Lula e ministro britânico pedem empenho na aceleração das negociações da Rodada Doha

Julho 9, 2008

Hokaido (Japão) – Após reunião bilateral de cerca de 30 minutos, hoje (9), paralela à reunião do G8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, divulgaram declaração conjunta pedindo empenho político para aceleração das negociações da Rodada Doha, em fase decisiva. No próximo dia 21, ministros de cerca de 30 países reúnem-se em Genebra, na tentativa de fechar as linhas gerais de um acordo, antes das eleições presidenciais norte-americanas.

“O tempo das negociações técnicas está chegando ao fim. As decisões-chave são, agora, de natureza política. Precisamos agir com firmeza imediatamente”, diz o documento. “O preço do fracasso seria grande demais”, avaliam Lula e Brown.  Lula também pretendia falar sobre a Rodada Doha em encontro bilateral com o presidente norte-americano, George W. Bush, mas não foram divulgadas informações sobre o teor da conversa entre os dois presidentes.

O última dia do presidente Lula no Japão foi recheado de encontros bilaterais. Ele também se reuniu com os primeiros-ministros da Itália, Silvio Berlusconi; do Canadá, Stephen Harper; do Japão, Yasuo Fukuda; e da Austrália, Kevin Rudd.

Ainda à margem da cúpula do G8, Lula teve encontro meteórico com os líderes da Rússia, China e Índia  – com Brasil, integram o grupo de países conhecido como BRICs. Na reunião de cinco minutos, ficou pré-combinada uma primeira cúpula dos BRICs, provavelmente em 2009.  Lula propôs que um dos temas seja fundos soberanos.

Antes da reunião de líderes dos BRICs, está prevista reunião ministerial em setembro, em Nova Iorque, simultaneamente à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ministros da área econômica devem se reunir em novembro deste ano – provavelmente durante Reunião dos Ministros das Finanças e Governadores dos Bancos Centrais do G20 financeiro (grupo que reúne os principais países ricos e emergentes do planeta).

Fonte: Agência Brasil


Alta de alimentos levou CNI a projetar inflação de 6,4% no ano

Julho 9, 2008

Brasília – A continuidade da alta dos preços dos alimentos e o repasse do aumento de custos do atacado para o consumidor deve levar a inflação a chegar a 6,4% ao final do ano, próxima do limite de 6,5% fixado pelo governo. A projeção é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou hoje (9) o Informe Conjuntural, com os indicadores da economia baseados em estudos do segundo trimestre do ano .

A meta de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 4,5%, com margem de dois pontos para mais ou para menos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), escolhido para acompanhar as metas de inflação, chegou a 5,6% no acumulado de 12 meses fechados em maio deste ano.

A CNI também considera que a persistência da aceleração da inflação no atacado, medida pelos Índices Gerais de Preços (IGPs), pode criar inércia inflacionária (realimentação inflacionária) via repasse de preços no grupo serviços. Isso porque o grupo de serviços segue reajuste de preços de acordo com os IGPs, como no caso de aluguel de imóveis.

“Portanto, as pessoas irão realocar parte cada vez maior de sua renda para o consumo de alimentos e de serviços, reduzindo a parcela restante da renda para o consumo dos demais bens, inclusive industriais”, diz a CNI. Devido às expectativas de inflação, a CNI espera que o atual ritmo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, seja mantido, de modo a chegar ao final do ano em 14,25%. A projeção anterior era de 11,25%.
 
Em cada uma das duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) realizadas neste ano, a Selic foi reajustada em meio ponto percentual e está em 12,25%.

Para a CNI, há maior consonância entre as políticas fiscal e monetária com o anúncio de elevação da meta de superávit primário de 3,8% para 4,3% do PIB. “O compromisso fiscal assumido pelo Executivo é uma ajuda importante na contenção do crescimento da demanda interna e divide com o Banco Central o ônus do combate à inflação, o que deverá limitar a
intensidade de elevação dos juros”.

Com o aumento dos juros básicos, a CNI avalia que haverá redução no ritmo de expansão do crédito no segundo semestre deste ano. Isso porque o aumento da Selic aumenta o custo de carregamento dos empréstimos. “Paralelamente, o orçamento mais apertado das famílias – em virtude de uma parcela maior da renda ser destinada ao consumo de alimentos – deverá dificultar o pagamento de dívidas contraídas no passado. Isto poderá aumentar os índices de inadimplência”.

