Agronegócio cresce 2,81% no primeiro trimestre e exportações superam US$ 27 bilhões

Junho 17, 2008

O agronegócio brasileiro acumulou um crescimento de 2,81% no primeiro trimestre deste ano contra 0,74% no mesmo período de 2007. Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB) da produção agropecuária, o crescimento chegou a 4,35% no trimestre, contra 1,49% registrado nos três primeiros meses do ano passado.

As exportações do agronegócio somaram US$ 27,2 bilhões, de janeiro a maio, o que corresponde a 37,8% das exportações totais do Brasil.
Os dados foram divulgados hoje (17) pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A justificativa da entidade para esse crescimento foram a safra recorde e o aumento dos preços agrícolas, que retomaram o ritmo de crescimento de antes da crise de renda das safras 2004/05 e 2005/06.

Por: Agência Brasil


PAC de transportes integrará portos do País

Junho 17, 2008

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, afirmou ontem(17) que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de transportes tem como um dos seus objetivos integrar os portos das regiões Sul e Sudeste do País aos existentes no Norte e Nordeste. Em palestra no seminário “Portos: em busca de soluções”, organizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), Nascimento ressaltou que, ao fazer essa interligação passando também pelos principais centros produtores agrícolas, os portos do Sul e Sudeste “que são hoje concentradores de cargas serão aliviados” e os portos do Nordeste “serão melhor aproveitados”.
“A desarticulação dos investimentos públicos em ferrovias nos últimos anos levou a essa excessiva concentração e que transformou os principais portos do Sul e Sudeste em ilhas, sem integração com os outros portos do País”, comentou o ministro.

De acordo com ele, as estratégias de investimentos do PAC dos transportes se basearam nos estudos do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT). O PNLT, disse o ministro, apontou seis portos brasileiros com alto potencial para escoamento de cargas que são: Santos (SP), Itaguaí (RJ), Rio Grande (RS), Suape (PE), Paranaguá (PR) e Itaqui (MA). Esses portos estão no centro dos projetos de ampliação, modernização e interligação com a rede ferroviária.

O ministro descreveu algumas obras e os seus andamentos, afirmando ainda que elas têm como foco o atendimento das regiões de fronteiras agrícolas. “A meta final é promover um equilíbrio da nossa malha e dar alternativas de transportes aos produtores para transporte da produção”, comentou. Segundo ele, o Plano de Logística de Transportes identificou que 58% da malha viária do País hoje são de rodovias, enquanto 25% são de ferrovias. A meta é que em 2025 o Brasil tenha pelo menos 33% da malha em rodovias e 30% em ferrovias.

Fonte: Conexão Marítima


Banco Mundial aponta Brasil como um país muito fechado às importações

Junho 17, 2008

O Brasil tem uma das economias mais protecionistas do mundo e, mesmo com uma pauta de exportações considerada um exemplar, sua integração no mercado externo é uma das menores registradas. A avaliação é do Banco Mundial, que publicou um relatório em que faz uma avaliação detalhada do perfil comercial de cada país.

No ranking que mede a abertura às importações, o Brasil ocupa apenas a posição de número 92, superado pela China, Paraguai, Chile, Uruguai, Rússia, Bolívia e Venezuela. Já a Argentina vem na posição de número 96. A liderança no ranking é de Hong Kong e Cingapura, que praticamente não aplicam tarifas de importação. A Suíça vem na terceira colocação, seguida por Turquia e Papua Nova Guiné. Os americanos estão apenas na 11ª colocação, enquanto a União Européia ocupa o 21º lugar no ranking.

Em termos de política comercial, o Banco Mundial destaca que “o regime tarifário brasileiro é mais protecionista que a média da América Latina ou dos países de renda média no mundo”. Segundo avaliação, a tarifa mais alta é de 35%, considerada baixa. Mas no que se refere à média da tarifa aplicada, a taxa chega a 12,2%, acima da média regional. Outro problema são as barreiras não-tarifárias, que afetam 46,1% das linhas tarifárias. Na América Latina, essas medidas afetam apenas 35% dos produtos.

Segundo o Banco Mundial, portanto, ao avaliar toda a política comercial brasileira, a constatação é de que setores ainda contam com a proteção criada pelo Estado. O Banco Mundial admite, porém, que o Brasil vem liberalizando seu setor de serviços, como telecomunicações, serviços financeiros e portos e aeroportos.

