Brasília – A saída de moeda estrangeira do Brasil registrada em outubro é a maior desde a crise da Rússia, no final de 1998, que culminou na maxidesvalorização do real em 1999. O resultado negativo de US$ 4,639 bilhões no mês passado é o sétimo pior desde que o Banco Central começou a medir o fluxo cambial, em 1982.
O rombo é resultado de um déficit de US$ 6,249 bilhões na conta financeira que não conseguiu ser compensado pelo superávit de US$ 1,610 bilhão na conta comercial. O fato de o resultado negativo ter se concentrado na conta financeira mostra que a saída de divisas foi provocada por investidores que tiveram de retirar recursos do país para cobrir prejuízos no exterior causados pelo agravamento da crise internacional.
Pela conta financeira transitam as entradas e saídas de recursos das bolsas de valores e investimentos em títulos, as remessas ao exterior de lucros e dividendos e os investimentos externos diretos, entre outras operações. Essa conta é mais sujeita às oscilações do mercado financeiro, ficando negativa em momentos de turbulências econômicas.
A saída líquida na conta financeira registrada em outubro não chegou a ser a maior do ano. Em janeiro, US$ 6,530 deixaram o país por essa conta. O rombo no fluxo cambial, no entanto, foi de US$ 2,357 bilhões – menor do que o registrado no mês passado porque, em janeiro, a conta comercial teve superávit de US$ 4,173 bilhões.
A conta comercial é formada pela diferença entre exportações e importações. Diferentemente da balança comercial, no fluxo cambial também são computados os Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio (ACC) e os Pagamentos Antecipados de Exportação (PA).
Por meio dos ACCs, os exportadores podem antecipar o recebimento, em moeda nacional, de recursos correspondentes ao pagamento ainda não efetuado pelo importador. Essas linhas de crédito são operadas por bancos autorizados no país, que oficialmente se tornam devedores perante os banqueiros exteriores. Nos PAs, o crédito é tomado diretamente pelo exportador.
Confira os meses em que o fluxo cambial ficou pior do que em outubro:
| mês | US$ (bilhões) |
|---|---|
| setembro 1998 | -18,919 |
| agosto 1998 | -11,786 |
| janeiro 1999 | -8,587 |
| outubro 1997 | -6,487 |
| março 1995 | -6,386 |
| dezembro 1998 | -5,069 |
| outubro 2008 | -4,639 |
Fonte: Banco Central
Escrito por Guilherme Oliveira
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Escrito por Guilherme Oliveira
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