Acordo entre Brasil e Egito deve incrementar exportações de carne

Agosto 12, 2008

Brasília – Os ministros da Agricultura do Brasil, Reinhold Stephanes, e do Comércio e Indústria do Egito, Rachid Mohamed Rachid, assinaram hoje (12) acordo de cooperação na área de serviços veterinários. Com validade de cinco anos, a partir de 1º de setembro, o acordo tem como foco a exportação, importação e trânsito de animais e seus subprodutos, com base em normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

“O documento vai facilitar, principalmente, o comércio na área de carnes bovina e de aves”, afirma Stephanes, em nota divulgada pelo Ministério da Agricultura (Mapa). Pelo acordo, Brasil e Egito se comprometem a trocar boletins veterinários relatando as condições sanitárias dos rebanhos mensalmente e a notificar a ocorrência de qualquer doença infecciosa ou contagiosa no gado.

Na nota, o ministro diz também que a importação direta de fertilizantes do Egito, por meio de grandes cooperativas, é um dos principais objetivos do país. O Egito produz quantidade significativa de adubos à base de amônia.

Já o representante egípcio, Rachid Mohamed Rachid, teria manifestado interesse na instalação de filiais de empresas brasileiras em seu país. Segundo Rachid, as indústrias do Egito podem produzir mais, se forem incentivadas pelas brasileiras.

A carne é o principal produto de exportação do agronegócio brasileiro para o Egito. Este ano, de janeiro a junho, foram vendidos US$ 141 milhões em carne, de um total de US$ 305 milhões em exportações agropecuárias para aquele país. Se comparadas aos valores do ano passado, entretanto, as vendas totais tiveram queda de 5,8% e as de carne, de 30,8%.

Levando-se em conta que o preço da carne subiu no mercado internacional, o volume exportado este ano foi quase 50% menor do que o de 2007. O acordo assinado hoje entre os dois países visa reaquecer esse comércio.

Fonte: Agência Brasil


Indústria de alimentos registra aumento de 1,86% no faturamento em junho

Agosto 12, 2008

Brasília – O faturamento da indústria de alimentos cresceu 1,86% em junho, em comparação com o resultado do mês anterior. Na comparação com maio de 2007, o crescimento foi de 17,59% . No acumulado do ano, a alta foi de 20,87% e, nos últimos 12 meses, de 16,24%. Os dados foram apresentados hoje (12) pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia).

Segundo o balanço, o volume de alimentos produzido em junho foi 1,68% maior do que o de maio. Quando comparado a maio do ano passado, o volume ficou 6,18% acima. No acumulado do ano, a produção foi 7,97% mais alta do que no mesmo período do ano passado e, nos últimos 12 meses, 4,73 % maior.

O presidente da Abia, Edmundo Klotz, atribuiu o crescimento do consumo e do faturamento no setor ao aumento da oferta de empregos e da renda da população e também à melhor remuneração dos trabalhadores.

Klotz disse que o primeiro semestre foi muito bom para a indústria de alimentos: “Apesar dos preços altos e da inflação, houve seguramente aumento de ganhos, salários e renda, em porcentual bastante significativo.” Ele destacou os setores de carnes, congelados e desidratados e afirmou que a população começou a se alimentar melhor e que os produtos mais nobres foram os mais consumidos.

De acordo com as projeções da Abia, o faturamento do setor deve chegar neste ano a R$ 268 bilhões, 16,2% a mais do que em 2007, quando ficou em R$ 230,6 bilhões. Só em alimentos, a entidade estima que o faturamento seja de R$ 228,1 bilhão. Os R$ 39,9 bilhões restantes devem ser faturados na venda de bebidas.

Estimativas da Abia apontam, entre os setores que mais vão contribuir para o resultado, os de derivados de carne, que devem faturar R$ 60,99 bilhões, 19,98% a mais do que no ano anterior; beneficiamento de café, chá e cereais, com previsão de R$ 31,62 bilhões (+ 28,06%); óleos e gorduras, com R$ 29,81 bilhões (+ 25,94%); e laticínios, com 27,33 bilhões (+15,50%).

Segundo dados da Abia, as exportações, que no ano passado atingiram US$ 26,6 bilhões, com crescimento de 17,5% sobre o ano anterior, e aumento de 4,1% no volume, poderão chegar em 2008 a US$ 29,7 bilhões (+16,3% ). A previsão é de exportações em torno de 44 milhões de toneladas, o que representaria queda de 5,5% na comparação com o ano de 2007.

