Países emergentes têm razões para temer reflexos da crise dos EUA, diz Paul Krugman

Julho 23, 2008

São Paulo – Embora os Estados Unidos não estejam diante de uma catástrofe, existem várias razões para que o mundo fique preocupado com os reflexos da crise financeira norte-americana sobre suas próprias economias, diz o economista Paul Krugman. “Vários países sofrem por atrelar sua política monetária à economia norte-americana”, assinalou.

De acordo com Krugman, o nível de emprego e a produção industrial dos Estados Unidos estão caindo, ao passo que a percepção interna da crise aumentou. Isso segundo ele, afetará diversos países, incluindo Brasil, China e Rússia, onde “provavelmente haverá um desaquecimento da economia”

“O enfraquecimento foi bom para as exportações norte-americanas”, afirmou ele, durante o Fórum CPFL Energia: crise financeira internacional e crescimento da economia brasileira, realizado hoje (23), em São Paulo. “Com o dólar mais fraco, os preços sobem. Só que isso não é o mais importante. O ponto é que a política monetária norte-americana afeta outros países.”

Para o economista, até o momento, os Estados Unidos não enfrentam uma crise inflacionária, diferentemente de outros países, onde a crise financeira norte-americana e a alta do preço do petróleo já provoca o aumento da inflação e a redução dos níveis de crescimento da atividade econômica.

Krugman reconhece na atual crise financeira internacional, desencadeada pelo desaquecimento da atividade econômica norte-americana, indícios de quase todas as demais crises já vividas pelos Estados Unidos.  A novidade, acrescenta ele, é que durante o recente boom imobiliário instituições norte-americanas como as grandes companhias hipotecárias, a exemplo das financiadoras imobiliárias Fannie Mae e da Freddie Mac, passaram a atuar como bancos, sem, no entanto, estar sujeitas as mesmas regulamentações. “Demos a essas instituições muitos direitos sem que elas tivessem as mesmas restrições. É necessário fazer algo a respeito disso”.

Krugman também defendeu a produção brasileira de etanol. Para ele, o combustível obtido principalmente a partir da cana-de-açúcar não tem influência decisiva sobre a alta dos preços dos alimentos. “A Europa sim está retirando terras [da produção de alimentos] para a produção de combustível.”

Fonte: Agência Brasil


Brasil e Trinidad e Tobago assinam termos de cooperação na área energética

Julho 23, 2008

Brasília – O primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, assinou hoje (23) com o governo brasileiro um memorando de entendimento para cooperação na área energética entre as empresas petrolíferas dos dois países. A medida abre ao Brasil a possibilidade de importar gás natural liquefeito.

Manning foi recebido no início desta tarde (23) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É a primeira visita de um chefe de governo de Trinidad e Tobago ao Brasil.

Também foram assinados acordos na área de serviços aéreos e de tributação, para evitar a dupla cobrança e prevenir a evasão fiscal em matéria de impostos sobre a renda.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o estreitamento das relações entre a América do Sul e o Caribe. “Esse processo de aproximação regional passa necessariamente pela conclusão de um acordo econômico e comercial entre o Mercosul e a Caricon [Mercado Comum e Comunidade do Caribe]“, afirmou.

Fonte: Agência Brasil


Lula diz que “não tem acordo” em Genebra sem flexibilização de países ricos

Julho 23, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (23) que não haverá acordo se não houver flexibilização nas negociação da Rodada Doha, que ocorrem atualmente na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.

“Se não houver uma efetiva diminuição dos subsídios dos Estados Unidos e se não houver uma efetiva flexibilização para o mercado agrícola europeu não tem acordo e cada um que arque com sua responsabilidade”, disse, após almoço com o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, no Palácio do Itamaraty.

Lula afirmou que os americanos e europeus “acham que os países emergentes têm que se subordinar à lógica deles” e estão habituados a um tempo em que “não tinha negociação, eles impunham o que eles queriam e os outros eram obrigados a aceitar”. Mas atualmente, segundo Lula, “é preciso levar em conta a existência dos países emergentes”.

Segundo Lula, durante as negociações da Rodada Doha, cujas reuniões ocorrem em Genebra, Suíça, os países que integram o G20 têm demonstrado aos Estados Unidos e à Europa disposição em fazer concessões em relação aos produtos industriais.

