Brasil faz consulta à OMC sobre medidas antidumping adotadas pelos Estados Unidos

Novembro 25, 2008

Brasília – O governo brasileiro recorreu hoje (25) à Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na Suíça, pedindo consultas sobre medidas antidumping adotadas pelo governo norte-americano em relação à importação do suco de laranja brasileiro. Segundo nota do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil questiona a revisão administrativa feita pelo pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, na forma de investigação antidumping, sobre o suco de laranja brasileiro, relativa ao peíodo de 24 de agosto de 2005 a 28 de fevereiro de 2007.

O dumping ocorre quando uma ou mais empresas de determinado país vendem seus produtos a preços muito baixos em outro país, geralmente abaixo do preço de custo, com o objetivo de eliminar a concorrência local. Depois de um tempo, quando dominam o mercado, passam a praticar preços altos. Quando comprovada essa prática, os governos adotam medidas antidumping, como a aplicação de alíquotas específicas àquele produto importado, como forma de neutralizar os prejuízos à industria nacional.

Os resultados da revisão norte-americana, publicados em agosto deste ano, apontam que as empresas brasileiras investigadas praticaram margens de dumping de até 4,81%. O Brasil, no entanto, alega que os Estados Unidos utilizaram o “zeroing”, prática pela qual “o Departamento de Comércio exclui do cálculo da margem de dumping as exportações com valor superior ao valor do produto no mercado doméstico (‘valor normal’), impedindo, assim, que essas transações venham a compensar as exportações eventualmente realizadas com valor inferior ao ‘valor normal’”.

O Ministério das Relações Exteriores diz que as autoridades norte-americanas adotam o “zeroing” mesmo com a condenação da prática, “em diversas oportunidades”, pelo Órgão de Solução de Controvérsias da OMC. “O pedido de consultas compreende, ainda, o questionamento quanto à legalidade frente às regras da OMC, das normas norte-americanas que prevêem a utilização do “zeroing” em revisões administrativas”, diz a nota.

O pedido de consultas ao amparo do Mecanismo de Solução de Controvérsias da OMC marca o posicionamento do Brasil contra o método utilizado pelos Estados Unidos, que, “além de incompatível com as normas multilaterais de comércio, causa grande incerteza e sérios prejuízos para as empresas exportadoras afetadas”.

Fonte: Agência Brasil


MDIC realiza encontro nacional de agentes de comércio exterior

Novembro 25, 2008

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) realiza, na próxima quarta-feira (26/11), na sede dos Correios, no Rio de Janeiro, o sétimo Encontro Nacional de Agentes de Comércio Exterior (Enagex). O evento reúne os profissionais de todo o Brasil, que integram o programa Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior (Redeagentes), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDCI.

Durante o Enagex, os agentes de comércio exterior vão participar de inúmeras atividades, como palestras e treinamentos de como exportar para União Européia e para outros mercados prioritários. Além disso, os agentes discutirão as ações realizadas no ano de 2008 e as perspectivas para o próximo ano.

No encerramento do evento, o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral, fará uma apresentação sobre a importância do trabalho dos agentes de comércio exterior para o crescimento da atividade nos últimos anos. Também participam do Enagex o diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior (Depla/Secex), Fábio Martins Faria; o coordenador-geral do Depla, Sérgio Nunes de Souza; a superintendente da Suframa, Flávia Grosso; além de representantes dos Correios, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Redeagentes

A Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior (Redeagentes) é um projeto desenvolvido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), desde 2000, para estimular a inserção de empresas de pequeno porte em atividades relacionadas ao comércio exterior.

O programa também é um importante instrumento de difusão da cultura exportadora por todo Brasil. As ações do Redeagentes estão balizadas em três vertentes: treinamentos e cursos; articulação institucional e setorial e formação de uma “comunidade de prática” sobre comércio exterior.

