Crise não afeta agronegócio brasileiro, afirma representante do setor

Novembro 19, 2008

Rio de Janeiro – A crise financeira internacional não representa uma ameaça para o agronegócio brasileiro. A afirmação foi feita hoje (19) pelo presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Octavio Mello Alvarenga, em entrevista à Agência Brasil. “A crise internacional é uma, e a realidade da agricultura brasileira é outra”, disse Alvarenga.

Como exemplo, citou o aumento das exportações de carne. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, no acumulado de janeiro a outubro deste ano, as vendas externas de carne bovina somaram US$ 4,67 bilhões, com aumento de 26,1% em valor em relação ao mesmo período de 2007. As vendas de carne industrializada também cresceram nesse período: 59% em valor e 8% em volume. “É uma segurança grande que o Brasil tem nesse sentido”, ressaltou.

Alvarenga disse que, quando se compara a área produzida no Brasil e na Europa, não se pode, nem se deve falar em crise. “Crise têm os banqueiros e aqueles que dependem de banqueiros ou de crédito. Aí, sim, há algumas dificuldades, mas superadas pela competência e pela capacidade que o setor agrícola brasileiro está demonstrando de produzir bem.”

O cenário do novo agronegócio brasileiro traçado pelo presidente da SNA destaca entre os setores mais dinâmicos do país os relacionados à produção de carnes, de grãos e de cana-de-açúcar e álcool, em função do etanol.

No entanto, Alvarenga apontou os juros altos praticados no país como um entrave a uma expansão maior da agricultura nacional. “O juro alto é um empecilho. É uma decorrência da nossa subserviência, às vezes, à política real dos Estados Unidos”, criticou.

A SNA promove na próxima semana, no Rio, o 10º Congresso de Agribusiness (agronegócio), que reunirá durante dois dias cinco ex-ministros da Agricultura e os maiores produtores agrícolas do país. O tema central do evento é O Novo Agronegócio Brasileiro.

Fonte: Agência Brasil


País tem fluxo cambial negativo de US$ 877 milhões na primeira quinzena do mês

Novembro 19, 2008

Brasília – O saldo da entrada e saída de dólares até o dia 14 deste mês está negativo em US$ 877 milhões. A informação foi divulgada hoje (19) pelo Banco Central. No mesmo período do ano passado, a entrada de dólares foi maior do que a saída, o que levou ao resultado positivo de US$ 3,182 bilhões.

No acumulado do ano, o saldo é positivo em US$ 11,672 bilhões, contra o resultado também positivo de US$ 79,958 bilhões registrados em igual período de 2007.

O fluxo cambial reúne dados financeiros e comerciais. A conta financeira é o registro das entradas e saídas de recursos das Bolsas de Valores, investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações. Essa conta é mais sujeita às oscilações do mercado financeiro e costuma ficar negativa em momentos de turbulência econômica.

A conta comercial inclui dados da balança comercial (exportações e importações) e de adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC) e pagamentos antecipados de exportação (PA), que são financiamentos destinados aos exportadores brasileiros.

O resultado negativo na prévia do mês se deve ao resultado negativo da conta financeira de US$ 1,962 bilhão. Já o câmbio comercial teve resultado positivo de US$ 1,084 bilhão no período, com exportações de US$ 5,728 bilhões, importações de US$ 4,644 bilhões, além de US$ 1,368 bilhão de ACC e US$ 1,169 bilhão de PA, que são financiamentos destinados ao comércio exterior.

No acumulado do ano, a conta financeira teve saldo negativo de US$ 34,293 bilhões. O saldo das operações comerciais ficou em R$ 45,965 bilhões, com exportações de US$ 168,817 bilhões, ACC de R$ 40,718 bilhões, PA de US$ 41,859 bilhões e importações de US$ 122,852 bilhões.

Fonte: Agência Brasil


MDIC promove Encomex em Itajaí

Novembro 19, 2008

Difundir a cultura exportadora por todos os estados brasileiros. Este é o objetivo do Encontro de Comércio Exterior (Encomex). Na próxima quinta-feira (20/11), o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, fará a abertura da 130ª edição do evento, que será realizada no Centro de Promoções Itajaí, das 8h às 17h.  A inscrição é gratuita e pode ser feita por meio do site: www.encomex.desenvolvimento.gov.br. O evento integra a programação do Itajaí Trade Summit.

