Especialista vê boas perspectivas para economia brasileira

Julho 8, 2008

Brasília – Os países emergentes que compõem o Grupo Bric (Brasil, Rússia, China e Índia) têm condições de atravessar a turbulência que ora se verifica no mercado mundial, mantendo suas economias em expansão, embora tenham que conviver com inflação em alta e algum aperto monetário.

A afirmação é do chefe do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria, Pedro Raffy Vartanian, para quem a inflação mais elevada nos países do grupo pode resultar em convergência na taxa de crescimento de seus quatro integrantes, com vantagem para o Brasil, segundo ele.

 

Vartanian acredita que, embora o Brasil tenha a menor taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país,  “é o país que apresenta melhor controle da inflação, dentre eles, e os outros terão que fazer ajuste mais forte”.

 

De acordo com projeção da agência de classificação de risco Fitch Ratings, o Brasil deve crescer 4,1% em 2009 e 4,3% em 2010, contra expansão média de 10% da China nos dois exercícios, de mais de 8% da Índia e de mais de 6% da Rússia.

 

Apesar da defasagem percentual, o consultor da Trevisan enumera algumas vantagens adicionais para o Brasil, citadas em recente artigo da revista inglesa The Economist, a começar pelo fato de o Brasil não ter um nacionalismo agressivo, que periodicamente assola os outros três países.

 

Além disso, conforme registrou a revista inglesa, 83% da população brasileira é urbana. Portanto, a divisão entre campo e cidade não é uma ameaça como na China e na Índia. O fato de o Brasil ter uma democracia multipartidária, associada à liberdade de expressão, também ajuda a negociar mudanças sociais, ao contrário do que ocorre na Índia e na Rússia, de acordo com a The Economist.

Fonte: Agência Brasil


Rodada Doha deve ser principal tema de encontro entre Lula e Bush no Japão

Julho 8, 2008

Hokkaido (Japão) – A atual rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) deve ser o principal tema do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, George W. Bush, nesta quarta-feira (9), à margem da cúpula do G8, no Japão. No encontro, confirmado na última hora, Lula deve pedir empenho extra de Bush nas negociações, ameaçadas de atrasar mais um ou dois anos caso não sejam fechadas antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

“Acho que o Brasil já avançou praticamente tudo o que podia avançar e, agora, vamos ver o que vamos obter em agricultura para ver se isso ajuda a convencer outros países de que a negociação vale a pena”, disse nesta terça-feira (8) o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. O Brasil precisa convencer a Argentina, parceira de Mercosul, de que os ganhos para a produção agrícola dos países do bloco compensam uma maior abertura do mercado regional para produtos industrializados dos países desenvolvidos.

Segundo Amorim, o Brasil já aceitou “uma certa barganha” entre as listas de produtos considerados sensíveis e os coeficientes de corte de tarifas de forma a preservar a integridade do Mercosul. O chanceler frisou que o obstáculo para a conclusão das negociações continua sendo o fato de que os países ricos quererem extrair “o máximo possível”. Na próxima semana, cerca de 30 ministros se reunirão em Genebra, na Suíça, numa última tentativa de fechar as negociações que se arrastam por sete anos.

Mas a Rodada Doha não será o único tema de reuniões bilaterais do presidente Lula em Hokkaido. Ele também terá encontros de trabalho com os primeiros-ministros da Itália, Silvio Berlusconi; do Canadá, Stephen Harper; e do Japão, Yasuo Fukuda. Com Fukuda, deve falar sobre as parcerias nas áreas de etanol e TV digital.

Lula deve voltar a cobrar do governo japonês que cumpra a promessa de promover a construção de uma fábrica de semicondutores no Brasil, feita na época da escolha, pelo Brasil, do sistema japonês de TV digital. Ele também deve levar a Fukuda as reivindicações da comunidade brasileira que vive no Japão.

Esta terça-feira também foi recheada de encontros bilaterais. Em todos, Lula falou sobre a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis que o Brasil promoverá em novembro deste ano e deu explicações sobre a produção brasileira de etanol.
Com o presidente mexicano, Felipe Calderón, Lula trocou informações sobre programas de apoio à agricultura familiar. O tema preocupa particularmente o México, um dos grandes atingidos pela inflação do milho resultante da produção norte-americana de etanol.

