Brasil e potências emergentes reúnem-se para articular posições perante a cúpula do G8

Julho 7, 2008

Hokkaido (Japão) – Brasil, China, Índia, México e África do Sul – o chamado G5 – reúnem-se nesta terça-feira (8), em Hokkaido, paralelamente à cúpula do G8. Os líderes das cinco potências emergentes articularão posições para apresentar em reunião, no dia seguinte, com Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Japão, Canadá e Rússia. A pauta deve incluir reivindicação pela participação nas instâncias decisórias da Cúpula.

O G5 participa como convidado do G8 desde a reunião de 2005, em Gleanegles, na Escócia, mas sem poder de decisão. Cansado de ser figurante de luxo do encontro de poderosos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a cogitar não vir ao encontro deste ano, mas acabou mudando de idéia: decidiu continuar sua cruzada em defesa dos biocombustíveis.

Lula chega à ilha de Hokkaido na manhã desta terça-feira – começo da noite pelo horário de Brasília.  Antes de se reunir com os demais líderes do G5, terá encontros bilaterais com os presidentes do México, Felipe Calderón, da China, Hu Jintao, e da Coréia do Sul, Lee Myung-Bak.  Enquanto isso, os mandatários dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia reúnem-se a portas fechadas. Na quarta-feira (9), finalmente, será a vez de ouvirem a voz dos países emergentes. A primeira sessão do dia será um café da manhã com o G5.

Na seqüência, G8, G5, Austrália, Indonésia e Coréia do Sul participam da Reunião das Grandes Economias sobre Mudança do Clima – diálogo lançado pelo Presidente Bush às vésperas da reunião do G-8, em 2007, em busca de um consenso sobre o regime de emissões  pós-2012. Também participam da reunião o secretário-geral da ONU, o presidente do Banco Mundial, o secretário-geral da OCDE e o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia. O mesmo grupo, mais o presidente do FMI e o diretor-geral da OMC terão almoço de trabalho sobre economia mundial e alta do preço dos alimentos.

Hoje (7), o G8 teve reunião ampliada com Etiópia, Gana, Nigéria, Senegal, África do Sul, Tanzânia e África Austral, mas não foram divulgadas informações sobre o encontro. A África integra a agenda do G8 desde o final da década de 90 e passou a participar como convidada, em reunião paralela, na cúpula do ano 2000.

Fonte: Agência Brasil


ONU e Banco Mundial atribuem a biocombustível parte da culpa por alta dos alimentos

Julho 7, 2008

Hokkaido (Japão) – Apesar dos esforços do governo brasileiro para convencer a comunidade internacional do contrário, os biocombustíveis continuam na lista dos vilões da alta nos preços mundiais de alimentos. Indagados pelos jornalistas ao final do primeiro dia da reunião do G8, tanto o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, quanto o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, atribuíram parte da culpa pela inflação alimentar aos combustíveis

“Diversos fatores afetaram os preços, mas não há dúvida de que os biocombustíveis estão entre eles”, disse Zoellick, que fez questão, no entanto, de diferenciar os combustíveis produzidos com cana-de-açúcar, como o etanol brasileiro, dos que são feitos com cereais e vegetais. O ex-secretário de comércio dos Estados Unidos lembrou que cerca de três quartos do crescimento da produção de milho nos últimos três anos foi para a produção de etanol nos Estados Unidos.

Documento divulgado pelo Banco Mundial na semana passada para embasar os debates da cúpula do G8 – grupo dos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia – já mencionava o uso do óleo de cereais e vegetais para a produção de combustíveis como uma das causas da disparada de preços. Segundo dados do Banco Mundial, os preços dos grãos mais que dobraram desde 2006. Apenas neste ano, a alta acumulada é de 60%.

O estudo diz que, nos últimos três anos, cinco milhões de hectares de terras aráveis que poderiam ter sido usados para plantação de trigo foram destinadas à produção de colza e girassol para biocombustíveis – de acordo com o Banco Mundial, isso ocorreu nos principais países produtores de trigo, incluindo Canadá, membros da União Européia e Rússia.

O documento reconhece, no entanto, que a produção brasileira do etanol à base de cana não levou a altas substanciais” no preço do açúcar. O Banco Mundial também compara o custo das diferentes produções. Enquanto o etanol da cana-de-açúcar custava US$ 0,90 o galão em 2007, contra um custo de US$ 1,70 por galão do etanol de milho produzido pelos Estados Unidos e US$ 4 por galão do biodiesel produzido pelos americanos e europeus.

