Empresas brasileiras somam US$ 8 milhões em negócios na Feira de Dubai

Maio 26, 2008

Com o apoio da ABIHPEC e da Apex-Brasil, empresas brasileiras de cosméticos encerraram participação na mais importante feira de beleza do Oriente Médio, reafirmando sua 3ª posição no mercado mundial.

 

Dubai – O volume de negócios realizados pelas empresas brasileiras de cosméticos na Beautyworld Middle East, ocorrida de 18 a 20 de maio, em Dubai, nos Emirados Árabes, atingiu o valor de US$ 680 mil e a estimativa para os próximos 12 meses é de US$ 8 milhões, informou hoje (24) a ABIHPEC. Nesta edição da Feira, o Brasil recebeu cerca de 600 visitantes de todo o mundo para a prospecção de negócios.

Segundo João Carlos Basilio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), a feira teve um crescimento considerável em espaço neste ano, demandando um tempo maior de visitação. “O público não aumentou proporcionalmente em quantidade, mas a qualidade dos visitantes foi elogiada pelos expositores. Algumas empresas consideram a Beautyworld Middle East a feira mais importante do ano, levando em conta o potencial do mercado do Oriente Médio e as oportunidades para os produtos brasileiros na região”, afirma Basilio.

Com o apoio da Apex-Brasil, a entidade possibilitou a participação das 15 empresas nacionais no evento: Amazônia Natural, Betulla, Bonyplus, GUF Cosméticos, Kanechom, Lacqua di Fiori, Nazca, Neotrat, Never, Nunnat Cosmetics, Phytophilo, Quasar Esthétique, Skala, Sther Cosméticos e Vyvedas.

“Em 2007, o Brasil reafirmou sua terceira colocação entre os maiores mercados consumidores de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos do mundo, com uma aproximação cada vez maior do Japão, o segundo maior mercado. Com um faturamento de US$ 22,23 bilhões (preço ao consumidor), registramos um crescimento de 22,6% e já contabilizamos uma participação de 7,6% no market share mundial e 54% na América Latina”, completa Basilio, sobre a importância do Brasil no cenário internacional.

A principal novidade apresentada pela ABIHPEC nesta edição da Beautyworld Middle East foi o Brazilian Lifestyle Lounge, uma área especial que reuniu diferentes setores da economia brasileira que desenvolvem parcerias com a APEX-Brasil, como roupas, calçados, jóias, música, café, gastronomia e artesanato. A idéia foi levar à feira um pouco do conceito brasileiro de bem-estar, associado a projetos que agregam tecnologia e iniciativas socialmente e ambientalmente responsáveis. O espaço recebeu compradores, distribuidores, jornalistas e convidados, que puderam conhecer um pouco mais sobre os projetos de cada segmento, experimentando os produtos ou assistindo a vídeos institucionais.

Outro destaque ficou por conta da participação brasileira no programa Beauty Queen, uma ação promocional criada pela organização da feira, na qual duas modelos elegantemente vestidas circularam pelos pavilhões exibindo lançamentos de alguns expositores. Integraram o projeto as empresas Lacqua di Fiori, Never, Nunaat e Skala. As modelos usaram vestidos exclusivos da estilista baiana Márcia Ganem.

Segundo Alexandre Vasto, da Nunaat, esta edição da Beautyworld Middle East foi a que rendeu melhores resultados desde a primeira participação da empresa na feira. “Acredito que há espaço para os produtos brasileiros no Oriente Médio, embora a pressão em relação aos preços seja muito forte. A Nunaat já exporta para a Arábia Saudita, Kuait e Egito e neste ano recebemos visitantes de países como Índia, Paquistão, Jordânia, Líbia, Iêmen, Egito e Irã” afirma ele, que já confirmou sua participação na feira em 2009.

Para Flávio Perim, da Kanechom, o stand recebeu mais clientes atuais do que novos contatos: “A feira foi positiva para consolidar negócios, já que possuímos um distribuidor só para a região do Golfo, responsável pelas exportações para a Arábia Saudita, Síria, Irã, Jordânia, Iêmen, Egito, Iraque e Emirados Árabes. Pretendemos iniciar em breve as operações da Kanechom no Líbano”.

Marcos Stahl, da Betulla, que já participou da feira algumas vezes representando outras empresas, avalia que a visitação não foi tão expressiva como nos anos anteriores. Mesmo assim, conseguiu contatos de países como Irã, Turquia e Rússia, além de representantes de Dubai. A Betulla exporta para Portugal, Espanha, Paraguai, Bolívia, Angola e Cabo Verde e está em busca de um distribuidor local.

