BNDES estuda ferrovia ligando o Atlântico e o Pacífico

Agosto 8, 2008

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está estudando um projeto de “corredor ferroviário bioceânico”, ligando os portos de Santos (SP) ou Paranaguá (PR), no Oceano Atlântico, ao chileno de Antofagasta, no Pacífico, informou o presidente da instituição, Luciano Coutinho. De acordo com ele, houve pedido de uma comissão interministerial para que o banco de desenvolvimento analisasse o projeto. “Mas ainda é bem inicial”, afirmou.

Coutinho tocou no assunto de passagem, enquanto citava projetos de ferrovias que devem receber recursos do BNDES. Diferenciou, porém, o estágio do projeto bioceânico de outros que já estão sendo construídos. Coutinho citou, também de passagem, o trem-bala entre Rio e São Paulo na lista dos projetos que podem receber financiamento. É um projeto também em análise, mas já está bem mais adiantado que o de ligação entre Atlântico e Pacífico.

Fonte: Agência Estado


Empresários brasileiros e argentinos apostam na integração para crescimento de mercado

Agosto 8, 2008

Buenos Aires – Empresários brasileiros e argentinos vêem na integração a chance para crescer no mercado internacional. O brasileiro Ricardo Fonseca comanda uma fábrica de cimento na Argentina e tem como meta construir mais uma unidade no país vizinho até o fim do ano.

Fonseca diz que a empresa vai investir no aumento da capacidade de produção e na preservação ambiental e que a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seminário Brasil-Argentina na última segunda-feira (5), em Buenos Aires, serviu para “estreitar” a relação de empresários brasileiros com argentinos.

“Estamos analisando, vendo as previsões de crescimento de mercado. Continuamos com nossos planos de investimento na Argentina. O importante é conseguir manter a nossa posição no mercado argentino.”

Ele afirma que os sinais de instabilidade provocados por desentendimentos políticos e econômicos no governo de Cristina Kirchner não geram dúvidas sobre as apostas da empresa no mercado argentino e que apenas problemas como o abastecimento de energia no país são preocupantes – não a reserva de mercado.

“A empresa continua seguindo com sua produção e com sua capacidade quase totalmente ocupada. O mercado segue bem e, por enquanto, não sentimos nenhuma queda.”

Para o empresário argentino Cristiano Ratazzi, o encontro entre Cristina Kirchner e Lula contribuir para agilizar o trânsito nas fronteiras entre os dois países, quando há transporte de carregamentos. Ele lembra que, na Europa, “já nem se sabe” quando os produtos passam de um país para o outro mas que, na América do Sul, quando um caminhão precisa ultrapassar a fronteira, há muitas dificuldades.

“Há movimentos grandes de caminhões que vêm e vão do Brasil para a Argentina em todos os setores. Temos que ter fronteiras muito mais livres e rápidas.”

Ratazzi, entretanto, avalia que os conflitos entre produtores rurais e o governo argentino sobre a Resolução 125 – que eleva as taxas de exportação agrícola e que é apontada como responsável por desencadear a crise política no país – pode ter afetado a credibilidade no mercado argentino.

Por gerenciar uma empresa do setor automobilístico, ele lembra que, apesar da queda, as últimas semanas mostram que os argentinos voltaram a comprar carros e que a situação do mercado parece ter voltado a “normalidade”.

Quando questionado se os empresários brasileiros devem ser estimulados a investir na Argentina, ele diz que sim, porque a medida de balancear as inversões pode gerar competitividade interna em ambos os países.

“O brasileiro tem razão de vir investir na Argentina. O Brasil, hoje em dia, faz parte dos grandes países do mundo. Por isso, para ter mais abertura de mercado, tem que abrir um pouco mais o seu.”

Fonte: Agência Brasil


Uruguai pedirá “flexibilidade” ao Mercosul para acordos

Agosto 8, 2008

O governo uruguaio pedirá ao Mercosul “flexibilidade” para que os parceiros possam avançar a velocidades diferentes nas negociações de acordos comerciais com os Estados Unidos e a União Européia (UE).