Serviço:
Evento: Encontro Nacional dos Agentes de Comércio Exterior – Enagex
Data: 26 de novembro
Local: Edifício Sede dos Correios – Av. presidente Vargas, 3077. Cidade Nova. RJ/RJ.
Site: www.redeagentes.gov.br

Fonte: MDIC


Governo Federal lança em Brasília projeto de inserção internacional para PMEs

Novembro 25, 2008

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e a Delegação da Comissão Européia (DCE) realizam no próximo dia 2 de dezembro, em Brasília, o evento de lançamento do Projeto de Apoio à Inserção Internacional de Pequenas e Médias Empresas Brasileiras (PAIIPME).

O PAIIPME é resultado do Ajuste Complementar ao Acordo-Quadro de Cooperação firmado entre a União Européia e a República Federativa do Brasil, promulgado em 1995, e significa investimentos que irão promover o desenvolvimento e a inserção internacional de PMEs brasileiras, que passarão por processos de informatização, profissionalização, capacitação e qualificação de produção e serviços.

Ao todo, são 33 projetos desenvolvidos com entidades parceiras regionais, nacionais, públicas e privadas. Desses, 17 são projetos desenvolvidos diretamente com parceiros e 16 são financiamentos de projetos regionais.

O Projeto faz parte das ações e programas dos chamados Destaques Estratégicos da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que são iniciativas que tratam de questões fundamentais para o desenvolvimento da produtividade e da inovação na indústria brasileira, perpassando diversos complexos produtivos. A implantação de programas de internacionalização de PME contribui para o atingimento da macrometa estabelecida na Política de elevar em 10% o número de PME exportadoras até 2010.

Por meio de parcerias com entidades nacionais, será possível atender diversos segmentos em todo o País, com ações nos 27 Estados brasileiros. São parceiros da ABDI, do MDIC e da DCE neste projeto o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos – APEX-Brasil, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB), a Indústria Brasileira de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abhipec), a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), a Associação Brasileira de Indústria Têxtil (Abit) e a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel).

Entidades regionais também participam do projeto, recebendo financiamento para o desenvolvimento de ações locais. São elas: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc-CIN), Centro de Estudos Sócio-ambientais (Pangea), Associação para Promoção de Excelência do Software Brasileiro (Softex), Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), SEBRAE /Rio de Janeiro, SEBRAE/Espírito Santo, Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS), Federação de Indústrias do Estado do Paraná e Centro Internacional de Negócios (Fiep-CIN), Endeavor Brasil, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg- Assintecal), Fundação Centros em Tecnologias Inovadoras (Certi), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) e Sindicato das Indústrias de Calçados de São João Batista (Sincasjb).

Patrícia Vicentini, Diretora nacional do PAIIPME pela ABDI, ressalta a importância da abrangência do projeto e suas ações em todo o País: “A ABDI capilarizou o Projeto por todos os Estados brasileiros, de maneira específica em cada segmento empresarial, reconhecendo nas pequenas e médias empresas a capacidade de expansão e internacionalização”. Ela também explica a amplitude do termo internacionalização no PAIIPME: “Esse conceito de internacionalização é mais amplo do que o investimento em exportações. Envolve não só exportar, mas crescer, desenvolver-se alcançando uma evolução em todo o sistema produtivo e de negociações”.

“O projeto vai além da internacionalização e intercâmbio com o mercado europeu. Ele transforma a realidade das pequenas e médias empresas, sua maneira de trabalhar e produzir e eleva os serviços e produtos brasileiros a um patamar de excelência em qualidade”, ressalta o presidente da ABDI, Reginaldo Arcuri.

Projetos anteriores fortaleceram aspectos da inserção internacional de produtos brasileiros. Intensos trabalhos foram desenvolvidos no âmbito da promoção comercial e negociação internacional. O PAIIPME inova na medida em que, por meio de suas ações pontuais, promove inovação nos processos produtivos, transferência de tecnologia, aquisição de know how, aumento da competitividade, intercâmbios técnicos com instituições européias, entre outros. O Projeto oferece uma nova abordagem, por meio do diálogo público-privado, para a efetiva internacionalização de PME brasileiras e para a melhoria substancial e coordenada da qualidade do impacto de suas ações no setor exportador nacional.

