Governo vai à China divulgar oportunidades de investimento no Brasil

Julho 4, 2008

O governo brasileiro realiza, a partir do próximo domingo (6/7), uma missão comercial à China – Macau, Hong Kong e Pequim –, para apresentar a empresários e investidores o seminário “Oportunidades de investimentos no Brasil”. Chefiada pelo secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, a missão tem o objetivo de atrair mais investimentos chineses para o país.

Nos seminários, serão apresentados projetos que superam os US$ 10 bilhões em investimentos e são principalmente voltados para as áreas de infra-estrutura, logística e geração de energia. A missão ao gigante asiático faz parte das estratégias previstas no documento “Agenda China: Ações Positivas para as Relações Econômico-Comerciais Sino-Brasileiras”, lançado no último dia 3 de julho, em Brasília. O texto sobre o lançamento pode ser lido no link www.desenvolvimento.gov.br/salaimprensa.

Mais do que uma simples exposição do cenário econômico brasileiro, o governo brasileiro pretende apresentar projetos concretos para empresas chinesas, conforme o perfil dos investidores, com apresentação das potencialidades econômicas regionais brasileiras, ainda bastante desconhecidas naquele país. Além de seminários, estão previstas visitas a empresas previamente selecionadas para a apresentação de instrumentos que o Brasil oferece para estabelecimento de projetos específicos.

As apresentações brasileiras serão feitas pelo coordenador-geral da Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai) do MDIC, Eduardo Celino – “Agronegócios”-; pelo presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira – “Panoramas da economia brasileira e oportunidades de investimentos”–; e pela secretária-executiva do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior – “Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) e banco de oportunidades estaduais”. Para falar de investimentos em biocombustíveis, o representante brasileiro será o diretor do departamento da Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Alexandre Strapasson. Também participam do evento os secretários do MDIC Welber Barral (Comércio Exterior) e Francelino Grando (Tecnologia Industrial).

Seleção dos setores

Os setores brasileiros potenciais para recebimento de investimentos chineses foram identificados por meio do cruzamento de informações sobre o perfil das multinacionais chinesas, o fluxo de comércio Brasil-China e o interesse brasileiro em agregar valor aos produtos atualmente exportados para aquele país, durante a elaboração da Agenda China.

A partir do documento, foi constatado um renovado interesse das empresas chinesas em investir na infra-estrutura logística para escoamento e transporte de commodities para os portos ou plantas metalúrgicas. Assim, serão divulgadas oportunidades para investimentos chineses na construção de rodovias, ramais ferroviários, minerodutos, terminais portuários e, até mesmo, hidrovias, no âmbito dos projetos priorizados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Para outros setores econômicos, são vislumbradas oportunidades de formação de joint ventures em projetos para os quais empresas brasileiras buscam parcerias que aportem capital, tecnologia ou acesso ao mercado chinês.

Verifica-se, ainda, a possibilidade de cooperação entre Brasil e China na produção de etanol, seja para a instalação de novas usinas ou na disseminação da produção desse combustível limpo. Também há interesse brasileiro em estender essa parceria para o biodiesel, principalmente em função da obrigatoriedade de mistura desse combustível ao diesel - a partir de julho de 2008, na proporção de 3%, chegando a 5% em 2013 -, gerando a necessidade de novos investimentos no Brasil.

Programação:

MACAU
Domingo (6/7) 
Visita às fábricas da Zona Fronteiriça de Macau.