A afirmação foi feita pelo diretor de Assuntos Econômicos e do Mercosul da Chancelaria uruguaia, Elbio Roselli, em declarações publicadas hoje pelo semanário “Búsqueda”.

Na entrevista, ele insistiu em que a Argentina tem um modelo de desenvolvimento “muito diferente” dos de Brasil, Paraguai e Uruguai, os outros membros plenos do Mercosul.

Essa flexibilidade tem por objetivo “avançar a velocidades diferentes” se assim desejarem os parceiros do bloco, acrescentou o diplomata.

O pedido está relacionado com o recente fracasso da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e com a estagnação no processo de integração do Mercosul nos últimos anos.

“Pode haver muitas modalidades de flexibilidade dentro de uma negociação conjunta”, acrescentou Roselli, especialista em temas comerciais e ex-embaixador perante os organismos internacionais em Genebra.

Uma das formas pode ser o convênio marco Mercosul-México dentro do qual o Uruguai “pôde avançar rapidamente em direção a um acordo de livre-comércio”, acrescentou.

Roselli destacou que a Argentina “escolheu um modelo de desenvolvimento muito diferente” que o dos outros membros do Mercosul.

Para o uruguaio, a Argentina “está em um industrialismo muito protecionista do mercado interno, com o qual não será fácil compatibilizar a negociação externa do Mercosul”.

Frente a esta realidade “por que não avançamos a velocidades diferentes?”, questionou.

“Por que não se flexibiliza de tal modo que três parceiros avancem a um acordo comercial mais rápido que o outro que tem uma estratégia nacional muito divergente?”, acrescentou.

O diretor de Assuntos Econômicos do Mercosul disse que “é claro que existem distintas estratégias” entre os grandes membros do bloco, Argentina e Brasil.

“Boa parte da indústria brasileira ganhou terreno e agora pede acesso a outros mercados, no caso da Argentina o que prevalece é a proteção”, afirmou Roselli.
Fonte: Terra


O poder de compra do Estado e as importações

Agosto 8, 2008

Por José Henrique Souza e Lucídio Cristóvão Fardelone

O governo brasileiro vem se preocupando nos últimos meses com o agravamento no desequilíbrio da balança comercial. Um dos segmentos de maior impacto na balança comercial e motivo de inquietação é o setor de produtos médicos. Para solucionar o problema, uma das medidas que vem sendo cogitada é um novo processo de “substituição de importações” utilizando como principal ferramenta o poder de compra do Estado. Semelhante instrumento já foi utilizado no Brasil por vários anos, mas nada se fala a respeito do que deu certo ou errado com essa prática.

O poder de compra do Estado para apoiar o desenvolvimento industrial é utilizado por inúmeras nações, inclusive nos países da OCDE. Usar essa ferramenta para estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de bens para a saúde pode contribuir para elevar o padrão de vida da população, reduzir o gasto público e melhorar as contas externas. De fato, um eficiente complexo industrial da saúde ajuda a melhorar e ampliar o tratamento médico disponível ao cidadão. Mas semelhante resultado somente ocorrerá se for possível elevar a produtividade, o grau de inovação e a competitividade dos fabricantes de bens médicos instalados no Brasil.

Substituir importações sem um esforço inovativo pode retardar a melhoria no padrão de atendimento e aumentar os custos do sistema de saúde. Apenas estimular os fornecedores nacionais a substituírem importados pode ser uma solução de curto prazo com reflexos negativos sobre os preços finais desses produtos e sobre a capacidade de cobertura do atendimento médico. Do mesmo modo, pouco adiantará trocar ganhos de divisas por perdas com aumento do gasto nos hospitais sustentados pelo contribuinte. Mas a situação externa da indústria brasileira de produtos médicos na última década aponta para o fato de que o governo precisa agir rapidamente.

A tabela abaixo demonstra as dimensões do problema. O Brasil é deficitário em quase todos os ramos da indústria. Entre 1998 e 2007, o déficit cresceu sistematicamente. No último ano, o saldo negativo pulou de US$ 3,1 bilhões para US$ 4,2 bilhões, um aumento de aproximadamente 35%.

