Apex defende maior participação de pequenas e médias empresas nas exportações

Novembro 24, 2009

Rio de Janeiro – Nos próximos 15 anos, o Brasil vai estar entre as cinco ou seis maiores economias mundiais mas, para que isso ocorra, o presidente da Agência de Promoção de Exportações (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira, destacou ser fundamental reforçar no país o papel das empresas comerciais exportadoras, conhecidas como tradings.

As comerciais exportadoras desempenham função de destaque em todos os mercados prospectados pela Apex, salientou Teixeira. Na sua avaliação, elas podem melhorar a inserção de micro, pequenas e médias companhias nas exportações brasileiras, seja em termos de volume, como de qualidade. “A conclusão é que nós precisávamos retomar o trabalho com as tradings”.

 A meta, revelou o presidente da Apex, é elevar em 10%, no ano que vem o número de micro e pequenas empresas exportadoras em relação a 2008, quando elas totalizaram 11.120 companhias, que geraram exportações de US$ 2,37 bilhões, ou o equivalente a 1,2% das vendas brasileiras ao exterior.

“As comerciais exportadoras podem dar uma musculatura maior ao comércio exterior brasileiro”, reiterou Teixeira. Segurança jurídica e risco mais baixo são alguns   dos elementos positivos que as ‘tradings’ podem trazer ao comércio externo do Brasil, frisou.

 Teixeira apresentou estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas sobre o  setor de ‘tradings’ no Brasil, durante o 29º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), aberto hoje (24) na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Do total de companhias exportadoras existentes no país, 28%, ou 5.670,  são tradings. Essas empresas comerciais exportadoras  responderam por US$ 21 bilhões em exportações, no ano passado.

 O catálogo eletrônico lançado pela Apex na internet já conta com 538 tradings cadastradas que devem exportar mais de US$ 3 bilhões até o final deste ano. Teixeira acredita que o número de comerciais exportadoras incluídas no Diretório de Tradings do Brasil poderá chegar,  nos próximos dois anos, a 1.200 empresas. Para isso, a Apex já definiu estratégias comerciais para o próximo ano que  englobam ações no Oriente Médio, Eurásia e Sudeste Asiático, com a participação de ‘tradings’.

 De acordo com o estudo realizado pela FGV para a Apex, atualmente 30% das  tradings  são da área de máquinas e equipamentos. “Não tem como pensar em expandir o comércio externo se não tiver a expertise desse mercado das comerciais exportadoras”, assegurou Teixeira. Essa é, afirmou, uma ferramenta  para que o Brasil possa enfrentar a concorrência dos mercados indiano e chinês.

 O presidente da Sertrading, maior trading do Brasil,  Alfredo de Goye, anunciou que já está sendo criada a Associação Nacional de Tradings, que busca a centralização da atividade no país.

Fonte: Agência Brasil


Exportações brasileiras devem cair cerca de 20% neste ano, afirma secretário da Secex

Novembro 24, 2009

Rio de Janeiro – O Brasil vai experimentar este ano uma retração das exportações acima de 20%, seguindo a média mundial, em decorrência da crise financeira internacional, disse hoje (24) à Agência Brasil o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral.

Ao participar do 29º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), ele disse esperar uma queda superior a 20% nas exportações brasileiras em 2009, “que é mais ou menos o que vai acontecer no mundo”.

 Barral acredita, contudo, em uma retomada do crescimento das exportações em 2010 de cerca de 10%. “Daí, nós colocamos uma média de US$ 168 bilhões de exportações (para 2010), em comparação com US$ 153 bilhões a US$ 155 bilhões este ano”, disse o secretário da Secex. Em 2008, as exportações do Brasil somaram US$ 198 bilhões.

 A diversificação da pauta exportadora brasileira  funcionou este ano como um elemento de defesa para o comércio externo do país, avaliou. Apesar da crise econômica, as commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional) tiveram uma presença significativa no mercado mundial. Segundo Barral, outro fator que influenciou no crescimento das exportações do Brasil é que a demanda  dos países asiáticos, especialmente a China, está muito forte.

