Boato sobre retração na China derruba bolsa mesmo com intervenção nos EUA

Setembro 8, 2008

São Paulo – Apesar da intervenção do governo dos Estados Unidos nas duas principais agências de hipoteca do país, que gerou reação positiva em boa parte das bolsas de valores do mundo, boatos de que o crescimento da China estaria diminuindo derrubaram a cotação da maioria das empresas que negociam seus papéis na Bovespa (queda de 2,35%). A análise é do professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Manuel Enriquez Garcia.

“Talvez hoje não seja o melhor dia para associarmos a bolsa [de São Paulo] com as decisões tomadas nos EUA. Lá [o mercado de ações] subiu porque o risco sistêmico, o risco de que outros bancos venham a quebrar diminuiu consideravelmente. Aqui caiu porque os boatos com relação à China são muito fortes no sentido de que a China não vai ter o mesmo crescimento. Conseqüentemente, a demanda de commodities (produtos primários negociados no mercado internacional) vai diminuir e, com isso, os preços das commodities [também]“, disse em entrevista à Agência Brasil.

De acordo com o professor, como a bolsa de São Paulo é “comandada” principalmente por empresas que vendem commodities, a queda de hoje na Bovespa é justificada.

Para tentar conter a crise do setor imobiliário dos EUA, o Tesouro norte-americano anunciou ontem (7) uma ajuda de US$ 200 bilhões às empresas de financiamento imobiliário Freddie Mac e Fannie Mae. “Uma parte dos investidores agiu com extremo otimismo. E outra entendeu que se o governo norte americano está ajudando, e está ajudanto tanto, então é sinal que os problemas são de extrema gravidade. Mas isso não foi entendido nos EUA. Lá o crescimento do Dow Jones [bolsa de valores]  foi de aproximadamente 2,5%”.

Fonte: Agência Brasil


Vendas em moedas locais entre Brasil e Argentina é primeiro passo para moeda única

Setembro 8, 2008

Brasília – O acordo comercial entre os dois maiores parceiros do Mercosul, Brasil e Argentina, no sentido de facultar a cotação das vendas de bens nas moedas locais “é um primeiro passo com vistas à moeda única na região”, segundo admitiu hoje (8) a diretora de Assuntos Internacionais do Banco Central, Maria Celina Berardinelli Arraes.

Ela ressaltou, contudo, que, por enquanto, trata-se tão-somente de uma opção de comércio entre os dois países, que vai começar a operar no início de outubro, por meio da qual o exportador brasileiro pode registrar sua venda em reais com a certeza de que vai receber o mesmo valor, sem as variações do câmbio em dólar, como é hoje.

A alternativa, segundo Maria Celina, é oferecida basicamente aos pequenos e médios empresários, que têm mais dificuldades em colocar seus produtos no exterior, mas “depois das avaliações iniciais, a opção será estendida aos demais exportadores”. O que vai determinar a opção ou não, no seu entender, “será a constatação de redução dos custos de transação”.

Ela disse que a comercialização ficará mais barata em virtude da inexistência de spread cambial, que é a diferença entre as cotações de compra e venda do dólar. Será um custo mais próximo da taxa de câmbio interbancário, acrescentou.

A expectativa dos dois governos, de acordo com Maria Celina, é de crescimento do comércio bilateral entre Brasil e Argentina. Mas ela crê que “não será um crescimento tão rápido”, uma vez que se trata de um sistema novo, que ainda carece de divulgação para ser melhor entendido. “Os resultados melhores virão a médio prazo”, emendou.

Pela sistemática em implementação, todos os bancos comerciais interessados em operar no comércio entre  os dois países, nas respectivas moedas locais, terão que se credenciar junto aos bancos centrais brasileiro e argentino, aos quais compete a coordenação do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML).

A diretora do BC disse que a adoção da nova sistemática foi amadurecida a partir de consultas de instituições exportadoras sobre a viabilidade de pagamentos do comércio bilateral em reais, e isso gerou conversas com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e outros órgãos que demonstraram interesse na discussão, até o estágio atual.

