e Itália subiram, respectivamente, 15,3% e 21,5%.
Fonte: Zero Hora


Brasil é o país mais dependente da importação de fertilizantes, diz ministro

Agosto 18, 2008

Brasília - O Brasil importa atualmente cerca de 60% dos produtos usados na fabricação de adubos - fósforo, nitrogenados e potássio. O volume está bem acima do que é importado por outros países com elevada produção de alimentos. A afirmação foi feita hoje (18) pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, após reunião da Câmara Temática de Insumos Agropecuários, realizada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“Entre os grandes produtores agrícolas do mundo, o Brasil é o que está mais dependente da importação de adubos, longe do segundo lugar. Normalmente, os grandes países produtores são auto-suficientes ou têm uma dependência de 10% a 20%. O Brasil tem uma dependência extremamente elevada”, disse Stephanes.

Segundo o ministro, não há como mudar a situação a curto prazo, na medida em que não houve investimentos anteriores para reduzir a dependência. “Estamos pensando numa estratégia de médio e longo prazo, o que não foi feito no passado. [Se tivesse] não estaríamos, talvez, tão vulneráveis como estamos em relação tanto ao preço como até ao abastecimento.”

Para minimizar a situação imediata, disse Stephanes, o ministério tem estimulado a criação de organizações de cooperativas para que façam importações diretas e também realizem a mistura dos três produtos.

Ele informou ainda que o Brasil pretende fazer parcerias com outros mercados para produzir essas matérias-primas. “O Egito, por exemplo, vai aumentar sua produção de fósforo e está interessado em encontrar parceiros na exploração das suas minas e fazer contratos de médio e longo prazos para fornecimento do produto. Temos mais três países que estão em situação idêntica ao Egito”, afirmou.

Na semana passada, o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Célio Porto, disse que uma missão de técnicos e empresários seria enviada ao norte da África, “onde haveria grandes produtores dos três fertilizantes.”

 

Em relação ao potássio, cuja dependência brasileira das importações chega a 91%, Stephanes disse que é preciso fazer análises mais profundas, técnicas e ambientais sobre as minas dos estados de Amazonas e Sergipe, mas levantou a possibilidade de um aumento da produção argentina, que poderia vir para o Brasil.

“Há a possibilidade de se acertar com a empresa Rio Tinto a aceleração do cronograma de exploração das minas de potássio da Argentina, porque aí elas poderiam, via Rio Paraguai, abastecer o Centro-Oeste brasileiro, já que nós temos ali um frete de retorno, porque exportamos minérios por aquela hidrovia e as barcaças voltam vazias”, explicou.

Para a safra que começa a ser plantada agora, o ministro disse que os fertilizantes representarão entre 30% e 50% dos custos de produção, dependendo da região. O valor varia porque, como a dependência das exportações é alta, quanto mais distante dos portos marítimos, maior será o preço final do produto.

Fonte: Agência Brasil


Importações no mês subiram mais que exportações, na comparação com agosto de 2007

Agosto 18, 2008

Brasília - A balança comercial registrou superávit (saldo positivo) de US$ 1,66 bilhão, na terceira semana de agosto. As vendas externas somaram US$ 5,304 bilhões e as compras, US$ 3,638 bilhões. No mês o saldo é de US$ 2,119 bilhões, com vendas de US$ 11,193 bilhões e vendas de US$ 9,074 bilhões.

Na comparação com agosto do ano passado, as exportações cresceram 55%, na média por dia útil e as importações foram maiores em 64,2%. O saldo, levando em consideração a média por dia útil, cresceu 25,1%.

No ano a balança acumula saldo positivo de US$ 16,772 bilhões, com exportações de US$ 122,291 bilhões e importações de US$ 105,519 bilhões.

Fonte: Agência Brasil


Tarifa de valor fixo ainda divide Camex

Agosto 14, 2008

Será motivo de disputa na Câmara de Comércio Exterior (Camex) a regulamentação da nova tarifa de importação para vinhos e têxteis, criada com a aprovação da medida provisória 413, no Congresso, que autorizou a criação de tarifas específicas (ad rem, no jargão do comércio exterior) sobre vários produtos manufaturados.

Dos sete ministérios representados na Camex, dois, o ministério de Relações Exteriores e o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, são contrários à medida, criada pela Receita Federal, do Ministério da Fazenda, e defendida principalmente pelo Ministério da Agricultura. Não há posição definida na Casa Civil e nos ministérios do Planejamento e do Desenvolvimento Agrário. Ontem, contudo, a secretária-executiva da Camex, Lytha Spíndola, adiantou, ao Valor, as medidas que estão sendo adotadas para implementar a legislação.

