Mesmo com fracasso de Doha, conquistas antigas devem ser preservadas, diz ex-embaixador

Julho 30, 2008

São Paulo – A falta de êxito na Rodada Doha não deve colocar em risco as conquistas comerciais obtidas pelo Brasil nas últimas edições do encontro. De acordo com o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, a vitória do país em relação a suspensão de patentes de medicamentos, por exemplo, conquistada em rodadas anteriores, não deve ser colocada em xeque agora.

“Mesmo que você consiga em uma etapa uma concessão, aquela concessão é condicionada a que tudo termine bem. Então, teoricamente, mas isso é teórico, isso poderia levar os EUA a dizer: não aceito mais esse princípio sobre os medicamentos. Na prática não tem como, porque a razão que pressiona, que é a da Aids, continua forte como antes”, afirma.

Apesar de conseguir preservar algumas vitórias das rodadas anteriores, Ricupero classifica o Brasil como um dos grandes perdedores de Doha. “Nós somos grandes perdedores porque essa rodada era a rodada da agricultura, que era a bola da vez. Como nós temos muita competitividade em agricultura, era o momento para o Brasil conseguir realmente um ganho siginificativo. O fato de não ter saído o acordo abre agora uma fase de incerteza, mas não quer dizer que o mundo vai acabar”, explica.

Ricupero defendeu a postura do país em insistir no acordo multilateral em detrimento dos unilaterais. Para ele, a aposta era justificável dado os ganhos que poderíam ter sido obtidos. “Muita gente diz que o país agora vai fazer acordos unilaterais. Mas esses acordos são tão difíceis quanto os multilaterais. E eles têm a desvantagem de que eles te abrem apenas um ou dois mercados. Nesse [Rodada Doha], eram 153 [mercados]. Em uma só negociação, você ganha muito”.

Para o ex-embaixador, no entanto, mesmo com a derrota comercial e com o distanciamento de países que nos últimos tempos negociavam alinhados com o Brasil, como Argentina e Índia, o país ganhou respeito internacional por ter cedido em favor do avanço das negociações. “Era inevitável [se distanciar dos países como Índia, Argentina e China]. O Brasil precisava marcar posição. Acho que ao dizer que o acordo era aceitável nós não estávamos traindo ninguém, nós estávamos apenas mostrando qual era a situação brasileira. E penso que isso vai dar ao Brasil um certo crédito”.

A pior derrota após o fracasso da rodada ficou por conta da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo Ricupero. Para ele, a “máquina ficou muito pesada”, citando que hoje as negociações correm com a participação de centenas de países. “A OMC, infelizmente, sai enfraquecida, porque sempre é um desgaste muito grande. E vou dizer com sinceridade: não há alternativa para esse sistema multilateral.”

O ex-ministro ressaltou que, mais do que os entraves comerciais, as negocições da última Rodada Doha permitiram a contaminação com problemas políticos. “O grande problema é que os dois países que complicaram e fizeram a coisa parar, os EUA e a Índia, vão ter eleições gerais. Na Índia, quem decidiu as últimas eleições foram os camponeses.” 

Fonte: Agência Brasil


Estados Unidos suspendem importação de carne de dois frigoríficos paulistas

Julho 30, 2008

Brasília – O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou, em nota, que dois frigoríficos do estado de São Paulo, que estavam autorizados a exportar carne bovina para os Estados Unidos, foram desabilitados por técnicos daquele país.

Com a medida, o Brasil passa a ter 20 frigoríficos habilitados a vender para o mercado norte-americano.

Especialistas do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) dos Estados Unidos realizaram missão oficial no Brasil entre 11 de junho e 22 de julho, para verificar as condições sanitárias dos frigoríficos. Eles concluíram, em relatório preliminar, que as duas unidades não trabalhavam em conformidade com o sistema norte-americano de inspeção.

O acordo comercial entre os dois países estabelece que essas missões ocorram anualmente para verificar a equivalência entre os dois sistemas de inspeção.

 

O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Nelmon Oliveira da Costa, e o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, viajam amanhã (31) para Washington, onde reúnem-se com representantes do FSIS, para avaliar o relatório técnico.

 

No primeiro semestre, foram vendidas 25,1 mil toneladas de carne bovina para o mercado norte-americano, num total de US$ 130 milhões. No mesmo período do ano passado, o Brasil tinha exportado 32 mil toneladas e gerado US$ 148 milhões em dividendos.