Lula também esteve com os presidentes da China, Hu Jintao, e da Coréia do Sul, Lee Myung-bak. De acordo com o ministro Celso Amorim, com a China o presidente manifestou interesse de aprofundar a cooperação na área de satélites.

Fonte: Agência Brasil


G-8: EUA e Itália barram o Brasil

Julho 8, 2008

EUA e Itália rechaçam versão ampliada do G-8

Americanos alegam que “não é o momento” de incluir no grupo Brasil, China, Índia, México e África do Sul

RUSUTSU, Japão, e WASHINGTON. Apesar dos apelos do presidente da França, Nicolas Sarkozy, para que o G-8 – grupo dos sete países mais ricos e a Rússia – ganhe mais legitimidade incorporando o G-5 (formado por emergentes com grande população: China, Índia, Brasil, África do Sul e México), os EUA e a Itália se posicionaram contra a idéia ontem, no primeiro dia da reunião das nações mais desenvolvidas, no Japão.
Alegando que “não é o momento”, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional Americano, Gordon Johndroe, disse que os encontros do G-8 permitem a participação de outros importantes países e que, por isso, não haveria necessidade de mudar o seu formato. Já o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que a vantagem do G-8 é o fato de “não ter um número excessivo de presenças, o que permite falar de modo franco e direto”.

Pesquisa em 16 países: 63% apóiam ampliação
Berlusconi sugeriu, porém, que uma reunião entre o G-8 e o G-5 seja feita após cada encontro anual do grupo dos mais ricos do mundo. Para ele, “é justo fazer reuniões regulares ampliadas com esses cinco países”. Na opinião de Sarkozy, o G-8 perdeu relevância ao não incluir no grupo atual – com poder formal e real de influência nas decisões, não só como espectadores – os países que mais crescem hoje e respondem por dois terços da população global. Segundo Sarkozy, o grupo deveria ser ampliado também para participar no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial.
Uma pesquisa realizada com 76 autoridades e especialistas de 16 países pelo Brookings Institution, de Washington, mostra que, apesar das resistências na cúpula do G-8 no Japão, Sarkozy não está sozinho: 63% dos entrevistados são a favor de uma versão ampliada do G-8. A enquete revelou que só 15% acreditam que o G-8 cumpre a tarefa de ser “um guia global”, informou a BBC Brasil em seu site.
- Os debates desse encontro do G-8 não podem se prolongar sem a discussão sobre que tipo de G-8 seria mais representativo hoje, com sua desejável ampliação – disse John Kirton, diretor do Grupo de Pesquisa do G-8 do Centro Munk de Estudos Internacionais da Universidade de Toronto, no Canadá.
Como já virou tradição nas reuniões do G-8 desde que os conflitos de rua no encontro de Gênova, em 2001, resultaram na morte do estudante italiano Carlo Giuliani, os líderes mundiais presentes a Toyako, no Japão, estão isolados. Ficam no hotel Windsor Toyako, às margens do lago Toya, sob a proteção de 21 mil seguranças. Mais que suficientes para conter os poucos protestos de ontem, que resultaram em pelo menos quatro presos. A dezenas de ativistas e jornalistas foi negado o visto de entrada no Japão. Com esse aparato, os protestos se limitam à maior cidade da ilha de Hokkaido, Sapporo (a cem quilômetros de Toyako), onde grupos de 300 pessoas protestam contra a globalização, o preço do petróleo e os biocombustíveis.
Com agências internacionais

Fonte: O Globo


OMC divulgará textos para Doha sobre área agrícola

Julho 8, 2008

A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgará propostas revisadas para um acordo sobre o comércio agrícola nesta semana, refletindo o avanço em uma série de detalhes técnicos obtidos nas últimas semanas, disse nesta segunda-feira o mediador da OMC para a área.

O embaixador da Nova Zelândia na OMC, Crawford Falconer, que preside as negociações agrícolas, afirmou que espera publicar um novo texto na próxima quarta ou quinta-feira, provavelmente ao mesmo tempo que um documento similar sobre bens industriais.

Os dois esboços vão formar a base para que os ministros, convocados pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, para uma reunião em Genebra na semana de 21 de julho, cheguem a um acordo sobre as duas áreas mais sensíveis da Rodada de Doha.

