Auditores voltam ao trabalho hoje

Maio 2, 2008

Os auditores fiscais que atuam no Porto de Santos suspenderam a operação-padrão e voltam hoje ao trabalho em condições normais, depois de 45 dias de greve em âmbito nacional. A suspensão do movimento valerá por 21 dias.

Os auditores fiscais que atuam no Porto de Santos suspenderam a operação-padrão e voltam hoje ao trabalho em condições normais, depois de 45 dias de greve em âmbito nacional. A decisão foi tomada na assembléia realizada ontem, em Santos, pelo Sindicato Nacional dos Auditores-fiscais da Receita Federal (Unafisco).

A suspensão do movimento valerá por 21 dias, mas a expectativa da categoria é de que o Planalto acene com outra proposta até lá.

De acordo com o presidente da entidade, Wellington Clemente Feijó, a medida contou com o apoio de 90% dos servidores. ”Vinte e um dias é um prazo razoável para que o Governo avance nos pontos”, afirmou Feijó. Os servidores pedem equiparação salarial com os salários das demais carreiras essenciais ao Estado, como as de delegado.

”Nós queremos mostrar para a opinião pública que não estamos sendo radicais nem intransigentes, pois o Governo prometeu que ia avançar em alguns pontos que estão pendentes se voltássemos ao trabalho”, afirmou Feijó.

O Planalto concorda em equiparar o salário dos fiscais com o de outras carreiras típicas de Estado, mas somente a partir de julho de 2010. Os servidores querem adiantar em um ano a entrada em vigor do compromisso.

Outra reivindicação é o fim do chamado fosso salarial, de forma que haja promoção dos servidores que ganham o piso para faixas intermediárias. ”Há buracos no meio da carreira”, afirmou Feijó.

Até o fechamento desta edição, o resultado parcial das assembléias em outros estados apontava a manutenção da paralisação dos servidores, conforme informou o diretor de Relações Internacionais do Unafisco, Robson Canha.

NÚMEROS - Conforme Wellington Feijó, até sexta-feira da próxima semana a situação no Porto de Santos deverá estar normalizada, com o despacho das cargas ocorrendo no fluxo normal.

Mas para o diretor-executivo do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), José dos Santos Martins, devem ser necessários pelo menos 15 dias para ”a situação começar a se normalizar”.

”O Sopesp aguarda com muita expectativa o término da greve para que os terminais possam regularizar o fluxo de expedição e recebimento de contêineres”, disse o executivo, sem detalhar números de quantos cofres estariam retidos no porto por conta do protesto dos auditores-fiscais. ”É um número bastante elevado para a capacidade de estocagem”.

Com informações do Jornal A Tribuna


GREVE - Últimas informações

Maio 2, 2008

Em boa parte do país a GREVE dos Auditores fiscais acabaram. Em alguns pontos, devido ao feriado, podem demorar a normalizar o serviço.

Pergunta que se faz: a greve acabou mesmo? até quando?


Bush quer fim de barreira para exportação

Maio 2, 2008

AGRICULTURA

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu ontem que os países eliminem as barreiras para as exportações de produtos agrícolas e defendeu o cultivo de transgênicos.
“Alguns países estão impedindo alimentos de chegarem aos mercados, e pedimos que eles dêem um fim a essas restrições para ajudar a diminuir o sofrimento daqueles que não estão conseguindo comida.” Sobre os transgênicos, Bush afirmou que são seguros, resistentes a doenças e seca e podem produzir mais alimentos.

Fonte: Folha de São Paulo


Sistema deve beneficiar pequeno e médio exportador

Maio 2, 2008

De Buenos Aires

Os formuladores do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) estimam que os maiores beneficiários da eliminação do dólar no comércio bilateral serão os pequenos e médios exportadores. As transações em pesos e reais, sem passar pelo dólar, devem eliminar custos que pesam pouco no bolso das grandes empresas, mas muito no das pequenas companhias.

Um gráfico apresentado pela gerente do Banco Central argentino, Maria Cristina Pasin, em uma conferência para apresentar o SML aos exportadores, mostra que, em junho de 2007, os exportadores argentinos que venderam até US$ 10 mil pagaram um spread sobre a taxa de câmbio de referência do Banco Central de até 0,29%. Na medida em que aumentam os valores exportados, o spread vai baixando até perto de zero, que era o que pagavam os exportadores de mais de US$ 2 milhões. Os spreads mudam de acordo com a conjuntura, mas o exemplo não está longe da realidade atual.