Roberta Mesquita, da Lacqua di Fiori, considera a Beautyworld Middle East a feira de negócios mais representativa do ano, já que a empresa exporta para o Oriente Médio há oito anos. “Temos um mercado relativamente consolidado e já somos procurados por redes de varejo interessadas em distribuir nossos produtos. Atualmente os perfumes da Lacqua são vendidos em países como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes e Omã”, completa Roberta. As informações são da ABIHPEC.

Fonte: Apex Brasil


Transações financeiras do país com exterior têm déficit de US$ 3,3 bilhões em abril

Maio 26, 2008

Brasília – O saldo das transações correntes do Brasil com o exterior ficou negativo em US$ 3,310 bilhões em abril, acumulando US$ 14,068 bilhões no ano. O valor já está acima da previsão do Banco Central para o ano que é de déficit de US$ 12 bilhões. Analistas de mercado projetam para o ano um total negativo de US$ 20 bilhões nas transações correntes.

Nos mesmos períodos do ano passado, os números foram positivos em US$1,806 bilhão e US$ 2,047 bilhões. Os dados são da nota do Setor Externo, divulgada hoje (26) pelo Banco Central.

A balança comercial ficou com saldo positivo de US$ 1,744 bilhão em abril e acumulou US$ 4,579 bilhões em quatro meses, contra US$ 4,178 bilhões de março do ano passado e US$ 12,898 bilhões até abril de 2007.

A conta de rendas e serviços (remessas de lucros, dividendos e juros aos exterior e gastos com viagens internacionais) fechou o mês com déficit de US$ 5,331 bilhões; as transferências unilaterais correntes ficaram positivas em US$ 8,674 bilhões.

O investimento estrangeiro direto no Brasil (aquele que se destina aos setores produtivos da economia) ficou em US$ 3,872 bilhões no mês, contra o resultado de US$ 3,471 bilhões do mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o investimento estrangeiro direto acumula US$ 12,671 bilhões. Para o ano, a previsão do Banco Central é de que entrem na economia brasileira US$ 32 bilhões.

A dívida externa brasileira estimada em abril chegou a US$ 200,2 bilhões, com redução de US$ 2,5 bilhões em relação à posição estimada para março.

Fonte: Agência Brasil


Quarta semana de maio tem corrente de comércio de US$ 7,041 bilhões

Maio 26, 2008

A corrente de comércio da quarta semana de maio (dias 19 a 25) voltou a ser destaque, chegando a US$ 7,041 bilhões (média diária de US$ 1,760 milhão), segundo números da Balança Comercial semanal, divulgada hoje pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O resultado é conseqüência da soma de exportações no valor de US$ 3,891 bilhões (média diária de US$ 972,8 milhões) e importações de US$ 3,150 bilhões (média diária de US$ 787,5 milhões). No período, o saldo foi superavitário em US$ 741 milhões, com média diária de US$ 185,3 milhões.

No acumulado do mês, com 15 dias úteis, o superávit chega a US$ 2,960 bilhões (média diária de US$ 197,3 milhões), com uma corrente de comércio no valor de US$ 26,740 bilhões – exportações totais de US$ 14,850 bilhões (média diária de US$ 990 milhões) e importações de US$ 11,890 bilhões (média diária de US$ 792,7 milhões).

De janeiro até a quarta semana de maio (97 dias úteis), o superávit foi de US$ 7,540 bilhões (média diária de US$ 77,7 milhões). Nesse período, o País exportou US$ 67,599 bilhões (média diária de US$ 696,9 milhões) e importou US$ 60,059 bilhões (média diária de US$ 619,2 milhões), resultando em uma corrente de comércio de US$ 127,657 bilhões e média diária de US$ 1,316 bilhão.

Às 15h, o MDIC disponibilizará o detalhamento da balança comercial da quarta semana de maio, no site www.desenvolvimento.gov.br

Fonte: MDIC


Novo empreendimento do setor naval é planejado para Rio Grande (RS)

Maio 26, 2008

A necessidade de ampliar a frota de navios de petróleo e gás no País, somada à disponibilidade de área e à posição privilegiada do porto de Rio Grande, faz com que haja interesse de novos investimentos do setor naval. 

