Brasil começará a exportar carne de aves para a Índia

Agosto 1, 2008

Brasília – O Brasil já está apto a exportar  carne de aves o in natura para a Índia. Hoje (1º), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou o modelo de certificado sanitário internacional exigido pelas autoridades indianas para começar a  comprar o produto brasileiro.
 
A medida objetiva fortalecer o comércio entre os dois países. Até junho último, o Brasil exportou US$ 85,2 milhões para a Índia, que se encontra apenas na 60ª posição entre os principais destinos das exportações do agronegócio brasileiro.

A maior parte da população indiana é hindu, religião que não permite o consumo de carne bovina. Outra parte considerável, composta de muçulmanos, não come carne de porco. Isso torna o país um mercado potencial para a carne de aves.

Segundo nota do Ministério da Agricultura, “a decisão de comprar carne de aves do Brasil foi também estimulada pela recente ocorrência de focos de gripe aviária em território indiano. Nos últimos anos, a Índia sacrificou mais de 1 milhão de frangos. Só em 2007, foram mortas pelo menos150 mil aves”.

O país asiático, no entanto, impôs condições para importar do Brasil. As aves não podem ter sido alimentadas e nem ter tido contato com produtos derivados de ruminantes e suínos.

As exportações já poderão ser feitas por todas as plantas habilitadas a vender para os países da Lista Geral, composta pelas nações que não tem exigências tão fortes para esse tipo de comércio, como a União Européia.

Atualmente, os principais itens brasileiros importados pela Índia são os derivados de soja (US$ 49,5 milhões) e cereais, farinhas e preparações (US$ 14,6 milhões).

Fonte: MDIC


Comércio exterior brasileiro foi o maior da história em julho

Agosto 1, 2008

No mês de julho de 2008, a balança comercial brasileira registrou um saldo comercial positivo (diferença entre as exportações e as importações) de US$ 3,304 bilhões (média diária de US$ 143,7 milhões), segundo melhor desempenho do ano, ficando atrás apenas do resultado de maio (US$ 4,073 bilhões). Pelo desempenho médio diário, o superávit em julho foi 10,9% maior em relação a junho de 2008 (média diária de US$ 129,5 milhões) e 5,5% menor que o apresentado em julho de 2007 (média diária de US$ 152 milhões).

Recordes históricos

Nos 23 dias úteis do mês passado, foram registrados novos valores recordes históricos das exportações – US$ 20,453 bilhões, com média diária de US$ 889,3 milhões – e das importações – US$ 17,149 bilhões, com média diária de US$ 745,6 milhões. Desempenhos que, conseqüentemente, resultaram na maior corrente de comércio mensal da história econômica do país (soma das exportações com as importações): US$ 37,602 bilhões.

Pelo critério da média diária, o valor das exportações em julho foi 38,6% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 641,8 milhões) e 0,4% melhor que a performance em junho último, quando a média diária das exportações chegou a US$ 885,4 milhões. As exportações nos meses de julho de 2007 (22 dias úteis) e de junho de 2008 (21 dias úteis) totalizaram US$ 14,119 bilhões e US$ 18,594 bilhões respectivamente.

As importações brasileiras no mês de julho cresceram 52,2% em relação à média diária apresentada em julho de 2007 (US$ 489,8 milhões) e recuaram 1,4% na comparação com a média diária registrada no mês de junho de 2008 (US$ 756 milhões). Os desembarques internacionais somaram US$ 10,776 bilhões em julho do ano passado e US$ 15,875 bilhões em junho de 2008.

Quinta semana de julho

Entre os dias 28 e 31 de julho de 2008 (quinta semana do mês), as exportações somaram US$ 3,178 bilhões (média diária de US$ 794,5 milhões) e as importações US$ 3,301 bilhões (média diária de US$ 825,3 milhões), resultando um déficit comercial de US$ 123 milhões e uma corrente de comércio de US$ 6,479 bilhões.

Ano

Nos primeiros sete meses de 2008 (146 dias úteis), o saldo comercial somou US$ 14,653 bilhões (média diária de US$ 100,4 milhões). Pela média diária, o superávit comercial ficou 38,7% menor que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 163,8 milhões).

De janeiro a julho de 2008, foram registradas exportações de US$ 111,098 bilhões, com média diária de US$ 760,9 milhões, um incremento de 27,2% sobre o desempenho médio diário dos embarques internacionais, no mesmo período de 2007 (US$ 598,2 milhões).

