Brasil e El Salvador firmam acordos nas áreas de turismo e inovação tecnológica

Maio 30, 2008

Brasília - Os governos do Brasil e de El Salvador firmam hoje (29) memorandos para cooperação e desenvolvimento nas áreas de inovação e tecnologia e no setor turístico. Os documentos serão assinados às 15h30 (local), no segundo e ultimo dia da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a San Salvador, capital do país centro-americano.

Outros compromissos estão previstos na agenda presidencial. Logo de manhã (8h45), Lula participa da abertura do segundo encontro de empresários brasileiros e dos oito países que fazem parte do Sistema para Integração Centro-Americana, o Sica (Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá e República Dominicana). Em seguida (9h30), reúne-se com os oito chefes de Estado e de Governo do bloco regional para discutir questões como integração comercial e cooperação nas áreas de biocombustíveis, combate à fome, erradicação da pobreza, segurança e desporto.

Ainda hoje, depois de um almoço com Mauricio Funes, um dos líderes da Frente Farabundo Martí, Lula tem encontro reservado com o presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, com quem discutirá cooperação no setor energético e segurança alimentar no continente. Na seqüência, haverá assinatura dos memorandos de cooperação e entrevista coletiva.

Lula deixa a capital salvadorenha às 17h30, com destino ao Brasil. O desembarque será em Belém, no Pará, onde na sexta-feira (30) ele participa do 1º Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

A comitiva presidencial chegou ontem (28) à noite a El Salvador, procedente de Porto Príncipe, no Haiti. Acompanham Lula os ministros do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias; do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge; e das Secretarias de Promoção de Políticas de Igualdade Racial, Edson Santos; e de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire.

Fonte: Agência Brasil


Brasil pode limitar compra de terras por estrangeiros

Maio 30, 2008

 

A Advocacia-Geral da União (AGU) está elaborando um parecer para limitar a compra de terras brasileiras por estrangeiros.

Para o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, a questão das terras passa a assumir uma posição “cada vez mais importante” diante do aumento do preço dos alimentos e da demanda mundial para a produção – o que gera uma procura por áreas que possam ser aproveitadas para a agricultura.

“O Brasil é um dos países com maior potencial nessa área. É necessário e faz parte da defesa da soberania do país um regramento para a aquisição de terras. Quase todos os países do Ocidente estabelecem restrições para que os poderes comercial e econômico não se sobreponham à soberania do próprio Estado com aquisição de terras por estrangeiros.”

Ao participar de entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília, Toffoli lembrou que a AGU já havia emitido um parecer contrário a uma lei de 1971 – que restringia a possibilidade de aquisição de terras por estrangeiros mesmo por meio de empresas registradas e estabelecidas no Brasil.

Segundo ele, a situação à época não exigia uma lei para disciplinar o assunto. “Caminhamos para uma revisão desse parecer e para que se reconheça a validade da lei de 1971.”

A norma, de acordo com o ministro, previa limites de áreas conforme os módulos rurais estabelecidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O estrangeiro que quisesse comprar áreas maiores do que as definidas pelos módulos precisaria de autorização do Congresso Nacional. (ABr)


Pequenos produtores do Mercosul receberão incentivos para ampliar negócios

Maio 30, 2008

Pequenos produtores e empreendedores das regiões de fronteira entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai terão incentivos para abrir ou ampliar seus negócios. Projeto desenvolvido em parceria pelos países-membros do Mercosul vai permitir a implantação de centros de produção e comercialização que darão apoio a empreendimentos nos setores de Turismo, Agricultura Familiar e Artesanato.

Nesta quinta-feira (29), representantes dos quatro países estão reunidos em Buenos Aires, na Argentina, para definir os últimos detalhes do programa, que deve ser apresentado, no dia 13 de junho, pelos ministros de Desenvolvimento Social dos países envolvidos.

De acordo com o diretor da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, Crispim Moreira, serão investidos US$ 55 milhões e cerca de 10 mil famílias serão beneficiadas. Os recursos, explicou, sairão do Fundo do Mercosul para Projetos Sociais, formado por capital de todos os países do bloco.