Comparando com o comércio internacional, o Brasil exporta mais acentuadamente produtos farmacêuticos e instrumentos médicos, isto é, produtos que incorporam níveis médios de tecnologia. Nos segmentos que demandam grandes investimentos em P&D, como medicamentos e aparelhos de diagnóstico, as empresas instaladas no Brasil perdem terreno.

Assim, aproveitar o poder de compra do Estado para estimular a indústria nacional a desenvolver produtos mais sofisticados e com maiores coeficientes de elasticidade-renda parece ser uma medida acertada. Mas é preciso aliar o “public procurement” ao financiamento público, à infra-estrutura de apoio tecnológico e ao estímulo à competitividade. Justamente como ocorre nos países da OCDE e como já foi feito no Brasil.

Nas décadas de 1970 e 1980, as empresas públicas promoveram a preferência por produtos fabricados no Brasil visando substituir importações e apoiar o avanço da indústria nacional. O poder de compra do Estado, naquele momento representado pelas empresas estatais e pela rede pública de saúde, garantia a demanda por bens já produzidos, ou que seriam, por empresas nacionais, e articulava as ações de outros quatro agentes fundamentais do processo de desenvolvimento: as agências de fomento; os fabricantes, as empresas nacionais de engenharia e os centros de ensino e pesquisa.

No lado do financiamento, o BNDES apoiava o “suplier’s credit” e, aliado à Finep, associava a redução do custo de desenvolvimento do fabricante às vantagens do financiamento ao usuário. A Finame apoiava as empresas sediadas no país para iniciar a fabricação pioneira de bens, importar tecnologia e elevar sua participação no detalhamento, responsabilidade e execução de projetos básicos. Por meio do BNDESPar, o banco fortalecia financeiramente as empresas nacionais subscrevendo ações, comprando projetos de engenharia e promovendo “joint-ventures” entre empresas estrangeiras e nacionais.

O uso do poder de compra do Inamps e da Ceme para desenvolver insumos, equipamentos hospitalares e fármacos, nos anos 1980, comprova que é possível um trabalho conjunto e bem planejado de várias instituições públicas, centros de ensino e pesquisas e empresas. Atualmente, o constante vai-e-vem dos anúncios, o caráter publicitário das intenções e as brigas pela paternidade da nova “política industrial”, como foi apresentado por Lu Aiko Otta no jornal “O Estado de São Paulo” (13/04/2008, p. B9), sugerem falta de trabalho conjunto entre agentes públicos.

Muito já foi feito no Brasil para utilizar a demanda pública para o desenvolvimento produtivo e tecnológico nacional. Mas toda essa experiência acumulada tende a se perder se o país não aprender com o que já foi feito, com o que deu certo e com o que falhou. Esquecer o que foi excesso de intervencionismo, o que gerou corrupção e desperdício e o que foi um bom trabalho de desenvolvimento apoiado pelo Estado, e esquecer, sobretudo, que apoio temporário implica na obrigação da empresa competir no mercado global, pode levar o país a cometer os mesmos erros. Aprender com o passado pode evitar desgoverno, corrupção, excesso de “digirismo” e a tendência de sempre iniciar do zero ações públicas que nunca são finalizadas.

José Henrique Souza é professor-pesquisador do Departamento de Economia da PUC-Campinas.

Lucídio Cristóvão Fardelone é mestre e doutor em Ciências, especialista em Relações Econômicas Internacionais e pesquisador da área de Biotecnologia

Fonte: Valor Econômico


Para analistas, será difícil fechar acordos bilaterais

Agosto 8, 2008

Novas dificuldades serão apresentadas e novos tipos de compromissos serão exigidos do Brasil para a retomada das negociações para acordos bilaterais de comércio. É o que advertem especialistas em negociações internacionais, reunidos pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e o Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), dois dos principais centros de estudos sobre negociações em política externa do país. “O que vem por aí é muito pesado”, alerta o especialista Alfredo Valadão, diretor da cátedra Mercosul no Instituto de Estudos Políticos de Paris, que prevê a inclusão de novos temas políticos nos acordos de comércio.

