CRISE MUNDIAL – Crise será longa, mas sem colapso

Julho 25, 2008

CRISE MUNDIAL – Crise será longa, mas sem colapso
A atual crise financeira dos Estados Unidos e da Europa não deve levar a um colapso na economia global, mas o mundo pode se preparar para alguns anos de desaceleração no ritmo de crescimento.

     O professor Paul Krugman, da Universidade de Princeton, considera que a ação agressiva e pró-ativa dos bancos centrais foi providencial e deve evitar uma catástrofe econômica semelhante à registrada nos anos 30. Essa avaliação é compartilhada por analistas brasileiros como o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Os três economistas participaram ontem, em São Paulo, do Fórum CPFL Energia, evento que contou com o apoio do Valor e teve como tema “Crise Financeira Internacional e Crescimento da Economia Brasileira”.

      Sobre o Brasil, a opinião dominante é de que o novo cenário internacional traz pressões inflacionárias e alguma desaceleração da atividade econômica, mas não a ponto de causar transtornos mais sérios. Krugman lembra que, no meio da crise, o país tem se beneficiado da alta dos preços das commodities, por ser um grande exportador de produtos primários. Com a perspectiva de alguma queda das commodities, ele acha possível que haja uma desvalorização do câmbio.

 

Fonte: Valor Econômico


EXPORTAÇÕES – Preços de bens exportados batem recorde de 30 anos

Julho 25, 2008

A alta das commodities no mercado mundial contribuiu para que os preços de exportação dos produtos brasileiros atingissem o maior nível desde janeiro de 1978, quando esse indicador começou a ser calculado pela Funcex.

     No mês passado, os preços desses produtos estavam, em média, 34,8% acima do verificado em junho de 2007.

      Enquanto as cotações disparavam, o volume exportado estagnou. Em 12 meses até junho, a quantidade embarcada subiu apenas 0,3%. Por conta da greve dos fiscais da Receita Federal, do atraso no embarque da safra agrícola e de problemas com a exportação de petróleo, o volume chegou a cair 1,6% no primeiro semestre. Em junho, a situação se normalizou e houve uma recuperação, com alta de 5,2% nos embarques físicos em relação a junho de 2007.

      A economista Fernanda Feil, da Rosenberg & Associados, calcula que os produtos básicos afetam o desempenho de 65% das exportações brasileiras. Ela lembra que houve um reajuste de 70% para o minério de ferro, obtido pela Vale na negociação com as siderúrgicas. O impacto desse reajuste só apareceu na balança em junho, por conta do embarque de contratos antigos.

      Os produtos básicos lideram a alta de preços das exportações brasileiras. Em junho, haviam subido 58% em relação a junho de 2007. No primeiro semestre em relação a igual período do ano passado, a alta chegou a 40%, em média. No mês passado, o preço da soja exportada pelo país subiu quase 60%, o da carne bovina, 57% e o do minério de ferro, 63%.

      Mesmo nos produtos industrializados, cujo mercado é menos instável, as empresas brasileiras obtiveram excelentes reajustes de preços, de 20,4% em junho na comparação com igual mês do ano anterior. Em compensação, o volume de exportação de manufaturados está bastante prejudicado. Esse indicador recuou 1,8% no período de um ano.

      Para os economistas do Bradesco, a queda na quantidade exportada de manufaturados é resultado não apenas da desvalorização cambial, mas também do desvio de produtos para atender a robusta demanda interna. Espera-se um ritmo um pouco mais fraco de reajustes de preços de exportação no segundo semestre.

Fonte: Valor Econômico


Brasil negocia, mas Argentina rejeita texto industrial

Julho 25, 2008

O Brasil mostra flexibilidade na negociação industrial na Rodada Doha, enquanto a Argentina é o único país que recusa o texto da negociação que está na mesa no momento. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o seu colega argentino, Jorge Taiana, se reuniram ontem cedo, mas oficialmente não teriam discutido a posição do Mercosul. O chefe do Departamento Econômico do Itamaraty, Carlos Marcio Cozandey, disse que na mesa de negociação entre os sete principais membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil está defendendo sua posição nacional.

Sobre flexibilidades para a proteção de indústrias do Mercosul, a posição inicial do bloco era de 16% das linhas tarifárias. “Estamos em 14% de linhas tarifárias e 17% do valor de comércio”, afirmou Cozandey sobre a posição brasileira. Na prática, o Brasil deixa para a Argentina a responsabilidade de bloquear sozinha a negociação, se persistir na sua posição de não admitir o texto-base da negociação. A Argentina tem reiterado que o Brasil assinou e apresentou um texto na OMC pedindo proteção de 16%.

Para representantes da indústria brasileira que acompanham as discussões em Genebra, as posições do Mercosul nas negociações de Doha vêm sendo “fragilizadas” devido às resistências do governo e do setor privado argentinos. Eles vêm se recusando até a dizer se consideram uma boa base para as negociações o documento com propostas de redução de tarifas industriais que está sendo discutido a portas fechadas.

Os representantes das empresas e dos trabalhadores brasileiros têm um acesso privilegiado às discussões em Genebra: receberam credenciais de membros da delegação do Brasil, o que lhes dá permissão para transitar nos ambientes reservados e acompanhar de perto o desenrolar das negociações. Na avaliação deles, recebida, em Brasília, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Coalizão Empresarial, hoje será um “dia-chave” nas negociações, porque o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, deve apresentar um texto com propostas formuladas a partir dos debates da semana.

