Trading é arma das pequenas para ganhar mercado externo

Junho 3, 2008

fonte: DCI

Para aumentar as exportações em países emergentes, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) criou o Projeto Tradings, iniciativa que visa mapear aproximadamente 1.500 tradings brasileiras que exercem atividades em cinco mercados considerados prioritários pelo governo brasileiro: China, Angola, Cingapura, Emirados Árabes Unidos e México. As tradings são instituições especializadas em exportação e importação, executando serviços de distribuição de produtos no exterior. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas Trading (Abece), Paulo Protasio, a decisão do governo foi acertada e abre um novo precedente. “Essa idéia é muito bem-vinda, pois retoma uma relação que nós já tínhamos perdido com o poder público”, comemora. O representante disse que as tradings têm como principais capacidades três pontos importantes: são instrumentos de estratégia comercial, ajudam na logística intermodal e são capazes de tomar ações complexas, como a compra e venda rápida em diversos países. “Está sendo muito bem vista essa iniciativa e, sobre tudo, inteligente.

As tradings são importantes em regiões com grande demanda e pouco acesso logístico”, acrescenta. O desempenho das exportações do País nesses mercados apresenta um quadro de pouca variação no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2007. Na China o comércio oscilou de US$ 1,9 bilhão no ano passado para US$ 2 bilhões em 2008; no México a quantia caiu de US$ 971 milhões para US$ 946 milhões; em Angola o fluxo aumentou de US$ 221 milhões para US$ 320 milhões; já para Cingapura diminuiu de US$ 447 milhões para US$ 292 milhões; e por fim, nos Emirados Árabes Unidos o comércio avançou de US$ 210 milhões para US$ 252 milhões. O gestor de projetos da Apex, Anderson Dib, informou que dentro de uma semana a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), responsável pelo mapeamento, já terá concluído a apuração. Após esse dado, serão feitas ações de divulgação dos produtos brasileiros, incluindo eventos, seminários e reuniões. Inclusive, a primeira ação já está programada para a primeira quinzena de outubro, em Angola. “Após o mapeamento vamos montar estratégias de atração de projetos para as tradings”, afirma.

Conforme estudo da Apex apresentado pelo interlocutor, no país africano existe espaço para crescimento das exportações brasileiras nos setores de construção, alimentos e bebidas, higiene pessoal, produtos de limpeza, máquinas e incrementos agrícolas. “As tradings chegam a mercados com pouca tradição de forma eficiente”, comenta. Dib ressalta que após essa primeira etapa, que deve durar cerca de seis meses, serão escolhidos mais mercados considerados interessantes. A meta é chegar a 15. O presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Roberto Segatto, considera a medida um avanço no processo de negociação. “Eu acho muito bom, porque a promoção que o governo faz é ineficiente. Já com as tradings o resultado pode ser melhor”, defende. No entanto, o especialista disse que o País precisa se atentar à necessidade do avanço estrutural da indústria para que seja competitivo em de manufaturados.

Mais mercados

Logo após esses cinco países, outros mercados deverão passar pelo mesmo processo. Na América do Sul serão Argentina, Colômbia, Cuba, Peru, Venezuela, Chile e Panamá na América Latina; na Europa serão Noruega, Polônia, Rússia e Turquia; na Ásia, Coréia do Sul e Vietnã; na América do Norte serão Canadá e EUA; já na África, o Egito e a África do Sul. Na visão do gerente geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Rodrigo Lima, essa parceira entre o governo e as empresas especializadas é muito positiva. “É salutar porque as tradings já conhecem os mercados de diferentes países e conseguem viabilizar novas negociações”, acredita. Além de reforçar o trabalho de levantamento de informações, a estratégia da Apex prevê a ampliação do número de missões no exterior. Em 2008 está prevista a realização de 600 eventos internacionais.


Ban Ki-Moon diz que produção mundial de alimentos precisa crescer 50% até 2030

Junho 3, 2008

Roma (Itália) – A produção mundial de alimentos precisa aumentar em 50% até o ano de 2030 para atender a demanda da população em crescimento. O apelo foi feito hoje (3) pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, no discurso de abertura da Conferência de Alto Nível sobre a Segurança Alimentar Mundial da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

“Antes dessa crise dos alimentos, mais de 850 milhões de pessoas no mundo passavam fome. O Banco Mundial estima que esse número ainda pode crescer mais 100 milhões”, alertou, acrescentando que a “crise nos permite uma oportunidade, uma chance, de revisar as políticas passadas”.

