Professor diz que Brasil fez propostas importantes na reunião do G20

Novembro 10, 2008

Brasília – As posições manifestadas pelo Brasil na reunião do G20, ocorrida no último fim de semana em São Paulo, sobre a necessidade de ser promovida ampla reforma na arquitetura do sistema financeiro internacional e da participação dos países emergentes nas decisões multilaterais tomadas em conjunto pelos governos dos países das economias mais desenvolvidas foram o resultado mais importante do encontro, para o país.

A avaliação é do professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), professor José Luiz Oreiro. Em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional, ele afirmou hoje (10) que os países emergentes se posicionaram adequadamente ao mostrar que é preciso reformular a atuação de instituições criadas no pós-guerra, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. 

“Não é mais sustentável que os países desenvolvidos, basicamente os Estados Unidos, a França e a Inglaterra detenham quase que por completo o monopólio das decisões das duas instituições”, afirmou.

Oreiro destacou o peso econômico que o Brasil e a África do Sul têm  no cenário atual. As propostas feitas pelo Brasil, lembrou, entrarão  na pauta da reunião de chefes de Estado do G20, que ocorre no próximo dia 15, em Washington.

Ele também considerou bem colocada a previsão do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, de que o crescimento da economia mundial, em 2009, virá exatamente dos países emergentes, com a recessão que ocorrerá nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, em vista do peso que esses países têm para a solução da crise financeira internacional.

Oreiro disse ter a mesma opinião da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Roussef, que, na Itália, no último fim-de-seman, disse que os países emergentes fazem  parte, agora, da solução da crise financeira internacional iniciada nos Estados Unidos.

A reunião do G20 que ocorreu em São Paulo teve a participação de ministros da área econômica e de presidentes de bancos centrais e foi preparatória do encontro dos chefes de Estado.

Fonte: Agência Brasil


Lula defende na Itália revisão das regras do Consenso de Washington

Novembro 10, 2008

Roma (Itália) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (10), na Itália, a revisão das regras contidas no Consenso de Washington. Em pronunciamento à imprensa, ao lado do presidente italiano Giorgio Napolitano, Lula enfatizou que o foco da economia deve ser o trabalhador e a produção e não a especulação financeira.

“Penso que essa crise é uma oportunidade extraordinária para fazermos uma reflexão sobre tudo que fizemos de errado a partir do Consenso de Washington. E criarmos um outro consenso em que o ser humano, o trabalhador a produção agrícola, industrial, cultural científica e tecnológica sejam a razão de ser da economia e não a especulação financeira”, disse Lula depois de conversa reservada de 40 minutos com o presidente italiano.

Lula chamou o ex-integrante do partido comunista da Itália de “caro companheiro” e enfatizou que os governos devem “ouvir menos analistas de mercado” e prestar mais atenção nos problemas sociais.

“Meu caro companheiro Giorgio Napolitano, na Assembléia Geral das Nações Unidas eu disse que para resolver a crise era chegado o momento da política. Eu penso que nesse momento os governantes precisam entender que nós precisamos ouvir menos analistas de mercado e mais analistas dos problemas sociais, analistas de desenvolvimento e analistas que conheçam as pessoas humanas”, disse Lula.

Chama-se de Consenso de Washington o conjunto de dez regras de cunho neo-liberal. Formulado em novembro de 1989 por economistas de instituições financeiras baseadas em Washington, essas regras serviram de base para a política oficial do Fundo Monetário Internacional na década de 1990, e eram impostas aos países pobres em dificuldades como condições para receberem recursos. O neoliberalismo prega que o funcionamento da economia deve ser entregue às leis de mercado e que a presença estatal na economia inibe o setor privado e freia o desenvolvimento.

Entre essas regras algumas adotadas na década de 1990 no Brasil como a abertura da economia por meio da liberalização financeira e comercial e da eliminação de barreiras aos investimentos estrangeiros, privatizações, redução de subsídios e gastos sociais por parte dos governos e desregulamentação do mercado de trabalho, para permitir novas formas de contratação que reduzam os custos das empresas.

A visita à Itália servirá para que Lula também cobre das autoridades italianas apoio para que o Brasil passe a integrar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Lula apontou o cenário de crise mundial como motivo para que os países ricos “não tomem mais sozinhos as decisões” sobre a economia

“Precisamos reformar as instâncias decisórias internacionais e atribuir mais voz, vez e voto aos países em desenvolvimento, sob pena de não dispormos de mecanismos adequados para combater a crise”, disse.

