O bom desempenho das exportações em agosto se deve principalmente ao aumento das vendas de produtos básicos, sobretudo de commodities. Segundo os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), houve um crescimento de 97,5% na média diária das exportações de básicos até a terceira semana de agosto em relação ao mês de agosto de 2007.
Os principais incrementos foram, principalmente, em petróleo em bruto, minério de ferro, carne suína, bovina e de frango, soja em grão, farelo de soja, café em grão e minério de cobre. As exportações de semimanufaturados subiram 60,3%, por conta de semimanufaturados de ferro e aço, ferro-ligas, ferro fundido, celulose, óleo de soja em bruto, açúcar em bruto e alumínio em bruto. E as vendas externas de manufaturados cresceram 23,5%, principalmente as de suco de laranja não-congelado, gasolina, máquinas e aparelhos para uso agrícola, etanol, medicamentos, aviões e tratores.
Nas importações, aumentaram os gastos que com adubos e fertilizantes, cujas compras subiram 200,9%, e combustíveis e lubrificantes, que tiveram aumento de 122,4% em relação a agosto de 2007. Também subiram as importações de equipamentos mecânicos (64,6%), instrumentos de ótica e precisão (63,7%), automóveis e partes (52%) e plásticos e obras (49,3%).
Na terceira semana de agosto, a balança comercial apresentou exportações de US$ 5,304 bilhões e importações de US$ 3,638 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 1,666 bilhão, o melhor saldo semanal deste ano. No acumulado do mês, as exportações somam US$ 11,193 bilhões, e as importações, US$ 9,074 bilhões, com superávit de US$ 2,119 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$ 122,291 bilhões, as importações, US$ 105,519 bilhões, com saldo positivo de US$ 16,772 bilhões.
Balança tem melhor resultado desde julho de 2006
A balança comercial brasileira encerrou a terceira semana de agosto com superávit de US$ 1,66 bilhão. É o melhor resultado semanal desde a primeira semana de julho de 2006, quando o saldo das trocas comerciais do País com o exterior ficou positivo em US$ 1,69 bilhão. As exportações somaram US$ 5,30 bilhões, com média diária de US$ 1,06 bilhão, o segundo melhor desempenho semanal do ano.
As importações totalizaram US$ 3,63 bilhões, com média diária de US$ 727,6 milhões. No mês, o superávit comercial soma US$ 2,12 bilhões, resultado de exportações de US$ 11,19 bilhões e importações de US$ 9,07 bilhões. Pela média diária, as vendas externas (US$ 1,02 bilhão) aumentaram 55% em relação a agosto de 2007, enquanto as importações (US$ 824,9 milhões) subiram 64,2%. A recuperação das exportações nas últimas semanas tem ajudado a reduzir o ritmo de queda do superávit comercial em 2008. No acumulado do ano, o saldo está positivo em US$ 16,77 bilhões, ante US$ 25,58 bilhões no mesmo período de 2007. A queda é de 33,6% pela média diária, mas a diferença era de 38,7% até o fim de julho.
As vendas externas acumulam no ano US$ 122,29 bilhões, com média diária de US$ 778,9 milhões, e as importações, US$ 105,52 bilhões. A expansão das exportações, pela média diária, é de 29,4%. As importações cresceram 52,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o Mdic, o bom desempenho das exportações em agosto decorre principalmente do aumento das vendas de produtos básicos, sobretudo commodities. Houve crescimento de 97,5% na média diária das exportações de produtos básicos em relação a agosto de 2007. Os principais incrementos foram, principalmente, em petróleo em bruto, minério de ferro, carnes e soja em grão. As exportações de semimanufaturados aumentaram 60,3% e as de manufaturados, 23,5%. Nas importações, aumentaram os gastos com adubos e fertilizantes, cujas compras subiram 200,9%, e com combustíveis e lubrificantes, que aumentaram 122,4% em relação a agosto do ano passado.