A conferência da FAO foi aberta hoje, e até quinta-feira (5) mais de 30 chefes de Estado discutem os biocombustíveis, as mudanças climáticas e a segurança alimentar.

Fonte: Agência Brasil


Brasil terá representantes agrícolas em grandes centros importadores

Junho 3, 2008

Brasília – A partir do próximo ano, o Brasil terá um instrumento que pode agilizar as relações de comércio com sete dos principais centros importadores de produtos agrícolas brasileiros. Medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada criou a função de adido agrícola, para atuar em missões diplomáticas no exterior.

China, África do Sul, Argentina, Estados Unidos, Japão, Rússia, e União Européia terão um adido agrícola brasileiro, responsável por levar informações mais qualificadas em negociações bilaterais, principalmente sobre temas sanitários e fitossanitários. No início do ano, a carne bovina brasileira foi embargada pela União Européia e, desde então, inúmeras missões, de vários continentes, têm vindo ao país para comprovar a segurança sanitária do rebanho brasileiro.

Além desses centros, um adido agrícola brasileiro também estará presente na Suíça, onde se encontra a sede da Organização Mundial do Comércio (OMC) e de outros organismos internacionais. O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio da Ministério da Agricultura, Célio Porto, disse à Agência Brasil que essa era uma reivindicação antiga, porque o país não tem representação especializada no exterior. Segundo ele, a idéia é ajudar a consolidar as relações comerciais que já existem e abrir, com mais agilidade, novos mercados para o agronegócio nacional.

“Sempre que o país tem algum problema, como o Brasil teve em 2005 com a [febre] aftosa, vários países fecham o mercado imediatamente, mas a abertura é um processo negocial muito demorado. Tem que ter muita persistência e presença. Quando é um país muito distante, como na Ásia, fica difícil ter uma presença mais permanente, e, tendo alguém especializado na área, que possa traduzir para a autoridade local os procedimentos, as medidas e tudo que o Brasil fez para resolver o problema, ajuda a acelerar o processo de reabertura”, destacou.

O especialista na área agrícola será selecionado em processo interno do Ministério da Agricultura e passará por curso de formação específica para cada uma das missões. Cada missão terá duração de dois anos, podendo ser prorrogada por igual período. A Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio realizará periodicamente avaliação do desempenho de cada adido agrícola.

Apesar de a medida provisória que cria a função de adido agrícola já estar em vigor, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que, devido ao processo de seleção e treinamento, esses representantes brasileiros devem começar a atuar somente a partir do próximo ano.

Fonte: Agência Brasil


Auditores da receita decidem manter suspensão da paralisação

Junho 3, 2008
  • Os auditores fiscais da Receita decidiram ontem manter a suspensão da greve por tempo indeterminado. Até o fechamento desta edição, haviam sido apurados os votos de 60 das 90 assembléias realizadas em todos os Estados. O Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) disse que as negociações com o governo não avançaram nos 21 dias desde o fim da paralisação. Por isso, ainda não foi decretado o fim definitivo da greve.
  • Fonte: Folha de S.Paulo


    Cabotagem vai crescer com isenção de Cofins

    Junho 3, 2008
  • Com o petróleo custando US$ 130 o barril, a isenção de Pis/Cofins para a navegação vai estimular e muito a cabotagem no País. A opinião é do diretor-presidente da Log-In Intermodal, Mauro Dias. De acordo com ele, a linha para Manaus, prevista para estrear em julho, será beneficiado pela isenção de 9,25% no preço do bunker. “Assim poderemos competir com o frete de caminhão e não perder dinheiro com os custos altos do combustível”, afirmou o executivo.
    A Log-In programou para este ano um consumo de 36 mil toneladas de bunker. “Ainda não fazemos hedeg para o combustível, mas estamos avaliando se o preço do petróleo continuar crescendo desse modo. Temos que ver o comportamento do mercado”, ressaltou Dias. As despesas com combustível passou de 9,5% no primeiro trimestre de 2007 para 14,5% no primeiro trimestre deste ano.Outra ação que poderá reduzir os custos com o frete de terceiros em até 10% é o contrato com a Repom, que gerencia fretes no modal rodoviário. Operação que a Log-In atua com caminhões próprios desde o início do ano.