Fonte: Agência Brasil


Acordos com o Brasil têm significado cultural, afirma Cristina Kirchner

Setembro 8, 2008

Brasília – A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, destacou hoje (8), durante almoço em sua homenagem no Itamaraty, que, mais do que um significado econômico, o acordo assinado entre os bancos centrais dos dois países, “para recuperar o peso e o real como moedas de intercâmbio, deixando de lado o dólar”, tem um significado cultural importante para a integração regional.

“Essa relação entre Brasil e Argentina, sustentadora do Mercosul e da unidade regional, assegura que a região pode desenvolver independência econômica, tecnológica e fundamentalmente de cabeças, dirigentes que pensem que é possível viver em uma região com identidade e com história própria, e não emprestada por ninguém”, afirmou Kirchner.

Durante seu discurso, a presidente pontuou os principais obstáculos que dificultaram, ao longo da história dos dois países, a integração na América do Sul.

O primeiro obstáculo, superado com a democracia, segundo Kirchner, era uma “loucura histórica” tanto no Brasil quanto na Argentina, que sustentava hipóteses de conflito e ameaças de invasão entre os dois países.

O segundo, disse ela, era colocado pela própria Argentina, que não se sentia parte da América do Sul, mas queria ser parceira econômica somente dos países mais ricos. “Para quê ser sócio dos pobres se alguém pode ser sócio dos ricos?”, questionavam seguidos governantes argentinos, de acordo com a presidente.

Essa visão começou a mudar em 2003, com a mudança do modelo econômico no país. Desde então, segundo Cristina Kirchner, o desemprego caiu de quase 25% para 7,8% em meados do primeiro semestre de 2008, e a dívida externa caiu de 150% do Produto Interno Bruto (PIB) argentino, para 50% este ano, com um PIB 60% maior.

Um terceiro obstáculo, que está sendo superado com os acordos assinados entre os dois países, inclusive os de hoje, é a visão que alguns argentinos têm de que “o Brasil quer comprar a Argentina, porque vai e compra empresas [argentinas]”.

“Esse não é o meu pensamento, nem como presidente de todo o povo argentino, nem como cidadã”, afirmou, destacando que os empresários argentinos que porventura venderam suas empresas para brasileiros não foram obrigados a isso e que, para ela, essa entrada de capitais e novos investimentos é uma outra forma de integração.

A presidente Cristina Kirchner disse que hoje a Argentina é uma excelente oportunidade de negócios e que o terceiro obstáculo pode ser derrubado com perseverança, inteligência e visão estratégica.

“O acordo entre o Banco da Nação, o BNDES [Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social] e o Bice [Banco de Investimento e Comércio Exterior] [sobre financiamento de projetos de desenvolvimento] é um adiantamento importante [no processo de integração], como é o acordo sobre automóveis que assinamos há alguns meses, onde pela primeira vez o Brasil reconhece um flex de convergência, como é importante hoje o compromisso dos dois países para começar o primeiro empreendimento hidrelétrico binacional”, completou.

Fonte: Agência Brasil


Lula ressalta importância de reunião de cúpula dos países da América Latina e do Caribe

Setembro 8, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou hoje (8), durante almoço em homenagem à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, a importância da realização de uma reunião de cúpula, em dezembro, com todos os países da América Latina e do Caribe.

“Nosso diálogo com o conjunto da América Central e com os países do Caribe ganhou nova densidade. Foi este sentimento, compartilhado pela presidente Cristina, que me animou a propor a realização, em dezembro, de uma reunião de cúpula de toda a América Latina e Caribe sobre integração e desenvolvimento”, afirmou.

O presidente disse que está se empenhando para que a Venezuela faça parte do Mercosul. Para Lula, a adesão da Venezuela ao bloco vai ampliar “os horizontes de integração produtiva e dar dimensão continental ao bloco”.

Lula defendeu uma parceria entre o Brasil e a Argentina na área de exploração de petróleo.

