Chávez reúne-se com Cristina e Lula em Buenos Aires

Agosto 4, 2008

Buenos Aires – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou hoje (4) à Argentina para uma visita de Estado ao país e já está reunido, no Palácio de San Martín, com a presidente Cristina Kirchner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após participar da abertura de um encontro empresarial entre Brasil e Argentina, Lula seguiu para o palácio, para um almoço com Cristina. Chávez chegou ao local no início da tarde, na tentativa de promover um encontro trilateral.

Lula chegou à capital argentina ontem (3). Acompanhados por 264 empresários brasileiros e 100 argentinos, ele e Cristina abriram o seminário Argentina-Brasil: uma Aliança Produtiva Chave - uma tentativa de impulsionar os negócios entre os dois países.

Após divergências de posicionamento durante as negociações da Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), Lula defendeu, durante o evento, o fortalecimento da integração entre países da América do Sul.

Este foi o primeiro encontro bilateral entre Brasil e Aargentina após a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, na cidade de San Miguel de Tucumán, no dia 1º de julho. Na ocasião, Chávez, Cristina e Lula haviam acertado em se encontrar posteriormente para discutir temas de interesse para a América do Sul.

Com a chegada do presidente venezuelano, o retorno de Lula para o Brasil – previsto para as 16h30 de hoje – vai sofrer atraso.

Fonte: Agência Brasil


Lula diz que crise de alimentos é “oportunidade histórica” para Argentina e Brasil

Agosto 4, 2008

Buenos Aires (Argentina) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (4), em Buenos Aires, que, quando se fala em crise de alimentos alguns países “podem tremer”, e que Argentina e Brasil precisam ver a crise com certa preocupação, mas também como uma “oportunidade histórica” para se transformarem em países capazes de fornecer alimentos ao mundo. “Somos mais industrializados, temos mais tecnologia e mais experiência em comércio exterior”, disse Lula.

Em relação às negociações da Rodada Doha, o presidente disse que já havia avisado líderes de países ricos que a parte técnica da discussão já havia se esgotado e que avisara que estava na hora de juntar dirigentes políticos e tomar uma decisão, porque a questão não era mais econômica, mas eminentemente política.

“Não estou desanimado. Ainda vou continuar teimando para ver se construímos uma saída. Acho que, se não construirmos o acordo de Doha, possivelmente Argentina e Brasil não sofram tanto. Mas os países mais pobres, que têm que ser incentivados a produzir alimentos, para isso precisam que o mercado dos países ricos estejam abertos. Esses países não irão produzir e muita gente continuará passando fome”, disse o presidente.

Lula disse que, caso a situação permaneça como está, países ricos cada vez mais irão aprovar legislações mais duras para proibir o trânsito de pessoas pobres, criando mais dificuldades para a imigração.

Fonte: Agência Brasil


Lula diz que Brasil e Argentina, juntos, serão mais soberanos

Agosto 4, 2008

Buenos Aires – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (4) que Brasil e Argentina, juntos, deverão alcançar maior soberania. Ao participar da cerimônia de abertura do encontro empresarial entre Brasil e Argentina em Buenos Aires, Lula garantiu que o Brasil continua a “apostar” na Argentina – em seus trabalhadores, empresários e também no governo de Cristina Kirchner.

Para Lula, os dois países precisam fortalecer a atuação de pequenas e médias empresas trasnformando-as em “verdadeiros motores” da integração sul-americana e que um fundo específico para a medida já está sendo instituído no Mercosul.

“Cristina e eu estamos acompanhando pessoalmente os principais projetos bilaterais por meio de encontros semestrais. Assim, asseguramos impulso político para avançar em todas áreas de relacionamento bilateral, da economia e do comércio às políticas de desenvolvimento social, passando pela cooperação em defesa, educação, cultura, ciência e tecnologia”, disse Lula.

O presidente afirmou estar “atento” às possibilidades de aumentar a sinergia de setores estratégicos brasileiros e argentinos, onde já há investimentos cruzados em áreas como de bens de capital, calçados, indústria naval, software, químicos e petroquímicos.

Durante o evento, Lula lançou uma proposta de um fórum permanente, que reúna governo e empresariado brasileiros e argentinos, para pensar a integração sul-americana como uma área de “interesse estratégico” nas empresas e nos dois países.

