Empresa brasileira atua com capital 100% brasileiro em Pequim

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – A Weg, maior fabricante de motores elétricos da América Latina e uma das cinco maiores do mundo, é uma das poucas empresas brasileiras que tomaram o rumo do Oriente e instalaram plantas industriais na China. Diferentemente da Embraco, que buscou um sócio chinês, a empresa de Santa Catarina partiu para um negócio com capital 100% brasileiro.

“A China foi um país que despontou no cenário mundial e que atraiu a presença dos nossos maiores clientes. Era natural que mais cedo ou mais tarde o crescimento deles refletisse no nosso crescimento também”, disse o vice-presidente da Weg, Sergio Schwartz.

Tudo começou com a aquisição de uma fábrica em Nantong. Junto, veio a carteira de clientes da fábrica – os nossos próprios clientes da WEG, que já haviam se instalado  na China. Segundo Schwartz, a aquisição foi mais um passo dentro da estratégia de internacionalização da companhia, visando maior penetração comercial no mercado asiático, melhoria logística operacional e comercial e maior competitividade.

“O estudo do mercado, é claro, foi a nossa lição de casa. Como preferimos comprar uma empresa, procuramos aquelas que estavam à venda. E foi quando nos deparamos com uma grande quantidade de fábricas de motores que o próprio governo da China já tinha preparado para a privatização”, contou. A WEG encontrou em Nantong uma empresa com as características que procurava.

“Vale lembrar, o preço não estava considerado, porque a negociação com o povo chinês envolve muito mais do que isso: é como entregar uma filha ao noivo no altar. Eles querem saber quais são as nossas intenções, e não se intimidam em cancelar um negócio, caso tenham alguma dúvida em relação ao desenvolvimento da empresa ou dos funcionários que já estavam trabalhando na fábrica”, explicou.

A WEG Nantong Electric Motor Manufacturing foi inaugurada no começo de 2005. Hoje, a empresa conta com uma fábrica de 29.350 metros quadrados e 450 funcionário na Zona de Desenvolvimento Econômico da província de Jiangsu, a 250 quilômetros de Shangai, uma das principais cidades da China. A primeira unidade industrial da WEG no continente asiático produz motores elétricos trifásicos de baixa e alta tensão e máquinas de alta e baixa tensão, destinadas principalmente para os segmentos de acearia, mineração, petroquímica e fabricantes de bombas e compressores do continente asiático.

Por que é vantajoso produzir na China? A resposta do vice-presidente da WEG é simples e direta: “Potencial de mercado, presença de clientes globais e níveis de competitividade com produção local”.

Fonte: Agência Brasil


Mão-de-obra barata, incentivos fiscais e juros baixos atraem empresas estrangeiras à China

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – Mão-de-obra barata, incentivos fiscais e juros baixos para financiamentos constituem a fórmula que atrai empresas do mundo todo para a China. Seja com a transferência de linhas de produção ou apenas com a terceirização para empresas locais, todos querem tirar proveito do país que mais cresce no mundo.

A Teka, uma das maiores tecelagens brasileiras, adotou essa última fórmula e passou a produzir, do outro lado do planeta, produtos de cama, mesa e banho de primeira linha, com alto valor agregado. “Produtos de baixo valor agregado, em princípio, não compensam, pois têm o frete, que é caro, os impostos, a nacionalização”, explicou Marcello Stewers, diretor de exportação e outsorcing (terceirização de tecnologia) da Teka.

Os produtos comprados e etiquetados na Ásia destinam-se ao mercado doméstico brasileiro e também à exportação para América Latina e Alemanha. No Brasil, chegam com preço final até 15% mais barato do que se fossem fabricados no país. A diferença é maior diante de um terceiro comprador. “Quando o Wal Mart cota no Brasil e na China o mesmo produto, as diferenças podem chegar a 60%”, revelou Stewers.

