Crise financeira marca discursos na abertura da Assembléia Geral da ONU

Setembro 23, 2008

Nova York (Estados Unidos) – Como já era previsto, a crise financeira mundial foi um dos principais temas abordados na abertura da 63ª Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. Mas apesar das expectativas, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, falou pouco sobre o assunto, tentando tranqüilizar os líderes mundiais presentes ao encontro.

Bush lembrou a injeção de recursos do governo americano no sistema financeiro e o envio de um pacote para o Congresso dos Estados Unidos.

“Posso garantir que minha administração e nosso Congresso estão trabalhando juntos para aprovar rapidamente essa estratégia”, afirmou.

O presidente norte-americano disse que os países devem renovar o compromisso de abrir suas economias e lutar contra o isolamento econômico.

“Esses objetivos estão sendo testados pela turbulência nos mercados financeiros mundiais. Nossas economias estão mais conectadas que nunca, e sei que muitos de vocês estão atentos para como o governo dos Estados Unidos irá tratar os problemas em nosso sistema financeiro”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon alertou os líderes mundiais de que a crise financeira pode comprometer o financiamento do desenvolvimento e o gasto dos países ricos com o combate à pobreza e às Metas do Milênio. Ele ressaltou que é preciso restabelecer a ordem nos mercados financeiros internacionais.

“Precisamos pensar como o sistema econômico financeiro deve evoluir para refletir a realidade atual”, disse.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs a realização de uma reunião mundial ainda este ano para tratar da crise, que, segundo ele, foi a mais grave desde os anos 30.

Depois da abertura do encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que esperava que Bush fosse abordar a crise econômica e as dificuldades da Rodada Doha.

“Eu achei que ele ia fazer um discurso de despedida e falar um pouco da crise econômica e o que o governo americano pretende fazer. Mas ele fez a opção de voltar a falar de terrorismo”, lamentou Lula.

Em reunião com Ban Ki-Moon, Lula enfatizou a importância de uma reunião imediata do Conselho Econômico e Social da ONU com os ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais de para discutir o assunto.

Fonte: Agência Brasil


Crise internacional não afetará investimentos brasileiros, diz presidente do BNDES

Setembro 23, 2008

São Paulo – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou hoje (23) que o crescimento econômico brasileiro de médio e longo prazos não será afetado pela crise internacional.

“Não há razão para imaginar uma queda ou interrupção do ciclo de investimentos. Talvez a economia possa desacelerar, mas não afetará os conjuntos de investimentos que refletem planos para após 2014″, disse durante palestra na 20º Reunião do Fórum Nacional de Indústria, que ocorre neste momento em São Paulo.

Coutinho reforçou ainda que as exportações devem ser estimuladas, a economia monetária nacional, preservada, e que também é preciso manter as reservar internas. “Elas são nosso colchão protetor da taxa de câmbio e da inflação.”

Fonte: Agência Brasil


Lula cobra da ONU solução para crise financeira mundial

Setembro 23, 2008

Nova York (Estados Unidos) – Diante de mais de uma centena de líderes de todo o mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou da Organização das Nações Unidas (ONU) uma resposta para a crise financeira mundial e criticou os subsídios agrícolas e as barreiras comerciais impostas pelos países ricos.

“Um suposto nacionalismo populista que alguns pretendem identificar e criticar no sul do mundo é praticado sem constrangimento em países ricos”, disse hoje (23), na abertura dos debates da 63ª Sessão da Assembléia Geral da ONU, em Nova York.

O presidente ressaltou que as soluções para a crise financeira devem ser globais e tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis. “Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós.”

Ele disse que a desordem nas finanças internacionais só poderá ser combatida com uma ação determinada dos governantes, especialmente dos países que estão no centro da crise. “A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores”, alertou.

Em seu discurso, Lula criticou a tentativa de associar a alta dos alimentos à produção dos biocombustíveis. “A experiência brasileira comprova que o etanol de cana-de-açúcar e a produção de biodiesel diminuem a dependência de combustíveis fósseis, criam empregos, regeneram terras deterioradas e são plenamente compatíveis com a expansão da produção de alimentos.”