Esse é o tema que Lula pretende abordar no encontro com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, previsto para amanhã. A visita é estratégica porque no início de 2009 a Itália assumirá a presidência do G8. Hoje, ao ser recebido por Napolitano no Palácio Quirinale, residência oficial de presidente, Lula adiantou o pedido.

“Quando encontrei com o primeiro-ministro Berlusconi, em julho, no Japão, conversamos sobre uma maior participação do Brasil e dos países em desenvolvimento nos debates da cúpula da Ilha Madalena. Amanhã, vamos retomar esse tema. Não faz sentido que os grandes temas que afetam a humanidade sejam debatidos apenas pelos países ricos”, disse Lula.

Fonte: Agência Brasil


Primeira semana de novembro apresenta superávit de US$ 477 milhões

Novembro 10, 2008

Na primeira semana de novembro, entre os dias 1º e 9 do mês (cinco dias úteis), a balança comercial brasileira registrou exportações de US$ 4,164 bilhões (média diária de US$ 832,8 milhões) e importações de US$ 3,687 bilhões (média diária de US$ 737,4 milhões), desempenhos que resultaram num superávit comercial (diferença entre as exportações e as importações) de US$ 477 milhões (média diária de US$ 95,4 milhões). No período, foi registrada uma corrente de comércio (soma das exportações com as importações) de US$ 7,851 bilhões, o que significou negociações de US$ 1,570 bilhão por dia.

Pelo critério da média diária, as exportações brasileiras, na primeira semana de novembro, ficaram 18,5% acima do desempenho médio diário registrado em todo mês de novembro do ano passado (US$ 702,6 milhões). Em relação ao valor médio diário exportado em outubro de 2008 (US$ 841,5 milhões), o resultado da primeira semana de novembro foi 1% menor.

As importações, na primeira semana de novembro, apresentaram desempenho médio diário 22,6% maior que o registrado em todo mês de novembro de 2007 (US$ 601,5 milhões) e 6,3% menor que a média diária dos desembarques internacionais do Brasil em outubro (US$ 786,6 milhões).

O saldo comercial brasileiro registrado na primeira semana de novembro, pela média diária, ficou 5,6% menor que o apresentado em novembro de 2007 (US$ 101,1 milhões) e 73,9% maior que o superávit médio diário registrado em outubro último (US$ 54,9 milhões).

Ano

No acumulado do ano – 216 dias úteis até a primeira semana de novembro – o saldo comercial somou US$ 21,322 bilhões, com média diária de US$ 98,7 milhões. Por esse critério, o superávit comercial ficou 39,9% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foi verificada média diária de US$ 164,2 milhões.

As exportações somaram US$ 173,536 bilhões, com média diária de US$ 803,4 milhões, um incremento de 27,2% sobre o desempenho médio diário apresentado no mesmo período de 2007 (US$ 631,7 milhões).

Na mesma comparação, observou-se um crescimento de 50,7% nas importações brasileiras, que saíram de uma média diária de US$ 467,5 milhões de janeiro, até a primeira semana de novembro ano passado, para US$ 704,7 milhões no mesmo período de 2008. As importações até a primeira semana de novembro somaram US$ 152,214 bilhões.

Às 15h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgará no site www.desenvolvimento.gov.br mais informações sobre as operações de exportação e importação brasileiras na primeira semana de novembro.

Fonte: MDIC


China anuncia pacote econômico de US$ 586 bilhões

Novembro 10, 2008

A China aprovou um pacote de estímulo de 4 trilhões de iuans (US$ 586 bilhões) até 2010 para impulsionar a demanda doméstica, disse a agência oficial de notícias Xinhua neste domingo. O valor representa quase 20% dos US$ 3,3 trilhões do Produto Interno Bruto (PIB) da China em 2007.

Os investimentos serão concentrados em infra-estrutura, bem-estal social e outros setores importantes do país, acrescentou a agência, que não informou como o gasto extra será financiado. O pacote também inclui aumentos no financiamento a pequenas e médias empresas.

Segundo a Xinhua, a China investirá 100 bilhões de iuans em construção nacional neste trimestre e 20 bilhões de iuans no ano que vem para a reconstrução em áreas atingidas por desastres naturais, como na província de Sichuan, atingida por um terremoto.

A decisão, anunciada hoje pelo Conselho de Estado, foi aprovada após a reunião do Executivo na quarta-feira, presidida pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao. Em seu site, o Executivo chinês afirmou que a China adotará uma política fiscal pró-ativa.

