Nova meta de exportações será divulgada em 2009

Novembro 27, 2008

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, disse, durante a abertura do 28º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), realizado hoje (27/11), pela Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), na cidade do Rio de Janeiro, que a meta de exportações para o próximo ano só deverá ser divulgada no início de 2009.

Segundo o secretário, a crise financeira mundial e a destruição parcial dos portos de Itajaí e Navegantes pelas recentes chuvas em Santa Catarina contribuíram para o adiamento do anúncio. De janeiro a outubro, os dois portos foram responsáveis por embarques de US$ 6,6 bilhões – principalmente, carne de frango e de suíno, fumo em folha, motores, móveis e tratores. A estimativa das autoridades do Estado é que serão necessários pelo menos seis meses para que os portos voltem à normalidade.

Em sua apresentação, o secretário Barral falou ainda sobre a evolução da balança comercial brasileira nos últimos anos e as ações desenvolvidas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no âmbito da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Barral apresentou também as perspectivas traçadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2009, que prevêem crescimento de apenas 2,2% da economia e 1,9% do comércio mundiais.

O ministro interino do MDIC, Ivan Ramalho, que também participou do evento, ressaltou as preocupações com a crise financeira mundial, mas destacou que os índices macro-econômicos demonstram que o País está em um momento menos frágil e que, por isso, deve sofrer muito menos com os efeitos da crise do que em anos atrás, quando as reservas nacionais eram de US$ 20 bilhões. Hoje, as reservas do Brasil superam os US$ 200 bilhões.

A cerimônia de abertura do 28º Enaex contou ainda com a participação da secretária-executiva da Câmara do Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola; do presidente da AEB, Benedito da Fonseca; do presidente da Federação das Indústrias do Rio de janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, e do secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Júlio Bueno; dentre outros.

Demanda da Indústria

O presidente da Firjan, Eduardo Eugênio, disse que seria de suma importância para os exportadores brasileiros que o Drawback Verde-Amarelo isentasse também o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Segundo ele, o ICMS é muito pesado e, muitas vezes, inviabiliza a atividade industrial.

O Drawback Verde-Amarelo, em vigor desde 1º de outubro deste ano, prevê a suspensão de tributos federais – Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – para a compra  no mercado interno destinados a produção de bens exportáveis.

Excesso burocrático

Para o presidente da AEB, Benedito da Fonseca, o Enaex é um evento preocupado em apresentar propostas. “É fundamental que o Brasil tenha uma lei única que oriente o comércio exterior. Hoje, no País, existem 16 ministérios que atuam no comércio exterior, além de 2 mil atos, 600 decretos e mais de 300 leis que normatizam a atividade”, enumerou ele. O presidente da AEB propôs ainda que a Camex se transformasse em um conselho com totais poderes sobre o comércio exterior brasileiro, sem a necessidade da anuência de demais órgãos do Governo Federal.

Fonte: MDCI


Chanceler equatoriana diz que Brasil também pode ser prejudicado com fim de projetos

Novembro 27, 2008

Brasília – O Brasil também poderá ser prejudicado, caso a tensão diplomática com o Equador afete os projetos de integração entre os dois países. Foi o que afirmou a ministra equatoriana de Relações Exteriores, María Isabel Salvador, segundo informa a BBC Brasil.

“Espero que não afete a integração, porque, na prática, será um impacto muito grande para o Brasil que o projeto Manta-Manaus não se realize”, disse a chanceler, em Caracas, onde participa de um encontro regional.

O projeto do Eixo Multimodal prevê a criação de um corredor rodofluvial entre Manaus e o porto de Manta, no Equador. A obra, que ainda está em fase de negociação, abriria uma saída no Oceano Pacífico para o Brasil.

Depois do anúncio pelo governo equatoriano da ação internacional para suspender o pagamento de um empréstimo contraído no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), o governo brasileiro chamou o embaixador em Quito para prestar esclarecimentos. Cerca de 30 projetos de cooperação entre o Brasil e o Equador estão sendo reavaliados, de acordo com o embaixador Antonino Marques Porto.