Em 2010, o secretário afirmou que todo o esforço do governo será no sentido de diversificar as exportações e, ao mesmo tempo, ampliar  a participação de  pequenas e médias empresas no processo exportador. “Temos que investir muito na exportação de produtos de maior valor agregado e também na exportação de serviços”.

 O secretário comentou a proposta de criação de um ministério exclusivo para tratar do comércio exterior brasileiro formulada no Enaex. Ele admitiu a necessidade de mudanças na estrutura administrativa nacional  para dar mais eficiência ao comércio externo do Brasil. “Mas, não necessariamente a criação de um novo ministério vai implicar nisso”.

 O que precisa, na sua avaliação, é resolver os gargalos que  dificultam o desenvolvimento das exportações brasileiras. “Independentemente de um novo ministério, precisamos resolver os problemas da tributação, o problema de logística, da burocracia. São problemas de inovação na administração pública, em qualquer ministério que esteja.”

Fonte: Agência Brasil


MDIC anuncia meta de exportações de US$ 168 bilhões para 2010

Novembro 24, 2009

Rio de Janeiro (RJ) – A meta de exportações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para 2010 é de US$ 168 bilhões, valor 10% acima do acumulado dos últimos 12 meses, que está em US$ 154 bilhões. O anúncio foi feito hoje (24/11) pelo secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, durante a abertura do 29º. Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), no Rio de Janeiro (RJ). 

“O Brasil começou 2009 com efeitos muito severos da crise financeira mundial, mas teve relativa recuperação ao longo do ano, o que nos faz acreditar na recuperação das exportações brasileiras em 2010”, ressaltou. 

Segundo Barral, representante do ministro Miguel Jorge no evento, a meta é compatível com a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as exportações em 2010. O órgão calcula que as exportações de todos os países cheguem a US$ 13,059 trilhões em 2010, crescimento de 9,5% em relação a previsão para este ano – US$ 11,919 trilhões.

 De janeiro até a terceira semana de novembro deste ano, o Brasil exportou US$ 134,668 bilhões, valor 24,4% menor que o do mesmo período do ano passado, US$ 181,246 bilhões. Para 2009, a previsão do MDIC é que as exportações fiquem entre US$ 155 bilhões e US$ 160 bilhões.

 Desafios

Para alcançar a meta das exportações para 2010, o secretário de Comércio Exterior do MDIC destacou a necessidade do Brasil continuar investindo na diversificação da pauta exportadora e dos mercados de destino. “Precisamos recuperar espaço nos mercados dos Estados Unidos e da Europa, mas, segundo o FMI, a recuperação dos mercados será maior nos países em desenvolvimento, sobretudo na Ásia”, destacou. 

O Brasil ainda precisa, segundo ele, atualizar o sistema tributário nacional, investir em logística e em procedimentos de desburocratização e facilitação do comércio e ampliar as linhas de financiamento para os exportadores, dentre outros pontos. Barral também destacou a necessidade de um trabalho conjunto do governo e da sociedade civil para aumentar a percepção da importância do setor exportador na economia nacional. 

O 29º. Enaex prossegue até amanhã, no prédio da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), na capital Fluminense. 

Fonte: MDIC


Argentina faz acordo para comprar 20 aviões fabricados pela Embraer

Novembro 18, 2009

Brasília – A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) vai vender 20 aviões modelo 190 AR para o governo argentino. A compra envolve cerca de US$ 700 milhões. Parte do financiamento, cerca de 85%, será realizado via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o restante por meio do Banco de la Nación. As nove primeiras aeronaves serão entregues em junho de 2010, as demais em 2011.

O acordo para a venda das aeronaves foi firmado hoje (18) durante reunião dos presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Argentina, Cristina Kirchner, no Itamaraty. No encontro, a presidente argentina elogiou a iniciativa. “Os aviões farão parte da nova frota de aeronaves e envolve um grande investimento”, disse Cristina. “É um tema de questão econômica e política.”

De acordo com Lula, o BNDES é um “parceiro entusiasta” da integração da parceria Brasil e Argentina. Segundo ele, desde 2005, foi desembolsado US$ 1,2 bilhão para projetos de ampliação e modernização da infraestrutura da Argentina e seu parque produtivo.

