Brasil e Argentina fecham detalhes para desdolarizar intercâmbio comercial

  • Os governos da Argentina e do Brasil acertam nesta segunda-feira os os últimos detalhes para adotar suas próprias moedas para o intercâmbio comercial e abandonar o uso do dólares, anúncio que deve ser feito na 35ª Cúpula presidencial do Mercosul, nesta terça-feira.

    “Propiciamos a utilização de nossas próprias moedas e aspiramos poder estender isso a nível regional”, afirmou o chanceler argentino, Jorge Taiana.

    O acordo é considerado um marco para a moeda única, uma meta –até agora utópica– que tem sido mencionada no Mercosul (fundado em 1991) por mais de 10 anos.

    Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner (Argentina) já receberam os mecanismos propostos para que o fluxo comercial bilateral possa ser feito em pesos argentinos ou reais brasileiros, disseram fontes de ambos os governos.

    A iniciativa foi lançada em julho de 2005 e demorou quase três anos para que se projetassem os sistemas de compensação monetária que serão aplicados pelos bancos centrais dos dois países.

    “A arquitetura técnica está concluída. Só falta a aprovação política dos presidentes. Talvez por ocasião da Cúpula de Tucumán seja feito algum anúncio”, disse uma fonte do ministério brasileiro da Fazenda à agência France Presse, que pediu para não ser identificada.

    O governo brasileiro implementou na sexta-feira um sistema de pagamentos em moedas locais do Mercosul, e a Argentina disse ter tudo pronto para colocar em prática este instrumento.

    O Brasil acredita que os novos procedimentos comerciais com a Argentina poderão ser aplicadas em agosto ou setembro.

    A utilização da moeda nacional não será obrigatória, mas facultativa, de modo que as transações em dólares também serão mantidas, segundo a fonte brasileira. Em princípio, o sistema seria aplicável unicamente para comércios de bens.

    Argentina e o Brasil acreditam que será um “projeto piloto” que pode ser utilizado por outros membros da do Mercosul, que reúne ainda o Uruguai, Paraguai e a Venezuela, que está em processo de incorporação.

    “Tirando as diferenças, poderia ser um pequeno movimento rumo a uma unidade monetária, como a construída pela União Européia”, acrescentou a fonte.

    A Argentina e o Brasil concentram 80% do comércio do Mercosul. Em 2007, esse intercâmbio foi de cerca de US$ 25 bilhões e se espera que cresça para US$ 30 bilhões esse ano, segundo estimativas de ambos os governos.

    “A Argentina completou a adequação normativa para começar a transações comerciais entre Argentina e Brasil usando moeda local, ou seja, pesos e reais, sem ter de converter ao dólar”, disse Eduardo Sigal, secretário para a integração latino-americana da Chancelaria argentina, em Buenos Aires.

    “Se o Brasil avançou nessa questão, é provável que os presidentes Lula e Cristina Fernández anunciem isso em Tucumán”, acrescentou.

    Brasília e Buenos Aires concordam que as exportações podem ser feitas com maior simplicidade e se eliminarão custos financeiros que envolvem a conversão de dólares para pesos ou reais.

    Os ministérios da Fazenda dos dois países disseram ter levado em conta que os empregadores, especialmente pequenas e médias empresas, pagarão muito menos em corretagem de câmbio.

    O mecanismo adotado elimina a conversão da moeda local para o dólar, pelo importador, e do dólar para a moeda do país de exportação. Os economistas calculam que em ambos os países os custos das operações bancárias e financeiras serão reduzidos até em 2,5%.

  • Fonte: Folha Online


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