Oferta dos Estados Unidos de corte de subsídios agrícolas não é suficiente, diz Amorim

Julho 22, 2008

Brasília – O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje (22) em Genebra, na Suíça, sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), que a proposta de redução de subsídios agrícolas apresentada pelos Estados Unidos ainda não é “suficiente”, segundo informações da BBC Brasil.

Representantes de mais de 30 países estão reunidos na sede da organização para tentar fechar um acordo nas negociações da Rodada Doha.

O G20, grupo de países em desenvolvimento liderado pelo Brasil e pela Índia, havia pedido aos Estados Unidos um limite de concessão de subsídios de, no máximo, US$ 12 bilhões, no entanto, a secretária de Comércio Exterior norte-americana, Susan Schwab, ofereceu US$ 15 bilhões hoje.

A secretária disse que essa oferta é um “ grande avanço” nas negociações e acredita que a nova oferta poderá trazer uma “redução significativa” às concessões de subsídios. A última oferta americana foi de US$ 17 bilhões, mas essa oferta foi recusada pelo G20.

Schwab disse ainda que esta nova oferta está condicionada a uma proposta de maior abertura dos mercados dos países em desenvolvimento nas áreas de bens industriais e serviços.

Fonte: Agência Brasil


O peso da caneta da Antaq

Julho 22, 2008

A atuação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) vai ganhar destaque nos próximos dias. A agência vai ditar as novas regras de um setor que deve movimentar neste ano US$ 15 bilhões e envolve o interesse de gente graúda como Daniel Dantas e Eike Batista. Está nas mãos da Antaq bater o martelo sobre as restrições aos portos privativos. Um decreto será editado pela Casa Civil, com o aval do ministro da Secretaria de Portos, Pedro Britto, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas revisado pela Antaq.

Pelos corredores da Antaq, não é difícil encontrar técnicos preocupados com o texto do decreto. Ainda mais depois das descobertas da operação Satiaghara que mostra a delicada relação de Dantas e parlamentares justamente em relação ao setor. Sabe-se ainda que, direta ou indiretamente, Dantas e Eike têm canal de articulação no Palácio do Planalto. Atualmente, a legislação diz que um porto particular tem de ter capacidade para se financiar apenas embarcando cargas próprias. Os empresários defendem uma norma mais frouxa que permita os privados a embarcar a maior parte de material de terceiros, o que seria um concorrência, dizem técnicos, fatal para os públicos.

Fonte: Jornal do Brasil


RODADA DOHA – G-20 rejeita tentativa de países ricos de criar cotas agrícolas

Julho 22, 2008

Confrontos entre países desenvolvidos e emergentes, e agora também entre os próprios países em desenvolvimento, anteciparam as negociações de 35 ministros a partir de hoje em Genebra para tentar salvar a Rodada Doha do fiasco total.

     O G-20, o grupo liderado pelo Brasil, pela primeira vez rejeitou publicamente a tentativa da União Européia (UE), Japão, Suíça e outros protecionistas de criar novas cotas para produtos agrícolas, consideradas um retrocesso no objetivo de liberalização agrícola global.

      O Valor apurou que a UE quer criar cota inclusive para o etanol, o que limitaria a entrada do produto com tarifa menor a cerca de 142 milhões de litros por ano, ou seja, 5% da média do consumo europeu entre 2003-2005. Basta comparar com a cota que a própria UE acenava para o Mercosul na negociação birregional, de 1 bilhão de litros por ano.

      O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, apareceu em reuniões bilaterais, inclusive com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, com uma posição considerada insustentável para os emergentes.

      Mandelson oferece o mínimo que o texto agrícola na mesa prevê e exige o máximo do que o documento na área industrial propõe, o que é considerado o caminho mais direto para o fracasso se continuar assim nas próximas 48 horas.

      O representante europeu insistiu que a UE já fez demais na agricultura e só aceita aumentar as cotas agrícolas atuais em 4% do consumo doméstico, quando o mediador da negociação sugere que esse volume chegue a até 6% para dar uma compensação mais equilibrada aos exportadores que terão suas vendas limitadas no mercado europeu.

      Com os 4% para a expansão das cotas, a UE empurra também os Estados Unidos a persistir num limite elevado de subsídios domésticos agrícolas. O mediador da negociação agrícola sugeriu que os EUA baixem esses subsídios para algo entre US$ 13 bilhões a US$ 16,4 bilhões. A representante americana, Susan Schwab, já avisou que não chegará ao montante mais baixo. Vários negociadores suspeitam que americanos e europeu fizeram um acordo em torno de US$ 15 bilhões para os subsídios dos EUA.