O evento de lançamento do Projeto de Apoio à Inserção Internacional de Pequenas e Médias Empresas Brasileiras reunirá autoridades do governo como o Ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge; o Embaixador João José Soares Pacheco, chefe da Delegação da Comissão Européia no Brasil; o presidente da ABDI, Reginaldo Arcuri; além de representantes de entidades e empresas nacionais, públicas e privadas.

Serviço:
Evento: Lançamento do Projeto de Apoio à Inserção Internacional de Pequenas e Médias Empresas Brasileiras (PAIIPME)
Data: 2 de dezembro de 2008
Horário: 19h
Local: Hotel Mercure Lider – Sala Grécia
SHN Qd 5 – Bloco I – Asa Norte – Brasília/DF
 

Inscrições:
Cláudia Azevedo
claudia.azevedo@abdi.com.br
(61) 3962-8630

Fonte: MDIC


Operação da PF desmonta esquema de fraude em importação de mercadorias

Novembro 25, 2008

Rio de Janeiro – A Polícia Federal prendeu na manhã de hoje (25), no Rio de Janeiro, treze pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de fraude em importação de mercadorias vendidas pelo grupo varejista Casa & Vídeo.

Entre os detidos estão Luigi Fernando Milone e Attílio Milone, apontados como sócios da empresa. De acordo com estimativa da Receita Federal, o grupo pode ter sonegado R$ 100 milhões em impostos nos últimos dois anos. Um acusado está foragido.

A Operação Negócio da China, realizada em conjunto pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, foi deflagrada com o objetivo de cumprir, além dos 14 mandados de prisão temporária, outros 21 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, até o fim do dia, devem ser apreendidos, em diversos depósitos, materiais importados por meio do esquema fraudulento suficientes para lotar 80 carretas e oito carros blindados.

Durante as investigações, iniciadas há cerca de dois anos, a polícia verificou que o grupo fazia um planejamento de compras com exportadores da China. Essas mercadorias eram importadas por outras empresas ligadas à rede varejista, sem pagar os impostos que incidem neste tipo de operação, como o Imposto por Produto Industrializado (IPI). Além disso, o valor que constava nas notas fiscais pela importação das mercadorias era subfaturado.

“Como não poderia importar diretamente esse material, a empresa utilizava várias outras , que na realidade eram extensões da própria rede, efetuava as compras e pagava o preço acertado com o exportador que emitia notas com preços subfaturados. Dessa forma, a rede varejista sonegava os impostos que recairiam sobre o valor cheio das mercadorias”, explicou a superintendente regional da Receita Federal, Eliana Polo Pereira.

Ela informou que a identificação dos responsáveis pelo esquema foi dificultada porque os donos das empresas envolvidas no esquema são na verdade outras empresas que têm sede nas ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.

“É um emaranhado de empresas que torna difícil identificar quem são os verdadeiros donos”, afirmou.

A superintendente revelou, ainda, que os recursos para a compra dos produtos também vinham do paraíso fiscal, o que configura lavagem de dinheiro. As investigações ainda não permitiram apontar, no entanto, a origem desses recursos, que, segundo a PF, provavelmente também é ilícita.

Ainda de acordo com Eliana Polo Pereira, os sócios das empresas envolvidas no esquema eram remunerados por meio do pagamento de trabalhos não prestados com emissão de notas frias. “Esse montante entrava na contabilidade da empresa que poderia ainda abater dos impostos devidos”, acrescentou.