O presidente afirmou também que mais US$ 1 bilhão será destinado a gasodutos, saneamento e abastecimento de água. Lula disse ainda que há projetos comuns entre Brasil e Argentina em estudo envolvendo cerca de US$ 4,5 bilhões.

Fonte: Agência Brasil


Moveleiros apoiam fim de visto argentino

Novembro 16, 2009

Setor registra queda de 54% nas exportações até outubro para o país vizinho, o segundo maior comprador do País.

O cancelamento da cobrança de visto para liberar as exportações de móveis para a Argentina será insuficiente para melhorar o fluxo comercial. Os industriais gaúchos do setor são os que mais sofrem no Brasil com as barreiras e descumprimento de acordos pelos vizinhos, amargando queda de 54% da receita externa com o cliente, segundo entre os compradores, entre janeiro e outubro deste ano. A presidente da Associação da Indústria de Móveis do Estado (Movergs), Maristela Longhi, cobra redução de prazo das licenças, que deveria ser de até 60 dias e ultrapassa cem dias.

O anúncio pelo governo argentino, na sexta-feira passada, do fim da exigência de visto para liberar o transporte de produtos elaborados com madeira foi recebido como alento por Maristela. “Já é efeito da ameaça que o Brasil fez de denunciar a conduta dos vizinhos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e no tribunal de arbitragem do Mercosul”, interpretou a dirigente, que espera mais remoção de barreiras a partir de encontro entre os dois governos previsto para esta semana.

O visto foi criado em junho. E Maristela explica que a medida gerou maior custo e transtornos. A empresa, depois de obter a licença para exportação, tinha de enviar funcionário até o Consulado da Argentina em Porto Alegre para obter a autorização. A taxa do visto era de R$ 80,00, somada às despesas de cartório, a conta ficava acima de R$ 100,00. “O problema não é só o valor, mas o transtorno de ter um funcionário indo à Capital para isso. Sem falar do impacto do atraso das licenças, acima de cem dias”, indigna-se a presidente da Movergs.

Acordo selado em abril definiu limite de vendas ao país, além de assegurar que o prazo de liberação de licenças de 60 dias seria respeitado. O setor moveleiro gaúcho acertou corte de 35% no volume, considerando 2008. O efeito seria uma exportação de R$ 36,6 milhões. O problema é que os 60 dias foram respeitados somente no primeiro mês, depois tudo voltou à morosidade anterior. “Com a crise mundial e a desaceleração de compras, o valor não é ruim, haveria queda. Mas só que em dez meses alcançamos apenas US$ 15,02 milhões”, protesta Maristela.

A queda é maior que a média brasileira, de 45,5% para a Argentina. A frustração com o vizinho aumentou o rombo na balança. O recuo no ano é de 33,6%, com faturamento de US$ 166,08 milhões, ante US$ 250,1 milhões do mesmo período de 2008. As dificuldades levaram os moveleiros a tentar compensar as perdas com a ampliação de vendas a outros mercados. Com isso, o Estado também está perdendo terreno nas exportações, com impacto na economia local.

Fonte: Jornal do Comércio (RS)


Novas leis ameaçam exportação do País

Novembro 16, 2009

Americanos e europeus estudam regulação mais dura com base em problemas climáticos, trabalhistas e de segurança
Estão surgindo novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo, Estados Unidos e União Europeia. Três grupos de barreiras preocupam: ambientais, trabalhistas e de segurança. Deputados americanos e europeus debatem novas legislações sobre esses temas, que são foco da agenda comercial.

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que por ano 15,4% das exportações brasileiras para os EUA – o equivalente a US$ 5 bilhões – estão na mira da nova legislação americana de mudanças climáticas. A lei pode atingir as vendas brasileiras de aço, celulose, papel e alumínio.

O aquecimento global tornou o tema ambiental urgente. O presidente Barack Obama deu sinais de que está disposto a assumir compromissos na reunião de Copenhague. Preocupadas em ficar em desvantagem com outros países, as empresas americanas exigem compensações.

