* União Europeia alerta que parceiros do bloco adotam medidas protecionistas

outubro 19, 2011

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A crise econômica internacional gera impactos em vários setores. O comissário do setor de comércio da União Europeia, Karel De Gucht, advertiu que foram adotadas medidas protecionistas pela maior parte dos parceiros comerciais do bloco, registrando mais de 30% de aumento apenas este ano. Segundo ele, os integrantes do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo) não cumpriram seus compromissos.

Gucht disse que os integrantes do G20 “claramente não têm cumprido as promessas”. De acordo ele, basta observar as barreiras comerciais definidas às exportações. “No último ano, chegamos à conclusão que os parceiros comerciais da União Europeia  introduziram 130 novas medidas restritivas ao comércio internacional, com 30% de aumento”.

O comissário lamentou que a recuperação econômica em alguns países não foi considerada por governos parceiros da União Europeia. Recentemente, Gucht condenou as medidas que chamou de protecionistas definidas pelo Brasil e pela Argentina. No caso do Brasil, a reação foi contra o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis.

No último dia 10, o governo brasileiro lançou uma ofensiva para reagir aos impactos da crise econômica internacional. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, anunciou a adoção de práticas para preservar as negociações envolvendo os produtos brasileiros no exterior. As autoridades vão se reunir com os empresários para identificar as barreiras impostas por alguns países ao mercado nacional.

Inicialmente, a atenção do governo estará voltada para as áreas econômica e de promoção comercial nos setores de agronegócio e manufaturas. Patriota disse que o objetivo é “mapear as dificuldades” e buscar solução para elas.

A decisão ocorre no momento em que países da zona do euro (que reúne 17 nações da União Europeia), os Estados Unidos e a China adotam medidas protecionistas. Patriota destacou que o objetivo das medidas é “preservar os avanços alcançados e olhar para novos horizontes”. Segundo ele, o momento atual faz com que o Brasil busque novos parceiros externos e internos, inclusive na sociedade civil. De acordo com o chanceler, é necessário pensar no “benefício de toda a sociedade brasileira”.

Principal parceiro comercial e também um dos maiores concorrentes do Brasil no mercado internacional, a China vai ser monitorada pelos peritos brasileiros. Segundo Patriota, haverá uma força-tarefa na área de assuntos econômicos do Itamaraty, nas negociações comerciais. No total, serão adotadas 20 medidas, entre elas o estímulo à realização de feiras e eventos no exterior oferecendo oportunidades no Brasil.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto


Brasil, Índia e África do Sul cobram medidas eficientes da Europa no combate à crise econômica

outubro 18, 2011
Luciana Lima e Renata Giraldi
Repórteres da Agência BrasilBrasília – O aprofundamento da crise econômica internacional foi um dos temas que predominou na reunião de cúpula do Ibas, grupo integrado pelo Brasil, a Índia e a África do Sul. Eles divulgaram documento hoje (18), em Pretória, capital administrativa da África do Sul, no qual expressaram preocupação com a deterioração contínua do cenário econômico mundial.

Na opinião dos líderes dos países do Ibas, a crise apresenta desafios específicos para as políticas econômicas dos países em desenvolvimento e com populações de baixa renda. Eles aproveitaram para cobrar providências mais eficientes da Europa. “Os líderes sublinharam a importância da implementação de um plano crível de políticas macroeconômica e financeira e de reformas estruturais, por parte dos países da zona do euro, como um passo necessário para evitar novos choques negativos para a economia mundial.”

Para o Ibas, é necessário que haja “medidas complementares de outras importantes economias desenvolvidas para impulsionar a recuperação das economias com problemas e para ajudar a economia global como um todo.” Eles classificaram as medidas tomadas até agora como insuficientes. “As respostas de política interna e as reformas estruturais foram insuficientes para restaurar o crescimento em muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento”, destaca.

O documento aponta como uma das saídas para a solução dos problemas de países endividados medidas de ajuste fiscal. Os países do Ibas registraram no documento a necessiade de “aumentar a coordenação política entre as nações do G20, com vistas a evitar uma nova recessão e promover uma recuperação robusta”.

Os líderes do Ibas acreditam que o Brasil, a Índia e África do Sul estão fazendo sua parte para promover o crescimento, contendo as pressões inflacionárias e garantindo a disciplina fiscal. No documento, eles recomendam que os países tenham compromisso com o acordo de Basileia 3, que rege a atividade financeira em todo mundo.