“A Rodada Doha negociava o passado, hoje há uma série de novos temas, que têm a ver com o novo mapa econômico e político do mundo”, comentou Valadão. Ele inclui entre esses temas, que países desenvolvidos exigirão incluir entre as cláusulas de acordos de comércio, padrões trabalhistas e de proteção ao meio ambiente, e salvaguardas ligadas à segurança alimentar. O Brasil deve evitar uma postura defensiva e tem de preparar propostas para negociar temas como esses, porque pode até descobrir vantagens para o país, diz Valadão, lembrando, por exemplo, que a matriz energética e a estrutura produtiva brasileira são mais “verdes” que a da Europa.

Na avaliação de especialistas como Lia Valls Pereira, da Fundação Getúlio Vargas e o presidente do Cebri, José Botafogo Gonçalves, ex-embaixador do Brasil na Argentina e ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), o Brasil deve se preparar para discutir mais profundamente temas até hoje rejeitados pelo país na mesa de negociações e considerados de grande relevância por parceiros do mundo em desenvolvimento, especialmente os EUA. Entre eles está a abertura a fornecedores estrangeiros nas compras de governo, acordos de proteção ao investidor estrangeiro e reforço das normas de proteção à propriedade intelectual.

A economia brasileira se sofisticou, as empresas ganharam competitividade e o país não teria dificuldades em encontrar uma “agenda ofensiva” (reivindicatória) em temas como compras governamentais e acordos de investimento, sublinha Sandra Rios, diretora do Cindes. Como os outros analistas reunidos pelo Cebri e pelo Cindes, ela concorda que são pouco otimistas os cenários para as futuras negociações de abertura de mercados – especialmente para os interesses do Brasil nos mercados agrícolas.

Além disso, as empresas brasileiras hoje temem mais a competição dos países emergentes, como os asiáticos, do que a concorrência das empresas européias, o que dificulta acordos comerciais com os países em desenvolvimento, comenta Sandra, ao afirmar que o país teve uma movimentada agenda de negociações bilaterais e regionais, mas foi mal-sucedido em obter resultados significativos. “A agenda não é nada fácil”. Para os especialistas, os parceiros do Brasil e do Mercosul em qualquer futura negociação vão querer usar como base das negociações os limites para concessões revelados pela indústria brasileira no esforço para obter um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para a economista Soraya Rosar, da Coalizão Empresarial, a adesão da China à OMC, com a competitividade de seus produtos industriais, dificulta ainda mais acordos multilaterais. Soraya, que esteve em Genebra nas discussões frustradas da Rodada Doha, em julho, acredita que os negociadores haviam chegado ao máximo que seus mandatos permitiam. Segundo ela, nunca houve tanta vigilância de parlamentares dos EUA, presentes em Genebra, sobre os negociadores americanos.

Sandra Rios e o ex-ministro de Relações Exteriores Luis Felipe Lamprea defendem que o país deveria ter apostado com mais força na negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Acreditam que, apesar das resistências dos EUA em aceitar demandas brasileiras, o principal motivo do afastamento brasileiro das discussões foi de ordem política, pelo desinteresse no Itamaraty em relação ao acordo. “Foi ideológico, achavam que a Alca seria uma anexação aos EUA”, acusa Lamprea. A Alca facilitaria até a abertura dos mercados dos países vizinhos, argumenta.
Fonte: Valor Econômico


Sem OMC, UE e Mercosul tentam acordo bilateral

Agosto 8, 2008

Negociações foram suspensas devido à Rodada de Doha

Eliane Oliveira

BRASÍLIA. Mercosul e União Européia (UE) devem retomar as negociações para um acordo de livre comércio ainda nesse semestre. Desde o fracasso da Rodada de Doha, representantes dos dois blocos iniciaram contatos para preparar uma reunião ministerial, numa data a ser definida em setembro. Diante da falta de perspectiva de um acordo de âmbito multilateral, um acerto entre os dois blocos é considerado fundamental para os negociadores brasileiros.

