Descontraídos, Lula e Bush apóiam Doha

Julho 10, 2008

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush se reuniram ontem pela manhã no Japão sob um clima de descontração para expressar apoio ao avanço da Rodada Doha. Em fim de mandato, o presidente Bush mostrou-se à vontade com Lula e recebeu-o com um beijo no rosto. Depois, repetiu o afago com o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.
Bush sinalizou a Lula que está “muito decidido” a alcançar um acordo agrícola e industrial na Rodada Doha em duas semanas. Por sua vez, Lula deixou claro seu engajamento na negociação global, mas alertou que “não vai vender o Mercosul”, ou seja, qualquer acordo precisa levar em conta flexibilidades para o bloco e não tentar dividir seus quatro sócios.
Lula assinou também uma nota com o premiê britânico, Gordon Brown, na qual exortam os países a agirem com “firmeza” imediatamente para fechar um acordo que “está mais perto do que nunca”.
Bush recebeu Lula num rápido encontro marcado pela descontração, na ilha de Hokkaido. Este pode não ter sido a última reunião entre os dois. A Casa Branca sondou Brasília para eventual participação de Bush na grande conferência sobre o etanol que o Brasil vai organizar em novembro. Na conversa, o presidente americano perguntou sobre dificuldades na rodada. Mas quando a representante comercial dos EUA, Susan Schwab, e Amorim passaram a detalhar pontos da negociação, Bush cortou dizendo que não queria entrar em tecnicalidades. “Vocês resolvem isso”, teria dito aos dois.
Ao comentar o encontro, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso disse: “Penso que as mensagens emitidas pelos presidentes Bush e Lula foram muito mais claras do que as de antes sobre a urgência de um acordo e sobre a ânsia por um acordo”. Para Brown, “o que é novo é que o Brasil deixou claro hoje (ontem) que quer um acordo”. A França também teria mostrado maior disposição. Analistas crêem que a última chance para a assinatura de Doha antes de Bush deixar o cargo em janeiro será a reunião em Genebra no dia 21 entre EUA, União Européia, Índia, Brasil e outros.
No encontro, Lula falou ainda da alimentos e disse que o Brasil ajuda Cuba e Venezuela a aumentarem a produção de soja. Bush teria reagido com um “muito bem”. O clima estava tão leve que além dos beijos em Lula e em Amorim, Bush se dirigiu pelo nome ao assessor especial Marco Aurélio Garcia e ao tradutor Sérgio Ferreira.
Fonte: Valor Econômico


“Não venderei o Mercosul”, diz presidente

Julho 10, 2008

Clóvis Rossi, enviado especial a Hokkaido

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a seu colega George W. Bush que não vai “vender o Mercosul” para que seja possível fechar o acordo que desbloqueará a Rodada Doha de liberalização comercial.
É uma alusão ao fato de que um dos principais pontos em discussão se refere ao tratamento a ser dado ao Mercosul na redução de tarifas para a importação de bens industriais.
Se for tratado como um bloco, aumenta a margem de proteção que pode oferecer a setores industriais. Se for cada país isoladamente, cai a proteção. O Brasil se diz confortável com o nível de abertura que está em discussão em Genebra, mas a Argentina exige mais.
É por isso que Lula diz que não “venderá” o bloco dos países sul-americanos. Na verdade, não “venderá” a Argentina.
Bush, de seu lado, mostrou-se tão disposto a levar os Estados Unidos a fechar o acordo que comentou com Lula que vai vetar a “Farm Bill”, a legislação que regula os subsídios aos agricultores norte-americanos, fortemente protecionista.
A disposição dos dois presidentes não é nova. Desde que tomaram posse, manifestam empenho em fechar a Rodada Doha, lançada em 2001.
Mas a boa vontade retórica esbarra sempre em dificuldades práticas.
A nova manifestação dos dois ganha relevo por ter se dado a 12 dias de uma reunião entre ministros dos principais atores do comércio global, que tende a ser a última chance de encaminhar um entendimento antes de que as férias de verão no hemisfério Norte, seguidas pela reta final das eleições norte-americanas, coloquem Doha em hibernação.
Um segundo empurrão político veio do encontro entre Lula e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
Em nota conjunta, dizem que se “está mais perto do que nunca de um acordo”, mas que “a janela de oportunidade para alcançar esse acordo é pequena e está se fechando”.
Termina com um tom grave: “O preço do fracasso seria grande demais”.

Fonte: Folha de São Paulo


No Japão, com a cabeça em Doha

Julho 10, 2008

Países mais industrializados pressionam emergentes pela liberalização das barreiras comerciais

Os líderes dos países mais ricos do mundo vão pressionar hoje os dirigentes de China, Brasil e outras economias emergentes a contribuir com a Rodada Doha, a menos de duas semanas de um teste vital para as negociações de liberalização do comércio mundial. Em um encontro marcado de última hora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve pedir hoje empenho ao colega dos EUA, George W. Bush.
– Esta pode ser a última chance de selar um acordo, e não devemos perdê-la – disse o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso, cobrando mais concessões dos emergentes a respeito dos mercados industrial e de serviços.
Os membros do G8 manifestaram a necessidade de concluir urgentemente a Rodada Doha, tema que deve ser retomado no encontro com Brasil, China, Índia, México e África do Sul num hotel de luxo de Toyako, no norte do Japão.
– Todos os países na sala compartilharam a opinião de que não se trata de algo que os países desenvolvidos podem fazer sozinhos, e sim de que uma Rodada de Doha bem-sucedida depende de as grandes economias emergentes também fazerem sua parte na abertura dos mercados – afirmou Dan Price, consultor do governo norte-americano para questões econômicas.
Começa em 21 de julho reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) que pode ser definitiva para o futuro de Doha, lançada com o objetivo de abrir o comércio mundial.
Mas, caso não surja um acordo de última hora a respeito das questões agrícolas e industriais, as negociações devem ser atropeladas pelo processo eleitoral americano e podem passar anos na geladeira.
União Européia, Estados Unidos e outros países ricos tentam superar as resistências entre os países em desenvolvimento na busca por mais concessões para seus exportadores de produtos industriais e prestadores de serviços.
Já os países emergentes exigem que os ricos abram mão de subsídios e tarifas agrícolas, que tolhem suas exportações rurais.
“Os países desenvolvidos devem desmantelar barreiras e distorções, especialmente os subsídios à agricultura e o apoio doméstico que afetam os esforços gerais dos países em desenvolvimento”, apontaram os cinco emergentes em nota preparatória para o evento.