Falconer disse, depois de conversar com membros da OMC, sobre as recentes negociações que o novo texto não terá nenhuma grande surpresa.

“Haverá algumas mudanças estruturais e algumas outras modificações, mas acho que nada que seja um avanço espetacular”, disse ele.

Lamy afirmou que a reunião deste mês será o momento da verdade para a Rodada de Doha, lançada no final de 2001 para abrir o comércio mundial e ajudar os países em desenvolvimento a crescerem com mais exportações.

Um acordo envolveria uma redução dos subsídios agrícolas por parte de Estados Unidos e União Européia (UE). A UE, o Japão e outros países ricos abririam os mercados agrícolas protegidos através da redução de tarifas.

Em troca, grandes países em desenvolvimento como China, Índia e Brasil cortarão as tarifas sobre os bens industriais, abrindo mais seus mercados.
Fonte: Terra


Europa pede garantia para apoiar etanol

Julho 8, 2008

G-8 cobra garantias de sustentabilidade do etanol do Brasil
O presidente da Comissão Européia, José Durão Barroso, cobrou ontem do Brasil garantia de sustentabilidade do bioetanol – de que não destrói a Amazônia e não substitui produção agrícola. E deixou claro que o país só poderá avançar sua estratégia de transformar o bioetanol em commodity global se assumir “comprometimentos concretos” no combate a mudança climática.
As pressões sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentaram na véspera de sua participação no encontro anual do G-8, grupo das maiores economias e espécie de diretório econômico do planeta, refletindo a dificuldade da tarefa de propagar o etanol depois da virada na imagem do combustível.
O G-8 prepara-se para discutir nesta terça-feira o impacto do carburante verde na alta dos preços de alimentos. Indagado sobre o que esperava do Brasil, Barroso retrucou: “A UE defende que deve haver uso de bioetanol desde que não seja feito em substituição à produção agrícola e não destrua a floresta. Daí é importante que o Brasil e Lula dêem garantias de sustentabilidade do biocombustível”.
Acrescentou que o “Brasil tem sido o campeão mundial na questão do biocombustível e a única forma de conseguir progresso nisso é precisamente com posição também mais ambiciosa na mudança climática, com comprometimentos concretos”.
Para Barroso, a posição do presidente Lula sobre o clima na reunião com o G-8 será especialmente importante para influenciar o mundo em desenvolvimento. “Espero que seja um sinal importante para os países do Sul em geral”, afirmou.
O encontro entre o G-8 e o G-5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México) ocorrerá nesta quarta-feira em meio a fortes divergências sobre o que fazer na luta contra a mudança climática, que implicará transformações gigantescas nas economias.
Pela quarta vez, José Durão Barroso representa a Comissão Européia no G-8 como membro pleno do grupo. Na prática, esse clube dos ricos tem nove membros, além dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá e Rússia.
Barroso conclamou os outros dirigentes a adotarem o compromisso “ambicioso e significativo” e a reconhecerem que os ricos devem reduzir as emissões liquidas de gases de efeito estufa em pelo menos 50% até 2050 comparado aos níveis de 1999. Mas acha que os países desenvolvidos deveriam ir além e se comprometerem com reduções entre 60% e 80% – numa posição oposta à dos Estados Unidos.
Além disso, defendeu que o G-8 consiga pelo menos um acordo de “princípio” para os industrializados cortarem emissões no médio prazo, provavelmente 2020, como reclamam as nações em desenvolvimento.
Nesse cenário, a UE quer engajar também os emergentes como Brasil, China e Índia e países em desenvolvimento em função de suas “responsabilidades comuns, mas diferenciadas e de suas capacidades respectivas”.
Os europeus explicam que os “compromissos” com metas para os cortes ficam com os países ricos. E que, do lado dos emergentes como o Brasil, o que se quer é “plano de ação”, por exemplo, para combater o desmatamento, desde que seja “verificável e monitorável”.
Em entrevista em português, enquanto uma dezena de jornalistas japoneses gravavam tudo sem entender nada, Barroso disse que que a UE está pronta a apoiar esses países com tecnologia e financiamento, inclusive para acelerar a produção da segunda geração de biocombustíveis, que não competem com a produção de alimentos.
No debate global sobre o impacto do biocombustível, ele reiterou que não é contra e sim a favor do carburante verde porque acha que pode ser parte da resposta de energia renovável para reduzir as emissões.
“Não é a solução, mas parte da solução”, afirmou.
Mais tarde, uma fonte européia esclareceu que a União Européia vê exagero nas criticas envolvendo impacto de etanol na crise alimentar e que Bruxelas é “realmente” favorável ao produto sustentável.
Explicou que a garantia de etanol sustentável cobrada por Barroso ao Brasil poderia vir através de acordo bilateral, exigência de Bruxelas já revelada pelo Valor. Os europeus argumentam que isso é necessário até para tranqüilizar os investimentos no setor, de que o produto não será afetado no comércio internacional.
“O ideal seria fazer isso num acordo internacional, como na Rodada Doha, mas como vai complicar, então é passar mesmo por acordo bilateral”, disse a fonte.
Um relatório do Programa das Nações para o Meio Ambiente confirma que capital-risco e capital-investimento nos biocarburantes diminuíram quase um terço nos Estados Unidos no ano passado, ficando em US$ 2,1 bilhões. Mas que o investimento no carburante verde não terminou completamente, com uma transição em direção ao Brasil, à Índia e à China.
Os europeus lembram que um ponto crucial da parceria estratégica da UE com o Brasil é na área energética, que significa basicamente etanol. Mas que Brasília precisa mostrar que o desmatamento da floresta amazônica diminui, e não o contrário, como foi anunciado justamente quando o presidente Lula se encontrava em Roma, no mês passado, durante o encontro de cúpula mundial que discutiu medidas contra a crise alimentar.
Em outro sinal do que espera Lula, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown desembarcou no Japão preparado para pedir moratória sobre alguns biocombustíveis, que um estudo britânico acusa de contribuírem para a crise alimentar global.
O estudo faz uma distinção entre o bom e o mau etanol, alvejando visivelmente o produto dos Estados Unidos feito a partir de milho. No entanto, em meio ao debate, poucos fazem a distinção, o etanol brasileiro é também afetado e o plano brasileiro de tornar o produto uma commodity global também sofre.
Fonte: Valor Econômico


