Lula diz que Brasil está tranqüilo em relação à crise internacional

Outubro 4, 2008

São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse agora à noite, durante comemoração dos 70 anos do Sindicato dos Químicos, em Santo André, na região do ABC paulista, que o Brasil está tranqüilo em relação à crise internacional. “Temos US$ 207 bilhões, que é bem mais do que o que devemos, pagamos o FMI e hoje estamos tranqüilos para enfrentar a crise, porque temos o nosso Fundo Soberano.”

Lula afirmou que os políticos devem parar de criticar seu governo. “Se as pessoas deixassem de mexericar o problema dos outros, o mundo seria mais feliz. São iguais aqueles que olham o filho do vizinho e não olham para o seu. Quando acordam, o seu filho tem um problema maior do que o do vizinho.”

Segundo o presidente os Estados Unidos são um bom parceiro comercial, mas não são o único. “Há 20 anos, os americanos correspondiam a 30% das nossas exportações e hoje são 15%. Em compensação, temos com a Argentina US$ 35 bilhões em negócios hoje, contra US$ 9 bilhões de 20 anos atrás. Com a China, temos US$ 35 bilhões, e com a África, que não tínhamos [trocas comerciais], hoje temos US$ 17 bilhões.”

“A gente olha a crise, mas com tranqüilidade, por causa da nossa boa carteira de exportações”, disee o presidente. Lula afirmou ainda que não fará pacote econômico. “No meu governo não terá pacote econômico. Terão medidas, porque até hoje nenhum pacote deu certo. Não vou inventar nada e nem causar surpresa, mas sempre vou olhar com lupa para não causar prejuízo à economia brasileira.”

Fonte: Agência Brasil


Crise norte-americana pode afetar agricultura brasileira, diz produtor rural

Outubro 4, 2008

Brasília – O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho da Silva, afirma que provavelmente o setor do agronegócio vai enfrentar dificuldades como efeito da crise financeira norte-americana. Na avaliação dele, “é uma das mais graves crises da história” que não afetará apenas a agricultura como também outros setores vitais para o desenvolvimento da economia como a produção e venda de veículos.

De acordo com Ramalho, as recentes medidas do Banco Central que facilitaram as operações de crédito no país ajudaram a agilizar a liberação de recursos referentes aos contratos de crédito rural pelo Banco do Brasil. Ele afirmou, no entanto, que mesmo antes da crise desencadeada nos Estados Unidos, o setor já vinha com problemas de endividamento e escassez de recursos.

Para o presidente da instituição, o plano anunciado pelo governo federal de um aporte para a próxima safra de R$ 65 bilhões para as empresas e outros R$ 13 bilhões para a agricultura familiar vai estimular o setor, mas não atende a todas as necessidades dos agricultores.

Com a comercialização globalizada e o Brasil detendo 30% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola comercializado internacionalmente, o representante do setor prevê desaceleração do consumo mundial. Ele explicou que a fuga dos investidores em commodities (produtos com cotações no mercado mundial) para outras opções mais seguras, implica  prejuízos das operações com as trading, que são fontes de financiamento de fertilizantes, sementes e adubos.

A turbulência no mercado mundial foi acentuada após o pedido de concordata do banco de investimentos dos Estados Unidos, Lehman Brothers, e a negociação de compra do Merril Lynch pelo Bank Of America, seguradora AIG, no início da segunda quinzena do mês passado.

Para Ramalho, o plano proposto pelo governo norte-americano de injetar US$ 700 bilhões nas instituições financeiras surgiu como para “contemporizar, diminuir os efeitos de um incêndio ou impedir que o doente morra”, mas não será suficiente para conter a desaceleração mundial.

Fonte: Agência Brasil