Por: Agência Estado


Dólar alcança menor valor desde janeiro de 1999

Junho 17, 2008

O dólar terminou as negociações desta terça-feira (17) com o menor valor deste 20 de janeiro de 1999, a reboque da desvalorização da moeda americana no mercado global.

A divisa fechou negociada a R$ 1,609, com queda de 1,05%. A queda acumulada em 2008 é de 9,4%. “Todas as moedas estão se valorizando frente ao dólar”, disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.

O motivo para a queda geral da moeda norte-americana é a expectativa menor de um aumento do juro nos Estados Unidos no curto prazo. Com o juro se mantendo em patamar baixo por mais tempo, diminui o interesse dos investidores em aplicar no país, o que desvaloriza a moeda local.

Em relação a uma cesta com as principais moedas, o dólar caía 0,21% no final da tarde. Divisas emergentes, como o rand sul-africano e a lira turca, subiam com mais força, da mesma forma que o real.

O ingresso de capitais no Brasil favoreceu a queda da moeda norte-americana. Segundo Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista, houve entradas principalmente para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que subiu à tarde mais de 2%.

Na metade da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares que teve pouca influência sobre a taxa de câmbio. Foram aceitas duas propostas, segundo um operador, com taxa de corte em R$ 1,6123.

Por: G1


Fiscalização: Organização Mundial das Alfândegas pede para EUA revogarem lei

Junho 17, 2008

A Organização Mundial das Alfândegas (WCO, na sigla em inglês) está solicitando aos Estados Unidos a revogação ou adiamento da entrada em vigor da lei segundo a qual todos os contêineres de exportação com destino ao país sejam vistoriados no porto de origem.

 

 De acordo com o secretário-geral da entidade, Michael Danet, as autoridades alfandegárias nos portos não terão novos equipamentos e pessoal necessário para atender à legislação norte-americana, prevista para entrar em vigor no dia 1º de julho de 2012.

A WCO, baseada em Bruxelas, na Bélgica, representa 173 autoridades alfandegárias ao redor do mundo.

“Nós estamos tentando apresentar argumentos para convencer o Congresso dos Estados Unidos a revogar ou suspender a lei”, afirmou Danet.

Se de fato entrar em vigor, a legislação deverá afetar a movimentação de 325 milhões de contêineres de 600 terminais ao redor do mundo, a cada ano.

De acordo com um estudo realizado pela WCO, a lei norte-americana poderia custar milhões ao causar sérios problemas logísticos para os portos e para o trade internacional.

“É improvável que os principais portos do mundo consigam vistoriar 100% dos contêineres até 2012″, afirmou o professor da Universidade de Le Havre, na França, Frederic Carluer, encarregado pelo estudo.

Fonte: Guia News

 


Brasil arma retaliação na OMC

Junho 17, 2008

O governo brasileiro começa os trabalhos técnicos para poder retaliar os Estados Unidos com a quebra de patentes diante da condenação dos subsídios americanos ao algodão. O Brasil pediu uma reunião extraordinária da Organização Mundial do Comércio (OMC), na próxima sexta-feira, para que a entidade aprove o relatório que condenou os programas de apoio ao algodão nos Estados Unidos. A partir desse momento, fica aberta a possibilidade para que o Brasil comunique à OMC sua intenção de aplicar retaliações.
Há duas semanas, o Brasil saiu vencedor da disputa mais polêmica já tratada pelos tribunais da entidade. A OMC confirmou que os subsídios americanos são “inconsistentes” com as práticas internacionais e pede que os programas de ajuda aos produtores sejam modificados para se adequar à lei.
Por lei, o Brasil teria a possibilidade de retaliar o governo americano. O Itamaraty até agora não tomou uma decisão política sobre qual caminho irá seguir, já que a sanção acarretaria em um desgaste político. Nos bastidores, entretanto, o governo começa um processo de consultas entre o Itamaraty e outros ministérios para adotar a retaliação em vários setores caso a decisão política seja tomada. A diplomacia confirmou que reuniões com outros setores do governo já foram iniciadas.
Uma das idéias seria a de, pela primeira vez, retaliar o governo americano suspendendo direitos de patentes. Outra forma seria sobretaxar produtos americanos no setor de serviços. A estimativa brasileira é de que o valor das retaliações poderia chegar a US$ 4 bilhões, o que é contestado pela Casa Branca.
Os americanos discordam, ainda, que a suspensão de direitos de patentes seja a forma mais adequada. Por isso, o Itamaraty terá de passar por um novo processo de arbitragem. O governo irá submeter em julho o valor pelo qual pretenderia retaliar. A OMC, então, julgará se o valor e a forma da retaliação são adequadas. No caso de retaliações contra produtos, o Brasil elevaria os impostos a bens determinados. O problema, nesse caso, é que as sanções atingiriam setores que não teriam qualquer relação com a disputa.