      O Brasil reuniu ontem o G-110, aliança dos países em desenvolvimento, para sinalizar unidade na negociação e reiterar que o fim das distorções provocadas pelos subsídios gigantescos permanece como a principal tarefa da negociação da Rodada Doha.

      A unidade demonstrada pelos países em desenvolvimento mascara, porém, as divergências entre exportadores e importadores do grupo, quando se chegam aos detalhes. Foi o que ficou claro ontem quando o Paraguai e o Uruguai divulgaram um documento, manifestando a preocupação com o mecanismo de salvaguarda especial que a China, Índia, Indonésia e outros países em desenvolvimento querem ter para frear aumentos súbitos de importações agrícolas.

      Paraguai e Uruguai exemplificaram que a China poderá, com o mecanismo, colocar sobretaxas para algo entre 70% e 80% de suas importações agrícolas. No caso da soja, as importações subiram 48%, e Pequim poderá elevar de 3% para até 18% a tarifa de importação, considerando as propostas na mesa para deflagrar o mecanismo.

      O mais curioso é que o Brasil e a Argentina, os dois maiores exportadores agrícolas do Mercosul, não se juntaram ao Paraguai e Uruguai, quando seu agronegócio também coloca como prioritário evitar que a salvaguarda especial dos pobres aumente as barreiras.

      Negociadores do Brasil e da Argentina argumentaram, porém, que no momento a briga é mesmo contra os subsídios domésticos americanos, principalmente, onde se encontram as maiores distorções. Depois, no decorrer da semana, é que se pode discutir com “os sócios” uma solução para o mecanismo de salvaguarda especial.

      A China mostra-se tão preocupada em garantir o direito de frear importações agrícolas que desta vez enviou dois ministros para a rodada de negociações na OMC, quando normalmente só costuma mandar um vice-ministro ou altos funcionários.

      Os países insistiram que não há racha no G-20, ao mesmo tempo em que a evidência mesmo é de que as posições nacionais vão se manifestar fortemente nas reuniões desta semana entre os ministros.

Fonte: Valor Econômico


OMC – Alta das commodities abala Doha

Julho 22, 2008

A alta nos preços de commodities estremece a Rodada Doha e faz os países, incluindo o Brasil, repensarem o que estão dispostos a pagar por um tratado internacional de comércio.

     Entidades internacionais e representantes do setor privado alertaram ontem, em Genebra, que o Brasil teria ganhos mínimos e, em alguns setores, até prejuízo com a Rodada. Os custos apontam que não valeria a pena sequer tentar fechar um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC). Estudo do Banco Mundial mostra que a Rodada geraria ganho de US$ 96 bilhões por ano à economia mundial, menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. Desse total, só US$ 16 bilhões iriam para os países emergentes, sendo US$ 1,4 bilhão para o Brasil. O setor industrial nacional ganharia US$ 300 milhões. Ainda assim, o setor privado brasileiro ficaria com quase um sexto dos ganhos de todos os emergentes. Só a Índia teria ganhos superiores.

      Em 2001, quando a Rodada foi lançada, o próprio Banco Mundial estimava ganhos de US$ 832 bilhões, dos quais quase US$ 300 bilhões aos emergentes, 20 vezes mais do que os números atuais.

      Roberto Azevedo, principal negociador do Brasil na OMC, admite que hoje a Rodada não tem o mesmo valor que tinha há um ano. Naquele período, com os preços baixos no setor agrícola, os subsídios americanos e europeus impediam a competitividade dos países emergentes e geravam prejuízos. Hoje, com a alta de preços, os subsídios caíram a níveis bem abaixo do que a própria OMC vai oferecer. Na prática, um eventual acordo não teria impacto no volume de subsídios distribuídos. Os americanos hoje dão cerca de US$ 7 bilhões em subsídios. Na melhor das hipóteses, um acordo vai limitar esse valor em US$ 13 bilhões. Significa que a Casa Branca poderia aumentar seus subsídios, e não reduzi-los.

      Estudos da Boston University e da Tufts Univeristy nos EUA mostra que o valor seria menor que a expansão das exportações hoje no Brasil. Estima também que cada pessoa no mundo ganharia apenas um centavo de dólar por dia com o acordo.