Edição: Lana Cristina


Líderes do Ibas reafirmam necessidade urgente de reforma de organismos multilaterais

outubro 18, 2011

Luciana Lima e Renata Giraldi
Repórteres da Agência Brasil

Brasília – Os países do Ibas – grupo formado pela Índia, o Brasil e a África do Sul – defenderam hoje (18) a reforma urgente de instituições multilaterais, em especial o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Esse é um dos 19 pontos de documento divulgado em Pretória, África do Sul, onde representantes do Ibas estão reunidos.

Na reunião, os líderes dos países que formam o Ibas reafirmaram o compromisso de aumentar a participação dos países em desenvolvimento nos órgãos de decisão das instituições multilaterais. Esse tópico faz parte da proposta de reforma da governança global, um dos princípios defendidos pelas nações emergentes desde a criação do grupo, em 2003.

“Os países ressaltaram a necessidade de uma reforma urgente das Nações Unidas [ONU] para torná-la mais democrática e coerente com a realidade geopolítica atual. Particularmente, os países enfatizaram que nenhuma reforma das Nações Unidas será completa sem uma reforma do Conselho de Segurança, incluindo uma expansão nas categorias permanente e não permanente de seus membros, com maior participação dos países em desenvolvimento em ambas”, destaca o Ibas.

O documento também enfatiza a importância da chamada cooperação Sul-Sul e coloca o Ibas como um importante fórum de diálogo, principalmente em um momento crítico da economia mundial e na busca de soluções pacíficas para os conflitos em áreas como o Oriente Médio e o Norte da África.

“O atual sistema internacional tem que ser mais reflexivo das necessidades e prioridades dos países em desenvolvimento. O Ibas continuará a esforçar-se para contribuir para uma nova ordem mundial cuja política, a economia e a arquitetura financeira são mais abrangentes, representativas e legítimas.”

Edição: Lana Cristina


Parlamento da Alemanha vota hoje ampliação do fundo de resgate europeu

setembro 29, 2011

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, enfrenta hoje (29) um dos seus maiores desafios políticos. O Parlamento alemão vota a concessão de mais poderes para o fundo de auxílio destinado aos países da zona do euro – o chamado Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. O assunto divide a opinião dos parlamentares, pois entre eles há os que temem que a medida venha a prejudicar a sociedade alemã.

Apesar das divisões entre os parlamentares, os especialistas apostam na aprovação. A ampliação do fundo de resgate é considerada uma medida necessária para auxiliar os países endividados do bloco europeu, como a Grécia, e impedir que os gregos e outras nações que enfrentem pesadas dívidas decretem moratória. A votação é considerada ainda um teste de popularidade da coalizão de centro-direita comandada pela chanceler alemã.

Mesmo se a proposta for aprovada, Angela Merkel pode sair enfraquecida da votação, ao se mostrar incapaz de manter unida a coalizão de governo em um momento considerado crítico para a zona do euro.

A ampliação do fundo, acordada em junho deste ano, foi aprovada ontem (28) pelo Parlamento da Finlândia – onde a medida vinha enfrentando resistência – e já foi ratificada por um total de dez entre os 17 parlamentos dos países que integram a zona do euro.

Com os novos poderes, o fundo passaria a contar com maior capacidade de financiamento para auxiliar economias em crise na região. As mudanças deverão dar mais possibilidade de auxílio aos países que enfrentam dificuldades para saldar suas dívidas. A ideia é ampliar o valor dos pacotes de ajuda às economias endividadas, cujo teto passaria dos atuais 440 bilhões de euros para valores até 2 trilhões de euros (respectivamente R$ 1,1 trilhão e R$ 4,9 trilhões).

O fundo ampliado permitirá ainda a compra de títulos de governo, a injeção de capital em bancos e a concessão de empréstimos a um país antes do agravamento da crise. Anteriormente, o fundo só podia socorrer economias que já se encontravam em crise.
*Com informações da BBC Brasil // Edição: Juliana Andrade


Crise econômica tem componentes políticos, diz presidente da Comissão Europeia

setembro 28, 2011

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A crise econômica internacional que atinge vários países europeus tem também componentes políticos, avalia o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Segundo ele, a Europa vive uma grave crise de confiança política. Para Barroso, é fundamental um esforço coletivo na tentativa de vencer as dificuldades.

“É preciso ser honesto e absolutamente claro na análise do estado da União: estamos hoje confrontados com o maior desafio que, creio, a União [Europeia] conhece em toda a sua história”, disse Barroso.

O presidente da Comissão Europeia lembrou que de trata de uma crise financeira, econômica e social, mas também de confiança. O assunto é tema de uma série de debates sobre o Estado da União, em referência ao momento atual vivido na zona do euro.