O governo do Equador tomou emprestados US$ 243 milhões para a construção da hidrelétrica San Francisco, executada pela construtora brasileira Odebrecht. A crise entre os dois países começou quando a usina começou a apresentar problemas técnicos e teve de ser fechada, depois de um ano de concluída a obra.

Na disputa com a Odebrecht, que acabou expulsa do Equador, o presidente Rafael Correa disse que “estava pensando seriamente” em não pagar a dívida de “um projeto que não presta”. O Brasil questiona o fato de o Equador não ter consultado o país antes de levar a disputa a um tribunal internacional.

Fonte: Agência Brasil


PIB piora na China; Índia fecha mercados após ataques

Novembro 27, 2008

A China alertou nesta quinta-feira que a desaceleração econômica está se aprofundando com os efeitos da crise financeira global, levantando temores de desemprego e agitação social no país mais populoso do mundo.

Na Índia, os mercados financeiros estão fechados após militantes terem matado pelo menos 101 pessoas e mantido estrangeiros como reféns na capital comercial de Mumbai.

O ministro do Comércio, Kamal Nath, descreveu os ataques como “um evento infortuno”, mas disse que não espera redução dos investimentos.

Os alertas de uma importante autoridade chinesa foram feitos um dia após o banco central do país cortar os juros no ritmo mais forte em 11 anos.

O Centro Estatal de Informação da China, uma consultoria do governo, prevê que o crescimento anual vai desacelerar para 8% este trimestre, ante 9% no terceiro trimestre, um rápido esfriamento frente às taxas de dois dígitos registradas nos últimos cinco anos.

“A crise financeira global não chegou ao fim ainda. O impacto está se espalhando globalmente e se aprofundando na China. Alguns indicadores econômicos domésticos apontam uma desaceleração forte em novembro”, disse Zhang Ping, chairman da comissão nacional de Desenvolvimento e Reforma.

A Coréia do Sul se propôs a fazer mais para proteger sua economia, a quarta maior da Ásia, dos problemas globais. O governo planeja comprar dívida ruim dos bancos e disse que também vai usar uma linha de swap de US$ 30 bilhões com o Federal Reserve para enfrentar a escassez da moeda americana.

O banco japonês Norinchukin informou que vai levantar mais de US$ 10,5 bilhões para incrementar seu capital. Trata-se do maior volume de capital levantado por uma instituição financeira do Japão desde o início da crise de crédito.

Fonte: Reuters News


Confiança na zona do euro e na UE é a menor da história

Novembro 27, 2008

A confiança dos consumidores e dos empresários voltou a cair em novembro tanto na zona do euro quanto na União Européia (UE), e com isso marcou seu mínimo histórico desde agosto de 1993, no caso dos países da moeda única, e desde janeiro de 1985, no bloco como um todo, segundo dados da Comissão Européia (CE), divulgados nesta quinta-feira.

O Indicador de Sentimento Econômico (ISE) continuou este mês a brusca tendência de baixa já registrada em outubro, com uma queda de 5,1 pontos (para 74,9) na eurozona e de 6,7 pontos (para 70,5) na UE.

A Comissão Européia (orgão executivo da UE) explica que a queda global da confiança reflete a baixa generalizada em todos os âmbitos, tanto nos países do euro quanto no conjunto da União Européia.

Fonte: EFE


América Latina pede mais flexibilidade de FMI e BM em crédito

Novembro 27, 2008

Vários países latino-americanos pediram nesta quarta-feira a instituições financeiras internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) uma maior flexibilização nas linhas de crédito para enfrentar uma crise que já bate às suas portas e que repercute nas economias dessas nações.

O Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud) e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aeci) organizaram nesta quarta-feira o 2º Fórum do Pensamento Social Estratégico na América Latina, no qual foram analisadas as formas como a região pode enfrentar a crise financeira que teve início nos países ricos.

“As condições de crédito nos países ricos se endureceram e isso afetará o fluxo de financiamento em direção às economias da região”, disse nesta quarta-feira o ministro das Finanças da Costa Rica, Guillermo Zúñiga, que pediu maior flexibilidade às instituições financeiras diante da eventualidade de que os países pudessem precisar de liquidez.

