Resultados de missão comercial à Índia serão apresentados em São Paulo

Maio 5, 2008

São Paulo – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Câmara de Comércio Brasil-Índia promovem hoje (5), em São Paulo, seminário para divulgar os resultados da missão comercial a Nova Delhi, na Índia, no fim de março. O seminário começa às 13h30 no Hotel Gran Meliá Mofarrej.

Durante o encontro, serão divulgadas as oportunidades de negócios identificadas pela missão, que foi chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Essas oportunidades se concentram em setores como infra-estrutura; casa e construção civil; alimentos; varejo; máquinas e equipamentos; moda e tecnologia da informação.

Está prevista a presença do ministro Miguel Jorge, do presidente da Apex-Brasil, Alessandro Teixeira, do presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia, Roberto Paranhos, e do diretor da Câmara de Comércio Brasil-Índia, Rakesh Vaidyanathan.

Fonte: Agência Brasil


Suspensão das exportações argentinas afeta Porto de Santos

Maio 5, 2008

A suspensão por tempo indeterminado das exportações de trigo, decretada pelo governo argentino há duas semanas, já impacta a atividade do Porto de Santos. A última escala de um navio carregado com a commodity ocorreu em fevereiro passado e a próxima só deve acontecer no próximo mês. Enquanto isso, há terminais com seus estoques praticamente zerados e moinhos com reserva suficiente para abastecer o mercado interno por apenas mais 30 dias.

Depois de vários anúncios da liberação das exportações de trigo ao Brasil, a Argentina decidiu que não vai mais vender o produto, alegando o crescimento do consumo interno. Por ano, o País importa em torno de 2,8 milhões de toneladas da carga, sendo que 1,6 milhão de toneladas — dado do ano passado — entram pelo Porto de Santos.

Os importadores nacionais preferem comprar o carregamento da Argentina, pois o produto é mais barato e não há incidência do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), uma taxa de 25% paga ao Governo sobre o valor do frete marítimo nas operações de importação. Também há a opção de importar o trigo dos Estados Unidos e do Canadá, porém nestes mercados há a cobrança da tarifa.

O montante comprado no exterior é fundamental para atender a demanda interna brasileira. Estima-se que a importação de trigo atenda 70% do consumo nacional. Os outros 30% vêm de produção própria, de fazendeiros dos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul.

De acordo com o diretor do T-Grão, unidade do Grupo Multicargo especializada na movimentação de trigo no porto, Antônio Braz Filho, a quantidade estocada no terminal “está bem perto do final”. Ele disse que, em média, a instalação movimenta 50 mil toneladas de trigo por mês e, com a ociosidade dos últimos dois meses, 100 mil toneladas deixaram de ser operadas. “Para o terminal essa suspensão é complicada, porque os custos permanecem, só que não entra receita”.

Braz contou que todo o serviço fica parado na ausência dos navios. Quando há desembarque do produto, são dezenas de pessoas trabalhando, desde a operação do shiploader (aparelho sugador de grãos), que despeja o trigo nos silos, até o carregamento para distribuição.

A instalação também não pode aproveitar o momento ruim e movimentar outros tipos de carga. Além da questão contratual, que prevê a operação de trigo, os equipamentos do terminal precisariam ser substituídos.

Fonte:A Tribuna


Restrição a portos privados bloqueia investimentos

Maio 5, 2008

Em meio ao crescimento do comércio exterior e do risco de um apagão nos portos semelhante ao que ocorreu nos aeroportos do País, o setor portuário brasileiro vive hoje uma briga entre gigantes que está bloqueando investimentos de US$ 5 bilhões. De um lado, novos investidores, ligados à Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), que querem o fim de uma restrição imposta pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) à construção e ao funcionamento de portos privados no País. Chamados de Terminais Portuários de Uso Privativo Misto, esses portos podem ser construídos por empresas privadas para a movimentação de carga própria e de terceiros.  

 

Do outro lado da disputa, contrárias ao fim da restrição, estão as empresas que arrendaram, por meio de licitação pública, terminais em portos públicos, como o de Santos e o do Rio de Janeiro. Reunidas na Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), essas empresas investiram US$ 2 bilhões entre 1995 e 2008 na modernização da infra-estrutura.  

