País negocia crédito para exportadores

Novembro 4, 2008

O chanceler Celso Amorim discute, a partir de hoje, na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, estratégias para garantir o acesso de exportadores a créditos e evitar, assim, que a crise financeira interrompa os fluxos de exportação. Dados preliminares da OMC apontam que nem o Natal deve salvar o comércio mundial de uma estagnação. A entidade projeta uma interrupção do crescimento dos fluxos mundiais nos últimos três meses do ano. A estagnação, se confirmada, será a primeira em sete anos. A OMC, inspirada em uma proposta brasileira, convocou o Fundo Monetário Internacional, bancos e até o BNDES para uma reunião no dia 12 com o objetivo de debater formas de destravar o comércio.
O Brasil, segundo analistas, seria um dos países mais atingidos por uma falta de crédito de exportação para o setor de commodities. Não por acaso, Amorim quer discutir com o diretor da OMC, Pascal Lamy, formas de facilitar esse acesso a créditos e flexibilizar condições para que o comércio não seja ainda mais afetado. Na OMC, a estimativa era que o comércio mundial teria um crescimento de 4,5% em 2008. No primeiro semestre, o economista da entidade, Micheal Finger, garante que a taxa ainda foi positiva. Mas o terceiro trimestre já demonstrou uma forte queda “Para o quarto trimestre, não deveremos ter crescimento”, alertou. Há mesmo a possibilidade de que, em volumes, o comércio sofra uma queda real.

Com informações de Jornal do Commércio – PE


Na crise, exportadores também perdem, apesar da alta do dólar

Novembro 4, 2008

A alta do dólar nos últimos meses não tem compensado a queda do preço das commodities no mercado internacional, o que prejudica exportadores brasileiros, segundo economistas.

Em situações normais, a desvalorização do real deixaria os produtos brasileiros mais competitivos no exterior, o que poderia acelerar as exportações. No entanto, a crise derrubou, em proporção maior, a demanda por algumas commodities.

O preço da soja em grãos, por exemplo, caiu 33% entre 30 de setembro e 30 de outubro na Bolsa de Chicago, passando de US$ 13,94 por bushel (unidade de medida que equivale a 27,2 kg) para US$ 9,34 . Já o dólar teve uma alta de 10,5% no mesmo período, de R$ 1,906 para R$ 2,106.

A valorização da moeda americana em relação ao real “não tem compensado nem a queda do preço (das commodities) nem a diminuição da renda (nos países desenvolvidos)”, afirma o economista André Sacconato, da Tendências Consultoria Integrada.

As commodities agrícolas, que vinham subindo fortemente neste ano até julho, passaram a cair com força depois da intensificação da crise global, a partir de setembro. Em alguns casos, os preços desceram para patamar inferior ao do ano passado.

A soja em grãos terminou 2007 cotada a US$ 11,99 o bushel em Chicago, nos contratos para janeiro. O preço foi subindo e encerrou junho em US$ 16, o que representa uma alta de 34% em seis meses. Desde então, registrou uma queda de 41,8% em apenas quatro meses (até 30 de outubro) e de 22,1% no acumulado do ano.

“A questão agora é saber em que ponto vão parar os preços e a quantidade exportada”, afirma Francisco Pessoa Faria, economista da LCA Consultores. “Não dá para saber se esse é o preço definitivo. O mercado pode não estar representando bem o que vai acontecer.”

Ele acrescenta que cada commodity deve reagir de forma diferente em relação à alta do dólar. Vai depender, entre outros fatores, do impacto que o dólar terá no preço dos fertilizantes.

Mineração

No caso do minério de ferro, o preço pode cair pela primeira vez em sete anos. “Agora, há quem fale em 0% (de variação no preço para o ano que vem), outros falam em queda de 20%”, afirma Faria.

O preço do minério de ferro deve refletir, em menor grau, a queda do preço do aço, de acordo com Faria.

Na última sexta-feira (31), a Vale anunciou a redução do ritmo de produção da commodity. O economista Paulo Esteves, da Gradual Corretora, considera “positiva” a decisão da companhia, pois pode ajudar a segurar o preço do minério de ferro.