Ao spread se somam custos administrativos e as comissões bancárias sobre as transações de câmbio que, segundo Sergio Ares, gerente de Comércio Exterior do Banco da Província de Buenos Aires, variam de US$ 10 a US$ 50, dependendo do banco e do volume de transações. A lógica é sempre quem vende mais, paga menos. (JR)
Fonte: Valor Econômico


De caloteiro a bom pagador

Maio 2, 2008

Nunca antes na história deste país…
Poderia começar assim qualquer análise sobre o importante grau de investimento obtido ontem pelo Brasil. A notícia é uma das mais valiosas da safra de recuperação da economia. Vinte e um anos depois de ter decretado a moratória, o país é visto como bom pagador ou, na pior das hipóteses, com menor risco de dar um calote.
O investment grade é uma espécie de certificado de qualidade para o país, o que gera estabilidade e, o mais importante, continuidade nos recursos que chegam aqui. O Brasil vem - ano a ano - recebendo dólares do Exterior. Até abril, foram US$ 12,4 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, e a expectativa é de bater o recorde de US$ 34,6 bilhões do ano passado, sedimentando o processo de crescimento.
À primeira vista, mais dinheiro deve ser destinado às aplicações na bolsa. Fundos de pensão nos EUA, donos de trilhões de dólares, por exemplo, só são autorizados a destinar parte de seus recursos a países que contam com a chancela dada pelas agências de risco. Com mais investimentos, a economia poderá crescer até mais do que os cerca de 5% previstos para este ano.
Boa nota só ganha quem estuda e faz o dever de casa. A um custo pesado, claro, a partir da implementação de uma dura política de controle de inflação e de geração de superávits elevados. Mas com um resultado que, a médio prazo, significa um reforço importante na representatividade do país na comunidade financeira internacional. O reflexo desta maior credibilidade: empresas e bancos brasileiros poderão acessar o mercado externo a custos mais competitivos. De caloteiro no passado, o país, desde ontem, passou a bom pagador.

MARIA ISABEL HAMMES
Os efeitos
Como pôde ser observado ontem pelo comportamento da bolsa de valores e do câmbio, o mercado financeiro brasileiro será reforçado.
Melhor imagem
Ter grau de investimento significa que o Brasil recebe uma espécie de selo de confiança do mercado financeiro internacional. A partir dessa promoção, a imagem do país, que já havia melhorado dramaticamente no mercado externo, será ainda melhor.
Mais investimentos
Ter grau de investimento permite que os papéis do governo brasileiro sejam negociados por investidores institucionais. Em muitos países, a legislação só permite aplicações de grandes fundos de pensões, por exemplo, em títulos com grau de investimento. A nota do país o incluía no grupo chamado “especulativo”, ou seja, para quem estava disposto a correr mais riscos.
Maior robustez
Com a entrada desses novos investidores, o mercado financeiro e de capitais do Brasil ganha mais volume e mais consistência. Além de mais recursos, deve entrar capital disposto a esperar por retorno garantido, o que pode representar a mudança de patamar dos negócios do país.
Mais dólares
Com a entrada de novos investidores estrangeiros, mais dólares entrarão no país, reduzindo ainda mais a cotação do dólar frente ao real.
Juro menor
Com mais recursos no mercado, as empresas poderão fazer investimentos necessários para aumentar a produção, reduzindo um dos componentes inflacionários que preocupam o Banco Central: o descompasso entre a oferta e a demanda. Assim, a médio prazo, a taxa de juro definido pelo Comitê de Política Monetária pode cair.
Fonte: Zero Hora


Exportadores temem queda excessiva do dólar

Maio 2, 2008

Analistas do mercado não mudam suas projeções para o câmbio: déficit externo poderia evitar apreciação do real
Comemorada por empresários, economistas e pelo governo, o grau de investimento trouxe um sinal de alerta para a indústria exportadora. Teme-se que, com a chancela de ser considerado um país de risco baixo, o Brasil atraia volumes gigantescos de investimentos, derrubando ainda mais o dólar, cuja cotação já vem prejudicando as exportações de produtos manufaturados. Mas, para economistas e analistas de mercado, os efeitos sobre o câmbio tendem a ser apenas de curto prazo. O cenário básico para a taxa do dólar não foi alterado.
- Em países que passaram pelo grau de investimento, houve apreciação cambial a curto prazo e isso pode prejudicar a balança comercial brasileira. Mas acredito que, a médio prazo, o dólar voltará a subir no Brasil, porque o país está com déficit em conta corrente (trocas de recursos com o resto do mundo) - diz Luís Afonso Lima, presidente da Sobeet, entidade que reúne empresas transnacionais.

