O cenário positivo desenhado no início do ano para os exportadores de calçados começa a mudar. O primeiro semestre de 2008 registrou queda de 2% no volume de pares embarcados. De janeiro a junho, o Brasil enviou para o exterior 89,4 milhões de pares, enquanto no mesmo período do ano passado foram 91,2 milhões de pares. O faturamento em dólares dos seis primeiros meses deste ano apresentou alta de 1,5%, com US$ 951,1 milhões, contra os US$ 936,9 milhões registrados no primeiro semestre de 2007. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos números fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Entretanto, o vice-presidente da Abicalçados, Ricardo Wirth, alerta para o fato de que, se convertido em reais, o faturamento teve uma queda de 16%, fato que justifica a preocupação dos exportadores. Na moeda nacional, o Brasil obteve R$ 1,6 bilhão em receitas no primeiro semestre de 2008, contra R$ 1,9 bilhão em igual período do ano passado. “Se avaliarmos somente a receita em dólares, teremos um número positivo, mas se avaliarmos em reais, que é a moeda que as empresas contabilizam, teremos perda”, sustenta.
Segundo ele, o preço dos calçados em dólar sobe em função da valorização de nossa moeda, mas em reais o valor recebido por cada par de calçados exportado continua o mesmo. “Essa alteração de preços não significa aumento para as empresas, quando convertida a moeda”, explica. “Agora, com a falta de competitividade que temos no Brasil, a Abicalçados está cada vez mais somando esforços no sentido de abrir novos mercados e promover o calçado brasileiro no exterior”, sustentou.
Como vem ocorrendo desde o início de 2008, os sintéticos lideram no volume embarcado para o exterior. Até agora, cruzaram as fronteiras do País 51,8 milhões de pares de sintéticos (que representam US$ 221,7 milhões do total do faturamento), 30,8 milhões de pares de calçados em couro, o que representa 11 milhões de pares a menos comparando ao mesmo período do ano passado (US$ 662,2 milhões), 4,9 milhões de pares têxteis (US$ 54,2 milhões), 1,3 milhão de pares injetados (US$ 6,9 milhões) e 423,1 mil pares de outras categorias (US$ 6 milhões).
Segundo Wirth, a constante queda nos embarques de calçados em couro é outro fator que preocupa as empresas. “Os produtos de couro sempre foram o carro-chefe das nossas exportações. Em função do alto valor, os Estados Unidos, grandes compradores deste produto, vêm reduzindo drasticamente os pedidos nos últimos anos”. Em 2005, os EUA compraram 75 milhões de pares do Brasil, caindo este número para 65 milhões de pares em 2006 e reduzindo ainda mais para 49 milhões em 2007. No semestre, também houve queda. Os norte-americanos adquiriram 24,5 milhões de pares, o que gerou receita de US$ 258,6 milhões. No mesmo período do ano passado, foram 29,2 milhões de pares, com divisas de US$ 375,8 milhões.
Ceará segue na liderança dos embarques
Segundo a Abicalçados, o panorama dos estados brasileiros nas exportações se repete desde o início do ano, com Ceará liderando os embarques, registrando crescimento de 13,9% no volume físico e 11,8% no faturamento em dólar. O Rio Grande do Sul lidera no faturamento, mesmo com queda de 3,6% na receita em dólares e redução de 23,3% no volume físico.
O Ceará embarcou 31,7 milhões de pares no semestre, com receita de US$ 163,2 milhões contra 27,8 milhões de pares e divisas de US$ 145,9 milhões nos primeiros seis meses do ano passado. Já o Rio Grande do Sul comercializou 29 milhões de pares, com faturamento de US$ 577,5 milhões este ano, contra 37,8 milhões de pares, que geraram US$ 599 milhões em 2007.
Além dos EUA, que mantêm a liderança nos pedidos, o segundo maior comprador dos calçados brasileiros, o Reino Unido, também apresentou queda em volume, embora o faturamento em dólar tenha crescido. Nos primeiros seis meses, o Brasil embarcou para os ingleses 5,7 milhões de pares por US$ 120,3 milhões. Em 2007, foram enviados 6,4 milhões de pares e as cifras ficaram em US$ 95,2 milhões. Já a Argentina teve leve alta no faturamento em dólar: dos 5 milhões de pares embarcados no primeiro semestre de 2007, equivalentes a US$ 68,9 milhões, houve incremento para 5,1 milhões de pares, com receita de US$ 82,4 milhões.
Fonte: Jornal do Comércio (RS)