Os boatos em torno das dificuldades de solução para o endividamento de países europeus atingiram hoje (28) as bolsas da Europa, que abriram o dia em baixa. Houve registros de queda em Londres {Reino Unido), Frankfurt (Alemanha), Milão (Itália), Paris (França) e Madrid (Espanha).

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto


Brasil corre risco de desindustrialização mesmo com economia sólida para enfrentar crise mundial, dizem economistas

setembro 26, 2011

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O Brasil ainda corre o risco de se desindustrializar, mesmo com a economia apresentando boas condições de reagir a um acirramento da crise econômica mundial, disseram hoje (26) economistas que participaram da abertura do 8º Fórum de Economia, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A desindustrialização é o processo pelo qual a produção local é substituída pelos importados, enfraquecendo a indústria nacional e afetando as contas externas.

Para Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente da Companhia Siderúrgia Nacional (CSN), a indústria brasileira sofre um grande risco de desindustrialização, não por incompetência da indústria, mas porque o país está muito caro. Ele disse que tem sido especialmente difícil para a indústria exportar. “Hoje, nenhum produto brasileiro industrial manufaturado tem condições de ser exportado, não por deficiência da indústria, mas por causa dos juros distorcidos, com carga fiscal absurda, salários irreais e atraso nas mudanças”.

Steinbruch elogiou a decisão do BC em reduzir a taxa básica de juros, a Selic, antevendo os efeitos da crise econômica mundial na economia brasileira, decisão que foi tomada no final do mês passado. “Acho que o BC tomou uma atitude corajosa que poderia ter tomado muito antes. A verdade é que o fez, sob críticas, mas deve continuar fazendo”, observou o vice-presidente da Fiesp, referindo-se à próxima reunião do colegiado que define a taxa, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, marcada para outubro.

Ele considera que o “Brasil nunca esteve tão bem, enquanto os outros [países] nunca estiveram tão mal”. Steinbruch avalia que a economia brasileira é apoiada num modelo que prioriza emprego, renda, consumo e desenvolvimento e, atualmente, não se pode prescindir de nenhum desses fatores. “Estamos hoje sob ameaça severa de diminuição de atividade econômica e um eventual começo de diminuição do emprego, que quebraria essa corrente, o que seria muito prejudicial”, disse Steinbruch.

Análise semelhante foi feita pelo presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Pedro Luiz Barreiras Passos. Ele destacou que o “Brasil está muito melhor diante do cenário” de crise mundial, com a possível recessão e afundamento da economia norte-americana e com os problemas da União Europeia, e lembrou que a redução dos juros pode ajudar a diminuir os efeitos da crise aqui. “O Banco Central fez uma redução expressiva de juros, antevendo e anunciando o que seria a crise internacional. Foi uma medida bastante acertada que pode ajudar a mitigar efeitos da crise internacional no país e pode retomar uma trajetória de queda na taxa de juros recolocando os preços mais importantes da economia no lugar”, disse.

No entanto, Passos enfatizou que o governo precisa ampliar esforços para melhorar a situação da indústria nacional, que “é crítica” pelo fato da indústria vir perdendo competitividade. Para ele, o governo tem sido sensível ao apoiar indústria nacional, mas ainda é necessário que se adote uma política industrial mais consistente, de mais longo prazo e com melhor orientação de investimentos.

“O setor manufatureiro já não cresce há algum tempo. O problema continua grave [apesar das medidas tomadas pelo governo]. Em médio prazo, não vejo como restabelecer a capacidade do produto manufaturado nacional concorrer com o produto produzido no exterior se não tiver, definitivamente, um forte incentivo à inovação, um aumento e um forte impulso à produtividade e uma ação consistente para redução de custos sistêmicos no país. O Brasil é país muito caro. Precisamos trabalhar fortemente na redução de custos porque, senão, estamos diante de inevitável perda da indústria nacional”, observou o presidente do Iedi.

Para o professor de economia da FGV e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, que coordena o fórum, a crise mundial pode afetar o Brasil, mas o país está preparado para enfrentá-la. “O fato de que estamos com uma situação de reservas elevadas e com dívida pública em relação ao PIB [Produto Interno Bruto] baixa, [acredito] que a economia brasileira não será muito atingida. Deveremos continuar crescendo enquanto a Europa está em uma dificuldade muito grande.”

Bresser destacou que esta não é a primeira crise financeira no mundo moderno. De acordo com o ex-ministro, a crise atual teve início com a crise da Bolsa de Nova York, em 1987, e novas crises foram, então, se sucedendo, até 2008, com a quebra do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers. “Evidentemente a crise de 2008 não terminou”, disse.