“Por meio de consórcios produtivos, vamos unir nossas forças e competências para viabilizar o extraordinário potencial de setores, como a indústria naval, que passa por acelerada ampliação e modernização. A Argentina pode e deve participar da construção da grande infra-estrutura necessária a exploração do petróleo brasileiro na camada pré-sal”, afirmou.

O presidente reafirmou a necessidade de se concluir a Rodada Doha, lembrando que é preciso eliminar distorções e barreiras ao comércio internacional.

“Os prejudicados por um fracasso [da Rodada Doha] serão os países mais pobres e vulneráveis”, disse

Fonte: Agência Brasil


Comércio entre Brasil e Argentina sem dólar entra em vigor dia 6 de outubro

Setembro 8, 2008

Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou hoje (8) que o acordo entre o Banco Central do Brasil e o Banco Central da Argentina para uso de moedas locais em transações comercias vai entrar em vigor no dia 6 de outubro, em caráter experimental.

O acordo foi assinado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

Segundo o ministro, a transação em moedas locais vai facilitar o comércio entre os países e possibilitar que empresas de menor porte possam entrar no comércio bilateral.

“[Esse acordo vai] Valorizar as moedas locais porque até agora tínhamos uma moeda intermediária [dólar], agora não precisamos dessa moeda intermediária. Isso caminha no longo prazo em direção a uma moeda local, que acho que o Mercoaul deveria ter. É um primeiro passo”, explicou.

Mantega acredita que o acordo pode ser estendido para os outros países do bloco. “Tendo dado esse primeiro passo, é possível fazer para os demais países”, disse.

De acordo com o ministro da Fazenda, o comércio entre o Brasil e a Argentina movimenta US$ 25 bilhões, e o país vizinho é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil.

Fonte: Agência Brasil


Brasil e Argentina eliminam dólar de transações comerciais entre os dois países

Setembro 8, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, assinaram há pouco um acordo de cooperação entre o Banco Central do Brasil e o Banco Central da Argentina para possibilitar que o comércio entre os dois países seja feito nas moedas locais, eliminando o dólar das transações.

Durante solenidade no Palácio do Planalto, eles também assinaram acordos em outras áreas. Um deles diz respeito à construção de um satélite conjunto para observação costeira e oceânica. Outros prevêem a construção de uma empresa binacional de enriquecimento de urânio e o início dos estudos para construção da hidrelétrica de Garabi, no Rio Uruguai (fronteira entre Brasil, Argentina e Uruguai).

Também foram estabelecidas parcerias que irão viabilizar estudos para construção de novas pontes sobre o Rio Uruguai. Brasil e Argentina também querem promover a integração ferroviária e a cooperação na área de defesa e biofármacos.
Fonte: Agência Brasil


Balança registra superávit de US$ 295 milhões na primeira semana de setembro

Setembro 8, 2008

A balança comercial brasileira registrou entre os dias 1º e 7 de setembro de 2008 – primeira semana do mês – exportações de US$ 4,553 bilhões (média diária de US$ 910,6 milhões) e importações de US$ 4,258 bilhões (média diária de US$ 851,6 milhões), desempenhos que resultaram num superávit comercial (diferença entre as exportações e as importações) de US$ 295 milhões (média diária de US$ 59 milhões). Nos cinco dias úteis da primeira semana do mês, foi registrada uma corrente de comércio (soma das exportações com as importações) de 8,8 bilhões, o que significou negociações de US$ 1,762 bilhão por dia.

As exportações brasileiras na primeira semana de setembro apresentaram alta de 22,1% sobre o desempenho médio diário em todo mês de setembro do ano passado (US$ 745,6 milhões) e decréscimo de 3,2% sobre a performance da média diária registrada no mês de agosto último (US$ 940,3 milhões).

Também pelo critério da média diária, as importações na primeira semana de setembro apresentaram alta de 51,4% sobre os valores registrados no mesmo mês de 2007 (US$562,6 milhões) e alta de 2,3% em relação a agosto de 2008 (US$ 832,3 milhões).

