Amorim defende participação da América Latina e do Caribe em discussões sobre crise

Outubro 6, 2008

Rio de Janeiro – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu hoje (6) a participação dos países da América Latina e do Caribe nas discussões sobre a crise financeira mundial. Ao participar de uma reunião de chanceleres da região, no Rio de Janeiro, Amorim disse que os países não podem ficar de fora de decisões que os afetem.

“É preciso que América Latina e Caribe façam ouvir a sua voz nesse tema que é tão importante para todos. Não é mais possível que nós sejamos aqueles que passivamente sofrem os efeitos da crise nos grandes centros econômicos”, disse o ministro, ao citar uma frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Não podemos ser apenas periferia”, afirmou Amorim.

A reunião no Rio é preparatória para a Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento, que será realizada nos dias 16 e 17 de dezembro em Salvador.

Durante o encontro, estão sendo discutidas formas de promover parcerias entre os países da América Latina e do Caribe em áreas como comércio exterior, segurança alimentar, combate à fome e à pobreza, mudanças climáticas e biocombustíveis, assuntos que também devem ser discutidos na cúpula em Salvador.
Fonte: Agência Brasil


Acnur faz encontro anual do Comitê Executivo em Genebra

Outubro 6, 2008

Brasília – O encontro anual das 76 nações que participam do Comitê Executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) começa hoje (6) no Palácio das Nações, em Genebra, na Suíça. A reunião de cinco dias tem como objetivo revisar e aprovar os programas e orçamentos do Acnur e discutir temas relacionados à proteção de refugiados.

A abertura será feita pelo Alto Comissário António Guterres às 10h. Em seguida, será divulgado documento com os principais pontos da sessão. O texto completo de sua fala estará disponível no site do Acnur em inglês (www.unhcr.org). O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Jakob Kellenberger, também participará da abertura da reunião.

No encerramento da sessão desta segunda-feira, será realizada a cerimônia de entrega do prêmio anual Nansen Refugee Award a Christopher Clark, chefe do programa das Nações Unidas Mine Action no Sul do Líbano, pelos seus esforços na proteção de refugiados e deslocados internos dos perigos de munição.
Fonte: Agência Brasil


Especialistas discutem tendências e ciclos econômicos nos países do Bric

Outubro 6, 2008

Brasília – A Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) promovem hoje (6) o workshop Sondagem de Tendências e Ciclos Econômicos nos Países do Bric [grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China]. Durante o encontro, que começa às 9h30 na Bolsa de Valores do Rio, será discutida a consolidação desses sistemas tomando como referência as quatro mais significativas economias emergentes.

Especialistas como o economista Ataman Ozyildirim, diretor de Pesquisa Econômica do Conference Board, em Nova York, e Gernot Nerb, chefe do Instituto IFO, da Alemanha, participam dos debates.

Estarão em debate temas como o status do ciclo de negócios nos países, a comparação entre as diferentes metodologias de levantamento de dados adotadas em economias industrializadas (com o modelo europeu como referência), fontes de financiamento para a implementação e o aprimoramento de pesquisa nos países em desenvolvimento e as possibilidades de divulgação desse tipo de estatística de forma útil e eficaz.


Exportador: vendas até 15% menores

Outubro 6, 2008

Setor mira mercado interno. AEB prevê perda de US$13 bi, após 9 anos de alta

Bruno Villas Bôas

Com a piora da crise americana e a desaceleração da economia mundial, exportadores brasileiros decidiram rever mais uma vez suas projeções para 2009. A conclusão é que a redução da demanda de economias desenvolvidas – principalmente EUA e Europa – afetará os embarques em até 15%, com escassez de crédito e alta do dólar. A solução está dentro de casa, com o redirecionamento para o mercado doméstico.
A lógica é simples: embora deva crescer menos em 2009, o Brasil ainda deverá ter crescimento acima da média mundial. A Braskem, fabricante de matéria-prima para a indústria de plásticos, prevê queda de 15% nos embarques – de 400 mil toneladas previstas em 2008 para 350 mil toneladas em 2009.
- A piora da crise afetará o consumo lá fora. A tendência é de queda nas exportações. Por outro lado, o Brasil continua com crescimento ainda forte – diz Ulisses da Silva, gerente de Negócios da Braskem.
A CSN estima que as exportações representarão apenas 5% das vendas da siderúrgica em 2009. Em 2007, os embarques foram 33% das 5,38 milhões de toneladas vendidas. Em 2008, a fatia exportada já caiu para 8%.
Segundo Manuel Alvarez, gerente comercial de Exportação da CSN, o foco da empresa será o mercado doméstico:
- Vamos exportar o mínimo necessário apenas para manter presença internacional.
Cálculo prévio da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) indica que as exportações brasileiras deverão cair, no mínimo, 7% em 2009, dos US$197 bilhões de 2008 para US$184 bilhões, a primeira queda após nove anos de crescimento.
Segundo o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, o acesso ao capital estrangeiro está mais caro e praticamente fechado desde setembro, o que também pode afetar as exportações: o crédito à exportação pego lá fora, que custava de 4% a 4,5% do valor vendido, passou para taxas de 15%, em média.
O aumento do custo do crédito já afeta exportadores, segundo dados do Banco Central. O Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) – instrumento de crédito a exportações composto basicamente por recursos do exterior – ficou quase estável no ano até agosto, embora as exportações tenham crescido 27,7% no período. Com menos crédito de fora, empresas recorrem mais ao BNDES. No ano até agosto, os recursos liberados aos exportadores cresceram 31%, frente a igual período de 2007, para US$3,4 bilhões.
Fonte: O Globo