Segunda-feira (7/7):
Das 9h às 13h - Seminário “Oportunidades de investimentos no Brasil”, no World Trade Center - Sala Lótus;
Das 15h às 16h – encontro dos representantes do governo brasileiro com o secretário para a Economia e Finanças do Governo da Região Administrativa e Especial de Macau, Francis Tam Pak Yuen;
Das 16h30 às 18h – visita ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Econômica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa

HONG KONG
Terça-feira (8/7)
09h – Reunião com representantes do Ministério da Indústria da Informação, no âmbito da Subcomissão da Indústria da Informação (Cosban), coordenada pelo Secretario de Tecnologia Industrial (STI) do MDIC, Francelino Grando;

PEQUIM
Terça-feira (8/7)
16h – Visita técnica do secretário de Tecnologia Industrial, Francelino Grando, ao Tsinghua Science Park a convite do Ministério da Indústria da Informação da China;

Quarta-feira (9/7)
Das 8h30 às 13h: Seminário “Oportunidades de investimentos no Brasil”, no China World Hotel
16h: Reunião com o China Development Bank

Quinta-feira (10/7)
10h – reunião com o Vice-Ministro Gao Hucheng
15h: Início das reuniões técnicas com Ministry of Commerce (Mofcom)

Sexta-feira (11.07)
08h30: Continuação das reuniões técnicas com Mofcom
10h: Reunião com a Vice-Ministra Ma Xiuhong
16h: Reunião de encerramento dos trabalhos com o Mofcom

Fonte: MDIC


Conferência no Rio discutirá desvio de recursos no Mercosul

Julho 4, 2008

O Escritório Europeu Anti-Fraude (conhecido como Olaf, sua sigla em francês), organizará uma conferência sobre corrupção, em novembro, no Rio de Janeiro, que vai discutir sobre o tema no Mercosul. De acordo com representantes da União Européia (UE), um assunto de interesse do escritório é tratar da possibilidade de cooperação para evitar desvio de recursos para projetos no Mercosul que contam com dinheiro europeu concedido a fundo perdido. Para o Brasil a UE disponibilizará € 61 milhões no período de 2007 a 2013 - praticamente metade vai para cooperação acadêmica e outras incluem, por exemplo, projetos ambientais. Bruxelas tem informações de que nem sempre os recursos chegam onde deveriam chegar. Representantes da Olaf já estão em contato com a Procuradoria Geral brasileira para tratar do evento.
E na próxima semana, representantes do Itamaraty estarão em Bruxelas para discutir pontos do plano de ação conjunta da UE e Brasil, que deverá ser assinado em dezembro, no Rio de Janeiro. A assinatura será no encontro de cúpula entre as duas partes, realizado porque o Brasil tem o status de parceiro estratégico do bloco europeu. O presidente da França e presidente do Conselho Europeu neste semestre, Nicolas Sarkozy, deverá estar no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Sila, no dia 22, acompanhado de comissários europeus, entre eles o de Comércio, Peter Mandelson.
O plano de ação deve ser feito para um período de três anos. Representantes dos dois lados evitam dar detalhes do que poderá estar no documento. Mas deve tratar de temas como energia, mudança climática, parceria para projetos em outros países -como luta contra a Aids na África -, e de maior consulta entre UE e Brasil sobre temas como conflitos entre governos da América do Sul e discussões em foros internacionais.
Fonte: Gazeta Mercantil