As compras na Ásia (China, Índia, Paquistão e Egito) começaram em 2006, motivadas pela desvalorização do dólar. Stewers contou que a aproximação foi inicialmente in loco. Toda a equipe técnica, de engenheiros e profissionais de marketing, foi à China avaliar o mercado e selecionar fornecedores. “No início foi muito difícil, línguas e costumes muito diferentes, muitas viagens foram necessárias”, explicou.

Hoje, a empresa mantém agentes locais que fazem o controle de qualidade, e agentes comerciais, mas até 2009, a Teka pretende instalar um escritório comercial em Xangai. “Comprar na China é uma tendência de mercado como já foi, numa outra época, a Europa comprar da Turquia. Esse parque fabril foi se implementando, se equipando, investindo em tecnologia. Uma empresa chinesa tem planejamento para 40 anos, é outro mundo, outra cabeça, outra cultura”, afirmou Stewers.

O setor têxtil é justamente um dos mais interessantes para investimentos brasileiros, de acordo com o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang. “Várias empresas têxteis brasileiras estão montando fábricas na China. Tendo uma plataforma de custo baixo, eles podem não só complementar a linha deles no Brasil como entrar no gigantesco mercado chinês, que é dez vezes maior que o nosso, e ser competitivo no mundo inteiro, uma coisa que dificilmente podemos fazer, pelo custo Brasil”, afirmou Tang.

Fonte; Agência Brasil


Fábrica brasileira em Pequim tem só nove brasileiros entre 1.600 chineses

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – A fabricante brasileira de compressores Embraco emprega, no mundo todo, 10 mil pessoas – 1.600 só na China. Entre eles, apenas nove brasileiros. O catarinense Armin Koenig veio há cinco anos com a missão de treinar os operadores e garantir o padrão de qualidade na nova unidade industrial, inaugurada em maio de 2006, no distrito industrial de Kong Gang, a 30 quilômetros do centro de Pequim.

Coordenador de qualidade, Koenig tem sob seu controle 850 chineses, que trabalham no chão de fábrica. São 24 horas de produção, um novo compressor a cada nove segundos, 14 mil por dia. Treinar esse povo todo, segundo ele, não é fácil. “A China não tinha uma cultura industrial, era agrícola e bastante atrasada e essa cultura industrial você não forma do dia para a noite”, afirmou ele.

“É preciso que o operário entenda nosso nível de precisão, pois trabalhamos no milésimo do milímetro, entenda que é preciso cuidado na montagem, que os componentes não podem cair no chão, que não pode pegar os componentes sem luva, que tem que seguir exatamente os padrões exigidos em cada operação para que se atinja a qualidade que o compressor precisa. Tudo isso requer um esforço, e é contínuo”, relatou o coordenador de Qualidade da Embraco China. Por isso, a empresa mantém uma escola de manufatura permanente.

O engenheiro Paulo Egidio Alves de Oliveira, responsável pelo suporte técnico ao mercado asiático, acompanhou a instalação das primeiras máquinas da nova planta industrial. Recém formado pela Universidade de Santa Catarina, decidiu estudar mandarim em 2005 e, na China, foi recrutado pela Embraco. “Se tem algum lugar no mundo em que as coisas estão acontecendo, é na China”, avaliou ele, que ficou um ano inteiro estudando mandarim em tempo integral, com bolsa do governo chinês.

Oliveira revelou que a infra-estrutura de laboratórios da Embraco na China é exatamente a mesma que a empresa mantém na sede brasileira, em Joinvile. Dificuldades para trabalhar com mão-de-obra chinesa? Questão de adaptação. “É preciso entender como o chinês pensa, é muito diferente, a começar pela língua. As línguas ocidentais são associativas e exigem criatividade e raciocínio, enquanto o chinês demanda memória. Isso molda as pessoas e define como elas se desenvolvem”, exemplificou.