Fonte: Agência Brasil


Setor de serviços perde com fracasso da Rodada Doha, avalia presidente de entidade

Julho 30, 2008

Brasília – Se a Rodada Doha, encerrada hoje (30/7) em Genebra, na Suíça, tivesse tido sucesso, as operadoras de telecomunicações outsourcing  (empresas que terceirizam serviços fora de sua área de atuação, como as de telemarketing), os bancos, as seguradoras e outros segmentos de serviços “teriam um grande desenvolvimento nos negócios de exportação dos países emergentes”, conforme o presidente da Central Brasileira do Setor de Serviço (Cebrasse) Paulo Lofreta.

Ele avalia que os investidores estrangeiros teriam mais facilidade e interesse de investir em diversos segmentos do setor de serviços dos países emergentes. Os profissionais teriam também flexibilizados os processos de vistos temporários de trabalho nos países europeus e nos Estados Unidos, diz Paulo Lofreta, ao lembrar que os países desenvolvidos defendem uma abertura do mercado de serviços das nações emergentes.

O presidente da Cebrasse afirmou que o setor de serviços “seria a moeda de troca oferecida pelos países em desenvolvimento, na sua tentativa de quebrar a concessão de subsídios agrícolas” praticada pelos Estados Unidos e pelos países europeus

Fonte: Agência Brasil


Com fracasso da Rodada Doha, Brasil deve buscar acordos via Mercosul, diz professor

Julho 30, 2008

Brasília – Depois do fracasso da Rodada Doha, que se encerrou hoje (30/7) em Genebra, na Suíça, sem qualquer avanço relevante na direção da liberalização do comércio dos produtos agrícolas no mercado internacional, o próximo passo para o Brasil é tentar acordos por intermédio do Mercosul. A avaliação é do professor Ricardo Antônio Silva Seitenfus, que é membro do comitê jurídico da Organização dos Estados Americanos (OEA) e é diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Santa Maria (RS).

A receita agora, segundo ele, é o Brasil fazer acordos regionais por meio do bloco do Cone Sul. “Com muita paciência, pois mesmo no âmbito do Mercosul o que se viu, em Genebra, foram posições não confluentes”. De acordo com ele, o Brasil fez grandes esforços, “até correndo riscos políticos durante sua participação nas discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC)”.

“O pragmatismo sempre foi marca registrada dos governos brasileiros na defesa dos seus interesses comerciais”, diz o professor, ao considerar falsa a idéia de que o país tem sua política externa voltada apenas para o sul. O representante da OEA diz que a OMC, que hoje é integrada por 153 países, cresceu muito desde a extinção do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que exercia papel semelhante no passado. Por isso, existe muita disparidade de interesses entre os países membros, em vista da nova realidade mundial.

A questão dos subsídios agrícolas praticados internamente pelos Estados Unidos e pela União Européia, lembrou o professor gaúcho, foi o que mais dificultou que a Rodada de Doha tomasse uma decisão favorável aos países em desenvolvimento. “O subsídio desses países aos seus produtores chega até a inviabilizar a agricultura interna de muitas nações, como é o caso do Haiti, que deixou de produzir arroz e sempre enfrenta crise interna de abastecimento quando o preço do produto sobe muito no mercado externo.”

A criação do G-20, segundo Seitenfus, ocorreu dentro de uma estratégia comercial e quando esses países não têm seus interesses atendidos não se chega a nenhum acordo, como aconteceu em Genebra. Para ele, a reunião de Doha “seria o Canto do Cisne, porque as perspectivas a curto prazo agora são muito complicadas. Eu diria até nulas, no sentido de uma retomada de outra reunião, principalmente por causa do calendário eleitoral de países como os Estados Unidos, que têm eleições marcadas para este ano, e a Índia, para 2009″.

Seitenfus considera que, em relação aos Estados Unidos, “se não foi possível conseguir uma negociação dentro do governo do Partido Republicano, que está no poder agora, a provável vitória de um candidato democrata à presidência dos EUA vai dificultar mais ainda um futuro acordo pela liberalização do comércio internacional”.

Ele diz que, na verdade, não acredita que a liberalização ainda venha a ser efetivada e culpa a França por ter dificultado as negociações, cujo presidente representa de forma rotativa, no momento, o bloco comercial europeu. “A participação da França foi desastrosa, pois, em vez de falar pelos demais países europeus, assumiu a defesa do interesse interno, prejudicando todo o bloco”.