O saldo comercial brasileiro registrado na primeira semana do mês de setembro, pela média diária, ficou 67,8% menor que o apresentado em setembro de 2007 (US$ 183 milhões) e 45,4% inferior ao superávit médio diário registrado em agosto último (US$ 108 milhões).

Ano

Nos 172 dias úteis do ano, acumulados até a primeira semana de setembro, o saldo comercial registrado foi de US$ 17,202 bilhões, com média diária de US$ 100 milhões. Por esse critério, o superávit comercial ficou 39,6% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foi registrada uma média diária de US$ 165,7 milhões.

As exportações somaram US$ 135,396 bilhões, com média diária de US$ 787,2 milhões, um incremento de 28,6% sobre o desempenho médio diário apresentado no mesmo período de 2007 (US$ 612,2 milhões).

Na mesma comparação, observou-se um crescimento de 53,9% nas importações brasileiras, que saíram de uma média diária de US$ 446,5 milhões de janeiro, até a primeira semana de setembro ano passado, para US$ 687,2 milhões no mesmo período de 2008. As importações até a primeira semana de setembro somaram US$ 118,194 bilhões.

Às 15h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgará no site www.desenvolvimento.gov.br mais informações sobre as operações de exportação e importação brasileiras na primeira semana de setembro.

Fonte: MDIC


Calçado chinês chega subfaturado ao Brasil

Setembro 8, 2008

A chegada de calçados chineses baratos ao mercado brasileiro carrega altas doses de fraude ao fisco. Investigação do Ministério do Desenvolvimento indica que o mesmo tipo de calçado é declarado na aduana brasileira por uma diferença de preço superior a 800% em relação a outros países.

No jargão técnico, a fraude é chamada de subfaturamento e possui, na maioria das vezes, conivência dos importadores. Os dados apurados pela Secretaria de Comércio Exterior foram repassados para a Receita e a Polícia Federal investigarem as ramificações no país.

A fraude consiste em declarar à Receita que determinado contêiner possui “calçados de solado externo de borracha, plástico ou couro natural” e que o produto custa US$ 16,35. Esse será o valor usado no cálculo do imposto. O problema é que o calçado é vendido por um preço bem mais alto no mercado. Mas a fiscalização dessa prática é extremamente difícil, dada a capilaridade do comércio.

Nesse caso, só foi possível comprovar a fraude com a ajuda da iniciativa privada. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados identificou a prática e reuniu dados sobre os principais produtos envolvidos.

De posse dos dados, a equipe da Secex comparou os valores declarados no Brasil com as informações de outros países. Dessa maneira, a Secex descobriu que o mesmo calçado declarado por US$ 16,35 no Brasil chegou à Hungria com o preço de US$ 157,84, diferença de 865,38%. Outro exemplo são os “calçados para outros esportes, de borracha ou plástico”, que entram no Brasil por US$ 11,50 e na Itália por US$ 106,27 -variação de 824,09%.

O governo quer, agora, ampliar a metodologia para identificar fraudes em outros produtos. “Foi possível descobrir o subfaturamento no caso dos sapatos pela colaboração com a iniciativa privada. O que a gente quer é que isso sirva de metodologia para outros produtos”, disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.

Fonte: Folha de S.Paulo


Brasil e Argentina firmam acordos de cooperação

Setembro 8, 2008

Brasília – O Brasil e a Argentina assinam hoje acordo de cooperação técnica para identificar projetos que permitam desenvolvimento e integração produtiva. Cada país financiará seus projetos.

O documento será firmado às 12h30, no Palácio do Planalto, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco de La Nación e o Banco de Investimento e Comércio Exterior (banco argentino semelhante ao BNDES).

A solenidade ocorre logo após encontro reservado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, seguido de reunião ampliada com ministros e assessores dos dois países. Também haverá assinatura do acordo-quadro de cooperação entre os bancos centrais brasileiro e argentino e de atos aprovando convênio de cooperação entre a Eletrobrás e a Emprendimientos Energéticos Binacionales (Ebisa).

