Hu Jintao e Bush afirmam interesse de aprofundar relações de China e Estados Unidos

Agosto 11, 2008

Pequim (China) – O ataque a um casal de turistas americanos, em Pequim, que ocorreu às vésperas de importante reunião de trabalho dos presidentes da China, Hu Jintao, e dos Estados Unidos, George W. Bush, constou da pauta de assuntos do encontro dos dois  dirigentes.  Após a reunião, nesse domingo (10), os líderes afirmaram o interesse recíproco de aprofundar as relações bilaterais e lamentaram o incidente ocorrido um dia antes.

 

No sábado (9), Todd e Barbara Bachman visitavam a centenária Torre dos Tambores, quando foram atacados com golpes de faca por Tang Yongming, um chinês de 47 anos, desempregado, da cidade de Hangzhou. Tang também atacou o guia que acompanhava o casal e depois se jogou da Torre.

 

Todd morreu e sua mulher ficou gravemente ferida. Barbara Bachman pssou por uma cirurgia de oito horas e seu estado de saúdo é estável, mas crítico.  O guia está fora de perigo. O casal de Minneapolis é parente do treinador da seleção americana de vôlei masculino, Hugh McCutcheon.

Segundo a agência estatal de notícias Xinhua, no encontro com Bush o presidente chinês expressou compaixão pela família das vítimas e disse que ele pediu ao ministro de Relações Exteriores da China que visitasse Barbara Bachman no hospital onde está internada.

“Começamos a investigação do caso imediatamente e trataremos disso com seriedade, de acordo com a lei. Manteremos contato permanente com o lado americano e informaremos sobre a evolução das investigações”, disse Hu Jintao a Bush. O presidente americano agradeceu a manifestação de Hu Jintao e a forma como o governo chinês está tratando o caso.

No encontro, o presidente chinês ainda frisou que a China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos no sentido de elevar as relações bilaterais a um patamar mais alto de uma forma sustentável, saudável e estável. Afirmou, ainda, que a China sempre viu seu laços com os Estados Unidos de uma perspectiva estratégica e de longo prazo.  Bush garantiu que seu país trabalhará pelo fortalecimento das relações bilaterais.

 

Os dois também trataram de temas sensíveis, como a autonomia de Taiwan. Hu Jintao disse que a China jamais reconhecerá a independência daquela região e disse a Bush que espera que os Estados Unidos tratem a questão de forma adequada e apóiem a aproximação entre as regiões.

 

Acompanhe a cobertura olímpica multimídia da equipe da Empresa Brasil de Comunicação no site China 2008.

Fonte: Agência Brasil


Balança comercial tem saldo de US$ 496 milhões na semana

Agosto 11, 2008

Brasília – O superávit da balança comercial (exportações menos importações) chegou a US$ 496 milhões na segunda semana do mês, depois do saldo negativo de US$ 43 milhões, registrados na primeira semana (do dia 1º ao dia 3 deste mês), período com apenas um dia útil.

Em agosto, as exportações somam US$ 5,889 bilhões e as importações, US$ 5,436 bilhões, o que resulta em um superávit de US$ 453 milhões.

No acumulado do ano, o superávit comercial está em US$ 15,106 bilhões, com exportações de US$ 116,987 bilhões e as importações de US$ 101,881 bilhões. Esse saldo é 39,3% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 24,910 bilhões).

Às 15h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgará no site www.desenvolvimento.gov.br o detalhamento das informações sobre a balança comercial nas duas semanas de agosto.

Fonte: Agência Brasil


Fiesp promove Fórum Brasil-África

Agosto 11, 2008

A Fiesp e os embaixadores africanos no Brasil promovem o Fórum Brasil-África, que ocorre hoje, das 9h30 às 13h, na sede da federação em São Paulo.

Devem comparecer ao evento o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, o vice-presidente do BNDES, Armando Mariante, o presidente da Embrapa Sílvio Crestana, o presidente do Consórcio Africano do Agronegócio, o diretor do Itamaraty Simas Magalhães, além de empresários brasileiros e africanos com experiência no comércio inter-Atlântico.

A Fiesp espera oferecer uma oportunidade para se apreciar as oportunidades de investimento que a África oferece nos mais variados setores. Haverá palestras sobre Infra-Estrutura, Alimentos, Energia, Financiamentos e Oportunidades Multi-Laterais.