    Construção dos navios

    Dias adiantou que os cinco navios que foram contratados ao estaleiro Eisa estão com o cronograma em dia. “Estamos indo bem, ainda temos 1,5 mil toneladas de aço para ser utilizado. Por enquanto não fizemos a segunda tomada de preços para a compra da matéria-prima. Isso deve ocorrer em julho”, disse Dias.

    O primeiro navio entrará em operação em 2010 e o último será entregue em 2013. Atualmente a empresa conta com cinco navios afretados da Frota Oceânica até 2013, com opção de compra ao fim do contrato.

    Segundo ele, até agora a Log-In gastou R$ 45 milhões na construção dos navios. O Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou, em setembro, prioridade à Log-In para o financiamento de 90% do valor da construção das embarcações. O investimento total é de cerca de R$ 700 milhões. “Estamos aguardando a liberação dos recursos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)”, ressaltou.

    O BNDES foi o agente financeiro que assinou contrato para o financiamento da construção dos no Estaleiro Ilha – EISA. O valor total do financiamento será de R$ 625,2 milhões, com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM).

    Pelo contrato, cerca de 72% dos recursos serão corrigidos através da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e os 28% restantes, serão corrigidos pela variação cambial do dólar. Ambos serão acrescidos de 3% ao ano e poderão sofrer redução de 0,5%, desde que seja atingido nível mínimo de nacionalização de 60%, conforme previsto no projeto de construção. O prazo desta operação é de até 276 meses.

  • Fonte: Gazeta Mercantil


    Negociações de produtos industriais são suspensas na Rodada de Doha

    Junho 3, 2008

    Decisão foi tomada devido ao pouco avanço na aproximação de posições dos países-membros da OMC.

    O negociador-chefe da área de produtos industriais da Rodada de Desenvolvimento de Doha, Don Stephenson, decidiu nesta segunda-feira suspender as discussões devido ao pouco avanço obtido na aproximação de posições dos 152 países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC).

    — Já é hora de os países-membros tomarem suas responsabilidades e trabalharem em prol de aproximar suas posições. Enquanto não tiverem chegado a esse ponto, parece-me inútil convocar reuniões de negociação sobre os produtos industriais — disse o embaixador canadense à imprensa após uma reunião plenária.

    Stephenson apresentou em 20 de maio a segunda revisão de uma minuta de texto de acordo, mas, após uma semana de discussão sobre o mesmo, as posições estão ainda mais afastadas que há duas semanas.

    — Durante a última semana de discussão, as coisas pioraram. Estamos ainda mais longe de poder apresentar um texto aos ministros — admitiu o negociador-chefe.

    — Algumas questões que estavam resolvidas ou a ponto de se resolver se reabriram, enquanto algumas posições extremas se mantiveram, ou então se radicalizaram — criticou o embaixador.

    Por tudo isso, Stephenson disse aos Estados-membros que não é preciso voltar a se reunir enquanto as posições não tiverem se aproximado e afinado significativamente.

    As negociações da Rodada de Doha, que buscam liberalizar o comércio mundial, começaram em 2001, tinham que ter terminado três anos depois, mas ainda continuam abertas e longe de um acordo global.
    Fonte: Zero Hora


    Secretário vê retomada de exportações em maio

    Junho 3, 2008

    Os números da balança comercial, em maio, revelaram expressiva retomada do crescimento das exportações. Considerando as médias diárias, as vendas externas elevaram-se 22,2% de janeiro a maio. Nesse período, as importações aumentaram 49,2%, mantendo o forte ritmo das compras estimuladas pela cotação do dólar e pelo vigor do crescimento da economia. Nos últimos 12 meses (junho de 2007 a maio de 2008), as exportações cresceram 17,3%, ante 41,1% das importações.

    O movimento dos embarques em maio fez com que as médias diárias dessem um salto. De janeiro a abril, elas foram 13,6% maiores que as do mesmo período em 2007. No caso das importações, o crescimento nos primeiros quatro meses do ano (43,6%) não foi muito menor que o do período janeiro-maio.