“No relacionamento com o chinês, não adianta exigir uma coisa que ele não tem, noutras pode-se exigir muito mais. A partir do momento em que se aprende a dosar e usar isso, tudo começa a fluir”, disse.

Fonte; Agência Brasil


Empresa brasileira está há 13 anos em Pequim investindo em parceria

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – China, ou Zhong guó, quer dizer centro do mundo. E foi esse o rumo que tomou a maior fabricante de compressores de refrigeração do mundo, a brasileira Embraco. Ao contrário de muitas multinacionais, que produzem no território chinês para exportação, a indústria de Joinvile (SC) cruzou o planeta, há treze anos, de olho no mercado doméstico da economia que mais cresce no mundo.

“Quem quer crescer no mundo tem que estar no mercado americano. Mas se quiser crescer mais ainda, tem que estar na China”, resumiu o gerente-geral da Embraco na China, o gaúcho João Carlos Lemos. Ele foi um dos primeiros cinco funcionários enviados para montar a unidade chinesa e acompanhou desde o começo a trajetória da empresa brasileira no gigante asiático. A empresa brasileira teve como foco os fabricantes chineses de geladeira. Hoje, 40% das geladeiras produzidas no mundo são feitas na China. Uma, em cada oito geladeiras, conta com compressor hermético de refrigeração da Embraco made in China, mas com tecnologia 100% brasileira.

Tudo começou em 1993, com a busca de um sócio chinês. A iniciativa foi motivada pelas crescentes exportações da Embraco para a China – cerca de um milhão de compressores por ano. A instalação de uma fábrica em Pequim se consolidou dois anos depois, com uma parceria com a chinesa Snowflake, para a produção de compressores CFC free.

“A abertura da economia chinesa se deu gradativamente. Nos anos 80 era difícil fazer negócio aqui [na China], a não ser com sociedade de maioria chinesa. Nos anos 90, começou a se abrir para empresas 100% capital estrangeiro, mas ainda era muito arriscado e o melhor era fazer um casamento com uma empresa local, que já conhecesse o mercado e tivesse uma base estruturada para a produção”, contou Lemos.

Em maio de 2006, a fábrica cresceu e foi transferida da região central da capital para o distrito industrial de Kong Gang, a 30 quilômetros do centro de Pequim, próximo ao aeroporto internacional e ao lado de empresas como as japonesas Panasonic e SMC, a canadense Pratt & Whitney, a dinamarquesa Schüco e a chinesa AT&M. E a produção, que antes era de dois milhões de compressores/ano, subiu para 4,4 milhões e chegará a seis milhões em 2009.

Hoje, a unidade chinesa responde por 12% a 15% do total produzido pela Embraco no mundo todo. Além de Pequim, a empresa tem fábricas em Joinvile, na Itália e na Eslováquia, e escritórios de vendas e assistência técnica nos Estados Unidos, México e Itália.

Com a Embraco, apenas cerca de 30 empresas brasileiras têm alguma atuação no mercado chinês. Para João Carlos Lemos, a culpa é dos próprios brasileiros, e não dos chineses. “O Brasil ainda é muito fechado economicamente, fica difícil enxergar o resto do mundo. A China é muito mais aberta”, garantiu.  Ele informou que nestes treze anos de atuação na China algumas fases foram melhores que outras, mas a empresa sempre apostou no futuro. E não se arrepende.

Fonte; Agência Brasil


Brasil só tem 30 empresas atuando na China, enquanto Estados Unidos estão com sete mil

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – Mais de sete mil empresas americanas estão na China. Do Brasil, pouco mais de 30 tem alguma atuação no mercado que mais cresce no planeta. Falta de conhecimento e foco no mercado interno são algumas das razões disso, na avaliação o secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China, Rodrigo Maciel.

“Ainda há um grande desconhecimento do Brasil em relação à China, em alguns casos até desinteresse. O processo de internacionalização ainda é recente no Brasil e atingiu um número muito pequeno de empresas”, afirmou.