“Estrangeiros vão se beneficiar duplamente”
A LCA Consultores não alterou sua previsão para o câmbio: de R$1,60 no fim do ano e R$1,55 em dezembro de 2009. Pedro Bastos, principal executivo do HSBC Investment no país, também não mudou as projeções.
- O investment grade reforça uma expectativa que já tínhamos de maior estabilidade para a moeda até o fim do ano.
Mas os exportadores estão apreensivos. O vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, lembra que a balança comercial brasileira tem sido sustentada pela alta das commodities. As vendas de manufaturados estão perdendo fôlego com o real apreciado.
- Para o país, o grau de investimento é ótima notícia. Mas, para o investidor do setor produtivo, o país ficará mais caro e mais difícil para exportar manufaturados. Com juros elevadíssimos e, agora, o grau de investimento, o dólar vai derreter - diz Castro.
Alexandre Horstmann, diretor de gestão da Meta Asset Management, lembra que o Brasil é o primeiro país a receber o investment grade com a maior taxa de juro real do mundo:
- No clube dos bons pagadores, os estrangeiros vão se beneficiar duplamente. Além do menor risco para investir, vão lucrar em cima dos juros.
Economista-chefe para América Latina do ABN Amro e ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman discorda. Ele lembra que o perfil dos investidores que exigem o grau de investimento é diferente daqueles que buscam o diferencial de juros. Agora, o país deve atrair fundos mais conservadores. Por outro lado, alguns investidores mais agressivos, que tipicamente querem lucrar com juros altos, poderão sair do país, porque já aplicaram aqui à espera do grau de investimento e, agora, embolsariam seus lucros.
Schwartsman acredita ainda que, em termos de fluxos de dólares, a grande diferença virá não nas aplicações financeiras, e sim nos investimentos estrangeiros produtivos.
- Muitas empresas têm restrições para investir em países sem grau de investimento - diz o economista, que também não se preocupa com o déficit em conta corrente do país: - Diferentemente do que ocorria no passado, hoje há disposição do mundo em financiar o Brasil.
COLABORARAM: Bruno Rosa e Juliana Rangel
Fonte: O Globo


“O Brasil foi declarado um país sério/primeira página”

Maio 2, 2008

Vicente Nunes,Da equipe do Correio

A reação do presidente Lula, ao saber da classificação do Brasil como país seguro para receber investimentos internacionais, traduz a euforia no mercado financeiro. Bolsa fechou em alta de 6,3%
Especialistas não esperavam por uma notícia como essa antes do segundo semestre do ano. Daí por que a decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, de elevar o Brasil à condição de grau de investimento (investment grade), pegou todo mundo de surpresa. Na prática, significa que o país deixou para trás a péssima fama de caloteiro e ingressou no seleto clube das nações consideradas seguras para o capital externo. A medida, que abre as portas do país para os trilhões de dólares administrados pelos grandes fundos de pensão do mundo, provocou euforia no mercado financeiro. A Bolsa de São Paulo fechou em alta de 6,3%. E deixou o presidente Lula em êxtase. “Passamos a ser merecedores da confiança internacional”, comemorou. Para reforçar o otimismo, o governo anunciou ontem que, pela primeira vez num trimestre, o Brasil conseguiu pagar os encargos da dívida pública e ainda fechou o caixa com sobras de mais de R$ 3 bilhões.