Fonte: Guia News


Fiesp propõe medidas para valorização do real ante o dólar

Agosto 11, 2008

São Paulo – A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vai propor ao governo três medidas para a valorização do real frente ao dólar. A informação foi dada hoje (8) pelo diretor-geral do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade, Roberto Giannetti da Fonseca, em entrevista coletiva concedida na sede da Fiesp, em São Paulo.

Estudos da federação apresentados por Giannetti apontam que o real foi a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar nos últimos cinco anos: 46%, de agosto de 2003 a agosto de 2008, contra 22,7% da média mundial. A lira turca, por exemplo, teve valorização de 12% no mesmo período; já o yuan, da China, valorizou-se 17%.

Segundo Giannetti, esse comportamento tem reduzido a competitividade da indústria nacional no exterior e o saldo da balança comercial brasileira, além causar um desequilíbrio das contas externas do país. Se nada for feito, na opinião dele, a economia brasileira entrará em um colapso semelhante aos ocorridos em anos anteriores. “Essa situação não é suportável”, disse Giannetti. “Temos que fazer algo ou então, em dois anos, vamos ver o mesmo filme de 1986, 1989, 2002 e 2004.”

 

De acordo com a Fiesp, o ideal é o dólar valesse o equivalente a R$ 2,10. Para Giannetti, medidas que aumentem a demanda pela moeda norte-americana no Brasil fariam com que este patamar fosse alcançado em período de seis meses a um ano. “Restringir a entrada de dólar não é o caminho adequado. Temos que gerar mais demanda de real para dólar.”

Ele disse que uma das medidas que serão propostas é a criação de uma nova linha de financiamento para empresas exportadoras. Atualmente, essas empresas utilizam o chamado Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) para financiar sua produção. No ACC, os financiadores captam recursos no exterior, em dólar, para emprestar as empresas brasileiras. Isso aumenta a quantidade da moeda, reduzindo seu valor aqui.

A idéia da Fiesp é que o governo crie ou incentive a criação de uma espécie de ACC onde os financiadores emprestem os recursos, com a mesma taxa de juros, porém captados de fundos em real. Assim, não precisariam trazer mais dólares ao país.

A segunda proposta da Fiesp é a permissão para a abertura de contas bancárias em dólar no Brasil. A possibilidade valeria somente para empresas Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) e evitaria que essas companhias vendessem todo o dólar recebido para que pudessem aplicar seu capital em um banco nacional. Isso colaboraria também para que menos dólares circulassem no mercado nacional.

A terceira medida é a simplificação do regulamento que trata da dispensa de cobertura cambial. Essa dispensa permite que empresas que realizam transações no exterior mantenham o dólar fora do país para facilitar suas transações. Contudo, o regulamento para que isso seja feito é tão complicado, disse Giannetti, que, em alguns casos, compensa mais a companhia trazer os dólares para o Brasil e arcar com as despesas do que manter uma equipe de funcionários somente para resolver os tramites burocráticos exigidos para manter o dinheiro fora do país.Segundo ele, se o regulamento fosse simplificado, menos dólares entrariam no Brasil e o valor do real tenderia a aumentar.

De acordo com Giannetti, reuniões de dirigentes da Fiesp com representantes do Ministério da Fazenda e do Banco Central devem ocorrer dentro de duas semanas para a discussão das propostas.

Fonte: Agência Brasil


Rodada Doha, descanse em paz

Agosto 11, 2008

É difícil imaginar para que serve, além de marketing presidencial, a cruzada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para retomar rapidamente as conversas e salvar, ainda neste ano, a chamada Rodada Doha, de negociações em favor da derrubada das barreiras comerciais entre os sócios da Organização Mundial do Comércio (OMC). Antes de iniciada a campanha do presidente, negociadores brasileiros haviam desdenhado, em Genebra, a proposta do diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, para retomar negociações em setembro, após as férias de verão nos EUA e na Europa.

Ilude-se o presidente, se acredita que haverá consenso entre os países da OMC sobre os pontos necessários a um acordo, no fim deste ano, às vésperas da eleição presidencial nos Estados Unidos e já no fim do mandato dos atuais negociadores da comissão européia. E pode estar mais equivocado ainda ao afirmar que faltou muito pouco para se fechar um acordo, há cerca de dez dias, em Genebra.