A função do conselho bilateral – instalado durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em 2004 – é justamente melhorar o ambiente de comércio e investimentos entre os dois países por meio do diálogo entre os governos. Por intermediar tal diálogo, Maciel garante que a atração de investimentos estrangeiros continua sendo prioridade do governo chinês. Mas não qualquer investimento.

“Se percebe uma mudança radical nesse incentivo. O foco deles, agora, é receber investimentos nos setores de alta tecnologia, de pesquisa e desenvolvimento”, destacou Maciel, Os incentivos já não são mais oferecidos em função da localização geográfica do empreendimento – política que tinha como objetivo a formação de grandes núcleos de produção. Agora, o incentivo depende do tipo de tecnologia que será trazida oferecida à China.

A regra vale, inclusive, para zonas de desenvolvimento industrial, como a Beijing Development Area, a 30 quilômetros do centro de Pequim. “As empresas que eles querem atrair para essas zonas, hoje, são empresas de alta tecnologia e biotecnologia. Isso passou a ser uma prioridade nacional”, explicou Rodrigo Maciel.

Segundo ele, também há grandes oportunidades para parcerias entre empresas chinesas e brasileiras. “Em alguns setores identificados como de grande mercado na China, talvez seja interessante ter investimentos conjuntos. Esse tipo de parceria pode ser  importante até para aumentar a capacidade produtiva e o Brasil se tornar um fornecedor estratégico desse produto para a China”, avaliou Maciel.

O próprio agronegócio poderia se beneficiar dessa fórmula, tornando-se exportador de alimentos processados. “Essas oportunidades existem não só em comércio, mas em investimentos. A gente é que precisa se colocar estrategicamente para aproveitá-las”, garantiu o secretário-executivo do conselho bilateral.

Paul Liu, presidente da Câmara de Desenvolvimento Econômico Brasil-China, acha que é hora de perder o medo do gigante asiático. “A China ainda tem muitas áreas a serem expandidas, muitas pessoas querem melhorar a qualidade de vida e isso certamente vai abrir muitas oportunidades”, afirmou.

Ele acredita que os Jogos Olímpicos ajudarão a acabar com os estigmas do país asiático. “Por meio das Olimpíadas as pessoas certamente terão uma nova opinião sobre a China, verão que ela não é algo transitório mas, sim, um país que está crescendo há mais de 20 anos e vai continuar crescendo nos próximos 20”, disse Liu.

Fonte; Agência Brasil


Quase todas as 500 maiores empresas do planeta operam no mercado chinês

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – “O aprendizado será longo e cruel, mas não estar na China é não estar no mundo”. Dessa forma Alberto Miranda, da Fundação Dom Cabral, resumiu o que significa fazer negócios com o gigante asiático. A frase, segundo ele, é do diretor-geral da Embraco na China, João Carlos Lemos – a fabricante brasileira de compressores, que já está há 12 anos no mercado que ao mesmo tempo atrai e atemoriza empresários do mundo todo.

“O fator China surge em toda discussão estratégica de todas as grandes e médias empresas hoje”, garante Miranda, que gerencia o programa China: Oportunidades e Desafios, voltado a executivos brasileiros interessados em conhecer o mercado chinês.  “As oportunidades são múltiplas, mas é necessário conhecer esse ambiente, tão diverso do nosso. É preciso definir onde fazer negócio, com que segmento, quais sãos os concorrentes, conhecer direito empresarial chinês”,  orienta.

Quase todas as 500 maiores empresas do planeta listadas pela revista Fortune possuem operações na China ou têm negócios com o país. Apesar do crescente interesse brasileiro, atualmente há apenas 35 empresas brasileiras atuando na China. Algumas já instalaram plantas industriais lá, como a Embraco, a Embraer (no país desde 2003 em associação com a estatal Avic 2)) e a fabricante catarinense de motores elétricos WEG. Outras, contam com escritórios comerciais – é o caso de Gerdau, Suzano, Banco do Brasil e Itaú/BBA.

