Dólares voltam a entrar no país

Novembro 18, 2009

Brasília – O saldo da entrada e saída de dólares, chamado de fluxo cambial, voltou a ficar positivo neste mês. De acordo com dados divulgados hoje (18) pelo Banco Central (BC), o resultado positivo foi de US$ 720 milhões, neste mês até a última sexta-feira (13). Na primeira semana do mês, com quatro dias úteis, o saldo havido sido negativo (US$ 1,388 bilhão).

Nos nove dias úteis de novembro de 2008, o saldo foi negativo em US$ 751 milhões.

No segmento financeiro (investimentos em títulos, Bolsa de Valores, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações), o saldo ficou positivo em US$ 311 milhões, no mês até a segunda semana. O fluxo comercial (operações de exportações e importações e financiamento ao comércio exterior) ficou positivo em US$ 409 milhões.

Nos dados acumulado de janeiro até o dia 13 deste mês, o fluxo cambial é positivo em US$ 23,576 bilhões, contra US$ 11,798 bilhões registrados no mesmo período de 2008. O fluxo financeiro apresenta saldo acumulado positivo de US$ 13,566 bilhões. O comercial está em US$ 10,010 bilhões.

O BC também informou que foram liquidadas compras no mercado à vista, neste mês, até o dia 13, no total de US$ 1,347 bilhão.

Fonte: Agência Brasil


Exportações de calçados diminuem 23,6% em outubro

Novembro 18, 2009

No acumulado do ano, a receita das exportações cedeu 29,4%, para US$ 1,129 milhão.
As exportações de calçados recuaram 23,6% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, somando US$ 133,15 milhões. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o volume embarcado caiu 13,6%, para 10,6 milhões de pares.

No acumulado do ano, a receita das exportações cedeu 29,4%, para US$ 1,129 milhão, enquanto a quantidade recuou 25,4%, totalizando 104,4 milhões de pares de calçados. Nos dez primeiros meses do ano, os principais mercados do calçado brasileiro apresentaram recuo no volume embarcado, com destaque para Estados Unidos (29,6%), Reino Unido (30%), Argentina (25,6%) e Itália (38,4%).

Entre janeiro e outubro, os países da América do Sul responderam por 36,8% das exportações, com 38,4 milhões de pares, seguido pela América do Norte (24,8% do total) e Europa (21,8%). As exportações de calçados de couro recuaram 31,8% nos dez primeiros meses do ano, enquanto que os embarques de sintéticos caíram 19,3% e têxteis retraíram-se 42,9%.

Os preços médios dos calçados exportados no período diminuíram 5,4%, para US$ 10,82. As importações de janeiro a outubro totalizaram 26,5 milhões de pares, o que representou uma retração de 22,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. As compras externas somaram US$ 249,6 milhões, significando uma queda de 5,2%. Apenas da China, que respondeu por 78,6% do volume importado, a queda no período foi de 28,9%, para 20,8 milhões.

Segundo a Abicalçados, as importações de calçados originárias da China estão registrando queda desde junho, se acelerando a partir de setembro com o anúncio da entrada em vigor de uma alíquota antidumping.
Fonte: Zero Hora


Lula recebe a presidente da Argentina com agenda difícil

Novembro 18, 2009

Será delicada, para dizer o mínimo, a missão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao receber amanhã, em Brasília, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Não tem sido fácil manter uma convivência construtiva e harmoniosa com a maioria dos vizinhos do subcontinente. Bolívia, Equador, Paraguai, Colômbia e Venezuela não têm poupado surpresas nem trabalho à diplomacia brasileira. Mas a Argentina geralmente consegue tornar a relação ainda mais truncada. Maior sócio do Brasil no Mercosul e um dos principais destinos de nossas exportações, a Argentina tem se tornado mais problema do que solução, conforme acentuam-se as diferenças e os resultados da orientação em política econômica adotada nos dois países nos últimos 12 anos. O ambiente ainda é de camaradagem. Mas Cristina chega para dialogar em meio a mais uma crise no relacionamento comercial, provocada por medidas protecionistas que seu governo adotou para dificultar a importação de produtos brasileiros.