Negociadores da OMC estudam novos termos para Doha

Julho 8, 2008

Os negociadores da Organização Mundial do Comércio (OMC) terão esta semana o quarto documento revisado sobre as áreas de agricultura e produtos industriais que servirá como base para a discussão na reunião ministerial que começa em 21 de julho.

O embaixador neozelandês Crawford Falconer, presidente do grupo agrícola, confirmou hoje que na quarta-feira ou na quinta-feira apresentará a quarta revisão do texto que será base para as diretrizes que determinarão sobre os subsídios e as tarifas.

Falconer informou que “seguramente” seu texto sairá em paralelo ao de produtos industriais que está sendo revisado pelo presidente do grupo negociador, o embaixador canadense Don Stephenson.

O neozelandês se reuniu hoje em sessão plenária informal com os representantes dos 152 países que formam a OMC e, após o encontro, declarou à imprensa que quase não houve avanços.

“Não há realmente o que destacar, cada um manteve suas posições, o que era bastante previsível. Não houve nenhum ingrediente especialmente destacável, nenhuma mudança substancial de onde estávamos na sexta-feira passada”, assegurou o embaixador.

“Só estavam lembrando-me o que era importante para cada um para que eu colocasse no documento revisado”, comentou.

Com relação ao texto, Falconer assegurou que não incluirá “nada que surpreenda muito (os delegados)”, embora isso não signifique que o resultado não irá agradá-los.

Ele ainda confirmou que irá alterar alguns números.

Cada delegação terá então três ou quatro dias para avaliar os textos e preparar suas posições para a reunião que acontece na próxima semana.

O certo é que a reunião é absolutamente crucial para que a Rodada de Doha, que vem sendo negociada desde 2001, seja concluída este ano.

Em caso de chegar a um acordo sobre agricultura e produtos industriais em julho – data muito distante para a maioria das delegações – haveria tempo material para concluir o resto de áreas (mais de 20) no terceiro trimestre e chegar a um acordo ainda em 2008.

Sem um acordo de modalidades em julho será quase impossível encerrar as discussões este ano e as negociações ficariam sem final previsível, conforme afirma a maioria de membros da OMC.
Fonte: Jornal de Brasilia