Drawback verde-amarelo

Outubro 6, 2008

Com o real valorizado, as exportações só vêm se mantendo nos setores em que houve um enorme ganho de produtividade para compensar a perda com o câmbio.

Por isso, não é de hoje que boa parte das indústrias brasileiras que destinavam 100% do que produziam para a exportação passou a lançar produtos no mercado interno. Procuram, assim, aproveitar a demanda aquecida para compensar parte da perda de receita nas vendas externas.

Além de buscar estratégias para reforçar as exportações para países que pagam em euro, as empresas procuram desenvolver novos produtos para o mercado interno. Mas muitas vezes essas estratégias não são bem-sucedidas porque o mercado nacional ainda não tem capacidade para absorver todos os produtos que as empresas deixam de vender para o exterior em razão da valorização do real.

De tanto ouvir queixas dos exportadores e diante das notícias pouco animadoras sobre a crise do setor financeiro norte-americano, o governo finalmente deu sinais de que procura medidas para aliviar a carga tributária num momento especialmente difícil. Uma dessas medidas foi a publicação da Portaria Conjunta nº 1460, de 18/9/2008, que regulamenta o drawback verde-amarelo, que entrou em vigor dia 1º de outubro.

A partir dessa data os exportadores brasileiros podem pedir a suspensão de tributos federais – Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – para a compra de insumos nacionais (matérias-primas, partes, peças e componentes) destinados à produção de bens exportáveis. Para usufruir do benefício, os exportadores deverão fazer o pedido de ato concessório à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), conforme especificações contidas na portaria.

Não é a solução para todos os males, mas uma desvantagem a menos para a empresa nacional em relação aos competidores no mercado internacional. Não se pode esquecer, porém, que o poder de competição dos produtos nacionais também é prejudicado pelo Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência dos governos estaduais, que até agora não se mostraram dispostos a acompanhar a iniciativa do governo federal.

É de lembrar que as mercadorias são isentas desse tributo quando destinadas ao mercado externo, mas não há isenção do ICMS nem para os insumos nem para a compra de máquinas e equipamentos, embora haja um crédito recuperável em 48 meses, o que, aliás, não ajuda muito. Além disso, as máquinas burocráticas dos Estados não são exemplo de agilidade na devolução dos créditos acumulados por empresas exportadoras. Pelo contrário.

O drawback tradicional, conhecido há décadas no País, é um mecanismo que tem por objetivo propiciar ao exportador a possibilidade de adquirir, a preços internacionais e desonerados de impostos, os insumos incorporados ou utilizados na fabricação do produto exportável. Assim, o regime de drawback permite a importação de insumos sem o pagamento do Imposto de importação, do IPI e do ICMS.

Bem ou mal, o mecanismo sempre funcionou, embora apresente distorções, como a importação de matérias-primas e bens intermediários disponíveis no País, criando uma situação injusta para uma parte dos produtores nacionais. Com a regulamentação do drawback verde-amarelo pela Cacex, essa distorção deve ser corrigida.

A questão, porém, é que, apesar do alívio que o drawback verde-amarelo pode representar para alguns exportadores, o Brasil ainda suporta uma carga tributária escandalosamente pesada, tanto em relação a pessoas jurídicas como a pessoas físicas, que o impede de crescer.

Ao sugar excessivamente as empresas e os cidadãos e aplicar mal esses recursos, o Estado só contribui para que o País continue a desenvolver o que o economista chileno Sebastián Edwards, professor da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) e consultor econômico do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, já definiu como “economia da melancolia”, ou seja, uma trajetória sem crises, mas também sem crescimento. Para mudar por completo esse quadro só mesmo uma reforma tributária para valer aprovada pelo Congresso.

*Milton Lourenço é diretor-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP E-mail: fiorde@fiorde.com.br

Fonte: O Estado de São Paulo


Exportações já cresceram 132%

Outubro 6, 2008

As indústrias do Distrito Federal exportaram US$ 134,4 milhões entre janeiro e setembro de 2008.