Klotz, também apontou as principais preocupações do setor de alimentos: crescimento do país abaixo da média dos países emergentes, regulamentação excessiva, falta de investimentos em logística e de uma saída para o Oceano Pacífico, crescimento das marcas próprias do varejo, a necessidade de redução da tributação nos alimentos e a inflação mundial dos alimentos.  “Além dos juros, que estão nos castigando tremendamente. Nós temos muito a resolver. É um país que por mais que produza e evolua, ainda está atrás dos outros emergentes”, completou.

Fonte: Agência Brasil


Lula defende retomada de negociações da Rodada Doha em telefonema a líder indiano

Agosto 12, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (12), em telefonema ao primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, que pretende “jogar tudo” o que puder para que as negociações da Rodada Doha sejam retomadas ainda em setembro. No telefonema, que foi uma iniciativa do presidente brasileiro e durou 20 minutos, Lula e Singh falaram sobre a liberalização do comércio de produtos agrícolas no mercado internacional.
 
Lula disse ao indiano que, se as negociações não forem retomadas em breve, todos os avanços alcançados nas regociações de Genebra, na Suíça, ficarão perdidos e, nesse caso, poderia se levar mais três a quatro anos para retornar ao patamar já alcançado. “Nadou-se todo um oceano e, próximo da praia, se afogou”, afirmou Lula.
 
Na confersa com Lula, o primeiro-ministro indianodisse acreditar que o fracasso das negociações em Genebra sejam um revés temporário e que os ganhos obtidos serão preservados. Ele destacou as dificuldades para preservação dos interesses dos agricultores familiares, numerosos na Índia, e apontou uma lacuna entre as necessidades mínimas do país e o que foi negociado em Genebra em produtos especiais e salvaguardas.
 
O presidente brasileiro disse a Singh que entende suas preocupações e procurou demonstrar ao primeiro-ministro que muitos países fizeram esforços no G-20 (grupo de países em desenvolvimento) para construir consensos e soluções nas negociações.
Singh informou a Lula que receberá a visita do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, para negociações, mas não mencionou a data.
 
As informações são da assessoria internacional da Presidência da República.


Relação do déficit em conta corrente do Brasil com economia é moderada, avalia BC

Agosto 12, 2008

Brasília – O déficit em transações correntes do país tem magnitude “moderada” em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, na comparação com outros países com notas de classificação de risco de investimento semelhantes ao do Brasil.

Metade dos dez países analisados pelo BC – África do Sul, Croácia, Romênia, Hungria e Índia – apresentam déficits em conta corrente em relação ao PIB, superiores ao 1,3% registrado pelo Brasil. A conclusão é do Banco Central (BC), que divulgou hoje (12) o documento Evolução dos Indicadores de Sustentabilidade Externa – Atualização.

“A média aritmética da amostra, sem ponderação pelo tamanho de cada economia, é de –2,4%, déficit superior ao observado para a economia brasileira atualmente. Note-se que a média, excluindo-se a Rússia, país que é grande exportador de petróleo e correlatos, alcança -3,3%”.

A conta corrente engloba balança comercial (exportações e importações), serviços e rendas e as transferências unilaterais. No primeiro semestre deste ano, o resultado negativo em transações correntes chegou a US$ 17,402 bilhões, o maior da série histórica, iniciada em 1947.

No acumulado de 12 meses até junho, o déficit é US$ 18,1 bilhões, o que equivale a 1,32% do PIB. Em termos históricos, afirma o BC, a média do saldo em transações correntes atingiu –1,75% do PIB, de 1947 a 2007.

O documento também informa que o déficit em conta corrente previsto para este ano será o primeiro depois de cinco anos seguidos de superávits, “que constituíram fato inédito na história econômica nacional”. O motivo para essa mudança é principalmente o aumento das remessas de lucros e dividendos de empresas filiais no Brasil a matrizes no exterior.

Outro fator foi a redução do superávit comercial, com importações crescendo em ritmo superior ao das exportações. As viagens internacionais também contribuem para esse déficit, uma vez que o dólar mais baixo estimula a ida de brasileiros ao exterior.

O BC reforça que o déficit em conta corrente será financiado pelos investimentos estrangeiros diretos (IED – caracterizados pelo interesse duradouro do investidor na economia) e também investimentos estrangeiros em carteira (renda fixa e ações), além de créditos comerciais e empréstimos diretos de médio e longo prazos.

“Esses ingressos líquidos têm proporcionado a manutenção do superávit do mercado de câmbio e a continuidade da política de fortalecimento das reservas internacionais do país”.

