O NOVO imposto sobre operações financeiras (IOF) anunciado recentemente pelo governo, incidente nas aplicações feitas no exterior com lastro em ações de companhias brasileiras, surge na tentativa de eliminar uma distorção que ameaçava trazer prejuízos à Bovespa.
A criação, vale lembrar, do IOF de 2% sobre os ganhos de estrangeiros com títulos de renda fixa e ações, no mês passado, procurou diminuir a entrada de dólares no país. Mas, como efeito colateral, produziu um estímulo à migração de parte dos negócios com ações da Bovespa para a Bolsa de Nova York. É esse defeito que a nova medida procura atacar.
O próprio governo reconhece que a taxação não modifica a tendência de queda do dólar em relação ao real. Com as taxas de juros das principais economias próximas de zero, o Brasil se destaca, combinando desempenho econômico relativamente favorável e juros ainda elevados.
Nesse contexto, tampouco teria impacto sobre o real a permissão para que fundos de investimento doméstico ampliassem as aplicações no exterior, medida em estudo no governo. Diante da baixa rentabilidade de investimentos em dólar, nem mesmo a pequena margem já existente para esse tipo de aplicação vem sendo totalmente utilizada.
Medidas pontuais e experimentais no câmbio, apesar de bem intencionadas, tendem a ser pouco eficazes. O Brasil precisa erguer proteções mais duradouras contra a excessiva valorização da moeda. É preciso remover os entraves para baixar mais a taxa de juros. Reduzir o gasto público e aumentar a poupança fiscal é uma diretriz óbvia -a qual, no entanto, nem sequer tem sido considerada no governo federal.
Não há atalhos para enfrentar os males associados à apreciação da moeda doméstica.
Fonte: Folha de São Paulo
Não há atalho no câmbio
Novembro 23, 2009Câmbio alto é a solução?
Novembro 20, 2009Márcio G. P. Garcia, PhD por Stanford e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio.
Afirmou o ministro da Fazenda: “… com um câmbio a R$ 2,60, venceríamos todos. Venceríamos os chineses, a indústria coreana” (O Globo, 18/11/2009, página 21). O tom transcendente em que tal frase foi proferida, em um encontro de industriais, parecia conferir ao câmbio alto (depreciado) status semelhante ao da paz entre os homens ou ao do fim da fome; ninguém poderia ser contra tal objetivo. O câmbio depreciado é mesmo tão bom para a economia brasileira?
Isoladamente, o câmbio depreciado parece ótimo, pois amplia as exportações, a produção, o emprego e os lucros dos exportadores (ainda que esse aumento seja sempre esquecido quando empresários defendem o câmbio alto). O problema é que nada em economia, como na vida, ocorre isoladamente. Há sempre uma miríade de relações de causa e efeito entre variáveis econômicas que podem gerar, e frequentemente geram, resultados indesejáveis a partir de ações bem intencionadas.
Em primeiro lugar, cabe indagar como o governo poderia empurrar a taxa de câmbio para cima. A forma tradicional de desvalorizar a taxa de câmbio é o governo, normalmente via Banco Central (BC), comprar dólares até que o preço da moeda (a taxa de câmbio) suba ao nível pretendido. A contrapartida da compra de dólares pelo BC, que leva à depreciação da taxa de câmbio, é o aumento da base monetária e a diminuição da taxa de juros. Mas, a sistemática de metas para inflação, usada no Brasil, requer que se mantenha a taxa de juros em níveis próximos à meta Selic fixada pelo Copom, sob o risco de elevar a inflação. Assim, para impedir a queda da taxa Selic, com consequente aumento da inflação, o BC esteriliza o aumento da base monetária, via operações contracionistas de mercado aberto (venda de títulos públicos). A esterilização torna a compra de dólares pelo BC muito menos eficiente em desvalorizar o câmbio. Por isso, países que controlam a taxa de câmbio normalmente praticam, ao menos parcialmente, intervenções não-esterilizadas.