Desde a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, o país também passou a permitir a abertura de empresas com capital 100% estrangeiro em alguns segmentos, como o de autopeças. Noutros, é necessário um parceiro chinês. A entrada de empresas estrangeiras só segue proibida em setores considerados estratégicos, como o militar e segmentos da aviação, ainda é proibida a entrada de empresas estrangeiras. “A abertura ao capital estrangeiro tem sido progressiva. Há setores que são incentivados, como aqueles que trazem tecnologia para a China”, destacou Miranda.

Atrativos não faltam no mercado chinês: mão-de-obra barata, carga tributária menor, boas condições de infra-estrutura, boas reservas de capital (poupança e reservas externas). Outra vantagem citada  por Miranda é o planejamento governamental de longo prazo para a atividade econômica.

Mas a China também tem suas fraquezas, como a escassez de matérias-primas, água e de energia limpa – cerca de 75% da energia do país é gerada de termoelétricas à base de carvão, o que faz da China o segundo maior poluidor do mundo.

Miranda também chama a atenção para um problema recorrente: as cópias. É comum os chineses simplesmente copiarem os processos das empresas que lá se instalam.  Ele recomenda a contratação de uma boa consultoria em direito empresarial, especialmente em direito de propriedade intelectual.  “Se você proteger o produto eles vão copiar o processo, se você proteger o processo e tirar uma patente, eles vão copiar a marca, se proteger a marca vão copiar o logo, o jingle. Tem que estar muito bem assessorado em relação a isso e, ainda assim, poder correr algum risco”, alerta.

Fonte; Agência Brasil


Intercâmbio com Brasil ainda representa só 1% das trocas comerciais chinesas

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – Nos últimos oito anos, a China saltou do 12º para o 3º lugar entre os principais destinos das exportações brasileiras, respondendo por 6,68% do total. No ranking de fornecedores para o Brasil, o gigante asiático está atrás apenas dos Estados Unidos, com uma fatia de 10,1% das nossas importações. Em 2007, foram US$ 23,36 bilhões em transações bilaterais, com perspectivas de bater nos US$ 30 bilhões em 2008. Mas o intercâmbio comercial com o Brasil ainda representa pouco mais de 1% das trocas comerciais da China com o resto do mundo.

No primeiro semestre de 2008, a balança comercial da China cresceu 25,7% e alcançou a cifra de US$ 1,23 trilhão – deste total, apenas US$ 16 bilhões foram negócios com o Brasil. As exportações chinesas cresceram 21,9% totalizando US$ 666,6 bilhões – US$ 8,94 bilhões tiveram o Brasil como destino. As importações tiveram alta ainda maior: 30,6%, num total de US$ 567,6 bilhões, sendo apenas U$S 7,4 bilhões de produtos brasileiros.

Além da pequena fatia brasileira, a pauta de trocas também é pouco diversificada. As exportações brasileiras para o gigante asiático se concentram em produtos primários e inclui óleo vegetal, combustíveis e alimentos. A China já é o terceiro mercado agrícola brasileiro, e principal destino de nossas vendas externas de soja e minério de ferro.  Em contrapartida, a China fornece para o Brasil basicamente produtos manufaturados como máquinas e equipamentos, motores de veículos e produtos plásticos.

A meta do governo brasileiro é triplicar as exportações brasileiras para a China e atrair mais investimentos chineses para o Brasil até 2010.  Esse é o objetivo da chamada Agenda China, lançada no começo de julho, em parceria com o Conselho Empresarial Brasil-China.

“O Brasil não pode continuar não observando esse movimento que ocorreu no mundo inteiro, não incluindo a China no planejamento estratégico”, afirmou o secretário-executivo do conselho, Rodrigo Maciel.