A CNI também revisou a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, para 4,7% em 2008, ante os 5% do Informe anterior. “Esse recuo na previsão de crescimento acompanha as perspectivas de continuidade do aperto monetário ao longo do ano”.

Segundo o informe, os impactos da elevação dos juros sobre a atividade econômica devem ser mais pronunciados no quarto trimestre. “Nesse cenário, o PIB fecha 2008 com um ritmo de crescimento próximo 3,5% (comparação entre os quartos trimestres de 2008 e de 2007)”.

Com relação ao superávit primário (a economia que o país faz para honrar compromissos financeiros), a projeção aumentou de 3,6% para 4,3% do PIB, com a dívida pública líquida caindo de 41% para e 40,6% do PIB. O dólar fecharia o ano em R$ 1,67.

A balança comercial chegaria ao fim do ano com US$ 20 bilhões de superávit, US$ 5 bilhões a menos do que a projeção anterior, com déficit em conta corrente de US$ 20 bilhões, contra US$ 15 bilhões em março.

O consumo das famílias cairia de 7,5% para 5,5% e os investimentos (formação bruta de capital fixo) cairia de 14% para 10,5%, com a taxa de desemprego caindo de 8,4% para 8%.

Fonte: Agência Brasil


Associação: exportação de bens básicos atrapalha indústria

Julho 9, 2008

Enquanto o agronegócio comemora a demanda mundial e o alto preço das commodities no mercado externo, a indústria nacional amarga dias de preocupação. O setor queixa-se da falta de incentivo do governo brasileiro para aumentar a exportação de produtos manufaturados. Hoje, o Brasil exporta 65% de commodities e 35% de produtos manufaturados, de acordo com a Associação de Comércio Exterior no Brasil (AEB).

De acordo com especialistas, a exportação de bens industrializados é prejudicada pelo sistema tributário brasileiro e a taxa de câmbio, que não incentivam a atividade.

No agronegócio, as importações cresceram em ritmo maior que as exportações neste semestre. Segundo o Ministério da Agricultura, as importações registraram incremento de 42,7%, e alcançaram US$ 5,6 bilhões. As exportações, entretanto, ainda mantêm larga vantagem. Somaram US$ 33,7 bilhões nos seis primeiros meses de 2008 – valor 26,3% maior que o registrado no mesmo período de 2007. Entre os produtos, estão soja, carnes, cereais, café. Já entre os bens manufaturados produzidos no Brasil, os mais exportados são automóveis, autopeças, celulares, caminhões e calçados.

Volta ao passado
De acordo com o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, indiretamente o Brasil volta a ser um país agropecuário e de commodities metálicas.

“Voltamos a ficar vulneráveis. Não aproveitamos o cenário positivo mundial, com a alta dos preços das matérias-primas e forte demanda mundial por nossos produtos, para investir na indústria nacional. Isso significa que se o preço cair, o Brasil voltará a viver a instabilidade e com uma indústria sem investimentos”, ressalta Castro.

Castro garante ainda que não existe medida para mudar o cenário a curto prazo, mas deveria haver mudanças na taxa de câmbio, menos burocracia, e redução dos juros e da carga tributária.

Além disso, ele acha que o aumento da Selic não serve para reduzir a inflação, mas sim para atrair capital especulativo.

“É muito difícil que o governo altere a taxa de juros e o câmbio. Prevejo déficit na balança comercial já em 2009″, comenta o presidente da AEB.

Medidas
Castro diz que o sistema tributário não estimula a exportação de produtos manufaturados, pois acumula créditos como ICMS, IPI, PIS e Confins e tem dificuldade de receber os impostos pagos.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Máquinas da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, também partilha da mesma opinião de que o Brasil não tem política específica para aumentar a exportação de produtos manufaturados.

“Não sei se posso chamar de sorte. Uma variável dessa forte demanda é o consumo desses produtos na China”, comenta aos risos o presidente da Abimaq.