“O setor de mineração é oligopolizado. O que a Vale está fazendo é o que a Opep faz com o petróleo.” Ele se refere às decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo de diminuir a produção da commodity quando os preços caem. “A Vale tem força para isso”, afirma.

Indústrias

Os exportadores de produtos manufaturados tendem a sofrer mais que os de commodities agrícolas, segundo o economista Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios.

“O setor agrícola é mais estruturado e tem linha oficial de crédito. Já para comprar avião, é preciso um financiamento especial. Produtos com maior valor agregado dependem mais de financiamento obtido pela própria empresa.”

As montadoras de automóveis instaladas no país também devem ser afetadas de forma mais significativa pela crise internacional, na avaliação de Leite. O motivo é que o Brasil exporta veículos para países desenvolvidos, principalmente os da Europa.

Leite ressalta, no entanto, que “o problema (dos exportadores brasileiros) é momentâneo e será resolvido”.

Fonte: UOL


Conjuntura também afeta as operações no exterior

Novembro 4, 2008

Se para renovar as emissões de dívida no mercado interno já está difícil, rolar os papéis no exterior, neste momento, parece uma missão quase possível.

As empresas brasileiras têm US$ 2,22 bilhões em bônus e emissões de médio prazo (Mid Term Notes) vencendo entre outubro e março de 2009. Das 19 operações, sete são de bancos médios, que acessavam freqüentemente o mercado externo como alternativa para captar recursos.

De acordo com o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Luiz Fernando Resende, com a retração da liquidez, o mercado para emissão de bônus ficou praticamente fechado, com os investidores buscando ativos mais líquidos.

Para Resende, as empresas que estão capitalizadas acabarão optando por liquidar suas dívidas em moedas estrangeiras e resgatar os títulos. Outra alternativa seria rolar essa dívida por meio de emissões no mercado local.

– Porém, essas operações deverão sair com custos mais elevados e prazos mais curtos – afirma.

No caso dos bancos médios, que não podem fazer a oferta de notas promissórias ou debêntures, a captação no mercado interno via emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDB) está mais restrita, uma vez que as taxas estão muito elevadas.

– A opção para os bancos médios que estão com papéis vencendo lá fora seria diminuir o crescimento da carteira de crédito ou vendê-las para os bancos grandes para fazer caixa e resgatar as emissões – destaca Resende.

Mais em conta

Uma das instituições de médio porte que aproveitou-se do momento para recomprar parte de sua dívida foi o Pine. Dos US$ 150 milhões em dívida assumida que o banco terá de rolar até julho de 2010, já recomprou quase 10%.

– O ambiente é adequado para esse tipo de operação. O cenário de turbulências faz com que investidores institucionais tenham de vender
Fonte: Jornal do Brasil


Conselho de Ministros da Camex se reúne hoje no MDIC

Novembro 4, 2008

O Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) se reúne hoje (4/11), pela quinta vez neste ano, às 15h, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A Camex é um órgão interministerial e a instância máxima de deliberação do Governo Federal em matéria de comércio exterior. O órgão é composto de sete ministérios. São eles: Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC); Fazenda (MF); Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG); Relações Exteriores (MRE); Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); Desenvolvimento Agrário (MDA); e Casa Civil (CC).

Após a reunião, a secretária-executiva da Camex, Lytha Spíndola, concederá briefing para os jornalistas. (Leia link)

Fonte: MDIC


Queda da demanda mundial reduz alta das exportações

Novembro 4, 2008

Redução das exportações em outubro ante setembro foi de 7,5%

A redução da demanda mundial já impactou o resultado da balança comercial brasileira em outubro. Segundo o secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, o crescimento das exportações e das importações “está sendo resfriado”.

— A queda nas exportações em relação a setembro foi maior que nos outros anos e o aumento das importações foi bem menor do que nos anos anteriores — afirmou.

Ele acrescentou que o governo esperava um aumento maior das importações em outubro por causa das compras de fim de ano. De acordo com os dados do ministério, nas importações, houve um crescimento de 0,2% em outubro na comparação com setembro, enquanto nos anos anteriores foi registrado um crescimento entre 2% e 3%.