“É preciso estabelecer novas parcerias, gerar investimentos, que aumentem a produtividade dos negócios e que permitam a conquista de novos mercados. Os governos da Argentina e do Brasil farão a sua parte. É fundamental que o Banco de la Nación [banco oficial argentino], o Bird [Banco Mundial] e o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] estabeleçam uma parceria renovada e estudem modalidades de financiamento conjunto de associações entre os nossos setores privados”, disse Lula.

De acordo com o presidente, as três instituições financeiras devem assinar, em breve, um convênio de cooperação. Ele lembra que Brasil e Argentina já concluíram as medidas para a implementação de um sistema de pagamentos em moeda local. A medida, segundo Lula, irá baixar os custos do comércio, sobretudo, para as pequenas e médias empresas, aproximar os sistemas do bancos centrais e estimular a consolidação de mercados cambiais em moeda nacional.

“Pode ser o germe de uma futura integração monetária. Temos um imenso potencial pela frente. Vamos juntar forças para garantir nossa inserção soberana na economia mundia”, disse o presidente Lula.

Fonte: Agência Brasil


Lula pede consenso entre sul-americanos para fazer diferença em foros internacionais

Agosto 4, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje (4) a construção de “consensos no limite do possível” entre o Brasil, a Argentina e os demais países sul-americanos. Com isso, afirmou o presidente, todos vão defender a mesma bandeira e poderão “fazer a diferença nas negociações internacionais”. Para isso, os países não podem abrir mão da soberania nacional, ponderou Lula.

“Poderemos fazer a diferença nas negociações internacionais, obviamente sem abrir mão da soberania de cada país e de fazer acordos bilaterais que entendamos ser melhores para cada país. Isso nós não discutiremos porque a soberania dos países é intocável, os interesses soberanos de cada estado são intocáveis, mas nós poderemos construir muita coisa juntos”, afirmou Lula, ao participar, em Buenos Aires, da abertura de um encontro entre empresários brasileiros a argentinos. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, também participou do evento.

Lula fez as afirmações depois de falar sobre as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), quando Brasil e Argentina tiveram divergências de posicionamento, o que deu espaço a especulações sobre um possível enfraquecimento do Mercado Comum do Sul (Mercosul).

Lula disse que não está “desanimado” e que vai continuar trabalhando pela construção de uma saída referente às negociações da Rodada Doha. Ele afirmou que, durante as negociações, ficaram claras as dificuldades de construir acordos com os países ricos. “Vi agora, na Rodada Doha, o quanto é difícil, o sacrifício imenso para conseguir tirar uma vírgula, um centavo de um país rico.”

A reunião da OMC terminou no dia 29 de julho, em Genebra, na Suíça, sem que os países participantes conseguissem chegar a um acordo sobre a liberalização do comércio mundial compatibilizando os diferentes interesses.