      Segundo a projeção, o Brasil ainda perderia US$ 3,1 bilhões ao ano por não poder arrecadar impostos de importação. No cálculo final, a Rodada traria prejuízos. Os países em desenvolvimento ainda perderiam US$ 63 bilhões com o corte na arrecadação de impostos de importação. O Oriente Médio e a África seriam os mais prejudicados.

      Mesmo assim, o governo brasileiro não acredita que haja motivos para que a Rodada não seja fechada. “O que mudou é o preço que vamos pagar”, disse o chanceler Celso Amorim.

      O Brasil avalia que o acordo seria como um seguro, evitando que, no futuro, os subsídios possam subir aos níveis das últimas décadas. Pela lei, os americanos têm o direito de dar US$ 41 bilhões em subsídios por ano. O teto seria uma forma de garantir que as distorções não cheguem a níveis anteriores. Mas diplomatas apontam que Doha foi superada pela realidade internacional e não dá mais resposta aos problemas atuais.

      CRÍTICAS PONTUAIS

      O governo brasileiro afirma estar ciente do que vai ganhar e alerta que as críticas do setor privado são “pontuais” e limitadas a alguns atores e entidades. Nos bastidores, o Itamaraty estima que as cotas existentes sobre carne para a exportação para a União Européia são suficientes. “Já fizemos nossos cálculos”, afirmou Azevedo.

      Já para Pedro Camargo Netto, presidente da Associação de Produtores de Carne Suína, não há nenhum ganho no acordo que está sobre a mesa. Ele alertou o Itamaraty sobre isso em uma reunião há poucos dias.

      O Itamaraty reconhece que o valor da Rodada Doha caiu nos últimos meses diante da alta nos preços internacionais de alimentos e de commodities, fator que gerou maiores ganhos ao Brasil que qualquer redução tarifária nos países ricos.

      Hoje, a alta nos preços é o fator responsável por garantir o superávit na balança comercial brasileira e mesmo na expansão das metas de exportação. Em volumes, as exportações brasileiras tiveram queda de 2% entre janeiro e maio, ao contrário da tendência mundial.

      Em valores, o Brasil tem sido favorecido pela alta nos preços de alimentos, minerais e outras commodities. Graças a isso, as exportações em dólares aumentaram 20%, mesmo com as tarifas e barreiras nos países ricos mantidas no mesmo nível.

Fonte: O Estado de São Paulo


Amorim ataca europeus e vê dia “inútil” de negociações

Julho 22, 2008

Marcelo Ninio, de Genebra
Na 1ª fase do encontro da Rodada Doha, brasileiro classifica proposta da UE de “encenação”