Brasil alcança a elite
Grau de investimento abre as portas do país para trilhões de dólares administrados por fundos de pensão mundiais
A agência de classificação de risco Standard & Poor´s surpreendeu o mercado ontem e elevou o Brasil à condição de grau de investimento (investment grade). Com isso, o país entrou para um seleto grupo de nações consideradas portos seguros para o capital. A maioria dos especialistas esperava por essa chancela apenas no segundo semestre do ano. A S&P creditou a decisão aos “grandes avanços da economia brasileira”, que entrou em uma rota de crescimento sustentado, está combatendo de forma veemente a inflação, tornou-se credora internacional e vem corrigindo uma de suas principais vulnerabilidades, a relação entre a dívida interna e o Produto Interno Bruto (PIB), que fechou março em 41,2%, depois de encostar nos 60% em 2002.
A medida, que abre as portas para os trilhões de dólares administrados pelos grandes fundos de pensão do mundo e deve ser endossada em breve por outra agência, a Fitch Ratings, provocou euforia nos mercados financeiros — a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou alta de 6,3% (leia texto na página 14) — e deixou o governo em estado de êxtase. Assim que soube da notícia, o presidente Lula afirmou: “Se a gente for traduzir isso para uma linguagem que os brasileiros entendem, o Brasil foi declarado um país sério, que tem política sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e, com isso, passamos a ser merecedores da confiança internacional”.
Lula ressaltou que há pessoas preocupadas com a possibilidade de o grau de investimento derrubar ainda mais o dólar, mas considerou a decisão da S&P excelente. “Confesso a vocês que, quando saí de Garanhuns (PE), em 1952, jamais imaginei que pudesse chegar o dia em que os brasileiros passassem a ter preocupações com o ingresso de dólar no país. Quis Deus que fosse exatamente no momento em que um presidente de sorte assumisse a presidência da República”, afirmou. Para Lula, o grau de investimento é “o aval de que passamos a ser donos do nosso nariz e podemos determinar a política que acharmos conveniente para o Brasil”. Na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o grau de investimento atrairá mais recursos para o aumento da produção, garantindo a sustentabilidade do robusto crescimento do país.

Caloteiro contumaz
O grau de investimentos tem várias implicações para o Brasil. Primeiro, porque enterra de vez o histórico de caloteiro contumaz do país. Segundo, porque reduz o custo dos empréstimos no exterior para o governo e as empresas. Terceiro: dará um alívio considerável nas contas externas, que vêm registrando déficits crescentes, devido ao forte aumento das importações e das remessas de lucros e dividendos. Como o fluxo de dólares tenderá a ser mais consistente e contínuo, o país não terá problemas para financiar os rombos. Também não haverá risco de disparada dos preços do dólar, como se esboçou anteontem, quando o BC divulgou um buraco nas contas maior do que o esperado para o primeiro trimestre (US$ 10,7 bilhões). Agora, há quem veja a moeda americana cotada abaixo de R$ 1,60.
Segundo Lisa Schineller, analista-chefe para a América Latina da S&P, “o grau de investimento reflete a maturidade institucional do Brasil e de suas políticas”. Ela destacou que o país consolidou a estabilidade econômica, que permitiu a retomada dos investimentos produtivos, o aumento do emprego formal e a consolidação de expressivo mercado de consumo. Para Lisa, a crise internacional provocada pelo estouro da bolha imobiliária americana foi fundamental para mostrar o quanto o Brasil está melhor preparado para enfrentar choques externos. O país praticamente não sentiu os solavancos que abalaram o mundo e se manteve atrativo para os investidores estrangeiros, que aportaram US$ 12,4 bilhões nos primeiros quatro meses do ano no setor produtivo.
A analista destacou ainda a autonomia e o firme compromisso do BC no combate à inflação, ao contrário de outros países que relaxaram ou abandonaram os sistemas de metas, devido à disparada dos preços dos alimentos e da energia, imunes à política de juros. Outro ponto ressaltado por Lisa foi a manutenção do superávit primário (economia para o pagamento de juros) em 3,8% do PIB, apesar do fim das receitas com a CPMF. “Não há dúvidas de que todos esses pontos são importantes e merecem ser ressaltados”, acrescentou Jankiel Santos, economista-chefe do Banco BES Investimentos. “Mas o governo não pode deitar em berço esplêndido. Para que o país realmente cresça de forma robusta e dinâmica, é preciso fazer as reformas adiadas, como a tributária e a trabalhista”, assinalou.

Inflação e juros
No entender do economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, também não se deve esperar alívio na inflação a curto prazo. “Mesmo que o dólar caia, com o maior fluxo de recursos para o país, as pressões dos alimentos vão continuar. O BC continuará aumentando os juros, até que se sinta confortável com o comportamento dos índices. Mas talvez, o BC não seja obrigado a estender o aperto monetário, como se vinha falando”, afirmou.
Para Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, é preciso lembrar que a entrada do Brasil no circuito dos grandes fundos de pensão não se dará de forma imediata. Pelo regulamento dessas instituições, elas só podem destinar recursos para países cujo grau de investimento tenha sido ratificado por duas agências de risco. E, por enquanto, somente a S&P deu seu aval. E mais: mesmo sendo o Brasil merecedor da chancela de porto seguro para o capital, não se pode esquecer que as empresas de rating perderam boa parte da credibilidade ao classificarem como risco zero as operações imobiliárias de alto risco nos Estados Unidos.
Fonte: Correio  Braziliens