Segundo o Ministério da Agricultura, na análise por país, a forte elevação das vendas para China (81,9%) colocou o mercado daquele país como primeiro destino das exportações, com participação de 11,7% do total exportado do agronegócio brasileiro.

A Abimaq sempre exportou 40% do que produzia, mas em 2007, segundo a própria Associação perdeu 1/3 das exportações em valor.
Fonte: JB Line


Lula pedirá a Bush o fim de Doha como um legado

Julho 9, 2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz hoje um último pedido para que George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, termine seu mandato com a conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) como legado de sua administração. Bush deverá entregar a Casa Branca ao vencedor das eleições de novembro próximo – o republicano John McCain ou o democrata Barack Obama – no início de 2009.
O destino da Rodada de Doha, em princípio, depende essencialmente do gesto de Bush nas próximas duas semanas, quando as novas versões dos acordos sobre os capítulos agrícola e de abertura dos setores industrial e de serviços estarão em processo de digestão pelos membros da OMC.
O processo deverá ser decidido no próximo dia 21, em Genebra, durante uma reunião de cerca de 30 dos países mais influentes nas negociações da OMC, entre os quais o Brasil. Se houver consenso ainda em julho, o acordo final pode ser assinado ainda neste ano, antes de Bush passar a presidência americana a seu sucessor. Caso contrário, a rodada terá de ser suspensa, com expectativa de retomada apenas a partir de 2010, ou ter seu fracasso declarado pela OMC. Apesar da aposta em uma reversão na posição americana, o governo brasileiro não pretende disparar nenhum gesto adicional nesta etapa conclusiva.
“O Brasil avançou em tudo o que pôde. Nós já avançamos em um modelo de negociação, que é o possível”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao comentar o encontro bilateral de hoje.
O encontro entre Lula e Bush se dará em um hotel na ilha de Hokkaido, no Japão, ao final do café-da-manhã oferecido pelo governo japonês aos chefes de Estado do G-8 – os países mais ricos do mundo e a Rússia – e do G-5 – os emergentes Brasil, África do Sul, Índia, China e México. Esse foi o último encontro bilateral do presidente Lula a ser agendado. Ao longo do dia, Lula também vai conversar reservadamente com os primeiros-ministros do Japão, Yasuo Fukuda, do Canadá, Stephen Harper, e da Itália, Silvio Berlusconi. O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, desmarcou um encontro previsto para a tarde de hoje.
Nos últimos meses, as negociações da Rodada de Doha emperraram por conta de novas pressões dos setores agrícolas americanos, estimulados pelo período eleitoral, e das demandas mais ambiciosas de Washington pela abertura dos mercados industriais das economias em desenvolvimento.
Os EUA mostraram-se mais avessos a cortes profundos nos seus subsídios domésticos, escudados no argumento de que a alta dos preços internacionais das commodities agrícolas reduz os dispêndios com as subvenções. Também se opuseram às pretensões do Brasil de ampliar a margem de setores industriais que poderão sofrer cortes tarifários mais suaves, nos casos de uniões aduaneiras formadas por países em desenvolvimento, como o Mercosul.
Hoje, no documento sobre a economia global, o G-8 declarou que a conclusão de um acordo “ambicioso, equilibrado e abrangente” da Rodada de Doha é essencial para a economia e o desenvolvimento global e que vai se empenhar para a conclusão das negociações ainda neste mês.
Os termos usados são os mesmos dos escolhidos pelo Brasil e seus sócios do G-20 – o grupo de economias em desenvolvimento que atua em conjunto nas negociações agrícolas da rodada. Mas os interesses continuam em lados opostos.