Segundo Moreira, a idéia do projeto é transferir recursos para que as famílias comprem equipamentos, recebam capacitação e assessoria. Com isso, poderão aumentar a renda e a viabilidade de seus empreendimentos na faixa de fronteira.

“Nos nossos territórios há muita situação de pobreza, falta de trabalho ou baixa renda das famílias, assim como nos municípios dos nossos irmãos. Também há uma forte iniciativa de empreendimentos associativos. A idéia é fortalecer a economia solidária de tal forma que as famílias possam gerar seus próprios empreendimentos.”

Dos cinco centros, três serão implantados no Brasil: um em Foz do Iguaçu (PR) outro em Chuí (RS) e o terceiro em Uruguaiana (RS). (ABr)


Bernardo garante que governo não vai ceder aos auditores

Maio 29, 2008

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, garantiu nesta quinta-feira que “de maneira nenhuma” o governo vai atender à reivindicação dos auditores fiscais, que exigem reajuste salarial para R$ 19,6 mil a partir de 2009, sob pena de reiniciarem a greve que durou 54 dias no início deste ano. Segundo o ministro, caso os auditores voltem a cruzar os braços, o governo não só descontará os dias parados como poderá dar poderes aos analistas do setor para exercerem as funções dos grevistas, o que depende apenas de estudos do Ministério da Fazenda.

Paulo Bernardo disse que o governo já esgotou os limites da negociação e fez as concessões possíveis aos auditores na questão salarial e agora “não temos a menor condição de fazer o que eles querem”. Atualmente, o teto salarial da carreira de auditor fiscal é R$ 13.382,26, mas os servidores querem equiparação com os delegados e procuradores federais. O sindicato da categoria - Unafisco - marcou assembléia nacional para a próxima segunda-feira, quando será decidida a retomada ou não da greve.

Ele também alertou os auditores fiscais que se não houver um acordo imediato com o governo para aceitar um “pequeno reajuste” eles ficarão fora do projeto que será enviado ao Congresso para substituir a medida provisória que concede aumento a várias categorias de servidores públicos. Isso porque, a partir de 4 de julho, a Lei Eleitoral proíbe o governo de conceder aumento ao funcionalismo público até o início de 2009 devido às eleições municipais de outubro deste ano.

“Caso não aceitem o que propusemos, eles não receberão aumento nenhum e vamos economizar esse dinheiro”, advertiu o ministro do Planejamento.

Paulo Bernardo falou aos jornalistas após participar da sessão de encerramento do Congresso Consad de Gestão Pública, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. O evento começou no dia 26 e foi promovido em parceria pelo Ministério do Planejamento e o Consad (Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração). Na ocasião, foi divulgada a “Carta de Brasília”, com propostas para um pacto destinado a melhorar a gestão pública. Entre elas, a de submeter essa idéia à sociedade e articular uma frente parlamentar nesse sentido.

Assinado pelo ministro Paulo Bernardo e o presidente do Consad, Paulo César Medeiros, o documento declara que é fundamental investir na melhoria da gestão pública e dar visibilidade ao tema, de forma a incluí-lo nas agendas dos governos, mostrando sua importância para que o Estado tenha condições efetivas de propiciar as respostas que a sociedade demanda. E conclui: “O desafio de modernizar a gestão é de todos os três níveis de governo, de todos os poderes e também da sociedade, em particular dos seus setores organizados.”
Fonte: Terra