Fonte: Agência Brasil


Brasil deixa de ser ameaça para virar modelo para os argentinos

Agosto 4, 2008

Políticos e empresários citam o BNDES, os empréstimos agrícolas e a estabilidade política como exemplos para o país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Brasil tornaram-se, nos últimos anos, uma fonte de admiração e saudável inveja na Argentina. As lideranças da oposição recorrem constantemente à figura do presidente brasileiro para citá-lo como exemplo de consenso, em contraposição às personalidades adeptas do confronto político como a presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner.
Os empresários suspiram ao ver os grandes empréstimos concedidos pelo BNDES, lamentam a inexistência de um banco público desse tipo na Argentina e sonham com os generosos financiamentos “à moda brasileira” ao setor agropecuário (enquanto que na Argentina, os ruralistas são alvo de retaliações do governo local).
A própria presidente Cristina Kirchner, no comício de lançamento de sua campanha eleitoral, há exatamente um ano, fez uma única referência à uma empresa. A companhia citada foi a Embraer. “Um exemplo a ser seguido”, disse Cristina na ocasião.
“O Brasil é um exemplo a imitar”, sustenta Alieto Guadagni, ex-diretor da Argentina no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Depois, espeta o governo Cristina: “O Brasil responde aos desafios estimulando sua produção, e não colocando um monte de impostos sobre ela. Enquanto isso, a Argentina optou por desestimular a oferta produtiva.”
“A Argentina não ambiciona mais, como em meados dos anos 90, durante a presidência de Carlos Menem, disputar a liderança com o Brasil. Isso está enterrado no passado”, diz ao Estado o ex-Secretário de Comércio, Raúl Ochoa. “Essa sensação ocorre desde 1999, quando a Argentina estava em recessão, e aprofundou-se com a crise de 2001- 2002. De lá para cá, o Brasil tomou outro destino, e a Argentina ficou para trás.”
No passado, o peso do Brasil na região soava como “ameaça” para a Argentina. Mas, desde a crise de 2001-2002, a percepção dos argentinos sobre seu próprio país e o vizinho mudou. Agora a força da economia brasileira e sua influência política são encarados como “oportunidades” para a Argentina. Segundo os analistas, o crescimento do Brasil vai beneficiar os argentinos tanto pela expansão da demanda de produtos Made in Argentina para o mercado brasileiro como pelo crescimento dos investimentos brasileiros na Argentina.
“A Argentina precisa aproveitar melhor o crescimento brasileiro”, sustenta Dante Sica, diretor da consultoria Abeceb. “É preciso grudar no Brasil e aproveitar sua expansão”, afirmam analistas, após destacar a transformação do Brasil no potencial “celeiro do mundo” (título que a Argentina ostentava há um século) e de suspirar de inveja pela descoberta de petróleo na plataforma marítima.
Nos últimos seis anos, dezenas de empresas brasileiras expandiram-se na Argentina, entre elas a Petrobrás (que adquiriu a energética Pérez Companc), a AmBev (que comprou a cervejeira Quilmes) e a Camargo Corrêa (que ficou com a Loma Negra, a maior empresa de cimento do país). No total, as empresas brasileiras investiram US$ 8 bilhões na Argentina.
Fonte: O Estado de São Paulo


Cliente dos EUA corta pedidos para exportador brasileiro

Agosto 4, 2008

A desaceleração da economia dos Estados Unidos provocou queda nas encomendas para os exportadores brasileiros de manufaturados. Para a União Européia (UE), os embarques seguem fortes, mas o clima é de apreensão, a medida que o bloco é contaminado pela crise americana. O enfraquecimento da demanda nos países ricos é mais um fator negativo para as exportações, que sofriam com a valorização do real, que reduz a competitividade dos produtos nacionais, e com o aquecimento da economia local, que limita o excedente disponível para vender no mercado externo.

As encomendas de clientes americanos recuaram entre 5% e 10%, dependendo do produto, para a fabricante de autopeças Robert Bosch, relata o vice-presidente, Besaliel Botelho. “Com a queda de venda de veículos nos EUA, já experimentamos efetivamente redução no volume exportado de autopeças”, disse o executivo. “Também estamos avaliando com preocupação o mercado europeu, mas a redução da demanda ainda não é visível”., afirma.

Botelho conta que a empresa perdeu contratos na Europa para fornecedores dos países do Leste Europeu, como República Tcheca e Eslovênia, mas o motivo foi a falta de competitividade por conta do câmbio valorizado e não a redução da demanda. De acordo com o executivo, as exportações da filial brasileira da Bosch devem representar entre 32% e 34% do faturamento este ano, um percentual inferior ao recorde de 45% em 2005.

As vendas brasileiras de manufaturados para os Estados Unidos recuaram 3% no primeiro semestre comparado a igual período de 2007, atingindo US$ 7,7 bilhões. Para a União Européia, as exportações de manufaturados tiveram bom desempenho, com alta de 15% de janeiro a junho. “A desaceleração da economia americana certamente está influenciando. Em conjunto com a desvalorização do dólar, esta é uma receita complicada para a exportação brasileira”, disse Fernando Ribeiro, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

O desempenho só não foi pior por conta dos reajustes promovidos pelas empresas. Enquanto o preço subiu 19%, a quantidade embarcada para os EUA caiu 13% de janeiro a março em relação ao primeiro trimestre de 2007, conforme os dados mais recentes da Funcex. O volume exportado para o maior mercado do mundo recuou em quase todos os setores no período, com destaque para máquinas e tratores (-17%), material elétrico (-18%), calçados (-24%) e automóveis (-60%). Na Europa, o volume cedeu quase 10% no primeiro trimestre, mas o preço avançou 23%.

