Rodada Doha tem na próxima semana a última chance de ser exitosa, diz professor da UnB

Julho 16, 2008

Brasília – As negociações da Rodada Doha que serão realizadas na próxima semana em Genebra (Suíça) são a última chance para o Brasil e outros países produtores agrícolas conseguirem um acordo favorável à abertura dos mercados. A avaliação foi feita hoje (16) pelo professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Virgilio Arraes, em entrevista à Rádio Nacional.

“Porque em 2009, se houver um presidente democrata e com a França como representante da União Européia, certamente significará o fracasso de quase sete anos de negociações representadas na Rodada Doha”, explicou o professor.

Virgílio afirmou  que como em 2009 a França se torna representante da União Européia na Organização Mundial do Comércio (OMC), “as condições para uma maior abertura não serão possíveis”. “O presidente Sarkozi já deu sinais que não vai se inclinar tão favoravelmente à abertura do mercado agrícola como o representante inglês tem feito até agora.’

A possível vitória do democrata Barack Obama nas eleições para a presidência dos Estados Unidos também pode ser um fator que dificultará as negociações de 2009 em diante, na opinião de Arraes. “Os democratas são mais protecionistas do que os republicanos”, afirmou.

Para Virgílio Arraes, o melhor momento para negociar um bom acordo sobre a exportação de produtos agrícolas na OMC é agora. “A partir de agosto, a campanha eleitoral nos Estados Unidos se intensifica e o presidente Bush provavelmente vai se dedicar mais aos assuntos partidários, em prol do senador Mcain (candidato republicano) do que questões externas comerciais”,opinou Arraes.

O professor ressaltou a importância do Brasil como “um porta-voz dos países agrícolas no âmbito da Organização Internacional do Comércio”, por ter se destacado no agronegócio nos últimos anos e ser o maior produtor mundial de biocombustíveis.

Fonte: Agência Brasil


OMC: Doha injetaria até US$ 100 bi na economia mundial

Julho 16, 2008

Um acordo para a liberalização mundial do comércio injetaria entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões anuais na economia global, calculou nesta terça-feira o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascoal Lamy, às vésperas de uma reunião crucial entre os negociadores da Rodada de Doha.

O responsável se baseou em vários estudos para estimar o impacto do fim das barreiras alfandegárias nos intercâmbios de mercadorias agrícolas e industriais, chegando a um mínimo de US$ 50 bilhões anuais sobre a base dos fluxos comerciais atuais.

Partindo do crescimento mundial dos últimos anos, o benefício anual aumentaria para US$ 100 bilhões dentro de 10 anos, explicou Lamy ao apresentar um relatório anual da OMC.

Dois terços destes ganhos beneficiariam os países desenvolvidos e um terço, os emergentes, destacou.

Estes dados não levam em conta o impacto dos demais capítulos abordados nas negociações entre os 152 membros da OMC, como a redução dos subsídios agrícolas ou os serviços.

Lamy convocou os ministros de cerca de 30 potências mundiais para encontrar, a partir da próxima segunda-feira em Genebra, um consenso sobre a agricultura e os produtos industriais, os dois temas espinhosos da Rodada de Doha, lançada no fim de 2001. A esperança do responsável é selar um acordo no final deste ano.

Estas negociações, que deveriam ter sido concluídas no fim de 2004, foram prorrogadas devido às divergências entre o Norte e o Sul em torno da agricultura.

“O fracasso das negociações seria um sinal preocupante”, advertiu Lamy, referindo-se às nuvens negras que se acumulam no horizonte econômico.

“Convido todas as partes envolvidas a provocar este impulso vital que permitirá propulsar as negociações para sua feliz conclusão”, afirmou o diretor geral da OMC.
Fonte: Terra