Os brasileiros constataram o grande mal-estar com a decisão de Lamy de reduzir o número de delegações selecionadas para formular uma proposta de acordo a ser apresentada ao plenário.

Na avaliação dos empresários, um eventual sucesso na Rodada Doha trará ganhos para o agronegócio brasileiro. O setor industrial está preocupado com as exigências de contrapartida feitas pelos países ricos, que desejam menos barreiras para produtos manufaturados. “É fundamental que os resultados sejam equilibrados”, diz nota interna da CNI, que reivindica empenho na redução de distorções das regras comerciais e cuidado para não inviabilizar a sobrevivência das empresas nacionais com uma abertura precipitada.

Já os 27 países da União Européia (UE) continuam a considerar “extrema” a demanda de flexibilidade do Brasil para proteger setores industriais e pediram para o comissário de Comércio, Peter Mandelson, continuar tentando arrancar abertura efetiva do país.

O Brasil mostra flexibilidade também sobre acordos setoriais, pelo qual serão eliminadas ou reduzidas as tarifas de determinado setor. Os Estados Unidos cobram participação dos emergentes em pelo menos dois grandes acordos setoriais para eliminar ou reduzir tarifas em certas áreas como preço por um acordo na rodada.

Amorim e a representante comercial americana, Susan Schwab, conduziram as discussões ontem, no grupo de sete membros, sobre os acordos setoriais. Enquanto Washington coloca esses acordos como precondição para fechar Doha, Amorim insistiu que a participação dos países em desenvolvimento deve ser voluntária.

À noite, estava em discussão uma linguagem de compromisso envolvendo engajamento dos países em reuniões setoriais. É o que certos analistas chamam de “voluntários obrigatórios”, com certa ironia. “Esse negócio de pressão comigo não funciona, mas vou ter flexibilidade para chegar a um acordo. Estamos vendo o que dá para fazer sem ferir o interesse da nossa indústria. Há limites”, afirmou Amorim.(AM, com Sergio Leo, de Brasília)
Fonte: Valor Econômico


Nesta sexta se saberá sobre futuro da Rodada de Doha, diz Amorim

Julho 25, 2008

Chanceler tem esperança de encontrar uma solução para o impasse nas negociações.

O chanceler Celso Amorim disse nesta quinta-feira, ao sair de uma reunião com ministros de Comércio, que somente nesta sexta-feira se saberá se é possível salvar a Rodada de Doha.

— Continuaremos amanhã. Sei que já dissemos muitas vezes e soa ridículo dizer que é um dia crucial. Amanhã, devemos ter uma idéia se o acordo é possível ou não — disse Amorim deixando uma esperança de solução para o impasse nas negociações.

Os funcionários se encontram desde o último fim de semana em Genebra, na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), tentando desbloquear a Rodada de Doha para liberar o comércio mundial.

Os representantes de Comércio de seis países chave (Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Japão) e da União Européia se reuniram no meio da tarde. Segundo os ministros que falaram com a imprensa, o processo, embora lento, avança.

Durante o dia aconteceram múltiplas reuniões bilaterais, encontros setoriais, negociações técnicas e algumas propostas com conteúdo suficiente para manter o processo vivo.
Fonte: Zero Hora


Exportações já começam a cair na Ásia

Julho 25, 2008

Agências internacionais

As exportações asiáticas estão diminuindo, num momento em que a demanda dos EUA está em queda e as perspectivas econômicas da Europa se deterioram. Os dados são um revés para os que advogam a teoria do “descolamento”, que defende que o aumento da demanda nos países da Ásia, do Oriente Médio e na Rússia compensaria a desaceleração da economia americana.

As exportações japonesas em junho caíram pela primeira vez em quase cinco anos. A retração foi de 1,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, sendo que isso aumenta a possibilidade de que o Japão registre uma contração econômica no segundo trimestre.

As exportações de Hong Kong caíram pela primeira vez em mais de dois anos, com a diminuição de embarques para a China continental, para o Japão e para os EUA. A queda de 0,6% em junho, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, se seguiu ao crescimento de 10,3% registrado em maio.

Em Cingapura, o Banco Central disse haver um “risco significativo de queda nas exportações”.

Na terça-feira, o Banco de Desenvolvimento Asiático (BDA) divulgou seu relatório semestral sobre o Leste Asiático (excluindo o Japão) prevendo que o crescimento regional ficará em 7,6% neste ano, abaixo da estimativa anterior de 8%. O banco reduziu sua projeção de crescimento para quase todas as economias do leste asiático.

“O cenário de descolamento está quase em colapso”, disse Junko Nishioka, economista para o Japão no Royal Bank of Scotland.

Para o Japão, o resultado das exportações foi especialmente dramático. Os embarques para os EUA, país que recebe cerca de 20% de todas as exportações japonesas, caíram 15% em junho e quase 10% no primeiro semestre. Os embarques para a Europa caíram 10,3%.

Para Masamichi Adachi, economista do JPMorgan, a maioria da Ásia já havia sido afetada pela desaceleração nas principais economias mundiais, ou seja, “o Japão agora está se deteriorando em linha com as tendências globais”.

Fonte: Valor Econômico