Fonte: Jornal do Comércio


Bush cobra concessões do Brasil para concluir Doha

Junho 17, 2008

País alega que países ricos insistem que abertura vá além das possibilidades de nações em desenvolvimento.

O presidente americano George W. Bush cobrou novas concessões por parte do Brasil, China e Índia para que a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) seja concluída e irritou os países emergentes.

Nesta segunda-feira, em Londres, Bush apelou para que os emergentes abram seus mercados para bens industriais e serviços. Enquanto isso, em Genebra, a diplomacia americana organizava um encontro para tentar chegar a um acordo nos próximos dias e as declarações do presidente apenas colocaram mais pressão sobre os países em desenvolvimento. Mas a diferença das posições ainda é substancial.

— Brasil, Índia e China precisam fazer mais concessões nos seus setores manufatureiros e de serviços para uma conclusão da Rodada Doha. O que me preocupa em Doha é que, enquanto estamos fazendo progressos no lado agrícola, nações como Brasil, Índia e China não estão correspondendo com a abertura de seus setores de manufaturas e serviços. Esse é o momento de completar a Rodada e para que isso ocorra, deve haver mais movimento nos setores manufatureiros e de serviços para que haja um acordo justo e equilibrado — disse o presidente americano.

O Brasil, assim como os demais países emergentes, refuta a acusação da Bush. A diplomacia brasileira alega que o problema não está na falta de concessões, mas em uma insistência por parte dos países ricos para que a abertura vá além das possibilidades dos países em desenvolvimento.

O Brasil insiste que o Mercosul precisa manter 16% de suas tarifas no setor industrial protegidas, o que significaria que a redução da proteção seria apenas metade do corte das demais taxas aduaneiras. Americanos, suíços e a União Européia alegam que tal flexibilidade seria exagerada e que a proteção não deveria passar de 10% dos produtos importados pelo país.
Fonte: Zero Hora


OMC – Interessa muito ao Brasil a conclusão da Rodada Doha

Junho 17, 2008

Chegou ao fim a semana considerada decisiva em Genebra para a Rodada Doha, a grande negociação para liberalização comercial entre os países membros da Organização Mundial do Comércio.

     E nada se decidiu. Os países se revezam em declarações sobre a importância de se concluir com êxito a rodada enquanto, nos bastidores, recomeça o que os diplomatas chamam de “blame game”: o jogo de acusações para apontar culpados por um eventual fracasso.

      Nesta semana, os negociadores voltam a se encontrar para buscar consenso em torno do que, em verdade, deveria ser apenas o primeiro passo importante da negociação, a definição de critérios – os “métodos e modalidades” – que irão orientar os cortes nas barreiras ao comércio e nos subsídios que distorcem os mercados agrícolas.

      Os governos interessados em concluir a rodada esforçam-se por um acordo até o fim de junho, para permitir uma reunião de ministros no mês seguinte, destinada a orientar os negociadores e garantir, ainda neste ano, o texto final com os percentuais e as condições da remoção de obstáculos ao comércio. Há pressa para um acordo antes da eleição presidencial nos EUA, após as quais o país terá de se afastar das mesas de negociação enquanto instala a nova equipe de governo. Sem acordo até julho, o fim da rodada será adiado por alguns anos, prevêem negociadores como o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

      Abertura de mercados e corte de subsídios são os principais, mas não os únicos temas da Rodada Doha; há desentendimento em relação a assuntos como as mudanças propostas no acordo sobre propriedade intelectual, conhecido como Trips – com as quais o Brasil, por exemplo, quer identificar o uso da biodiversidade e de conhecimentos tradicionais em produtos patenteados.

      Até hoje, bastaram para brecar as negociações as discordâncias sobre a liberalização dos mercados agrícola e industrial e o corte dos subsídios agrícolas. À medida que se aproxima o prazo informal para acordo sobre métodos e modalidades, países que pareciam ter aceito ampliar concessões voltam a ameaçar sair da mesa, ou cobrar maior contrapartida.