Fonte: Agência Brasil


Após fracasso de Doha, Brasil pode tentar acordos bilaterais

Julho 30, 2008

Brasília – O Brasil poderá voltar a tentar, pelo Mercosul, negociações bilaterais com a União Européia, com os Estados Unidos, e também com países da América Central e com o México, diante do fracasso da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio, em Genebra na Suíça. A afirmação foi feita hoje (30) pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista à BBC Brasil.

Segundo Amorim, Doha era prioridade, mas o país “não pode ficar pendurado no que não dá resultados”.

Ele disse que um novo encontro dos grandes países importadores e exportadores de produtos agrícolas só deverá ser realizado dentro de dois a três anos. “As mudanças constantes no cenário político e econômico mundial impedem que o Brasil tenha sempre as mesmas propostas. Pode-se até pensar em retomar [a negociação], mas isso não vai se resolver em seis meses.”

Amorim admitiu que a falta de acordo multilateral, principalmente com o impasse entre Estados Unidos, China e Índia, não deve significar “uma eterna paralisação para as negociações”.

Para a comissária de Agricultura da União Européia, Mariann Fiuscher Boel, entretanto, acordos regionais “continuarão sendo complicados, uma vez que iriam abordar os mesmos problemas discutidos na Rodada Doha”.

Fonte: Agência Brasil


Para Lula, fracasso nas negociações da Rodada Doha foi uma “frustração”

Julho 30, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou hoje (30) como uma “frustração” o fracasso das negociações da Rodada Doha, ao discursar em almoço oferecido ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sanchéz, no Palácio do Itamaraty.

“Apesar da frustração das negociações na OMC [Organização Mundial do Comércio], a Costa Rica e o Brasil seguirão empenhados na luta para a liberalização do comércio agrícola”, afirmou o presidente.

Lula disse ainda esperar que os avanços alcançados durante as negociações sejam preservados. “É o que esperam os países mais pobres, que mais teriam a ganhar com um acordo”, afirmou Lula.

Fonte: Agência Brasil


Jornal: Doha deixa ‘ferida’ entre Brasil e Argentina

Julho 30, 2008

As fracassadas negociações comerciais da Rodada Doha em Genebra deixaram uma “ferida” entre os dois principais parceiros do Mercosul, Brasil e Argentina, afirma nesta quarta-feira uma reportagem do jornal Página/12.

Como outros jornais da imprensa estrangeira, o diário argentino noticia a dissidência brasileira em relação ao G-20, o grupo de países emergentes, ao concordar com uma proposta da Organização Mundial do Comércio (OMC) para concluir a Rodada, após nove dias de intensas reuniões ministeriais.

Em artigo intitulado “Apareceu uma ferida entre os sócios”, o Página/12 relata que “o chanceler brasileiro Celso Amorim se adiantou durante o encontro e se pronunciou a favor de aceitar o acordo proposto pela OMC, insuficiente para o G-20, que o Brasil integrava até então junto com outros países em desenvolvimento, como a Argentina”.

Ao aceitar um nível mais baixo de proteção para seu setor industrial que a Argentina, ainda segundo o diário, o Brasil criou uma situação que “não se via há muito tempo”: um conflito de posições em um fórum internacional.

“Dado que Brasil e Argentina são os principais parceiros do Mercosul, que basicamente se trata de uma união aduaneira, é quase insólito que mostrem divergências em uma discussão de tarifas em um fórum internacional”, sustenta o jornal. “O Brasil buscou ganhar pontos com os países desenvolvidos, mas acabou em posição de impedimento.”

Outros enfoques
Em enfoques distintos, a Rodada Doha foi tema de outros jornais ao redor do mundo. Artigos na imprensa internacional destacaram a queda-de-braço entre os Estados Unidos e a Índia em relação à proteção permitida aos países emergentes diante de um aumento abrupto de importações.

Na visão do indiano Financial Express,/I>, já foi o tempo em que “acordos negociados entre um punhado de países” desenvolvidos eram “forçados goela abaixo” de países mais pobres.

Desta vez, entretanto, a força dos países que chamou de “BIC” – Brasil, Índia e China – fez diferença, embora no final o Brasil tenha sido “jogado contra a China”, na visão do jornal.

Em linha semelhante e destacando os mesmos países, o americano The Wall Street Journal entendeu que o fracasso das negociações demonstram que “novos gigantes” já são capazes de “flexionar os músculos” no tabuleiro geopolítico internacional. O Brasil, por exemplo, teve um “papel-chave” nas negociações, diz o jornal.