Zoellick sugeriu a revisão dos programas americanos e europeus de subsídios à produção de biocombustíveis e a redução das tarifas impostas a esse tipo de produto.

Ban Ki-Moon concordou com os argumentos de Zoellick, mas ponderou que não há dados sobre o exato impacto dos biocombustíveis na crise mundial de alimentos. “Acredito que são necessários mais estudos e mais pesquisa sobre os biocombustíveis de segunda geração”, disse o representante da ONU, lembrando que o governo brasileiro promoverá conferência internacional sobre o tema em novembro.

Uma das missões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Hokkaido será, justamente, tentar isentar de culpa a produção de biocombustíveis. A exemplo do que fez na semana passada durante a Cúpula do Mercosul, na Argentina, Lula deve jogar a culpa na especulação financeira e cobrar dos países do G8 que parem de comprar safras ainda nem plantadas nos chamados mercados futuros.

Fonte: Agência Brasil


Corrente de comércio na primeira semana de julho é de US$ 6 bilhões

Julho 7, 2008

Com quatro dias úteis (de 1º a 6), a primeira semana do mês de julho fechou com uma corrente de comércio (soma das exportações e importações) de US$ 6,069 bilhões e média diária de US$ 1,517 milhão. Essa média é 34,1% maior que a registrada em todo o mês de julho do ano passado e 7,6% menor que o índice computado em junho passado.

No período, as exportações foram de US$ 3,187 bilhões, com média por dia útil de US$ 796,8 milhões, e as importações chegaram a US$ 2,882 bilhões – média diária de US$ 720,5 milhões. Em conseqüência, o saldo comercial (diferença entre as exportações e as importações) foi superavitário em US$ 305 milhões, com média diária de US$ 76,3 milhões.

No acumulado do ano, o saldo comercial alcança superávit de US$ 11,655 bilhões (média diária de US$ 91,8 milhões). As exportações chegam a US$ 93,832 bilhões (média diária de US$ 738,8 milhões) e as importações são de US$ 82,177 bilhões (média diária de US$ 647,1 milhões).

Fonte: MDIC


Encontro de Serviços debateu medidas e ações para ampliar as exportações do setor

Julho 7, 2008

O II Encontro Nacional de Exportação de Serviços (Enes), relaizadona última semana (1º/6), debateu as medidas anunciadas na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) para o setor e a implementação de ações decorrentes dessa iniciativa, cuja finalidade é fortalecer a competitividade do segmento, considerado um dos mais promissores no novo ordenamento econômico mundial. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, foi representado no evento pelo secretário de Desenvolvimento da Produção, Armando Meziat. Como ministro interino, ele falou das medidas da PDP, voltadas para a competitividade produtiva.

As políticas públicas da PDP para o complexo de serviços, disse o secretário de Comércio e Serviços, Edson Lupatini Junior, têm atribuições envolvendo diversos aspectos setoriais, que podem ser aperfeiçoadas e até obter ações específicas sempre que houver necessidade. Uma ação inovadora desenvolvida pelo Ministério para estimular a formação de uma cultura exportadora de serviços no Brasil e para compreender a dinâmica e a estrutura do segmento, é a publicação semestral do Panorama do Comércio Internacional de Serviços, com estatísticas da movimentação comercial do setor no País e no mundo.

Neste dia, o MDIC divulgou os últimos resultados desse trabalho, os dados consolidados de 2007, que confirmam a expansão do comércio exterior de serviços do Brasil, que fechou o ano com exportações de US$ 22,5 bilhões, um crescimento de 25,7% em relação a 2006, valor superior ao obtido pelo setor de bens (16,6%) no mesmo período. As importações do setor também cresceram, totalizaram US$ 34,8 bilhões em 2007, se comparadas com os US$ 27,1 bilhões registrados no ano anterior.

Perspectivas
O objetivo do Ministério, disse o secretário Lupatini, é disponibilizar para a sociedade uma balança comercial de serviços, o Siscoserv, nos moldes do Siscomex (balança de bens), que contribua com a aceleração do desenvolvimento econômico brasileiro, integre outros setores, e amplie a participação do segmento no comércio internacional.

Outra reivindicação dos representantes desse complexo é a obtenção de incentivos para exportação, oferecidos hoje a outros segmentos da economia com a mesma finalidade.
O secretário Lupatini falou do acordo firmado entre o Mercosul e o Chile, por representar um marco nas relações comerciais do Bloco com o país visinho, e significar a superação de entraves.