Para o presidente, além de fatores climáticos e da especulação sobre as commodities agrícolas, a inflação dos alimentos é causada pelos aumentos do petróleo, que incidem sobre o custo de fertilizantes e petróleo.

Lula ressaltou que o êxito da Rodada Doha deverá ter impacto positivo na produção de alimentos nos países pobres e em desenvolvimento e disse que é preciso avançar muito para que a humanidade cumpra efetivamente as Metas do Milênio.

Os avanços do Brasil nas áreas econômica e social também foram citados pelo presidente na ONU. “Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza.”

Como em outros anos, Lula foi o primeiro presidente a discursar na abertura da sessão, e falou logo depois do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e do presidente da 63ª sessão, Miguel d’Escoto Brockmann. Também participam da abertura os presidentes dos Estados Unidos, George Bush; da França, Nicolas Sarkozy; e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, entre outros.
Fonte: Agência Brasil


Brasileiros já gastaram US$ 786 milhões no exterior este mês

Setembro 23, 2008

Brasília – O aumento da cotação do dólar não afugentou os brasileiros das viagens ao exterior. Segundo dados do Banco Central, até hoje (23) as despesas de brasileiros no exterior chegaram a US$ 786 milhões e as receitas com estrangeiros no Brasil somaram US$ 320 milhões, o que levou à conta de viagens internacionais a fechar negativa em US$ 466 milhões.

Em agosto, os gastos de brasileiros no exterior somaram os recordes US$ 1,022 bilhão, e no ano US$ 7,862 bilhões.

As despesas de turistas estrangeiros no Brasil somaram US$ 499 milhões em agosto e US$ 3,866 bilhões no ano.

O déficit na conta de viagens foi de US$ 523 milhões em agosto e US$ 3,996 bilhões no acumulado do ano.

De acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, a elevação dos gastos de brasileiros no exterior se deve ao aumento da renda.

“Tem um efeito renda importante, mas vai desacelerar um pouco”, disse.

Esse redução é esperada por conta da expectativa de menor crescimento da economia doméstica e também por causa do aumento da cotação do dólar.

Para este ano, o BC revisou a projeção do resultado negativo da conta de viagens internacionais de US$ 5 bilhões para US$ 6,2 bilhões, com redução para US$ 6 bilhões em 2009.

De acordo com Lopes, se não fosse a crise externa, o déficit no próximo ano seria maior, em torno de US$ 6,5 bilhões.

Fonte: Agência Brasil


Amorim diz que tem esperanças sobre retomada da Rodada Doha em breve

Setembro 23, 2008

Nova York (Estados Unidos) – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje (23) que tem esperança de que as negociações da Rodada Doha sejam retomadas em breve. “O tempo está curto, mas se houver determinação, se as pessoas estiverem dispostas a encontrar soluções e não buscar pretextos para não encontrar soluções, eu acho que é possível”, avaliou.

O chanceler considerou positivo o fato de o presidente dos Estados Unidos, George Bush, ter feito referencia ao assunto durante discurso na abertura dos debates na Organização das Nações Unidas (ONU). “Ele não está dando [a Rodada Doha] como morta, ao contrário de muita gente.”

Amorim disse também que a discussão sobre a entrada do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas poderá ter avanços ainda este ano. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou do assunto hoje com o presidente da 63ª Sessão da Assembléia Geral da ONU, Miguel D`Escorto. O ministro disse que a decisão da Assembléia Geral de negociar a reforma do conselho representa um avanço.

“Às vezes é preciso que haja um fato que catalise e que leve a todos a percepção da urgência. Mas houve uma evolução muito importante. Em 15 anos, foi a primeira vez em que há essa decisão de negociar.”

Amorim informou que Lula falou hoje com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre a necessidade de o órgão estar mais presente na discussão sobre a crise financeira mundial.