 

Travada até agora nos bastidores da burocracia do governo federal, a briga esquentou e chegou, nas últimas semanas, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os empresários ligados à Abdib querem a revogação da resolução da Antaq, de outubro de 2005, que determinou que a habilitação para a operação dos terminais de uso privativo só pode ser concedida se a empresa comprovar que a movimentação da sua própria carga justifica, por si só, a construção do terminal.  

 

Nesse grupo, estão pesos pesados como a LLX, do empresário Eike Batista, OAS Investimentos, Grupo Coimex, Bunge, Triunfo (dona da Portonave) e Hamburg Süd. Para esse grupo, a resolução da Antaq fere a chamada Lei dos Portos, de 1993, que permite a criação dos terminais privativos mistos, além dos públicos (que são licitados) e os de uso privativo das empresas. “A Lei estabelece que um empreendedor privado pode construir, explorar e ampliar terminais, dentro ou fora do porto organizado, para uso exclusivo ou para movimentar carga de terceiros, contanto que tenha também carga própria. Mas ela não expressa qualquer informação que signifique a imposição de limites máximos ou mínimos de carga própria”, critica o presidente da Abdib, Paulo Godoy. Segundo ele, a regra da Antaq está impedindo a construção de novos terminais, principalmente os voltados à movimentação de contêineres, o tipo de carga que mais cresce no Brasil.  

 

Já para a Abratec, a implantação de terminais integralmente privados para atuarem como se fossem terminais de uso público, sob o argumento da necessidade de novos investimentos e de expansão dos portos, é inconstitucional. Segundo o presidente da Abratec, Sérgio Salomão, a resolução da Antaq segue a Constituição e a Lei dos Portos, que estabelecem que a atividade portuária no Brasil é um serviço público que precisa de licitação para ser concedido à iniciativa privada. “A criação de terminais com função de terminais de uso público, sem prévia licitação, é inconstitucional e ensejaria uma total desorganização do setor”, diz Salomão.  

 

Fonte: O Estado de S.Paulo


Greve de auditores fiscais é suspensa em SP

Maio 5, 2008

Os auditores fiscais que atuam no Porto de Santos, litoral sul paulista, e no Aeroporto de Internacional de São Paulo, em Guarulhos, decidiram suspender por 21 dias, a partir desta segunda-feira, a greve iniciada no dia 18 de março, de acordo com a Agência Brasil. Segundo o delegado sindical do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) em Santos, Wellington Clemente Feijó, a suspensão tem como objetivo demonstrar a boa vontade dos trabalhadores para negociar o fim da paralisação com o governo federal.

“Decidimos suspender a greve para mostrar que não somos nós os intransigentes e os radicais”, afirmou Feijó. Segundo ele, a categoria procura o governo desde agosto de 2007 para discutir o aumento.

Os auditores têm salário inicial de R$ 10.155, que pode chegar a R$ 13.382 no final da carreira. A categoria reivindica equiparação com a da Polícia Federal, que tem teto superior a R$ 19 mil.

Hoje e amanhã, dirigentes nacionais do Unafisco se reúnem em Brasília para discutir os rumos da paralisação.
Fonte: Uol


Governo quer acelerar processo contra importação desleal

Maio 5, 2008

O governo vai reduzir o prazo para os processos contra importações desleais e para a concessão de licenças de importação, informou o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. As iniciativas fazem parte de uma reformulação gerencial na secretaria, que estabeleceu metas de desempenho e um plano de ação destinado a garantir o aumento no número de empresas exportadoras e a ampliação da participação do país no total de exportações mundiais, explicou.

Será endurecida a fiscalização de fraudes na importação, com a investigação de veracidade dos certificados de produtos submetidos a medidas antidumping (barreiras para evitar a importação de mercadorias com preço artificialmente reduzido). Segundo Barral, o governo teme que a aplicação de taxação antidumping sobre produtos de determinados países leve os importadores a usar falsas declarações de origem, para trazer essas mercadorias como se fossem de outros fornecedores. “Com o crescimento das importações, essa fiscalização se torna ainda mais importante”, argumenta Barral.