O presidente da AEB, Benedito Moreira, falou que a entidade disponibilizou um link na página eletrônica da Associação para cadastrar os problemas enfrentados pelo setor para exportar e, a partir daí, buscar soluções para esses obstáculos. O público do Encontro foi unânime em relação à necessidade de fomentar a cultura de serviços no País, considerando que o desenvolvimento brasileiro depende de um setor de serviço eficiente.

O II Encontro Nacional de Comércio e Serviços foi na semana passada (1º/7), na Confederação de Nacional do Comércio do Rio de Janeiro, parceira do MDIC e da Associação de Comércio Exterior (AEB) no patrocínio do evento, e reuniu representantes de diversos segmentos que compõem o complexo de serviços. 

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, fechou o evento dizendo que o banco, ao rever suas prioridades, manteve serviços e bens em destaques, e ressaltou que a exportação de serviços é a mais nobre das comercializações, em função dos intangíveis. Coutinho adiantou que o banco está montando um escritório de representanção em Montevidéo para firmar presença no Mercosul, e que futuramente o objetivo será Londres, tendo em vista aumentar a participação do banco no exterior para captar investimentos e financiar projetos.

Fonte: MDIC


Cai estimativa para entrada de investimento estrangeiro direto no país este ano

Julho 7, 2008

Brasília – A projeção de analistas do mercado financeiro para a entrada de investimento estrangeiro direto (caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na atividade produtiva) no país caiu de US$ 34 bilhões para US$ 33,50 bilhões neste ano. Para 2009, a estimativa se manteve em US$ 30 bilhões.

A informação consta do boletim Focus, publicação semanal do Banco Central, elaborada com base em pesquisa feita com analistas de mercado sobre os principais indicadores da economia.

Os analistas de mercado também alteraram a estimativa para o déficit em conta corrente (saldo negativo das transações do Brasil com o exterior), de US$ 23 bilhões para US$ 23,57 bilhões, e para o superávit comercial (saldo das exportações menos importações), de US$ 23 bilhões para US$ 22,81 bilhões. A expectativa para a taxa de câmbio ao final de 2008 caiu de R$ 1,67 para R$ 1,65.

Para 2009, a projeção é déficit em conta corrente é ainda maior: US$ 32,5 bilhões, contra os US$ 31,9 bilhões previstos anteriormente. No caso do superávit comercial, a estimativa passou de US$ 15,21 bilhões para US$ 15 bilhões. A expectativa para a taxa de câmbio no próximo ano também caiu de R$ 1,77 para R$ 1,75.

Quanto ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), em 2008, a projeção foi mantida em 4,80%. No caso da produção industrial, os analistas aumentaram a estimativa de crescimento em 0,01 ponto percentual, passando para 5,47%. Quanto à relação entre dívida e PIB, foi mantida a projeção para este ano de 41%.

Para a taxa básica de juros, a Selic, os analistas mantiveram a projeção em 14,25%, ao final deste ano, e em 13,50%, ao fim de 2009.

Fonte: Agência Brasil


Carga tributária inibe desenvolvimento do setor joalheiro, analisa fabricante

Julho 7, 2008

Rio de Janeiro -

A redução da carga tributária que incide sobre o setor de joalheria brasileiro poderá dar um novo fôlego às pequenas indústrias, que são maioria nessa área. A avaliação foi feita à Agência Brasil pela presidente da Associação dos Joalheiros e Relojoeiros do Estado do Rio de Janeiro (Ajorio), Carla Pinheiro. Para ela, a elevada carga tributária que incide sobre o setor inibe o crescimento.

“Comparado com todos os outros produtos com os quais compete, [o setor joalheiro] é altamente taxado. A tributação ainda é muito alta. Se comparada com o resto do mundo, [a tributação] é ainda mais elevada. Então, a gente encontra esses entraves”, afirmou.

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado do setor no estado do Rio de Janeiro é de 12%, contra 5% em Minas Gerais. Carla Pinheiro informou que a indústria de joalheria já está em negociação com o governo fluminense para tentar viabilizar um programa de desenvolvimento do setor, “até aproveitando experiências que já são feitas dentro do próprio país, a exemplo de Minas Gerais, e fora do mundo”.

Ela citou países como Tailândia, Índia e China, onde o setor desponta como uma das principais forças econômicas locais. “Esses governos entenderam que [o setor de jóias] precisava ser visto com outros olhos”.