Um grande grupo multinacional estaria disposto a construir um novo dique seco ou um estaleiro na cidade.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje, em Niterói, Rio de Janeiro, do lançamento do Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras – o maior plano de contratação de embarcações já realizado no País. Esse programa deve gerar disputas pela construção de embarcações.
 

É de olho nesse potencial que o grupo pretende se instalar em Rio Grande. O nome está sendo mantido em sigilo pelo Governo do Estado. Questionada sobre a possibilidade de um estaleiro vir para Rio Grande, no dia 17 deste mês, a governador Yeda Crusius foi enigmática. “Puxa, como vocês sabem?”, limitou-se a dizer. Mas as palavras seguintes de Yeda não esclareceram o que os jornalistas queriam saber durante entrevista coletiva na área onde a Aracruz Celulose vai construir um terminal marítimo, em São José do Norte.

O deputado federal Cláudio Diaz (PSDB), figura muito ligada ao Governo do Estado, explica que qualquer informação pública sobre negociações poderia atrapalhar a vinda de empresas para Rio Grande. Ele não nega que a posição geográfica do município tem despertado interesse de grupos da área naval. Garante, no entanto, que o Governo tem trabalhado para trazer ao Estado novos investimentos, mas sem muito alarde.

 

O diretor da Superintendência do Porto (SUPRG), Sinésio Cerqueira Neto, informa que há espaço no porto para a instalação de um novo dique seco. Segundo ele, só não poderia ser do mesmo tamanho do atual, mas utilizado para a construção e reparo de navios, como os que a Petrobras quer com o Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio. “Será ótimo que mais empreendimentos venham para cá”, resume o superintendente, que assegura nada saber sobre possíveis negociações.
Para o diretor, se Rio Grande tem uma capacidade limitada, em São José do Norte há áreas em abundância. “Há investimentos sendo realizados do outro lado do canal”, lembra.A infra-estrutura completa do dique seco de Rio Grande compreende uma área de aproximadamente 500 mil metros quadrados. Somente o dique (onde serão construídas e reparadas as plataformas) possui 350 por 130 metros de área e profundidade de 14 metros. No local, estão em construção oficinas para processamento de até 12 mil toneladas de aço por ano e dois cais de acabamento, sendo um de 150 e outro de 350 metros de comprimento.O grupo WTorre negocia com cinco empresas do setor, com capital de origens asiática, norueguesa, espanhola e brasileira, parcerias para o fornecimento de material para a construção e reparo de plataformas oceânicas. A intenção é também a administração de estruturas como o dique. 

Fonte: Diário Popular- RS

 

 


Exportador abre conta no exterior

Maio 26, 2008

As empresas brasileiras – agora até mesmo as de tamanho médio e pequeno – estão fazendo fila para abrir contas no exterior. Os bancos têm notado aumento de 30% no movimento depois de março, quando passou a ser permitido aos exportadores deixar o quanto quiserem de suas receitas com exportação fora do país. Para atender à nova e crescente demanda, as instituições financeiras estão se reestruturando e lançando novos produtos de gestão e investimentos.

Pela experiência atual com seus clientes, os bancos calculam que de 20% a 25% do total das receitas com exportação deverão ficar no mercado externo em um ambiente como o atual, no qual os juros para aplicações no mercado interno, em reais, são atrativos. Considerando-se os US$ 160 bilhões de exportações brasileiras em 2007, seriam de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões no mercado externo.

Na maior parte, ficam no exterior recursos para capital de giro destinados a pagamentos de importações, dívida, juros ou dividendos no exterior. O prazo de permanência dos recursos na conta fora do país tem sido de 30 a 90 dias. Os ganhos operacionais, administrativos, fiscais (IOF de 0,38% sobre o câmbio financeiro) e com o fim do pagamento do spread entre a compra e a venda do câmbio são os atrativos.

“A nossa conta no exterior foi aberta para facilitar o fluxo de pagamentos e reduzir custos nas transações internacionais como emissão de contratos de câmbio e despesas com banqueiros na emissão das ordens de pagamento”, conta Carlos Roberto Cintra, diretor financeiro da Democrata Calçados, que fatura R$ 140 milhões por ano, dos quais US$ 30 milhões com exportação. Ele diz que a conta, aberta em 2007 no Citigroup em Nova York, é usada para pagamentos de compromissos como importações, comissões de vendas, feiras no exterior e para investimentos no mercado financeiro.