O diretor comercial da fabricante catarinense de cerâmica Portobello, Mauro do Valle Pereira, diz que nos últimos 18 meses houve queda de 40% no volume exportado para os Estados Unidos, que representavam 50% das exportações da empresa até 2006. Neste ano, representará 30%.

Uma das estratégias para combater a queda nas vendas é direcionar o foco no segmento comercial americano. “Os grandes projetos não foram afetados. Acabamos de fazer uma entrega para um resort em Las Vegas”, exemplifica o executivo. A empresa começou a reestruturar as operações nos Estados Unidos, onde mantém uma subsidiária, diminuindo a participação do segmento de residências no seu mercado de atuação e ampliando a fatia de empreendimentos de maior porte da área comercial. Essa área representava até 2006 cerca de 20% das vendas e deve passar a 60% no fim de 2008.

Segundo Julio Callegari, economista do JP Morgan, estão evidentes os sinais de desaceleração da economia dos Estados Unidos, provocado pela explosão da bolha do mercado imobiliário e pela crise financeira. O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA deve crescer apenas 1% no terceiro trimestre anualizado, voltando para o fraco ritmo do início do ano. No segundo semestre, o PIB chegou a subir 2,2%, graças ao pacote de estímulo fiscal do governo Bush e aos cortes de juros promovidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

“O fato novo é que a crise começa a se espalhar para Europa e Japão”, disse Callegari. No primeiro trimestre, essas economias pareciam imunes ao contágio. O PIB anualizado chegou a subir 2,9% na zona euro e 4% no Japão nesse período. Com o fraco desempenho da Alemanha e o enfraquecimento da produção industrial japonesa, as projeções ficaram sombrias. Segundo o JP Morgan, o PIB europeu deve recuar 0,8% no segundo trimestre e estagnar no terceiro trimestre. No Japão, a queda pode chegar a 3% ainda no segundo trimestre.

A desaceleração da economia mundial, especialmente a dos Estados Unidos, foi uma surpresa desagradável para os produtores de gesso do Nordeste. “Conquistar o mercado americano demora. Quando nos preparamos, chegou a recessão”, contou Hilberto Pereira Alencar, diretor da Brazilian Gypsum, um consórcio de 26 fabricantes de gesso que se uniram para exportar e abriram uma filial nos EUA. O empresário conta que os embarques para os americanos caíram pela metade. A construção civil é um dos setores mais atingidos pela crise.

De acordo com Alencar, as empresas brasileiras encontraram uma maneira de amenizar o problema e manter o investimento nos Estados Unidos. Em parceria com construtoras americanas, que fugiram da crise e partiram para o exterior, os fabricantes brasileiros de gesso começaram a exportar para Aruba e Costa Rica. No próximo mês, devem fechar um contrato de exportação de mais de US$ 10 milhões para uma construtora americana que realiza uma obra na Nicarágua. (Colaborou Vanessa Jurgenfeld, de Florianópolis)
Fonte: Valor Econômico


Calçadistas conseguem reajustar preços para Europa

Agosto 4, 2008

A desaceleração da economia global e a valorização continuada do real estão exigindo um esforço extra dos exportadores de calçados para manter os níveis de encomenda e conseguir repassar pelo menos parte do impacto da variação cambial sobre as margens obtidas no exterior. O problema é maior nos Estados Unidos, porque os importadores locais privilegiam preço e dão preferência para os produtos da China, diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso.

Segundo os dados consolidados pela entidade, já no primeiro semestre as exportações para os EUA caíram 31,2% em comparação com o mesmo período de 2007, para US$ 258,7 milhões. O desempenho reduziu a participação daquele mercado sobre embarques totais do Brasil de 40,1% para 27,2%, ao mesmo em que o preço médio encolheu 18%, para US$ 10,52 o par. Os EUA compram produtos mais baratos, que levam a marca do importador, o que afasta daquele mercado indústrias que investem nas próprias marcas.