Na mesma comparação de períodos, observou-se um crescimento de 52,1% nas importações brasileiras que saíram de uma média diária de US$ 434,3 milhões nos primeiros sete meses de 2007 para US$ 660,6 milhões no mesmo período de 2008. As importações no ano somaram US$ 96,445 bilhões.

Às 15h30, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, concederá entrevista coletiva, para detalhar as informações sobre as operações do comércio exterior brasileiros no mês de julho de 2008

Fonte: MDIC


Contêiner torna-se alternativa a exportador

Agosto 1, 2008

Efeitos da alta dos combustíveis nos fretes marítimos de navios graneleiros, demanda chinesa, dólar enfraquecido e busca de resultados respondem por um novo elo da cadeia de transportes, até há pouco tido como “inimaginável” pelos operadores do setor. Alguns tipos de minérios, que historicamente eram embarcados a granel, como o de ferro e um de seus derivados, o ferro-gusa, agora cruzam os mares em contêineres. Esse novo mercado na chamada indústria de contêineres, que envolve toda a sua cadeia logística, dá apoio à indústria mineradora e siderúrgica, bem como aos operadores portuários que vêem seu negócio ameaçado pela queda das exportações em geral e o avanço do mercado interno.
No caso do minério tipo fino, o mais baratos dos tipos de produtos, o frete em contêineres custa mais que o valor da carga. A alternativa, iniciada a título experimental, começa a ganhar corpo. “O contêiner veio para ficar, se mantidos esses níveis de fretes”, sustenta Sandoval de Castro, gerente de exportação da Minas Metais, de Belo Horizonte, que faz o equivalente a 70% dos embarques de gusa do setor. O porto de Santos, que exportou apenas 2.750 toneladas de minério de ferro em 2007, no primeiro semestre já multiplicou por dez esse volume, para 27.428 toneladas.

Conforme o porto de embarque, o minério é transportado em caminhões ou vagões e com utilização de uma pá-carregadeira de pequeno porte (Bobcat) é acondicionado em contêiner de 20 pés. A Siderúrgica Santo Antonio (Sidersa), de Itaúna, no quadrilátero ferrífero de Minas, embarca, por mês, 2 mil contêineres, a maioria para a China, dos quais 1.600 são de ferro-gusa (resultado imediato da fundição do minério de ferro com carvão e calcário em alto forno) e 400 de fino de minério. Ana Paula Parreiras Dornas, co-proprietária da Sidersa, que também atua em transportes, revela que iniciou os embarques em contêineres há seis meses. “A tonelada do minério (fino), hoje, vale entre US$ 30 e US$ 32, sobre os quais se somam custos logísticos de mais de US$ 50 por esse tipo de transporte. O frete marítimo para o contêiner é de US$ 80 a US$ 90 a tonelada, ou US$ 2.295 no total das 27 toneladas de um contêiner de 20 pés. No sistema granel custaria US$ 3.240″, diz.

Ana Paula explica que o crescimento das importações brasileiras, principalmente da Ásia, fez com que sobrassem contêineres vazios no país. Para não voltarem ‘batendo lata’, no jargão do mercado, os armadores baixaram os fretes de retorno, abrindo o mercado para os minérios.

A Minas Metais, um holding com 14 empresas associadas, envia para o exterior entre 400 e 500 contêineres por mês de ferro-gusa (em formatos de tijolinhos de 8 Kg), com destaque para a Ásia (Taiwan) e Europa (portos de Roterdã e Antuérpia). É usado como matéria-prima para fundições em geral, inclusive da indústria automobilística.

Segundo Sandoval de Castro, o custo para uma venda em Taiwan é de US$ 1 mil, incluído o frete. Se embarcado em contêiner de 27 toneladas, o frete será de US$ 1.300, ou US$ 48 por tonelada. Se em navio graneleiro, custaria US$ 120. “Há uma grande diferença de custo de logística interna entre um embarque a granel e o feito em contêiner, neste, muito mais caro, mas o resultado final é compensador”, diz o gerente de exportação.

Os três maiores terminais de contêineres em Santos já trabalham com minérios e gusa desde 2007. Todos fizeram adaptações e adquiriram equipamentos especiais para a operação, a exemplo de pás carregadeiras. “É muito boa essa nova carga, pois a exportação do Brasil, no geral, não está crescendo, pelo menos em Santos. Vem ajudar e não fazemos mais porque faltam contêineres de 20 pés, pois boa parte do que vem da Ásia é de 40 pés”, reconhece Antonio Carlos Duarte Sepúlveda, diretor de operações da Santos Brasil. O terminal está embarcando cerca de 500 contêineres por mês de minérios, que chega em caminhões. O acondicionamento do produto na caixa metálica é feito com pás carregadeiras.