Carla Pinheiro revelou que a Tailândia praticamente zerou os impostos para o setor, “quando conseguiu ver seu alto grau de empregabilidade, técnica, com risco de exclusão social, de baixa renda”.

Ao contrário de outras indústrias tradicionais, o setor joalheiro não cresce utilizando maquinário e tecnologia. “Ele cresce apenas com emprego de mão-de-obra, em sua maioria artesanal”. Além disso, é uma área rica não só em termos de design e criatividade, que são atrativos para os turistas que visitam o Brasil, mas também por usar matéria-prima, que é o ouro, considerada uma commodity (produto básico mineral e agrícola comercializado no mercado internacional) financeira, cotada em Bolsa de Valores.

“Quando essas características próprias do setor foram compreendidas no resto do mundo, os impostos foram praticamente zerados, dentro de um programa de desenvolvimento econômico, de formação acadêmica e empregabilidade”.

Outras dificuldades enfrentadas são o impedimento para comprar matéria-prima a prazo e a falta de financiamento do metal, que para o setor joalheiro é matéria-prima e para i sistema financeiro e o governo é commodity financeira.

O mercado formal de jóias do estado do Rio de Janeiro é formado por cerca de 80 indústrias e mil pontos de varejo. As micro e pequenas empresas representam 96% do total. Para cada empresa formal, a estimativa é que existe outra na informalidade.

O setor gera cerca de 15 mil empregos diretos e 50 mil indiretos. Carla Pinheiro ressaltou que o mercado é ainda muito informal, devido à alta carga tributária. No mercado informal, projeta-se a criação de pelo menos o dobro dos postos de trabalhos legalizados.

O Rio de Janeiro responde por 18% das 25 toneladas de ouro trabalhadas no Brasil, na terceira posição como produtor de jóias nacional, informa a Ajorio. São Paulo é o primeiro, seguido por Minas Gerais. Quando se trata de exportações, o Rio ocupa liderança, seguido por Minas.

Em termos de consumo nacional, São Paulo detém o primeiro lugar do ranking e o Rio de Janeiro é o segundo mercado, respondendo por 25% do consumo no país.

Fonte: Agência Brasil


Entenda a Rodada de Doha

Julho 7, 2008

A Rodada de Doha é uma série de debates mediados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em torno de regras para facilitar o comércio internacional. As discussões que acontecem até hoje recebem este nome porque tiveram seu início em Doha, capital do Qatar, em novembro de 2001.

Um conjunto de decisões a respeito de regras mais flexíveis, que facilitariam o comércio entre nações, já deveria estar em prática – o primeiro prazo foi janeiro de 2005. Contudo, a falta de consenso entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, tem adiado a elaboração de um texto final.

Depois de Doha, em 2001, os países participantes do debate já se reuniram em Cancún, em 2003; em Genebra, em 2004; e Hong Kong, em 2005, mas todas estas negociações fracassaram no objetivo de finalizar o tema.

O item que gera maior discordância entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento é o comércio de produtos agrícolas. Os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, pedem que as nações ricas diminuam os subsídios concedidos a seus produtores.

Já os países desenvolvidos, além de não estarem de acordo com algumas regras em relação à agricultura sugeridas pelos países em desenvolvimento, também pedem maior acesso aos mercados de bens e serviçoes destas nações.

Além do comércio agrícola, a agenda de Doha trata de temas ligados à padronização e adoção de normas sanitárias; comércio de produtos têxteis; padronização e adoção de normas técnicas; práticas de dumping; propriedade intelectual; acordos regionais; comércio eletrônico, entre outros.
Fonte: Terra


Empresas não seguem no Brasil regras adotadas nos EUA

Julho 7, 2008

Ao menos oito das maiores multinacionais da indústria de alimentos não seguem no Brasil os compromissos que firmaram nos Estados Unidos para restringir a publicidade voltada à criança, diz representação feita pela ONG Instituto Alana ao Ministério da Justiça.
Os compromissos foram assinados em 2006 no Council of Better Business Bureau (conselho para melhores negócios, em inglês), um tipo de órgão de auto-regulamentação nos EUA.
As medidas vão desde restringir a publicidade infantil a alimentos considerados saudáveis até deixar de fazer propaganda em veículos em que as crianças representem determinada parcela do público.
Segundo avaliação do instituto, porém, oito multinacionais não cumprem as regras no Brasil -Burger King, Cadbury Adams, Coca-Cola, Kellogg’s, Kraft Foods (fabricante do biscoito Trakinas), McDonald’s, Pepsi e Unilever.
A Folha procurou as empresas na tarde da última sexta-feira. A assessoria de imprensa da Pepsi não foi localizada. Burger King e McDonald’s disseram que só poderiam se manifestar hoje.
A Cadbury afirmou que “respeita integralmente a legislação brasileira”. A Kraft disse que se comprometeu a restringir a propaganda apenas de alimentos com “determinados perfis nutricionais”. A Coca
Fonte: Folha de São Paulo