Existem dois projetos sobre o tema no Congresso americano. O mais provável é que sejam aprovadas medidas que obriguem os importadores a comprar licenças para emissão de carbono. “Isso joga o ônus da adaptação nos países em desenvolvimento”, disse o diretor de relações internacionais da Fiesp, Mário Marconini.

A União Europeia também estuda a adoção de uma “taxa de carbono” contra produtos importados, caso os países emergentes não se disponham a assumir compromissos equiparáveis aos ricos de redução de emissões em Copenhague.

Segundo a consultora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sandra Rios, essas tarifas distorcem a negociação climática, que reconhece que os países ricos e em desenvolvimento têm responsabilidades diferentes pelo aquecimento global. “O problema é que essas tarifas vão equiparar os esforços. As nações emergentes têm de manter seu crescimento.”

Nas discussões trabalhistas, os sindicatos ganharam força para defender regras rígidas em acordos comerciais, depois do desemprego causado pela crise e do apoio decisivo a Obama. A maior preocupação é com o trabalho escravo e infantil.

Tramita no Congresso dos EUA um projeto para reformar a lei de aduanas. Segundo o diretor executivo da Coalização das Indústrias Brasileiras, com sede em Washington, Diego Bonomo, pode entrar em vigor uma nova lista de produtos feitos com trabalho escravo e infantil, que ficariam impedidos de entrar no país. A lista inclui 13 itens brasileiros, como algodão, calçados e tabaco.

A segurança também ganhou relevância desde os ataques de 11 de setembro de 2001. O Congresso concedeu um mandato para o Executivo americano escanear 100% dos contêineres que chegam ao país. Existe um projeto-piloto, mas a administração federal argumenta que não há condições de colocar a lei em prática.
Fonte: O Estado de São Paulo


Melhora a exportação de manufaturados

Novembro 4, 2009

Os números de outubro da balança comercial mostraram alguma reação das exportações em geral, mas as vendas externas de produtos industrializados ainda não se recuperaram.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, essa categoria, que une manufaturados e semimanufaturados, teve aumento de 4% em outubro na comparação com setembro. Mas se for confrontado com outubro de 2008, o resultado mostra queda de 18,5%. De janeiro a outubro, os embarques de bens industrializados foram 29,7% inferiores aos do mesmo período do ano passado. Isolando os produtos manufaturados, as exportações de outubro ficaram 1% acima das de setembro, mas caíram 18,3% sobre outubro de 2008. De janeiro a outubro, recuaram 29,9%.

No lado das importações, foi registrado, em outubro, aumento da entrada de intermediários e bens de consumo, o que indica recuperação econômica e a preparação para as vendas do fim do ano.

Segundo análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), as exportações de manufaturados estão com um quadro “menos ruim”, o que deve ter relação com a recuperação da atividade econômica nos Estados Unidos e nos países latino-americanos, principais compradores desses bens. As vendas externas de manufaturados cresceram 5,1% sobre setembro, de acordo com uma comparação que desprezou fatos típicos do período. Segundo o Iedi, há evolução porque os crescimentos anteriores foram de 4,1% (agosto) e 2,1% (setembro).

A comparação das exportações de manufaturados com outubro de 2008, também indica desempenho menos desfavorável para o Iedi. Além de registrarem a menor queda de 2009 (18,3%), pela primeira vez no ano sua variação negativa foi inferior à registrada nas vendas externas das demais classes de produtos: 19,2% dos semimanufaturados e 20,4% dos básicos.

De janeiro a outubro, as exportações recuaram 24,6% com relação a igual período de 2008, segundo as médias diárias. Nesse critério, as importações caíram 29,4%. Apesar dessas reduções que deprimiram a corrente de comércio, o saldo cresceu 9,1%. Nesse período, as exportações chegaram a US$ 125,88 bilhões e as importações foram de US$ 103,28 bilhões, com saldo de US$ 22,59 bilhões.

O secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, disse acreditar que, neste ano, as exportações devem ficar entre US$ 155 bilhões e US$ 160 bilhões, mas o governo ainda não calculou uma meta para 2010. As exportações foram de US$ 14,08 bilhões em outubro, mas sua expectativa para os próximos meses é de níveis semelhantes aos dos mesmos meses de 2008. No ano passado, as vendas externas foram de US$ 14,75 bilhões em novembro e US$ 13,81 bilhões em dezembro. Ele disse que o Brasil tem de diversificar mais seus embarques para a China e admitiu que o país tem de investir mais no aumento da participação no mercado americano.

Ao comentar o impacto do câmbio nas exportações, Barral elogiou a tributação na entrada de capital, mas disse que parte do governo apoia medidas ortodoxas contra um problema – o controle cambial exercido pela China – que é “totalmente heterodoxo”.
Fonte: Valor Econômico


Dados de exportações e importações sofrem influências do câmbio, diz secretário

Novembro 3, 2009

Brasília – O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, apontou hoje (3) uma “relativa recuperação” nos dados de exportação e importação, mas disse que o processo sofre em decorrência do câmbio. A expectativa, porém, é que a economia nacional se recupere em novembro e dezembro, com o aumento da comercialização de insumos.

“Tem gente dentro do governo que acha que dá para resolver com medidas ortodoxas. Não tem como resolver com medidas ortodoxas uma situação é completamente heterodoxa, como o controle cambial da China”, afirmou Barral, que viaja hoje (3) para os Estados Unidos para retomar a agenda bilateral no esforço de incrementar o comércio.

Segundo Barral, o governo federal tomou uma decisão “bastante acertada” em relação à decisão de cobrar 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) do capital externo que entra no país para investir em ações ou títulos irá atingir também alguns investidores que já estavam no país antes da medida.

”Mas precisamos ver os efeitos disso a médio prazo”, afirmou o secretário, contrariando as afirmações do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que criticou a medida. Segundo o ministro, a cobrança de IOF não resolverá os problemas do exportador.

Paralelamente o governo federal resolveu concentrar as atenções no incremento do comércio com os Estados Unidos. A decisão foi tomada depois que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior concluiu que houve queda nas exportações com perda de espaço para a China.

“Perdemos por causa da crise e não estamos conseguindo recuperar. Uma das razões é o câmbio”, disse Barral. “É preciso investir mais no mercado norte-americano. Nós continuamos com todas as ações com promoção comercial e temos retomando a agenda com o governo dos Estados Unidos.”

O saldo (superavit) da balança comercial brasileira registrou crescimento de 7,5% no acumulado do ano até o dia 31 de outubro, com US$ 22,599 bilhões. O saldo do mês passado é praticamente o mesmo registrado ao mesmo período de 2008, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Houve aumento de vendas dos produtos semimanufaturados, como açúcar, recuperação dos industrializados e queda dos básicos.

As exportações de janeiro a outubro foram de US$ 125,879 bilhões e as importações, de US$ 103,280 bilhões. Na média por dia útil, no período, as exportações ficaram em US$ 605,2 milhões com queda de 24,6% com o mesmo período do ano passado e as importações, US$ 496,5 também em queda, registraram 29,4% na mesma comparação.

Em outubro, o saldo da balança comercial ficou em US$ 1,328 bilhão com exportações de US$ 14,082 bilhões e importações de US$ 12,754 bilhões. O saldo registrou média diária de US$ 63,3 milhões. Segundo Barral, os dados de outubro são “muito similares” aos de setembro.

Fonte: Agência Brasil


Câmbio é o principal entrave às exportações gaúchas, aponta levantamento da Fiergs

Outubro 30, 2009

Dólar desvalorizado torna os custos mais altos para o exportador.
Para sete em cada dez empresários gaúchos, a política cambial é o principal obstáculo para as exportações gaúchas.

Segundo o levantamento da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, o dólar desvalorizado torna os custos mais altos para o exportador e afeta a competitividade dos produtos brasileiros. Para os entrevistados, a taxa de câmbio de equilíbrio fica entre R$ 1,90 e R$ 2,10.

Em segundo lugar, os empresários apontaram como necessidade a desoneração tributária, seguida por redução de custos logísticos e linhas de financiamento.