Exportações esbarram na falta de infra-estrutura
A falta de uma política de incentivos do governo aliada a problemas de infra-estrutura e um pesado sistema de tributação são os itens mais apontados pelos exportadores como entraves à competitividade das exportações brasileiras, segundo constatou uma pesquisa realizada pelo Centro de Excelência em Logística e Cadeias de Abastecimento (GVcelog) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp).
O trabalho, realizado pelos pesquisadores Alexandre Pignanelli e Juliana Bonomi Santos, com a coordenação do professor Manoel de Andrada e Silva Reis, consultou 258 empresas exportadoras. A pesquisa revela que de uma forma geral, os gargalos mais críticos estão relacionados à esfera de atuação governamental e que a implementação de melhorias beneficiaria de forma relativamente homogênea a todos os perfis e portes de empresas. “A expectativa é de que o trabalho sirva de parâmetro para novas ações do governo no que diz respeito à política de comércio exterior”, explica Reis.
Os exportadores relacionaram aos quesitos falta de incentivos governamentais a alta taxa de juros, a ineficiência no trato de barreiras de exportação e a inexistência de programas de incentivo a fornecedores de insumos de exportação. Questões como o câmbio e o Custo Brasil, por sua vez, são apontados como os maiores entraves no que diz respeito à oferta de preços competitivos pelas empresas brasileiras. Entre os principais gargalos relacionados à tributação, a pesquisa aponta o excesso de impostos e a dificuldade de ressarcimento de créditos tributários.
A pesquisa mostra ainda que, entre os principais gargalos relacionados à infra-estrutura brasileira, está o elevado custo de transporte, a baixa eficiência dos portos e aeroportos, a situação deteriorada das ferrovias e rodovias, além da baixa oferta de hidrovias e terminais intermodais. “Esse é um dos grandes desafios do Brasil para o futuro”, avalia a consultora da Confederação Nacional da Indústria, Sandra Rios.
Valor das exportações calçadistas cai quase 15%
Colocando na ponta do lápis todos os custos de produção que os empresários têm para produzir, somados à valorização do real frente ao dólar, o resultado das exportações de calçados nos últimos meses tem sido negativo, ao contrário do que apontam os dados calculados em dólar. Na avaliação do vice-presidente da Abicalçados, Ricardo Wirth, se o faturamento obtido com os embarques, que sempre é computado em dólares – for convertido em reais (moeda que entra na conta dos exportadores), pode-se ver que os cenários são muito diferentes.
De janeiro a julho deste ano, o setor registrou divisas na ordem de US$ 1,14 bilhão. Convertido para a moeda brasileira, este montante ficou em R$ 1,92 bilhão. Para este resultado, foi utilizada a taxa média do dólar de R$ 1,68. No mesmo período do ano passado, as exportações somaram US$ 1,11 bilhão, equivalendo a R$ 2,25 bilhões. A taxa média do dólar de janeiro a julho de 2007 havia sido de R$ 2,20. “Ao transferirmos para reais, percebemos que o faturamento das exportações nestes sete meses caiu 14,86%”, aponta o dirigente. Utilizando a moeda norte-americana, o faturamento foi de 2,4% positivo.
“Com o dólar tão depreciado frente ao real, não podemos oferecer um preço competitivo para os importadores. Os empresários brasileiros já não têm lucro, pois não conseguem repassar o aumento dos insumos para o valor final. Na hora de converter seus valores para a moeda americana, sempre há perda, pois quanto menor o valor do dólar, mais caro ficará o calçado”, explicou Wirth. O preço médio do sapato aumentou 3%, sendo vendido a US$ 11,08. Segundo ele, a única maneira de melhorar a situação dos exportadores seria um dólar estável e condições competitivas de produção, como uma carga tributária menor.