A negociação na OMC, feita sem participação da maioria dos países-membros, paralisou-se no tema de salvaguardas especiais para nações em desenvolvimento, que queriam autorização para impor barreiras contra surtos de importação. Mas o ponto seguinte da pauta, os subsídios dos EUA ao algodão, também era potencialmente paralisante.

Os temas em negociação na Rodada Doha da OMC vão além das tarifas sobre comércio de mercadorias. Invadem áreas como migração, ao tocarem na questão da exportação de serviços realizados por pessoas físicas, no país importador. Os EUA, aliás, no esforço para atrair a Índia a um acordo, chegaram a prometer facilidades para transferências de indivíduos prestadores de serviços de um país a outro.

No início da rodada, havia também uma expectativa de regular mais fortemente as medidas anti-dumping, usadas pelos países como barreira a importações, para proteger concorrentes locais. O Brasil, no início entusiasta dessa maior regulação, arrefeceu o ânimo, ao constatar que é, hoje, um dos grandes usuários de medidas anti-dumping contra a concorrência estrangeira.
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Debate sobre prioridades comerciais é fundamental
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Mas foram temas de interesse localizado que empedraram a agenda da OMC, como foi o caso das preferências comerciais: beneficiados por tarifas menores para vender bananas aos europeus, ex-colônias africanas e do Caribe resistiam a aceitar redução de tarifas para exportadores da América Central.

No caso do algodão, pequenos países africanos exportadores cobravam, com apoio brasileiro, redução dos subsídios ao produto nos EUA. Para o economista Pedro Camargo Neto, um dos maiores entendidos em negociações no setor agrícola, se o Brasil tivesse pressionado mais os Estados Unidos, teria exposto a hipocrisia e a resistência dos americanos em relação à própria política de subsídios, danosa ao comércio internacional.

Ele concorda com outros analistas internacionais, porém, que, se ultrapassasse a discussão sobre salvaguardas, a negociação teria fracassado quando tentasse impor limites, em pleno período eleitoral americano, aos subsídios para o algodão (hoje em US$ 1 bilhão nos EUA, depois de já ter sido de US$ 3 bilhões anuais). Para Camargo Neto, porém, o Brasil cedeu rápido demais às demandas dos EUA. É uma opinião relevante, embora haja quem discorde, como outra respeitada especialista, Soraya Rosar, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para ela, ficou evidente em Genebra que os negociadores haviam aceitado compromissos no limite dos mandatos recebidos de seus governos.

Nos planos de curto e médio prazo das empresas, perde importância o tema mais tradicional nas discussões da OMC, o chamado acesso a mercados – remoção de tarifas de importação sobre mercadorias e serviços. Embora sejam relevantes, especialmente para o planejamento em longo prazo, as tarifas têm sido desmoralizadas por movimentos em outras esferas da economia. No Brasil, a valorização do real em relação ao dólar barateou as importações em quase um terço, um movimento equivalente à derrubada de algumas de nossas mais altas tarifas de importação, comenta Fernando Ribeiro, economista-chefe da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

Ribeiro, como a economista Sandra Rios, integrante de respeitados centros de estudos como o Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), fala na necessidade de uma revisão nas estratégias brasileiras de negociação comercial, com base na nova situação de competitividade da indústria brasileira.

Endossam a observação do presidente do Cebri, José Botafogo Gonçalves, e do pesquisador da Escola de Ciências Políticas da Universidade de Paris, Alfredo Valadão, de que se precisa de nova resposta nacional às questões que ameaçam tomar a agenda internacional, como preocupações ambientais e direitos trabalhistas, e é necessário, ainda, redefinir posições em relação a temas clássicos como as barreiras a estrangeiros nas compras de governo ou as regras de proteção a investimento. Acordos localizados, como os feitos no setor automotivo, podem também abrir novas perspectivas.

Produtores no Brasil hoje cobiçam as encomendas de governos estrangeiros, demandam proteção a investimentos no exterior, estão mais preparados para enfrentar exigências de respeito ao meio ambiente e normas de proteção ao trabalhador, argumentam especialistas. Falta, porém, discussão e consenso interno sobre esses temas.

Boa parte do esforço dedicado pelo presidente a tirar a Rodada Doha do estado de coma poderia ser usado onde esse empenho pode trazer resultados mais imediatos: na promoção desse debate sobre nossas prioridades comerciais, e, também, para apressar a remoção de obstáculos impostos pelo próprio governo, como os tributos sobre investimentos, a demora em superar carências de infra-estrutura ou a burocracia nas alfândegas e nos órgãos de fiscalização à comercialização de produtos no mercado interno.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras
Fonte: Valor Econômico


Câmbio força demissões na indústria

Agosto 11, 2008

O impacto negativo da política cambial já provoca demissões em setores industriais tradicionalmente afeitos à exportação.

