Unasul vai tratar de temas globais como a alta dos alimentos, diz Bachelet

Maio 24, 2008

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (23) estar de “alma lavada” ao encerrar a entrevista coletiva em que falou sobre a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) ao lado dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Chile, Michelle Bachelet.

“Estou de alma lavada. Parecia impossível há quatro anos nós três estarmos sentados numa mesma mesa comunicando que finalmente demos um passo importante em benefício dessa grande nação sul-americana”, afirmou.

Lula lembrou que o tratado de constituição da organização, assinado hoje pelos presidentes, não obriga nenhum país a abrir mão de seu estado nacional, de decisões específicas e de acordos bilaterais. “Não é isso que queremos, queremos constituir políticas de consenso que permitam conjuntamente fazermos aquilo que sozinhos não temos forças para fazer”.

A presidência pró-tempore da Unasul foi entregue por Evo Morales a Michelle Bachelet, que permanecerá à frente do recém-criado grupo pelo período de um ano. Ela destacou que um dos objetivos do grupo é fazer com que a voz dos países da região seja ouvida e levada em consideração na tomada de decisões. “A América do Sul pode ser um ator global”.

Bachelet afirmou que o grupo não irá tratar apenas de questões regionais, mas também de temas globais, como as crises alimentar e energética. Ela citou o tema energético como um dos que assumiram prioridade e falou sobre a crise de alimentos, afirmando que será um grande retrocesso se os países sul-americanos não enfrentarem unidos o tema da segurança alimentar e dos altos preços dos alimentos.

“Nas conversações entre os presidentes, surgiram diversas idéias de como aumentar a produção. Somos uma região que não tem escassez de alimentos, podemos ter escassez de alguns produtos em alguns países, mas não no conjunto”, disse.

O boliviano Evo Morales confirmou a importância da complementaridade entre os países para resolver o problema da alimentação e da energia. “Nossa região é potencial no tema na energia renovável e não-renovável”, considerou.

Otimista, o presidente brasileiro disse que mesmo sem o dinheiro de blocos econômicos como a União Européia, a Unasul dará certo em “menos tempo do que qualquer outro processo de integração”.

No início da coletiva, Bachelet chamou a atenção para a diversidade da mesa, formada por um ex-líder sindical (Lula), um ex-líder indígena (Morales) e uma mulher. Disse também que desde o começo, o presidente Lula é um “pai” da Unasul por ser um ardente defensor da integração sul-americana.

Fonte: Agência Brasil


Lula afirma que Unasul vai influenciar relações políticas internacionais

Maio 24, 2008

Brasília – Ao convidar os presidentes dos países sul-americanos a assinarem o Tratado Constitutivo que dá personalidade jurídica à União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que essa junção irá influenciar as relações políticas internacionais.

“Uma América do Sul unida mexerá com o tabuleiro do poder no mundo, não em benefício de um ou de outro, mas em benefício de todos.”

 

Segundo Lula, a Unasul deve agora avançar em projetos inovadores em áreas prioritárias como, por exemplo, integração financeira e energética, melhoria da infra-estrutura regional e das conexões rodoviárias e ferroviárias. O presidente citou também a cooperação nas áreas sociais e educacionais.

Aos chefes de estado, Lula disse que a América do Sul tornou-se interlocutora cada vez mais indispensável diante da necessidade de compartilhar suprimentos energéticos e preservar o meio ambiente. Sobre a crise mundial de alimentos, o presidente brasileiro afirmou que a escassez de alimentos ameaça a paz social.

Lula defendeu o processo democrático na América do Sul e comentou a forma democrática como os governantes foram eleitos. “A instabilidade que alguns vêem em nosso continente é sinal de vida política, não há democracia sem povo nas ruas, sem confronto de idéias e propostas.”