Foi em agosto de 2006 que as empresas brasileiras passaram a poder deixar suas receitas com exportação fora do país. Mas, inicialmente o máximo permitido era 30%. Era necessário uma prestação de contas muito detalhada à Receita para provar que não haviam ficado fora mais do que os 30%. Inicialmente, as empresas maiores e com sistemas de gestão de caixa mais desenvolvidos foram as principais interessadas. Nomes como Votorantim, Scania, Samarco, Sadia, Embraer, Paranapanema e Braskem saíram na frente.

Fonte:Valor Econômico


Importação ameaça setores intensivos em tecnologia, aponta estudo do BNDES

Maio 26, 2008

Cibelle Bouças, de São Paulo

As indústrias de produtos eletrônicos, instrumentos médicos e de automação estão na mira do governo. Um estudo realizado pelo BNDES indica que essas são as áreas que mais sofrem a concorrência de importados e podem sucumbir a um processo de desindustrialização no longo prazo, caso não sejam realizados investimentos para a modernização e o aumento da capacidade instalada dos seus parques industriais.

Conforme o estudo, setores intensivos em engenharia e tecnologia, que incluem máquinas e equipamentos, complexo eletrônico e automação industrial, responderam por 60% do aumento das importações no período de 2004 a 2007, quando a participação de importados no consumo passou de 15,4% para 20,3%. Os setores intensivos em escala, onde se insere a indústria química, responderam por 28% do aumento do coeficiente de importação.

Entre 2004 e 2007, o complexo eletrônico, por exemplo, apresentou aumento anual de 26,4% nas importações e de 12% na produção, para atender a uma elevação no consumo de 16,9%. Na área de instrumentação médica e de automação industrial, as importações registraram incremento de 35,1% ao ano, muito superior ao aumento médio de 6% na produção. No período, o consumo aparente no país cresceu 21,2% por ano.

“O consumo de itens que têm dependência maior de importados cresceu. Não é um processo exclusivo do Brasil”, afirma Fernando Puga, assessor da presidência do BNDES. Ele observa que esses setores normalmente registram saltos de crescimento no períodos em que há aumento da renda das famílias e da oferta de crédito. “Não é que haja um processo de desindustrialização. A produção no país se mantém mais ou menos no mesmo patamar de dez anos atrás. Como o consumo cresce, a participação de importados aumenta.”

Para Puga, o coeficiente de importação deve apresentar mais elevações, mas em patamares inferiores aos verificados nos últimos dois anos. “Também houve aumento das importações de máquinas, que puxam o aumento da capacidade das indústrias e ajudam a reduzir a dependência de importados no longo prazo.”

O segmento de máquinas e equipamentos registrou no período de 2004 a 2007 elevação anual de 11,1% no consumo, com incremento de 8,8% ao ano na produção e de 19,8% nas importações. Fernando Sarti, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também considera positivo o aumento das importações com crescimento do nível de atividade, ainda que este último ocorra em escala menor. “Não é preciso internalizar todos os segmentos. Mas no setores que já têm parque industrial no país e que não têm capacidade de atender à demanda, nesses é importante estimular investimentos”, afirma. Sarti cita os setores de autopeças, químico e de produtos eletrônicos como os que necessitam investimentos para ganharem competitividade.

Júlio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), alerta para o risco de “esvaziamento da produção”. “A indústria de bens de capital está ficando oca, como a de eletrônicos. Os setores importam partes e peças para produzir máquinas e equipamentos. A produção cresce, mas o valor agregado, não. Esse movimento também ocorre em outros setores, mas agora não se sente porque o país passa por um crescimento vigoroso”, avalia Almeida.

Puga, do BNDES, pondera que investimentos em máquinas e equipamentos e na cadeia automotiva devem levar a um aumento da capacidade instalada e a uma menor dependência de importados no longo prazo. No setor químico, a preocupação recai principalmente sobre a área de fertilizantes, que tem grande peso nas importações. De acordo com o estudo do BNDES, as importações do setor cresceram 10,4% ao ano desde 2004, enquanto a produção nacional, 2,6%. “Os novos investimentos da Petrobras em gás natural permitirão o incremento da produção”, afirma Puga.
Fonte: Valor Econômico


Mercosul: BCs recomendam “prudência” contra a inflação

Maio 26, 2008

Os bancos centrais dos Estados-membros do Mercosul, da Bolívia, do Chile, do Peru e da Venezuela destacaram nesta quinta-feira a necessidade de se aprofundar as “políticas macroeconômicas prudentes” com relação à inflação, particularmente no setor alimentício.