      Cristopher Falconer, coordenador das discussões do texto sobre agricultura, pediu, na semana passada, mais tempo para obter um rascunho aceitável. França e Irlanda pressionam os comissários da União Européia para rejeitar os pontos do rascunho de Falconer, que dizem ameaçar seus produtores rurais, enquanto a Índia critica o mesmo texto por querer mais proteção aos países pobres contra surtos ameaçadores de importação de alimentos.

      A Índia é parceira do Brasil no grupo de países em desenvolvimento conhecido como G-20, formado para ter posições comuns em agricultura. Na semana passada, aliou-se à Argentina para frear o que os argentinos vêem como excessiva disposição brasileira de atender aos países ricos com maior abertura de mercados para produtos industriais. Americanos e europeus rechaçaram as reivindicações brasileiras de tratamento diferenciado a blocos comerciais como o Mercosul para acomodar as necessidades argentinas de proteção às indústrias locais.

      Apesar dos embates, o secretário-geral da OMC, Pascal Lamy, não foi o único a professar a crença nas chances de acordo. “É factível, mas não estou certo se será feito”, disse, argumentando ser preciso que os principais atores olhem para o cenário mais amplo e deixem de lado demandas políticas domésticas.

      Grande produtor agrícola, dono de indústria diversificada e um número crescente de empresas com atuação internacional, o Brasil pode ser um dos maiores beneficiados com o fortalecimento da OMC e das regras globais de solução de conflitos no comércio. Mas o cenário aparece poluído pelo ressurgimento de medidas protecionistas e ameaças de mais barreiras ao comércio, criação de novos obstáculos técnicos e a volta de velhos instrumentos, como os impostos de exportação. O fracasso da Rodada Doha só acentuaria essa tendência.

      Com o empenho e flexibilidade mostrados na rodada, o Brasil sai dela, qualquer que seja o resultado, com estatura diplomática bem maior do que tinha ao entrar. Mas nenhum país vive só de status político – resultados concretos desses quase sete anos de discussão estão ainda desapontadoramente distantes.

Fonte: Valor Econômico


Interferência dos EUA no Brasil

Junho 17, 2008

Edson Luiz
Da equipe do Correio
Os Estados Unidos interferiram na política brasileira durante o governo de João Goulart. Documentos sigilosos disponíveis na Biblioteca Nacional, em Washington, mostram relatos de reuniões entre o então embaixador americano Lincoln Gordon com o presidente, em 1963. Um dos assuntos freqüentes era sobre Leonel Brizola, na época deputado federal pelo Rio de Janeiro, cujos assessores eram alvos das retaliações. Gordon pedia que Jango os demitissem, o que aconteceria pouco depois.

A revelação está no livro El Caudillo Leonel Brizola, que o jornalista Francisco das Chagas Leite Filho lança no dia 21, em Porto Alegre, e na Câmara dos Deputados, em 1º de julho. FC Leite, como é conhecido, pesquisou a vida do ex-governador por 12 anos, chegando até Washington e Nova York, onde se deparou com os documentos elaborados por Gordon. “Os Estados Unidos estavam com fixação de não tornar o Brasil uma Cuba. Havia uma espécie de paranóia”, conta FC Leite. Naquele período, segundo ele, os americanos enviaram vários espiões para o país e também trocaram o embaixador. Gordon mandava relatórios para o presidente John Kennedy, com quem almoçava a cada dois meses.

Encontros matinais
Gordon gostava de se encontrar com Jango sempre pela manhã, principalmente nos finais de semana e longe da imprensa. O presidente brasileiro estava em ascensão, segundo conta FC Leite, pelo fato de o parlamentarismo estar em queda, fortalecendo o presidencialismo. “Ele havia recentemente modificado o ministério, indicando alguns brizolistas para ministérios não-essenciais, já que não havia contemplado o governador nos ministérios anteriores”, aponta o livro. Nos relatos feitos a seu governo, Gordon mostra que Jango estava bem com os Estados Unidos, mas sempre havia um capítulo sobre Brizola.

“Fiz ver (ao presidente) que o próprio Goulart, Hermes Lima (primeiro ministro) e Dantas (o ministro da Fazenda San Tiago Dantas) tinham repetidamente assegurado que Goulart discorda fortemente dele (Brizola), mas que isso era difícil de assimilar, em face das recentes nomeações de correligionários de Brizola, como Cibilis Viana e João Caruso”, observa um despacho de Gordon para o então secretário de Estado Dean Rusk. “A maior parte dos que eram demitidos a pedido de Gordon eram assessores de segundo escalão”, diz FC Leite.