A crise do momento, em que os Estados Unidos têm que cortar os gastos públicos e rever sua dívida e a Europa tem vários países igualmente endividados, colocou, na opinião de Clemente Ganz Lúcio, diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), um novo problema para o qual ninguém tinha antes atentado, a sustentabilidade. “Isso vai exigir urgência nas decisões políticas.”
Edição: Lana Cristina


União Europeia analisa alternativas para ajudar países em crise econômica

setembro 26, 2011

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O comissário de Assuntos Monetários da União Europeia, Olli Rehn, disse hoje (26) que está em estudo o fortalecimento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Rehn evitou detalhar o que está sendo analisado, mas destacou que a medida vai complementar o chamado “guarda-chuva” de resgate a alguns países atingidos de maneira mais intensa pelos impactos da crise econômica mundial.

Segundo o comissário, há ameaças de uma nova crise bancária na Europa. “É muito difícil evitar contágios. A riqueza da Alemanha se baseia em um euro estável e em parceiros estáveis”, disse Rehn.

O comissário disse ainda que há uma necessidade urgente de recapitalização dos bancos. Segundo ele, os estudos em curso na União Europeia analisam essa possibilidade. “Estou confiante que os ministros das Finanças abordarão o tema em um encontro, dentro de uma semana”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) sinalizou que pode não ter dinheiro suficiente para fornecer pacotes de resgate a grandes economias da zona do euro. A informação é da diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa, e da BBC Brasil.

Edição: Talita Cavalcante


Brics pede ação rápida e ousada dos países europeus para enfrentamento da crise econômica

setembro 23, 2011

Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O grupo conhecido como Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) quer uma ação rápida e ousada dos países europeus para enfrentamento da crise econômica. “Os países europeus têm que ser rápidos na decisão, têm que ser ousados e têm que ser cooperativos entre si”, disse o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, que se encontra em Washington para a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. O ministro disse ainda que há risco de agravamento dos problemas e de envolvimento do Brics na crise.

Falando em nome do Brics, Mantega lembrou que a situação internacional inspira cuidados e que a situação tem se complicado nos últimos meses. Segundo o ministro, é importante impedir que a crise dê um “salto qualitativo” e atinja um nível mais grave. Até agora, avaliou, a crise estava localizada nos países avançados, e o Brics e outros países emergentes têm conseguido manter um certo ritmo de crescimento, sem ser atingidos em suas “funções vitais”.

“Porém, existe um risco agora de que a crise da dívida soberana de alguns países, que não está sendo solucionada, possa se transformar em uma nova crise financeira”, afirmou.

Os representantes do Bric afirmam que o “epicentro” da nova crise é a União Europeia, ao contrário do que foi em 2008, quando os problemas surgiram nos Estados Unidos. O grupo avalia que na situação atual há uma demora para encontrar soluções ao contrário do que ocorreu há três anos. “O risco dessa crise se agravar é que ela vai envolver o Brics e os países emergentes menos avançados”, disse Mantega.

Um dos problemas para o Brics com o agravamento da crise tem a ver com o comércio mundial, que pode ser reduzido com consequência para os países exportadores de matérias-primas, como o Brasil. De acordo com Mantega, o preço mundial das commodities tem caído e pode enfraquecer o crescimento do Brics e dos demais emergentes provocando uma crise de “grandes proporções”.

O ministro disse ainda que se o problema da Grécia não for resolvido o mais rápido possível, outras economias serão contaminadas pela crise. Na avaliação dele, a cada dia que passa, os problemas são ampliados e fica caro resolver a crise.

No fim da tarde de hoje (23), em Washington, ministros de finanças e de desenvolvimento do G20 – grupo que representa as vinte maiores economias do planeta – e do Brics se reunirão no prédio do Banco Mundial.

No encontro, informou Mantega, o Brics recomendará o fortalecimento do G20 e do papel do FMI, que deve ter mais condições financeiras para enfrentar os problemas que podem afetar não só “os países mais avançados, mas também “os emergentes mais fracos” que precisarão de suporte financeiro caso a crise se aprofunde. Para o Brics, é preciso maior integração entre eles.

Segundo o ministro, o Brics tem uma dinâmica diferente dos países avançados, tem crescimento econômico maior, no momento, mercados internos em expansão e situação fiscal melhor. “Nós temos uma condição maior de solidariedade entre os nossos países. Ou seja, nós decidimos aumentar a solidariedade entre o Brics, com o aumento da atividade comercial financeira e buscar sinergias entre o Brics. Afinal de contas, o grupo, com outros emergentes, hoje lidera o crescimento da economia”.