O problema é que a prática frequente de intervenções não-esterilizadas não é compatível com nosso regime de política monetária. Será que queremos abrir mão do regime de metas para inflação para voltarmos a um regime de câmbio administrado? Se a proposta for essa é necessário haver ampla discussão, informada por debates técnicos que esclareçam ao público os possíveis efeitos de tal mudança, sobretudo quanto à inflação futura. O que não se pode fazer é escamotear o abandono do sistema de metas de inflação caso se decida por intervenções não-esterilizadas.
Mas, por que a depreciação do câmbio poderia provocar inflação? A resposta pode ser vista por dois ângulos diferentes, mas umbilicalmente interligados: o dos preços e o das quantidades. É intuitivo o efeito que tem a depreciação do câmbio sobre os preços dos bens importados, majorando os preços internos. Menos intuitivo, mas igualmente importante, é o fato de que o câmbio depreciado torna os bens que exportamos, cujos preços são fixados em moeda estrangeira, mais caros em reais. Assim, tais bens também ficam mais caros internamente, como é o caso da carne, do açúcar, da soja e muitos outros.
A ótica das quantidades provê visão alternativa complementar. A depreciação cambial aumenta as exportações e diminui as importações. Ou seja, aumenta o PIB. Isto é desejável, mas até certo ponto. Caso o aumento das exportações leve o PIB para acima da capacidade produtiva da economia, o PIB potencial, a inflação se acelerará. Naturalmente, o PIB potencial também cresce. Mas, o crescimento do PIB potencial depende da taxa de investimento da economia, que, no Brasil, é muito baixa. Além disso, como tem salientado Affonso Celso Pastore, há uma relação muito alta entre importações e investimento. Nos períodos de câmbio apreciado ocorre muita importação de máquinas e equipamentos, fundamentais para a difusão de inovações tecnológicas com impactos positivos sobre a produtividade.
Mas a China não mantém uma taxa de câmbio artificialmente depreciada e é o país que mais cresce no mundo, sem inflação? Por que não podemos fazer o mesmo? Há, certamente, muitas diferenças entre a economia chinesa e a brasileira. Mas, a diferença mais relevante, no que tange à possibilidade de intervir na taxa de câmbio, aumentando as exportações e o crescimento do PIB, sem causar muita inflação, parece ser a elevadíssima taxa de poupança da economia chinesa. Como a taxa de poupança da China é mais do que o dobro da do Brasil, nosso espaço de manobra é muito mais reduzido. Basta olhar o que ocorreu com a Argentina, que tentou fazer política monetária com objetivo de manter o câmbio alto. Voltou a ter sério problema inflacionário, mascarado por estatísticas oficiais manipuladas nas quais ninguém acredita.
O aumento da taxa de poupança da economia brasileira é fundamental, não para podermos interferir no câmbio flutuante, mas para permitir maiores taxas de investimento e crescimento econômico. Para aumentar essa taxa, a maior contribuição que a política econômica poderia dar seria a de reduzir o forte crescimento do dispêndio público. A diminuição do crescimento do gasto público também ajudaria a depreciar a taxa real de câmbio. Infelizmente, desde 2005, o governo deixou de lado qualquer pretensão de controlar seus gastos e abraçou insensato programa de expansão dos gastos públicos de custeio, não havendo mais esperança que tal rumo seja mudado até 2011.
Mas nossos “policy-makers” permanecem sob forte pressão para “resolver” a questão cambial. Algumas medidas, como o IOF sobre entradas de capitais, estão sendo implementadas. Tais medidas não devem ter efeitos substanciais sobre a taxa de câmbio, embora tenham efeitos nocivos sobre o custo de capital das empresas, prejudicando o investimento produtivo. Medidas de liberalização cambial são boas “per se”, mas tampouco é claro que, se adotadas, causem significativa depreciação.
A pressão sobre o BC para desvalorizar o câmbio se parece com a do paciente que questiona seu médico: “Dr., sei que estou gordo, tenho vida sedentária, muito estresse, fumo e bebo. Não quero mudar isso. Mas quero um jeito de manter boa saúde.” O final desse filme é conhecido. Mudança de médico. Aí é que mora o perigo!