Pressionado pela baixa competitividade da indústria de seu país e, ao mesmo tempo, comprometido com regras que ajudou a escrever para o funcionamento do Mercosul – que impedem o erguimento de barreiras tarifárias contra os parceiros –, o governo argentino tem apelado para o artifício da criar de dificuldades burocráticas. Há entre os dois países uma lista enorme de produtos que gozam de liberação automática para cruzar a fronteira. E, pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), qualquer país importador não pode levar mais do que 60 dias para liberar as licenças automáticas de importação dos produtos listados em acordos. Nos últimos oito meses, os argentinos têm levado 150 dias, em média, para autorizar a entrada de produtos brasileiros, provocando uma grande fila de caminhões do lado de cá da fronteira. A diferença é que, desta vez, o presidente Lula aceitou, em outubro, a orientação de adotar, em represália, barreira similar, abandonando a atitude complacente que vinha mantendo com os hermanos.

Como sempre, os argentinos procuram criar um clima de guerra e tentam se passar por vítimas do Brasil. Eles se dizem dispostos ao diálogo, mas desde que não tenham de ceder coisa alguma. Fazem muito barulho em sua mídia em favor das indústrias argentinas que ainda vivem de pressionar o governo a protegê-las da agressividade do mercado internacional. Não interessa ao Brasil quebrar seu principal parceiro na região, bem como não há mais como aceitar que a Argentina continue a barrar produtos brasileiros em favor dos importados da China. O presidente Lula terá de encontrar algum ponto de equilíbrio entre os dois lados. Mas a experiência de mais de uma década no relacionamento entre as duas economias, que seguem rumos opostos – a Argentina deu o calote na dívida externa, adotou o tabelamento de preços internos e mantém frouxas as regras de austeridade fiscal –, não permite apostas no comportamento do vizinho. Por isso mesmo, o que se espera é que Lula não se deixe envolver pela catimba, nem pelas milongas dos ardilosos visitantes. A Argentina é um parceiro que interessa ao Brasil, mas deve ser tratado com firmeza e profissionalismo.
Fonte: O Estado de Minas


Lula e Cristina Kirchner vão negociar fim de impasse nas licenças de produtos

Novembro 17, 2009

Brasília – A novela que se estende há um ano, e agravou-se no mês passado, em torno de barreiras na liberação de licenças não automáticas para alguns produtos importados da Argentina será o principal tema amanhã (18) da conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua colega argentina, Cristina Kirchner. Os dois se encontrarão depois de uma reunião técnica com os representantes dos dois países com objetivo de pôr um fim na controvérsia.

Para os argentinos, a decisão brasileira de impor barreiras à concessão de licenças é uma retaliação à iniciativa argentina de dificultar a liberação de licenças para as mercadorias nacionais. A lista de produtos afetados deve chegar a 15 itens e inclui principalmente autopeças, freios e baterias para veículos.

Nas reuniões, o governo do Brasil vai reiterar a necessidade da Argentina acelerar a liberação dos documentos dos exportadores brasileiros. Até a semana passada, não havia qualquer sinalização dos argentinos para uma solução do impasse. Em reuniões com subordinados, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse que a iniciativa deve partir dos argentinos.

Segundo Jorge, são os argentinos quem têm de liberar as licenças dos produtos brasileiros dentro do prazo, uma vez que há mercadorias, que aguardam até 180 dias. Desde outubro de 2008, a Argentina impõe dificuldades na liberação de licenças para as mercadorias brasileiras. No mês passado, o governo brasileiro resolveu reagir estabelecendo restrições na concessão de licenças para os produtos argentinos.

Na interpretação de integrantes do governo brasileiro, os argentinos optaram por tratar a questão do comércio exterior com o Brasil num tom discricionário. Em outubro, o governo brasileiro impôs licenças não automáticas a aproximadamente  15 produtos argentinos na tentativa de reverter as barreiras impostas pelo vizinho às mercadorias brasileiras.

Há duas semanas, o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi, afirmou que a decisão do Brasil deve ser combatida porque demonstra a falta de cumprimento de acordo por parte do governo do presidente Lula. Mas para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a decisão brasileira visa a assegurar o espaço para a mercadoria nacional. Segundo Jorge, o impasse com a Argentina gera queixas constantes dos empresários sobre a demora nas negociações.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chega hoje (17) a Brasília. Amanhã (18), ela participa de reuniões com Lula, almoça no Itamaraty e assina uma série de acordos bilaterais. 