Visando diversificar a pauta de exportações para a China, a Agenda China identifica 619 produtos com oportunidades para exportação. Destes, 147 são produtos com potencial para vendas imediatas e capacidade produtiva capaz de atender à demanda externa. O grupo inclui, além de produtos alimentícios como peixes, massas e preparações alimentícias, produtos farmacêuticos e químicos, máquinas e equipamentos, higiene pessoal e cosméticos, plásticos, produtos de limpeza, setor automotivo e papel e celulose, entre outros.  “A China é um grande importador de produtos manufaturados. Dos US$ 956 bilhões que importou em 2007, US$ 712 bilhões foram produtos manufaturados”, ressaltou Maciel.

No médio prazo, a Agenda China identifica perspectivas de exportação de leite em pó, por exemplo –  produto consumido em grandes quantidades pelos chineses mas que, para o Brasil exportar, ainda depende de aumento de capacidade produtiva e de negociação entre os governos. Nos segmentos de máquinas e equipamentos eletroeletrônicos também há vários produtos com possibilidades de médio e longo prazo que implicam em mais investimentos produtivos.

O fundamental, segundo Maciel, é partir com mais agressividade para o mercado que mais cresce no mundo. “O Brasil não fez nenhuma promoção comercial na China, apenas reagiu a uma demanda chinesa, que foi de commodities. Se a gente quiser diversificar nossa exportação, e é isso que a Agenda China propõe, temos que partir para uma atuação mais ativa em relação à China”, disse Maciel.

Fonte Agência Brasil


Milagre econômico atraiu 500 mil empresas estrangeiras e US$ 750 bilhões em investimentos

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – Virar a fábrica do mundo em apenas 30 anos é o que se pode chamar de um verdadeiro milagre econômico. Mas o processo de desenvolvimento foi estrategicamente planejado pelo governo central. Desde o início das reformas econômicas, a China atraiu mais de 500 mil empresas estrangeiras e US$ 750 bilhões em investimentos produtivos.

Esse processo gradual teve início nos anos 80, pouco depois da morte de Mao Tse-tung, com a criação das chamadas Zonas de Desenvolvimento Especial. A partir da segunda metade da década de 80, incentivos fiscais atraíram investimentos estrangeiros às primeiras cinco zonas, destinadas à produção para exportação.

O resultado foi um salto na produção de bens manufaturados e uma mudança no perfil exportador do gigante asiático. Em 1980, os produtos primários representavam 50% das vendas chinesas para outros países. Em 2000, essa participação caiu para apenas 10,2%. Já os manufaturados passaram de uma fatia de 49,9% em 1980 para 89,8% em 2000.

Mas engana-se quem pensa que a China só exporta bugingangas, como brinquedinhos baratos e sapatos de plástico. Ainda nos anos 90, metade dos investimentos estrangeiros diretos dirigiam-se a setores industriais intensivos em mão-de-obra, como têxteis e vestuário, enquanto os outros 50% dividiram-se entre segmentos intensivos em tecnologia (como a indústria farmacêutica) e de capital intensivo (como refino de petróleo e fabricação de produtos químicos). Desde 2004, a China é o maior exportador do mundo de bens relacionados à tecnologia da informação, como computadores, celulares e câmeras digitais.

Tudo isso, resultado do minucioso planejamento estratégico do governo central, que exige que as empresas que lá se instalam não levem apenas linhas de produção, mas tecnologia. Todos devem montar um centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Produto na China – com engenheiros chineses. Ainda nos anos 90, multinacionais como Intel, Motorola e Microsoft instalaram laboratórios de pesquisa em tecnologia de telecomunicações no país. Hoje, há 750 centros de Pesquisa  e Desenvolvimento de multinacionais no país. Os chineses aprendem com os estrangeiros. E copiam.