Fonte: Valor Econômico
Efeito cambial pode prejudicar expansão do Brasil, diz secretário
Novembro 19, 2009O secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, admitiu ontem que uma apreciação excessiva do real pode afetar a competitividade da produção brasileira e afetar o crescimento do país.
De acordo com o secretário, o governo tem tentando “administrar a flutuação cambial” com a acumulação de reservas e com a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre entrada de capital estrangeiro.
“E um desafio novo, você não vai encontrar a solução disso nos manuais. O câmbio flutuante ainda é o mais adequado para o Brasil, mas uma apreciação excessiva ou uma depreciação excessiva pode ser prejudicial para o crescimento. No período que você tem uma apreciação excessiva, você pode ter efeitos permanentes sobre o crescimento”, afirmou, durante o 4º Encontro Nacional da Indústria, promovido ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Barbosa descartou ainda novas desonerações tributárias em um período próximo e disse que novas reduções de impostos neste momento seriam arriscadas. Para combater os efeitos da crise, o governo reduziu as alíquotas de IPI sobre carros, produtos da linha branca e materiais de construção.
“Nos últimos anos, ficou provado que existe espaço para que as desonerações sejam sustentáveis. Estamos em um momento em que o governo usou o espaço que ele tinha. Vai levar um certo tempo para voltar à situação pré-crise”, completou o secretário.
Barbosa pediu aos empresários que cobrem medidas de redução de impostos por parte dos Estados.
“O que foi feito a nível federal, se fosse feito 50% no estadual, eu te garanto que o Brasil daria um salto de desenvolvimento”, afirmou.
Fonte: Folha de São Paulo
Mantega anuncia IOF em ações de empresas brasileiras no exterior
Novembro 19, 2009Segundo Mantega, o objetivo é atenuar a valorização do câmbio.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje a cobrança de 1,5% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de emissão de ADRs (recibos de ações) no exterior. Segundo ele, a medida passa a vigorar por decreto a partir de amanhã.
Mantega disse que o objetivo das medidas do governo é atenuar a valorização do câmbio. Ele explicou que ao adotar a cobrança de 2% de IOF sobre as aplicações estrangeiras nas bolsas brasileiras, em outubro, havia uma preocupação de estar havendo uma transferência de parte das aplicações em ações para os ADRs.
— A cobrança do IOF ocorrerá na hora em que for feito o depósito das ações no banco custodiante no Brasil — explicou.
Segundo o ministro, o objetivo da medida é equiparar as operações no Brasil com as do exterior. De acordo com a nota divulgada pela assessoria do ministro, a medida tem como objetivo fortalecer o mercado de capitais no Brasil. Para escapar da tributação de 2% do IOF, os investidores estrangeiros passaram a adquirir ADRs no exterior ao invés de ações diretamente no Brasil.
— Esta prática impõe ônus à liquidez da Bolsa doméstica em relação às Bolsas estrangeiras — diz a nota.
O ministério da Fazenda argumenta também que outros países com mercado de capitais desenvolvidos, como a Inglaterra, utilizam esse tipo de tributação. No Brasil, continua a nota, o tributo de 1,5% incidirá sobre a cessão de ações para o fim específico de lastrear emissões de DRs (Depositary Receipts) no exterior.
A nota diz que a medida tem o mérito de reduzir o incentivo à emissão de novos DRs no exterior, restabelecendo em parte o equilíbrio dos mercados.
— Corrige distorções de mercado, tratando de forma mais próxima possível a negociação no exterior de DRs representativos de ações brasileiras e a negociação de ações por investidor estrangeiro em Bolsas de Valores no Brasil — conclui a nota.
Embora o ministro tenha se referido à nova medida como incidente sobre ADRs, a nota diz que a alíquota de 1,5% recairá sobre as operações de emissão de DRs no exterior.