Ministro diz que nova oferta não traz nenhum avanço; expectativa é que os temas principais comecem a ser discutidos hoje na OMC
O primeiro dia da reunião considerada decisiva para quebrar um impasse de sete anos nas negociações comerciais da Rodada Doha serviu como um prenúncio pessimista do que virá no resto da semana. O encontro começou com a União Européia prometendo mais acesso a seus mercados agrícolas, e terminou com o Brasil chamando a proposta de “encenação”. O chanceler Celso Amorim chegou a dizer que a primeira reunião foi “inútil”.
A suposta oferta européia foi feita logo pela manhã pelo comissário de Comércio do bloco, Peter Mandelson. Ele sugeriu que o bloco estaria disposto a aceitar cortes de 60% em suas tarifas de importação sobre produtos agrícolas, o que seria um avanço em relação ao número atualmente na proposta em discussão, de 54%.
Já era noite em Genebra quando os ministros deixaram a sede da OMC (Organização Mundial do Comércio), após cinco horas de reunião. Indagado sobre a proposta européia, Amorim negou que ela represente uma nova concessão.
“Ora, 60%!”, ironizou. “É muito fácil produzir números como 60% ou 90% quando eu escolho os produtos em que ninguém está interessado ou que poucos países exportam. Eu quero saber o que eles vão fazer com frango, etanol, açúcar. É isso que me interessa.” Completou o comentário classificando a oferta européia de “encenação estatística”.
Sobre o primeiro dia de reuniões, o chanceler brasileiro não escondeu sua impaciência com a ausência de discussões substanciais. “Talvez tenha sido uma reunião necessária e nós precisemos passar por isso”, disse Amorim. “Mas do meu ponto de vista foi totalmente inútil, porque não ouvi idéias ou sugestões novas. Vamos ver amanhã [hoje].”
A manipulação de Mandelson ao sugerir que estava oferecendo nova concessão foi logo desqualificada dentro da própria UE. Mariann Fischer-Boel, comissária européia de Agricultura, reconheceu que a proposta não tinha “nada de novo”. O mesmo tom foi usado pela ministra de Comércio da França, país que atualmente ocupa a Presidência da UE. Segundo Anne-Marie Idrac, a diferença entre o número na proposta e o oferecido por Mandelson era uma questão de como calcular os cortes, com ou sem a inclusão de produtos tropicais.
“Houve progresso ou novas porcentagens? A resposta é não. Peter Mandelson esclareceu o que as discussões técnicas mostraram: nada a mais e nada a menos”, disse Idrac, que reiterou a protecionista posição francesa, de que nenhuma concessão adicional deve ser feita em acesso a seu mercado agrícola. “Nossa proposta já é a mais generosa sobre a mesa.”
No fim do dia, Mandelson negou-se a detalhar sua oferta e jogou a pressão para os países em desenvolvimento, dos quais espera cortes maiores em suas tarifas industriais que os aceitos até agora. “Esses cortes precisam dar acesso a mercados na prática, essa é a questão. Nada além disso funcionará. Nada além disso permitirá um acordo”, disse Mandelson.
Ninguém esperava um avanço logo no primeiro dia, mas diplomatas presentes à reunião disseram que o chanceler brasileiro e outros ministros estavam visivelmente impacientes com o tempo excessivo gasto com a apresentação de propostas que todos já conhecem. A expectativa é que os temas principais comecem a ser discutidos hoje, quando será possível avaliar quais as chances de sucesso do encontro. “O jogo começa amanhã”, disse o chanceler de Barbados, Christopher Sincker, um dos 35 ministros que participaram da reunião.

Fonte: Folha de São Paulo


Para Miguel Jorge, investimento em máquinas causa déficit da indústria

Julho 22, 2008

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, responsabilizou a insuficiência de produção nacional de bens de capital pelo saldo negativo da indústria em suas trocas com o mundo. “É um déficit causado principalmente pela falta de capacidade de produção da nossa indústria”, disse o ministro ao Valor.

O rombo das contas externas do conjunto da indústria de transformação brasileira chegou a US$ 4,9 bilhões no primeiro semestre – uma reversão significativa comparada com o superávit de US$ 7,4 bilhões de janeiro a junho do ano passado, conforme dados da Secretaria de Desenvolvimento da Produção do ministério.

Para o ministro, o déficit pode até crescer nos próximos meses, mas não seria um problema, porque a importação é majoritariamente de bens de capital. “Por isso, depois, a capacidade de produção nacional também vai aumentar, naturalmente”, disse.

As importações de bens de capital subiram 48% nos primeiros seis meses do ano, atingindo US$ 16,3 bilhões, o que significa 20,5% do total das compras externas do país. Segundo Jorge, um número “impressionante” de empresas está procurando o governo para autorizar a importação de máquinas usadas.

Apesar do resultado negativo da indústria, o ministro descartou déficit na balança comercial em 2009, como já estimam alguns analistas. Ele reconheceu que o superávit, que foi de US$ 40 bilhões no ano passado, vai cair em 2008 e 2009. Segundo o ministro, dois fatores justificam o otimismo: o expressivo crescimento das exportações e o encarecimento dos importados.

Na sua avaliação, os preços dos produtos exportados pelo país continuarão favoráveis, mas a inflação externa inibirá as importações do país. Com a ajuda das commodities, as exportações brasileiras aumentaram 24% no primeiro semestre, para US$ 90,6 bilhões. O governo reviu a meta de exportação para o ano de US$ 180 bilhões para US$ 190 bilhões.

Jorge não acredita em arrefecimento dos preços das commodities metálicas, mesmo com o desaquecimento da economia dos Estados Unidos. “Os asiáticos têm sido os maiores compradores. E isso vai continuar”, disse. Ele também avaliou que as commodities agrícolas seguirão favorecidas pela demanda dos países em desenvolvimento.

O ministro acredita que o encarecimento dos produtos asiáticos deve desestimular as importações no médio e longo prazo. Por conta da inflação interna da China e do aumento do custo da mão-de-obra, os exportadores chineses reajustaram os preços. As importações brasileiras cresceram 51% no primeiro semestre, para US$ 79 bilhões..