Os acusados, que estão presos na sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio, e devem ser transferidos ainda hoje (25) para o presídio de Água Santa, na zona norte da cidade, podem ser indiciados por sonegação fiscal, formação de quadrilha, descaminho, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Fonte: Agência Brasil


Embaixador brasileiro presta esclarecimentos no Senado

Novembro 25, 2008

Brasília – O embaixador do Brasil em Quito, no Equador, Antonino Marques Porto, presta esclarecimentos hoje (25) a parlamentares da Comissão de Relações Exteriores do Senado. A sessão está marcada para as 14h30 na Sala 7 da Ala Alexandre Costa.

Antonino Marques foi chamado ao Brasil depois da decisão do presidente equatoriano, Rafael Correa, de suspender as obras da Usina Hidrelétrica San Francisco, feita pela Odebrecht, e não pagar o empréstimo feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de US$ 243 milhões, para a construção da usina.

Fonte: Agência Brasil


Mercosul e países asiáticos discutem crise internacional em Brasília

Novembro 25, 2008

Brasília – A primeira reunião de chanceleres do Mercosul e da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) discutiu ontem (24) em Brasília questões internacionais de interesses comuns aos dois blocos, como Segurança Energética e Alimentar, Rodada de Doha da OMC e a situação financeira internacional.

“Essa reunião mostra que, apesar de serem regiões geograficamente distantes, sempre houve proximidade entre elas, tanto nas Nações Unidas como na Organização Mundial do comércio (OMC). E a idéia é aprofundarmos ainda mais esses laços”, disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil e presidente temporário do Mercosul, Celso Amorim.

“Acredito que o intercâmbio Brasil – Ásia, principalmente nas áreas de comércio e investimentos, pode crescer bem mais . Podemos aumentar esse potencial com essa reunião em nível ministerial”, disse Amorim, após se reunir com ministro das Relações Exteriores da Tailândia e presidente da Asean, Sempong Amornvivat.

Essa aproximação deve vir gradualmente, mas já tem um próximo encontro marcado para março de 2009, em Kuala Lampur, a fim de preparar  um Plano de Ação sobres os temas de interesse de ambas as regiões, discutidos aqui em Brasília.

Os dois ministros concordaram que deve haver cooperação futura entre as regiões, propiciando esforços no sentido de conter a atual conjuntura da crise. E que os países do Mercosul e da Asean estão em condições mais favoráveis de enfrentar a crise do que no passado.

O chanceler Celso Amorim disse que o Brasil está prevenido contra a crise: “Já temos 29 medidas imediatas e outras a médio e longo prazos, totalizando em torno de 47 medidas; e o comércio do Brasil, por ser bastante diversificado, leva uma certa vantagem.”

Fonte: Agência Brasil


Lula manifesta preocupação com “vácuo” de poder nos Estados Unidos

Novembro 25, 2008

Brasília – Em reunião com ministros ontem (24) na Granja do Torto, para discutir a crise financeira mundial e o posicionamento do Brasil em relação à crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria manifestado preocupação com o “vácuo” de poder que ele considera existir atualmente nos Estados Unidos.

De acordo com o ministro da Fazenda Guido Mantega, Lula, que na semana passada participou da reunião do G20, em Washington, disse que está preocupado com a transição no governo americano, no momento em que decisões política importantes precisam ser tomadas para salvar a economia.

“É uma transição de um presidente que, depois de oito anos de gestão, naturalmente está mais fraco politicamente, e o novo presidente eleito, a autoridade que tem prestígio, mas ainda não assumiu a presidência. Essa é uma preocupação. Sessenta dias de vazio de poder no momento em que decisões importantes precisam ser tomadas, a todo momento, para evitar os problemas maiores na economia”, comentou Mantega.

A movimentação do presidente eleito Barack Obama de indicar sua equipe econômica é um fato visto como positivo pelo presidente Lula e por sua equipe econômica. “É importante diminuir esse vazio de poder. Acreditamos que  antecipação que o presidente Obama está fazendo de indicação de sua equipe econômica possa nos ajudar nesse sentido.