Disparada nas exportações em 2008

Julho 7, 2008

A maior valorização do óleo em relação ao farelo, comprovada pela análise dos preços do grão e seus derivados na bolsa de Chicago, aparece nas estimativas da Associação das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) para as exportações do complexo soja neste ano. A entidade prevê preço médio da tonelada de grão exportada de US$ 420, 48,4% mais que em 2007. A cotação média da tonelada do óleo deverá subir 41,4%, para US$ 1.000, enquanto a previsão para o farelo é de alta de 35%, para US$ 320/tonelada.
Nas exportações totais projetadas pela Abiove para o ano, os volumes fazem diferença e o óleo retorna ao terceiro lugar. Os embarques deverão render US$ 17,808 bilhões, 57,3% mais que em 2007. Para as vendas externas de grão, o aumento previsto é de 70,9%, para US$ 11,466 bilhões; para o farelo, o salto estimado é de 41,8%, para US$ 4,192 bilhões, e no caso do óleo deverá haver incremento de 29,8%, para US$ 2,15 bilhão. Nas três frentes, os valores previstos para 2008 são recordes históricos.
Para o ciclo 2008/09, as exportações de soja devem atingir 45% do total da produção agrícola nacional, de acordo com projeção da Abiove. Com isso, a soja superará o recorde estabelecido em 2006/07, quando os embarques representaram 43% da produção.
A evolução do esmagamento, em contrapartida, fica aquém do ritmo de avanço da produção. O esmagamento deve chegar em 2008 a 29,7 milhões de toneladas. Esse volume é menor que as 30,7 milhões de toneladas esmagadas em 2007 e representa um avanço de apenas 48% em comparação com 1996 – nesse mesmo período, a produção avançou 150%.
Dados da Abiove e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram a perda de competitividade do esmagamento nacional em relação a EUA, China e Argentina, os outros gigantes mundiais do mercado de soja. O descompasso entre o avanço da produção e do esmagamento está relacionado com a alta carga tributária das indústria, que desestimula o esmagamento no mercado interno, diz César Borges, vice-presidente da Caramuru.
Na Argentina, entre 1996 e 2008, esmagamento e produção subiram 288% e 278%, respectivamente. Na China, que ampliou sua produção em 6% nesse intervalo, o esmagamento avançou 413%.
Em Chicago, de acordo com cálculos do Valor Data, os contratos futuros de segunda posição de entrega do grão acumulam valorização de 92,7
Fonte: Valor Econômico