 

A medida de estímulo da economia doméstica ocorre menos de uma semana antes de Wen ir a Washington, acompanhando do presidente chinês, Hu Jintao, para participar da cúpula do G20.

Neste sábado, no Brasil, o governador do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, afirmou que a melhor maneira para estabilizar a economia chinesa é impulsionar a demanda interna.

O pacote de medidas destinadas a estimular a economia abrangerá até 2010 dez programas de impulso à vida da população, como casas para pessoas de baixa renda, infra-estruturas rurais, rede de transporte, meio ambiente, inovação tecnológica e reconstrução posterior aos desastres naturais.

O teto creditício dos bancos comerciais também será suprimido, a fim de canalizar mais empréstimos para projetos prioritários, no interior do país, em pequenas e médias empresas, inovação tecnológica, fusões e aquisições.

Fonte: Terra


Lula reafirma que sistema financeiro internacional precisa de regulação dos Estados

Novembro 10, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar hoje (10) que o sistema financeiro internacional precisa de regulação dos Estados e que não deve ser visto como um “cassino”. Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele destacou que os países devem acumular riquezas com a  geração de emprego e renda e não apenas com a especulação.

“Sabemos de onde veio a crise, sabemos o que foi que gerou essa crise e sabemos que o sistema financeiro internacional tem que ter um certo controle do Estado. Tudo na vida é regulado. O que queremos é que o sistema financeiro exista cada vez mais forte para ajudar o desenvolvimento do país, da indústria e da agricultura.”

Lula afirmou ainda esperar que no próximo encontro do G-20 – grupo composto pelas maiores economias mundiais – em Washington, possam ser discutidos temas como a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Rodada Doha. Ele afirmou ter consciência de que a reunião não vai definir “tudo o que precisamos que defina” mas que caracteriza “um início extraordinário” para que chefes de Estado assumam a responsabilidade de trazer para si a discussão de soluções futuras capazes de evitar outras crises.

Ao comentar a viagem à Itália, Lula afirmou que terá “uma forte agenda empresarial” que inclui encontros com uma delegação de empresários brasileiros e uma de empresários italianos. A idéia, segundo ele, é discutir possibilidades de investimentos no Brasil. Lula irá reunir-se também com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e pelo presidente do país europeu, Giorgio Napolitano, além de um encontro com políticos da oposição com o Papa Bento XVI para assinar um acordo entre Brasil e Vaticano.

“Vou fazer uma convocação para que os países ricos coloquem mais dinheiro para ajudar os países pobres como, por exemplo, o Haiti e os países africanos. Precisamos ter a consciência de que ou os países mais ricos ajudam os países mais pobres a se desenvolver ou vamos enfrentar um problema muito sério de migração”, alertou.

Fonte: Agência Brasil


Saída para crise financeira precisa ser global, diz Lula

Novembro 10, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar hoje (10) que a saída para a crise financeira internacional precisa ser global. Lula fez a afirmação depois de reunir-se com ministros da área econômica e com presidentes de bancos centrais de 18 países e da União Européia durante encontro do G20 – grupo composto pelas maiores economias mundiais – realizado em São Paulo neste fim de semana.

“Temos uma crise mundial que nasceu no coração do país que representa o maior PIB [Produto Interno Bruto] do mundo, que representa a síntese do capitalismo mundial. Foi exatamente nesse país que surgiu uma crise do sistema financeiro que pode atrapalhar o desenvolvimento e o crescimento econômico dos países emergentes. Temos que discutir porque a saída também tem que ser global”, disse em seu programa semanal Café com o Presidente.

No fim de semana, Lula também participou de reunião do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), em Foz do Iguaçu, com governadores dos estados que fazem fronteira com o Brasil. Segundo o presidente, países como Paraguai, Uruguai, Argentina e o próprio Brasil, depois de muitos anos, passaram a conhecer “um outro momento” de crescimento econômico e de geração de empregos.

“Temos que tomar uma decisão. Para enfrentar essa crise, não precisamos ficar temendo a crise. Sabemos que ela existe, sabemos que é grande, que pode ser grave, mas que estamos em condições melhores para enfrentá-la do que os países ricos, porque ainda temos um potencial extraordinário de crescimento do mercado interno. Temos a possibilidade de fortalecer ainda mais o Mercosul.”

Para Lula, os países sul-americanos vivem um momento importante e as decisões devem ser tomadas “com muita cautela”.

Fonte: Agência Brasil


G20 pede reforma profunda do Fundo Monetário e do Banco Mundial

Novembro 10, 2008

São Paulo – Ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais das maiores economias do mundo reconheceram, em comunicado divulgado ontem (9), a necessidade de reformas profundas do Fundo Monetário Nacional (FMI) e do Banco Mundial.