O endurecimento na fiscalização dos produtos sujeitos a medidas antidumping mostra que o esforço pelo aumento das exportações será acompanhado de medidas para combater as importações desleais. Em aproximadamente dois anos o governo quer reduzir para nove meses, no máximo, os processos de dumping contra importados, diz Barral. Mas também haverá um esforço para desobstruir os canais de comércio nos produtos sujeitos à licença de importação, que terão a tramitação divulgada pela internet até o fim do mês, segundo o secretário.

Barral está criando uma nova equipe na coordenação de defesa industrial, para acompanhar as estatísticas de importação e verificar eventuais surtos de produtos que ameacem a indústria instalada no país, para antecipar providências. “Queremos combater mais rapidamente as fraquezas no comércio exterior”, diz. “Vamos manter um mecanismo de vigilância, para ver, em caso de aumento de importações, se é perda de competitividade da indústria brasileira ou subfaturamento, pirataria, fraude ou contrabando.”

Paralelamente, o governo, com um pacote de desburocratização, dará maior clareza às regras de importação, reduzindo o número hoje exigido de “anuências” – autorizações de repartições públicas para as operações de importação. “Há casos em que foi criada uma regra sanitária no passado, as condições mudaram e a regra continua valendo”, exemplifica Barral. O Departamento de Comércio Exterior (Decom) fará uma consolidação das decisões tomadas em relação a processos de importação, para evitar decisões contraditórias e orientar os importadores, adianta o secretário.

As medidas fazem parte do recém-formulado plano de gestão da Secex, que necessitará de mais gente para cumprí-lo, comenta Barral. O quadro de funcionários, hoje com 280 pessoas, deve ser reforçado com mais 140 concursados e o ministério negocia a ampliação desses número, para chegar com 600 servidores a 2010. A secretaria quer reformar a legislação dos analistas de comércio exterior, para que a carreira tenha número estável de vagas e regras de ascensão como os diplomatas no Ministério de Relações Exteriores.

O Decom procura parceiras entre as associações e federações de indústria para divulgar o apoio do governo às empresas vítima de ações de defesa comercial no exterior. “Muita gente não sabe que o Decom auxilia as empresas brasileiras a vencer ameaças de barreira lá fora”, explica Barral, que espera começar ainda neste semestre a distribuição de material de divulgação e os contatos com as empresas.

A divulgação de informações é um dos principais pontos do plano de ação da secretaria, que passará a divulgar pela internet também os processos de defesa comercial concluídos no Brasil, hoje publicados apenas no “Diário Oficial da União”. A divulgação ajudará os importadores a conhecer os critérios usados para barrar produtos de fornecedores externos e dará elementos aos produtores no Brasil para melhor instruir os processos contra a concorrência estrangeira, argumenta.
Fonte: Valor Econômico


Greve dos auditores prejudicou balança comercial, diz secretário

Maio 5, 2008

Vendas de produtos brasileiros cresceram em quase todos os países, exceto nos EUA.

O saldo da balança comercial poderia ter sido US$ 1,2 bilhão maior não fosse a greve dos auditores fiscais. A afirmação é de Weber Barral, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A diferença de exportações menos importações, em abril, foi de US$ 1,744 bilhão. Os números foram comentados hoje por Barral, titular da secretaria de Comércio Exterior.

Segundo ele, no mês passado, várias solicitações de exportação não tiveram despacho da Receita Federal, por conta da greve. Dentre elas a de petróleo, no valor de US$ 600 milhões, de soja em grão, que totalizava mais de US$ 300 milhões, de farelo de soja em grão, num total de US$ 200 milhões, e de minério de ferro, no valor de US$ 120 milhões.

Barral ressaltou que as exportações continuam crescendo num bom ritmo, tendo registrado evolução de 15,2% nos últimos 12 meses. Ele lembrou que, no entanto, as importações cresceram bem mais, tendo alcançado 38% de crescimento no mesmo período, em função, principalmente, da desvalorização do dólar norte-americano em relação ao real.