O resultado da pesquisa foi entregue para a Confederação Nacional da Indústria.

Mesmo relatando dificuldades, 63% dos industriais têm intenção de aumentar o volume exportado nos próximos dois anos.

Fonte: RÁDIO GAÚCHA


Fiesp ataca tributação de exportações

Outubro 28, 2009

Empresários e economistas reunidos ontem na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atacaram a tributação das exportações brasileiras, criticando duramente a dificuldade das empresas que vendem ao exterior de conseguir o ressarcimento de créditos tributários acumulados, tanto na esfera federal como na estadual. Além de sofrer com o câmbio, as companhias brasileiras têm a competitividade minada por impostos que incidem sobre as vendas externas, o que não ocorre nos países concorrentes do Brasil, destacou o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Para ele, mudar essa situação exige uma reforma tributária mais ampla, o que, “sendo realista”, só deve ocorrer em 2011. “Mas a primeira pauta no novo governo, seja no Congresso, seja no Executivo, tem que ser a solução da carga tributária sobre as exportações.” Segundo Giannetti, a resolução desses problemas passa por uma reforma ampla, porque é necessário mudar a estrutura e a qualidade dos impostos, dando “segurança jurídica e a garantia ao exportador de reembolso dos impostos indevidamente cobrados.” No curto prazo, Giannetti acredita ser possível alguma medida de desoneração setorial, como a recentemente obtida pelo segmento de carnes, mas medidas mais ambiciosas deverão ficar para 2011.

No evento, Giannetti divulgou uma pesquisa feita com com 300 empresas, tratando da compensação e desoneração das exportações. Entre os entrevistados, 57% disseram que é grave ou muito grave a acumulação de créditos de tributos relacionados a tributos federais – Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS e Cofins. No caso da retenção de créditos de ICMS, um tributo estadual, 64% das empresas classificam o problema como grave ou muito grave. Outro número preocupante, segundo ele, é que 12% dos entrevistados informaram ter mais de R$ 50 milhões a receber. Os resultados da pesquisa deverão ser entregues ao ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sexta-feira.

A secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spindola, reconheceu que o problema da tributação das exportações é de fato grave. “O mundo inteiro desonera a exportação. Para o produtor brasileiro concorrer em pé de igualdade no exterior, ele precisa ser desonerado.” Um obstáculo, segundo Lytha, é que o “o sistema tributário no Brasil é excepcionalmente complexo”.

“Nós temos quatro tipos de impostos de valor agregado”, afirmou Lytha, para quem a complexidade torna difícil identificar os valores que devem ser devolvidos e a quem eles são devidos. “A grande esperança é a nota fiscal eletrônica e o sistema de escrituração digital, que está sendo montado pelo Ministério da Fazenda. Isso vai permitir identificar com clareza qual é o imposto embutido nos insumos, nas etapas anteriores do processo de produção. Vai ficar mais fácil devolver os tributos e evitar que esse mecanismo se transforme num elemento vulnerável a fraudes.”

O presidente do conselho de administração da Gerdau, Jorge Gerdau, disse que a questão tributária é hoje eminentemente política, e não técnica. Para ele, os governadores, prefeitos e as corporações arrecadatórias nas três esferas de governo são os inimigos da indústria nessa guerra.

O professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, ressaltou que a desoneração desafogaria as empresas exportadoras, ajudando a gerar mais empregos no mercado interno. “Parece que os analistas esqueceram que há um efeito multiplicador de renda e emprego quando crescem as exportações. Isso eleva a demanda interna de insumos, peças e bens de capital.”

Os participantes do evento atacaram também o câmbio valorizado. Giannetti lembrou que, nos últimos seis meses, o dólar caiu de R$ 2,20 para R$ 1,70. “Considerando uma diferença de 50 centavos por dólar exportado e exportações totais de US$ 150 bilhões, foram R$ 75 bilhões subtraídos da renda dos exportadores em seis meses. Isso reduz a lucratividade, a competitividade e a capacidade investir do empresário”, afirmou ele.
Fonte: Valor Econômico