As conversas com a UE começaram há nove anos, quase foram concluídas em 2004, mas acabaram engessadas a partir de 2006. Segundo uma fonte da área diplomática, foi a própria evolução da Rodada de Doha o grande empecilho para o término da negociação entre Mercosul e UE – que poderia resultar no maior acordo entre dois blocos econômicos do planeta.

Ao perceberem, no início deste ano, que haveria possibilidade de algum tipo de avanço na OMC, os europeus voltaram atrás em sua oferta de abertura de mercado para produtos agrícolas brasileiros. Argumentavam que seriam obrigados a aumentar cotas de importação duas vezes: uma para o Mercosul e outra em Doha.

Negociação com americanos, só após as eleições

A indefinição dos europeus lançou dúvida sobre as mais de mil páginas negociadas nos últimos anos entre os dois blocos. Da parte do Mercosul, não há como desprezar um mercado que teve um fluxo de comércio (soma de exportações com importações), só no ano passado, de 66 bilhões (cerca de US$102 bilhões) com o bloco sul-americano. O volume de investimentos da UE na região é estimado em 100 bilhões (US$155 bilhões).

A UE está interessada sobretudo nas áreas de produtos industriais, em especial automóveis; e serviços financeiros, de telecomunicações e de navegação e cabotagem. O Mercosul tem como prioridade melhorar o acesso de seus produtos agrícolas da Europa. O Brasil agrega ao leque de reivindicações o etanol, a regularização de profissionais autônomos e qualificados naquela região, e maior participação de empresas brasileiras em obras de infra-estrutura e construção civil.

Além da tentativa de “reengajamento” com a UE, como os negociadores brasileiros se referem à retomada das negociações, o Brasil espera fechar, em breve, um acordo de preferências tarifárias com a União das Nações do Sul da África (Sacu). Também vem conversando com Jordânia, Marrocos e Turquia.

Quanto aos EUA, além das dificuldades devido às exigências dos americanos nas áreas de investimentos e propriedade intelectual, a troca de comando na Casa Branca prevista para janeiro impede maiores avanços.
Fonte: O Globo


Amorim volta a condenar subsídios de países ricos

Agosto 8, 2008

São Paulo, 8 de Agosto de 2008 – O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, voltou a atacar ontem os subsídios agrícolas concedidos pelas nações ricas, relacionando a falta de um acordo na Rodada Doha com a crise mundial de alimentos. “A relação do acordo com a crise de alimentos reside na questão dos subsídios. Não apenas, mas é a principal. Quando se planta nos Estados Unidos ou na Europa de forma subsidiada, desestimula-se a produção em países pobres”, disse o ministro em entrevista a emissoras de rádio do governo, segundo a Agência Brasil. De acordo com ele, os subsídios em países ricos podem prejudicar a produção nas nações mais pobres, especialmente em períodos de baixa nas cotações. “Os investimentos do setor produtivo dependem que haja um estímulo de mercado. O que a Rodada Doha faz é criar esse ambiente positivo para estimular os investimentos. Se falhar, esse estímulo não é criado”, acrescentou. Atualmente, os preços de grãos estão remunerando o produtor na maioria das nações, exigindo menos gastos dos governos nos países ricos e até incentivando a produção em países pobres da África. Mas, caso as cotações venham a perder um pouco da força no futuro, a produção de alimentos nas nações ricas pode se manter artificialmente elevada, com a ação de subsídios, desmotivando o mercado em países pobres, que não contam com recursos públicos para incentivar a produção. “A estratégia mais imediata do presidente é sensibilizar os líderes”, disse Amorim. Durante a entrevista, o ministro evitou usar o termo fracasso para as negociações, pois o governo não considera encerradas as conversas com os países. (Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 11)(Reuters)


Argentina deve pegar carona e aproveitar bom momento vivido pelo Brasil, diz analista

Agosto 8, 2008

Buenos Aires – A Argentina deve deixar para trás os desentendimentos durante a Rodada Doha e aproveitar o bom momento vivido pelo Brasil em âmbito internacional. A avaliação é do analista econômico Dante Sica, ex-secretário de Indústria da Argentina e analista econômico especializado na relação entre os dois países.