G-5 desafia ricos a controlar especulação com petróleo e alimentos
O grupo das cinco economias emergentes (G-5) dirá hoje, na reunião com o G-8, que a especulação com os preços do petróleo e dos alimentos é um problema dos países ricos. E vai cobrar a adoção de mecanismos de controle sobre o movimento de capitais especulativos nesses dois mercados futuros (petróleo e alimentos) e de supervisão de políticas macroeconômicas. O G-5 não prega nenhum tipo de dirigismo econômico, mas reclama da regulação pífia do mercado financeiro dos ricos, o que levou, por exemplo, à crise imobiliária dos EUA, o subprime.
Durante um rápido encontro preparatório, hoje, na cidade de Sapporo, os chefes de Estado da África do Sul, do Brasil, da China, da Índia e do México concordaram que, apesar da relevância da discussão sobre a mudança climática, a prioridade do mundo em desenvolvimento está no desafio de curto prazo de combate à alta dos preços internacionais das commodities agrícolas e do petróleo e à conseqüente escalada mundial da inflação.
“Nossa preocupação está centrada no predominante aumento dos preços dos alimentos, que afeta nossas economias e a nossa agricultura familiar. Temos diante de nós o risco de aumento da pobreza nos nossos países e no mundo”, afirmou o presidente do México, Felipe Calderón, que coordenou a reunião de Sapporo, cidade da ilha de Hokkaido que está a 200 quilômetros do hotel onde os líderes do G-8 realizam seu encontro anual. “Enfrentar esse desafio requer maior diálogo e colaboração Norte-Sul e também Sul-Sul, para o qual o G-5 é um instrumento valioso. Precisamos de uma ação coordenada (do G-8 com o G-5) para enfrentar a inflação mundial.”
O encontro do G-5 durou cerca de 30 minutos e formalizou apenas a compreensão dos cinco países sobre sua participação mais efetiva e consertada, neste ano, na cúpula do G-8. Durante a discussão, partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, a sugestão de impor maior vigor na mensagem do G-5 de que as economias em desenvolvimento não devem pagar a conta dos problemas macroeconômicos e da ineficiente regulação dos países mais ricos sobre o sistema financeiro – referência clara aos efeitos da crise no sistema americano de financiamento imobiliário, o chamado subprime – e o mercado futuro de capitais – menção à nova onda de especulação.
Esse recado havia sido ensaiado por Lula na última reunião de cúpula do Mercosul, na Argentina, quando o presidente obteve o apoio de seus colegas sul-americanos. “Há exagero nessa especulação, que decorre da má gerência do sistema financeiro e que saiu do mercado de hipotecas para o das commodities agrícolas e do petróleo”, insistiu o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Amorim resumiu de forma franca a opção do G-5. “Todos trabalhamos para evitar o aquecimento global. Mas temos um problema grave, que diz respeito aos preços do petróleo e dos alimentos e da inflação, e não podemos deixar que isso desapareja”, afirmou. “Foi uma vitória do G-5, modéstia à parte, que esse assunto seja objeto de discussão. No longo prazo, todos estaremos mortos, se não conseguirmos enfrentar o curto prazo. E o curto prazo é a segurança alimentar, o preço dos alimentos, a inflação, o desequilíbrio macroeconômico do mundo desenvolvido contaminando o mundo em desenvolvimento”, completou.
Segundo Amorim, não se trata de sugerir ao G-8 a adoção de fórmulas de dirigismo econômico, como meio de limitar o movimento especulativo sobre os mercados futuros de alimentos e de petróleo. Mas de propor a maior coordenação das políticas financeiras adotadas pelos países desenvolvidos e as economias em desenvolvimento e de pressionar para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) planejem programas orientados a reduzir o impacto da elevação dos preços dessas commodities.
Fonte: Jornal do Comercio (RS)


Emergentes vão continuar na “2ª divisão”

Julho 9, 2008

Clóvis Rossi

Na cúpula do G8 do ano que vem, o Brasil e seus pares do G5 (México, China, Índia e África do Sul) continuarão jogando na segunda divisão entre os grandes do mundo, participando apenas do último dia, quando o documento da reunião já está aprovado e divulgado.
É o que ficou claro ontem pelas declarações do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, exatamente o anfitrião da cúpula de 2009: “A maioria quer manter a fórmula atual, embora depois o G8 possa ter um encontro com China, Brasil, Índia, México e África do Sul”.
Berlusconi disse que nem sequer chegou à mesa de discussões do clubão do mundo rico a hipótese de ampliá-lo, proposta feita em entrevista pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. O comentário do premiê italiano foi feito pouco depois de a Casa Branca rejeitar a proposta de Sarkozy. “Neste momento, não estamos dando atenção à questão do aumento de países que participam anualmente da cúpula”, disse Gordon Johndroe, porta-voz do governo Bush. (CR)