Alan Lear, diretor de logística da Libra Terminais, calcula que a empresa também embarque cerca de 500 contêineres mensais de minérios, com apoio de seu terminal em Cubatão (SP), onde a carga chega do interior em caminhões basculantes e é embarcada nos cofres metálicos. “Essa nova carga está substituindo outras que declinaram, como de autopeças e industrializadas em geral. Há algum tempo era inimaginável embarcar minério em contêiner”, comenta.

Para o Tecondi, terceiro maior terminal de contêineres em Santos, as operações com minérios, iniciadas este ano, mesmo não sendo o foco de operação da empresa, abrem novas oportunidades de negócios. “Iniciamos essas operações em janeiro, com movimentação média de 90 contêineres de 20 pés por mês, com destinos principais ao México e Colômbia, e segundo informações das principais tradings, inicia-se forte demanda para o mercado chinês”, anuncia Carlos André Costa, gerente de vendas do Tecondi. Neste terminal, a variedade de minérios e metais é ampla: óxido de alumínio, metalonita, ferro-níquel e manganês.

A Codesp, administradora do porto de Santos, contabiliza elevado crescimento de cargas padronizadas, historicamente exclusivas de navios graneleiros, transferidas, em parte, para contêineres. Nos exemplos do minério de ferro e do manganês, a empresa, em 2007, apurou embarques de 2.750 toneladas de minério de ferro e 156 toneladas de minério de manganês, números que saltaram, respectivamente, para 27.628 toneladas e 2.497 toneladas no primeiro semestre de 2008.

Fonte: Valor Econômico


Rodada aproxima vendedores brasileiros do exterior

Agosto 1, 2008

Quinze indústrias têxteis brasileiras – grande maioria gaúchas – encerram nesta sexta-feira a participação na Rodada de Negócios com compradores internacionais, na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). O evento, promovido pela Fiergs, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção teve início na quinta-feira, com o envolvimento de quatro compradores: dois de Portugal, um da Colômbia e um da Espanha.
“Nunca comprei produtos brasileiros, mas a melhoria em sua qualidade e design tem chamado a atenção dos clientes portugueses”, observa Jorge Souza, representante da empresa portuguesa Guilanda, especializada na comercialização de calças. Nos últimos cinco anos, a evolução do corte e a diversificação nas cores das roupas nacionais têm provocado a cobiça nos europeus. Marcas como a Osklen passaram a figurar nos catálogos de grandes distribuidores na Grécia e na França.
“Inicialmente quero conhecer melhor os produtos, mas a expectativa é fechar negócios nos próximos meses, possivelmente com essas empresas da Rodada”, afirma Souza. A propagação de marcas do vestuário brasileiro no exterior é reflexo do novo momento vivido pelo setor. Para fugir da concorrência asiática e driblar o câmbio desfavorável, as fabricantes do País têm priorizado os investimentos em qualidade a preços mais elevados, no lugar de se preocuparem na produção maciça de roupas comuns.
A tecnologia impressa nas roupas esportivas da marca Mar Um, fabricada pela CG, de Caxias do Sul, pode credenciá-la a promover sua primeira exportação ainda neste ano. Na quinta-feira, a empresa apresentou suas novidades com estampas arrojadas e tecidos de ponta aos visitantes estrangeiros. “Os compradores nos passaram dicas de novos materiais e os estilos procurados em seus países, e essas informações são fundamentais para que possamos entrar em novos mercados”, comenta Fernando Tubello, gerente comercial da CG, que pela primeira vez participa de uma rodada de negócios internacional.
Tubello explica que despertou o interesse nos compradores internacionais e torce para fechar negócios nos próximos meses. Boa vontade da outra parte não falta. Carlos Vélez, representante da colombiana CAVT, que revende roupas de alto nível, se disse impressionado com o design das roupas fabricadas pelos gaúchos. No entanto, reclamou do preço. “É um pouco mais caro do que as roupas de Rio e São Paulo”, comentou. Apesar do valor, que poderá ser adaptado para o mercado colombiano, o empresário planeja voltar à Colômbia com contratos bem encaminhados.
Fonte: Jornal do Comércio


