Disparada nas exportações em 2008

A maior valorização do óleo em relação ao farelo, comprovada pela análise dos preços do grão e seus derivados na bolsa de Chicago, aparece nas estimativas da Associação das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) para as exportações do complexo soja neste ano. A entidade prevê preço médio da tonelada de grão exportada de US$ 420, 48,4% mais que em 2007. A cotação média da tonelada do óleo deverá subir 41,4%, para US$ 1.000, enquanto a previsão para o farelo é de alta de 35%, para US$ 320/tonelada.
Nas exportações totais projetadas pela Abiove para o ano, os volumes fazem diferença e o óleo retorna ao terceiro lugar. Os embarques deverão render US$ 17,808 bilhões, 57,3% mais que em 2007. Para as vendas externas de grão, o aumento previsto é de 70,9%, para US$ 11,466 bilhões; para o farelo, o salto estimado é de 41,8%, para US$ 4,192 bilhões, e no caso do óleo deverá haver incremento de 29,8%, para US$ 2,15 bilhão. Nas três frentes, os valores previstos para 2008 são recordes históricos.
Para o ciclo 2008/09, as exportações de soja devem atingir 45% do total da produção agrícola nacional, de acordo com projeção da Abiove. Com isso, a soja superará o recorde estabelecido em 2006/07, quando os embarques representaram 43% da produção.
A evolução do esmagamento, em contrapartida, fica aquém do ritmo de avanço da produção. O esmagamento deve chegar em 2008 a 29,7 milhões de toneladas. Esse volume é menor que as 30,7 milhões de toneladas esmagadas em 2007 e representa um avanço de apenas 48% em comparação com 1996 - nesse mesmo período, a produção avançou 150%.
Dados da Abiove e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram a perda de competitividade do esmagamento nacional em relação a EUA, China e Argentina, os outros gigantes mundiais do mercado de soja. O descompasso entre o avanço da produção e do esmagamento está relacionado com a alta carga tributária das indústria, que desestimula o esmagamento no mercado interno, diz César Borges, vice-presidente da Caramuru.
Na Argentina, entre 1996 e 2008, esmagamento e produção subiram 288% e 278%, respectivamente. Na China, que ampliou sua produção em 6% nesse intervalo, o esmagamento avançou 413%.
Em Chicago, de acordo com cálculos do Valor Data, os contratos futuros de segunda posição de entrega do grão acumulam valorização de 92,7
Fonte: Valor Econômico

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