O ministro criticou a reativação da Quarta Frota da Marinha Americana. Ele disse que o assunto não foi abordado ontem (22) na reunião que teve com a secretária-geral de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, mas que considera a atitude um erro sob o ponto de vista político. “A percepção não é positiva, pois trata a América Latina e a América do Sul como áreas de crise, coisa que não são”, ponderou.
Fonte: Agência Brasil


Brasil já perdeu US$ 2 bilhões neste mês por causa da crise financeira

Setembro 23, 2008

Brasília – A crise financeira internacional refletiu no saldo da entrada e saída de dólares do país por meio das operações financeiras (investimentos em bolsa e títulos, pagamento de juros, remessa de lucros, viagens internacionais). De acordo com dados do Banco Central, até o dia 19 deste mês, houve saída de US$ 1,955 bilhão.

Os dados divulgados anteriormente, referentes à movimentação até o dia 12 deste mês, mostravam saldo positivo de US$ 725 milhões nas operações financeiras. A crise se agravou no dia 14 deste mês, com o anúncio do pedido de concordata do banco de investimento americano Lehman Brothers. Segundo Lopes, esse número reflete “basicamente o mercado acionário”, mas também o aumento das remessas de lucros e dividendos.

No caso das operações comerciais, o saldo é positivo em US$ 5,414 bilhões, com exportações de US$ 13,334 bilhões e importações de US$ 7,921 bilhões. Mesmo com o resultado negativo das operações financeiras, o saldo total do fluxo cambial está positivo em US$ 3,459 bilhões.

O BC também indica a saída de investimento em ações no país no valor de US$ 1,081 bilhão, enquanto as aplicações em renda fixa registraram ingresso de US$ 818 milhões, neste mês até hoje (23).

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, pode estar havendo migração de ações para renda fixa, mas o país pode também estar atraindo novos investimento para a renda fixa.

A projeção de investimento estrangeiro em portfólio (ações e renda fixa) passou de US$ 25 bilhões para US$ 22 bilhões. “Isso reflete o comportamento do mercado acionário doméstico”, com saída de investidores e redução de preços das ações.
Fonte: Agência Brasil


Governo confirma aumento da meta de exportações para US$ 202 bilhões

Setembro 23, 2008

Brasília – A meta de exportações brasileiras para este ano foi revista para US$ 202 bilhões, segundo informou hoje (23) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A meta anterior, fixada em julho deste ano, era de US$ 190 bilhões. A elevação representa um crescimento de 25,7% em relação ao ano passado.

“É uma meta ambiciosa, porque esperamos que [a média de exportações de set6embro a dezembro] seja superior à dos últimos quatro meses”, disse o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral.

De janeiro a agosto, a média das exportações foi de US$ 16,84 bilhões e a previsão para o período de setembro a dezembro é de US$ 17,78 bilhões.

Entre os fatores que levaram o governo a elevar a meta estão a reacomodação no preço das commodities (produtos básicos comercializados no mercado internacional), a elevação do preço de algumas delas em relação a 2007 – como por exemplo a carne bovina industrializada – e também o aumento da exportação de produtos de alto valor agregado, como aparelhos celulares 3G.

Sobre a possibilidade de a crise nos Estados Unidos afetar ainda neste ano as exportações brasileiras, Barral disse que o efeito será praticamente zero, porque grande parte dos contratos para exportações já está fechada. Ele destacou, porém, que a longo prazo isso poderá representar queda na demanda.

“Uma crise muito grave nos Estados Unidos afetará não apenas parceiros comerciais na América Latina, que são mais dependentes, como é o caso do México, como também outras grande economias, como a Europa e a China. Isso pode gerar um efeito de queda na demanda para alguns produtos e queda nas exportações brasileiras”, explicou.

Segundo Barral, outros fatores que justificam o pequeno efeito da crise sobre as exportações seriam a diminuição da dependência do Brasil do comércio com os Estados Unidos e a diversificação dos pauta de esportações para aquele país. Barral lembrou que, entre janeiro e agosto do ano passado, o Brasil exportou US$ 16,3 bilhões para os Estados Unidos, enquanto no mesmo período deste ano as vendas externas somaram US$ 18,4 bilhões, o que representa um crescimento de 14%.Na mesma comparação, o comércio com a União Européia aumentou 25,8%.