Na reunião entre Lula e Cristina Kirchner devem ser discutidas questões sobre aviação regional, indústria naval e energia e a implementação dos compromissos assumidos na Declaração da Casa Rosada (22 de fevereiro de 2008) sobre projetos relativos a um sistema de pagamentos em moeda local, à construção de satélite conjunto para observação costeira e oceânica, à criação de uma empresa binacional de enriquecimento de urânio, aos estudos para construção da hidrelétrica de Garabi, e à cooperação em matéria de defesa, entre outras.
Fonte: Agência Brasil


Dólar deixará de ser a moeda no comércio Brasil-Argentina

Setembro 8, 2008

Acordo será assinado na segunda-feira por Cristina Kirchner e Lula

Brasil e Argentina dispensarão o dólar no comércio bilateral a partir deste mês. O acordo entre os bancos centrais dos dois países será o ponto alto do encontro de trabalho da presidente argentina, Cristina Kirchner, com seu colega Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira, em Brasília.
Ao final da reunião de trabalho, também será assinado um convênio de cooperação entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco da Nação Argentina e o Banco de Investimento e Comércio Exterior (Bice) para o financiamento conjunto de projetos de infra-estrutura e de investimentos produtivos de lado a lado.
Cristina Kirchner desembarca amanhã em Brasília para assistir, como convidada especial do Palácio do Planalto, o desfile comemorativo de 7 de setembro. Na segunda-feira, terá seu terceiro encontro bilateral com Lula desde sua posse, em dezembro de 2007.
No início deste ano, ambos se comprometeram a se encontrar a cada seis meses para tratar dos temas bilaterais. Em especial, dos 17 projetos conjuntos definidos na primeira reunião, em fevereiro. No início de agosto, Lula e Cristina se reuniram em Buenos Aires, mas nada anunciaram de concreto.
O Sistema de Pagamento do Comércio Bilateral em Moedas Locais (SML) começa a operar com pelo menos um mês de atraso. Nos planos traçados em fevereiro, deveria estar em funcionamento desde julho ou agosto.
O sistema vai oferecer aos exportadores e importadores a opção de fechar as operações com as moedas nacionais, mas não eliminará os mecanismos atuais de comércio em dólar.
Os objetivos são criar um mercado de câmbio direto real-peso, facilitar as liquidações financeiras, reduzir os custos das operações de câmbio e, conseqüentemente, estimular as trocas comerciais entre o Brasil e a Argentina.
Esse fluxo alcançou US$ 20,5 bilhões no período de janeiro a agosto deste ano.
Em uma etapa seguinte, o SML deverá ser estendido aos demais sócios do Mercosul – Uruguai, Paraguai e Venezuela, em processo de adesão, além do Chile e da Bolívia, que são associados ao bloco.

NUCLEAR
Lula e Cristina vão receber ainda de um comitê bilateral um relatório sobre a criação da empresa binacional na área nuclear – e o pedido de mais seis meses para análise do perfil da nova instituição.
O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, informou que a empresa, inicialmente imaginada para atuar apenas no campo do enriquecimento de urânio, deverá abarcar também a produção de radiofármacos, o desenvolvimento e a comercialização de reatores de pesquisa e a área de tecnologia de materiais.
“Queremos criar algo novo, que não venha a se sobrepor às capacidades dos dois países na área nuclear”, afirmou Odair Gonçalves.
O “algo novo” em estudo deve envolver a produção brasileira de reatores multipropósito, usados na produção de radiofármacos e em outros segmentos, que poderia ser potencializada pelos conhecimentos da Argentina na área de reatores de pesquisa.
Segundo Gonçalves, também há possibilidade de construção de uma usina nuclear na fronteira do Brasil com a Argentina, de forma a permitir a exportação direta de eletricidade, sem desperdícios de energia.
Nesse processo de estreitamento da cooperação nuclear, que começou em 1985, o único tabu diz respeito à tecnologia brasileira de enriquecimento, que continuará em segredo.
Fonte: O Estado de São Paulo