A entrevista do ministro Guido Mantega foi disponibilizada no site do FMI logo após o encontro realizado ontem (22) à noite nos Estados Unidos.

O Brics também distribuiu nota afirmando que o grupo está aberto a considerar esforços adicionais para trabalhar com outros países e instituições financeiras internacionais a fim de enfrentar os desafios atuais para a estabilidade financeira global. O comunicado, publicado no site do governo da Índia, não cita se as medidas incluem a compra de títulos públicos por parte do grupo para ajudar os países europeus.


Tarifas da OMC são insuficientes para lidar com distorções cambiais, avalia diplomata brasileiro

setembro 22, 2011

rasília – As tarifas atuais da Organização Mundial do Comércio (OMC) são insuficientes para lidar com as distorções cambiais provocadas por países que querem se aproveitar da crise econômica global para desvalorizar a moeda. A avaliação é de alta fonte do Itamaraty, que explicou a decisão do Brasil de pedir a discussão do tema no organismo internacional.

De acordo com o diplomata, caso os membros da OMC não aceitem discutir o impacto das variações cambiais sobre o comércio, diversos países, inclusive o Brasil, poderão adotar tarifas antidumping para países que desvalorizarem a moeda artificialmente para vender mercadorias a países emergentes. Ele, no entanto, ressaltou que essa opção, no momento, não está nos planos imediatos do Brasil.

Atualmente, a OMC prevê tetos de tarifa de importação para os países-membros da instituição. Para a maioria das mercadorias, a tarifa máxima é 35%. No caso dos produtos agrícolas, a taxação chega a 55%.

O dumping ocorre quando países exportam mercadorias abaixo do preço de custo ou de venda no mercado interno. Nesse caso, a OMC autoriza a sobretaxação dos produtos vindos desses países para evitar a prática de concorrência desleal com as indústrias dos países importadores.

Outro caminho, ressaltou o diplomata, consiste na apresentação de queixas formais à OMC, em processos que levam anos para serem julgados. Segundo ele, o pedido de criação de mecanismos para coibir desvalorizações arbitrárias do câmbio tem como objetivo evitar esses dois desfechos. “O Brasil defende que os membros da OMC cheguem a uma conclusão de forma cooperativa. Se a questão não for discutida a fundo e resolvida na OMC, vários países farão antidumping cambial por conta própria”, declarou o diplomata.

Em relação à proposta brasileira de inclusão de mecanismos de punição cambial na OMC, o diplomata disse que a sugestão recebeu o apoio de países como a Argentina e Índia. Segundo ele, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, revelou ser favorável ao aprofundamento das discussões, mas ressaltou que a definição da taxa de câmbio real de equilíbrio cabe ao FMI, posição semelhante à do Brasil.

O Brasil enviou à OMC dois documentos pedindo a abertura das discussões, um em abril e outro ontem (19). De acordo com o diplomata, o Itamaraty pediu a realização de um seminário sobre o tema no início do próximo ano.
Fonte: Agencia Brasil


FMI calcula que crise na zona do euro provocou 300 bilhões de prejuízos

setembro 21, 2011

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

 

Brasília – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou hoje (21) a estimativa de que a crise que atinge os países europeus já tenha causado 300 bilhões em prejuízos aos bancos da zona do euro. A conclusão está no relatório sobre estabilidade econômica global.

Para o FMI, a crise que começou na Grécia já causou 60 bilhões de euros de danos às instituições do país. Segundo o documento, a crise foi agravada pelas tensões na Irlanda e em Portugal, que acrescentaram mais 20 bilhões de euros de prejuízos, elevando para 80 bilhões de euros as perdas estimadas. A situação piorou com a ampliação da crise para Bélgica, Espanha e Itália – cujos prejuízos chegaram a cerca de 200 bilhões de euros.

O FMI advertiu ainda sobre os riscos para a sustentabilidade da economia mundial. Segundo a instituição, as ameaças começaram em outubro de 2008, apresentando recuperação nos últimos três anos, desconsiderando o episódio recente da crise econômica internacional.

Para o fundo, os riscos à estabilidade econômica estão associados à contaminação da dívida soberana na zona euro para o sistema financeiro e as mais recentes tensões nos mercados. “Os líderes políticos precisam acelerar as medidas para combater as fragilidades financeiras que persistem há muito tempo como forma de assegurar a estabilidade”, diz o documento do FMI.

O diretor do Departamento para Assuntos Monetários e Mercados de Capitais do FMI, José Viñals, disse que os riscos para a “sustentabilidade financeira global aumentaram substancialmente”. “Estamos de volta à zona de perigo”, resumiu.

 
*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa    //  Edição: Lílian Beraldo


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