     Áreas mais sensíveis aos preços do dólar, como a de madeira processada, estimam que, de maio a julho, as demissões atingiram 15 mil trabalhadores. Nas produtoras de calçados, vestuário e têxteis , o drama é a extinção de aproximadamente 200 mil vagas a cada ano. No chão destas fábricas, os empregados já sabem: caso haja a manutenção das taxas de câmbio, o desemprego virá em 2009.

      – Nosso volume físico exportado tem caído, em média, 17%. Com tal encolhimento, produzimos menos e temos menor necessidade de mão-de-obra – explica Antonio Rubens Camilott, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processsada (Abimci).

      O contingente empregado pelo setor é de dois milhões de trabalhadores. O executivo calcula que, se confirmadas as previsões de valorização do dólar, a escalada de demissões pode ser estancada ainda neste ano, no fim do quarto trimestre.

      – As condições de competitividade estão permitindo uma formalização muito aquém do que poderíamos gerar – diz Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). – Em vez de estarmos gerando no mínimo mais de 160 mil empregos por ano diretamente no setor, vamos ficar com patamares reduzidos de 30, 40 mil postos de trabalho este ano – diz o executivo. – A continuar o câmbio apreciado em 2009, com juros altos trazendo redução no nível de atividade econômica interna e queda de consumo, poderemos ter sim demissões formais.

      Tidos como os mais voláteis da economia – por sentirem mais rapidamente as variações cambiais – estes setores representam uma fatia bastante específica dentro do universo formado pelos quase 30 segmentos da indústria nacional. Diante de uma reviravolta na política cambial, serão os primeiros a serem beneficiados.

      – Com esta taxa de câmbio, não conseguimos ter preço competitivo no mercado internacional, então deixamos de exportar produtos manufaturados. Aumentamos o preço mas reduzimos o volume – diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

      Nó cambial

      Segundo ele, o câmbio é tão nocivo para os exportadores que está estimulando a exportação de capitais do Brasil.

      – Atualmente muitas empresas têm comprado ou aberto filiais no exterior para produzir no exterior o que produziam aqui no Brasil. São justamente aqueles que gostaríamos que se desenvolvessem aqui no Brasil: os manufaturados como fabricantes de carrocerias de caminhões e manufaturados de borracha, porque geram mais emprego.

      Para desatar o nó cambial, Paulo Mol, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) elege como prioridade a política monetária.

      – A taxa de juros mais alta acaba sendo um estímulo ainda maior à entrada de dólares no Brasil em busca do retorno mais fácil e alto, isto acaba pressionando a elevação do real.

      Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com a valorização do real, os setores com maior rentabilidade são: siderúrgica, extrativa mineral, autopeças, químicos, metalúrgica, material de transporte e fertilizantes. Na contramão, os que amargam menor rentabilidade são: celulose, petroquímico, vestuário, minerais não metálicos, têxtil, materiais elétricos e produtos alimentares.

      A análise de 53 trimestres (aproximadamente 13 anos) de estatísticas sobre rentabilidade mostra que o câmbio baixo está associado a reduzido retorno sobre o capital e à desaceleração do crescimento econômico. Segundo a entidade, “sai fortalecida a tese segundo a qual os ganhos econômicos da queda do dólar não compensam, no médio prazo, seus prejuízos”.

      Para 2009, os resultados recentes da balança comercial – com queda estimada de 42,2% no superávit em 2008 frente à 2007 – aparece como fator decisivo nos rumos a serem trilhados.

      – O déficit no setor externo já está gerando déficits muito fortes e isto pode balancear esta tendência de valorização da nossa moeda. Pode ser que R$ 1,50 seja o nível abaixo do qual a cotação do dólar não volte – diz Júlio Gomes de Almeida, economista do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (IEDI).

