Protestos na Argentina impedem passagem de caminhões brasileiros

Por causa da greve dos produtores, mercado de grãos não registrou transações

BUENOS AIRES. Os produtores agropecuários argentinos, que anteontem anunciaram nova greve por oito dias, bloquearam a Rodovia do Mercosul, prejudicando caminhões brasileiros, uruguaios e paraguaios. Os manifestantes impediram a passagem de carregamentos provenientes de outros países do bloco, atrasando a passagem dos mesmos. A situação piorou a partir das 20h, quando, segundo o dirigente da Federação Agrária Argentina (FAA), Alfredo De Angeli, um dos principais líderes do setor, foi proibida a circulação de caminhões nacionais e internacionais.
Do lado argentino, a Rodovia do Mercosul passa pelas províncias de Corrientes, Entre Rios e Buenos Aires. Os manifestantes também protestaram em outras estradas, sobretudo em Santa Fe, Córdoba, além de Entre Rios e Buenos Aires. O governo da presidente Cristina Kirchner acionou 1.200 agentes de forças de segurança nacionais, mas até a noite de ontem não haviam sido registrados incidentes violentos. Durante um ato na província de Jujuy, Cristina se referiu aos produtores rurais como “minorias egoístas”:
- Meu coração encolhe quando vejo milhares de pobres dizerem que também têm obrigações, eles são a contracara das minorias egoístas e pouco solidárias que nunca compreenderam o país.
Já os líderes rurais insistiram em defender os protestos, desencadeados pela decisão do governo de não anular um decreto aprovado em março, que modificou o sistema que taxa as exportações de grãos, afetando as vendas de soja e girassol.
- Os produtores estão zangados e preocupados - disse o presidente das Confederações Rurais, Mario Llambías.
A crise entre o governo Kirchner e os produtores rurais deverá ter impacto negativo na produção de vários setores. De acordo com representantes das empresas que fabricam maquinaria agrícola, por exemplo, a greve poderia provocar uma queda de 30% nas vendas.
Por causa dos protestos, o mercado de grãos não registrou transações ontem.
- Não temos uma só ordem de venda, os telefones não tocam, e as conversas são fruto das notícias publicadas, e não do mercado - explicou à Reuters um operador de Rosario, a principal praça de soja do país.
Ao longo das três semanas de protestos em março, a bolsa fechou sem negociações na maior parte das sessões.
- Os corretores se renderam à paralisação - disse outro operador.
Fonte: O Globo

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