No Encomex, estão previstos três painéis que vão tratar de temas de interesse para empresários, operadores de comércio exterior e estudantes. O primeiro deles abordará o tema “Políticas e Ações de Comércio Exterior” e será apresentado pelo diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior do MDIC, Fábio Martins Faria. Ainda nesse módulo, o analista de Comércio Exterior, Edilson Urbano, vai ministrar o tema “Como Exportar para União Européia”. Participam ainda do painel representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Os instrumentos de apoio e estímulo ao comércio exterior serão o assunto discutido no segundo painel do dia. Apresentado pelo gestor de Negócios Internacionais dos Correios, Arthur Emílio Delvizio Chaudon e contará também com a participação de representantes do setor privado e do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

O terceiro painel previsto na programação falará sobre os “Mecanismos de Financiamento para Operações de Comércio Exterior”, e será ministrado por um técnico Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE).

O evento contará, ainda, com oficinas temáticas sobre Drawback Verde-Amarelo; gestão de risco; Siscarga; internacionalização de empresas e proteção financeira no comércio exterior. Paralelamente ao evento, os participantes poderão fazer despachos executivos, nos estandes de atendimentos. Haverá ainda exposição de serviços e técnica de apoio ao comércio exterior de potencial interesse às empresas da região e mostra de produtos exportáveis da região.

A realização do Encomex Itajaí conta com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil); Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Regional – Itajaí; Prefeitura Municipal de Itajaí; NetMarinha; Sebrae; Federação das Indústrias (Fiesc); Federação das Associações Empresariais (Facisc); Associação Empresarial de Itajaí; Senai; Senac; BNDES; Banco do Brasil; Caixa Econômica Federal; Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação e Universidade do Vale do Itajaí.

Itajaí Trade Summit

É uma feira, cujo objetivo é movimentar os setores nacionais de comércio exterior e logística. Na programação da feira ainda estão previstos o “Fórum NetMarinha 2008” e a primeira edição do “Congresso Brasileiro de Direito e Atividade Portuária”. Itajaí Trade Summit ocorre de 19 a 21 de novembro no Centro de Promoções Itajaí –Tur, das 14h às 22h.

O Fórum NetMarinha, evento que  será realizado no dia 19 de novembro, e tem como objetivos atender às necessidades dos operadores logísticos e levar os participantes à reflexão sobre eficiência através de ações como planejamento de qualidade, abordagem de processos, ações corretivas, preventivas, análises críticas e medição de dados.

O I Congresso Brasileiro de Direito e Atividade Portuária é uma parceria entre a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e o NetMarinha. O evento é focado em shipping e navegação, além da adoção de políticas públicas para maior desenvolvimento dos portos brasileiros.

Mais informações, no endereço eletrônico: www.itajaitradesummit.com.br

Serviço:
Evento: 130º Encomex – Itajaí
Data: 20 de novembro de 2008 – Quarta-feira
Local: Centro de Promoções Itajaí- Av. Ministro Victor Konder, 303, Centro – Itajaí/ SC
Horário: 8 às 17 horas

Serviço:
Evento: Feira Itajaí Trade Summit
Data: 19 a 21 de novembro
Local: Centro de Promoções Itajaí-Tur, em Itajaí
Horário: 14 às 22 horas.

Fonte: MDIC


Decex promove Encontros de Drawback Verde-Amarelo em SP, RS, SC e RJ

Novembro 19, 2008

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) vai promover, ainda no mês de novembro, nove “Encontros de Drawback Verde-Amarelo”, em diferentes cidades brasileiras. O objetivo do evento é prestar esclarecimentos para empresários e operadores do comércio exterior sobre a utilização, vantagens e  benefícios desta modalidade do regime especial aduaneiro. O ciclo de palestras integra a série de “Encontros de Drawback”, inaugurada em agosto deste ano.