No documento final do encontro do G20 realizado em São Paulo, eles informaram que é necessário que essas instituições ajam de forma mais adequada à realidade econômica mundial e estejam mais preparadas para os desafios do futuro.

“Nós enfatizamos nosso comprometimento com a profunda reforma das instituições de Bretton Woods para aumentar sua legitimidade e efetividade”, afirmaram, em texto assinado por todos os representantes dos 19 países presentes e a União Européia.

A Conferência de Bretton Woods, realizada em 1940 e foi a primeira reunião de países para a definição de uma ordem financeira e monetária global. Nela, foram criados o FMI e Banco Mundial, além do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird).

O comunicado diz ainda que todas essas instituições devem ter papel importante na estabilização do mercado internacional. Porém, para que isso aconteça, precisam passar por adequações.

Do documento, consta ainda a sugestão de que o FMI faça a supervisão dos fundamentos econômicos dos países para, desta forma, evitar novas crises como a atual.

Fonte: Agência Brasil


FMI se oferece como coordenador de políticas fiscais de caráter internacional

Novembro 10, 2008

São Paulo – A adoção de políticas fiscais e monetárias foi a proposta apresentada ontem (9), na reunião do G20 em São Paulo, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para o enfrentamento da crise financeira internacional.

O diretor-gerente da instituição, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que o FMI poderia monitorar a formulação e adoção de tais políticas, além de oferecer apoio fiscal, quando necessário. “A ação coordenada em políticas fiscais certamente é muito mais eficiente do que ações adotadas por diferentes países individualmente”, justificou.

A proposta foi apresentada aos ministros da área econômica e aos presidentes de bancos centrais das 20 maiores economias desenvolvidas e emergentes reunidas neste final de semana.

“Muitos questionaram se os grupos existentes, os vários Gs, são suficientemente representativos ou têm a infra-estrutura necessária para acompanhamento e implementação. É necessário um grupo representativo de formuladores de políticas”, registrou o FMI em documento apresentado ao G20. “O FMI está preparado para assumir este papel, apoiando qualquer iniciativa para coordenar e monitorar políticas.”

Desde a véspera da reunião, na sexta-feira (7), diversos países, incluindo o Brasil, vinham apontado a necessidade de um órgão supra-nacional  para regular e supervisionar os mercados. Entre os emergentes, porém, há consenso de que o FMI só teria representatividade para tal função caso os países em desenvolvimento tivessem maior poder nas decisões do órgão.

Questionado se o G20 não seria mais representativo do que o FMI – já que o fortalecimento do grupo é uma das propostas da reunião anual – Strauss Kahn justificou que o FMI inclui muito mais países, inclusive os mais pobres, que não fazem parte do G20.

“A diferença está no caráter universal do FMI. O G20 é muito importante, é uma parte muito grande do Produto Interno Bruto Mundial, mas são apenas 20 países. O FMI representa 185 países”, argumentou. O comitê do FMI, no entanto, órgão que estabelece as estratégias do Fundo, conta com 24 países.

O diretor-gerente do Fundo foi evasivo quanto a dar mais espaço aos países emergentes. Ele lembrou que o Fundo passou por uma reforma há seis meses, assegurou que os emergentes terão cada vez mais espaço e desviou o tema para outra necessidade da instituição: a ampliação de recursos para dar conta das futuras necessidades dos países-membros.

“Essa é, provavelmente, a primeira grande crise global. Os recursos do FMI hoje são suficientes. Amanhã, não sabemos”, afirmou Strauss-Kahn. Segundo ele, muitos países emergentes ainda podem ter problemas em suas balanças de pagamento. “Muitos deles têm muitas reservas,  mas estão sob pressão”, disse Straus-Kahn. “O cenário é um tanto quanto cinza.”

No documento apresentado ao G20, o FMI é ainda mais enfático. “Os recursos oficiais necessários para estabilizar a situação são inadequados.” O Fundo sugere que a comunidade internacional co-financie os programas da instituição ou reforcem a sua capacidade de financiamento.

Fonte: Agência Brasil


Fortalecimento do G20 como instância decisória é única proposta concreta que sai de reunião

Novembro 10, 2008

São Paulo – Terminou sem propostas concretas a reunião de ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais das grandes economias desenvolvidas e emergentes, que formam o G20.