Na Europa a situação é diferente, explica Cardoso. Como os consumidores da região dão preferência a produtos “de moda” e têm mecanismos de proteção contra a enxurrada de produtos asiáticos, eles ainda toleram algum nível de reajustes. Foram países como Inglaterra, Itália, Espanha, Holanda, Portugal e França, além dos sul-americanos Argentina e Venezuela, onde o comportamento é similar, que permitiram a alta de 1,5% nas exportações totais nos seis meses, para US$ 951,1 milhões, apesar da queda de 2% em volume, para 89,5 milhões de pares.

Mas mesmo entre os europeus o espaço para remarcações acabou, diz o presidente da Bibi, fabricante de calçados infantis, Marlin Kohlrausch. Segundo ele, que também exporta para a América Latina e um volume “inexpressivo” para os EUA, o mercado externo está desacelerando e deve representar 20% das vendas totais da empresa no segundo semestre, ante 30% no primeiro. Até junho, a empresa havia conseguido aumentar os preços em dólar em até 30% e na média do ano os embarques ficarão com uma fatia de 25% da produção de 3,1 milhões a 3,2 milhões de pares.

A West Coast abandonou o mercado americano há cinco anos e concentrou-se em países da América do Sul, Europa e Oriente Médio, diz o gerente de marketing, Sérgio Baccaro Júnior. Conforme o executivo, a empresa vem conseguindo aplicar reajustes de no máximo 5% nas renovações de coleções e mesmo assim vem operando com margem quase zero nas exportações para não perder espaços conquistados no exterior. A empresa deve produzir de 2,6 milhões a 2,7 milhões de pares neste ano, ante 2,4 milhões em 2007, sendo 30% destinados ao mercado externo.

A Piccadilly conseguiu, a muito custo, convencer os importadores europeus, latino-americanos e do Oriente Médio a aceitarem reajustes de cerca de 8% em média desde janeiro, relata o diretor-presidente, Paulo Grings. Em compensação, ele prevê uma elevação do volume embarcado para 3 milhões de pares neste ano, ante 2 milhões em 2007, ao mesmo tempo em que a produção total deve passar de 7 milhões para 8,9 milhões de pares. Segundo Grings, as encomendas para o mercado externo são fechadas em agosto e em junho e julho elas ficaram em níveis 50% acima do mesmo período de 2007.

Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmicas para Revestimento (Anfacer) mostram que a desaceleração americana nas vendas das indústrias brasileiras foi sentida pelas cerâmicas exportadoras brasileiras: as vendas aos EUA no primeiro semestre deste ano caíram 30%, totalizando US$ 47,7 milhões ante US$ 67,4 milhões no primeiro semestre de 2007. Se comparada com os números do primeiro semestre de 2006, a situação é ainda mais complicada: recuo de aproximadamente 50%. Para o setor, os números refletem principalmente a conjuntura do mercado de novas residências, que está parado
Fonte: Valor Econômico


Mitos e erros sobre OMC e acordos de comércio

Agosto 4, 2008

Duas idéias vicejaram com o fracasso da chamada Rodada Doha, promovida para reduzir barreiras e subsídios indevidos ao comércio: 1) o Brasil deveria ter apostado com força nos acordos comerciais bilaterais; e 2) o país deverá apostar com força nos acordos bilaterais de comércio. A primeira idéia não leva em conta as múltiplas tentativas de negociação bilateral nos últimos anos, pelo menos uma delas abortada devido ao temor do setor privado brasileiro com a concorrência estrangeira. A segunda traz complicações, para além do protecionismo argentino – que alguns parecem apontar como único obstáculo aos esforços negociadores do Brasil.

Por pertencer ao Mercosul, o Brasil tem uma tarifa de importação comum e não pode mudá-la sem aval dos sócios. A crise econômica e política argentina, temperada por forte protecionismo, dificulta acordos para facilitar importações industriais. Mas, mesmo que Brasil rompesse a união aduaneira do Mercosul, são cinzentos os cenários para que tenha êxito nas negociações, no futuro próximo. Negociações passadas mostram isso.