A criação do Conselho Sul Americano de Defesa, que deve ser discutida hoje pelos presidentes e encontra resistência da Colômbia, foi lembrada por Lula. Segundo ele, é preciso articular uma visão de defesa na região fundada em valores e princípios comuns, como respeito à soberania e a integridade territorial dos estados. Lula convidou os países a realizarem uma reunião no Brasil no segundo semestre para discutir os objetivos e o funcionamento do conselho.

Lula também convidou todos países latino-americanos e do Caribe para fazerem parte da união. “A Unasul nasce assim, aberta para toda a região”, resumiu.

Fonte: Agência Brasil


Crise entre Equador e Colômbia está em momento crítico, diz Correa

Maio 24, 2008

Brasília – O presidente do Equador, Rafael Correa, disse hoje (23) que a crise do país com a Colômbia está em um momento crítico e que não há perspectivas de retomada das relações diplomáticas entre os dois países, rompidas desde março, quando o Exército colombiano atacou acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em território equatoriano.

“É uma situação muito deplorável, estamos em um ponto morto. É uma situação crítica eu diria”, afirmou em coletiva à imprensa após reunião extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Correa disse que há interesse na reaproximação diplomáticas com o país vizinho, mas acusou o governo colombiano de fazer uma campanha midiática contra o Equador. Segundo ele, as relações só serão retomadas quando forem suspensas as acusações do país vizinho.

“Todos queremos que se estabeleçam as relações diplomáticas bilaterais o mais rápido possível, mas com justiça, com dignidade, com comportamentos que nos permitam conviver, civilizadamente, dentro do direito”, afirmou.  “Enquanto continuarem os ataques do governo colombiano, enquanto esta campanha midiática prossegue e a calúnia de que ordenei minhas forças armadas a não perseguir as Farc, que o Equador abriga terroristas, será muito difícil normalizar essa relações”, ressaltou.

Correa não quis comentar as investigações da Interpol, que confirmaram a autenticidade de arquivos encontrados no computador do líder das Farc Raul Reyes, morto durante o ataque colombiano, que vinculavam Equador e Venezuela à Farc. Apenas ironizou: “Sugiro que investiguem a narcopolítica e a parapolítica que lamentavelmente ocorre na Colômbia”.

Fonte: Agência Brasil


Presidentes sul-americanos se encontram em Brasília para oficializar a Unasul

Maio 24, 2008

Brasília – Chefes de Estado sul-americanos se encontram ontem (23), em Brasília, para uma reunião de cúpula extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul). Está prevista a presença de todos os presidentes, com exceção do uruguaio Tabaré Vazquez, que enviará um representante.

A reunião ordinária estava marcada para Cartagena, na Colômbia, mas não ocorreu por causa da crise diplomática entre Colômbia, Equador e Venezuela, decorrente da invasão do território equatoriano por militares colombianos para atacar um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A Colômbia, que a princípio deveria assumir a Presidência pró-tempore do bloco, não o fará. O posto será ocupado pelo Chile, cuja presidente, Michelle Bachelet, vai discursar na cerimônia de abertura, assim como o boliviano Evo Morales, que lhe passará a Presidência, e o anfitrião Luiz Inácio Lula da Silva.

O início da cerimônia está previsto para 10h15, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. Às 13h, haverá um almoço para os chefes de Estado e suas delegações no Ministério das Relações Exteriores, mesmo local da entrevista coletiva, marcada para as 15h30.

A reunião servirá para os presidentes assinarem o tratado de constituição da organização, que existe apenas informalmente. Os países sul-americanos decidiram adotar o nome Unasul em 2007, durante a primeira Reunião Energética Sul-Americana, depois que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez um duro discurso contra a falta de ação para impulsionar a integração e contra o nome da organização Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), que dará lugar à Unasul. Assista ao vídeo ao lado.

O marco legal da Unasul já foi estabelecido pela diplomacia dos países envolvidos e os últimos detalhes foram definidos em maio. Além da assinatura do tratado, os presidentes devem analisar a proposta brasileira de criação do Conselho Sul-Americano de Defesa.

Fonte: Agência Brasil