Abicalçados cria projeto para elevar exportações

Maio 29, 2008

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apresentou ontem o projeto Brazil Landed, que visa a ampliar as exportações de pequenos volumes de calçados brasileiros para os Estados Unidos. A iniciativa de criar este programa, segundo o diretor-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, é acompanhar a mudança no modelo exportador nacional para aquele mercado, cujos grandes distribuidores estão reduzindo o volume de compras mas há um expressivo contingente de lojistas de menor porte, que optam por produtos de maior valor agregado em lotes menores.
O Brazil Landed vai funcionar a partir da contratação de um agente brasileiro em solo norte-americano, que segue uma sistemática para viabilizar as operações, de modo que o valor para o comprador seja reduzido. Pelo sistema de vendas FOB (Free on Board), por exemplo, bastante utilizado pelos fabricantes brasileiros, os compradores norte-americanos dobram ou muitas vezes triplicam os valores para o varejo. Já pelo sistema Landed, o acréscimo no valor sobre o preço do par pode ficar entre 45% a 50%. Ao consolidar uma única entrega os diversos lotes vendidos pelas empresas, diversos custos seriam divididos e até mesmo reduzidos.
Conforme Nelson Germann, consultor da empresa Spectrum, que será o contato do Brazil Landed nos Estados Unidos, o objetivo é fornecer uma estrutura completa para os fabricantes brasileiros naquele país. Isso inclui contratação de linhas de crédito, aquisição e operação de software de gestão para controle da distribuição dos produtos - de acordo com os sistemas utilizados pelas lojas de departamentos americanas -, centro de distribuição, fornecimento de apoio administrativo e central de atendimento ao cliente (instalada em Novo Hamburgo), para facilitar a comunicação entre o fabricante e o lojista. Nos EUA, a estrutura física ficaria sediada em Nova Iorque e Miami. German estima que há um contingente de 3,5 mil lojistas norte-americanos com os quais o Brasil pode negociar através deste projeto.
Na avaliação de Klein, as pequenas cadeias independentes de varejo, alvo deste sistema, compram pequenas quantidades de cada modelo/cor de calçado (o que exige um processo de consolidação dos embarques de vários exportadores), não apreciam o trâmite aduaneiro (o que pode ser contornado pelo emprego do sistema “delivery-duty-paid”) e não aceitam operar com cartas de crédito ou pagamentos antecipados (o que demanda a intervenção de uma operadora de factoring).
Segundo ele, é imprescindível manter o cliente constantemente a par da evolução de sua ordem de compra nos diversos estágios da produção, do embarque e da distribuição local e, em razão da distância e, por vezes, da dificuldade de comunicação com o produtor, exige-se sistema de comunicação via telefone e internet.
O projeto também terá foco no investimento em marca própria por parte das empresas, estimulando assim a construção de uma imagem do calçado brasileiro nos mercados-alvo (posteriormente, o sistema será utilizado também na Europa). Para tanto, o grupo escolhido irá participar de feiras estratégicas, que serão definidas ainda neste semestre.
Fonte: Jornal do Comércio RS


LULA - Brasil se transformará em um grande exportador mundial

Maio 29, 2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil, nos próximos anos, se transformará em um grande exportador mundial.

     O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (27), em Contagem (MG), onde participou da cerimônia de entrega da primeira locomotiva de grande porte produzida no país, que “o Brasil, nos próximos anos, se transformará em um grande exportador mundial”.

      “Nós sabemos que, para ser um grande exportador, nós precisamos ter meios de transportes ágeis e baratos. Nós temos 95% do transporte brasileiro que vai para o exterior que vai de navio. Portanto, nós temos que fazer as nossas ferrovias chegarem até os principais portos brasileiros”, disse.

      No ano passado, o Brasil ficou em 23º lugar no ranking dos maiores exportadores mundiais, com US$ 161 bilhões, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 2007, o país foi responsável por apenas 1,2% do total das exportações mundiais.

      O presidente destacou ainda a importância dos investimentos em infra-estrutura no país. Segundo ele, é preciso “dar ao Brasil a oportunidade de escoar sua produção com a facilidade de um país que quer se transformar em uma grande nação precisa ter”.

      A locomotiva, produzida pela empresa GE Transportation, será utilizada para o transporte de minério. Segundo

      a Presidência, antes dessa locomotiva, apenas itens de pequeno e médio porte eram fabricadas no país.