O documento também ressalta que as reservas internacionais, que estão acima de US$ 200 bilhões, são suficientes para superar em mais de três vezes o valor das amortizações totais da dívida pública e privada com vencimento nos próximos 12 meses.

Segundo o BC, em 1999, as reservas internacionais chegaram a cobrir pouco mais da metade das amortizações da dívida com vencimento em 12 meses e 77,5% desse serviço na média entre 1995, ano em que se inicia a série, e 2002.

Em outra perspectiva, diz o BC, as reservas internacionais seriam equilaventes ao serviço total da dívida (juros e amortizações) com vencimento nos próximos 76 meses.

“Em todas as comparações utilizando os indicadores de sustentabilidade externa apontam hoje para maior solidez das contas externas do país, na comparação com a década anterior”, conclui o documento.

O documento lembra que a dívida externa total líquida apresentou trajetória “favorável”, passando de 32,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2002, para a posição credora de 1,5% do PIB em junho de 2008. A dívida externa líquida é o total da dívida externa deduzida das reservas internacionais, haveres de bancos comerciais e créditos brasileiros no exterior. O Brasil é credor externo porque as reservas internacionais e outros ativos são maiores do que a dívida externa.

A manutenção de um nível adequado das reservas é vista como uma forma de proteger o Brasil de crises externas e indica que o país é capaz de honrar com seus compromissos, o que melhora o risco país e reduz o custo de captação de recursos pelo setor público e privado.

Fonte: Agência Brasil


Empresários avaliam impactos da Rodada Doha no comércio exterior brasileiro

Agosto 12, 2008

Brasília – Os resultados da Rodada Doha e o impacto da falta de um acordo multilateral para o comércio exterior brasileiro serão discutidos hoje (12) em uma reunião de empresários, a partir das 15h,  na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

O encontro é promovido pela Coalizão Empresarial Brasileira, grupo de organizações empresariais liderado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Na reunião, o embaixador Roberto Azevêdo, negociador brasileiro na Rodada Doha, fará um balanço das reuniões realizadas na última semana de julho em Genebra, na Suíça.

Após o encontro, às 17h30, o embaixador Roberto Azevêdo, o coordenador da Coalizão Empresarial Brasileira, Carlos Marianni, e o diretor de Negociações Internacionais da Fiesp, Mario Marconini, concedem entrevista coletiva sobre o assunto.

Fonte: Agência Brasil


Porto de Buenos Aires apresenta necessidade de reformas de urgência

Agosto 12, 2008

Em uma coletiva de imprensa realizada pela AGP (Administración General de Puertos) no Porto de Buenos Aires, Argentina, o gerente de Engenharia e Operações, Rodolfo Ghiglione, destacou a importância das obras de expansão e segurança a serem realizadas.

Em Buenos Aires, segundo Ghiglione, foram investidos 158 milhões de pesos nos últimos quatro anos, 72% dos quais em obras de dragagem, 20% em ligações viárias e ferroviárias, e 8% em manutenção das instalações.

Há, porém, muitas obras urgentes aguardando realização. Entre os projetos em estudo, estão a ampliação do espelho d’água no interior do porto, a ampliação do círculo de manobras para 500 metros (no momento ele possui 300 metros), o aumento do canal de passagem de navios para 200 metros, e a remoção de embarcações e peças de navios do fundo das águas do porto.

Além disso, também se discute a ampliação. Em Buenos Aires, a movimentação de contêineres vem crescendo continuamente desde 2002, atingindo 1 milhão e 154 mil Teus (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés) em 2007, número próximo à capacidade teórica de 1 milhão e 200 mil Teus.

Para isso, há um plano diretor que começou a ser pensado em 2005 e fixa bases para o crescimento dos terminais até 2030. Também se espera resolver pendências relativas ao processo de licitação para a construção do Terminal 6, iniciado três anos atrás.

Fonte: Guia News


Importação cresce 80,3% no mês

Agosto 12, 2008

Puxadas principalmente pelas compras de adubos, fertilizantes e combustíveis, as importações brasileiras nas duas primeiras semanas deste mês já apresentam alta de 80,3% em relação à média diária de agosto do ano passado. O crescimento das exportações, por outro lado, ocorreu em velocidade bem menor no mesmo período: 49,5%.
Na segunda semana de agosto, a balança comercial apresentou superávit de US$ 496 milhões, com exportações de US$ 4,96 bilhões e importações de US$ 4,46 bilhões. Como na primeira semana do mês a balança teve déficit de US$ 43 milhões, o superávit comercial em agosto até a segunda semana é de US$ 453 milhões, 54,24% menos que o superávit acumulado nas duas primeiras semanas de agosto de 2007.