Há mais vida para além de Doha

Agosto 1, 2008

O fracasso da Rodada Doha deve ser interpretado como a óbvia constatação de não estarem maduras as condições para um compromisso comercial à escala internacional, que seria altamente desejável para a regulação da fase atual da globalização, em especial num tempo que, tudo assim o indica, se vai prolongar num registro de crise e de instabilidade econômica coletivas, embora com impactes regionais e setoriais diferenciados.
O que se passou em Genebra não deve, porém, bloquear o recurso a outras soluções, de caráter menos global, mas que, em si mesmas, podem ter a virtualidade de conseguir superar dificuldades de natureza bilateral ou bi-regional, há muito detectadas como entraves à liberalização entre alguns espaços econômicos. Pelo contrário, tais soluções são hoje as únicas alternativas disponíveis para evitar a deriva para uma cultura de protecionismo, que de forma oportunista procura se instalar à sombra do não-resultado de Doha.
Sem prejuízo de diferentes modelos aplicáveis a outras áreas geográficas, parece, assim, estarem hoje criadas as condições para se revisitar, tão cedo quanto possível, o quadro negocial que, no passado, vinha a ser debatido entre a União Européia e o Mercosul.
Quando, há um ano, se assinou em Lisboa, durante a nossa presidência da UE, a proposta apresentada por Portugal para uma Parceria Estratégica entre o Brasil e a União Européia, ficou bem claro que esse formato de diálogo específico não era feito em detrimento do nosso comum interesse em continuar a aprofundar o quadro econômico entre o Mercosul e a União Européia. Em nome do meu governo, tive o ensejo de esclarecer isso mesmo, na sede do Mercosul, em Montevidéu, ainda antes da primeira Cúpula Brasil-UE, que levou o presidente Lula a Lisboa.
Todos sabemos que as expectativas que, à época, ainda eram colocadas num eventual sucesso da Rodada Doha levaram a que, por algum tempo, se aceitasse que o processo UE-Mercosul devesse aguardar os resultados desse mesmo exercício. Naquela altura, foi considerado que era importante prosseguir, como se prosseguiu, no aprofundamento da substância da Parceria Estratégica Brasil-União Européia, até porque, da respectiva agenda, tinham deliberadamente sido excluídas matérias que estavam em debate na Rodada Doha.
Assim, não teria agora qualquer sentido, podendo mesmo configurar um mero expediente protelador, se acaso se viesse a argumentar em sentido inverso – isto é, que se deveria esperar pela conclusão da Parceria Estratégica antes de reiniciar o trabalho negocial UE-Mercosul. Esperemos que ninguém ouse avançar com tão peregrina idéia.
Independentemente da falta de um resultado final, o longo e penoso debate conduzido em Genebra não foi em vão: vários patamares de intransigência foram superados, diversas flexibilidades pontuais foram detectadas e, por essa razão, podemos ver agora, de forma muito mais clara, as verdadeiras dificuldades que subsistem. Em especial, podemos ter hoje uma leitura mais rigorosa sobre a verdadeira dimensão dos problemas que, no passado, haviam sido identificados no contexto negocial UE-Mercosul.
Também não me parece legítimo que se argumente que certas divergências detectadas entre países do Mercosul, durante a fase final de Doha, venham a constituir-se necessariamente como novos obstáculos intransponíveis à obtenção de uma posição comum do bloco, agora no caminho para um futuro compromisso com a União Européia. Com efeito, foi patente que algumas dessas divergências estavam ligadas a problemas com países terceiros, fora do quadro europeu, naturalmente sem prejuízo de alguns outros ainda subsistirem nesse mesmo contexto.
O papel negociador, construtivo e responsável, que o Brasil deixou evidente na fase final da Rodada Doha confere-lhe hoje um importante crédito para ajudar a definir, do lado do Mercosul, a fixação de uma agenda no seu diálogo econômico coletivo com a Europa, na qual possam ser comportadas todas as questões que preocupam os parceiros do bloco.
O saldo negativo da negociação de Doha constituiu uma decepção para a União Européia, que sempre teve, e continua a ter, a regulação da ordem internacional, através da Organização Mundial do Comércio (OMC), como um dos pilares fundamentais da sua filosofia de ação externa e que nisso se tem empenhado de forma muito ativa, em moldes que pedem meças a qualquer dos outros parceiros.
Mas há mais vida para além de Doha, pelo que se torna importante que saibamos aproveitar as janelas de oportunidade, em especial nos quadros bi-regionais, que possam colmatar a temporária inexistência de um novo e mais ambicioso marco regulatório no âmbito da OMC. Por isso, este é o tempo certo para nos voltarmos a concentrar na negociação de um acordo entre o Mercosul e a União Européia.
Francisco Seixas da Costa é embaixador de Portugal no Brasil.
Fonte: Valor Econômico