Fonte: Zero Hora
Presidente da CNI diz que maior problema do país no momento é cambial
Novembro 17, 2009Brasília – O maior problema para as exportações, em geral, e para a indústria, em particular, é a valorização do real ante o dólar norte-americano e as moedas mais fortes do mundo, o que “retira competitividade” dos produtos brasileiros no mercado externo. A afirmação foi feita hoje (17) pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, deputado federal pelo PTB de Pernambuco, ao participar do Seminário Internacional sobre Crise Global, no auditório da TV Câmara.
Armando Monteiro Neto disse que o real avançou, neste ano, cerca de 30% em relação ao dólar dos Estados Unidos e ao ien do Japão; também cresceu em torno de 20% comparado ao euro, um pouco mais que isso diante da libra esterlina, da Inglaterra, e mais de 40% em relação ao peso argentino.
O diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Júnior, que também participava do encontro, acrescentou que apenas duas moedas valorizaram mais que a moeda brasileira: o rande, da África do Sul, e o dólar australiano.
Para o chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, existe ainda “perspectiva inequívoca de mais valorização do real”, por causa da enxurrada de dólares no mercado nacional, mesmo com a taxação de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para ele, foi uma decisão acertada a taxação dos investimentos estrangeiros em renda fixa e em Bolsa de Valores. “O câmbio é o problema mais sério que temos hoje no curto prazo”, afirmou Freitas.
De acordo com Monteiro Neto, o Brasil foi bem-sucedido na travessia da crise financeira internacional, que afetou seriamente a indústria pela falta de crédito. Houve forte desaceleração da produção nacional, segundo ele, embora o setor venha se recuperando há nove meses, de forma lenta e gradual, e uma eventual mudança desse ritmo dependerá muito do retorno das exportações, ora prejudicadas pela valorização cambial, disse ele.
O presidente da CNI está confiante, contudo, na recuperação industrial com mais velocidade, uma vez que “os sinais de aumento da atividade econômica são bons”. Para ele, não há dúvida de que a economia vai crescer em 2010. A questão agora, salientou, é saber se esse crescimento será sustentado nos anos seguintes, pois não se pode perder de vista que “o dólar tende a perder importância como moeda padrão”.
Fonte: Agência Brasil
Lula defende câmbio flutuante
Novembro 17, 2009Exportadores devem apostar em mais tecnologia
Em contraste com sua equipe econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou ontem, em Roma, ter uma visão mais pragmática para enfrentar a desvalorização do dólar em relação ao real: produzir com mais tecnologia.
Indagado sobre a forte valorização do real diante da moeda americana em 2009, o presidente defendeu a flutuação do câmbio e a qualificação do setor produtivo do País para compensar a maior dificuldade para os exportadores.
“Nós temos de evoluir tecnologicamente para que possamos ganhar dinheiro exportando, mesmo com o câmbio mais baixo”, exortou Lula, na saída do Palácio Chigi, onde se encontrara com o premiê italiano, Silvio Berlusconi.
Lula lembrou da recente adoção de uma taxa de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pelo Ministério da Fazenda e disse confiar na eficiência da medida para reduzir o ritmo de alta do real. A moeda brasileira ganhou 51% em relação ao dólar nos últimos 12 meses, segundo recente estudo do banco americano Goldman Sachs.
Além disso, Lula defendeu a compra de dólares pelo Banco Central. “Nós sabemos que há excesso de entrada de dólares no Brasil”, afirmou. “O ministro (da Fazenda) Guido (Mantega) tomou medidas para conter a entrada de dólares criando o IOF na bolsa. Isso leva um tempo para surtir efeito. Certamente esta semana, o Banco Central, na medida em que for entrando dólares em exagero, precisa comprar a moeda americana para que a gente não permita uma queda muito grande.”
O presidente ainda fez referências indiretas à proposta de Mantega, que há 10 dias em Londres, defendeu a padronização do sistema de câmbio, fixo ou flutuante, pelas 20 maiores economias do planeta (G20).
“Nós somos vítimas de uma boa causa: o câmbio flutuante. Como dizia o ministro Palocci em 2004, o problema do câmbio flutuante é que ele flutua”, disse Lula, argumentando que a população brasileira é favorável à flutuação e o mercado deve encontrar a melhor relação de custo entre real o dólar.