    Na avaliação do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, tem havido queda do saldo comercial devido ao aumento das importações, mas se espera a retomada do superávit porque as exportações vêm se recuperando e os preços das commodities subiram.

    De janeiro a maio, a balança comercial registrou exportações de US$ 72,05 bilhões, importações de US$ 63,99 bilhões e saldo de US$ 8,65 bilhões. O diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, prevê que, neste ano, o saldo será 45% menor que o do ano passado (US$ 40 bilhões). Sérgio Vale, economista da MB Associados, projeta queda ainda maior (47%) se forem mantidas as médias diárias de janeiro a maio.

    Analisando apenas os números de maio, Barral alerta que eles têm grande influência da greve dos auditores da Receita Federal. Alguns embarques realizados em abril foram registrados em maio. No mês passado, as exportações foram de US$ 19,3 bilhões, as importações chegaram a US$ 15,23 bilhões e o saldo foi de US$ 4,07 bilhões.

    Na comparação das médias diárias de maio, os crescimentos em relação a maio do ano passado foram de 55,6% (exportações), 71% (importações) e 16,4% (saldo). O secretário calcula em aproximadamente US$ 1,2 bilhão o “efeito greve”. Mesmo descontando esse valor das vendas, os números da exportação foram “muito bons” na sua opinião, o que marca maio com recordes para todos os resultados mensais para exportações e importações.

    Na análise dos nove produtos mais exportados de janeiro a maio, o governo informa que prevalece o aumento dos preços. Nos dois casos de queda das quantidades embarcadas – petróleo (28%) e farelo de soja (5%) – há expressivos saltos das cotações: 82% e 57%. Nos outros sete produtos, acumulam-se elevações de quantidades e preços: soja em grão (6%, 56%), carne de frango (15%, 29%), aviões (50%, 3%), óleos combustíveis (10%, 65%), minério de ferro (11%, 4%), celulose (21%, 23%) e semimanufaturados de ferro e aço (20%, 20%).

    Segundo o governo, as exportações de produtos básicos, no ano, têm crescimento de 35,4% nas médias diárias. Pelo mesmo critério, as vendas de semimanufaturados elevam-se 22,3% e as de manufaturados são 13,2% maiores que as médias do mesmo período em 2007. Barral ressalta que, de janeiro a maio, os embarques para a China aumentaram 51,9%.

    O crescimento das importações continua forte. Os bens de capital tiveram o maior aumento no período janeiro-maio: 47,6%, variação justificada por Barral pelo ritmo dos investimentos públicos em infra-estrutura e modernização do parque industrial. Seguem-se matérias-primas e bens intermediários (44,9%) e bens de consumo (40,5%). Entre os bens de consumo importados, os duráveis têm salto de 64,6% e as compras de automóveis são 117,2% maiores.
    Fonte: Valor Econômico


    Uruguai quer ampliar bases do acordo automotivo com o Brasil

    Junho 3, 2008

    Após fechar o novo acordo automotivo com a Argentina, o Brasil entra na reta final de negociação de um entendimento semelhante com o Uruguai. As discussões passam pela renovação do acordo atual, que expira em 30 de junho, por um período de cinco ou seis anos. Sobre a mesa, também está a manutenção das cotas de exportação de veículos hoje em vigor e a inclusão de um sistema “flex”, regime usado para administrar o comércio bilateral do setor, como existe com os os argentinos.

    O Uruguai também quer incluir no acordo uma cota de exportação de carros blindados para o Brasil. Negociadores dos dois países têm reunião prevista para a próxima segunda-feira. Apesar de não ter a relevância comercial do acordo com a Argentina, a negociação com o Uruguai é importante em termos de integração da cadeia produtiva no Mercosul, segundo fontes do governo brasileiro.

    Antonio Sérgio Martins Mello, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), disse que a entidade concorda com a renovação do acordo com o Uruguai por um período mais longo: “O importante é dar previsibilidade ao Mercosul e criar regras claras, o que é o melhor sinal para os investidores que querem se instalar na região”, disse Mello.