Mercosul vê problemas para negociar Rodada

Julho 16, 2008

As perspectivas para um acordo próximo na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na próxima semana, parecem mais distantes depois da reunião de ontem, no Rio, de representantes do Mercosul. “Estou realista, achando que é possível, mas sabendo que não é fácil”, disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, após o encontro do bloco, preparatório para a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ontem, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, mantiveram a posição comum que o que falta na rodada da OMC “são avanços substanciais na agricultura”, nas palavras do chanceler brasileiro. A Rodada, iniciada em 2001, foi criada para isso. No entanto, com o passar dos anos, países desenvolvidos passaram a defender que o Mercosul e outros países em desenvolvimento cedam mais na parte industrial.
Nos bastidores, comenta-se que dentro do Mercosul, a Argentina, principalmente, estaria tendo dificuldades em relação a isso. Durante a entrevista, ao ser questionado sobre as possibilidades reais dos países do Mercosul cederem em relação às proteções à indústria, Amorim passou a palavra para o chanceler argentino, Jorge Taiana. “Insistimos que a possibilidade de resultado positivo, equilibrado e balanceado depende de maior esforço de países desenvolvidos”, afirmou Taiana.
De acordo com Amorim, a grande dificuldade são ainda os subsídios dados pelos países desenvolvidos à agricultura que, segundo ele, distorcem o comércio internacional e, por “imprecisões no texto” proposto pela OMC estão estimados entre US$ 13 bilhões e US$ 16,5 bilhões. “Houve mesmo retrocessos”, disse o ministro sobre o texto da Organização.
Amorim entende que a crise mundial de alimentos deveria facilitar um acordo na rodada de Doha, “se os políticos fossem racionais”. Ele afirmou que “os subsídios impedem a produção de países mais pobres”. De acordo com o ministro, no longo prazo isso diminui a produção. E citou como exemplo que “o Haiti foi convencido pelo FMI a parar de produzir arroz”. Segundo Amorim, o País passou a comprar arroz subsidiado porque era mais barato. Agora, os preços subiram e o Haiti não produz mais arroz.
O chanceler apontou como exemplo a possibilidade de novos itens entrarem na relação dos chamados “produtos sensíveis”, os que podem ser objeto de cotas limitadoras de importações. Para Amorim, a inclusão de novos produtos pode gerar “graves prejuízos” e cria uma “caixa-preta” na OMC.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Pedro Vaz, afirmou, porém, que “a rodada está avançando”, o que não significa que neste momento esteja fechada. De acordo com Vaz, é importante “ver os ganhos nesse pacote (de agricultura e indústria)”.
Fonte: Jornal do Commercio


Mercosul discutirá harmonização tributária, diz ministro

Julho 16, 2008

Nas relações comerciais entre países do bloco é cobrado o imposto de importação, que será eliminado.
O Ministério das Relações Exteriores está analisando a possibilidade de criação de um mecanismo de alto nível sobre a questão tributária, visando a uma futura harmonização das políticas tributárias no âmbito do Mercosul.

A informação foi dada nesta terça-feira pelo chefe do Departamento do Mercosul do ministério, ministro Bruno Bath, no Encontro com o Mercosul, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Esse mecanismo terá o papel de promover o diálogo entre os países sócios do Mercosul, criando as bases do que poderia ser uma futura harmonização tributária.

Segundo Bath, não existe ainda um projeto formatado sobre tal mecanismo.

— Essa é uma idéia que nós estamos tendo e que ainda não foi proposta formalmente, nem debatida com a Receita Federal — disse.

Bath destacou que há um consenso no Itamaraty no sentido de criar um fórum sem caráter imediato de negociação.

— É chegado o momento de haver um diálogo mais estruturado, mais sistemático, com os outros países sobre a questão tributária — observou.

O primeiro passo em busca da harmonização tributária dos países do bloco está sendo dado através da eliminação da chamada tarifa intra-bloco, conforme explicou Bath.

Hoje, nas relações comerciais entre os países do bloco, é cobrado o imposto de importação:

— Se nós fazemos parte de um mesmo bloco de integração, não faz sentido que entre os nossos países se aplique um imposto de importação. É como se estivéssemos importando de extra-zona. Na verdade, não é.

Bath acredita que a eliminação do imposto dentro do bloco já poderá ser adotada na reunião de cúpula dos presidentes do Mercosul, que será realizada em dezembro, em Salvador.

— Aí, nós podemos, a partir de 2009, eliminar esse imposto de importação intra-zona — afirmou.

O diplomata lembrou que restarão, a partir daí, impostos internos, aplicados a produtos que circulam na economia dos diferentes países.

— É uma estrutura mais complexa de impostos — analisou.

No Brasil, alertou Bath, a questão pode ser mais complicada devido à cobrança diferenciada de impostos entre as unidades da federação. O ministro acredita que a reforma tributária, com a proposta de criação do Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), facilitaria em tese a harmonização tributária no Mercosul:

— Eu digo em tese porque você tem que ver exatamente de que forma ele (IVA) seria aprovado.
Fonte: Zero Hora