      Indústria naval

      O presidente também destacou os investimentos feitos na indústria naval. “Ontem, nós assinamos o acordo para a construção de mais 42 navios construídos por estaleiros brasileiros. Até 2014, nós teremos que construir mais 200 navios no Brasil”, afirmou.

      Além dos navios, Lula disse que a Petrobras precisa contratar, com uma certa urgência, 26 sondas e mais plataformas. “Estamos trabalhando para atender a demanda da Petrobras e para garantir que essa demanda permita que a gente reconstrua a nossa indústria naval.”

      No discurso, ele citou o ex-presidente Juscelino Kubitschek e seu Plano de Metas, enfatizando que Kubitschek pensou o país com “uma indústria naval forte e uma rede de ferrovias e rodovias forte”. Para Lula, o Brasil que tem utilizar todo seu potencial de transporte.

      “Se nós conseguirmos um sistema perfeito intermodal de transporte, seria a solução para todos nós, aproveitando o potencial de hidrovias que temos, aproveitando a costa marítima que temos, aproveitando as rodovias que temos e as ferrovias que temos”, afirmou.

      África

      Em seu discurso, o presidente destacou ainda que o Brasil precisa buscar parcerias com os países africanos. “Se o Brasil não tomar cuidado de fazer as parceiras que precisa fazer na África, podem ficar certos que já tem gente fazendo.”

      Segundo Lula, “os chineses estão lá investindo em ferrovias, investindo em hidrovia, investindo sobretudo na busca de minérios. “O Brasil não pode ficar parado esperando ver as coisas acontecerem no continente africano sem a nossa participação”, ressaltou.

      Transporte terreste

      Para Lula, “um motorista de caminhão não pode transportar uma carga por 2 mil ou 3 mil quilômetros”. De acordo com o presidente, “carga tem que ser de caminhão apenas quando envolver, no máximo, 200 ou 300 quilômetros”.

      “Temos que construir e aprender a conviver com terminais que possam fazer com que os caminhões sejam apenas quase que entregadores em curtas distâncias e que os trens, as hidrovias e o transporte marítimo se encarreguem de fazer o restante do transporte neste país”.

Fonte: Agência o Globo


Logística: Seminário debate desafios do setor

Maio 29, 2008

Representantes da iniciativa privada e do governo se reúnem hoje no 55º Fórum de Debates do Projeto Brasil, em São Paulo, para debater o tema “Logística, a Regulação do Setor e a Integração entre as Agências”.

Dentre os convidados estão a ALL (América Latina Logística), a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o Idelt (Instituto para o Desenvolvimento de Logística e Transportes), a Transpetro e a Vale.

O diretor da Secretaria de Gestão de Programas de Transportes, Roberto Zaidan, o presidente do Porto de São Sebastião, Frederico Bussinger e o diretor da ANTT, Francisco de Oliveira Filho, são alguns dos convidados, além do diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Agenor Junqueira.

Uma questão que deverá ser debatida é a que envolve o planejamento das malhas rodoviária e ferroviária. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) prevê investimentos em infra-estrutura logística de, pelo menos, R$ 55,2 bilhões até o ano de 2010.

Entre os temas também estará presente a atuação das agências reguladoras, entidades responsáveis por intermediar as relações entre o setor privado e a sociedade.

O seminário ocorre hoje, das 8h30 às 13h40, no Hotel Paulista Plaza, na Alameda Santos, 85.

Fonte: Guia News


Fazenda pode facilitar importação

Maio 28, 2008

Ministro Guido Mantega admite reduzir tarifas de produtos cujos preços estejam subindo e garante inflação dentro da margem de tolerância da meta. Novas desonerações também não são descartadasRicardo Miranda
Da equipe do Correio

 

Rio de Janeiro — O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçou ontem que uma disparada dos preços é o grande temor da área econômica do governo e, mesmo afirmando que a inflação continua “comportada”, admitiu que pode reduzir taxas de importação ou desonerar mais produtos que sofrem pressões de alta. “Se houver produtos cujos preços estejam subindo, nós podemos reduzir tarifas de importação. Nós reduzimos a Cide (Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico) porque o combustível subiu. Uma maneira também é fazer desonerações como a do trigo, do diesel e da gasolina em outros setores”, ameaçou Mantega.