Fonte: Agência Brasil


Superávit da segunda semana de novembro é de US$ 165 milhões

Novembro 16, 2009

A balança comercial da segunda semana de novembro de 2009 teve superávit de US$ 165 milhões (média diária de US$ US$ 33 milhões). O valor é resultado da diferença entre as exportações e as importações, nos cinco dias úteis da segunda semana do mês (de 9 a 15). Nesse período, as exportações foram de US$ 3,276 bilhões (média de US$ 655,2 milhões) e as importações de US$ 3,111 bilhões (média de US$ 622,2 milhões). A corrente de comércio (soma das exportações e importações) fechou em US$ 6,387 bilhões (média de US$ 1,277 bilhão).

Na comparação com a média diária da primeira semana de novembro (US$ 651,5 milhões), as exportações desta segunda semana tiveram acréscimo de 0,6% devido ao aumento nas vendas externas de bens manufaturados (+16,9%). Foram vendidos mais óleos combustíveis, açúcar refinado, aviões, gasolina, aparelhos transmissores/receptores e motores e geradores. Em contrapartida, diminuíram as exportações de produtos semimanufaturados (-35,9%), resultado das quedas de açúcar em bruto, ferro-ligas, couros e peles, semimanufaturados de ferro ou aço, ferro fundido e óleo de soja em bruto, e de básicos (-5,8%), por causa de minério de ferro, carne de frango e bovina, milho em grão e fumo em folhas.

Também houve redução nas importações (-9,6%) frente à primeira semana, que teve média de US$ 688,3 milhões. O motivo foi a diminuição nos gastos com combustíveis e lubrificantes, equipamentos eletroeletrônicos, químicos orgânicos/inorgânicos, farmacêuticos e cereais.

Mês

No resultado mensal, considerando as duas primeiras semanas de novembro, o saldo comercial foi positivo em US$ 18 milhões (média de US$ 2 milhões). As exportações alcançaram US$ 5,882 bilhões (média de US$ 653,6 milhões) e as importações US$ 5,864 bilhões (média de US$ 651,6 milhões), resultando em uma corrente de comércio de US$ 11,746 bilhões (média de US$ 1,305 bilhão).

Nas exportações, comparadas as médias diárias das duas primeiras semanas de novembro deste ano com a média de todo o mês de outubro último (US$ 670,6 milhões), houve diminuição de 2,5% nas exportações, por causa de redução nas vendas de produtos básicos (-7,1%) e manufaturados (-1,5%), enquanto os bens semimanufaturados apresentaram aumento de 0,1%. Nas importações, a média diária até a segunda semana de novembro foi 7,3% superior á média de outubro deste ano (US$ 607,3 milhões). Foi verificado crescimento nas aquisições de aeronaves e peças (70%), combustíveis e lubrificantes (14,4%), plásticos e suas obras (13,8%), veículos automóveis e partes (13,1%) e equipamentos mecânicos (12,4%).

Já na comparação com novembro de 2008 (US$ 737,7 milhões), também pelo critério da média diária, houve decréscimo de 11,4% nas exportações, nas três categorias de produtos. Entre os manufaturados, a diminuição foi de 19%, em razão da retração nas vendas de aviões, automóveis de passageiros, óxidos e hidróxidos de alumínio, calçados, aparelhos transmissores/receptores e pneumáticos. Para os produtos básicos, a retração nas exportações foi de 6,8%, por conta de soja em grão, café em grão, minério de ferro, fumo em folhas e farelo de soja, enquanto para os semimanufaturados, houve redução de 0,3%. Nesse caso, foram vendidos menos ferro fundido, óleo de soja em bruto, semimanufaturados de ferro/aço e alumínio em bruto.

Nas importações, a média diária das duas primeiras semanas de novembro deste deste ano ficou 0,7% abaixo da média de novembro do ano passado (US$ 655,9 milhões). Diminuíram os gastos, principalmente, com siderúrgicos (-50,2%), borracha e obras (-22,6%), aeronaves e peças (-14,2%), químicos orgânicos/inorgânicos (-14,0%) e instrumentos de ótica e precisão (-8,1%).