O secretário não fez comentários sobre a meta para o próximo ano. Ele se limitou a dizer que, para estabelecer essa meta, o ministério vai levar em consideração fatores como previsões de importações, taxa de câmbio e crescimento econômico do mercado.

Fonte: Agência Brasil


Brasil está mais forte para enfrentar crises financeiras

Setembro 23, 2008

A afirmação é do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que garantiu, em São Paulo, que o país está preparado e tem condições de enfrentar a atual crise econômica norte-americana.

São Paulo – O presidente do Banco Central do Brasil (BC), Henrique Meirelles, garantiu ontem (22) que o país está preparado e tem condições de enfrentar a crise financeira dos Estados Unidos. “Hoje estamos mais fortes e mais saudáveis para enfrentar uma crise”, afirmou Meirelles durante uma palestra no Fórum da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), em São Paulo.
De acordo com Meirelles, um dos fatores mais importantes para o fortalecimento da economia brasileira foi a eliminação da dívida cambial doméstica. “Isso gerava aumento da dívida pública brasileira, reforçando a crise de confiança”, disse. Segundo ele, hoje a crise de confiança gera pressão sobre a taxa de câmbio causando uma redução da dívida pública. “Hoje o Brasil é credor”, lembrou Meirelles.
Outro fator mencionado pelo presidente do BC é que o Brasil soube aproveitar o bom momento da economia mundial e acumulou reservas acima de US$ 200 bilhões, o que trouxe mais estabilidade à economia. “Hoje as reservas brasileiras são superiores à dívida do país”, disse. Além disso, Meirelles afirmou que com previsibilidade maior, o nível de investimentos externos também tem aumentando.
“O Brasil hoje tem condições diferentes de enfrentar as crises econômicas internacionais”, disse Meirelles. Um exemplo disso é o desenvolvimento da economia, que teve um crescimento de 6% no primeiro semestre do ano em relação ao mesmo período de 2007, o maior nessa comparação desde 2004.
Outros exemplos positivos citados por Meirelles foram o aumento dos empregos formais de mais de 2 milhões nos últimos 12 meses; o crescimento da renda e massa salarial; aumento da produção industrial, investimentos e melhor distribuição de renda. Em 2005, por exemplo, as classes D e E representavam 51% da população brasileira. Em 2007 o percentual caiu para 39% e a classe C passou de 34% para 46% da população.
“Isso mostra que o país tem condições de criar mais empregos, aumentar a capacidade de produção e atrair mais investimentos externos”, disse o presidente do BC. Apesar de afirmar que o país está mais resistente a crises internacionais e com uma economia mais forte, Meirelles afirmou que o Brasil não deixa de fazer parte da economia mundial e que tem que estar atento. “O fato de o país estar bem não quer dizer que subestimamos a crise”, acrescentou.
Com relação à situação norte-americana, o presidente do BC elogiou a atuação do Federal Reserve (Fed), que anunciou a injeção de recursos no sistema bancário por meio de operações de refinanciamento e disse que todos estão aprendendo com a crise. “Estamos serenos porque estamos fazendo nosso dever de casa para não voltarmos ao passado”, disse.
De acordo com o diretor-presidente do banco Bradesco, Márcio Cypriano, o Brasil vem fazendo há muito tempo sua lição de casa. “Hoje a nossa economia permite que o Brasil tenha uma rápida recuperação” disse ele, que também estava no evento da ADVB.