Pressionado pelo Congresso, que vem transmitindo ao Executivo as demandas do setor privado para regulamentação da medida, o presidente da Camex, ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, decidiu pôr o tema em debate, e cobrar do setor privado um detalhamento das propostas de aumento de tarifas - que, já se sabe, não valerão para o principal exportador de vinhos ao Brasil, a Argentina, sócia no Mercosul. Também não há decisão se será tentada, como querem os produtores brasileiros, uma revisão do tratado de livre comércio com o segundo maior exportador, o Chile.

Segundo um graduado integrante da Camex, o governo espera ter elementos mais claros, após receber a resposta dos empresários, para avaliar se a mudança compromete ou não os compromissos externos do Brasil. Se for reduzida a demanda e a mudança não ultrapassar os tetos de tarifa percentual definidos pelo Brasil na OMC, será mais fácil vencer as resistências no governo, avaliam. O Itamaraty já revelou sua oposição à regulamentação da medida, duramente criticada em nota enviada pelo seu secretário-executivo, Samuel Pinheiro Guimarães, ao Planalto.

A maior oposição dos diplomatas à proposta se deve à substituição das atuais tarifas percentuais aplicadas sobre os valores das mercadorias (ad valorem) por tarifas fixas, de até R$ 15 por unidade do produto importado. Quem defende a alteração diz que é a forma mais eficiente de evitar subfaturamento, pois o imposto não varia de acordo com o preço declarado.

O que é vantagem, para os empresários é um retrocesso, na visão de alguns especialistas em comércio exterior do governo. A tarifa tributa mais pesadamente os produtos mais baratos e é um empecilho aos acordos de livre comércio, por sua pouca transparência, podendo sujeitar o país a queixas na OMC.

Para o Itamaraty - opinião compartilhada pelo Desenvolvimento, ambos atropelados pela medida da Receita -, uma decisão dessas deveria ser aprovada pelos demais sócios do Mercosul. Há quem defenda, na Camex, que só se regulamente a medida após submetê-la aos sócios.
Fonte: Valor Econômico


Camex reduz Imposto de Importação de matéria prima para detergente

Agosto 13, 2008

Para evitar desabastecimento no mercado interno, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) reduziu de 10% para 2% a alíquota do imposto de importação de tripolifosfato para fabricação de detergentes em pó (NCM 2835.31.90), dentro do limite de uma cota global de 94 mil toneladas. A decisão, ad referendum do Conselho de Ministros, foi publicada hoje (13/8) no Diário Oficial da União (DOU), por meio da Resolução Camex nº 50.

A medida entra em vigor a partir de hoje e terá validade de 12 meses. A alteração é amparada pela Resolução nº 69/00 do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que autoriza ações pontuais de caráter excepcional para garantir o abastecimento normal dos países do bloco.

Fonte: MDIC


Têxteis e vinho terão nova taxa de importação

Agosto 13, 2008

Depois de aprovação da lei pelo Congresso no final de junho, o governo está efetivamente preparando mudanças nas tarifas de importação de alguns itens dos setores têxtil e de vinhos.

     Ao invés de uma porcentagem sobre o valor (”ad valorem”), a tarifa deve ser fixa e expressa em R$ por unidade de medida (”ad rem”).

      Para os produtores nacionais, significa um combate ao subfaturamento, porque alguns produtos chegam no país, principalmente vindos da China, abaixo do preço de custo. Para os importadores, trata-se de protecionismo disfarçado. A medida é polêmica e pode provocar contestações no Mercosul e na Organização Mundial do Comércio (OMC).

      Segundo a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, o governo decidiu solicitar aos setores têxtil e de vinhos sugestões sobre o tema em reunião na semana passada. A idéia é que o setor privado apresente uma lista de produtos a serem contemplados e as tarifas correspondentes. Lytha diz que a lista será analisada e revisada pelo governo.

      Os fabricantes de tecidos e confecções calculam que 20% a 25% das quase mil linhas tarifárias do setor deveriam ser incluídas na lista, informa Fernando Pimentel, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Já os produtores de vinho querem alterar para “ad rem” as tarifas de importação de todos os produtos do setor. Segundo Hermes Zaneti, presidente da Câmara da Uva e do Vinho, o setor está apoiando uma tarifa de R$ 5 por litro de vinho.

      Para aplicar uma tarifa “ad rem” é necessário arbitrar um valor mínimo para o produto. E é nesse ponto que está a discussão: qual é o valor justo de determinado o produto e quem deve defini-lo? Para não ferir as regras da OMC, o Brasil deve garantir que o valor da tarifa “ad rem” não ultrapasse a taxa máxima consolidada pelo país na entidade. Dependendo do valor mínimo aceito, a regra pode ser cumprida ou não.

