fonte: DCI
Para aumentar as exportações em países emergentes, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) criou o Projeto Tradings, iniciativa que visa mapear aproximadamente 1.500 tradings brasileiras que exercem atividades em cinco mercados considerados prioritários pelo governo brasileiro: China, Angola, Cingapura, Emirados Árabes Unidos e México. As tradings são instituições especializadas em exportação e importação, executando serviços de distribuição de produtos no exterior. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas Trading (Abece), Paulo Protasio, a decisão do governo foi acertada e abre um novo precedente. “Essa idéia é muito bem-vinda, pois retoma uma relação que nós já tínhamos perdido com o poder público”, comemora. O representante disse que as tradings têm como principais capacidades três pontos importantes: são instrumentos de estratégia comercial, ajudam na logística intermodal e são capazes de tomar ações complexas, como a compra e venda rápida em diversos países. “Está sendo muito bem vista essa iniciativa e, sobre tudo, inteligente.
As tradings são importantes em regiões com grande demanda e pouco acesso logístico”, acrescenta. O desempenho das exportações do País nesses mercados apresenta um quadro de pouca variação no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2007. Na China o comércio oscilou de US$ 1,9 bilhão no ano passado para US$ 2 bilhões em 2008; no México a quantia caiu de US$ 971 milhões para US$ 946 milhões; em Angola o fluxo aumentou de US$ 221 milhões para US$ 320 milhões; já para Cingapura diminuiu de US$ 447 milhões para US$ 292 milhões; e por fim, nos Emirados Árabes Unidos o comércio avançou de US$ 210 milhões para US$ 252 milhões. O gestor de projetos da Apex, Anderson Dib, informou que dentro de uma semana a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), responsável pelo mapeamento, já terá concluído a apuração. Após esse dado, serão feitas ações de divulgação dos produtos brasileiros, incluindo eventos, seminários e reuniões. Inclusive, a primeira ação já está programada para a primeira quinzena de outubro, em Angola. “Após o mapeamento vamos montar estratégias de atração de projetos para as tradings”, afirma.
Conforme estudo da Apex apresentado pelo interlocutor, no país africano existe espaço para crescimento das exportações brasileiras nos setores de construção, alimentos e bebidas, higiene pessoal, produtos de limpeza, máquinas e incrementos agrícolas. “As tradings chegam a mercados com pouca tradição de forma eficiente”, comenta. Dib ressalta que após essa primeira etapa, que deve durar cerca de seis meses, serão escolhidos mais mercados considerados interessantes. A meta é chegar a 15. O presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Roberto Segatto, considera a medida um avanço no processo de negociação. “Eu acho muito bom, porque a promoção que o governo faz é ineficiente. Já com as tradings o resultado pode ser melhor”, defende. No entanto, o especialista disse que o País precisa se atentar à necessidade do avanço estrutural da indústria para que seja competitivo em de manufaturados.
Mais mercados
Logo após esses cinco países, outros mercados deverão passar pelo mesmo processo. Na América do Sul serão Argentina, Colômbia, Cuba, Peru, Venezuela, Chile e Panamá na América Latina; na Europa serão Noruega, Polônia, Rússia e Turquia; na Ásia, Coréia do Sul e Vietnã; na América do Norte serão Canadá e EUA; já na África, o Egito e a África do Sul. Na visão do gerente geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Rodrigo Lima, essa parceira entre o governo e as empresas especializadas é muito positiva. “É salutar porque as tradings já conhecem os mercados de diferentes países e conseguem viabilizar novas negociações”, acredita. Além de reforçar o trabalho de levantamento de informações, a estratégia da Apex prevê a ampliação do número de missões no exterior. Em 2008 está prevista a realização de 600 eventos internacionais.
Escrito por Guilherme Oliveira
Escrito por Guilherme Oliveira
Escrito por Guilherme Oliveira 