Já a queda das exportações em outubro ante setembro foi de 7,5%, enquanto nos dois anos anteriores a redução atingiu 3,9% na mesma comparação.

Dólar

Barral disse que no caso das vendas externas a volatilidade cambial está levando os compradores de produtos brasileiros a evitarem o fechamento de contratos com pagamento futuro. Barral disse que é o caso, por exemplo, de produtos como celular, caminhões e aço.

— Há o receio das empresas em fechar contratos de médio prazo por causa da volatilidade do dólar. As empresas estão tentando renegociar preços para compensar o aumento do dólar no Brasil — disse o secretário.

Na comparação com setembro, houve uma queda também em volume de aviões, soja em grão e etanol, mas, segundo Barral, essa redução se deve a fatores sazonais. Em relação às commodities, o secretário informou que o alumínio foi o único produto da pauta exportadora brasileira que teve um grande decréscimo de preço em relação a setembro (9,3%).

Bens de consumo

Em relação às importações, o secretário informou que as compras de bens de consumo cresceram 30,2% em outubro ante outubro de 2007 e tiveram uma queda de 5,6% ante setembro do ano passado.

Barral afirmou que o governo esperava um desempenho muito maior das importações em outubro, principalmente de produtos não-duráveis, por causa da ceia de Natal. As importações de não-duráveis subiram 11,7% em relação a outubro de 2007 e caíram 13,4% na comparação com setembro de 2008.

Barral informou que em outubro 2007 as importações de bens não-duráveis subiram 35,2% ante outubro de 2006 e 10,3% em relação a setembro.

— Por causa do dólar, está havendo uma cautela maior do importador. O varejista corre o risco de o consumidor preferir o produto nacional — avaliou.

— A ceia de Natal vai ter menos importados. A crise vai mostrar como tem produtos de qualidade produzidos no Brasil — completou.

Apesar do arrefecimento no crescimento em relação ao desempenho dos últimos meses, as exportações de US$ 18,512 bilhões registradas no mês passado foram recorde para meses de outubro.

Da mesma forma, as importações, que somaram US$ 17,305 bilhões, também foram recorde para meses de outubro. A balança comercial registrou superávit de US$ 1,2 bilhão em outubro, acumulando no ano um saldo positivo de US$ 20,8 bilhões.
Fonte: Zero Hora


Governo brasileiro aposta mais em Doha do que em acordo com os EUA

Novembro 4, 2008

O governo brasileiro está mais interessado ainda na Rodada Doha, apesar de suas dificuldades, do que num acordo de comércio com os Estados Unidos, disse ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, enquanto o resto do mundo aguarda a nova orientação comercial do futuro governo em Washington. “Não vamos nos fechar a outras negociações, mas insistimos em Doha, porque achamos que é do dever de quem se preocupa com a ordem internacional, com o comércio internacional sujeito a regras, com abertura comercial mais justa.”

Para o ministro, o Brasil continua achando que a Rodada Doha, na Organização Mundial de Comércio (OMC), seria uma “base muito importante para uma negociação bilateral (depois)”. No momento, uma negociação do Mercosul com os EUA está na “agenda virtual”, ou seja, não existe.

O ministro insiste em apostar na Rodada Doha quando os sinais são pessimistas, como ele mesmo admitiu ontem. Há dez dias, segundo o ministro, articuladores começaram a planejar uma reunião ministerial para dezembro, para tentar fechar o acordo agrícola e industrial depois da eleição nos EUA e da eleição no Estado indiano do ministro de Comércio, Kamal Nath.

Só que, nos últimos dias, o ambiente piorou em Genebra. Uma reunião de vários embaixadores, ontem, mostrou pouco apoio à idéia de reunião ministerial. Teve embaixador falando de “suicídio”, porque simplesmente não existiria tempo para um entendimento até dezembro sobre corte de tarifas e de subsídios agrícolas e industriais. “O que sei é que, pelas conversas do presidente Lula com outros chefes de Estado, há um sentimento geral de que uma conclusão positiva de Doha ajudaria a melhorar a situação criada com a crise financeira”, afirmou.