“No fim, entretanto, o desejo brasileiro de fechar um acordo fez pouca diferença”, afirma o diário. “A China quebrou seu tradicional silencio em negociações comerciais globais e subiu no salto”, bloqueando a proposta da OMC.

Para o WSJ, o novo fracasso em chegar a um acordo global é mais que “uma questão de mercado”: representa um retrocesso com “efeitos a longo prazo” na liberalização do comércio mundial, na disposição americana de reduzir barreiras protecionistas e no papel da OMC.

Metáfora futebolística
Por sua vez, o britânico Financial Times aproveitou uma declaração do chanceler Celso Amorim para fazer uma metáfora futebolística sobre o fracasso das negociações.

“Acho que podíamos ter tentado outro time, quem sabe outros jogadores funcionariam melhor (nas negociações)”, havia dito Amorim, ao comentar as negociações na terça-feira.

“Não há garantia de que qualquer estrela em uma nova escalação seja capaz de jogar melhor que a atual equipe”, discorda o FT, em um artigo intitulado “Negociadores procuram os escombros por sinais de esperança”.

“O resultado mais provável é que técnicos abaixo do nível ministerial voltem a se reunir no outono para procurar entre os escombros das últimas semanas para ver se algo pode ser salvo. Mas qualquer tentativa de juntar os cacos novamente deve vir só dentro de muito mais tempo.”

Fonte: Terra


EUA elogiam papel de ‘liderança’ do Brasil na OMC

Julho 30, 2008

A representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, elogiou nesta quarta-feira o papel de “liderança” do Brasil nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) de Genebra, apesar das complicações que isso possa causar aos brasileiros.

“O ministro Amorim, individualmente, e o Brasil, como país, deram mostras de liderança” nos nove dias de negociações, que na terça-feira foram concluídas com um fracasso retumbante devido às divergências entre Índia, que exige um mecanismo de proteção de seus mercados agrícolas, e Estados Unidos, que o rejeitava.

Schwab comentou que o Brasil assumiu sua postura “apesar das preocupações” que isso possa causar ao País, sem dar maiores detalhes.

O apoio claro do Brasil às propostas apresentadas na sexta-feira pelo diretor geral da OMC Pascal Lamy para a abertura dos mercados agrícolas e industriais gerou o descontentamento da Argentina, que as considera desequilibradas.

Durante a reunião ministerial de 35 dos 153 países da OMC, Brasil e Estados Unidos participaram das reuniões reservadas das sete maiores potências comerciais (as outras são a União Européia, Índia, Japão, Austrália e China) que tentavam desobstruir o caminho da Rodada de Doha, lançada em 2001.

Ao ser perguntada sobre a possibilidade de os Estados Unidos buscarem acordos comerciais com o Brasil ou o Mercosul após o fracasso das negociações da OMC, Schwab respondeu: “Sempre estou disponível para conversar com o Brasil e com qualquer país ou grupo de países que queira falar de liberalizar o comércio”.

“Mas não quero que pensem que devemos abandonar o sistema multilateral de comércio”, disse

Fonte: Terra


China manifesta decepção com fracasso em Genebra

Julho 30, 2008

A China manifestou sua “decepção” com o “trágico fracasso” das negociações de Genebra para a liberalização do comércio mundial, revela nesta quarta-feira o site do ministério chinês do Comércio.

“Estou muito decepcionado”, afirma o ministro chinês do Comércio, Chen Deming, sobre o fracasso da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio.

Segundo Chen, a falta de acordo foi resultado da “incapacidade dos países de superar suas divergências”.

“Não vou criticar os ministros em questão. Pode ser que tenham fatores complexos e profundos no plano interno, mas tenho que manifestar minha profunda decepção. É um fracasso trágico”.

Fonte: Terra


Japão considera “lamentável” fracasso da OMC

Julho 30, 2008

 

O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, qualificou nesta quarta-feira de “extremamente lamentável” o fracasso das negociações de Genebra para a liberalização do comércio mundial.

 

“Apesar de mais de uma semana de negociações e esforços por parte dos ministros da Organização Mundial do Comércio, não foi possível chegar a um acordo sobre as modalidades. Isto é “extremamente lamentável”, disse Fukuda.

O Japão foi uma das sete grandes economias, ao lado de Brasil, Estados Unidos, Austrália, China, União Européia e Índia, envolvidas nas negociações de Genebra sobre a liberalização do comércio mundial.

As negociações fracassaram nesta terça-feira, por falta de um acordo agrícola entre os ricos e certos países em desenvolvimento.

Fonte: Terra