É um equívoco comparar a situação do Brasil com Chile e México, que, nos últimos tempos, firmaram uma coleção de acordos comerciais. “Brasil e Chile têm histórias e situações distintas”, esclarece um especialista, o experiente embaixador do Chile no Brasil, Alvaro Díaz, um dos negociadores do acordo de livre comércio entre Chile e EUA. O Chile, antes de começar sua série de negociações comerciais, já havia concentrado a base produtiva em poucos bens, vinculados a seus recursos naturais. Suas tarifas de importação já eram baixas, e suas exportações não concorrem com os produtores nos EUA ou na Ásia; eram, ao contrário, complementares.

Curiosamente, analistas ligados à indústria no Brasil citam os acordos chilenos, como se ignorassem que, diferentemente do Brasil, com diversificada base industrial, o Chile fez uma bem-sucedida especialização em cobre, produtos florestais, frutas, pescado e manufaturas ligadas a esses setores. A proteção média dos bens industrializados no país era de 6%, metade da brasileira, ao negociarem com os EUA. Poucos produtos, como açúcar, mantém tarifas maiores.

O Chile não tem, como o Brasil, exportações que concorrem diretamente com os americanos, como etanol, aço, suco de laranja. Esses produtos enfrentam barreiras sérias, que não sumiriam com um acordo, como avisaram autoridades americanas na negociação da finada Área de Livre Comércio das Américas, a Alca. O México também tem suas peculiaridades, a começar pela gigantesca fronteira com os EUA, que tornam seu exemplo irreproduzível por outro país.

Análises pós-fiasco de Doha são simplistas

Outro equívoco é afirmar que o país deixou de lado as negociações bilaterais de comércio para concentrar-se exclusivamente na negociação da OMC conhecida como Rodada Doha. O Brasil fechou acordos com os países andinos, que reduziram tarifas e prevêem livre comércio daqui a cinco anos. O Itamaraty, aliás, não firmou acordo com os ricos países árabes do Conselho de Cooperação do Golfo, em 2007, porque a indústria petroquímica, apavorada com a concorrência, brecou a negociação. Tipicamente, enquanto os críticos acusam o governo de ser tímido, setores contrários às negociações ficam nas sombras. Se o acordo se aproxima, correm, então, para abortar o resultado.

Logo após o fracasso das negociações da Alca, o Uruguai, na presidência do Mercosul, enviou carta formal, nunca respondida, propondo uma negociação 4+1 com os Estados Unidos. Em um café da manhã, pouco tempo depois, o então negociador americano Robert Zoellick afirmou – como repetiria a jornalistas, e seria imitado pela sucessora, Susan Schwab – que essa negociação não interessava aos EUA.

Se interessasse, os acordos, para os EUA, seguem um modelo quase único, com regras obrigatórias, por exemplo para leis de propriedade intelectual. Mudanças que inviabilizariam a indústria brasileira de genéricos e o programa brasileiro anti-aids, por exemplo, e criariam problemas para os plantadores de sementes transgênicas.

Os EUA têm um musculoso ator, nem sempre presente nas negociações comerciais dos outros países: o Congresso, hoje de maioria democrata, tradicionalmente mais sensível aos lobbies agrícola e industrial e às organizações da sociedade civil. Esses lobbies barram até hoje, por exemplo, a entrada em vigor do acordo firmado com a Colômbia, aliado estratégico dos EUA. Imaginar que o Congresso americano aprovaria sem resistência – ou sem exigir concessões profundas – um acordo com um competidor e potência agrícola como Brasil é o que chamam por lá de “wishful thinking”.

No caso da União Européia, o acordo que não houve foi dificultado por resistências no Mercosul, mas também pelos europeus. Alegando não ter mais de um bolso para fazer ofertas, negociadores da Europa diziam não poder oferecer grande abertura de seu cobiçado mercado agrícola enquanto não houvesse maior definição… na Rodada Doha da OMC. Não foi opção brasileira esperar essa definição para engatar conversas mais sérias com os europeus. Diplomatas europeus em Brasília prevêem, ainda, grande dificuldade para avançar num acordo, com o fortalecimento de posições protecionistas, como a da França, após o colapso da rodada.