Font4e: O Estado de São Paulo
Uso de Moeda local entre Brasil e Argentina teve alta no mês
Novembro 17, 2009Apesar das brigas comerciais entre o Brasil e a Argentina, o Sistema de Pagamentos em Moedas Locais (SML), criado pelos dois países para eliminar o dólar das transações bilaterais, registrou recorde em outubro. Segundo informações do Banco Central da Argentina, no mês passado houve 185 operações registradas no valor de 152 milhões de pesos (cerca de R$ 68,65 milhões). Apesar do recorde, a cifra representou menos de 2% do comércio entre os dois países no mês mencionado.
Desde que o sistema foi implantado, há um ano, o BC verificou 924 operações no valor de 643 milhões de pesos (cerca de R$ 290,02 milhões). “Um total de 397 empresas já provaram o sistema, das quais 172 são argentinas e, entre elas, 63% usaram o pagamento em moeda local mais de uma vez”, informou o BC.
A autoridade monetária destacou que o uso de pesos ou reais no comércio bilateral tem sido adotado fundamentalmente pelas pequenas e médias empresas. Do total operado, 40% foram em valores inferiores a 100 mil pesos (R$ 45,16 mil) e 42% em montantes entre 100 mil a 500 mil pesos (entre R$ 45,16 mil a R$ 258,84 mil).
Apenas 3% envolveram cifras acima de 5 milhões de pesos (R$ 2,25 milhões), conforme relatório do BC argentino. O principal benefício do SML para as pequenas e médias empresas é a redução dos custos financeiros e administrativos, que podem chegar a representar 3% do valor da operação, segundo cálculos do BC.
O relatório ressalta que os principais setores que usaram o sistema foram: metalúrgicos; automobilístico; alimentos; e cosmética. Os presidentes dos BCs da Argentina, Martín Redrado, e do Brasil, Henrique Meirelles, lançaram o SML no dia primeiro de outubro de 2008, quando a crise internacional levantava voo. O comércio bilateral chegou a cair quase 50% no primeiro trimestre de 2009, mas se recuperou posteriormente. Porém, o fluxo comercial bilateral ainda se encontra 30% abaixo dos níveis verificados antes da crise.
Fonte: Jornal do Comércio (RS)
Governo prepara mais medidas para segurar desvalorização do dólar
Novembro 16, 2009O governo vai administrar daqui para frente a estratégia de contenção da queda do dólar com a combinação de diferentes instrumentos de política econômica, além da aplicação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital externo no País. Em entrevista à Agência Estado, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, confirmou, por exemplo, que Tesouro poderá comprar dólares com recursos do Fundo Soberano do Brasil (FSB) para “enxugar” o volume de moeda estrangeira e evitar valorização mais acentuada do real. O Tesouro também voltará a emitir no exterior títulos atrelados ao real para reduzir a entrada de dólares.
O secretário disse que a estratégia de acumulação de reservas para conter a queda do dólar foi a opção correta, mas agora precisa ser melhorada. “O governo fez o que tinha que fazer na hora que tinha de fazer com o IOF. E, se achar que tem que tomar outras medidas, vai tomar.” Augustin também antecipou que o governo tem uma nova carta na manga para reforçar o resultado fiscal de 2009: receitas extraordinárias originadas de depósitos judiciais não tributários – que são decorrentes de contestações de tarifas federais, e não de tributos.
A seguir, os principais pontos da entrevista.
CÂMBIO: A estratégia de acumulação de reservas para evitar uma excessiva valorização do real está sendo combinada com outros instrumentos de política econômica, como a adoção do IOF. A melhor maneira, daqui para frente, é a continuidade dessa opção e eventualmente utilizar outros instrumentos, com o mesmo objetivo. Temos de administrar os diferentes instrumentos. FUNDO SOBERANO Podemos amanhã ou depois usar o fundo para isso (compra de dólares). Os instrumentos existem para que o governo tenha opção. No dia que acharmos que esse instrumento precisa ser usado, vai ser usado. A regulamentação é interna, simples e está pronta.