O ministro insistiu que “inflação não se combate com um único instrumento”, rechaçando a lógica de que será inevitável uma dose mais forte de juros. “Se o problema é de oferta de produtos agrícolas, nós aumentamos a oferta”, disse Mantega. Produtos da cesta básica, lembrou, já estão desonerados. Essas medidas seriam necessárias, explicou, para evitar que as commodities em alta no mercado internacional contaminassem outros produtos, gerando um ciclo vicioso.

Mantega, que participou ontem do segundo dia de debates no 20º fórum do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do BNDES, no Rio, diz que não existe possibilidade de a inflação fugir à “margem de tolerância” das metas do governo. E disse que, muito pouco pode ser feito além das medidas já tomada, pois trata-se de um “choque de commodities” internacional, especialmente alimentos, ferro, alumínio, petróleo e derivados.

Resposta à crise
Segundo ele, o Brasil tem respondido a essa “crise inflacionária internacional” melhor do que outros países e ainda pode se salvaguardar para o futuro por ter a maior área agricultável do mundo, com disponibilidade e potencial para expandir fortemente o cultivo de grãos e oleaginosas, de forma que a oferta possa atender simultaneamente a crescente demanda nas áreas de alimentos e biocombustíveis. Conforme dados da Embrapa e do IBGE, dos 350 milhões de hectares agricultáveis do país, apenas 59 milhões são utilizados para o cultivo de lavouras. “O Brasil pode expandir a produção de alimentos indefinidamente”, disse Mantega.

“Depois da crise financeira norte-americana, a economia brasileira está sendo novamente posta à prova com esse choque de commodities. Mas continuamos frustrando a velha tradição do país inflacionário, discursou o ministro, diante de uma platéia de empresários, investidores e economistas, e ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Segundo ele, a inflação dos alimentos, nos últimos 12 meses, foi de 12,5%, mas a “inflação interna do Brasil, estrutural”, não passa dos 3%. “O resto vem de fora, foge ao nosso controle”, explicou. Mantega avaliou que a disparada dos preços dos alimentos está chegando ao teto, mas ainda há o impacto do petróleo e derivados e outras commodities.

Bons indicadores
Em sua apresentação, Mantega mostrou os bons indicadores da economia, elogiou a “robusteza fiscal” do país e fez um discurso otimista, afirmando que “o Brasil tem jeito”, passou de coadjuvante a protagonista no mercado internacional” e tornou realidade o “mercado de massas”, redistribuindo renda e criando uma nova classe média. A chamada classe de renda C subiu desde 2002 de 32% para 49% do total, ou seja, quase metade da população consumidora.

O ministro disse ainda que o país vive uma “revolução do crédito”, com o volume de operações caminhando para alcançar 40% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Em abril, último dado disponível e divulgado ontem, o crédito estava em 36,1%, contra 22% em 2002. Hoje o país soma R$ 1 trilhão em crédito. Ao comentar o crescimento da produtividade do brasileiro acima mesmo dos salários, Mantega mandou um recado: “Ninguém pode mais dizer que aumento de salário é inflacionário”, disse. Ao quase levar um tombo durante uma entrevista, Mantega mostrou que o humor também está em alta. “Estão querendo me derrubar, hein”, brincou.

Medida terá pouco efeito
Ricardo Allan
Da equipe do Correio

Economistas ouvidos pelo Correio receberam a idéia de diminuir a tarifa de importação de alguns produtos para combater a inflação como um mero aceno do governo de que está de fato preocupado com a escalada de preços. Os especialistas, porém, não acreditam que a medida venha a ser de fato implantada, principalmente porque seria ineficaz para amenizar o atual surto inflacionário. Uma redução no imposto teria um efeito insignificante e demoraria muito para ser sentido no bolso dos consumidores.