      A adoção de tarifas “ad rem” provoca discussão não apenas no setor privado, mas também dentro do governo. A idéia surgiu na Receita Federal, órgão subordinado ao Ministério da Fazenda, que incluiu a mudança na MP 413 editada no início do ano, que compensou o fim da CPMF. O Ministério do Desenvolvimento e o Itamaraty não foram consultados.

      Os diplomatas temem o impacto negativo desse tipo de medida no exterior. O Brasil é um ferrenho defensor das tarifas “ad valorem”, que considera mais transparentes. As taxas “ad rem” são muito utilizadas pelos países ricos contra os produtos agrícolas brasileiros. Também provocou espanto o limite de R$ 10 por unidade sugerida para a tarifa, já que a moeda utilizada no comércio internacional é o dólar.

      Mesmo após declarações públicas do governo de que a proposta não iria adiante, a MP seguiu para o Congresso intacta. Os deputados aprovaram a tarifa “ad rem” sem restrição de setor com limite de R$ 15 por unidade, mais alto do que o proposto pela Receita. Agora que a medida se transformou em lei, o setor privado está cobrando do governo a regulamentação.

      “O ad rem é mal compreendido. Não estamos prejudicando a sociedade”, disse Pimentel, da Abit, acrescentando que esse tipo de tarifa é utilizada por vários países, inclusive EUA e Argentina. Segundo ele, a medida reduz o subfaturamento, preservando a arrecadação e os empregos no país. Pimentel também defende que o mecanismo deve ser “móvel”, ou seja, produtos e tarifas precisam ser alterados conforme as variações dos preços no mercado externo.

      “Estamos defendendo isso com unhas e dentes”, disse Zaneti, representante dos produtores de vinho. Ele diz que os vinhos importados representam hoje 80% do consumo brasileiro. A sugestão do setor é que o governo utilize o dinheiro arrecadado com o imposto para um fundo de apoio à vitinicultura no país. Segundo Zaneti, o setor também vai precisar de medidas adicionais, porque 50% das importações vêem do Chile e Argentina.

      A visão dos importadores é totalmente diferente. Para Jonathan Smith, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Matérias-Primas Têxteis (Abitex), a medida vai beneficiar produtos de luxo e onerar itens voltados à população de baixa renda. Ele também argumenta que a indústria têxtil brasileira é capaz atualmente de atender apenas um quarto do consumo nacional de tecidos.

Fonte: Valor Econômico


Importações gaúchas crescem 60% em sete meses no ano, diz Fiergs

Agosto 13, 2008

Exportações no RS tiveram elevação de 25%, chegando a US$ 10,7 bilhões.

O destaque na balança comercial do Estado nos sete primeiros meses de 2008 ficou com as importações, que cresceram 60%, ante igual período do ano passado e atingiram US$ 8,1 bilhões. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira pelo presidente da Fiergs, Paulo Tigre.

— A atividade aquecida na indústria refletiu numa maior demanda por insumos, em especial da Argentina, e também na compra de máquinas e equipamentos. O aumento da renda das famílias e o câmbio valorizado também estimularam as compras de bens de consumo — afirmou.

Exportações

Já as exportações gaúchas tiveram elevação de 25%, chegando a US$ 10,7 bilhões. O setor industrial foi responsável por 83% destas vendas.

Na mesma base de comparação, a maioria das compras do setor industrial foi de produtos químicos, em especial uréia e naftas para petroquímica, com um crescimento de 98%, e atingindo, no acumulado do ano US$ 1,5 bilhão.

Os segmentos de Extrativa Mineral (óleos brutos de petróleo) e Máquinas e Equipamentos (tratores, ceifadeiras e debulhadoras) acompanharam a boa performance, com uma majoração de 84%, acumulando US$ 2,9 bilhões e US$ 679 milhões, respectivamente.

Esses resultados estão na esteira de uma produção aquecida na indústria da mesma forma que permite antever compra de insumos por parte da agricultura.

As vendas externas de janeiro a julho do setor industrial gaúcho tiveram uma elevação de 19% e atingiram US$ 8,5 bilhões. Alimentos e Bebidas, que respondem por 26% da pauta de exportação do Rio Grande do Sul (RS), expandiram 56% (US$ 933 milhões), em especial óleo de soja e carne de frango in natura, seguido por Máquinas e Equipamentos, com acréscimo de 37%.

— A demanda por alimentos reflete-se no aumento dos preços no mercado global — explica o presidente da Fiergs.