Segundo ele, as vendas de produtos brasileiros cresceram em quase todos os países, no mês passado, exceto nos Estados Unidos, epicentro da crise financeira do mercado imobiliário de risco (subprime). Em abril, houve redução de 20% das vendas brasileiras para aquele país, equivalentes a US$ 182 milhões.

Barral ressaltou, contudo, que os Estados Unidos são “nosso principal parceiro comercial e devem se manter como tal”. Segundo o secretário, a redução das exportações para o país se deu em virtude do petróleo solicitado e não despachado.

Ele disse ainda que a elevação do Brasil ao grau de investimento contribui para a desvalorização cambial, mas ressaltou que câmbio é “apenas um dos fatores que facilitam as importações”, e pode ter ainda outro efeito, na avaliação do secretário, que é a entrada de capital produtivo no país.

O secretário lembrou que vários países têm câmbio elevado, como a Alemanha, e continuam com grandes exportações porque têm alta competitividade industrial. Para ele, o Brasil precisa de uma logística mais eficiente, um sistema tributário mais claro e mais incentivos às exportações. Barral destacou que, nesse sentido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgará, no próximo dia 12, a nova política industrial, com 40 medidas de apoio à indústria brasileira.
Fonte: Zero Hora


Fiergs obtém nova liminar que obriga auditores a liberarem mercadorias

Maio 5, 2008

Nova medida abrange o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) obteve a quinta liminar que obriga os auditores fiscais da Receita Federal a liberarem as mercadorias para exportação e importação retidas em função da greve da categoria. A nova medida abrange o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e determina que sejam atendidas até 40% das demandas dos associados da entidade. Já haviam sido liberadas as aduanas de Rio Grande, Uruguaiana, Caxias do Sul e Novo Hamburgo.

Auditores decidem manter greve

Os auditores completaram hoje 46 dias de greve e decidiram, de acordo com as assembléias regionais realizadas na última quarta-feira, continuar o movimento por tempo indeterminado. A categoria quer elevar a faixa mais alta de seus vencimentos, hoje em torno de R$ 13 mil, para R$ 19,7 mil, e um cronograma dos reajustes mais curto do que o proposto pelo governo. A greve tem prejudicado o comércio exterior brasileiro tanto nas exportações quanto nas importações.

— Acreditamos que há espaço para negociação justamente porque o reflexo negativo é grande na vida das pessoas e das empresas e o governo não pode ficar insensível a isso — afirmou ontem o secretário geral do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Rogério Calil.

Na quarta-feira, as regionais da Unafisco realizaram assembléias em todo o país e um item da votação permaneceu dividido — estabelecer ou não uma pauta mínima para negociação.

Apesar da divisão nesse ponto, o Unafisco informou que a maioria da categoria votou pela continuidade da greve.

— A partir de agora, semanalmente, as assembléias serão realizadas para avaliar a continuidade ou não da paralisação — completou Calil.

Informou ainda que não há nova reunião marcada com o Ministério do Planejamento, mas os auditores estão dispostos a buscar novos apoios de parlamentares que possam intermediar o impasse.

Calil lembrou que os auditores discordam do cronograma do reajuste parcelado que está sendo proposto pelo governo, em julho de 2008, julho de 2009 e julho de 2010. Os auditores reivindicam um tempo menor para concessão das parcelas de forma que terminem em dezembro de 2009. Outro ponto de atrito é o sistema de avaliação de desempenho dos auditores que a categoria sustenta conter critérios subjetivos.
Fonte: Zero Hora