Esse volume representa um crescimento de 132,12% em comparação com os nove primeiros meses de 2007 quando foram enviados para o mercado internacional US$ 57,9 milhões em produtos. Esses índices preliminares foram divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A balança comercial consolidada por unidade da federação deve ser divulgada na próxima semana. Segundo Antonio Rocha. presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra), os números são significativos.

– Estamos vendo o retorno de um trabalho que vem permitindo a inserção das indústrias brasilienses no mercado internacional. Com a valorização do dólar frente ao real, os exportadores brasilienses vão ter resultados ainda melhores – garante Rocha

Melhor performance

Para o presidente da Fibra, até o momento a entidade não tomou conhecimento sobre dificuldades das empresas em conseguir crédito nos mercados mundiais para exportarem.

-Em setembro, as vendas externas ficaram em US$ 20,9 milhões, mostrando um aumento de 231,74% em relação aos US$ 6,3 milhões registrados em igual período do ano passado e +7,06% em relação aos US$ 19,521 milhões de agosto deste ano – comemora o empresário.

Segundo Rocha, as exportações das indústrias brasilienses, que começaram o ano de 2008, com US$ 11 milhões ao mês entre janeiro e março, vêm obtendo um incremento significativo desde julho, quando superou a marca de US$ 20 milhões ao mês.

– Este resultado verificado em setembro representa a melhor marca do Comércio Exterior dos últimos meses – explica, reforçando que os números preliminares são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

O maior comprador

Por causa do crescimento das exportações das indústrias do DF, técnicos da Fibra avaliam que se forem mantidos os resultados verificados até o momento, as vendas externas podem chegar a US$ 190 milhões neste ano. Entre os produtos mais fortes na linha de exportação estão as carnes de frango e miudezas. Segundo os técnicos, até o mês de agosto, a Sadia havia enviado para o mercado internacional US$ 78,237 milhões, totalizando 68,68% das vendas entre janeiro e agosto. Os grãos de soja representam o segundo produto. Nos oito primeiros meses do ano, a Multgrain vendeu US$ 14,620 milhões.

O presidente da Fibra informa que a Venezuela é o país que mais compra produtos das indústrias locais, sendo que de janeiro a agosto, ele importou US$ 49,841 milhões, totalizando 43,75%, do volume financeiro total.

– Ainda devemos aguardar os números consolidados que devem sair dentro dos próximos dias. De qualquer maneira, os dados iniciais são bem animadores – argumenta Rocha. (L.C.)

Fonte: Jornal do Brasil


Chávez agora estimula criação de moedas locais

Outubro 6, 2008

Empenhado em desenvolver um modelo econômico de “produção socialista” na Venezuela, o presidente Hugo Chávez está estimulando a criação de “moedas comunais” para facilitar as operações de escambo, legalizadas por ele há dois meses. Analistas, porém, acreditam que a medida pode degradar ainda mais a já combalida economia venezuelana, cujo índice inflacionário de 18,7% ao ano é um dos maiores da América Latina.
A Lei para o Fomento e o Desenvolvimento da Economia Popular foi aprovada por Chávez em 31 de julho, e ela autoriza as comunidades organizadas em “grupos de intercâmbio solidário” a criar seu próprio símbolo monetário, escolher um nome e estabelecer seu valor por equivalência ao bolívar forte, moeda nacional em vigor desde janeiro. No entanto, essas moedas só poderão ser utilizadas nas regiões em que foram criadas, perdendo o valor no âmbito nacional, já que algumas das regiões venezuelanas têm suas próprias moedas desde o ano passado.
“A criação das moedas é uma das loucuras do governo, que tenta encobrir o problema da inflação”, disse, por telefone, o economista venezuelano José Toro Hardy, ex-diretor da estatal petrolífera PDVSA.
Chávez exemplificou o processo de troca: “Se sou produtor de bananas, me incorporo como produtor e consumidor, assim, troco minhas bananas por 10 zambos (moeda local) e esses 10 zambos são equivalentes a alguns tomates e um frango.” Para Chávez, o sistema incorpora o cidadão ao “mercado socialista”, que realiza trocas igualitárias sem a “exploração” do sistema capitalista.
“A probabilidade de essas moedas funcionarem é pequena porque elas apenas fazem parte da utopia socialista de Chávez”, afirmou Roberto Bottome, diretor do semanário Veneconomia.
A iniciativa não é nova. Durante quase três anos (de 2001 a 2003), a Argentina teve 14 moedas paralalelas, além do peso – a moeda nacional. Emitidas pelos governos provinciais, eram usadas como se fossem dinheiro normal. Elas foram a alternativa encontrada pelas províncias para driblar a maior crise econômica e social da história do país. A idéia acabou abandonada por ter desorganizado ainda mais a economia argentina.
O economista Ronald Balza, da Universidade Católica Andrés Bello, explica que as moedas locais dificultam a mobilidade da população, deixando-a presa à sua comunidade. “Essas moedas recordaam as fichas com as quais os fazendeiros pagava
Fonte: O Estado de São Paulo