Nessa mesma linha expressaram-se outros ministros da região e a diretora-regional para América Latina e Caribe do Pnud, Rebeca Grynspan, que ressaltou “a necessidade de que essas linhas de crédito que possam dar liquidez às economias estejam disponíveis de forma rápida e não condicionada”.

Para ajudar as nações a superar a crise a curto prazo, o FMI disponibilizou, no final de outubro, um fundo de US$ 100 bilhões para conceder empréstimos de emergência sem condições estipuladas a países com boas políticas econômicas, mas com problemas de liquidez.

Em entrevista coletiva, Grynspan disse que, embora nos últimos anos o crescimento na “América Latina tenha sido dinâmico e ininterrupto, sem dúvida dos melhores desde a crise da dívida (nos anos 1980), isso não se repetirá em um período próximo porque a crise já começou”.

“A América Latina, sem dúvida alguma, não é imune a esta crise”, afirmou a diretora-regional do Pnud, que se referiu à necessidade de que os países possam combinar a tempo políticas fiscais anticíclicas e ter acesso à liquidez para enfrentar a situação.

Para o titular de Finanças da Costa Rica, a “situação é muito complexa neste momento, pois embora a América Latina viesse se desenvolvendo de forma consistente e com taxas de crescimento aceitáveis, os problemas do mundo rico nos mandam a conta”.

Zúñiga se referiu assim às previsões de redução das exportações às nações desenvolvidas, assim como a uma queda dos investimentos estrangeiros, do turismo ou das remessas de dinheiro dos imigrantes, entre outros, que afetarão o mundo em desenvolvimento.

Por sua vez, a ministra coordenadora de Desenvolvimento Social do Equador, Natalie Cely, destacou a necessidade de que “haja mecanismos regionais próprios para responder à crise” dentro da América Latina.

“A crise está afetando Honduras há dez meses”, ressaltou a ministra de Finanças hondurenha, Rebeca Santos, que acrescentou que o país perdeu nesse período três pontos percentuais de um crescimento econômico que se situou em 6% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos três anos.

Os países emergentes não querem “que uma crise não gerada no mundo em desenvolvimento venha enfraquecer nossos objetivos de redução da pobreza e dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” (ODM) da ONU, afirmou.

Santos disse que a crise chegou às nações latino-americanas “a uma velocidade acelerada, mas a resposta à mesma não está chegando com a mesma velocidade”, e insistiu em que as respostas “não podem ser dadas com receitas do passado, obsoletas, em um mundo globalizado”.

Por sua parte, a primeira-dama da Guatemala e presidente do Conselho de Coesão Social guatemalteco, Sandra Torres de Colom, assegurou que as autoridades do país “apostam na integração econômica na América Central” para melhorar as oportunidades como um bloco.

Outro que esteve presente no fórum foi o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, que ressaltou que, embora a “América Latina esteja em melhor posição do que há cinco ou dez anos”, os Governos da região precisam “ter cautela e não ser otimistas demais”.

Stiglitz afirmou que esses países “agora têm boas instituições, mas é preciso ter cautela com o que isso quer dizer. Há dez anos dizia-se que nos Estados Unidos havia boas instituições reguladoras, boas políticas macroeconômicas, e vejam o que aconteceu”, lembrou.

Fonte: EFE


Meirelles diz que tem armas para enfrentar a crise que outros países não têm

Novembro 27, 2008

Goiânia – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, apresentou um quadro extremamente otimista para o Brasil enfrentar a crise financeira internacional, ao falar hoje (26) à noite na abertura do 14° Encontro Nacional de Jovens Empreendedores, no Centro de Convenções de Goiânia, afirmando que as armas que o Brasil tem para enfrentar essa crise “numa posição de maior serenidade e segurança do que no passado ou de que muitos outros países”, são reservas internacionais elevadas, mercado de trabalho forte, emprego e massa salarial crescendo, entre outros fatores.

Meirelles reafirmou aos jornalistas, após a palestra, os dados que apresentou sobre a crise mundial e a situação favorável ao Brasil nesse contexto, com uma série de gráficos que comprovavam cada afirmativa, num verdadeiro estudo sobre a situação da economia global. Outros fatores favoráveis ao Brasil, apontados por ele, são “uma dívida pública que está cadente em relação ao produto, é um país que é credor líquido em dólares e não devedor como muitos e como já fomos no passado”.