DOHA – Negociação deve ser junto com Mercosul, diz Ricupero

Agosto 1, 2008

Para embaixador, tarefa não é fácil, porque Brasil saiu de Doha arranhado com alguns parceiros do bloco.

     O embaixador Rubens Ricupero, ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Comércio (Unctad), pôs em dúvida a eficácia da solução proposta pelo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, depois da fracasso da Rodada Doha, que é o País buscar acordos bilaterais.

      Segundo Ricupero, o Brasil não poderia abrir negociações de forma isolada sem consultar antes os demais integrantes do Mercosul. Ele diz ainda que uma liberalização agrícola, por meio da abertura de mercados ou redução de subsídios, só deverá sair mesmo no âmbito das negociações multilaterais.

      “Nós somos membros de uma união aduaneira imperfeita, coisa que muita gente aqui não aprecia”, diz o embaixador. “É uma união aduaneira do tipo que é a União Européia, com a diferença que lá eles têm uma só voz nas negociações e, por mais que a França esperneie, a área de comércio exterior pertence à Comissão Européia, e não aos governos nacionais”.

      A união aduaneira é muito mais do que o acordo de livre comércio. O acordo de livre comércio, a exemplo do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), significa que os países signatários abrem mão de todas as restrições de comércio entre si, mas cada um deles conserva uma barreira própria em relação ao resto do mundo. Ou seja, eles podem fazer negociações bilaterais com outros países fora do bloco. Isso já não é possível no caso, por exemplo, do Mercosul, pois o Brasil tem que ter a mesma barreira que a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e possivelmente a Venezuela, caso o país passe a fazer parte do grupo.

      “Das duas, uma: ou se abole o Mercosul na prática, mesmo que não na teoria, como se ele fosse um acordo de livre comércio, não mais insistindo na barreira comum, ou então nós vamos ter que negociar junto com esses outros países”. Essa não é uma tarefa fácil, observa o embaixador, lembrando que “nós já saímos arranhados com alguns deles nas negociações de Doha”.

      Para Ricupero, que atualmente é diretor da faculdade de Economia da Faap, o País pode até tentar capitalizar a boa vontade que demonstrou nas negociações de Doha para buscar acordos tópicos sobre produtos, como o etanol, a carne e a soja, com a União Européia, os EUA ou a Austrália. Mas, segundo ele, isso vai depender do interesse desses países em negociar acordos que não garantam o acesso ao mercado consumidor da China ou da Índia. Além disso, há o problema com os argentinos, que estão numa fase que eles chamam de reindustrialização e não estão dispostos a reduzir as tarifas industriais tanto quanto o Brasil.

      “Por mais que eu compreenda isso que o (chanceler) Celso (Amorim) declarou (que nós vamos ter que nos concentrar em coisas que dão resultados) não acredito numa alternativa satisfatória para o sistema multilateral”, afirmou Ricupero. “Eu compreendo que na hora da frustração haja esse tipo de desabafo, mas a liberalização agrícola só vai sair mesmo num âmbito geral.”

      Segundo ele, o fiasco de Doha não representa um problema de curto prazo. “As negociações só produzem efeito, mesmo quando elas concluem bem, quatro ou cinco anos depois, porque os países precisam aprovar internamente as leis”, explicou. “Então, isso não vai alterar em nada o cenário para 2009, mas é um complicador para 2014 ou 2015.”

      Na opinião do embaixador, o problema no País hoje é câmbio e juros. “Mesmo que o Brasil tivesse conseguido um acordo, isso não ia ter um efeito muito grande e ficaríamos numa situação tão precária quanto estamos hoje por causa da valorização da moeda.”Ou seja, se o País concedesse uma redução tarifária como o ministro Celso Amorim estava disposto a aceitar, a redução de barreira tarifária seria turbinada pela valorização do real frente ao dólar. “Teria o efeito adicional de uma moeda que estimula a importação”.

Fonte: O Estado de São Paulo