EMISSÕES EXTERNAS: Nós voltaremos a fazer a emissões em reais no exterior. Faz parte do nosso plano. Hoje, no entanto, as taxas estão maiores do que na última emissão, em junho de 2007, para o título com vencimento em 2028, de 8,626% ao ano. Não podemos colocar um grande volume de papéis. Em tese pode (ajudar no câmbio), mas do ponto de vista macroeconômico o efeito é pequeno. A ideia de que um bom mercado em real lá fora reduz a entrada é correta. Todos concordam. Mas não vamos forçar esse mercado de captações de forma irresponsável.
PRAZO DE COMPRA: A redução ou eliminação do prazo permitido para a compra antecipada de dólares destinada ao pagamento de dívida externa privada e pública poderá ser feita. (Atualmente, só podem ser adquiridos dólares para pagar dívida externa a vencer em até 12 meses.) É uma discussão pertinente, já que o Brasil mudou muito. Mas ainda não há decisão sobre isso.
META DE SUPERÁVIT
Está sob controle. O superávit primário de outubro será elevado. Há recuperação de receitas. É cedo para dizer sobre o resultado de novembro, mas há boa expectativa. Em dezembro, por razões sazonais, é mais difícil não ser negativo.
DEPÓSITOS JUDICIAIS: É normal que em um ano atípico tenhamos que ir atrás de outras receitas. Isso não desqualifica o primário. O Tesouro espera receitas extraordinárias originadas de depósitos judiciais não tributários. A permissão para uso dos depósitos não tributários consta de uma emenda colocada a pedido do governo na Medida Provisória 468, que está no Senado. Esses recursos estão depositados na Caixa Econômica Federal e somam R$ 32,2 bilhões, embora parte deles seja de Estados e Municípios, não podendo assim ser utilizados pelo Tesouro. O governo está fazendo a classificação desses depósitos para pode lançar mão dos recursos.
ABATIMENTO DO PAC: O Tesouro deverá abater parte das despesas com investimentos para cumprir a meta de superávit do setor público – de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Até agora, foram executados cerca de R$ 9 bilhões em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Projeto Piloto de Investimentos (PPI). Esses investimentos terão crescimento substancial no fim do ano. Não será necessário usar o FSB. Também não é intenção prioritária utilizá-lo em 2010, quando a meta fiscal será maior: 3,3% do PIB. Só vamos usar o Fundo se necessário. O objetivo do governo é cumprir essa meta também sem usar o PPI/PAC. Só não posso garantir que vai acontecer porque dependerá da velocidade de crescimento das receitas.
ESTATAIS: É possível que as estatais não cumpram a meta de superávit primário de 0,2% do PIB (cerca de R$ 6 bilhões) em 2009. O Tesouro, se necessário, compensará isso. O desempenho fiscal mais fraco das estatais reflete a ampliação dessas esferas de governo. O governo também conta com novas receitas de dividendos de empresas estatais que estão apresentando lucro. Vamos apertar ainda mais as despesas de custeio. Elas não são prioridade.
INVESTIMENTOS: Os empresários que não começarem a investir logo podem perder o melhor momento da economia brasileira em 2010. O BNDES tem até o fim do ano linha de financiamento para investimentos , com juros de 4,5% subsidiados pelo Tesouro. Não sei se será prorrogada. Há crédito barato, tem demanda forte, há expectativa de que o Brasil vai crescer. Cada empresário vai fazer as contas para o que é melhor para sua empresa.
Fonte: Jornal do Comércio (RS)
BC chinês admite defasagem cambial
Novembro 12, 2009O Banco Central da China reconheceu existir argumentos para uma valorização do yuan. Isso ocorre pouco antes da chegada do presidente dos EUA, Barack Obama, que deverá pressionar o país a rever sua política cambial.
O Banco do Povo da China (BC) disse que a política cambial deve levar em conta “os fluxos de capital e os principais movimentos cambiais”, uma referência à grande entrada de capital especulativo que o país vem recebendo e à fragilidade do dólar.
