O Banco Central da China reconheceu existir argumentos para uma valorização do yuan. Isso ocorre pouco antes da chegada do presidente dos EUA, Barack Obama, que deverá pressionar o país a rever sua política cambial.
O Banco do Povo da China (BC) disse que a política cambial deve levar em conta “os fluxos de capital e os principais movimentos cambiais”, uma referência à grande entrada de capital especulativo que o país vem recebendo e à fragilidade do dólar.
Os comentários do BC, incluídos em seu relatório trimestral sobre política monetária, contrastam com a posição defendida pelo ministro do Comércio chinês, Chen Deming, durante o fim de semana. Ele disse que a taxa de câmbio deveria “criar expectativas estáveis” para os exportadores.
A afirmação do ministro pode indicar que a posição do BC ainda teria de ganhar apoio nos principais escalões do governo.
Segundo economistas, os comentários do BC dariam a ele mais flexibilidade, mas não significariam necessariamente que o governo poderia mudar de política no curto prazo. Poucos analistas esperam que a China abandone antes de meados de 2010 o atrelamento ao dólar que existe de fato.
Para Ben Simpfendorfer, economista do RBS em Hong Kong, o BC chinês “deu sinais de que reconhece as pressões por valorização, mas eu contrabalançaria isso com os comentários do ministro sobre a necessidade de estabilidade cambial”.
Ontem, em Tóquio, o secretário do Tesouro americano, Tim Geithner, reiterou a importância de um dólar mais forte. “Eu acredito profundamente ser muito importante para a saúde econômica dos EUA que mantenhamos o dólar forte”, disse ele.
A moeda americana caiu ontem para seu mais baixo patamar em 15 meses, o que alimentou as preocupações sobre seu futuro como uma reserva cambial global.
A declaração do BC chinês coincide com a divulgação de uma série de novos dados que indicam a aceleração da recuperação econômica, com o aumento da produção industrial a um ritmo não visto desde antes do início da crise financeira mundial. As vendas de varejo também cresceram fortemente.
Além disso, espera-se que Obama discuta a situação da moeda chinesa em sua visita ao país no início da semana que vem. “[O tema] moeda, junto a uma série de outros temas, surgirá”, disse Obama anteontem.
Fonte: Valor Econômico
Escrito por Guilherme Oliveira
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