O presidente manifestou apoio à atuação do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, nas negociações da rodada. “O Celso Amorim é um extraordinário negociador, portanto, penso que estamos em boas mãos”. Amorim se envolveu em uma polêmica em Genebra ao comparar a negociação dos países ricos sobre a Rodada Doha com a propaganda nazista (uma mentira dita mil vezes torna-se verdade).

Lula disse ainda que um caminho para amenizar a crise alimentar o mundo é incentivar os países mais pobres a plantarem mais alimentos. “Para os países mais pobres plantarem alimentos é preciso que haja perspectiva de mercado, para eles venderem seus produtos”, completou o presidente. Durante as negociações, os Estados Unidos propuseram redução dos subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões. O G20, grupo de países em desenvolvimento, liderado pelo Brasil e Índia, havia pedido um limite de concessão de subsídios de, no máximo, US$ 13 bilhões.

Fonte: Agência Brasil


Para Contag, acordo na OMC pode prejudicar agricultura familiar

Julho 23, 2008

Brasília – O secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, disse hoje (23) que muitas famílias, que vivem de suas atividades no campo, podem ser prejudicadas caso se feche, em Genebra, Suiça, um acordo para o fim dos subsídios aos produtos agrícolas, como defende o governo brasileiro.

 

Para Broch, é necessário que se trabalhe a agricultura familiar, que “precisa ter um tratamento especial. Ela não pode ficar à mercê do livre comércio, precisa ter mecanismos de salvaguarda para que, em determinados momentos, não sejamos pegos de surpresa com produtos externos”, afirmou ele, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

Broch tem dúvidas, entretanto, sobre o sucesso das reuniões que a Organização Mundial do Comércio (OMC) está realizando esta semana, em sua sede, em Genebra, com o objetivo de destravar o comércio global. “Nós estamos vigilantes, fazendo pressão, no sentido de que esse acordo, caso se realize, o que nós temos dúvidas, possa ser realizado no sentido de se inserir setores da sociedade, no caso, a agricultura familiar”, disse.

O secretário da Contag acredita que um possível acordo possa  levar ao risco de prejudicar alguns programas, como os de reforma agrária e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que necessitam de políticas públicas e, inclusive, subsídios. Um outro risco, segundo Broch, seria a invasão de produtos de outros países em determinados momentos de crise na economia nacional, o que causaria danos a determinados setores da agricultura brasileira.

O secretário ressaltou que o país possui mais de quatro milhões de propriedades familiares, que participam com grande parte da produção dos alimentos básicos consumidos pela população, como é o exemplo de 65% do feijão, 35% do arroz, 37% da soja e 80% da mandioca produzidos no país.

De acordo com informações da BBC Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que está em Genebra, disse que, depois de um início “em câmera lenta”, as negociações sobre a Rodada Doha de liberalização do comércio mundial começam a ser aceleradas nesta quarta-feira.

Fonte:Agência Brasil


Belluzo diz que crise americana será longa e afetará economia mundial

Julho 23, 2008

São Paulo – Ao contrário do presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico, Luciano Coutinho, para quem o efeito da crise financeira dos Estados Unidos sobre a economia brasileira não será relevante, o professor da Universidade de Campinas Luiz Gonzaga Belluzo acredita que a economia mundial e conseqüentemente a do Brasil sofrerão com a redução das importações norte-americanas.

Segundo o economista, com a atual crise, os Estados Unidos vêm reduzindo seu déficit comercial importando menos . “Isso vai afetar o conjunto da economia mundial. Não adianta dizer que a participação das exportações brasileiras para os Estados Unidos é menor [em importância], porque a desaceleração da economia norte-americana afeta todo o mundo”.

Belluzo concordou com Coutinho que a crise será longa, apesar das medidas já adotadas pelo Federal Reserv (o Banco Central americano) e pelo Tesouro dos Estados Unidos. Para ele, o Brasil será afetado de duas maneiras: uma boa e uma ruim.

“O bom é que a queda no preço das commodities está começando a se manifestar e dará mais condições para que o Brasil tenha uma política monetária menos agressiva. Por outro lado, o balanço de pagamentos [todas as transações financeiras do país com o exterior] vai ser prejudicado pela queda do preço das commodities”.