Apesar da atmosfera mais pessimista em Genebra, sem saber ainda a razão precisa, Amorim disse que muito pode depender do impulso que os chefes de Estado e de governo podem dar na reunião de cúpula do dia 15, em Washington.

O Brasil propôs a participação do diretor da OMC, Pascal Lamy, na reunião, mas não recebeu resposta. “Falta muito pouco para concluir um acordo, só mesmo por muita insensatez não se conclui. Agora, sempre tem pontinhos que doem no calcanhar de um ou outro, e será necessário um impulso politico forte. Se depender de nós, virá.”. Indagado se o “nós” representava o Mercosul, Amorim respondeu: “Se depender do Brasil, (o impulso) virá”. (AM)
Fonte: Valor Econômico


OMC quer que banco privado ajude a financiar exportação

Novembro 4, 2008

Assis Moreira, de Genebra

A seca de crédito para o comércio internacional de bens e matérias-primas é um problema que pode persistir no longo prazo e bancos privados e instituições oficiais esboçam soluções para discutirem no dia 12 na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Uma idéia em exame é fazer os bancos regionais de desenvolvimento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ou nacionais, como o BNDES, atuarem mais no co-financiamento com bancos privados para ajudar os exportadores que atualmente enfrentam sérios problemas de financiamento.

Assim, o risco das operações seria repartido entre os setores público e privado, desde que os atores realmente tenham as mesmas informações entre eles, segundo fontes próximas da OMC. Tanto o crédito secou para exportar, como importadores têm dificuldades no acesso a letras de crédito, um instrumento básico nas operações de comércio exterior.

O BNDES começou a discutir com bancos privados que atuam como seus agentes financeiros a possibilidade de compartilhar parte do risco nas operações de comércio exterior. Hoje nas linhas do BNDES-Exim, o braço de exportação do BNDES, os agentes correm 100% do risco nas operações. Isso significa que, em caso de inadimplência pelo tomador do empréstimo, o risco para o BNDES é quase zero. A responsabilidade é toda do agente.

Agentes financeiros do BNDES confirmaram que houve reunião na sede do banco, no Rio, semana passada, para discutir o assunto. Um dos temas em pauta é a redução do percentual de risco hoje nas mãos do agente financeiro que repassa as linhas do BNDES-Exim. Se o BNDES assumisse parte do risco, os bancos privados seriam beneficiados. Teriam o seu risco mitigado e poderiam reduzir taxas nos empréstimos, disse representante de um dos agentes.

Mas há dúvidas se esse novo modelo, com fianças do BNDES, seria ágil o suficiente para manter a competitividade das linhas de apoio à exportação. Há receio de que a análise de risco do cliente, pelo BNDES, seja muito demorada. O BNDES-Exim prevê desembolsar entre US$ 5,5 bilhões e US$ 6 bilhões este ano. De janeiro a agosto, o banco desembolsou US$ 3,39 bilhões nas linhas de exportação. O banco financia a produção e a venda dos produtos a serem exportados, sobretudo bens de capital.

Pela tendência identificada na OMC, o problema pode ser de longo prazo, no rastro da crise financeira global. É que os bancos em geral se distanciaram progressivamente de suas atividades tradicionais, como os empréstimos, para se lançar em atividades financeiras mais arriscadas e na maioria parte das vezes, fora dos balanços.

O que se constata agora é que bancos tinham os créditos a exportação, em geral de curto prazo, justamente fora do balanço. E agora, para trazer de volta das operações para seus balanços, precisam de recapitalização.

O resultado é que os mais expostos nas operações de comércio exterior duplicaram o custo para o exportador, exigem mais garantias e são mais seletivos.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, convocou uma reunião para a semana que vem com um grupo de bancos privados, como HSBC, Royal Bank of Scotland, JP Morgan e Commerzbank, além do FMI, Banco Mundial, agências oficiais de crédito e bancos regionais de desenvolvimento. O BNDES é o único banco nacional de desenvolvimento convidado.

A OMC quer examinar até que ponto o problema é de longo prazo e a partir daí uma das idéias é acionar os chefes de Estado e de governo que vão se reunir no dia 15 em Washington para discutir a crise financeira global.