Fonte: Folha de São Paulo


Agronegócio acelera exportações do país

Julho 9, 2008

Receitas com produtos agrícolas cresceram 27% no primeiro semestre, superando os 25% da balança comercial global

Exportadores são grandes beneficiados, mas a alta externa influencia o preço no mercado interno e prejudica os consumidores

A forte demanda externa por alimentos continua favorecendo o Brasil. As receitas com os principais produtos da pauta de exportação do agronegócio brasileiro cresceram 27% no primeiro semestre deste ano, acima dos 25% da balança global -que só conseguiu esse percentual devido ao setor de agronegócio.
As exportações brasileiras são favorecidas tanto pelos preços como pelo volume. Puxados pela demanda nos países emergentes e pela redução drástica dos estoques mundiais de grãos, os preços externos dispararam, prejudicando os consumidores, mas favorecendo exportadores como o Brasil. A transferência da “ciranda financeira” para as commodities agrícolas também ajudou a elevar os preços.
Os consumidores brasileiros, embora o país seja um grande produtor, também sofrem os efeitos dessa aceleração dos preços externos. A alta no mercado externo influencia a formação de preços no Brasil e pressiona a inflação por aqui, embora em ritmo bem menor do que nos países essencialmente importadores de grãos.
Apenas os dez principais produtos da balança do agronegócio nacional são responsáveis por exportações de US$ 26 bilhões. Incluindo todos os demais itens do setor, a balança do primeiro semestre deve superar US$ 34 bilhões. Em todo o ano de 2007, as receitas somaram US$ 58 bilhões.

Soja na liderança
O melhor desempenho vem do complexo soja -grãos, farelo e óleo-, que já atinge US$ 9 bilhões no período de janeiro a junho deste ano, 67% a mais do que em igual período do ano anterior. Os preços recordes da soja no mercado externo permitiram essa evolução.
A tendência é o produto continuar agregando receitas à balança comercial porque a oleaginosa está sendo negociada a patamares recordes em Chicago. Na quinta-feira, o primeiro contrato terminou o pregão a US$ 16,58 por bushel (27,2 quilos). Ontem, teve queda de 4,16%, para US$ 15,89.
O saldo da balança comercial do agronegócio só não é maior porque o setor de açúcar perdeu preços no mercado externo e está com receitas acumuladas de US$ 2,1 bilhões, 12% a menos do que em 2007.

Boas perspectivas
As perspectivas para o setor neste semestre são de melhora. As cotações do açúcar voltaram a subir na Bolsa de commodities de Nova York, principalmente com a menor presença da Índia no mercado externo.
Outro fator de melhora no setor sucroalcooleiro é o aumento de demanda por álcool, principalmente por parte dos Estados Unidos, que tiveram perda na safra de milho, produto básico na elaboração do etanol por lá. As estimativas do mercado indicam vendas de 5 bilhões de litros neste ano, contra os 3,8 bilhões previstos anteriormente.
As carnes também podem melhorar o desempenho neste semestre. As vendas no setor de avicultura continuam aquecidas e as da cadeia de suínos começam a ter novas aberturas de mercados, que podem render mais.
Já as carnes bovinas, embora mantenham evolução das receitas em dólares, perdem espaço em volume. A forte alta internacional de preços começa a pesar no bolso dos consumidores de países importadores de menor renda.
As restrições da União Européia na importação de carnes “in natura” também devem conter a evolução das exportações. Mesmo assim, a entrada de receitas continua sendo maior.
Outro destaque são as exportações de milho, que já somam US$ 666 milhões. Estoques mundiais baixos, maior utilização do grão na produção de etanol nos Estados Unidos e previsível quebra de safra no Meio-Oeste norte-americano devido às recentes enchentes auxiliam as vendas externas brasileiras, que podem continuar aquecidas neste semestre.
Nesse ritmo, e se os preços continuarem aquecidos neste semestre, as exportações do agronegócio brasileiro podem terminar o ano próximo das estimativas mais otimistas feitas no início do ano, que indicam volume até superior a US$ 70 bilhões.
Fonte: Folha de São Paulo