Técnicos do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) da Secex farão, hoje (19/11), duas apresentações sobre o Drawback Verde-Amarelo em São Paulo. Na quinta-feira (20/11), haverá uma conferência em Porto Alegre (RS) e uma palestra sobre o tema está na programação do Encontro de Comércio Exterior (Encomex), que será realizado em Itajaí (SC), no mesmo dia. Encerrando esta semana, na sexta-feira (21/11), será a vez da cidade gaúcha de Caxias do Sul.

Na semana seguinte, no dia 25 de novembro, o “Encontro de Drawback Verde-Amarelo” será realizado no auditório do MDIC, em Brasília. No dia 26, o treinamento será ministrado na sede de Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Nos dias 27 e 28, a apresentação será feita durante a realização do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), na cidade do Rio de Janeiro.

A participação do público é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail dbva@desenvolvimento.gov.br.  Cada encontro terá limite máximo de dois representantes por empresa.

Público alvo
Empresários que operam no regime de drawback ou representantes legais das empresas.

Drawback Verde-Amarelo
O Drawback Verde-Amarelo, que está operacional desde 1º de outubro, possibilita a suspensão de tributos federais – Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – para a compra de insumos nacionais destinados a produção de bens exportáveis.

Programação

●19/11/08 (quarta), das 9h30 às 13h, no Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) – Av. Santo Amaro, 1386. São Paulo – SP.

●19/11/08 (quarta), das 14h às 16h, na Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) – Av. Jabaquara, 2925. São Paulo – SP;

● 20/11/08 (quinta), das 9h às 13h, na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs)  – Av. Brasil, 8787. Porto Alegre – RS.

● 20/11/08 dia 20 (quinta-feira), das 16h às 18 h, durante o 130º Encomex, em Itajaí (SC). O evento integra a programação do Itajaí Trade Summit.

● 21/11/08 (sexta), das 9h às 13h, na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul – Rua Ítalo Victor Bersani, 1134, Jardim América. Caxias do Sul – RS;

● 25/11/08 (terça), das 10h30 às 12h, no auditório do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Brasília. Brasília – DF;

●26/11/08 (quarta), das 9h às 13h, na sede de Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) – R. Padre Camargo Lacerda, 37. Campinas – SP e

● 27 e 28/11/08 (quinta e sexta), das 9h30 às 17h30, no estande do MDIC, durante o Enaex, que será realizado na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) – Av. Graça Aranha, 1, Centro. Rio de Janeiro – RJ
Mais informações
Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) do MDIC. Telefone: (61) 2109-7325

Fonte: MDIC


Crise deve levar Paraguai a negociar com organismos internacionais, diz ministro

Novembro 19, 2008

Brasília – A crise financeira global deve levar o Paraguai a negociar com organismos multilaterais uma linha de crédito de acesso rápido para ajudar o país a enfrentar os problemas econômicos. A avaliação é do ministro da Fazenda do Paraguai, Dionísio Borba, que discutiu o assunto em Brasília com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O Paraguai já tem um programa de transferência de renda com organismos multilaterais que atende 17 mil famílias nas áreas de saúde e educação desde o governo anterior, mas espera ampliar o atendimento para mais 100 mil no ano que vem. O valor dos recursos ainda está sendo discutido.

“Estamos vendo com organismos multilaterais diferentes linhas de crédito de acesso rápido para poder responder a situação através da infra-estrutura, renda e transferência para os pobres. A situação vai afetar principalmente os setores mais vulneráveis.”, disse.

A projeção de crescimento da economia do Paraguai em 2009 caiu de 5% para 3% diante da crise financeira internacional. O número foi divulgado pelo ministro Dionísio Borba. Segundo ele, a crise vai ter repercussões no âmbito fiscal e na retração do crédito no sistema financeiro paraguaio. Outra preocupação do ministro é com o emprego e com a queda no preço de commodities agrícolas, principalmente soja e carne.

Dionísio Borba informou também que a visita ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, é para avaliar a crise e conhecer as medidas que o Brasil está adotando para enfrentar os problemas. O ministro paraguaio considera importante conhecer de que forma as turbulências têm afetado a economia brasileira e os reflexos nas economias de menor escala da região, como o Paraguai.

Fonte: Agência Brasil


Mundo vê pior crise desde 2ª Guerra, diz presidente do BCE

Novembro 19, 2008

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, admitiu nesta quarta-feira que o mundo enfrenta a pior crise financeira desde a Segunda Guerra Mundial.