Em pares, a queda foi de 0,6%. Foram embarcados ao longo deste ano 103,2 milhões de calçados contra 103,9 milhões de pares remetidos ao exterior de janeiro a julho de 2007. Os dados são da Abicalçados, com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O maior comprador dos sapatos made in Brazil, os Estados Unidos, continua apresentando queda nas compras, mesmo com a redução do preço médio nos sete meses de 2008. De janeiro a julho de 2007, os americanos compraram 32,8 milhões de pares, com faturamento de US$ 446,5 milhões e, em 2008, neste mesmo período, os embarques caíram para 26,7 milhões de pares (-18,5%) com faturamento de US$ 301,3 milhões (-32,5%). O preço médio, que foi de US$ 13,59 em 2007, diminuiu para US$ 11,26 em 2008. A queda nos embarques não é observada somente no continente americano. Entre os compradores europeus mais expressivos, a Espanha reduziu as compras de 3,6 milhões de pares no ano passado (que geraram faturamento de US$ 35,5 milhões) para 3,1 milhões de pares nesse ano (US$ 39,9 milhões). O preço médio, porém, foi de US$ 9,73 para US$ 12,66.
No comparativo com os sete primeiros meses do ano passado, outros países tiveram acréscimo nos pedidos, porém com números menos expressivos que os norte-americanos. Neste período, a vizinha Argentina passou de 6,1 milhões de pares (equivalentes a US$ 81,2 milhões em divisas) para 7,1 milhões de pares este ano (US$ 101,3 milhões), mesmo com a alta no preço médio, que foi de US$ 13,15 para US$ 14,22.
Gaúchos reduzem embarques em 23% e faturamento diminui 3,7%
Analisando os percentuais, o estado de São Paulo, tradicional exportador, foi o que mais perdeu embarques de janeiro a julho deste ano, tanto em volume físico quanto em receita. Em 2008, os paulistas comercializaram 6,7 milhões de pares no exterior contra 9,5 milhões de pares que cruzaram as fronteiras em 2007 (-28,7%). Em relação às divisas, neste ano foi computada a entrada de US$ 111,6 milhões contra US$ 116,6 milhões no ano passado (-4,3%).
Logo após figura o Rio Grande do Sul, que nestes sete meses enviou 33,5 milhões pares para o exterior, enquanto no ano passado foram 43,6 milhões (-23%). Em termos monetários, o decréscimo foi de 3,7%, passando seu faturamento de US$ 724,8 milhões para US$ 698,1 milhões. Minas Gerais também está contabilizando perdas. De um milhão de pares exportados de janeiro a julho do ano passado, regrediu para 812,1 mil pares (-22,3%) em igual período deste ano. As cifras dos mineiros caíram 7,8%, de US$ 11,2 milhões em 2007 para US$ 10,3 milhões em 2008.
Por outro lado, os estados do Nordeste brasileiro continuam em movimento ascendente. Entre os mais expressivos, a Bahia mostrou maior índice de crescimento nesse ano, passando de 3,5 milhões de pares exportados em 2007 para 4,8 milhões de pares (38,2%), enquanto o faturamento saltou 15,5%, passando de US$ 43,7 milhões para US$ 50,5 milhões este ano. O Ceará teve índices menores de alta, mas segue no topo do ranking dos estados brasileiros no que se refere a volume. Nesse quesito, foram 12,4% de alta, passando de 31,4 milhões embarcados em 2007 para 35,3 milhões vendidos em 2008.
De janeiro a julho de 2008, o crescimento das importações, em número de pares é da ordem de 58,1%, enquanto em termos de valores pagos pelo Brasil, o aumento foi de 59,6%. Dos 15,1 milhões de pares importados pelo Brasil nos primeiros sete meses de 2007, pelos quais foram pagos US$ 110,2 milhões, o volume subiu para 23,9 milhões de pares no acumulado deste ano, equivalente a US$ 175,9 milhões. O preço médio passou de US$ 7,27 para US$ 7,34 neste ano. Até agora, os principais vendedores seguem os mesmos: China e Vietnã. Da China vieram 20,8 milhões de pares ao longo deste ano (US$ 127,2 milhões) e do Vietnã foi comprado 1,7 milhão de pares a US$ 26,6 milhões.
Fonte: Jornal do Comercio (RS)