    Armando Meziat, secretário de desenvolvimento da produção do Ministério do Desenvolvimento (Mdic), disse que a negociação com o Uruguai busca chegar a um acordo que permita melhor equilibrar o comércio bilateral no setor automotivo. “Querermos dar condições para que o Uruguai possa exportar para cá (o Brasil)”, disse. Ele entende que a inclusão no acordo de mecanismos de compensação pode atrair investidores brasileiros interessados em investir no Uruguai.

    De janeiro a abril deste ano, o Brasil exportou US$ 116,3 milhões para o Uruguai, incluindo veículos (ônibus, automóveis e caminhões), autopeças, máquinas agrícolas e rodoviárias e outros itens do segmento – alta de 80% em relação a igual período de 2007. Só de automóveis foram 3.286 unidades no primeiro quadrimestre de 2008 por US$ 29,6 milhões – aumento de 48,5% na comparação com janeiro-abril de 2007. Em contrapartida, as importações brasileiras do Uruguai, na mesma comparação somaram US$ 5,5 milhões, com crescimento de 11,6% sobre 2007. Em automóveis, o Uruguai não vem exportando um veículo sequer para o Brasil.

    Na visão de empresários e de fontes do governo uruguaio, o acordo com o Brasil permitiria equilibrar um pouco a balança comercial bilateral do setor e incentivar investimentos de longo prazo no país, que viu desaparecer a sua incipiente indústria automotiva após a crise de 2002. Só com um acordo válido por cinco ou seis anos seria possível atrair investimentos privados, inclusive do Brasil e Argentina, dizem as fontes.

    Os uruguaios querem estabelecer no acordo o sistema flex, número que se aplica sobre o comércio automotivo para definir o limite das importações que podem ser feitas sem pagar imposto de importação. Hoje ele não existe no acordo com o Uruguai, mas no acordo renovado entre Brasil e Argentina, para cada dólar que o Brasil exportar para o vizinho poderá importar até US$ 2,5 sem imposto de importação. No caso argentino, o valor é de US$ 1,95.

    Pelo acordo vigente, o Uruguai tem uma cota de exportação para o Brasil de 20 mil unidades por ano livre da Tarifa Externa Comum (TEC), entre automóveis e comerciais leves. Esta cota é virtual já que só agora o Uruguai está vendo renascer a produção de carros por meio da joint-venture sino-argentina Chery-Socma, que produzirá o modelo Tiggo, um esportivo-utilitário, para a exportação. O Brasil, por sua vez, tem uma cota de exportação de 6,5 mil unidades por ano sem a TEC. O que exceder o volume tem preferência tarifária e paga 6% para entrar no Uruguai enquanto um automóvel produzido na Europa é taxado em 23%.

    A Chery-Socma utiliza as instalações da empresa Oferol, na grande Montevidéu, para produzir o veículo. Emprega 140 pessoas e tem capacidade para 25 mil carros por ano, segundo Oscar Ramos, responsável por assuntos institucionais da Chery-Socma. O primeiro embarque do Tiggo para a Argentina (45 unidades) será esta semana. O objetivo é também exportá-lo para o Brasil. A empresa também tem interesse em utilizar parte de sua capacidade para produzir carros blindados, por isso o Uruguai tenta incluir no acordo uma cota de exportação de 2 mil blindados por ano.

    Nos bastidores da indústria, os executivos consideram a negociação do acordo automotivo com o Uruguai muito difícil. Os interesses são bem diferentes do que ocorre nas relações com a Argentina, onde a indústria automobilística que atua é a mesma do Brasil – as poderosas montadoras dos Estados Unidos e Europa.

    Os dirigentes dessa indústria não vêem com tão bons olhos uma relação com o Uruguai nas mesmas regras do entendimento com os argentinos. Essas empresas não têm fábricas em território uruguaio, e por isso a idéia de um flex não têm apoio das montadoras que estão no Brasil e na Argentina.

    O pequeno mercado uruguaio nunca atraiu investimento industrial das montadoras que atuam no Mercosul há mais tempo. Até que, numa tentativa de “ajudar o vizinho mais pobre”, um acordo no Mercosul fixou para o Uruguai conteúdo de peças locais menor do que nos demais países do bloco. (Com Marli Olmos, de São Paulo)
    Fonte: Valor Econômico