Nova onda exportadora

Maio 5, 2008

Luciano Pires
Criadores aproveitam demanda maior e as boas condições de produção para investir na venda de carne suína. Expectativa é de que o comércio com o exterior cresça 5%
Beneficiado pela explosão na demanda mundial por comida, o Brasil quer ser protagonista de uma nova onda exportadora: a de carne suína. O país reúne algumas das melhores condições de produção, como terra, água e grãos em abundância, e nos últimos 10 anos vem se adaptando aos padrões internacionais para dominar uma fatia maior de mercado. Especialistas e indústria apostam em um futuro promissor e acreditam que 2008 poderá ser o ano da virada.
No ranking dos maiores vendedores, União Européia, Estados Unidos e Canadá quase não enfrentam concorrência. O Brasil é o quarto colocado, mas está bem atrás dos líderes. No consumo, a lógica é mais ou menos a mesma, prevalecendo sempre a força dos mais ricos. Os europeus, por exemplo, comem, em média, 45 kg per capita/ano, enquanto que a China, 35 kg per capita/ano. Os brasileiros respondem por apenas 12 kg, sendo que 9 kg só de embutidos, principalmente presunto. Até 2035, a previsão é que o consumo total salte de 200 milhões de toneladas para 400 milhões de toneladas.
A corrida brasileira para tentar tirar proveito desse crescimento já começou. “O frango saiu na frente, o boi veio logo em seguida. O suíno cresceu, deu uma estacionada, mas agora quer arrancar” , explica Pedro de Camargo Neto, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). O Brasil produz 3 milhões de toneladas, das quais 600 mil são exportadas. Neste ano, a expectativa é crescer 5%.
O otimismo do setor ganhou fôlego depois que o Comitê Internacional Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), órgão máximo para questões sanitárias, reconheceu o estado de Santa Catarina como área livre de febre aftosa sem vacinação. Os catarinenses são os maiores produtores, com 25% do volume nacional. O status sanitário, concedido no ano passado, é inédito no Brasil e ajuda a consolidar o discurso de que as perspectivas, além de boas, são reais.
Essa credencial é o que faltava para os empresários brasileiros sonharem mais alto. A busca por novos mercados virou uma espécie de obsessão, a indústria refez estratégias e aumentou os investimentos. “O maior mercado de suíno é o Japão, mas está fechado para o Brasil. Depois vem a Rússia, que é aberta. Coréia e México, que não importam da gente, são outros grandes países”, reforça Camargo Neto. O Chile, segundo ele, vai abrir logo suas portas. “Pensamos muito nos Estados Unidos também, mas eles ficaram de enviar uma missão em junho para ver como estão as coisas. De qualquer forma, não é nada para agora”, justificou o representante da Abipecs.
Nova fronteira
Embora as barreiras sanitárias ainda sejam grandes obstáculos, existe uma expansão em curso e ela acontece rumo ao Centro-Oeste. Nem a febre aftosa, doença que também atinge o porco, foi capaz de impedir o avanço dos criatórios e abatedouros para a região. Estados como Goiás e Mato Grosso estão na lista de prioridades das grandes companhias nacionais de alimentos, que planejam construir novas unidades ou incrementar estruturas existentes.
Motivos para escolher a região não faltam. A produção agrícola local é moderna, há oferta de mão-de-obra e muitos municípios contam com infra-estrutura razoável. “O interesse especial é pelo milho e a soja. O Centro-Oeste é um grande celeiro e isso atrai essas empresas de suínos”, resume Renato Simplício, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (Fape-DF).
Associação
O modelo de negócio é semelhante ao do frango. O sistema de fazendas integradas, com supervisão e assistência técnicas de uma matriz, funciona bem, proporciona economia e melhor controle de doenças. Do ponto de vista econômico, os produtores estão satisfeitos. Muitos preferem se integrar, associando-se a uma indústria, do que atuar só.
Renato Simplício explica que o Distrito Federal tem tudo para pegar carona nesse boom. Apesar das limitações territoriais, a logística facilita a atração de indústrias de suínos, as técnicas empregadas pelos produtores também são consideradas de qualidade. “O DF é referência e quer ser ainda mais. Estamos desenvolvendo um trabalho sério no que diz respeito ao tratamento de dejetos. Seremos exemplo para o Brasil em breve”, completa

Fonte: Correio Braziliense


CÂMBIO – Governo avalia medidas para conter a enxurrada de dólares

Maio 5, 2008

Sem abrir mão da política de câmbio flutuante, saída é aumentar pedágio sobre entrada de capital especulativo.