Encontro
A Rodada de Doha de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) deve ser o principal tema do encontro entre o presidente Lula e o colega americano, George W. Bush, hoje, à margem da cúpula do G8. No encontro, Lula deve pedir empenho extra de Bush nas negociações sobre a Rodada.
– Acho que o Brasil já avançou praticamente tudo o que podia avançar e, agora, vamos ver o que vamos obter em agricultura para ver se isso ajuda a convencer outros países de que a negociação vale a pena – disse o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores).
O Brasil precisa convencer a Argentina, parceira de Mercosul, de que os ganhos para a produção agrícola dos países do bloco compensam uma maior abertura do mercado regional para produtos industrializados dos países desenvolvidos.
Segundo Amorim, o Brasil já aceitou “uma certa barganha” entre as listas de produtos considerados sensíveis e os coeficientes de corte de tarifas de forma a preservar a integridade do Mercosul.
O chanceler frisou que o obstáculo para a conclusão das negociações continua sendo o fato de que os países ricos quererem extrair “o máximo possível”. Na próxima semana, cerca de 30 ministros se reunirão em Genebra, na Suíça, numa última tentativa de fechar as negociações que se arrastam por sete anos.
Fonte: Jornal do Brasil


Negócios: Exportações batem recorde

Julho 10, 2008

Em junho, desempenho das vendas de empresas do Distrito Federal é o melhor dos últimos 11 anos. Pauta vai de soja em grão e ovos a engrenagens e bolsas de couro. Importações sobem quase 50%

As exportações das empresas do Distrito Federal bateram recorde em junho. As vendas externas totalizaram US$ 17,058 milhões, uma alta de 14,11% sobre o desempenho de maio. No primeiro semestre, as exportações alcançaram a marca de US$ 74,120 milhões, o equivalente a 90,91% do volume financeiro das vendas para o mercado externo durante o ano passado. Os números foram divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Frango e miúdos lideram o ranking das vendas externas. Até junho, foram enviados para o mercado internacional o equivalente a US$ 52,660 milhões nesses produtos. Isso representa 71,05% das exportações. A Sadia é a principal empresa no ranking. A Venezuela é o principal país importador. No primeiro semestre, as compras da Venezuela chegaram a US$ 32,755 milhões, correspondentes a 44,19% das vendas das indústrias brasilienses.

O resultado das exportações em junho foi o melhor dos últimos 11 anos. As vendas externas iniciaram o ano de 2008 em US$ 11 milhões mensais entre janeiro, fevereiro e março. Em abril, houve um recuo para US$ 8,683 milhões. Em maio, começou a recuperação, com exportações de US$ 14,949 milhões, ampliando-se em junho para US$ 17,058 milhões.

As principais
O ranking das empresas exportadoras no primeiro semestre, liderado pela multinacional Sadia, conta também com a Multigrain (US$ 7,603 milhões), Brazilian Hatching Eggs (US$ 2,199 milhões), ADM do Brasil (US$ 780,558 mil) e Indústrias Rossi Eletromecânica (US$ 780,545 mil). Além do frango e miúdos, as empresas exportaram grãos de soja, ovos para incubação, máquinas e aparelhos para elevação de carga e descarga, engrenagens e rodas de fricção, bolsas de couro e acessórios de vestuário.

No primeiro semestre, além da Venezuela, as exportações tiveram como destinos principais a Rússia (US$ 9,498 milhões), Portugal (US$ 8,025 milhões), Japão (US$ 6,095 milhões), Arábia Saudita (US$ 5,773 milhões), Emirados Árabes (US$ 2,980 milhões), Holanda (US$ 1,514 milhão), Estados Unidos (US$ 1,195 milhão) e Hong Kong (US$ 1,146 milhão).

Em junho, as importações feitas pelo DF ficaram em US$ 109,1 milhões, um crescimento de 49,44% em comparação ao registrado de maio (US$ 73,022 milhões). No primeiro semestre, as compras do DF ficaram em US$ 475,061 milhões, sendo o maior volume o do Ministério da Saúde: US$ 275,7 milhões, equivalentes a 58,04% do total importado. O ranking é seguido pela EMS (US$ 28,078 milhões), Laboratórios Biosintética (US$ 22,223 milhões), Eletronorte (US$ 14,446 milhões) e Medley Indústria Farmacêutica (US$ 12,041 milhões).

O maior volume de importações veio dos Estados Unidos (US$ 127,980 milhões), seguido pela Alemanha (US$ 65,684 milhões), França (US$ 38,339 milhões), Índia (US$ 37,460 milhões), Suíça (US$ 36,838 milhões), Reino Unido (US$ 32,254 milhões), e a asiática China (US$ 24,060 milhões
Fonte: Correio Braziliense