Em entrevista coletiva ao final do encontro, que se realizou neste fim de semana em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem (9) que a proposta que será levada aos chefes de Estado do G20, no próximo dia 15, em Washington, é a necessidade de fortalecimento do grupo, criado há 10 anos apenas como instância de diálogo.

Antes da reunião, havia consenso quanto ao fato de que a falta de regulação dos mercados financeiros teria sido uma das principais causas da atual crise financeira global.

A expectativa era de que, na reunião, se estabelecesse mecanismos de regulação e controle de mercados, inclusive com a indicação do organismo que ficaria responsável por tal monitoramento. Mas isso não ocorreu.

“Não chegamos a definir com detalhes as medidas a serem tomadas no âmbito da regulamentação e da fiscalização, embora isso tenha sido salientado por todos os países. Tal acompanhamento seria  a partir de regras contábeis universais”, disse Mantega, ao lado do ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel e do secretário de Finanças do Tesouro do Reino Unido, Stephen Timms.

“Vimos cada vez mais a integração de mercados financeiros globais, uma grande quantidade de capitais fluindo através de fronteiras e os investidores buscam o retorno rápido sem prestar atenção aos riscos.  É uma crise global e requer uma resposta global. A primeira providência deve ser regular o mercado financeiro”, reiterou o secretário do Tesouro britânico. Hoje, o Brasil preside o G20 financeiro e o Reino Unido é o próximo país a ocupar a presidência do grupo.

Entre os consensos, está a necessidade de adoção de políticas fiscais e monetárias anti-cíclicas, adequadas às condições de cada país. “Os países com situação mais sólida poderão fazer mais ações fiscais, mais gastos”, ponderou Mantega.

Ontem (8), o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, já havia antecipado que diversos países defendiam a expansão fiscal como antídoto para os efeitos de médio e longo prazos da atual crise financeira. A proposta foi encampada pelos emergentes, com ressalvas dos presidentes dos bancos centrais, preocupados com a aceleração da inflação a partir do aumento dos gastos públicos.

“Os países que estão sofrendo evasão de recursos poderão sofrer uma inflação momentânea”, disse Mantega. Para 2009, a tendência, na sua avaliação, é de deflação, acompanhando a retração da atividade econômica.

Outro consenso da reunião do G20 diz respeito justamente à evasão de recursos que vem ocorrendo ns economias emergentes. Segundo Mantega, todos concordaram com a  necessidade dos países avançados ajudaram os emergentes na saída de fluxos comerciais.

Quanto ao fortalecimento do G20, há consenso de que trata-se de uma esfera mais representativa das forças econômicas mundiais. “Ele deve ser transformado numa instituição mais atuante porque é mais representativo”, disse o ministro brasileiro. O diagnótico foi reiterado por Stephen Timms.

Mantega lembrou que G20 foi criado no final dos anos 90 para enfrentar os efeitos da crise asiática. Hoje, o cenário é muito mais grave. “Não há nenhuma comparação com a crise asiática e a crise financeira que estamos vivendo hoje. Dez anos depois, o G20 passa a ter funções mais importantes”, enfatizou o ministro.

Segundo Mantega, nos anos 90, a preocupação era com os desequilíbrios que ocorriam nas economias emergentes. Hoje, o G20 tem a tarefa e procurar encaminhar soluções e monitorar a crise que se dá nos países avançados. “Só isso já exige uma mudança de instrumentos e de funções do G20”, reiterou.

Para ele, o G20 é um forte candidato a ser um órgão coordenador de ações contra a crise. Mantega defendeu que instituições como FMI, o Banco Mundial e o Fundo de Estabilidade Financeira (FSF) poderão servir para ajudar no enfrentamento da crise desde que fortalecidos e com maior representação dos emergentes.

“Os emergentes exigem uma participaçao maior nas decisões que são tomadas, não podem estar numa condição de inferioridade nas decisões do FMI,do Banco Mundial e do FSF”, disse.

Fonte: Agência Brasil


Brasil pede que G20 se torne cúpula de chefes de Estado

Novembro 10, 2008

São Paulo – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou ontem (9), na reunião do G20 em São Paulo, um pedido formal para que o grupo dos 19 países mais ricos do mundo e União Européia, torne-se uma cúpula de chefes de Estado.

Em documento divulgado nesta tarde pela assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, o Brasil também fez outras sugestões que foram discutidas no encontro. Entre os pedidos, está a reforma de instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

O Brasil também quer mais ações de países desenvolvidos contra a crise financeira mundial. A reunião do G20 termina hoje e as formas de combate à crise foram o tema central do encontro.

Fonte: Agência Brasil