“A inflação atual é mais complexa. O aumento de preços de matérias-primas, alimentos e commodities minerais é um fenômeno mundial. Diminuir a tarifa não resolveria nada”, afirma o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sergio Gomes de Almeida. A medida seria facilmente neutralizada pela alta das cotações desses produtos. Além disso, as tarifas já estão baixas, chegando a zero para os principais tipos de aço, por exemplo.

Na avaliação de Almeida, ex-secretário de Política Econômica, o governo precisaria elaborar um verdadeiro pacote antiinflacionário para atacar o problema, com uma maior coordenação entre as políticas monetária, fiscal e de crédito. Em outras palavras, não adianta aumentar a taxa básica de juros (Selic) se o governo não puser um freio nos seus gastos, aumentar a meta de superávit primário (economia para pagar a dívida pública) e fechar um pouco a torneira do crédito abundante. “Isoladamente, qualquer medida terá eficácia duvidosa.”

Também para o economista Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, o impacto de uma redução de tarifas seria “bastante discreto”. A maior parte dos produtos alimentícios mais básicos já está submetida a um Imposto de Importação (II) pequeno, da mesma forma que são desonerados dos tributos internos. Para Silveira, o governo tem mesmo que esperar que os preços no mercado internacional refluam, o que começou a ocorrer em alguns itens, como soja, açúcar e café.

“O mundo todo é refém dessa alta em decorrência do aumento da demanda por alimentos. O Brasil não é exceção”, diz. Silveira também receita como principal medida para combater a inflação cortes nos gastos públicos e aumento do superávit primário, o que ajudaria a conter a demanda interna. Uma medida pontual seria a desoneração de produtos alimentícios industrializados.

A economista Marcela Prada, da consultoria Tendências, acredita que a principal ação para combater a alta de preços deve ser mesmo a elevação dos juros pelo Banco Central.Num ambiente de economia aquecida, a inflação de commodities se transfere rapidamente para os preços ao consumidor. “O governo está identificando as pressões e atuando ponto a ponto, como fez com a gasolina e o trigo. Reduzir tarifas pode até ter um efeito pequeno em alguns preços, mas não adianta nada se as cotações continuarem subindo lá fora”, diz.

Fonte: Correio Braziliense


Meta de exportações para este ano pode ser revista para cima, afirma ministro

Maio 28, 2008

Rio de Janeiro - O ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, admitiu hoje (28) que a meta de US$ 180 bilhões para as exportações este ano poderá ser revista para cima. Ao destacar que o crescimento das exportações no acumulado de janeiro a maio já é de 20%, superando a meta de aumento para o ano, de 12%, Ramalho disse “que a possibilidade até existe”.

Segundo Ramalho, o ministério vai aguardar o fim do semestre para uma análise mais detalhada. Ele destacou, entretanto, que, em anos anteriores, “a meta, sempre que foi revista, foi revista para mais e que, neste ano, o crescimento está superior ao previsto na própria meta”. O crescimento das exportações brasileiras é superior ao do comércio mundial, que deverá alcançar em torno de 15% em 2008, conforme estimativas de organismos internacionais, acrescentou.

Ramalho lembrou que muitas análises feitas nos últimos dias, com manifestações de preocupação referentes a déficit em transações correntes no balanço de pagamentos, consideravam resultados da balança comercial de março e abril, que foram prejudicados pela paralisação dos fiscais da Receita. Federal. “Em maio, isso já não acontece. Em maio, já temos uma retomada das exportações, ou seja, da regularização dos embarques, dos registros, que mostra que as exportações brasileiras este ano estão crescendo 20%.”

A meta de US$ 180 bilhões significa aumento de 12% para as exportações. “O crescimento, até agora, incluindo o mês de maio, é de 20%. Portanto, o crescimento das exportações brasileiras neste ano está bastante superior à nossa própria meta oficial de 12%, que vai levar a US$ 180 bilhões.”