De acordo com o analista, o governo de Cristina Kirchner [presidente da Argentina] precisa compreender melhor o novo alinhamento da política internacional brasileira, para que possa “engatar” sua própria política externa.

“Teremos muito mais a ganhar em termos de conjunto e de posição diferenciada. Deve-se abrir uma nova etapa de discussão a partir disso, no Mercosul. Devemos reconhecer em todos os países as necessidades de política externa, de se abrirem à esse novo mundo que está dando uma oportunidade muito grande para a América Latina, e tratar de aproveitar – tanto em nível de política interna como externa – as oportunidades.”

Dante destaca que o Brasil conta, atualmente, com estratégias voltadas para política externa com caráter ofensivo, enquanto a Argentina permanece com táticas defensivas e protecionistas, o que gera diferenças marcantes quando se trata de posicionamento internacional.

“Lamentavelmente, a Argentina tem uma política interna que muitas vezes dificulta poder ascender com mais força ao mercado internacional. É o caso da suspensão de algumas exportações como o trigo para o Brasil. São restrições que colocaram aqui, e nesse sentido a Argentina precisa fazer mais esforço. Quando se analisa e compara com anos anteriores, a Argentina está muito exilada do contexto internacional”, disse.

Ele acredita que o Brasil, como o maior parceiro da Argentina no Mercosul, pode ajudar os argentinos a romper o “isolamento internacional”.

Ao comentar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Buenos Aires, no último domingo (4), o analista reforça que o líder brasileiro, acompanhado por uma delegação de empresário com interesse no mercado argentino, abriu caminho para uma maior integração regional.

“É uma aposta ao governo argentino e um sinal de que as diferenças nas negociações durante a Rodada Doha não empatam o que são as relações entre os países. O Brasil tem a possibilidade de jogar muito mais forte em termos de integração regional e nos chama a ter uma aliança”, avalia.

Para Dante, tanto a Argentina como o Brasil devem estar atentos aos problemas energéticos manifestados na América do Sul sob o ponto de vista regional, além de fazer esforços junto ao Uruguai e ao Paraguai para buscar uma saída “politicamente confiável”, aproveitando os recursos energéticos bolivianos e integrando-se ao Chile e ao Peru.

“Temos que utilizar esses acordos bilaterais para fazer um programa muito forte de integração de infra-estrutura regional. Nossos países têm integração física, por meio de marcos ferroviários e de aerovias, mas devemos avançar em um projeto que vai melhorar a competitividade entre as empresas e acelerar a melhoria da circulação de bens”, defende.

Ele elogia o acesso ao financiamento internacional conquistado pelo Brasil e ressalta que tal êxito, somado ao poder de compra da moeda brasileira, permite que muitos empresário ingressem em solo argentino.

Nos últimos quatro anos, segundo Dante, o Brasil se transformou no primeiro país de origem de capital na Argentina em setores como o têxtil, de calçados, o eletrônico e o automobilístico.

“São setores onde, historicamente, a Argentina tem tido problemas e, hoje, a disputa comercial acaba sendo diluída pela forte participação do Brasil em nosso processo de produção. Acredito que a visita de Lula permite visualizar melhor o impacto econômico dos empresários brasileiros na Argentina. Eles não apenas compram empresas, mas geram novas empresas, integram capital e abrem muitos postos de trabalho para o nosso país. É uma nova etapa que temos no Mercosul.”

Fonte: Agência Brasil


Agronegócio exportou em julho 50% a mais que no mesmo mês do ano passado

Agosto 8, 2008

Brasília – A balança comercial do agronegócio brasileiro registrou duas marcas significativas em julho. As exportações geraram US$ 7,9 bilhões em dividendos, 50% a mais que no mesmo mês de 2007, e o superávit foi de US$ 6,8 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, o superávit foi de US$ 57,3 bilhões, com vendas externas de US$ 68,1 bilhões, 24% acima do valor obtido entre agosto de 2006 e julho de 2007.

