Grandes empresas internacionais de navegação dizem que já existem condições climáticas de trafegar pelo Ártico durante boa parte do ano e aguardam apenas uma definição sobre a posse das águas para explorar regularmente esses caminhos.
O colapso das calotas polares ocorre em velocidade assustadora. A parte do gelo marinho que derrete a cada verão é cada vez maior – e a parte que recongela no outono, cada vez menor. A tal ponto que, no último verão setentrional, a camada de gelo no Ártico equivalia, em extensão, a apenas metade do que era há 50 anos. Isso cria um círculo vicioso para as mudanças climáticas, já que a água absorve a radiação solar e ajuda a elevar a temperatura do planeta – ao contrário do gelo, que reflete essa mesma radiação. O resultado é que o aquecimento tende a aumentar mais.
Esse fenômeno, percebido com maior clareza ao longo da última década, dá a largada para uma revolução na marinha mercante. Duas rotas historicamente fechadas para a navegação começaram a se abrir, conforme explica Danilo Ramos, engenheiro brasileiro que ocupa o cargo de gerente de projetos da multinacional francesa CMA CGM, com sede em Marselha. A Passagem Noroeste, sobre o Canadá, que costumava ter não mais de dois meses e meio de rotas navegáveis, hoje se abre ao tráfego marítimo por até cinco meses, viabilizando o transporte regular de mercadorias. A Passagem Nordeste, sobre a Rússia, tinha um período de navegabilidade entre junho e outubro – hoje esse período se estende até dezembro.
O tamanho do impacto da abertura dessas passagens pode ser facilmente sentido em duas ligações de enorme fluxo comercial. A ligação Nova York (EUA)-Yokohama (Japão), com extensão de 18.560 quilômetros através do Canal do Panamá e de 25.125 quilômetros pela alternativa do Canal de Suez, se encurta para 15.220 quilômetros usando a Passagem Noroeste. Já a ligação Hamburgo (Alemanha)-Vancouver (Canadá), com extensão de 17.310 quilômetros através do Canal do Panamá e de 27.200 quilômetros pela alternativa do Estreito de Magalhães, cai para 13.770 pela Passagem Nordeste.
Fonte: Valor Econômico
Escrito por Guilherme Oliveira
Escrito por Guilherme Oliveira
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