Experientes operadores de comércio exterior murmuram que o Brasil deveria rebaixar o Mercosul, de união aduaneira para área de livre comércio, o que permitirá ao país vender e comprar sem pagar tarifas aos vizinhos e ter tarifas diferentes para terceiros países. Essa proposta não leva em conta que, em muitos casos, Argentina, Uruguai e Paraguai mantêm tarifas altas para produtos industrializados a pedido do Brasil, para garantir uma preferência aos produtos brasileiros. Acabar com a união aduaneira seria permitir aos vizinhos baixar barreiras para concorrentes do Brasil, como os asiáticos, nesses mercados cada vez mais importantes para a indústria brasileira.

A discussão é mais rica do que insinuam análises simplistas feitas no pós-fiasco da OMC. Volto ao assunto na semana que vem.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras
Fonte: Valor Econômico


‘O colapso de Doha vai energizar acordos regionais

Agosto 4, 2008

Gary Hufbauer, pesquisador de comércio internacional do Peterson Institute for International Economics; especialista prevê a negociação de um acordo comercial entre Brasil e EUA e um grande aumento de litígios na OMC
O colapso da Rodada Doha, ainda que seja uma péssima notícia para o mundo e para a economia brasileira, pode levar a uma energização de negociações comerciais entre o Brasil e os EUA – desde que a Venezuela não esteja no meio e que o clima internacional não tenha azedado por completo com uma proliferação de retaliações comerciais.
Essa é opinião de Gary Hufbauer, pesquisador de comércio internacional do Peterson Institute for International Economics e autor de vários livros sobre o assunto. Hufbauer prevê um aumento enorme no volume de litígios na Organização Mundial do Comércio (começando com o questionamento da tarifa americana sobre o etanol). Mas ele acha que os EUA, mesmo se estiverem sob o comando do democrata Barack Obama, negociariam um acordo envolvendo agricultura, indústria e serviços com o Brasil. No entanto, se a Venezuela estiver no Mercosul, os americanos podem optar por se concentrar em acordos na Ásia e Europa. Quanto à OMC, Hufbauer acha que a entidade vai se dedicar a acordos fatiados em assuntos específicos.
A Rodada Doha pode ressuscitar?
As outras rodadas também passaram por crises e acabaram sendo concluídas. Mas essa é diferente. Temos novos líderes assumindo o poder nos EUA e em vários países, e eles assumem em uma época de grande ceticismo popular em relação à globalização, diferentemente do que aconteceu nas outras rodadas. A maneira de negociação dessa rodada é totalmente diferente das outras – na Rodada Uruguai, um pequeno grupo de países, o Brasil incluído, é que tomava as decisões. Agora, é preciso conseguir que pelo menos 30, 40 países, de um total de 153, cheguem a um acordo. É muito mais difícil, trata-se de uma mudança na qualidade das negociações. Outro problema é ter a agricultura como centro – sou a favor da liberalização da agricultura, mas a oposição à abertura do setor é muito arraigada. E aí que entram pessoas como Kamal Nath (ministro do Comércio da Índia), que provavelmente está concorrendo à presidência. Para ele, Doha é uma campanha política, não se trata de economia.
Se a agenda da rodada ficar congelada por dois anos será muito difícil ressuscitá-la… a aritmética política não existe para reviver Doha em 2009, 2010… o novo presidente dos EUA não teria interesse em retomar Doha?
Você acha que Obama gastaria tempo nisso? Ou, se John McCain for eleito, você acha que o Congresso, que deve ser democrata, vai dar algum espaço para ele mexer com Doha? Em 2010, essa negociação vai parecer coisa de outra era, ninguém vai querer pegar restos.
Então o sr. não acha que haverá mais negociações multilaterais de comércio?
Sim, eu acho que haverá negociações diferentes na OMC. Eu acho que a OMC vai se engajar em rodadas plurilaterais sobre assuntos específicos onde é possível chegar a um acordo, rodadas onde iremos negociar fatias, pedaços, e não o bolo inteiro. Um exemplo são subsídios à pesca, que já vêm sendo negociados de forma discreta. Eles são uma preocupação para todos que se importam com meio ambiente, uma vez que o homem está acabando com o estoque de peixes dos oceanos. Esse é o tipo de negociação em que podemos reunir um grupo de países e negociar. Ou negociar isenção de tarifas para produtos ambientais – sei que haverá grande controvérsia sobre o etanol, para incluí-lo ou não. Mas seria uma boa negociação, dar tarifa zero para exportação de produtos ambientais. Mas há outro caminho.