Ano

O superávit no acumulado do ano, com 217 dias úteis, fechou em US$ 22,617 bilhões (média de US$ 104,2 milhões). O resultado é 3,6% maior que o registrado no mesmo período de 2008, na comparação pela média diária, e 1,8% superior, na comparação por valores totais.

No ano, as exportações foram de US$ 131,761 bilhões (média de US$ 607,2 milhões) e as importações de US$ 109,144 bilhões (média de US$ 503 milhões). A corrente de comércio, nesse período, chegou a US$ 240,905 bilhões (média de US$ 1,110 bilhão).

Clique aqui e veja os números.

Fonte: MDIC


China acusa EUA de prejudicar reação

Novembro 16, 2009

Presidente do banco central chinês, Liu Mingkang, acusou o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de prejudicar a retomada da economia mundial. Mingkang argumentou que os EUA estão mantendo o dólar fraco por meio de juros baixos, diminuindo preços de ativos no mundo, o que comprometeria a economia chinesa. Críticos, no entanto, responsabilizam a expansão maciça de empréstimos bancários na China, que estariam causando bolha de preços.

Fonte: Zero Hora


Sem diálogo, Brasil poderá ampliar retaliação a produtos argentinos

Outubro 30, 2009

Governo estuda incluir itens sensíveis à economia do país vizinho

Eliane Oliveira e Gustavo Paul

O governo brasileiro poderá aumentar a relação de produtos argentinos que perderão o direito à liberação automática ao entrar no Brasil, caso a Argentina não altere a política de impor barreiras aos produtos nacionais. Segundo um técnico, esse ponto será colocado a negociadores argentinos e pode envolver setores importantes, como autopeças, peças industriais e de caminhão, além de equipamentos agrícolas. O governo já aplicou medidas para outros produtos sensíveis, como farinha de trigo, alho e vinhos, atendendo à “demanda de setores produtivos brasileiros”.

Por ora, o diálogo entre Brasil e Argentina está suspenso. Embora autoridades do país vizinho estejam tentando retomar as negociações com o governo brasileiro, a expectativa é que, sem um retrocesso nas medidas protecionistas tomadas pelas autoridades argentinas, o tema só voltará a ser tratado no mês que vem, em um encontro bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner.

A suspensão das licenças não automáticas a uma série de produtos importados da Argentina não significa que a liberação das mercadorias chegue a até 60 dias, prazo máximo estabelecido pela OMC, segundo técnicos envolvidos no assunto. Em diversos casos, afirmam, o processo tem levado em torno de uma semana. No entanto, a Argentina, que adota esse procedimento há um ano, retarda em até seis meses no desembaraço de bens importados do Brasil. Isso leva o governo brasileiro a pensar em uma ação contra o principal sócio do Mercosul junto à OMC.

Outro ponto que irrita o governo brasileiro é que, embora os argentinos estejam reduzindo as importações de produtos brasileiros, sobretudo manufaturados, o vizinho continua importando da China. A frequência com que a Argentina vem tomando medidas protecionistas tem aumentado. Na última quartafeira, o principal sócio do Brasil no Mercosul impôs tarifa definitiva antidumping a talheres brasileiros. Recentemente, elevou em 50 itens a lista de produtos brasileiros sujeitos a licença não automática de importação.

Outra pendência diz respeito à exigência de visto consular na aquisição de móveis do Brasil, o que levará as autoridades brasileiras ao Tribunal Arbitral do Mercosul

Fonte: O Globo


Novo imposto argentino afeta exportação brasileira

Outubro 23, 2009

Em meio a uma nova escalada dos conflitos comerciais no Mercosul, o Senado da Argentina aprovou um projeto de lei que aumenta os impostos de produtos eletrônicos e deve atingir especialmente as exportações brasileiras. Celulares, monitores de LCD para computadores, câmeras digitais, equipamentos de ar-condicionado e secadores de cabelo pagarão o dobro de IVA, que subirá de 10,5% para 21%, e perderão uma isenção tributária dos demais impostos que é estimada em 26%. Só os produtos acabados em fábricas na Terra do Fogo, província ao sul da Argentina que detém o status de zona franca, manterão os benefícios.

