País obtém vantagens para alguns produtos, como carnes e carros, cujas tarifas serão mantidas por enquanto.
Depois de 18 anos de intensos debates, a Rússia finalmente concluiu ontem as negociações para entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC) e prevê a liberalização de alguns de seus setores com impacto considerável para vários parceiros comerciais.
Porém, mostrando seu peso como ex-superpotência, conseguiu manter áreas estratégicas da economia protegidas por quase uma década, além de privilégios no setor agrícola e automotivo. O Itamaraty e o setor privado brasileiro consideraram o acordo “satisfatório”. A adesão oficial ocorre em dezembro, marcando um passo importante no projeto de Moscou de modernização da economia.
Para a OMC, o acordo foi comemorado, já que traz para o sistema multilateral do comércio o 7o.º maior exportador e autodenominada 6.ª maior economia. A adesão permite que a OMC regulamente 98% do comércio no planeta e consegue a entrada da última grande economia do mundo. “É uma vitória para a Rússia, para os parceiros comerciais e para a OMC”, disse Pascal Lamy, diretor da entidade.
As tarifas de importação da Rússia passarão de 10% em média para 7,8%. No setor agrícola, a média passa de 13,2% para 10,8%. Já no setor industrial, a queda é dos atuais 9,5% de tarifa de importação para 7,3%. Pascal Lamy, diretor da OMC, destacou que a liberalização russa será “mais ambiciosa” que a adotada pela China quando entrou na entidade, há dez anos.
No Itamaraty, os termos da adesão foram considerados “positivos”. O comércio entre Rússia e Brasil vai superar a marca de US$ 7 bilhões em 2011. Mas ambos países esperam que a adesão de Moscou abra novas oportunidades. “Esse acordo é muito positivo para as exportações brasileiras”, insistia ontem Maxim Medvedkov, negociador russo.
Mas o Kremlin também saiu de Genebra anos com garantias de que nem toda sua indústria não será afetada. Uma das grandes conquistas dos russos foi no setor automotivo, que continuará a ter tarifas atuais até 2018. Além disso, Moscou conseguiu manter as exigências de peças locais por quase uma década, algo que viola as regras da OMC.
Para setores considerados como sensíveis, aviões e frango, as tarifas só serão reduzidas a partir de 2018. No setor de carnes, no qual a Rússia insiste que quer ser autossuficiente um dia, cotas permanecerão, ainda que o setor privado brasileiro tenha considerado que pelo menos não perdeu espaço no acordo assinado ontem. A tarifa para o açúcar também será reduzida, mas de US$ 243 por tonelada para US$ 223.
No setor agrícola, a Rússia conseguiu o direito de dobrar seus subsídios e só em 2018 é que limitará o volume aos atuais níveis. O Brasil acredita que conseguiu pelo menos controlar a forma de uso desses subsídios.
Fonte: O Estado de São Paulo