Alta dos preços de commodities eleva saldo comercial

Julho 7, 2008

O efeito positivo da inflação das commodities começou a aparecer na balança comercial e pode garantir um superávit um pouco mais robusto este ano. Graças ao embarque de produtos básicos – com destaque para o aumento de preços do minério de ferro – os economistas estão revisando as projeções para um saldo próximo de US$ 25 bilhões. É um resultado inferior aos US$ 40 bilhões de 2007, mas superior as estimativas anteriores de US$ 20 bilhões ou até menos.
“A alta dos preços das commodities veio como uma bomba em junho”, avaliou Júlio Sérgio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi). No mês passado em relação a junho de 2007, as exportações de produtos básicos aumentaram quase 81% – um ritmo mais acelerado do que a alta de 44% no semestre.
Para o economista, alguns fatores contribuíram para o impacto: o reajuste dos preços do minério de ferro, a entrada da safra agrícola e o fim da greve dos fiscais da Receita Federal, que distorceu os dados da balança comercial em março, abril e maio. “Alguns produtores postergaram os embarques de commodities, esperando preços ainda melhores”, avaliou Almeida.
Uma parcela significativa da maior exportação de produtos básicos é explicada pelo forte aumento dos preços, provocado pela inflação global das commodities. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam reajustes importantes para as commodities agrícolas e metálicas exportadas pelo Brasil em junho. Entre as 23 principais commodities, apenas o preço do suco de laranja caiu no mês passado.
A soja em grão exportada registrou alta de quase 60% no preço em junho em relação a junho de 2007, enquanto a quantidade avançou 10%. No primeiro semestre, houve alta de 57% no preço e de apenas 8% na quantidade. Na mesma comparação, o preço da carne de frango subiu 27% no mês e o volume aumentou 14%. De janeiro a junho, a alta foi de 29% nos preços do frango exportado e de 14% na quantidade.
Os preços dos laminados planos saltaram 57% no mês passado em relação a junho de 2007, e a quantidade despencou quase 60%. A cotação do petróleo exportado pelo Brasil explodiu 110% na mesma comparação, enquanto o volume avançou 67%. No primeiro semestre, houve ganho de 94% no preço do petróleo e apenas de 14% na quantidade.
“Em termos de preço, o crescimento é fantástico”, disse José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB). No entanto, ele acredita que a tendência não é sustentável, porque o mercado de commodities está sujeito a especulação. Para o especialista, “a inflação das commodities está puxando o saldo comercial para cima”. A AEB ainda prevê saldo de US$ 20 bilhões, mas vai revisar a projeção nas próximas semanas.
Para o departamento econômico do Bradesco, o destaque é o minério de ferro. Em junho, o impacto do reajuste de 70% que a Vale do Rio Doce conseguiu com os clientes impactou a balança comercial. O preço do minério de ferro exportado subiu 63% no mês passado. No semestre, a alta é de apenas 15%. A defasagem entre a negociação do minério, que ocorreu em abril, e o impacto na balança é resultado da finalização dos embarques do produto vendido pelo preço antigo. Por conta do minério e de outras commodities, o Bradesco revisou sua projeção de aumento do preço das exportações brasileiras de 16% para 26% este ano.
Graças à ajuda da inflação das commodities, as exportações brasileiras aceleraram o ritmo de crescimento. As vendas externas subiram 35% em junho em relação ao mesmo mês de 2007. O percentual é superior à alta de 25% das exportações no primeiro semestre e de 19% no acumulado de 12 meses até junho. A conseqüência é uma redução menos intensa do saldo comercial. De janeiro a junho, o Brasil apurou saldo de US$ 11,4 bilhões, 44% abaixo do primeiro semestre de 2006. No período de janeiro a abril, a queda do saldo chegou a atingir 64,5%.
“O aumento da receita das commodities impede uma queda mais significativa do saldo este ano”, disse Fábio Silveira, sócio da RC Consultores. Ele projeta superávit de US$ 52 bilhões para o agronegócio e US$ 28 bilhões para a balança comercial em 2008. Depois dos resultados de junho, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também revisou para cima suas projeções para o saldo da balança. Ao invés de US$ 17,6 bilhões, a entidade agora projeta saldo de US$ 24,7 bilhões. Para André Rebelo, gerente do departamento de economia, as commodities demonstraram um fôlego adicional no final do primeiro semestre. “É um movimento claro de commodities”, disse.
Fábio Faria, secretário-interino de Comércio Exterior, chama a atenção para o impacto das commodities também nas importações. As principais commodities importadas pelo Brasil – como petróleo, trigo e cobre – tiveram reajustes expressivos de preços. “Esse é um impacto que aparece tanto na exportação quanto na importação”, afirmou.
De acordo com Almeida, do Iedi, os preços dos manufaturados importados pelo Brasil também estão subindo muito, porque a inflação dos produtos agrícolas e minerais contaminou as cadeias de produção. “A inflação se generalizou pelos setores e pelos países. Por conta disso, também contribui para o aumento das importações brasileiras. O Brasil está importando inflação”, disse.
O impacto líquido da inflação das commodities na balança comercial ainda é positivo para o Brasil, porque os produtos básicos têm maior peso nas exportações. Essa diferença, no entanto, está cada vez mais estreita. Almeida explica que o saldo em 2008 será significativamente menor do que em 2007, porque o volume importado cresce muito, enquanto a quantidade exportada pelo país deve registrar estabilidade ou leve alta.
Ao analisar o conjunto da economia brasileira, os economistas afirmam que a atual inflação das commodities não é benéfica para o país. Apesar de aumentar as exportações e as reservas, o processo inflacionário mundial prejudica o equilíbrio interno dos preços. “Antes, o Brasil era apenas beneficiário. Hoje, mesmo um país líder na produção de commodities perde”, disse Almeida.
Fonte: Valor Econômico