Os comentários do BC, incluídos em seu relatório trimestral sobre política monetária, contrastam com a posição defendida pelo ministro do Comércio chinês, Chen Deming, durante o fim de semana. Ele disse que a taxa de câmbio deveria “criar expectativas estáveis” para os exportadores.
A afirmação do ministro pode indicar que a posição do BC ainda teria de ganhar apoio nos principais escalões do governo.
Segundo economistas, os comentários do BC dariam a ele mais flexibilidade, mas não significariam necessariamente que o governo poderia mudar de política no curto prazo. Poucos analistas esperam que a China abandone antes de meados de 2010 o atrelamento ao dólar que existe de fato.
Para Ben Simpfendorfer, economista do RBS em Hong Kong, o BC chinês “deu sinais de que reconhece as pressões por valorização, mas eu contrabalançaria isso com os comentários do ministro sobre a necessidade de estabilidade cambial”.
Ontem, em Tóquio, o secretário do Tesouro americano, Tim Geithner, reiterou a importância de um dólar mais forte. “Eu acredito profundamente ser muito importante para a saúde econômica dos EUA que mantenhamos o dólar forte”, disse ele.
A moeda americana caiu ontem para seu mais baixo patamar em 15 meses, o que alimentou as preocupações sobre seu futuro como uma reserva cambial global.
A declaração do BC chinês coincide com a divulgação de uma série de novos dados que indicam a aceleração da recuperação econômica, com o aumento da produção industrial a um ritmo não visto desde antes do início da crise financeira mundial. As vendas de varejo também cresceram fortemente.
Além disso, espera-se que Obama discuta a situação da moeda chinesa em sua visita ao país no início da semana que vem. “[O tema] moeda, junto a uma série de outros temas, surgirá”, disse Obama anteontem.
Fonte: Valor Econômico
Câmbio flutuante entra na agenda
Novembro 9, 2009Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL, SAINT ANDREWS, ESCÓCIA
Segundo Henrique Meirelles, sugestão brasileira de discutir o desequilíbrio cambial foi acatada no G-20
A sugestão do governo brasileiro de incluir a volatilidade cambial nas discussões do G-20 sobre os desequilíbrios econômicos foi acatada pelos ministros reunidos em Saint Andrews, na Escócia. Quem assegura é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Ele ressaltou, no entanto, que a proposta será discutida dentro dos debates sobre Desenvolvimento Sustentável do G-20, e que nada garante que haverá padronização do sistema de câmbio flutuante, defendida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. “O Brasil levantou de fato a questão dos desequilíbrios cambiais”, afirmou Meirelles, e o tema “foi incluído entre as políticas que serão discutidas”.
A proposta brasileira entra, assim, no escopo de medidas que serão discutidas ao longo de 2010. O foco central dos debates é eliminar os desequilíbrios econômicos internacionais, como o consumo excessivo em países como os Estados Unidos, e o crescimento baseado em exportações em economias como a da China e a da Alemanha.
RESPONSABILIDADE FISCAL
Pela agenda aprovada ontem, em janeiro os países-membros do G-20 apresentarão seus relatórios de “boas práticas” econômicas. O Brasil, diz Meirelles, relatará políticas como a responsabilidade fiscal, a política cambial e a formação de reservas, além de reportar indicadores econômicos.
De posse dos relatórios de todos os países, os corpos técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial vão elaborar um relatório com a análise da consistência e da coerência de cada política. Em junho, quando for realizada a reunião de cúpula no Canadá, o G-20 vai apresentar um rol de “boas práticas” aos líderes políticos, que terão a opção de adotar ou não as sugestões.
Além da agenda, outro tema tratado foram os pacotes de estímulo. De acordo com o comunicado final da reunião, os ministros concordaram com a necessidade de manutenção dos incentivos à recuperação da atividade econômica. Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) já havia antecipado que planeja o início do fim das medidas extraordinárias.
Fonte: O Estado de São Paulo
Escrito por Guilherme Oliveira
Escrito por Guilherme Oliveira
Escrito por Guilherme Oliveira 