Tigre destaca ainda que o bom momento do agronegócio acelera a expansão das vendas de máquinas agrícolas. Na análise das exportações dos produtos com tecnologia, aqueles que têm intensidade alta, média e baixa subiram 22%, enquanto os não industriais aumentaram 38%.

Resultados de julho

Quando apenas o mês de julho é analisado, as importações e exportações gaúchas também registram crescimentos. As compras subiram 42% (US$ 1,15 bilhão). Já nas vendas a evolução chegou a 11% (US$ 1,8 bilhão).

Os principais destinos foram China, Argentina e Estados Unidos. Os chineses receberam 26,5% dos produtos embarcados pelo Estado, principalmente pela comercialização de óleo de soja.

O RS mantém a terceira posição entre os Estados exportadores, respondendo por 9,2% das vendas brasileiras nos sete primeiros meses deste ano. Em primeiro lugar vem São Paulo (29,6%), seguido de Minas Gerais (11,9%). As informações são da asessoria de imprensa da Fiergs. 

Exportação global do RS (indústria e produtos primários)

De janeiro a julho de 2008

1º - São Paulo - US$ 32,8 bilhões
2º - Minas Gerais - US$ 13,2 bilhões
3º - Rio Grande do Sul - US$ 10,1 bilhões
4º - Rio de Janeiro - US$ 9,5 bilhões
5° - Paraná - US$ 9,4 bilhões
Fonte: Zero Hora


Média diária de importação cresce 53% no ano

Agosto 13, 2008

A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 496 milhões na segunda semana de agosto (dias 4 a 10), resultado de exportações de US$ 4,962 bilhões e importações de US$ 4,466 bilhões.

     No acumulado de janeiro à segunda semana deste mês, o saldo comercial está positivo em US$ 15,106 bilhões. As exportações somam US$ 116,987 bilhões enquanto as importações atingem US$ 101,881 bilhões.

      A média diária de exportações é de US$ 769,7 milhões, número 28,2% superior à média registrada para o mesmo período (janeiro à segunda semana de agosto) de 2007. A média diária de importações foi de US$ 670,3 milhões, com acréscimo de 52,8% sobre 2007.

      Na primeira semana de agosto (dias 1º a 3), a balança teve um déficit de US$ 43 milhões, a diferença entre exportações de US$ 927 milhões e importações de US$ 1,897 bilhão. Em dez dias úteis do mês de agosto, o superávit atinge US$ 453 milhões, com uma média de US$ 75,5 milhões por dia útil.

      A projeção para o saldo da balança em 2008, segundo divulgou ontem o Banco Central, com base em pesquisa com cerca de 100 analistas do mercado financeiro, subiu de US$ 23 bilhões para US$ 23,1 bilhões. Para 2009, foi mantida em US$ 15 bilhões.

Fonte: Valor Econômico


Importação cresce 80,3% no mês

Agosto 12, 2008

Puxadas principalmente pelas compras de adubos, fertilizantes e combustíveis, as importações brasileiras nas duas primeiras semanas deste mês já apresentam alta de 80,3% em relação à média diária de agosto do ano passado. O crescimento das exportações, por outro lado, ocorreu em velocidade bem menor no mesmo período: 49,5%.
Na segunda semana de agosto, a balança comercial apresentou superávit de US$ 496 milhões, com exportações de US$ 4,96 bilhões e importações de US$ 4,46 bilhões. Como na primeira semana do mês a balança teve déficit de US$ 43 milhões, o superávit comercial em agosto até a segunda semana é de US$ 453 milhões, 54,24% menos que o superávit acumulado nas duas primeiras semanas de agosto de 2007.

Fonte: O Estado de São Paulo


O poder de compra do Estado e as importações

Agosto 8, 2008

Por José Henrique Souza e Lucídio Cristóvão Fardelone

O governo brasileiro vem se preocupando nos últimos meses com o agravamento no desequilíbrio da balança comercial. Um dos segmentos de maior impacto na balança comercial e motivo de inquietação é o setor de produtos médicos. Para solucionar o problema, uma das medidas que vem sendo cogitada é um novo processo de “substituição de importações” utilizando como principal ferramenta o poder de compra do Estado. Semelhante instrumento já foi utilizado no Brasil por vários anos, mas nada se fala a respeito do que deu certo ou errado com essa prática.

O poder de compra do Estado para apoiar o desenvolvimento industrial é utilizado por inúmeras nações, inclusive nos países da OCDE. Usar essa ferramenta para estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de bens para a saúde pode contribuir para elevar o padrão de vida da população, reduzir o gasto público e melhorar as contas externas. De fato, um eficiente complexo industrial da saúde ajuda a melhorar e ampliar o tratamento médico disponível ao cidadão. Mas semelhante resultado somente ocorrerá se for possível elevar a produtividade, o grau de inovação e a competitividade dos fabricantes de bens médicos instalados no Brasil.