Mantega também elogiou a indicação de Timothy Geithner para secretário do Tesouro dos Estados Unidos. “A indicação é positiva no sentido que ele está envolvido nesse programa de recuperação da economia americana que começou a ser posto em prática por esse governo. Ele já tem uma intimidade com o que está sendo feito agora e, ao mesmo tempo, é o homem de confiança dos Democratas”, disse Mantega.

Fonte: Agência Brasil


Governo discute acordo de Doha com empresários

Novembro 25, 2008

O governo brasileiro negocia com o setor industrial a possibilidade de oferecer novas concessões na Rodada Doha da OMC aos países ricos. O Brasil estuda novas liberalizações de seu mercado às importações americanas e européias. Mas a Argentina se nega a acatar uma oferta de abertura do Mercosul. Estados Unidos e Europa insistem que, sem um acesso maior aos mercados dos países emergentes, não terão como aceitar a conclusão da Rodada Doha em dezembro.
O governo brasileiro vai estudar com as indústrias quais setores poderiam entrar em um acordo para zerar completamente suas tarifas, o que significaria um livre comércio. Americanos e europeus querem a abertura dos setores químicos, máquinas e eletrônicos e a isenção de qualquer tarifa para esses produtos nos mercados mais promissores.
O Brasil hesita em oferecer esses setores, mas admite que pode buscar algum tipo de solução para que os interesses dos países ricos sejam atendidos. O Itamaraty sabe que terá de pagar um preço na Rodada Doha. “Vamos estudar quais setores podem ser oferecidos”, afirmou ontem o embaixador do Brasil em Genebra, Roberto Azevedo, à imprensa.
No Brasil, os setores de eletrônicos, automotivos e papéis já declararam que são contra uma ampla liberalização. O governo brasileiro ainda sofre a resistência da Argentina, que não aceita zerar tarifas em nenhum dos setores. Amanhã, em Brasília, o Mercosul se reúne para tentar chegar a uma posição conjunta na OMC. Por ser uma união aduaneira, o bloco precisa chegar a um acordo sobre que tarifa pretende aplicar.
Fonte: O Estado de São Paulo


Mercosul e Asean estudam cooperação

Novembro 25, 2008

Da Redação
A intensificação do comércio internacional como remédio para a crise financeira global é a aposta dos países que integram o Mercosul e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que deram em Brasília os primeiros passos para iniciar uma aproximação em nível birregional. No encerramento do 1º Encontro Ministerial entre os dois blocos, uma declaração conjunta enfatizou o “compromisso com a conclusão exitosa da Rodada de Doha (da Organização Mundial do Comércio), de maneira justa e equilibrada”.

“Promover a cooperação sul-sul é vital para uma ordem internacional mais equilibrada”, disse o chanceler Celso Amorim ao brindar aos visitantes no almoço oferecido no Itamaraty. O ministro citou como exemplo o desempenho das exportações brasileiras, que saltaram de US$ 60 bilhões, em 2002, para US$ 160 bilhões, em 2007. “Os países em desenvolvimento tiveram aí uma participação fundamental”, completou.

Entre os 10 países que integram a Asean estão alguns dos novos “tigres” asiáticos, como Cingapura e Vietnã. Embora a aproximação esteja em sua fase inicial, os dois blocos divulgaram uma declaração de 16 pontos, incluindo a decisão de estabelecer grupos técnicos de trabalho encarregados de elaborar um roteiro prático para definir um plano de ação até o próximo encontro ministerial, marcado em princípio para setembro de 2009, em Washington. “Estamos na fase de nos conhecermos melhor. Ainda não somos noivos”, explicou Amorim em entrevista coletiva ao lado do colega tailandês, Sampong Amornvivat, que falou pela Asean.