Alegando que a relativa independência da economia chinesa é o único contraponto aos efeitos da desaceleração da economia norte-americana, ainda que os dois países não tenham o mesmo peso, Brelluzo afirmou que o Brasil nunca esteve tão bem para enfrentar uma crise internacional.

“Acho que o Brasil está em condições excepcionais para enfrentar essa crise. Não que não vá acontecer nada e que vamos continuar voando em céu de brigadeiro, ma o país nunca esteve também, graças a Deus em boa medida, e em parte aos brasileiros”.

Fonte: Agência Brasil


Crise financeira norte-americana afetará pouco o Brasil, avalia presidente do BNDES

Julho 23, 2008

São Paulo – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje (24) acreditar que a crise financeira norte-americana, mesmo que duradoura, afetará pouco o Brasil. “Dizer que o impacto é zero não é verdade, mas não é um impacto relevante que vai fazer com que a economia brasileira volte a crescer em um nível insatisfatório”. Coutinho participa em São Paulo do fórum CPFL  Energia: Crise Financeira Internacional e Crescimento da Economia Brasileira.

Para Coutinho, a atual crise norte-americana “recrudesceu” nas últimas semanas, não deve se aprofundar, embora será “longa e duradoura”. Mesmo assim, o economista afirma que a economia brasileira continuará crescendo nos próximos anos. “Pode até desacelerar um pouquinho no ano que vem, mas isso já está dentro da conta”. Coutinho defende que uma ligeira desaceleração da economia brasileira é desejável, “para podermos controlar o processo inflacionário e manter a confiança nos investimentos”.

Sobre o reflexo da crise norte-americana nas exportações brasileiras, Coutinho lembrou que apesar de as vendas externas do país para os Estados Unidos serem relevantes, o Brasil tem uma pauta exportadora muito diversificada. “Num contexto em que a economia norte-americana desaquece, mas o resto do mundo continua crescendo a níveis satisfatórios, a economia brasileira sofre muito pouco”.

Fonte: Agência Brasil


Convênio promove mercado editorial brasileiro

Julho 23, 2008

São Paulo – O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira, e a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini, assinam hoje (23) convênio para promover o mercado editorial brasileiro no exterior. Será àgora de manhã, na Câmara Brasileira do Livro, em Pinheiros.

O Projeto Setorial Integrado (PSI) do Mercado Editorial envolve ações para facilitar negócios entre editoras brasileiras e representantes do mercado internacional. Após a assinatura, os dois presidentes estarão disponíveis para entrevistas.

Fonte: Agência Brasil


Brasil e Trinidad e Tobago firmam acordos de cooperação

Julho 23, 2008

Os governos do Brasil e de Trinidad e Tobago assinam nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, acordos nas áreas de energia e de serviços aéreos e a convenção para evitar dupla tributação, prevenir evasão fiscal e incentivar o comércio e o investimento bilaterais.


Os documentos serão firmados durante encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o primeiro-ministro do país caribenho, Patrick Manning, às 12h15.
Esta é a primeira visita de um chefe de governo de Trinidad e Tobago ao Brasil. Logo após a cerimônia, Lula e Manning participam de almoço no Itamaraty.

 

 

Fonte: JB Online


Brasil pedirá que subsídios dos EUA não passem de US$ 13 bi

Julho 23, 2008

O Brasil vai pressionar os Estados Unidos a reduzir ainda mais o limite sobre seus subsídios agrícolas para que não passem dos US$ 13 bilhões propostos no texto atual das negociações da Rodada Doha. 

“Poderíamos iniciar negociações se eles chegarem ao nível mais baixo contemplado. Dentro do politicamente viável, US$ 13 bilhões se aproxima do razoável”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao deixar a sede da Organização Mundial de Comércio (OMC) depois de um longo dia de reuniões.

Nesta terça-feira a negociadora comercial americana, Susan Schwab, melhorou sua oferta de corte da ajuda doméstica para US$ 15 bilhões – a anterior era de US$ 17 bilhões -, mas Amorim recordou que o G20 pedia um corte para US$ 12 bilhões.

Segundo o chanceler, a reunião desta terça-feira serviu para um intercâmbio de explicações entre os diferentes negociadores.

“Mostramos (aos Estados Unidos) que a proposta é o mesmo que duas vezes o que eles gastaram este ano e mais ou menos US$ 2,5 bilhões mais que a média (dos subsídios concedidos) desde 2002, incluindo 2008″, disse Amorim.