Presidentes e governadores dos bancos centrais sul-americanos analisaram o assunto durante uma reunião de caráter reservado realizada hoje na cidade de Santa Cruz de la Sierra, no leste boliviano.

Foi o segundo dos três encontros que esses dirigentes realizam a cada ano para analisar a economia regional, informou o Banco Central da Bolívia.

Os executivos declararam que “a inflação é um fenômeno de preocupação mundial”, com especial incidência no setor alimentício.

Eles destacaram a importância dos bancos centrais na tarefa de enfrentar esses processos, junto com políticas fiscais e contas externas ajustadas.

“Em suma, é necessário perseverar e aprofundar os avanços alcançados na institucionalização de políticas macroeconômicas prudentes, monitorando cuidadosamente os desenvolvimentos da economia internacional”, acrescentou o boletim oficial do evento.

Segundo a publicação, o atual contexto mundial se caracteriza “pela turbulência financeira e a desaceleração das economias desenvolvidas”, mas até agora não teve impactos significativos na região, graças aos sólidos “fundamentos macroeconômicos” locais.

Os presidentes dos bancos centrais do Mercosul voltarão a se reunir em 14 e 15 de agosto em Buenos Aires, onde apresentarão estudos sobre o índice de condições monetárias e evolução das taxas de câmbio.
Fonte: Terra


EUA e UE atacam proteção para indústrias do Mercosul

Maio 26, 2008

Assis Moreira, de Genebra

O confronto entre o Brasil, Estados Unidos e União Européia (UE) na negociação de produtos industriais reforça a possibilidade de mais um fiasco na Rodada Doha nas próximas semanas. Os mediadores das negociações agrícola e industrial convocaram os 151 países para intensas negociações de hoje até domingo, na Organização Mundial do Comércio (OMC), com base nos textos de compromisso que divulgaram na semana passada. A idéia é pavimentar o terreno para os ministros se reunirem em junho e fazerem as barganhas finais entre os dois setores para fechar um acordo.

Mas negociadores dos EUA e da UE começaram a advertir que a inclusão de propostas de flexibilidade para o Mercosul proteger setores industriais, se aceitas, tornarão “muito mais difíceis” para Washington e Bruxelas apoiarem um acordo. O Brasil foi incisivo em sua resposta: “Sem esse dispositivo, é uma garantia de que não terá acordo”‘, retrucou o principal negociador comercial brasileiro, embaixador Roberto Azevedo. Grupos industriais dos EUA e da UE elevaram a voz contra o tamanho das flexibilidades para países em desenvolvimento, mas alvejando, sobretudo, o Mercosul.

O texto do mediador industrial, Don Stephenson, prevê que países em desenvolvimento que integram uniões aduaneiras possam excluir o comércio entre seus membros do cálculo do valor de importações que vai determinar o tamanho da flexibilidade (se o corte acertado for de 60%, certos setores terão redução tarifária de apenas 30%). Para Washington e Bruxelas, o cálculo para as uniões aduaneiras permitirá, no caso do Mercosul, que o Brasil e a Argentina reduzam substancialmente a abertura de seus mercados para produtos industriais.

A influente “neswletter” BNA, de Washington, publica uma estimativa que circula entre os americanos. Por exemplo, se o Brasil optar pelo coeficiente 19-21 (significa corte por volta de 60% nas tarifas) e excluir linhas tarifárias representando 17% das importações, a flexibilidade para o país aumentaria para até 20% de suas linhas tarifárias industriais. No caso da Argentina, a exclusão seria ainda maior, de 32% fora da liberalização.

Para o Brasil, porém, essas cifras são completamente falsas. Foram apresentadas numa videoconferência pelo embaixador americano junto à OMC, Peter Allgeier. Quando o Brasil reagiu, alguns assessores americanos teriam admitido que não estavam seguros de suas conclusões. O embaixador Azevedo diz que os cálculos que Washington defende levariam o Brasil a excluir menos da metade do que o texto industrial está propondo, ou seja, menos de 7% das linhas tarifárias.

Isso porque os países industrializados tentam forçar os do Mercosul a assumir compromisso como parte de uma união aduaneira, mas querem que calculem de forma isolada o valor de comércio para aplicar a proteção para suas indústrias. Significa que a margem de manobra para cada país, com setores diferentes para proteger, diminui bastante.

