Rio de Janeiro – O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) quer que o governo revogue uma decisão tomada em 2005, que incluía 15 produtos derivados do aço em uma lista de exceção. Desses, dez continuam entrando no país com alíquota zero de imposto. Para o IBS, isso vem propiciando o avanço do aço chinês no mercado brasileiro.
Em entrevista à Agência Brasil, o vice-presidente-executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes, disse que a revogação da medida fortalecerá o mercado externo e evitará a entrada do aço chinês no país. Para ele, a decisão foi tomada equivocadamente, porque, na época, não havia especulação de preços, nem desabastecimento no mercado interno.
Hoje, com a crise financeira internacional e algumas economias já em processo de recessão, seria “ingenuidade” do governo manter essa isenção tarifária no contexto atual, afirmou.
Lopes explicou que não se trata de pedido de salvaguarda para os produtos nacionais, nem de aumento das tarifas de importação. O que se reivindica é a volta das tarifas cobradas antes de 2005 e que variavam de 12% a 14%, dependendo do produto. “É um direito do setor, que tem que ser restituído para garantir o mercado interno neste momento de crise. Todos os setores têm esse tipo de proteção. No caso dos automóveis, por exemplo, o tributo sobre os importados chega a 35% do valor do bem”, disse.
Segundo ele, o que diferencia, hoje, a economia brasileira de outras é exatamente a força do seu mercado interno. “Apesar da crise internacional, ainda temos um mercado interno forte, que tem que ser preservado. Algumas economias já estão com crescimento zero ou em processo de recessão. Se temos este fator diferenciador, que é o mercado interno, ele tem que ser preservado.”
De acordo com Lopes, o IBS apóia as medidas de incentivo a setores como a construção civil, o automotivo e o de bens de capital. Para ele, os programas de investimento da Petrobras na perfuração em águas profundas e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) mostram que é possível manter o crescimento do mercado interno em boas condições. Para isso, ressaltou, é preciso estimular o consumo e não deixar desprotegidos setores estratégicos para o crescimento da economia nacional.
O dirigente do IBS citou dados do setor siderúrgico que mostrou que as exportações chinesas para a América Latina cresceram 23%, e, no resto do mundo, a expansão foi de 9%. As exceções são o México, com queda de 42% nas importações chinesas, e a Venezuela, com queda de 76%. “Isso aconteceu porque são economias que tomaram medidas preventivas. No México, adotaram-se medidas antidumping contra os produtos chineses. Na Venezuela, há restrições impostas pelo câmbio e pela saída de divisas.”
Lopes disse que, como outros segmentos, o setor siderúrgico enfrenta problemas decorrentes da restrição ao crédito e, por isso, reafirma a importância de se defender o mercado interno de práticas desleais de comércio, cuja tendência é se intensificar nesse momento de crise financeira.
Fonte: Agência Brasil
Escrito por Guilherme Oliveira
Escrito por Guilherme Oliveira
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