Fonte: O Estado de São Paulo


Cotação das commodities desafia balança brasileira

Agosto 12, 2008

A queda nos preços das commodities pode obrigar o Brasil a rever sua estratégia para manter um superávit em sua balança comercial. Dados coletados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) sugerem que a queda nos preços dos bens agrícolas pode reduzir de forma substancial o superávit brasileiro. Para deixar a situação dos exportadores brasileiros ainda mais difícil, a Europa anunciou que colherá uma safra que pode bater recordes em 2008, o que deve fazer com que os preços caiam ainda mais.
“O que estamos vivendo é uma correção nos preços das commodities, que estavam altos”, explicou Michael Finger, chefe da divisão de estatísticas da OMC. “Com a alta de preços, muitos consumidores deixaram de comprar nos volumes que estavam acostumados. O resultado é que o mercado se auto-regulou e os preços voltaram a cair”, explicou Finger.
Segundo a OMC, mais da metade da alta registrada nas exportações nacionais nos últimos meses ocorreu graças aos preços, e não ao volume exportado. O mesmo já havia ocorrido em 2007. No ano passado, o País registrou um crescimento das exportações de 17% em valor, com US$ 161 bilhões. Em volume, porém, o Brasil teve uma alta de suas vendas de apenas 6,9%. Nos primeiros quatro meses do ano, a alta nos preços das commodities salvou as exportações brasileiras e permitiu que o País tenha uma taxa de crescimento em 2008 acima dos índices da China.
Mesmo com essa expansão, o superávit já vinha caindo diante do crescimento das importações, uma das maiores entre as principais economias do mundo nos últimos seis meses. Agora, sem o fator preço, o cenário promete ser bem diferente. Outro fator que deve atrapalhar deve ser a retomada da boa safra na Europa em 2008. “Os produtos, incentivados pelos preços, plantaram mais e as perspectivas de safra na Europa são muito boas neste ano”, disse Finger. A safra da UE neste ano será 16% superior à de 2007. Com apenas 1,2% do comércio mundial, o Brasil precisaria se concentrar em garantir uma maior competitividade de seus setores produtivos para não depender dos preços dos produtos de base.

Lamy tenta convencer Índia a rever posição e retomar Rodada de Doha
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, chega hoje à Índia para tentar convencer o governo a rever suas posições na Rodada de Doha e permitir a retomada do processo.
Ontem, em Genebra, o mediador das negociações agrícolas da Rodada de Doha, Crawford Falconer, sugeriu em um documento enviado a todos os governos que o processo não seja abandonado e que os diplomatas “tirem a poeira de cima e voltem a trabalhar” o mais rápido possível. “Não se pode mais esperar por uma intervenção divina do Olimpo”, disse ao tentar encorajar a retomada das negociações.
Muitos em Genebra acham irrealista a retomada da rodada neste ano. No final de julho, a OMC fracassou em chegar a um acordo sobre a liberalização dos mercados. Há poucos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua viagem à abertura dos Jogos Olímpicos para debater com outros líderes a retomada de Doha.
O governo americano, enquanto isso, deu sinais que não tem mais o que oferecer nessa atual gestão. Ontem, porém, o mediador foi direto ao ponto e indicou que os governos quase chegaram a um acordo. Sua avaliação é de que havia uma base para um acordo em quase todos os pontos e acredita que os temas que não foram tratados poderiam ter sido solucionados.
Mas disse que as diferenças entre os ministros não foram apenas técnicas, mas sim políticas. Por isso, ele não acredita que a rodada possa ser retomada apenas superando questões técnicas. Falconer cita o problema do mecanismo que permitiria que países emergentes pudessem impor barreiras quando ocorresse um surto de importação de alimentos. Índia e Estados Unidos não chegaram a um acordo sobre o assunto.
Não por acaso, o diretor da OMC, Pascal Lamy, visita a Índia e irá aos Estados Unidos tentar retomar o diálogo com esses países. Seu objetivo será o de convencer os governos a aceitar um compromisso. Em Nova Délhi, Lamy se reunirá com o ministro da Indústria da Índia, Kamal Nath, que deixou Genebra com a fama de intransigente. Mas chegou a seu país aclamado por não ter cedido às pressões dos países ricos.
Fonte: Jornal do Comércio


Commodities têm queda recorde e aliviam inflação

Agosto 12, 2008

Os preços das commodities já caíram mais de 12% em agosto e tiveram o maior recuo da década. O índice Commodity Research Bureau (CRB), que acompanha a cotação das matérias primas comercializadas em larga escala no mercado mundial nos mercados futuros, fechou sexta-feira em 387,42 pontos, depois de ter atingido 440,7 pontos em julho e 443,8 pontos em junho, o pico da série histórica.