Se o Brasil designar papel de impressora como linha tarifária a proteger, mas a Argentina, Uruguai e Paraguai não escolherem esse produto e já tiverem esgotado sua margem de exceções, é o corte geral na Tarifa Externa Comum (TEC) que vai predominar – ou seja, o corte maior. “O que querem do Mercosul é completamente assimétrico, desproporcional e não aceitaremos essa discriminação”, avisou o representante brasileiro.

Para negociadores brasileiros, os EUA e a UE querem de fato é arrancar moeda de troca na área industrial, como acordos setoriais (acelerar a liberalização em determinados setores, como químicos ou equipamentos). Para o Brasil e a Argentina, porém, os ganhos na área agrícola, como redução de subsídios e de tarifas, já estão ocorrendo na atual crise alimentar. E não vêem por que, nesse cenário, pagar mais na área industrial.

Já na negociação agrícola, o Brasil quer pressionar para o texto de compromisso não perder a ambição liberalizante. Considera que, como está escrito, o documento abre exceção em cada parágrafo para atender aos mais diferentes interesses protecionistas. Na semana passada, depois de ter divulgado seu texto de compromisso, o mediador industrial foi indagado se estava confiante, otimista ou esperançoso sobre a Rodada Doha. “Estou desesperado”, respondeu. Nesta semana, ele poderá ter mais razões para esse estado de espírito.
Fonte: Valor Ecônomico


Unasul deve agilizar integração dos países andinos ao Mercosul

Maio 26, 2008

Tratado assinado por 12 países da América do Sul confere personalidade jurídica internacional para o subcontinente.

     Em entrevista coletiva, Lula disse estar de “alma lavada” com a criação da Unasul; presidentes discutem a crise entre Equador e Colômbia

      A Unasul (União das Nações Sul-americanas) foi instituída formalmente ontem, em Brasília, com a assinatura do Tratado Constitutivo. O documento, assinado por 11 presidentes e um vice-presidente, confere personalidade jurídica internacional ao subcontinente.

      Trocando em miúdos, a América do Sul ganha status de organização internacional, reconhecida na ONU (Organização das Nações Unidas) e capaz de negociar com outros países, blocos de países e instâncias multilaterais. Exemplo desse tipo de autoridade supraestatal é a União Européia. Em tese, a Unasul deverá auxiliar na convergência dos outros blocos já existentes no continente, o Mercosul e a Comunidade Andina, mas com estrutura independente e orçamento próprio.

      Só que, enquanto o bloco europeu levou 50 anos para se constituir, o sul-americano queimou etapas e o fez em apenas quatro. O texto do tratado foi negociado por 16 meses entre representantes de todos os 12 governos sul-americanos.

      O desafio é tirar do papel tantas boas intenções. Além de estabelecer as regras de funcionamento burocrático da Unasul, o tratado define metas para a integração em diferentes áreas: cooperação econômica e comercial; cadeias de produção; pesquisa e inovação; promoção da diversidade cultural; intercâmbio de informação e de experiências em matéria de defesa; e segurança pública.

      Em discurso, Lula disse que “o tratado não é um fim em si mesmo”. Segundo ele, é preciso avançar em projetos inovadores. “Queremos avançar rapidamente em áreas prioritárias, como integração financeira e energética, ferroviária e rodoviária, além da defesa”, disse.

      Atraso

      Como anfitrião, Lula foi o primeiro a discursar, seguido pelo presidente boliviano, Evo Morales, e pela chilena Michelle Bachelet. Eles ressaltaram o ineditismo de estarem ali um indígena, um sindicalista e uma mulher, todos presidentes.

      A cúpula foi realizada no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. “Não poderia ser mais propício um lugar batizado com o nome do pai da nossa Constituição democrática”, disse Lula. O evento começou com atraso de duas horas, por causa da demora no café da manhã entre Lula e os presidentes Rafael Correa (Equador) e Hugo Chávez (Venezuela). Com o atraso, o presidente peruano, Alán García, abandonou o local logo após assinar o tratado.

      A única ausência entre os presidentes foi a do uruguaio Tabaré Vázquez, que enviou o vice Rodolfo Nin Novoa. Segundo a Folha apurou, Vázquez avisou que não iria com três semanas de antecedência, em parte por duvidar dos resultados concretos da reunião.

      Após abertura da cúpula, os presidentes se reuniram a portas fechadas para discutir a crise entre Equador e Colômbia. Em entrevista coletiva, Lula disse estar de “alma lavada” com a criação da Unasul e a comparou à União Européia.

Fonte: Folha de São Paulo