O presidente do Banco Central ainda acrescenta outros motivos para essa visão otimista de Brasil: “é um país que tem algumas outras características de mercado financeiro importante, como depósitos compulsórios e liquidez dos bancos no Banco Central elevada, o que, junto com as reservas, tem permitido ao Banco Central do Brasil atuar na irrigação do mercado de liquidez, coisa que é o grande problema, hoje, da economia mundial, com leilões de dólares e de moeda estrangeira, linhas de crédito em dólares e liberação de compulsório”.

Tudo isso, de acordo com Henrique Meirelles, junto com outras medidas anunciadas pelo Banco Central, “não faz com que o Brasil seja imune à crise – ninguém é imune à crise, mas faz com que o Brasil enfrente com maior força, maior segurança. A economia brasileira vai desacelerar no ano que vem, mas vai crescer mais do que a média mundial, enquanto alguns países vão decrescer. Isso é que é importante”.

Meirelles também comentou sobre a questão do emprego no Brasil. Segundo ele, o emprego é fundamental, por ser a geração de emprego a finalidade última da política econômica e o aumento do padrão de vida da população. Por isso – acrescentou – “estamos monitorando isso cuidadosamente, fazendo o diagnóstico e dando o tratamento ao problema”.

E qual o problema, ele indagou e respondeu em seguida: o Brasil está sendo afetado pela crise internacional através do canal de crédito, isto é, diminuição de liquidez e do crédito disponível, o que faz com que as pessoas comprem menos e as empresas produzam menos. “Então, o governo está atuando aí, através das medidas do Banco Central e de uma ação mais forte dos bancos oficiais, de maneira que isso possa manter a economia funcionando e preservar o emprego”, acrescentou.

Indagado como avalia o enfrentamento da crise, sabendo que em 2010 vem eleição (presidencial) e ele é visto em Goiás como possível candidato. Meirelles respondeu: “O importante na administração econômica é que ela não pode obedecer a preocupações eleitorais. “O importante é que a economia seja bem administrada, que o país cresça, e isso é a finalidade última de qualquer política econômica bem sucedida, sólida, como o Brasil hoje é considerado. Tanto que o Brasil é um dos poucos emergentes selecionados pelo Banco Central americano (Fed) para fazer um contrato de troca de moedas. “Eles fizeram isso com países que foram considerados por avaliadores isentos como um país bem administrado, que é o caso do Brasil”. Portanto, é importante que o Brasil continue na direção correta”.

Meirelles foi questionado também se há alguma medida prevista para reduzir os juros e ampliar o crédito. Ele respondeu que o Banco Central já está tomando medidas com esse objetivo, como liberação de compulsórios para bancos pequenos e médios e anunciou ontem (25) a liberação de compulsórios para beneficiar diretamente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai entrar com uma taxa competitiva para o financiamento de empresas, juntamente com outras fontes de recursos do próprio BNDES.

“Além do mais” – disse Meirelles – “os bancos oficiais estão liderando um processo também de concessão de crédito a taxas menos elevadas”.  Outra pergunta voltou a colocar a eleição de 2010  para Meirelles: como ele vê a expectativa em torno do seu nome para a sucessão do presidente Lula.

“Eu acredito que isso é uma generosidade do povo de Goiás, mas eu, hoje, tenho como foco, a economia brasileira e meu trabalho no Banco Central”, respondeu

Meirelles admitiu que o presidente Lula está preocupado com a crise, mas disse que “todos nós estamos preocupados com isso. Por isso, estamos trabalhando duramente para preservar o ritmo de atividade econômica em padrões aceitáveis: “Em se cumprindo as previsões de uma desaceleração de crescimento, mas ainda um crescimento bem acima dos padrões  mundiais, esperamos que, mesmo com uma diminuição da taxa de crescimento do emprego, se mantenha o crescimento do emprego e, portanto, não haja um aumento do desemprego”, disse.

Fonte: Agência Brasil