Jorge destacou a preocupação do governo com a inflação. Segundo ele, o aumento de alíquotas de importação de insumos pode ser um instrumento eficiente. Ele disse que estuda a redução da tarifa de importação de aço, que impacta os custos dos setores automotivo, eletroeletrônico e construção civil.

O ministro ressaltou que deve maturar em breve uma série de investimentos, que significarão um aumento importante para a capacidade produtiva nacional. Apesar do descompasso entre o funding e os desembolsos do BNDES, Jorge não acredita que possa faltar dinheiro para o banco financiar essa expansão..

Segundo ele, o governo estuda utilizar mais recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou captar no mercado internacional para resolver o problema. “Quando o país voltar para a trajetória de queda de juros, boa parte dos investimentos será financiada pelo sistema financeiro e pelo mercado de capitais, o que seria mais desejável e melhor.” .

De acordo com o ministro, a segunda rodada de reuniões de discussão da política industrial com os setores produtivos começa na semana que vem. Até agosto, o governo espera ter uma primeira avaliação do programa. Ele reconheceu que os efeitos de várias medidas são de médio e longo prazos, mas acredita que será possível identificar alguns resultados positivos e citou como exemplo a indústria naval. .

Fonte: Valor On Line


Estado assina decreto que reduz ICMS do setor coureiro

Julho 22, 2008

Imposto dos setores de comércio e beneficiamento terceirizados terão redução de 17% para 12%.

O governo do Estado assinou hoje decreto que reduz ICMS do setor coureiro. O imposto dos setores de comércio e beneficiamento terceirizados terão redução de 17% para 12%.

As empresas também poderão utilizar saldo credor de ICMS para a aquisição de produtos químicos para beneficiamento do couro a ser exportado. O presidente da Associação da Indústria do Curtume no Estado, Francisco Gomes, ressalta que as medidas agradaram o segmento mas não atendem todas as reivindicações.

Os créditos de exportação do setor coureiro estão acumulados em cerca de R$ 85 milhões. O valor corresponde ao imposto que as empresas deixam de repassar das vendas ao Exterior. A secretaria da Fazenda não tem previsão para regularizar essa situação.
Fonte: Zero Hora