Fonte: Jornal do Brasil


Perdas já chegaram a superar exportações

Agosto 11, 2008

Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1996 e 2003 houve safras em que as perdas superaram as exportações. No último ano estudado, por exemplo, 3,6 milhões de toneladas de milho foram exportadas, enquanto 4,1 milhões de toneladas se perderam entre o transporte e o armazenamento.
Segundo Luiz Antônio Fayet, consultor da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), as maiores perdas físicas estão concentradas na lavoura e no primeiro trecho do transporte, feito pelo próprio produtor.
– O transporte primário geralmente é feito em caminhões de uso geral, que não têm as condições ideais de vedação. A partir daí, a colheita já é transportada em caminhões de grande distância ou vagões, que costumam contar com equipamentos mais sofisticados para o armazenamento – disse Fayet.
Das cargas no país, 67% são transportadas por meio das rodovias, consideradas por especialistas como o transporte menos vantajoso para longas distâncias. O transporte rodoviário é mais adequado para as distâncias inferiores a 300 quilômetros. Entre 300 e 500 quilômetros, o transporte mais indicado é o ferroviário, e, acima disso, o fluvial.

Tecnologia
Segundo o estudo do Instituto Akatu que serviu como base para o relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), 20% da produção é perdida na colheita, 8% no transporte e armazenamento, 15% na indústria de processamento, 1% no varejo e 20% no processamento culinário e hábitos alimentares.
Para o economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os avanços tecnológicos já diminuíram os prejuízos causados pelo desperdício. Ele cita como exemplo os equipamentos meteorológicos que antecipam mudanças climáticas súbitas em tempo hábil para que os agricultores tomem medidas que impeçam a perda da safra.
Segundo dados divulgados pelo IBGE na sexta-feira, a expectativa para a safra 2008 subiu para 145,1 milhões de toneladas, 9% a mais do que o ano passado e 1% acima da previsão divulgada em junho, mas, segundo André Braz, não serão suficientes para causar impacto na inflação mundial.
– Uma safra recorde recompõe os estoques, mas a demanda continua muito aquecida, e é isso que vai determinar se um novo patamar de consumo vai corresponder a essa recomposição – disse o economista.
Fonte:  Jornal do Brasil


Câmbio entra em rota de incertezas

Agosto 11, 2008

Queda do preço das commodities pode provocar a alta do dólar

Depois de anos em direção à valorização, a taxa de câmbio no Brasil entra numa fase de incertezas. As dúvidas sobre o que acontecerá com o preço das commodities internacionais (petróleo, minérios e produtos agrícolas), com a taxa de juros americana, com o déficit na conta corrente brasileira (que registra as operações de comércio e serviços com o exterior) e com o nível da atividade econômica doméstica e em outros países colocam em terreno pantanoso os que se arriscam a prever os rumos da relação entre o dólar e o real.

Por enquanto, o mercado financeiro espera que as cotações oscilem na casa dos R$ 1,60 nos próximos 6 a 12 meses. Nesse cenário de relativa estabilidade, a queda do dólar deixa de ser um fator de redução da inflação, mas também não causa problemas no sentido contrário – ou seja, não joga combustível na inflação e tem efeito benéfico na melhoria da rentabilidade dos exportadores.

Mas os riscos de esse cenário não se concretizar não podem ser desprezados, reconhecem economistas dentro e fora do governo. Os fatores de incerteza mencionados ampliam as chances de o câmbio ter desvalorizações fortes, com menor influência no combate à inflação. Na semana passada, por exemplo, refletindo a queda das commodities, o dólar subiu cinco dias seguidos, para R$ 1,61.

CARRY TRADE

O ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas aponta que, de fato, há importantes fatores que elevam o risco de desvalorização do real, como uma queda abrupta nos preços das commodities. Para ele, o cenário mais provável, no entanto, não é o de desvalorização acentuada e contínua do real. “A não ser que os juros subam muito nos Estados Unidos, o que ainda não está à vista por causa do enfraquecimento da economia de lá.”

O fator mais importante hoje para a determinação da taxa de câmbio, segundo Freitas, são as elevadas taxas de juros brasileiras, que tornaram mais atraente o ingresso de dólares. Isso ocorre por meio das operações chamadas de carry trade, em que os investidores fazem empréstimos no exterior e aplicam em papéis brasileiros. “O carry trade é um grande estabilizador das cotações”, disse Freitas, lembrando que em junho entraram mais de US$ 3 bilhões para a renda fixa.

O economista-chefe do banco BES Investimento, Jankiel Santos, pensa diferente e vê como o fator mais relevante para determinar as cotações do câmbio os preços das commodities. Ele considera difícil uma queda abrupta desses produtos, que afete diretamente o câmbio. “Por mais que se identifique uma tendência de desaceleração da economia mundial, não se fala numa recessão que traria os preços das commodities para baixo com tanta força.”