Formalmente, todas as indústrias situadas fora da Terra do Fogo pagarão o que vem sendo chamado de “imposto tecnológico”. Mas, na prática, um dos principais alvos são as exportações de empresas brasileiras.

Em 2008, a Argentina absorveu 40% das vendas de celulares do Brasil ao exterior, em um total de US$ 838 milhões. No primeiro semestre deste ano, a crise fez esse valor diminuir para US$ 318 milhões, mas os aparelhos brasileiros mantiveram sua folgada liderança, com 56% de participação no mercado local.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, disse que o projeto é um “mau exemplo” e sugeriu aos argentinos rever sua condição de sócios do bloco. “A Argentina deveria repensar se quer ou não estar no Mercosul. Para adotar eternamente medidas de exceção, perde o sentido participar de um acordo de livre comércio. Infelizmente, o Brasil tem sido muito tolerante com essas brincadeiras”, disse.

Barbato questionou a capacidade das fábricas localizadas na Terra do Fogo de atender plenamente a demanda do país. A Câmara de Informática e Comunicações (Cicomra) da Argentina avaliou que o principal efeito da lei, que ainda não foi implementada, será o aumento dos preços finais para os consumidores.

Além da restrição aos produtos brasileiros, portanto, pode haver também um recuo das compras pelos argentinos por causa dos preços maiores. “A medida se traduzirá em um aumento de até 34% e entendemos que isso será uma barreira para seguir com a adoção de novas tecnologias no país”, disse o presidente da Cicomra, Norberto Capellán. “Não estamos falando de bens supérfluos, mas de equipamentos essenciais que foram totalmente incorporados pela população de todas as idades e pelas empresas de todos os tamanhos.”

O governo argentino garante que não há motivos para elevação de preços, confia na capacidade da indústria da Terra do Fogo de atender a demanda local e está otimista quanto à atração de investimentos. A ministra da Produção, Débora Giorgi, citou o exemplo da multinacional americana Brightstar, que fabrica celulares da marca Motorola na província e anunciou nesta semana investimentos de US$ 10 milhões para aumentar em 4 milhões de telefones a sua produção anual e atender assim a 40% da demanda argentina. Giorgi explicou que o objetivo do governo é equiparar o tratamento fiscal dado à Zona Franca de Manaus, às maquiladoras mexicanas e a países do Sudeste Asiático. Com as mudanças, o governo espera atrair US$ 200 milhões em investimentos na Terra do Fogo e criar 2 mil postos de trabalho “em poucos meses”. “Há sinais muito claros de empresas internacionais que entendem que a Terra do Fogo ficará em muito boa posição para receber investimentos e estão nos apresentando projetos.”

A ministra disse que produtos como computadores de mesa, notebooks, netbooks, câmeras digitais e aparelhos de televisão de LCD não serão afetados pela nova tributação. O projeto de lei foi apresentado pelo governo, já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e agora recebeu o aval do Senado na quarta-feira à noite. O texto final sofreu pequenas alterações no Senado.

Embora sua essência tenha sido preservada, o projeto de lei precisará receber nova aprovação da Câmara – o que deverá ocorrer brevemente – para depois ir a sanção presidencial e ser efetivamente implantado.
Fonte: Valor Econômico


Exportações da indústria gaúcha caem 28% no ano

Outubro 14, 2009

O resultado das exportações do Rio Grande do Sul nos primeiros nove meses do ano reflete a situação delicada pela qual passa o setor externo, aponta a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Com queda de 28%, em dólares (menos US$ 3,4 bilhões embarcados), frente ao mesmo período de 2008, atinge o faturamento de importantes setores da economia gaúcha, assim como produz uma nova configuração nas transações com o Exterior.

— Os principais compradores de produtos industriais do Estado ainda não se recuperaram completamente da crise, como é o caso dos Estados Unidos e da Argentina. Dessa forma, os segmentos mais afetados são aqueles que produzem bens de capital e insumos industriais — disse o presidente da Fiergs, Paulo Tigre, nesta terça-feira.