Semestre tem queda nas exportações de calçados

Julho 16, 2008

O cenário positivo desenhado no início do ano para os exportadores de calçados começa a mudar. O primeiro semestre de 2008 registrou queda de 2% no volume de pares embarcados. De janeiro a junho, o Brasil enviou para o exterior 89,4 milhões de pares, enquanto no mesmo período do ano passado foram 91,2 milhões de pares. O faturamento em dólares dos seis primeiros meses deste ano apresentou alta de 1,5%, com US$ 951,1 milhões, contra os US$ 936,9 milhões registrados no primeiro semestre de 2007. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Entretanto, o vice-presidente da Abicalçados, Ricardo Wirth, alerta para o fato de que, se convertido em reais, o faturamento teve uma queda de 16%, fato que justifica a preocupação dos exportadores. Na moeda nacional, o Brasil obteve R$ 1,6 bilhão em receitas no primeiro semestre de 2008, contra R$ 1,9 bilhão em igual período do ano passado. “Se avaliarmos somente a receita em dólares, teremos um número positivo, mas se avaliarmos em reais, que é a moeda que as empresas contabilizam, teremos perda”, sustenta.
Segundo ele, o preço dos calçados em dólar sobe em função da valorização de nossa moeda, mas em reais o valor recebido por cada par de calçados exportado continua o mesmo. “Essa alteração de preços não significa aumento para as empresas, quando convertida a moeda”, explica. “Agora, com a falta de competitividade que temos no Brasil, a Abicalçados está cada vez mais somando esforços no sentido de abrir novos mercados e promover o calçado brasileiro no exterior”, sustentou.
Como vem ocorrendo desde o início de 2008, os sintéticos lideram no volume embarcado para o exterior. Até agora, cruzaram as fronteiras do País 51,8 milhões de pares de sintéticos (que representam US$ 221,7 milhões do total do faturamento), 30,8 milhões de pares de calçados em couro, o que representa 11 milhões de pares a menos comparando ao mesmo período do ano passado (US$ 662,2 milhões), 4,9 milhões de pares têxteis (US$ 54,2 milhões), 1,3 milhão de pares injetados (US$ 6,9 milhões) e 423,1 mil pares de outras categorias (US$ 6 milhões).
Segundo Wirth, a constante queda nos embarques de calçados em couro é outro fator que preocupa as empresas. “Os produtos de couro sempre foram o carro-chefe das nossas exportações. Em função do alto valor, os Estados Unidos, grandes compradores deste produto, vêm reduzindo drasticamente os pedidos nos últimos anos”. Em 2005, os EUA compraram 75 milhões de pares do Brasil, caindo este número para 65 milhões de pares em 2006 e reduzindo ainda mais para 49 milhões em 2007. No semestre, também houve queda. Os norte-americanos adquiriram 24,5 milhões de pares, o que gerou receita de US$ 258,6 milhões. No mesmo período do ano passado, foram 29,2 milhões de pares, com divisas de US$ 375,8 milhões.

Ceará segue na liderança dos embarques
Segundo a Abicalçados, o panorama dos estados brasileiros nas exportações se repete desde o início do ano, com Ceará liderando os embarques, registrando crescimento de 13,9% no volume físico e 11,8% no faturamento em dólar. O Rio Grande do Sul lidera no faturamento, mesmo com queda de 3,6% na receita em dólares e redução de 23,3% no volume físico.
O Ceará embarcou 31,7 milhões de pares no semestre, com receita de US$ 163,2 milhões contra 27,8 milhões de pares e divisas de US$ 145,9 milhões nos primeiros seis meses do ano passado. Já o Rio Grande do Sul comercializou 29 milhões de pares, com faturamento de US$ 577,5 milhões este ano, contra 37,8 milhões de pares, que geraram US$ 599 milhões em 2007.
Além dos EUA, que mantêm a liderança nos pedidos, o segundo maior comprador dos calçados brasileiros, o Reino Unido, também apresentou queda em volume, embora o faturamento em dólar tenha crescido. Nos primeiros seis meses, o Brasil embarcou para os ingleses 5,7 milhões de pares por US$ 120,3 milhões. Em 2007, foram enviados 6,4 milhões de pares e as cifras ficaram em US$ 95,2 milhões. Já a Argentina teve leve alta no faturamento em dólar: dos 5 milhões de pares embarcados no primeiro semestre de 2007, equivalentes a US$ 68,9 milhões, houve incremento para 5,1 milhões de pares, com receita de US$ 82,4 milhões.
Fonte: Jornal do Comércio (RS)


Comércio mundial vai crescer menos este ano

Julho 16, 2008

A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê que o comércio mundial vai se expandir 4,5% neste ano, contra os 5,5% do ano passado e os 8,5% em 2006. O relatório anual da entidade alerta, porém, que o crescimento pode ser ainda menor se a economia global continuar a perder força.
“Uma desaceleração maior que a que se projetava na economia mundial pode reduzir o crescimento do comércio para uma taxa significativamente abaixo dos 4,5% previsto”, disse a OMC.
Segundo a organização, essa tendência pode prejudicar os países que estão registrando desaceleração em suas exportações.
Os números do organismo mostram que o Brasil elevou suas exportações em 2007 (17%), após a desaceleração de 2006 (16%) em relação a 2005 (23%). Por outro lado, as exportações deram um salto, crescendo 17% em 2005, 23% em 2006 e 32% em 2007.
EUA, México, Rússia, China e Índia mostraram desaceleração em suas exportações, enquanto União Européia, Japão e África do Sul se destacaram por registrarem melhoras no crescimento de suas vendas externas.
O Reino Unido mostrou o pior resultado, com uma retração de 3% de suas exportações em 2007, após o crescimento de 17% no ano anterior, contrastando com a aceleração de 16% registrada da média dos 27 países da UE.
No total, as exportações mundiais contabilizaram US$ 13,57 trilhões no ano passado; o Brasil registrou US$ 161 bilhões por suas exportações em 2007.
(Com agências internacionais)
Fonte: Valor Econômico