Está claro que as agências oficiais de crédito já trabalham bastante com bancos privados. Mas o mesmo não acontece com os bancos regionais de desenvolvimento. Uma das idéias é que os lideres políticos pressionem o BID ou o Banco Asiático de Desenvolvimento ou mesmo o Banco Mundial para serem mais ativos no co-financiamento com o setor privado.

Para a OMC, se já há recessão econômica em vários países de peso, o que menos se deve querer agora é o “entupimento” do comércio internacional. Uma das preocupações é com o custo do financiamento, quando existe, para pequenas e médias empresas.

O Brasil foi o primeiro país a acionar a OMC, inquieto com a falta de financiamento à exportação. Ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, parecia mais positivo. Mencionou a queda de juros no mercado interbancário e acha que a operação de “swap” de US$ 30 bilhões entre o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve, dos Estados Unidos, pode ter efeito positivo para os exportadores.

Enquanto isso, a falta de crédito comercial está tendo efeito desastroso no transporte marítimo, segundo informou o jornal “Times”, de Londres. A maior empresa global de contêineres, a dinamarquesa Maersk, acusa os bancos de causar estragos no setor. (Colaborou Francisco Góes, do Rio)
Fonte: Valor Econômico


Amorim cobra ‘relação adulta’ com EUA

Novembro 4, 2008

Chanceler diz que não há espaço para intervenções na América do Sul
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse ontem em Genebra, na Suíça, que o próximo presidente dos EUA deve manter um “relacionamento adulto” com a América do Sul. Segundo ele, o próximo ocupante da Casa Branca terá de entender que não há mais lugar para intervenções externas nos países sul-americanos, nem para o embargo contra Cuba; e que a região manterá seu processo de integração.
Amorim assumiu que “o Brasil terá de lidar com seja qual for o próximo presidente” e lembrou que “as preferências pessoais podem existir, mas isso não altera a relação de estado”.
O chanceler referiu-se às relações do atual presidente americano, George W. Bush, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como de “respeito” e de “pragmatismo” e, apesar da neutralidade oficial, não deixou de manifestar simpatia pela origem da família do candidato democrata, Barack Obama, cujo pai e os avós maternos são do Quênia, no leste da África: “ter um presidente americano com uma avó africana é uma imagem forte”.
Para ele, o governo americano sabe que o processo de integração regional continuará na América do Sul. Amorim também deixou claro que quebrar a tradição americana de interferir na região será um desafio para o próximo presidente.
Ele ainda condenou o embargo contra Cuba e pediu maior diálogo com Havana por parte do próximo governo. “Embargos não são coisas positivas. Uma atitude mais flexível em relação à Cuba seria bom”, recomendou. Para ele, isolamentos só podem ser aceitos em situações extremas. “Um caminho de maior diálogo poderia ocorrer”, disse em relação a Havana.
“Quando Lula assumiu, alguns jornais americanos chegaram a falar que o Brasil entraria para o eixo do mal. Mas a realidade é que o diálogo foi positivo. O Brasil tem influência na região e os EUA reconheceram e acharam isso até positivo”, explicou Amorim.
O chanceler admite que nem sempre a relação foi tranqüila. Um ponto negativo lembrado pelo ministro foi a decisão da criação da Quarta Frota da Marinha militar americana para a América do Sul.
“Politicamente, isso não foi um bom sinal. Isso significa que consideram a região como um local de instabilidade. Essa não foi a melhor idéia”, alertou.
Amorim, porém, reconheceu que a Casa Branca telefonou na época
Fonte: O Estado de São Paulo


Chanceler diz que não há espaço para intervenções na América do Sul

Novembro 4, 2008

A montadora indiana Mahindra, parceira do grupo brasileiro Bramont na produção do utilitário Scorpios, em Manaus, quer usar a unidade como base de exportação para toda a América do Sul. O vice-presidente mundial da montadora, Pravin Shah, disse ontem em São Paulo que o grupo pode ampliar a parceria com a Bramont (hoje restrita ao fornecimento de tecnologia) ou investir dinheiro próprio na expansão dos negócios no País.
Fonte: O Estado de São Paulo