Qual?

O colapso de Doha vai energizar os acordos regionais de comércio, principalmente na Ásia. Agora, se isso também vai acontecer no hemisfério ocidental, depende de o próximo presidente americano fechar um acordo com o Brasil que liberalize de verdade a agricultura dos EUA – eu não acho isso impossível.

Mesmo se o presidente for Obama, que é democrata?

Se um acordo for vendido como um meio de privilegiar os aspectos ambientais e ajudar a reduzir preços de alimentos. O Partido Democrata não ganha votos nos Estados que mais recebem subsídios agrícolas. Politicamente, Obama é o tipo do presidente que conseguiria costurar um acordo desses, que se encaixaria em sua visão mais ampla de política externa e ajudaria a quebrar o impasse no hemisfério. Seria um acordo com livre-comércio em agricultura, como o que temos com o México. E o Brasil reduziria tarifas na indústria.

E se o Brasil só negociar como parte do Mercosul, que pode ter a Venezuela como integrante?
Se a Venezuela estiver no pacote, a história muda. Obama ou McCain vão continuar a manter boas relações diplomáticas com a América do Sul, mas em termos de negociação comercial, iriam focar seus esforços na Ásia ou na Europa.
O ministério de Relações Exteriores do Brasil já declarou a intenção de contestar na OMC a tarifa dos EUA sobre etanol importado. Isso é uma tendência?
Uma série de litígios que estavam à espera de algum desenlace em Doha será aberta na OMC. Como a OMC vai lidar com isso, não sabemos. Podemos ter uma proliferação de painéis e retaliações. Se isso ocorrer, pode azedar relacionamentos entre países. O que talvez seja um mal que vem para o bem – force o mundo a retomar uma rodada multilateral.
Quem é:
Gary Hufbauer
Considerado um dos maiores especialistas em comércio internacional, também estuda o mercado de capitais e investimento estrangeiro.
É pesquisador de Comércio Internacional do Peterson Institute for International Economics.
É Ph.D. em Economia pelo King College, da Universidade de Cambridge.
Trabalhou na Secretaria do Tesouro do governo dos Estados Unidos, nos anos 70
Fonte: O Estado de São Paulo


Lula vai propor à Argentina aprofundar Mercosul

Agosto 4, 2008

SÃO PAULO - Duas semanas depois de as diplomacias brasileira e argentina baterem cabeça durante as negociação da Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva leva amanhã a Buenos Aires duas mensagens para enquadrar as relações dos dois países. Lula vai dizer à presidente Cristina Kirchner que o Brasil não quer a desindustrialização da Argentina, e vai propor o óbvio: que, diante do fracasso para liberalizar o comércio mundial, os dois países cuidem, ao menos, do quintal da própria casa e trabalhem para aprofundar o Mercosul.

Na segunda visita oficial a Cristina Kirchner em apenas seis meses, Lula desembarca com uma comitiva de 200 executivos de empresas brasileiras dispostos a expandir negócios e investimentos no país vizinho.

Com o seminário organizado para promover a integração e o séquito empresarial, Lula espera convencer a opinião pública local de que o Brasil não joga contra a economia da Argentina. E, dos 20 projetos bilaterais acertados na visita de fevereiro passado, o presidente brasileiro deve destacar a intenção de antecipar, para 2010/2011, o cronograma de construção da hidrelétrica binacional de Garabi, no rio Uruguai.

No período de 2002 a 2008, o Brasil tornou-se o terceiro maior investidor estrangeiro no setor produtivo do país vizinho, atrás de Estados Unidos e Espanha. A injeção de recursos somou entre US$ 6,5 bilhões e US$ 8 bilhões e concentrou-se especialmente na construção e ampliação de plantas industriais. O Itamaraty acredita e proporá que poderão alargar esse saldo de investimentos.

A visita de Lula a Cristina Kirchner faz parte de uma agenda de encontros mais freqüentes para tratar de projetos de cooperação e de imbróglios bilaterais. Nos dias 7 e 8 de setembro, a presidente argentina estará em Brasília para novo encontro e para participar, como convidada especial de Lula, das comemorações da Independência. As informações são do jornal

Fonte: O Estado de S. Paulo