Outro importante fator de impacto no faturamento é a da taxa de câmbio. Desde janeiro, o real já valorizou 25% em relação do dólar, muito acima do movimento verificado em outras moedas de países que exportam produtos que concorrem com o Rio Grande do Sul.

Quando medida em reais, as exportações gaúchas apresentam queda de 12% até setembro, sobre igual período de 2008. Isso representa R$ 3,1 bilhões a menos em circulação na economia local, restringindo a capacidade do setor industrial de se recuperar da atual crise financeira internacional.

— O câmbio hoje é uma das maiores preocupações do setor exportador brasileiro e precisa ser equacionado de forma direta ou com medidas compensatórias — afirmou Tigre.

Os segmentos industriais do Rio Grande do Sul nos quais ocorreram as maiores quedas das exportações foram Material de Transporte (-73%), Metalurgia Básica (-56%) e Máquinas e Equipamentos (-28%). Juntos, responderam por 75% da retração nas vendas no acumulado do ano.

O Rio Grande do Sul está na terceira posição entre os Estados exportadores brasileiros, com 9,9% de participação. O primeiro lugar continua com São Paulo (27,4%), e Minas Gerais é o segundo (12,6%).

Entre os principais destinos dos produtos industriais gaúchos no ano, a China ocupa a primeira posição. O país asiático aumentou de 10,4% para 18,5% a sua participação, em comparação com 2008. A Argentina recebeu 8,1% dos embarques e ficou em segundo lugar. O terceiro foram os Estados Unidos, que compraram 7,9%, uma redução de 57% nos pedidos.

— Com o redirecionamento de sua economia para o mercado interno, a China retomou rapidamente o crescimento. Essa característica é refletida no tipo de produto demandado pelo país, prioritariamente alimentos e insumos para a indústria — disse Tigre.
Fonte: Zero Hora


Importação e produção nacional

Outubro 4, 2009

O resultado do comércio exterior em setembro tem aspectos surpreendentes. Registra o menor saldo da balança comercial (US$ 1, 33 bilhão) desde janeiro, embora as exportações pela média por dia útil apresentem pequeno aumento em relação ao mês anterior (0,3%), que foi totalmente esmagado pelo crescimento das importações (16,4%). Houve uma modificação substancial em relação aos meses anteriores, quando a queda das importações era superior à das exportações.

Mas o mais surpreendente foram as importações de petróleo, no valor de US$ 1,160 bilhão – um crescimento de 78,4% ante agosto. Trata-se de um aumento anormal, não explicado pela referência a setembro de 2008, quando a importação foi maior em razão do preço e do volume.

No entanto, a importação de petróleo bruto, que representa apenas 9,2% do total importado, não explica sozinha o crescimento das importações. Pela média por dia útil registra-se aumento de 20,2% das importações de bens de capital, de 8,2% das matérias-primas e bens intermediários, de 17,5% dos bens de consumo duráveis (dos quais 15,8% para automóveis) e de 10,4% dos bens não-duráveis.

Nessa evolução temos um retrato da economia brasileira. A valorização do real diante do dólar certamente estimulou as compras no exterior, mas foi essencialmente a política governamental de estímulo ao consumo que favoreceu o aumento das importações e facilitou as viagens de turismo. Se o governo tivesse privilegiado os investimentos, teria havido o aumento da importação de alguns bens de capital. Mas, tendo aumentado o salário do funcionalismo e concedido incentivos fiscais para automóveis e produtos da linha branca, houve um aumento das importações de bens intermediários e de bens de consumo duráveis.

A evolução da produção industrial de agosto, com aumento de 1,2% em termos dessazonalizados, já permitia prever uma elevação das importações em setembro. A produção de veículos automotores cresceu 3,2%, havendo necessidade de importar componentes. O mesmo ocorreu com os produtos da linha branca.

Com a ampliação da utilização da capacidade instalada e da produção, a indústria precisou aumentar as importações de bens de capital – que, no País, apresentaram crescimento de 0,4% da produção. O perigo é que a taxa cambial favorece a desnacionalização da indústria brasileira.
Fonte: O Estado de São Paulo