Redução de faixa de fronteira é criticada

Julho 22, 2008

O assessor da Divisão de Políticas Setoriais do Ministério da Defesa, Gustavo de Souza Abreu, afirmou ontem, em Porto Alegre, que a redução da faixa de fronteira brasileira tem mais desvantagens que pontos favoráveis. Abreu sugeriu, em seminário organizado pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, que sejam feitas alterações em legislações específicas, como a que define regras para aquisição de áreas por estrangeiros, o que dispensaria a mudança constitucional. O assessor acrescentou ainda que o tema é estratégico e envolve questões de segurança nacional.
A opinião teve forte acolhida de ambientalistas que lotaram o plenarinho da Assembléia Legislativa e que são contrários à redução da faixa. A Constituição Federal prevê até 150 quilômetros para a área de vigilância, limite máximo previsto em lei que regulamentou o dispositivo. Com o parecer do assessor do Ministério da Defesa, o senador gaúcho Sérgio Zambiasi, autor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a 50 quilômetros a zona fronteiriça nos três estados do Sul do País e no Mato Grosso do Sul, declarou que manterá a suspensão do exame da proposta. Zambiasi informou que a PEC, que tramita desde 2006 na casa, já foi aprovada nas comissões e pode ser votada a qualquer momento. “Estou segurando, mas nada impede que ela seja votada. O governo deveria se envolver nessa discussão”, propôs o senador.
O debate da redução da faixa envolve hoje interesses de segmentos de florestamento e celulose. No Estado, a empresa sueco-finlandesa Stora Enso adquiriu áreas localizadas na faixa de fronteira e depende de liberação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do aval para a exploração do Conselho de Defesa Nacional (CDN), que é responsável por aprovar projetos que estejam situados na faixa de 150 quilômetros.
Dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) indicam que 588 cidades de 11 estados estão nos 150 quilômetros, somando 10 milhões de habitantes, sendo 417 municípios situados no Sul. A extensão é de 15,7 mil quilômetros.
O senador destacou que é necessário definir um programa de desenvolvimento para as regiões. “Isso não tem a ver com plantio de eucalipto”, justificou o parlamentar. Abreu informou que cidades excluídas da zona de proteção perderiam facilidades previstas no Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira (PDFF), que abrangem financiamentos e ações públicas com condições diferenciadas.
O assessor do Ministério da Defesa contrapôs críticas de que o CND demora em autorizar projetos privados que estão na faixa. “Só não se libera o que é ilegal”, explicou Abreu. O senador disse que os R$ 160 milhões do orçamento da União para a região é insuficiente.
O deputado federal gaúcho Vieira da Cunha (PDT) é relator de pelo menos três projetos de alteração da extensão de fronteira que tramitam na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, que examina pelo menos três projetos de alteração da extensão de fronteira. Um deles, do deputado federal gaúcho Pompeo de Mattos (PDT), sugere extinção da faixa. Vieira disse que elaborará substitutivo para ser apresentado em agosto na comissão. “Sou favorável à redefinição da faixa, que não precisa ser a mesma em todo o País devido às diferenças regionais”, adiantou o deputado. A Associação dos Municípios da Fronteira Oeste do Estado propôs ao relator que a extensão seja de dez quilômetros.
O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, que reúne ambientalistas, sindicatos de trabalhadores e estudantes divulgou documento contra a PEC do senador. O biólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Ludwig Buckup pediu a retirada do projeto e vinculou a redução da faixa ao avanço de projetos de florestamento e ameaça ao bioma do Pampa. O professor de Direito Constitucional Eduardo Carrion reforçou que a sustação da tramitação no Senado não é suficiente e sugeriu que o tema seja levado para debate entre os países-membros do Mercosul.
Representantes de ambientalistas do Uruguai também participaram da sessão e mostraram a situação oposta vivida pelo país vizinho. A coordenadora de campanhas da Rede Amigos da Terra, Maria Selva Ortiz, informou que tramita no parlamento do Uruguai projeto que cria a zona de fronteira, com extensão de 50 quilômetros. Maria assegurou que a proposta tem apoio do governo do presidente Tabaré Vázquez e que busca frear o avanço de estrangeiros sobre terras do país. Segundo ambientalista, a troca de proprietários atingiu 25% das terras produtivas nos últimos 5,5 anos. A maior parte foi adquirida por grupos internacionais do segmento de florestas e papel. “Mais de 70% dos antigos donos eram pequenos produtores com até 200 hectares”, lembrou a ambientalista. Estima-se que 36% do território uruguaio hoje esteja em mãos de estrangeiros, segundo Maria.
Fonte: Jornal do Comércio


Potências econômicas mantêm suas posições em reunião da OMC.

Julho 22, 2008

Celso Amorim avalia que texto de negociação industrial força países a fazerem concessões.

A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em que se tenta salvar a Rodada de Doha começou nesta segunda-feira com as principais potências comerciais entrincheiradas em suas posições e reivindicando concessões junto aos demais para superar o bloqueio das negociações. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse na reunião que o texto sobre a negociação industrial é baseado “na lógica de forçar os países, especialmente em desenvolvimento”, a fazer concessões que vão além do que estão preparados.

Os Estados Unidos disseram que esperam “contribuições mais significativas” dos países emergentes, aos quais reivindicam — em uma posição que compartilham com a UE — que diminuam suas barreiras tarifárias para a entrada de produtos industriais e para o comércio de serviços. Por outro lado, os países emergentes, como China, Brasil e Índia, querem a maior abertura possível na agricultura, mas pretendem que se mantenha certa proteção no setor industrial para proteger seus incipientes industriais locais.

Já a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, assegurou hoje que seu país quer ser líder nas atuais negociações para desbloquear a Rodada de Doha, mas enfatizou que necessita da ajuda de outras nações. O chanceler argentino, Jorge Taiana, denunciou hoje que o mandato original da Rodada de Doha não está sendo cumprido.

E, a presidente do Conselho de Ministros da União Européia (UE), a francesa Anne Marie Idrac, destacou que os 27 países-membros fizeram ofertas vantajosas para os países em desenvolvimento no âmbito agrícola e que essa é sua última palavra pois eles não estão dispostos a ceder mais.

Da UE é esperado que abra seus mercados às importações agrícolas de países pobres, já que o bloco mantém reservas e sua posição de continuar protegendo produtos que considera sensíveis. Antes do início da reunião, o representante europeu nestas negociações, Peter Mandelson, tinha prometido um corte nas tarifas agrícolas de 60%, contra os 54% anunciados pelo bloco.
Fonte: Zero Hora