No acumulado janeiro a maio, as exportações somaram US$ 67,599 bilhões, com elevação de 20,2% sobre o mesmo período de 2007. As importações subiram 48,7%, alcançando US$ 60,059 bilhões. Já o saldo comercial caiu 52,3%, totalizando nos primeiros cinco meses do ano US$ 7,540 bilhões. “A redução do saldo existe, sim, em função do grande crescimento das importações. Ou seja, a importação este ano está crescendo bem mais, em torno de 40%.”

Para Ramalho, não há razão para preocupações. Ele disse que, como em anos anteriores, a importação brasileira continua concentrada na atividade industrial, o que significa que grande parte do crescimento deste ano está diretamente vinculada ao aumento da própria produção da indústria. “Seja através da importação de insumos, componentes ou matérias-primas, ou mesmo com uma parcela bastante grande de importações de máquinas e equipamentos”, explicou o ministro.

“As empresas estão comprando máquinas, modernizando seu parque industrial e tornando-se mais competitivas. E isso vai ajudar também no crescimento das exportações no futuro.”

O ministro disse que a qualidade das importações é muito boa e está vinculada à produção e ao aumento de investimentos na compra de máquinas e equipamentos. A importação de bens intermediários representou 49,7% do total da pauta entre janeiro e abril deste ano. Bens de capital tiveram participação de 21,2% e petróleo e combustíveis de 16,6%, contra apenas 13% de bens de consumo.

No caso das exportações, os principais setores identificados pelo ministério entre janeiro e abril deste ano foram materiais de transporte, com participação de 14,5% do total, produtos metalúrgicos (10,7%), petróleo e combustíveis (8,7%) e carnes (7,9%).

Ramalho atribuiu o crescimento das exportações ao processo amplo de diversificação de mercados e de produtos. Os Estados Unidos, principal parceiro comercial do Brasil, têm participação de 14,4% no total da pauta exportada, contra 25% da União Européia, 23,2% dos países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e 16,2% da Ásia, por exemplo.

Para ele, as novas medidas de apoio às exportações anunciadas pelo governo federal vão manter o ritmo de crescimento do setor “e até mesmo ampliá-lo”. O objetivo é chegar até 2010 com exportações em torno de US$ 210 bilhões, “com o Brasil ganhando algumas posições, dentre os maiores exportadores mundiais”, informou.

No acumulado de 12 meses, compreendido entre junho de 2007 e a quarta semana de maio deste ano, inclusive, o total de exportações brasileiras atingiu US$ 170,288 bilhões, com expansão de 16,4% sobre o período anterior. As importações subiram 40,3%, somando US$ 139,02 bilhões. A corrente de comércio alcançou o valor de US$ 309,307 bilhões, com incremento de 26,1%.

Fonte: Agência Brasil


País pode ficar entre 20 principais exportadores, se alcançar meta da nova política industrial

Maio 28, 2008

Brasília - O cumprimento da meta de elevar a participação do Brasil nas exportações mundiais de 1,1% para 1,25%, como prevê a Política de Desenvolvimento Produtivo, vai significar “ganhar algumas posições no ranking”, afirmou hoje (28) o ministro interino do Desenvolvimento, Ivan Ramalho.

Segundo ele, ao atingir a meta, o país passará da 24ª posição que ocupa atualmente para a 18ª ou 17ª, dependendo da evolução e do desempenho dos demais países. No acumulado dos últimos 12 meses, até a quarta semana de maio, as exportações brasileiras totalizaram US$ 170,2 bilhões, 16,4% a mais do que no período anterior.

Ramalho lembrou que 52,8% das exportações do país são produtos manufaturados. O restante pode ser considerado commodities agrícolas e minerais. Os Estados Unidos continuam como principal parceiro comercial do Brasil, com 14,% das exportações. “Mais de 80% das exportações estão distribuídos entre mais de uma centena de países”.

Ivan Ramalho participa dos debates do 20º Fórum Nacional, que o Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae) promove até a próxima sexta-feira (30), no auditório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio.

Fonte: Agência Brasil