UE diz que espera mais do G20 na OMC

Julho 4, 2008

Bruxelas - Negociadores de cerca de 30 países se reunirão na semana de 21 de julho, em Genebra, para apresentarem propostas para abertura do setor de serviços no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). A reunião ocorre durante o encontro ministerial de países membros da instituição (por volta de 30 deles), convocado pelo diretor geral da OMC, Pascal Lamy, com o objetivo de se chegar a um acordo que finalize as negociações da Rodada Doha.
A rodada corre sob a pressão das eleições nos Estados Unidos em novembro, que podem paralisar as discussões multilaterais neste ano e no próximo. E, em 2009, haverá um outro obstáculo: a troca de comissários da União Européia (UE) - um deles, o de Comércio.
Peter Power, porta-voz do comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, disse ontem que o bloco espera por melhores ofertas de países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, na área de serviços e indústria. A primeira é a que está com as discussões mais atrasadas.
Do Brasil, os europeus querem abertura em alguns segmentos e compromisso sobre regras de investimento em segmentos nos quais empresas de fora já atuam com forca no País, caso do sistema financeiro. O problema é que embora já estejam no mercado brasileiro, não há compromisso internacional do País de manter as regras já existentes. Ou seja, o objetivo é evitar que as regras mudem noite para o dia. “Essa reunião (de serviços) é necessária para saber para onde vamos (na rodada).”
Agricultura não é mais um problema entre os europeus e o G20 - grupo de países em desenvolvimento liderados pelo Brasil e que pedem liberalização agrícola, diz Power. Nessa área, o problema agora são os EUA, repetem tanto funcionários da UE como agricultores do bloco, representados pela Copa-Cogeca.
Isso porque Washington ainda não apresentou oficialmente uma proposta de corte de subsídios que agrade seus interlocutores. No setor industrial, que avançou menos nas negociações que o de agricultura, porém mais que o de serviços, segundo o porta-voz, um dos pontos de descontentamento dos europeus com o Mercosul é que Bruxelas é contra todo um segmento ser colocado como produto sensível. Isso poderia dificultar, por exemplo, exportações européias de carros. O bloco sul-americano apóia a concentração da proteção.
A negociação sobre o setor agrícola é a que mais interessa ao Brasil na rodada e foi a que mais tomou tempo dos negociadores desde seu lançamento, em novembro de 2001. O motivo de tanto empenho foi a pressão dos países em desenvolvimento, porque nos 60 anos do sistema Gatt/OMC, esse foi o setor mais discriminalizado e só entrou na agenda de negociações na penúltima rodada, a Uruguai, que durou de 1986 a 1994. Mesmo assim, o resultado da Uruguai é reconhecido até por países desenvolvidos e pela OMC como aquém do obtido no setor industrial.
Porém, é ferrenha a pressão sobre Mandelson vinda de membros da UE protecionistas em agricultura. O presidente da Franca, Nicolas Sarkozy, tem publicamente dito que o comissário está oferecendo concessões demais na OMC, e estremeceu a relação entre a comissária e a França. Chegou a culpá-lo, em parte, pela recente não aprovação do Tratado de Lisboa da UE pelos irlandeses. O tratado deveria entrar em vigor em janeiro de 2009. Essa discussão dá uma dimensão da incerteza na Europa sobre a negociação (de Doha). A Europa, disse o porta-voz, quer terminar a negociação, mas seu raciocínio é o mesmo que faz o chanceler Celso Amorim: o acordo tem que ser equilibrado, mesmo considerando que as concessões serão maiores a países em desenvolvimento. “O comissário (Mandelson) precisa voltar de Genebra para Bruxelas com algo em troca (nas áreas industrial e de serviços).”
A UE oferece em agricultura corte médio de 54% em suas tarifas, que chegam a patamares exorbitantes de cerca de 170%, por exemplo, para certas carnes. Mas isso não significa muita abertura em áreas de interesse do Brasil para exportação. Carne bovina, por exemplo, estará protegida na lista de itens sensíveis dos europeus. A UE permitira a importação de apenas 4% de seu consumo interno sob uma tarifa reduzida de 23%. O resto entra com a tarifa astronômica. Também propõe redução de mais de 70% nos subsídios que distorcem o comércio.
Ocorre que, segundo críticos, o bloco quer colocar mais dinheiro na sua política rural de desenvolvimento, que também pode ser, na pratica, distorcida - Power diz que não é. Os países da OMC já decidiram que subsídios à exportação serão eliminados ate 2013, e isso inclui a UE.”Estamos em um das fases mais difíceis da longa, longa saga da Rodada Doha”, afirma Power. Tanto que é intensa a correria nos bastidores da negociação, com contatos freqüentes inclusive entre os negociadores de mais alta patente, como Mandelson, Amorim e a Representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab. O diretor geral da OMC, Pascal Lamy, convocou a reunião ministerial que começa no dia 21 de julho por achar que há mais de 50% de chance de um acordo
Fonte: Gazeta Mercantil