Cingapura
Hoje, o presidente Lula recebe no Planalto o primeiro-ministro Lee Hsien Loong, de Cingapura, que se tornou o principal parceiro comercial do Brasil entre os integrantes da Asean. O capital cingalês tem investido nos últimos anos em setores como construção naval e exploração de petróleo em águas profundas.

Fonte: Correio Braziliense


Empresários americanos apelam contra Doha

Novembro 25, 2008

Em uníssono, todo setor privado americano apela para que Brasil, Índia e China abram seus mercados às importações como forma de dar um novo impulso à economia mundial, em plena crise. Mas, para alguns diplomatas sul-americanos, a Casa Branca dá os primeiros sinais tímidos de que pode suavizar suas exigências para que haja um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC) em dezembro.
Em clara oposição à Washington, os principais atores da economia americana pediram para que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não tente concluir a Rodada Doha da OMC em 2008 se não houver concessões reais por parte dos países emergentes. Eles ainda pedem que Bush não limite as opções negociadoras do presidente eleito Barack Obama para 2009.
O projeto da OMC, apoiado pelo Itamaraty, é o de se convocar para dezembro uma reunião ministerial como forma de fechar um acordo comercial. Mas em uma carta enviada à Casa Branca, os maiores industrialistas, agricultores, banqueiros e representantes do setor de serviços dos Estados Unidos alertam que “seria um erro” a convocação do encontro diante da posição dos países emergentes.
A conclusão da Rodada foi uma das instruções dadas pelo G20, no dia 15 em Washington, como forma de garantir que medidas protecionistas não se proliferem e que o comércio possa ser uma alavanca à recuperação da economia mundial. O presidente Luis Inácio Lula da Silva foi um dos principais promotores da idéia.
“Não apoiamos a imposição de calendários arbitrários”, afirmou a carta assinada pela Associação Nacional de Indústrias, pela Federal Agrícola Americana e pela Coalização de Indústrias de Serviço. “Não deve haver uma nova reunião ministerial se não houver evidências de que (os países emergentes) estão comprometidos com abertura de mercados”, afirma a carta a Bush. “Precisamos ver o compromisso em uma abertura, principalmente por parte das economias emergentes”, afirmam.
unidade rara. Os setores americanos, que raramente falam em uma só voz, alertam que todos os países terão de fazer concessões, entre eles o Brasil, China e Índia. No último dia 15 em Washington, os líderes de Índia, China, Argentina, África do Sul e outros emergentes assinaram um compromisso em tentar concluir a Rodada até o final do ano. Mas, nas mesas de negociação, o que se vê é exatamente o contrário e estão tentando bloquear qualquer concessão.
A idéia do setor privado americano é de que, com a crise mundial e a recessão nos países ricos, a expansão de suas vendas dependerão da abertura dos mercados emergentes que continuam crescendo. “Uma recuperação da economia mundial exigirá aberturas significativas de mercados, inclusive das economias emergentes”, disse. Para os americanos, esses países emergentes que estiveram no G20 “precisam entender” a necessidade de abertura de seus mercados para bens agrícolas e industriais.
Nos últimos dias, porém, a administração Bush deu os primeiros sinais em Genebra de que poderia aceitar um acordo em dezembro que seja mais mod
esto nas exigências industriais aos países em desenvolvimento. Uma das concessões seria a de não pressionar as economias emergentes a zerarem suas tarifas de importação a setores inteiros. “Há um maior realismo do que se pode pedir”, afirmou um embaixador sul-americano. Oficialmente, o governo americano continua com seu discurso de mostrar pressão.
A representante da Casa Branca para o Comércio, Susan Schwab, também alertou que não teria como convocar uma reunião ministerial se não houvesse sinais de concessão das economias emergentes.
Mas, na carta, o setor privado americano alerta a Bush para que não permita que os países emergentes fechem um acordo sem abrir seus mercados, condicionando o próximo governo de Barack Obama a condições pouco satisfatórias para as exportações americanas.
Fonte: Jornal do Commercio