“Vi muitas crises e muito difíceis. É a primeira vez que o coração das finanças dos países industrializados está em jogo”, disse Trichet, em entrevista à rede Sky News.

“É nova e é a primeira desde a Segunda Guerra Mundial”, disse o presidente do BCE, e admitiu que há um sistema financeiro global que “teve muitos defeitos”.

No entanto, Trichet se mostrou otimista de que a crise financeira será superada através de uma cooperação global, mas não quis dizer quanto tempo levará este processo.

Os problemas só serão resolvidos “com os esforços conjuntos das autoridades”, disse o presidente, e especificou que as potências financeiras estão “todas no mesmo barco”.

Sobre a possibilidade de que o Reino Unido entre na zona do euro, Trichet disse que é um assunto que a população britânica deve decidir, apesar de ter ressaltado que o país sempre será bem-vindo a se unir à moeda única a qualquer momento.

“Somos totalmente unânimes, se o Governo e a população decidirem”, afirmou. “Há muitas vantagens – disse – associadas à finalização do mercado único. Não estamos em um mercado único se há diversas moedas”.

Na semana passada, a zona do euro entrou pela primeira vez em recessão desde a criação da moeda única, em 1999. No entanto, o euro se mantém forte frente à libra esterlina, que nos últimos seis meses perdeu 15% em relação ao euro.

Fonte: EFE


Rodada de Doha é vital para os pobres, diz diretor da OMC

Novembro 19, 2008

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, disse nesta quarta-feira que um acordo comercial na Rodada de Doha nunca foi tão necessário quanto agora, pois é vital ajudar os países pobres a enfrentar a crise econômica.

Elogiando o impulso político dado pelos líderes mundiais às negociações comerciais na reunião do G20, Lamy disse em um encontro com nações pobres, realizado no Camboja, que obter um acordo está ao alcance dos países-membros da OMC.

“A comunidade internacional deve se unir tanto no comércio quanto na ajuda”, disse ele aos ministros que se reuniram na cidade de Siem Reap para discutir como a ajuda pode ser usada para alavancar a indústria e o desenvolvimento dos países pobres.

A Rodada de Doha foi lançada na capital do Catar, há sete anos, para implementar um comércio livre, visando cortes de subsídios agrícolas e tarifas sobre produtos agrícolas e industriais. O objetivo seria ajudar os países em desenvolvimento.

Mas as negociações chegaram a um impasse devido às discordâncias entre países ricos e pobres e importadores e exportadores. “No tumulto econômico atual, o que era necessário ontem se tornou indispensável hoje”, disse Lamy.

“Acho que há um consenso crescente, que reconhece que somente soluções multilaterais podem lidar com os desafios enfrentados pela economia hoje”, acrescentou.

Lamy não disse se será possível reunir os ministros na sede da OMC em Genebra antes do fim do ano, objetivo acordado pelo G20 na cúpula feita em Washington no último fim de semana.

Os países mais pobres, reunidos no Camboja, seriam os maiores beneficiados do sucesso da rodada, já que boa parte de seus produtos teriam acesso ilimitado aos mercados do mundo inteiro.

Em julho, as conversas entraram em um beco sem saída mais uma vez, devido às exigências da Índia, que quer proteger seu enorme setor agrícola no caso de haver excessivas importações, uma eventual consequência do livre comércio.

A Índia não participou da reunião no Camboja. Elogiando a atuação de Lamy e da OMC, os ministros reunidos reforçaram a necessidade de desenvolver suas indústrias para que possam competir em um mercado livre.

Lamy afirmou que, dentro de uma semana, doadores internacionais vão se reunir no Catar para discutir o financiamento da ajuda em prol do desenvolvimento.

“Sinceramente, espero que a reunião no Catar demonstre a mesma determinação que os líderes do G20 demonstraram em Washington, a fim de manter seus compromissos, não obstante as difíceis circunstâncias econômicas e orçamentárias de hoje.”