     O governo está disposto a recorrer a uma nova calibragem no pedágio cobrado para o ingresso de capitais estrangeiros se, de fato, a chancela do investment grade (reconhecimento de que o Brasil é um País de baixo risco para os investidores) provocar uma enxurrada incontrolável de dólares no mercado doméstico. Nesta quarta-feira, durante a reunião da coordenação política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vão avaliar os impactos de curto, médio e longo prazos da reclassificação brasileira pela agência Standard & Poor?s.

      Eles querem criar uma rotina para acompanhar o ingresso de capitais e discutir cenários sobre como tirar proveito do novo patamar da economia, montando uma estratégia de alongamento do perfil da dívida interna e de preservação de um crescimento da economia no ritmo de 5% ao ano. Trata-se de uma reflexão que envolverá o conjunto do governo, sem abrir espaço para idéias que ponham em risco a estabilidade da economia ou mudanças na política cambial. “A política é de câmbio flutuante. Ponto!”, diz um auxiliar de Lula ao Estado.

      Segundo essa fonte, o presidente está convencido de que a prática da política de câmbio flutuante trouxe “mais vantagens do que desvantagens ao País”. O câmbio flutuante não impede a valorização do dólar, mas tem o potencial de corrigir eventuais distorções na conta de balanço de pagamento do País ao longo do tempo, como pondera o Banco Central. No entanto, o presidente considera necessária uma reflexão, envolvendo o conjunto do governo, sobre se é necessário ou não criar obstáculos ao capital especulativo.

      Esses debates são estimulados pelo desejo de construir um consenso sobre como resolver o problema da crescente valorização do real. A expectativa do Planalto é que o Ministério da Fazenda possa apresentar uma proposta engenhosa, como a que prevaleceu no caso do aumento dos combustíveis. A Fazenda propôs, e Lula aceitou, abrir mão de cerca de R$ 3 bilhões da arrecadação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para evitar o repasse para os consumidores do aumento de 10% no preço da gasolina nas refinarias.

      SEM PRESSA

      Ao contrário de outros momentos em que as investidas para frear o ingresso de capital estrangeiro tinham como motivação questões ideológicas, desta vez o governo está mais pragmático. “O País mudou de patamar. As soluções exigem uma engenharia financeira sofisticada”, pondera uma fonte. “É preciso agir com ciência e não com emoção”, diz um assessor, resumindo o pensamento de Lula neste momento.

      A aplicação de uma alíquota de 1,5% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o ingresso de capitais para aplicações em renda fixa e títulos do Tesouro Nacional foi adotada pelo governo em março. Na época, a medida representou um contraponto à decisão do BC de elevar o juro para trazer a inflação para a meta de 4,5% ao ano. Lula entende que a trava do IOF “já está posta”. Uma elevação da alíquota, só deve ocorrer se, de fato, não provocar mais danos do que benefícios à estabilidade da economia.

      O presidente não aceitará ponderações contaminadas por uma visão ideológica contra o capital estrangeiro e considera que nada deve ser feito sem a necessária maturação do processo de discussão.

      “Não é preciso fazer nada imediatamente”, avalia um assessor. Ele lembra que nas conversas que o presidente da República mantém com o presidente do BC, Henrique Meirelles, recebe informações sobre o aspecto benigno do capital estrangeiro que, este ano, estará financiando o déficit em contas correntes. As contas correntes do balanço de pagamentos do País são o resultado das trocas comerciais e financeiras e de serviços com seus parceiros no exterior. Esse déficit saltou no primeiro trimestre para US$ 10,57 bilhões, próximo dos US$ 12 bilhões estimados pelo BC.

      Apesar de considerar a possibilidade de os investimentos externos financiarem o déficit em conta corrente, o presidente defende uma melhora no saldo comercial do País, que vem se debilitando desde o início do ano. No quadrimestre, o superávit comercial foi de US$ 4,58 bilhões enquanto, no mesmo período do ano passado, as exportações superavam as importações em US$ 12,9 bilhões.

      Para Lula, o anúncio da nova política industrial, no dia 12, e as medidas de desoneração para os exportadores trarão melhor desempenho à balança comercial. “Haverá uma melhora no fluxo de caixa das empresas e isso se refletirá na competição dos produtos brasileiros”, avaliam os assessores envolvidos nos estudos.

Fonte: O Estado de São Paulo