Assessor
O jornalista-escritor conheceu Brizola em 1979. O caudilho estava exilado em Portugal e FC Leite, que era correspondente do Correio em Londres, fora deslocado para cobrir uma reunião do ex-governador com o chamado grupo do gatilho, formado pelos integrantes da esquerda armada brasileira. A amizade durou 25 anos e resultou no livro com a biografia. “O Brizola não queria que fizesse a obra”, conta FC Leite. A intenção era acabar de escrever o livro antes da morte do ex-governador, há quatro anos.

FC Leite também conta sobre a relação de Brizola com Lula. O primeiro encontro dos dois aconteceu quando o ex-governador chegou do exílio em 1989 e foi visitar o atual presidente brasileiro no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Lula, segundo o livro, tratou seu interlocutor com rispidez, já que antes Brizola havia dado uma entrevista criticando posições do então sindicalista. Depois Lula foi preso e contou com apoio do caudilho. A amizade continuou por muitos anos, apesar de vários atritos entre ambos
Fonte: Correio Braziliense


País forma força-tarefa para triplicar vendas à China

Junho 17, 2008

Empresários e governo se uniram para reduzir o déficit comercial do Brasil com a China. Uma força-tarefa com 35 pessoas elaborou um plano estratégico chamado “Agenda China”, para elevar e diversificar as exportações para o gigante asiático. A meta geral é triplicar as vendas para a China até 2010, atingindo US$ 30 bilhões.

Participam do grupo funcionários dos ministérios do Desenvolvimento, Agricultura, Relações Exteriores e da Agência de Promoção de Exportações (Apex). Pelos empresários, estão representantes do Conselho Empresarial Brasil – China e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os técnicos cruzaram as pautas de exportação do Brasil e importação da China e identificaram 619 produtos que os brasileiros poderiam vender aos chineses. Esses itens correspondem a 67% das compras totais da China no exterior. O grupo dividiu os produtos em oportunidades de curto, médio e longo prazo. No curto prazo, foram encontrados 147 itens.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, estão incluídos no grupo de expansão rápida produtores dos setores têxtil e de máquinas e equipamentos, que reclamam da concorrência chinesa. “Mesmo no têxtil, há nichos de mercado, ligados à moda, em que o país é competitivo”.

Rodrigo Maciel, secretário-executivo do Conselho Brasil – China, explica que entre os critérios de escolha dos setores estão o dinamismo do mercado chinês, a competitividade do produto brasileiro, os preços médios praticados na China, a logística e os atuais fornecedores. “Temos que fortalecer a imagem do Brasil na China, que hoje praticamente não existe”, afirmou.

O estudo também mapeia as barreiras tarifárias e não-tarifárias contra as exportações brasileiras, para guiar o governo nas negociações com os chineses. Outro tema é a oportunidade de joint-venture para atrair investimentos chineses ao Brasil, que até agora não chegaram na velocidade que o governo e a iniciativa privada esperavam.

Entre 2000 e 2001, as exportações para a China saltaram 970%, de US$ 1,1 bilhão para US$ 10,7 bilhões. As importações cresceram mais rápido: 1.050%, de US$ 1,2 bilhão para US$ 12,6 bilhões no período. A China ultrapassou a Argentina e se tornou o segundo maior fornecedor do Brasil. Dessa maneira, o saldo do Brasil com a China, que chegou a US$ 2,4 bilhões em 2003, se transformou em déficit de US$ 1,9 bilhão em 2007.

Apesar de números tão desfavoráveis, empresários e governo dizem que é possível cumprir a meta. “Podemos triplicar as exportações, porque o Brasil é competitivo”, disse Barral. “A meta de exportação é factível”, concordou Maciel. Ele argumentou que as exportações do Brasil para a China crescem cerca de 25% ao ano apenas por conta da demanda forte por commodities.

Os resultados detalhados do documento, intitulado “Agenda China: ações positivas para as relações econômicas e comerciais sino-brasileiras”, serão apresentados em Brasília no dia 3 de julho. Na semana seguinte, acontecem seminários sobre o Brasil para importadores e investidores chineses em Pequim e em Macau. A força-tarefa vai funcionar até a Expo Xangai em 2010. Segundo Barral, a metodologia será utilizada para estudos com outros parceiros comerciais. O próximo será a Ucrânia.
Fonte: Valor Econômico