Fonte: Reuters News


Protegido: DECRETO No – 6.632, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2008

Novembro 19, 2008

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Protegido: DECRETO No – 6.641, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2008

Novembro 19, 2008

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O Reach não é uma barreira não-tarifária

Novembro 19, 2008

Paulo R. Haddad professor do IBMEC/MG, foi ministro do Planejamento e da Fazenda no governo Itamar Franco
O Sistema Reach é um sistema integrado único de registro, avaliação e autorização de substâncias químicas da União Européia (UE). Sua importância decorre de três importantes fatores para as exportações brasileiras. Espera-se que cerca de 1.500 substâncias químicas estarão submetidas a processos de autorização. A regulamentação não afetará só os 27 países da UE, mas pode ser uma barreira indireta ao comércio mundial relacionado de alguma forma com a União Européia. Não só as exportações diretas, mas também aquelas que fornecem insumos e matérias-primas que serão incorporadas a produtos exportados para a UE compõem o universo das empresas a serem afetadas.
O objetivo dessa nova legislação européia tende a crescer em rigor ao longo dos próximos anos, pois tem por objetivo assegurar elevado nível de proteção à saúde humana e ao meio ambiente, assim como assegurar a livre circulação de substâncias químicas no mercado interno europeu, reforçando simultaneamente a competitividade e a inovação.
A legislação do Reach é muito complexa, com constantes referências a outras normas européias. É difícil compreender o todo em razão de a legislação ainda não estar completa, sendo editada e reeditada freqüentemente. Custos financeiros, humanos e institucionais deverão ser mobilizados para atender à adequação do regulamento do Reach.
É um mecanismo de comando e controle visando a melhorar as condições de vida e do meio ambiente nos países membros da UE. Uma forma de intervenção que, por meio de regulamentações e sanções, busca restringir a natureza e o montante de poluição ambiental ou o uso de bem ou serviço com características indesejáveis para a saúde humana. Tem o envolvimento máximo dos governos, pela Agência Européia de Substâncias Químicas (Echa, na sigla em inglês), e se orienta por ações extramercado.
Desta forma, o Reach entra no debate das controvérsias sobre a eficácia dos instrumentos de políticas ambientais e de defesa do consumidor, quanto ao seu grau de descentralização e de flexibilidade na decisão individual. Seria o Reach uma barreira não-tarifária de protecionismo e de fechamento do mercado europeu?
Nossos exportadores não podem desconhecer que em 2007 o País exportou para a UE cerca de US$ 34 bilhões, dos quais uma parcela significativa poderá estar submetida ao regulamento do Reach;
Por concepção, não é um mecanismo de proteção não-tarifária dos 27 países da UE, embora como todo mecanismo econômico (impostos, taxas, controle fitossanitário, etc.) possa ser usado ad hoc como forma de protecionismo comercial em contextos específicos;
É um mecanismo de comando e controle das políticas ambientais e de defesa dos consumidores da UE, e não só o resultado das ações veladas de lobbies setoriais ou regionais dos países membros. Se bem-sucedido, o programa regulatório tende a se tornar modelar no futuro para outros países e regiões do mundo;
Como ele exprime uma das macrotendências do capitalismo moderno (proteção do meio ambiente e da saúde humana em ambiente planetário de externalidades negativas crescentes), recomenda-se aos exportadores brasileiros a adesão ao regulamento do programa, negociando com a Echa problemas específicos e dificuldades localizadas para sua implementação. Como os objetivos do Reach exprimem as aspirações das sociedades dos países da UE, eles estão enraizados na sua opinião pública e devem ser respeitados pelos exportadores de outros países, para quem aqueles objetivos são exógenos;
Como o Reach é um programa inovador do ponto de vista conceitual e complexo do ponto de vista de sua implementabilidade, a melhor conduta de nossos exportadores é a de avançar na sua compreensão, na negociação de seus interesses e na cooperação para competir, nos termos propostos por Abiquim, CNI, Fiesp, Ibram, etc.
À medida que as sociedades evoluem e ficam mais prósperas, sua estrutura de demanda se torna mais complexa e diversificada, com a incorporação de bens e serviços superiores. Ao impor novas exigências às características dos bens e serviços que consomem, criam um descompasso com as estruturas produtivas de países menos desenvolvidos ou emergentes. Não se trata, pois, de barreira não-tarifária.
Fonte: O Estado de São Paulo