Repercussão
Entre os convidados presentes estavam o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, o vice-presidente de Comércio Exterior da entidade, Salim Schahim, e o vice-presidente de Marketing, Rubens Hannun.
“Concordo com tudo o que o Meirelles disse, mas não sabemos ainda até que ponto essa crise vai afetar o Brasil”, disse Schahim. Ele e Alaby acreditam que há riscos do Brasil sofrer um impacto econômico maior caso os preços das commodities continuarem caindo, já que o país é grande exportador de diversos produtos como soja, café, açúcar e minério de ferro. “Se os preços das commodities não caírem, vamos ser afetados, mas não de maneira intensa”, disse Schahim.
De acordo com Alaby, uma solução para essa queda de preço pode estar no mercado interno. “O Brasil tem um mercado interno muito importante e quem sabe esse mercado pode garantir a economia nacional”, afirmou. Outro fato apontado por ele é que também pode haver uma redução do crédito internacional. “A redução fará com que as empresas tenham dificuldade em investir em máquinas e equipamentos”, completou.
Segundo Hannun, Meirelles fez uma palestra ponderada. “Concordo que o Brasil está mais forte agora, mas é claro que ele vai ser afetado de alguma maneira, pois faz parte do mercado global. Mas, atualmente, o país pode se dar melhor numa situação desse tipo”, afirmou.
Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe


Ataque a moedas é maior com o real

Setembro 23, 2008

Desvalorização da divisa brasileira nos dias de turbulência nos mercados foi superior em relação à dos demais emergentes

Heberth Xavier

Os dias de forte turbulência nos mercados financeiros de todo o globo foram marcados por um ataque especulativo à cotação do real em relação ao dólar superior ao de outras moedas dos chamados países emergentes. Levantamento da empresa de consultoria e análise financeira Quest mostra que, até quinta-feira, o real já havia se desvalorizado 14,1% frente ao dólar. O percentual é muito maior do que o do segundo colocado, a lira nova, moeda da Turquia, que perdeu 6,7% (veja quadro).

A comparação exclui a cotação de sexta-feira, dia em que os mercados recompuseram o preço dos principais ativos – incluí-la, portanto, não evidenciaria tanto o ataque especulativo maior sofrido pela moeda brasileira este mês, quando a crise nos Estados Unidos se intensificou. Apenas entre segunda-feira e quinta, o preço do dólar chegou a subir 8,4% comparado ao real.

Para Marcelo Villela, diretor de investimentos e um dos sócios da Quest (outro sócio é o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros), a desvalorização cambial é uma informação importante por se tratar do ativo financeiro mais negociado no país – o mercado mais líquido, portanto. O mercado cambial no Brasil, por exemplo, opera perto de US$ 20 bilhões por dia, enquanto o movimento da Bolsa Valores de São Paulo (Bovespa) não chega a perto de 10% disso.

Outro aspecto é que a depreciação, se confirmada ou até ampliada nas próximas semanas, tem impacto no caixa das empresas em geral, e não apenas das listadas na Bovespa – quem deve em dólares, por exemplo, passa a pagar mais reais pelo débito, sobretudo as pequenas companhias, que não têm recursos para fazer hedge (proteção) contra riscos cambiais. “Notamos no país uma desmontagem de operações pelo investidor estrangeiro, que ao longo dos últimos três anos aplicou em títulos e ações”, diz Villela. “Agora, a maior parte disso está sendo desmontada.”

O ataque especulativo ao real expõe também a vulnerabilidade externa do país, que sugeria ter diminuído nos últimos anos, mas retornou de vez à preocupação do governo e de analistas econômicos. O saldo em transações correntes (principal termômetro da dependência de dólares para o país fechar suas contas) vem registrando sucessivos e crescentes déficits nos últimos meses.

FRAGILIDADE Um argumento usado pela equipe econômica é que as reservas internacionais do país, superiores a US$ 200 bilhões, servem como anteparo a uma crise maior. Apesar disso, para cada US$ 1 em reserva, há quase US$ 3 em capitais de curto prazo e de caráter especulativo – em outras palavras, dólares que podem sair a qualquer momento. Em períodos de incerteza, quando os investidores decidem tirar seus recursos do país, a tendência é de o real perder valor. O que, de fato, ocorreu ao longo deste mês.

O estrago da crise este mês também se fez presente no mercado acionário e na taxa de risco-país. Nesses dois ativos, porém, a perda brasileira não é a maior do mundo, ainda que permaneça entre as maiores. Até quinta, a Bovespa havia perdido 13% de seu valor, em um ranking liderado com folga pela Bolsa de Moscou, que despencou 36,7%. O risco Brasil, por sua vez, aumentou 133 pontos no período
Fonte: O Estado de Minas