Os dados, divulgados hoje (7) pelo Ministério da Agricultura, indicam que os valores devem continuar aumentando, uma vez que nos sete primeiros meses deste ano as exportações do agronegócio já somam US$ 41,7 bilhões. Os setores que mais contribuem para o crescimento são soja, carne, produtos florestais e cana-de-açúcar, tanto pelo maior volume vendido quanto pelo aumento dos preços internacionais.

Em julho foram exportados US$ 2,8 bilhões em produtos do complexo soja. Só em soja em grão o total foi de US$ 1,9 bilhão, um aumento de 121%, considerando um incremento de 71,8% nos preços do produto e de 28,7% na quantidade vendida. As carnes (bovina, suína e de aves) geraram US$ 1,4 bilhão, 55,2% a mais que no mesmo mês do ano passado.

O setor de lácteos, que está entre os maiores, foi destaque pelo bom desempenho no mês passado, exportando 226,3% a mais que em julho de 2007. Nos sete primeiros meses deste ano, foram US$ 291 milhões em produtos feitos à base de leite, 169% a mais que no mesmo período do ano anterior. Segundo o Ministério da Agricultura, os números “refletem o crescimento da demanda mundial por esses produtos e confirmam o processo de consolidação do Brasil como grande exportador de lácteos”.

A União Européia (UE) segue liderando com ampla vantagem como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com participação de 33,6% nos últimos 12 meses. No entanto, a Ásia, mesmo sem a inclusão dos países do Oriente Médio, quase empatou com a UE, com destaque para a China que, nos primeiros sete meses do ano, aumentou em 103% as importações de tais produtos. Assim, o país atingiu uma participação de 13,2% como destino das exportações, ultrapassando os Países Baixos, com 9,5%, e os Estados unidos, que têm 8,7%.

Fonte: Agência Brasil


Integração sul-americana é o principal desafio da política externa brasileira, diz Amorim

Agosto 8, 2008

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou hoje (7) que a integração dos países da América do Sul é um dos desafios, a longo prazo, da política externa brasileira. Em entrevista concedida a emissoras de rádio nos estúdios da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o ministro disse que a participação do Brasil no cenário internacional cresceu muito nos últimos anos e que se afirmar como líder em um bloco na América do Sul poderia contribuir ainda mais com esse posicionamento.

“Na realidade, o Brasil tem um peso muito forte nas relações internacionais e esse peso cresceu, posso testemunhar. O Brasil tem hoje um peso muito maior. Agora, o fato de nós termos uma boa relação, o fato de nós trabalharmos de maneira integrada com a América do Sul, fortalece ainda mais essa posição no cenário internacional”, disse.

Amorim destacou que o comércio com os países do Mercosul já representa cerca de 13% do comércio externo brasileiro.

O ministro ressaltou a importância da proposta de criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Em maio desse ano, o projeto foi formalizado pelo governo brasileiro em conjunto com vários outros países da América do Sul.

De acordo com Amorim, o acordo tem uma importância histórica, já que pela primeira vez envolveu todos os países que fazem parte do continente.

“Em 200 anos de vida independente dos países da América do Sul, esse é o primeiro tratado que reúne todos os países da América do Sul. Isso é uma coisa extraordinariamente importante, porque revela uma disposição de integração”, destacou o ministro.

Como parte do tratado, os governos estão articulando um Conselho Sul-Americano de Defesa. Amorim revelou que as articulações estão sendo conduzidas pela Presidência do Chile.

A resistência à criação do conselho, já manifestada pelo governo da Colômbia, na opinião de Amorim, já foi superada.

“A únicas objeções, ou reservas, vinham da Colômbia. No entanto, o próprio presidente Álvaro Uribe, na última visita do presidente Lula a Bogotá, disse que quer participar do Conselho de Defesa. Estamos em uma fase de estruturação, de saber exatamente como vai funcionar”, adiantou o ministro

fonte: Agência Brasil