Fonte Agência Brasil


“Fábrica do mundo” é responsável por um terço do crescimento econômico mundial

Agosto 17, 2008

Pequim (China) – O anfitrião destes Jogos Olímpicos é o país que mais cresce no mundo – há 30 anos e a uma taxa de 9% ao ano, puxada pelo avanço do setor industrial. Nesse período, tirou mais de 400 milhões de pessoas da pobreza, quadruplicou a receita per capita e promoveu o mais acelerado processo de urbanização já visto.

Hoje, o dragão que atrai e atemoriza é a terceira maior economia do mundo. Em termos de paridade do poder de compra, perde apenas para os Estados Unidos. Por esse critério, calcula-se que a China contribuiu, em 2007, com 35% do crescimento do Produto Interno Bruto global. A contribuição do Brasil foi inferior a 2,5%.

Como fez a Coréia do Sul em 1988, a China se candidatou a sediar os Jogos Olímpicos e trabalhou por sete anos para tudo sair perfeito e mostrar ao mundo as transformações dos últimos 30 anos, passar a imagem de um país desenvolvido, civilizado, moderno, do qual não é preciso ter medo.

“A China criou um modelo único de desenvolvimento, o denominado sistema socialista de economia de mercado, associando outros ingredientes ao seu modo de desenvolvimento: a reforma do sistema educacional, a priorização da ciência e tecnologia, a construção de infra-estruturas econômicas e o emprego de políticas agrícola e industrial pró-ativas”, resume o economista Idaulo José Cunha, um especialista em desenvolvimento.

Ex-vice-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Cunha acaba de lançar o livro China, o Passado e o Futuro de um Gigante, contando a trajetória do gigante e mostrando as oportunidades que o crescimento chinês representam para o mundo.

Segundo Cunha, um dos marcos da reforma econômica promovida por Deng Xiaoping após 1979 foi facilitar o ingresso de capital externo para estimular o desenvolvimento industrial. Foram criadas Zonas Econômicas Especiais que ofereciam vantagens como a isenção de tributos sobre lucros e a redução ou isenção de tarifas de importação e de licenças para exportação. O passo seguinte foi a criação de Zonas de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico. Para se ter uma idéia, entre 1992 e 2000 ingressaram no país US$ 280 bilhões para implantação de 322 mil projetos.

Em 1990, a China produziu apenas 9% do aço mundial. Essa participação saltou para 37% em 2007, totalizando quase meio bilhão de toneladas. O cimento também é utilizado como indicador para avaliar o desempenho de uma economia. A produção chinesa era de 65 milhões de toneladas em 1978 e chegou a 1,24 bilhão em 2006 – a brasileira é de 39 milhões.

O país lidera a produção mundial de aço, carvão, fertilizantes. Também é líder na produção de aparelhos de televisão, bicicletas e bens ligados à tecnologia da informação, como laptops e celulares.

“Ao assumir o papel de fábrica do mundo, a China tem deslocado e substituído produtores de países desenvolvidos e em desenvolvimento, graças a vantagens competitivas que suplantam em muito os baixos custos de sua mão-de-obra. Por outro lado, o país exibe extraordinário apetite por commodities oriundas da extração mineral e do agronegócio”, avalia o economista.

A China é apontada como um dos causadores da inflação mundial de alimentos. Também é o segundo maior consumidor de petróleo do mundo, atrás somente dos Estados Unidos, consome um terço de todo o aço e metade de todo o cimento produzido no planeta.

Com cifras assim, qualquer movimento retumba no mundo todo. E o impacto da China na economia mundial só tende a crescer. Pesquisa da Goldman Sachs prevê que em 2015 o PIB chinês será o dobro do alemão e maior que o japonês. Em 2039, a China deve disputar com os Estados Unidos o posto de maior economia mundial e, no ano seguinte, assumir a liderança.

Leia no decorrer do fim de semana e início da semana que vem uma série de reportagens sobre a economia chinesa e relações com o Brasil. E acompanhe toda a cobertura olímpica multimídia da equipe da Empresa Brasil de Comunicação no site China 2008.

Fonte; Agência Brasil