Substituir importações sem um esforço inovativo pode retardar a melhoria no padrão de atendimento e aumentar os custos do sistema de saúde. Apenas estimular os fornecedores nacionais a substituírem importados pode ser uma solução de curto prazo com reflexos negativos sobre os preços finais desses produtos e sobre a capacidade de cobertura do atendimento médico. Do mesmo modo, pouco adiantará trocar ganhos de divisas por perdas com aumento do gasto nos hospitais sustentados pelo contribuinte. Mas a situação externa da indústria brasileira de produtos médicos na última década aponta para o fato de que o governo precisa agir rapidamente.

A tabela abaixo demonstra as dimensões do problema. O Brasil é deficitário em quase todos os ramos da indústria. Entre 1998 e 2007, o déficit cresceu sistematicamente. No último ano, o saldo negativo pulou de US$ 3,1 bilhões para US$ 4,2 bilhões, um aumento de aproximadamente 35%.

Comparando com o comércio internacional, o Brasil exporta mais acentuadamente produtos farmacêuticos e instrumentos médicos, isto é, produtos que incorporam níveis médios de tecnologia. Nos segmentos que demandam grandes investimentos em P&D, como medicamentos e aparelhos de diagnóstico, as empresas instaladas no Brasil perdem terreno.

Assim, aproveitar o poder de compra do Estado para estimular a indústria nacional a desenvolver produtos mais sofisticados e com maiores coeficientes de elasticidade-renda parece ser uma medida acertada. Mas é preciso aliar o “public procurement” ao financiamento público, à infra-estrutura de apoio tecnológico e ao estímulo à competitividade. Justamente como ocorre nos países da OCDE e como já foi feito no Brasil.

Nas décadas de 1970 e 1980, as empresas públicas promoveram a preferência por produtos fabricados no Brasil visando substituir importações e apoiar o avanço da indústria nacional. O poder de compra do Estado, naquele momento representado pelas empresas estatais e pela rede pública de saúde, garantia a demanda por bens já produzidos, ou que seriam, por empresas nacionais, e articulava as ações de outros quatro agentes fundamentais do processo de desenvolvimento: as agências de fomento; os fabricantes, as empresas nacionais de engenharia e os centros de ensino e pesquisa.

No lado do financiamento, o BNDES apoiava o “suplier’s credit” e, aliado à Finep, associava a redução do custo de desenvolvimento do fabricante às vantagens do financiamento ao usuário. A Finame apoiava as empresas sediadas no país para iniciar a fabricação pioneira de bens, importar tecnologia e elevar sua participação no detalhamento, responsabilidade e execução de projetos básicos. Por meio do BNDESPar, o banco fortalecia financeiramente as empresas nacionais subscrevendo ações, comprando projetos de engenharia e promovendo “joint-ventures” entre empresas estrangeiras e nacionais.

O uso do poder de compra do Inamps e da Ceme para desenvolver insumos, equipamentos hospitalares e fármacos, nos anos 1980, comprova que é possível um trabalho conjunto e bem planejado de várias instituições públicas, centros de ensino e pesquisas e empresas. Atualmente, o constante vai-e-vem dos anúncios, o caráter publicitário das intenções e as brigas pela paternidade da nova “política industrial”, como foi apresentado por Lu Aiko Otta no jornal “O Estado de São Paulo” (13/04/2008, p. B9), sugerem falta de trabalho conjunto entre agentes públicos.

Muito já foi feito no Brasil para utilizar a demanda pública para o desenvolvimento produtivo e tecnológico nacional. Mas toda essa experiência acumulada tende a se perder se o país não aprender com o que já foi feito, com o que deu certo e com o que falhou. Esquecer o que foi excesso de intervencionismo, o que gerou corrupção e desperdício e o que foi um bom trabalho de desenvolvimento apoiado pelo Estado, e esquecer, sobretudo, que apoio temporário implica na obrigação da empresa competir no mercado global, pode levar o país a cometer os mesmos erros. Aprender com o passado pode evitar desgoverno, corrupção, excesso de “digirismo” e a tendência de sempre iniciar do zero ações públicas que nunca são finalizadas.

José Henrique Souza é professor-pesquisador do Departamento de Economia da PUC-Campinas.

Lucídio Cristóvão Fardelone é mestre e doutor em Ciências, especialista em Relações Econômicas Internacionais e pesquisador da área de Biotecnologia

Fonte: Valor Econômico