Amorim comparou a oferta de Schwab a uma jogada de futebol americano: “Eles lançaram a bola, mas não suficientemente longe.”

Indústria
No capítulo de bens industriais, foi o Brasil quem deu explicações sobre as limitações que enfrenta para fazer novas concessões.

“A cobrança é nossa, de que as pessoas têm que entender o que a gente quer dizer”, afirmou o chanceler.

E a mensagem, segundo ele, é clara: “Cláusula de anti-concentração é uma má idéia”.

Essas cláusulas, que os países mais ricos querem incluir no acordo, limitariam o nível de flexibilidade com o qual os países em desenvolvimento poderiam proteger determinados setores da indústria na hora de aplicar os cortes de tarifas.

Pouco antes, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, comentou que o ponto negativo da reunião foi a resistência de “certos negociadores” em aceitar a atual proposta para o capítulo industrial.

“Mas acredito que até o final da noite esses pontos foram superados”, disse.

Para Amorim, a intensidade do dia de reuniões é um bom sinal da disposição geral para se chegar a uma conclusão. “Alguns podiam ter ido embora, mas todo mundo continuou aqui negociando”, explicou ele.

Os sócios da OMC continuarão expondo suas dificuldades e possibilidades de avanço na jornada de quarta-feira, que promete ganhar novo fôlego com a chegada do ministro indiano de Comércio, Kamal Nath.

Na sexta-feira o diretor geral da OMC, Pascal Lamy, deve circular entre os negociadores um novo texto, com as propostas revisadas. Mas, apesar de a reunião estar programada para concluir no sábado, ninguém se atreve a dizer se o cronograma poderá ser cumprido.

“É mais importante concluir (o acordo) que simplesmente ter um deadline específico e preciso. Mas claro que não podemos estar aqui para sempre”, disse Amorim.
Fonte: Terra


Brasil é preocupação para China

Julho 23, 2008

Chineses temem invasão de produto agrícola brasileiro
A China quer proteções contra o aumento das exportações brasileiras de produtos agrícolas para seu mercado. Ontem, o governo chinês se reuniu com o chanceler Celso Amorim em Genebra e deixou claro que barreiras serão necessárias para impedir uma invasão repentina da produção brasileira.
A proposta faz parte dos debates na Organização Mundial do Comércio (OMC), e os chineses alertam que precisam de um mecanismo de salvaguardas quando o volume de importação atingir um nível preocupante. Pequim fez o mesmo alerta ao governo americano.
Amorim garantiu que seria difícil para o Brasil aceitar esse mecanismo. O Itamaraty insiste que será necessária uma maior abertura do mercado chinês para impedir que o déficit comercial do País com Pequim se amplie ainda mais nos próximos meses. O chanceler brasileiro Celso Amorim alertou ao governo chinês que, caso o déficit comercial do País com Pequim não seja reequilibrado, as “pressões protecionistas” podem surgir no Brasil.
Somente em janeiro deste ano, o déficit brasileiro atingiu US$ 882 milhões, quase metade de todo o déficit ao longo do ano passado, de US$ 1,8 bilhão. Hoje, a China já disputa com a Alemanha o título de maior exportador do planeta e poderá fechar o ano na nova posição.
Em janeiro, as vendas da China ao Brasil aumentaram 94%, somando US$ 1,5 bilhão. Enquanto isso, as vendas brasileiras não chegaram a US$ 700 milhões. A solução seria que a China se abra mais a nossos produtos, como carnes, e volte a comprar aviões.
O chanceler também insistiu na necessidade de mais investimentos chineses no País e os dois países trataram de eventuais visitas dos chefes de Estado em dezembro. Na avaliação de Amorim, investimentos maiores da China no Brasil também poderiam contrabalançar o déficit comercial entre os dois países.
O Brasil, que por anos manteve superávit com a China, hoje se encontra na mesma posição de americanos e europeus, que não sabem mais o que fazer para impedir que o buraco nas contas com Pequim aumente. No ano passado, a China teve superávit recorde de US$ 262 bilhões com o resto do mundo, o maior já acumulado por um só país. Nos EUA, o déficit já chega a US$ 250 bilhões.
Fonte: O Estado de São Paulo