Segundo ele, o efeito favorável do menor preço das commodities sobre a inflação seria compensado, pelo menos em parte, por uma eventual desvalorização do real. “Qual efeito vai prevalecer, caberá ao BC avaliar.”

A evolução da taxa de câmbio é alvo de atenção especial do governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, é explícito em manifestar a sua preferência por um real mais desvalorizado. Isso favoreceria o setor exportador e conteria o déficit externo, que preocupa a Fazenda. Mas ele não quer uma alta rápida do dólar, pois elevaria a inflação, anulando o efeito da queda das commodities.

Diante da possibilidade de desvalorização rápida do real, a dúvida é sobre como o Banco Central, com reservas superiores a US$ 200 bilhões, vai atuar. O comportamento do BC tem sido deixar a moeda seguir sua tendência, apenas suavizando os movimentos.
Fonte: O Estado de São Paulo


Doha e a hegemonia perdida

Agosto 11, 2008

POR QUE a Rodada Doha fracassou depois de sete anos de negociações enquanto a Rodada Uruguai foi “bem-sucedida”, apesar de haver beneficiado muito mais os países ricos do que os países em desenvolvimento? Ainda que possamos dar muitas respostas específicas a essa pergunta, sugiro que a resposta mais geral é a de que ela refletiu a perda da hegemonia americana nestes últimos 15 anos. Só essa hegemonia ideológica tendo como bandeira o neoliberalismo explica que os países em desenvolvimento tenham concordado em assinar o acordo em 1993 que reduzia de forma substancial seu “espaço de políticas”, ou seja, sua capacidade de promover um tipo de política industrial que os países ricos, em fase correspondente de desenvolvimento econômico, praticaram com toda liberdade. Naquela época, o colapso recente da União Soviética levara o “soft power” americano às alturas, a tese do caminho único para o desenvolvimento parecia confirmada, as reformas neoliberais estavam na ordem do dia, e a Rodada Uruguai foi aprovada nesse clima.
Agora, o colapso da Rodada Doha surpreendeu a todos. Desde o início das negociações, o Brasil estabelecera como objetivo a redução dos subsídios agrícolas dados na Europa e nos Estados Unidos, enquanto estes demandavam redução das tarifas na indústria e maior abertura dos serviços. Quando os países ricos desistiram de insistir na abertura dos serviços e de incluir nas negociações outros itens não-comerciais e quando aceitaram a proposta intermediária do diretor-geral da OMC, o Brasil também aceitou o acordo e imaginou que os demais países em desenvolvimento o seguiriam. Não contava com resistência tão forte da Argentina e principalmente da Índia.
Essa resistência, entretanto, é razoável. A Argentina, depois da embriaguez neoliberal dos anos 1990, procura reconstruir sua indústria e, além de não cometer o suicídio ao deixar que a taxa de câmbio se aprecie, conta com barreiras alfandegárias para se reindustrializar. Mais surpreendente para todos foi a razão do veto dos indianos. Eles deixaram muito claro que só concordariam com a rodada se pudessem contar com uma maior liberdade de salvaguardar sua agricultura familiar quando esta fosse ameaçada por commodities produzidas no exterior a custo eventualmente mais baixo. A Índia, como ainda boa parte do Terceiro Mundo, conta com a agricultura familiar para garantir emprego e segurança alimentar.
Não pode, portanto, concordar com um acordo que torne esse setor econômico e social vulnerável, à mercê das forças imprevisíveis do mercado.
Se estivéssemos ainda no clima dos anos 1990, essa rodada poderia ter sido concluída. No final dos anos 2000, porém, compreende-se por que os países ricos não logram mais impor seu poderio com tanta facilidade. Nesse período, suas reformas neoliberais se revelaram concentradoras de renda e incapazes de promover o desenvolvimento econômico; um número crescente de países em desenvolvimento, agora liderados pela Índia e pela China, alcançaram taxas extraordinárias de crescimento e mudaram o equilíbrio internacional de poderes; e a lastimável Guerra do Iraque e a crise financeira atual enfraqueceram o “hegemon”. O Brasil perdeu, porque a rodada nos beneficiava, mas ganharam os países pobres liderados pela Índia.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 73, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de “Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994″.