A tendência de queda é visível desde o mês passado. Nos últimos 30 dias, a cotação da soja, por exemplo, caiu 22% no mercado futuro; o milho, 27%; o petróleo, 17%; e o alumínio, 10%. Esse movimento alivia a pressão sobre a inflação neste ano e deve trazer os índices para níveis próximos do centro da meta seguida pelo Banco Central (BC), de 4,5% para 2009, prevêem os economistas.

Dois indicadores divulgados na semana passada reforçam essa tendência. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial da inflação, encerrou julho em 0,53%, ante 0,74% no mês anterior. A desaceleração foi provocada pela perda de fôlego dos preços dos alimentos, que aumentaram 1,05% em julho, a metade da variação de junho (2,11%). A primeira prévia deste mês do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentou deflação de 0,01%, depois de ter subido 1,55% em julho. Nesse caso, também os alimentos ajudaram a derrubar a inflação tanto no atacado como no varejo.

A desaceleração da inflação estampada nos índices reflete só uma parte do recuo dos preços das commodities, afirma o sócio-diretor da RC Consult, Fábio Silveira. “O maior impacto está por vir.” Segundo ele, a inflação deste ano dificilmente vai superar 6,5% e deve ficar abaixo de 4,5% em 2009 por causa da queda das commodities. “Se alguém tinha dúvida de que o BC traria a inflação de 2009 próximo da meta, agora ela diminuiu”, diz o economista do Banco Real, Fábio Susteras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: A tarde


Exportadores devem perder R$ 90 bilhões

Agosto 12, 2008

O diretor do departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou na última sexta-feira que as empresas exportadoras do Brasil devem encerrar 2008 registrando perdas de R$ 90 bilhões, por conta da expressiva valorização do Real frente ao Dólar. Ele comparou a média cambial de 2007, de R$ 2,10, com a estimativa deste ano, que deve ficar em R$ 1,60.No Ceará, o superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN), Eduardo Bezerra, admite que deve haver perdas também. No entanto, ele diz que ainda não foi contabilizado o prejuízo com o câmbio. ´Mesmo com o dólar, devemos crescer 20% sobre exportado pelo Estado em 2007´, projeta. Com isso, as vendas devem chegar a US$ 1,2 bilhão.´A estimativa que fazemos é bastante moderada do que o que deve acontecer, isto porque, em geral, o segundo semestre apresenta volume maior em exportações´, ressalta Bezerra. O empresário, no entanto, afirma que o Estado vem apresentando suas contas bastante equilibradas.De acordo com o diretor da Fiesp, além de uma possível retração da taxa de juros (para conter a inflação) o Governo Federal deveria controlar as despesas e forçar um ajuste fiscal. ´Se não houver um choque de gestão, teremos uma forte desaceleração na economia. Sem um ajuste fiscal, em menos de três anos, perderemos o grau de investimento´, afirmou o empresário paulista.Fonseca também observou que estudo divulgado pela Fiesp mostrou que o Brasil passou a ocupar o primeiro lugar no ranking dos países que mais apresentaram valorização em sua moeda, em comparação ao Dólar. Enquanto a média mundial foi de quase 23%, a brasileira registrou o dobro (ficou em 46%), bem a frente, inclusive, de outros países do Bric (bloco formado pela elite dos países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China). A média obtida pela China ficou em 22% e a da Rússia foi de 17%.Balança comercial – Segundo o diretor do departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais da Fiesp, a valorização cambial também foi a grande responsável pelo déficit de US$ 18,7 bilhões no saldo da balança comercial de produtos manufaturados e pelo aumento de US$ 30,2 bilhões nas importações, em apenas um ano.´Quem está segurando o saldo positivo total das exportações brasileiras é o agronegócio, com forte ajuda dos altos preços das commodities´, comentou Fonseca.A Fiesp aponta estratégias para reduzir essa valorização. Entre as propostas da entidade, está a criação do ´ACC em reais´ (Adiantamento de Contrato de Câmbio), mecanismo que possibilitaria o financiamento das exportações com o uso da moeda nacional.Hoje, as operações de ACC que permitem ao empresário receber antecipadamente pelas mercadorias destinadas às exportações futuras são realizadas em moeda estrangeira. A Fiesp propõe a substituição do financiamento externo pelo interno, o que, conforme Fonseca, eliminaria a entrada antecipada de dólares no país. Com informações do BrasilComex